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Crónicas, contos e confissões de uma solteira gira e bem resolvida que não cumpriu o papel para o qual foi formatada: casar e procriar. Caso para cortar os pulsos ou dar pulos de alegria? Provavelmente, nem uma coisa nem outra!

19
Jul21

eye-2274884_1280.jpgOra viva! ✌️ 

Após ter-me baldado na sexta-feira, eis-me aqui pronta para mais um papo amigo, desta vez dedicado ao arrependimento, definido pelo dicionário Priberam como o verbo que traduz o sentimento de "lamentar ou ter pena por alguma coisa feita ou dita ou não feita ou não dita." Ensinou-me a vida que mais vale arrepender-me do que fiz (mesmo que não tenha dado certo) do que arrepender-me do que não fiz, pois o não fazer implica que deixei de viver algo.

Sabendo bem que o arrependimento é uma emoção dolorosa, ainda que lhe reconheça a sua utilidade, permite-me partilhar contigo cinco dos arrependimentos mais comuns, de acordo com o especialista Adrian R. Camilleri, num artigo para o Psychology Today. De acordo com este psicólogo, "refletir sobre os arrependimentos mais duradouros é importante, porque eles geralmente remetem a grandes decisões na vida"

“Cada um de nós tem controlo sobre essas decisões – portanto, podemos potencialmente evitar os piores arrependimentos ao termos um plano”, considera ele. Assim, com base na sua experiência, identifica uns quantos arrependimentos-chave que as pessoas tendem a ter quando olham em retrospetiva para as escolhas que fizeram. São eles:

Gostava de ter vivido a vida fiel a mim mesma, e não a vida que os outros esperavam de mim
Seguir religiosamente as normas às custas das próprias emoções, sonhos, paixões e expectativas terá como desfecho a deceção e a amargura.

Gostava de não ter trabalhado tanto
O tempo não é reembolsável, portanto, se o gastares quase todo a trabalhar, não poderás usá-lo para fazer coisas mais significativas, e bem mais prazerosas, convenhamos.

Gostava de ter tido coragem para expressar os meus sentimentos
Seres aberta e honesta sobre os teus pensamentos e sentimentos é única forma de criares laços genuínos com as outras pessoas.

Gostava de ter mantido contacto com os meus amigos 
É desanimador estares desconectada daqueles que realmente te estimam, entendem e aceitam tal como és. 

Gostava de ter-me permitido ser mais feliz
As expectativas e opiniões dos outros não devem impedir-te de ser feliz, de seres fiel à sua verdadeira essência. Além disso, a felicidade pode ser encontrada na jornada, não apenas no destino, ao qual muitas vezes nunca chegamos.

Como pudeste ler, deixar de ser ou fazer aquilo que nos dita a voz do coração é uma postura que conduz fatalmente a arrependimentos, os quais dificilmente conseguimos resgatar, por mais que assim o desejemos. Por isso, o meu conselho para esta semana que hoje arranca é que (re)penses bem as tuas prioridades e tentes viver a tua vida como queres e não como deves. Capice?

Aquele abraço amigo e até quarta!

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12
Jul21

girl-2573111_1920.jpgOra viva! 🍀

Um papo domingueiro com uma amiga adorável, e adorada, inspirou-me a escrever esta crónica, dedicada ao mudar de vida, mais concretamente ao momento ideal para o fazermos. Antes de adentrar pelo assunto, abro um parêntesis para fazer uma atualização do meu quadro clínico: há quatro dias que não tenho qualquer sintoma e deverei ter alta depois de amanhã. Escuso descrever o alívio e a gratidão que me assolam, afinal consegui sair ilesa de mais esta provação da vida.

Quanto ao tema de hoje, trouxe um artigo da executive & life coach Mafalda Almeida, que retrata na perfeição aquilo que vai na alma de quem se encontra num momento de viragem da sua vida, como é o meu caso, em que vou abraçar uma mudança radical.


Dedico esta crónica a todas as pessoas que acreditam que existe uma idade limite para seguirem os seus sonhos, para mudarem de vida e seguirem a voz do coração. Esta é uma crença na qual muita gente decide acreditar, e cuja “desconstrução” poderá ser realizada com as ferramentas certas (coaching e mentoria, por exemplo).

Conheço pessoalmente casos de clientes minhas que se agarram com “unhas e dentes” ao vício do ordenado ao final do mês, optando por viverem infelizes o resto das suas vidas, em nome do medo do incerto, em nome dos encargos financeiros e morais, em nome de uma vida que foram construindo e que agora simplesmente está a deixar de fazer sentido.

Sei que é possível mudar, porque eu mesma sou prova disso, e também sei que todas somos capazes de o fazer. Não me estou a referir somente ao âmbito profissional, como certamente já entendeu. Refiro-me a tudo. Conheço pessoas que criaram condições para realmente e finalmente serem felizes, e viverem de acordo com aquilo que lhes faz sentido. E essas pessoas são de todas as idades, de todos os níveis sociais. Ter a oportunidade de as acompanhar, é uma enorme honra, acredite.

Refiro-me a pessoas que colocam alguma situação ou circunstância em causa, em determinada altura da vida, e entram em ação, porque essa circunstância está a tornar-se demasiado incómoda. Tão incómoda que chega a começar a “doer”, como dizemos em desenvolvimento pessoal.

A boa notícia é que não é preciso chegar ao ponto de “dor” para se criar a mudança nas nossas vidas. Basta querer (parece simples, mas eu sei que não é, acredite). Deseja considerar algumas sugestões? Aqui estão elas:

1. Defina para onde deseja ir, e depois disso trace uma estratégia para lá chegar. Essa estratégia deverá envolver todos os recursos de que necessita: Tempo, pessoas, dinheiro, vontade, aprendizagens novas… Do que necessita para que a mudança aconteça? Quando é que considera obter estes recursos? O que vai fazer para os conseguir?

2. Recorde a premissa: se queremos resultados diferentes, devemos fazer as coisas de forma diferente. E… devemos também tomar decisões. Muitas vezes as decisões passam por “deixar algo cair” na nossa vida, principalmente aquilo que não nos está a ajudar a caminhar em frente e que por isso também não nos vai ajudar na mudança que desejamos alcançar.

3. Dê pequenos passos de cada vez, e celebre cada pequena conquista. Em qualquer idade ou circunstância, a celebração é fundamental, no sentido de reforçar o nosso “músculo da coragem” e a nossa confiança.

4. Esteja em constante movimento e aprendizagem. Não existe idade limite para aprendermos, certo?

5. Tenha sempre presente na sua mente que a idade não é um impedimento para nada. Pode sim estar implementada em si como uma crença que está a limitar a sua entrada em ação ou tomada de decisão. Conheço empreendedores jovens que construíram empresas milionárias, tal como conheço pessoas com 50 anos que mudaram completamente o seu contexto profissional e/ou pessoal. Basta querer, e entrar em ação, seguindo sempre o nosso coração, as nossas bases, os nossos valores.

Sabe de uma coisa? A capacidade é um estado de espírito. Fica o desafio! Se existe algo na sua vida que deseje mudar, porque não? Estou por aqui, obrigada pela confiança!

Da minha parte, só tenho a acrescentar o seguinte: a mudança aó assusta até à tomada de decisão. Para o caso de dúvidas persistentes, esta canção dos Humanos vai falar diretamente ao teu coração e ajudar-te no processo. 

Boa semana!

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23
Jun21

people-3104635_1920.jpgOra viva! ✌️

Hoje trouxe a minha última crónica para o Balai Cabo Verde, publicada ontem. Boa leitura e, mais do que isso, boa reflexão.

A notícia do falecimento de uma colega da faculdade, no auge dos seus 40 anos, vítima de um tumor cerebral, a par de tantas outras - demasiadas - de que vou tomando conhecimento, impele-me a dedicar esta crónica à vida, mais concretamente ao desfrutar dela, sem adiamento, culpa ou pudor.

Este despertar de consciência arrancou há pouco mais de dois anos, com o desaparecimento físico do meu pai, vítima de doença súbita, fulminante, fatal. Pessoa de trato fácil, sorriso constante e alegria contagiante, partiu aos 63 anos, a escassos meses de alcançar a tão ansiada reforma. Para esse momento marcante na vida de qualquer trabalhador tinha ele planeado dedicar-se à vida do campo, viajar, passear, ou seja, curtir a vida, na convicção de que para isso tinha feito durante quase quatro décadas.

É neste contexto que, após meses e meses de reflexão, ponderação e procrastinação, tomei a decisão de passar a desfrutar (ainda) mais da vida. O primeiro passo para a concretização desse objetivo foi a desvinculação do emprego por conta de outrem. O derradeiro passo será a mudança, em breve, para um novo país. Estar mais próxima daqueles que amo e beneficiar do contacto permanente com a natureza - sobretudo o mar, que eu tanto adoro - é o que mais desejo a esta altura da vida. Mais do que fama, sucesso, dinheiro ou até mesmo amor.

Esse acontecimento, marcante na vida de qualquer pessoa que perde um ente tão próximo, veio por a nu algumas questões para as quais estava consciente, ainda que sem assumir uma posição firme. Até que chegou uma altura em que adiar a decisão de mudar de vida deixou de fazer sentido. O último ano veio apenas dar o empurrão final para uma tomada de posição, definitiva, irrevogável.

Para a costa gaulesa pretendo eu rumar, atrás de um sonho (possível) de uma vida pacata, num sítio tranquilo, longe do rebuliço e do stress de uma capital. Só assim conseguirei estar mais conectada com a minha essência, mais alinhada com a vida que realmente desejo, mais consciente de que o que realmente importa são os momentos que vivemos, as pessoas que amamos, os lugares que visitamos, os corações que tocamos, as experiências que vivemos.

Vivemos tempos conturbados, a todos os níveis e em todas as esferas. A pandemia mais não fez do que agudizar um quadro há muito precário e incerto. Sempre ouvi dizer que a certeza de que estamos a envelhecer chega quando assistimos à morte de pessoas conhecidas. Pela quantidade de conhecidos cujo passamento vou acompanhando, cada vez mais pesarosa, é caso para dizer que me sinto à beira do centenário.

Afinal, quem melhor do que a morte, a mais contundente de todas as certezas, para nos fazer lembrar que da vida só levamos o que vivemos? Haverá sempre outra oportunidade, outra amizade, outro amor, mas nunca outra vida, daí que jamais deixe passar uma oportunidade para aconselhar, para alertar: amemos hoje, perdoemos hoje, beijemos hoje, abracemos hoje, demonstremos hoje, vivamos hoje. Devemos fazer tudo hoje, não deixar nada para amanhã. Porque somos instantes e num instante deixamos de ser.

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26
Mai21

Vivemos ou vegetamos?

por Sara Sarowsky

abstract-2915769_1920.jpgOra viva! ✌️ 

Contigo partilho hoje a minha última crónica para o Balai Cabo Verde, a qual foi publicada esta manhã, mesmo a tempo do nosso encontro. Boa leitura!

Há muito que estou para escrever sobre o (real) significado da vida, uma questão crucial ao autoconhecimento e à evolução de qualquer humano disposto a fazer bom uso da sua capacidade analítica. Abro aqui um parêntesis para alertar que não é intenção desta crónica dissertar sobre o sentido filosófico da vida, mas antes sobre a forma como cada um de nós a experiencia.

O que é para ti viver, já alguma vez pensaste nisso? Para o dicionário é basicamente existir. Para mim é essencialmente desfrutar desse existir. A meu ver, existe uma linha muito nítida que separa aqueles que "existem" daqueles que "vivem", daí que te desafie a pensar em qual das categorias te enquadras. Claro que para assumires uma posição vais precisar de mais elementos, os quais darei com todo o gosto ao longos dos próximos parágrafos.

Todo aquele que vive existe, correto? Mas será que todo aquele que existe vive? Confusos? A esta altura do raciocínio até eu estou, confesso! A desconstrução deste meu ponto de vista parte de um pressuposto bem simples: os vegetais existem mas não vivem. Concordas que os vegetais existem, certo? Hás de igualmente concordar que eles não vivem. Com os humanos passa-se o mesmo; há os que existem e vivem e os que existem mas não vivem, logo, vegetam.

Vivem aqueles que aproveitam da vida, que tiram vantagem de tudo, que desfrutam da experiência de estar vivo. Vivem aqueles que têm um propósito na vida, que se reinventam a cada dia, que procuram ser mais e melhor, que investem em si e nos outros ao seu redor, que buscam evoluir, que fazem por atingir seus sonhos e suas ambições. Vivem aqueles que contribuem, somam, acrescentam valor. Vivem aqueles que sabem ser gratos pelo que possuem, mas nem por isso se conformam. Vivem aqueles que não têm tudo o que querem mas querem tudo o que têm. Vivem aqueles que reconhecem a vida como uma bênção. Vivem aqueles que apreciam a viagem, independentemente do destino ao qual ela os conduz.

Em contrapartida, vegetam aqueles cuja existência é conduzida em modo automático; aqueles que respiram, comem, dormem, trabalham, pagam contas e por aí fora, sem questionar, contestar, almejar, desafiar, batalhar. Vegetam aqueles que não exercem o seu querer nem a sua vontade própria. Vegetam aqueles que não fazem uso do seu livre arbítrio, da sua capacidade para dizer "não" ou "basta" a tudo que não acrescenta valor. Vegetam aqueles que se regem cegamente pela cartilha da religião, da política, da informação oca e da coscuvilhice. Vegetam aqueles que gratuitamente criticam, julgam, condenam e castram tudo o que não vai de encontro à sua ideologia. Vegetam aqueles que encaram a vida como um fardo. Vegetam aqueles que, só por existirem, tornam o mundo um lugar menos agradável para se viver.

Acima de cada uma delas, identifico outras duas categorias: os sobreviventes (aqueles que ainda não vivem, mas já não vegetam) e os extraviventes (aqueles que cumprem a sua missão de vida, atingindo assim o mais alto patamar da vivência). Mas isso já é assunto para outra crónica...

Aquele abraço amigo e até sexta!

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fashion-2309519_1920.jpgViva! ✌️ 

Revigorada pelo passeio de ontem à praia de São Francisco (a qual não visitava há mais de 15 anos) e orgulhosa por ter conseguido cumprir o jejum semanal (tarefa complicada por estas bandas, com a comida a tentar-nos a todo o instante), eis-me aqui com mais uma crónica amiga, desta feita dedicada a uma das questões existenciais a que acuso particular sensibilidade: a relação "visual" com o mundo.

Olhamos o mundo quando olhamos as pessoas. Nos seus rostos vemos refletidas gerações, tradições, esperanças, culturas, realidades, sonhos e expectativas. Assim é ele, um mundo de semelhanças, diferenças, diálogos e sentimentos. Um mundo de afetos, de gentes e locais inesquecíveis. Um mundo imenso, um porto de abrigo global, aonde somos todos bem-vindos, ainda que acontecimentos possam sugerir o contrário.

Lugar mágico a que tantas vezes não prestamos a devida atenção, nem damos o merecido valor, o mundo é nossa referência, nossa identidade, nossa essência... representando aquilo que somos, fomos e seremos. É o que faz de nós únicos no meio de biliões. E a forma como olhamos o mundo determina a forma como desempenhamos o papel que a cada um de nós cabe no seu eterno devir.


Eu olho o mundo com curiosidade, ávida por observar e absorver tudo o que ele tem para partilhar. Eu olho o mundo com otimismo, convicta de que à minha espera existe sempre algo bom. Eu olho o mundo com esperança, crente de que nada está perdido e que sou parte da solução. Eu olho o mundo com confiança, acreditando que me foi confiada uma importante missão. Eu olho o mundo com amor, pois sei que ele é bondoso se com ele vibrar na mesma essência. Eu olho o mundo com gratidão, por todas as benções que dele recebo. Eu olho o mundo com saudade, acreditando que quando for hora de o deixar, levarei comigo memórias incríveis. Eu olho o mundo com olhos de ver... com olhos de amor 🧡.

E tu, meu bem, como olhas para o mundo?

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joy-2483926_1920.jpgOra viva! ✌️

Debutante na versão 4.3, faz hoje exatamente uma semana que se deu o baile de apresentação, e a propósito de uma pergunta que me fizeram no Olhar Feminino da Radio Brockton FM, hoje quero falar-te do poder do sonho, mais especificamente em como ele comanda a nossa vida.

No citado programa, emitido a 29 de novembro último e cuja gravação podes aceder através deste link, uma seguidora questionou-me sobre "o que dizer às mulheres que têm uma ideia, um projeto ou um sonho porque muitas são aquelas que desistem à primeira dificuldade". Na qualidade de alguém que muito recentemente começou a acreditar verdadeiramente na sua capacidade para realizar os seus sonhos, o meu conselho só pode ser este: acreditar e lutar com todas as forças.

Perante um sonho, é nosso dever moral para connosco investir, insistir, persistir, resistir e só desistir quando nada mais houver a fazer. Acreditarmos em nós, apostarmos em nós e confiarmos em nós são os três passos iniciais, e essenciais, para o realizarmos. Daí que tenha dito a essa seguidora, e a qualquer outra pessoa que se reveja nesta crónica, para não olhar para o lado, mas antes para dentro de si própria, para as suas capacidades, para a sua força interior, para a sua resiliência perante a adversidade, para a sua determinação em manter vivo esse sonho.

Aquele velho cliché de que o sonho comanda a vida é a mais pura verdade e eu tenho muito orgulho em nele espelhar-me. Quando acreditei verdadeiramente no meu sonho - mais do que isso, na minha capacidade de fazê-lo acontecer - o universo começou a disponibilizar-me todo o tipo de ajuda para conseguir concretizá-lo. Já o consegui? Ainda não! Contudo, o estar a batalhar por ele deu um alento renovado à minha vida. 

Por isso aconselho a ti e a todas as almas que têm um sonho, seja ele qual for, a não ter medo arriscar com receio de falhar. Pior do que tentar e falhar é falhar por não ter tentado. Se não deu certo, se calhar não era o sonho certo. Mas, e se der? Foca-te nisso toda vez que te vier à cabeça aquele sonho que conservas bem guardado no teu coração e lembra-te que, de facto, o sonho comanda a vida.

Aquele abraço amigo e desejos de um bom feriado!

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three-monkeys-1212613_1920.jpgOra viva!

Sextou! E como o último dia útil da semana pede leveza e descontração, trouxe uma mão cheia de conselhos de alguém que viveu, e aprendeu, o suficiente para registá-los, quiça na esperança de poderem ser proveitosos.

1. Evita fazer observações sarcásticas.
2. Se entrares numa briga, bate primeiro e bate com força.
3. A inveja de um amigo é pior que o ódio de um inimigo.
4. Ouve o que as pessoas têm a dizer. Não interrompas; deixa-as falar.
5. Guarda segredos.
6. Não cultives medo por ninguém.
7. Sê corajoso. Ainda que não sejas, ao menos finge ser.
8. Cuidado com as pessoas que nada têm a perder.
9. Escolhe a companheira da tua vida com cuidado. A partir dessa decisão, virá 80% de toda a tua felicidade ou miséria.
10. Se a casa do teu vizinho está em chamas, a tua também está em perigo.
11. Nunca elogies a ti mesmo; se houver elogios, que venham dos outros.
12. Sê um bom perdedor.
13. Não desejes colher frutos daquilo que nunca plantaste.
14. Quando aflito: respira fundo e distancia-te.
15. Dá às pessoas uma segunda chance, mas nunca uma terceira.
16. Cuidado ao queimar pontes. Nunca sabes quantas vezes precisarás atravessar o mesmo rio.
17. Lembra-te de que 70% do sucesso em qualquer área baseia-se na capacidade de lidar com pessoas.
18. Assume o controlo da tua vida. Não deixes que outra pessoa faça escolhas por ti.
19. A maior riqueza é a saúde.
20. Pensa duas vezes antes de sobrecarregares um amigo com um segredo.
21. Mantém um bloco de anotações e um lápis na tua mesa de cabeceira. Ideias que valem milhões surgem de madrugada.
22. Mostra respeito por todos que trabalham para viver.
23. Elogia a refeição quando fores hóspede na casa de alguém.
24. Não permitas que o telefone interrompa momentos importantes.
25. Não demores onde não és bem recebido.
26. Todo mundo "gosta" de te ver crescer, até começar a superá-los.
27. Ouve os mais velhos.

Aquele abraço amigo e até segunda-feira.

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beauty-863439_1920.jpgViva!

Serão as mulheres poderosas (entenda-se independentes e seguras de si próprias) mais propensas a fracassaram no campo das relações efetivas? Já aqui abordei esta questão, assumindo - com base na minha experiência pessoal - que de facto assim é. Sempre senti que, a nível amoroso, a minha maneira de ser, segura, autónoma, despachada e desapegada, era-me mais prejudicial do que benéfica. No entanto, há dias estive a ler uma crónica da psicóloga Sara Ferreira que pôs-me a pensar que esta minha perceção pode estar enviesada, provavelmente viciada.

Porque estou pondo em causa uma crença até então enraizada em mim? Porque continuo firme no meu processo de desenvolvimento pessoal e espiritual, através do qual vejo-me impelida a reformular o modo como vejo as coisas, como encaro as situações, como analiso as pessoas, como compreendo a vida.

Todos nós, independentemente do género, raça, credo ou orientação sexual, queremos ser felizes; de preferência ao lado de outro alguém que nos ame, compreenda, valorize e apoie. É o que nos inspira, motiva, impulsiona e conforta. Não obstante este desejo, comum e universal, humanamente legítimo, há imensa gente avulsa por aí. Pessoas que permanecem desemparelhadas, por mais que queiram, e tentem, conseguir um parceiro para a vida. Quando se tratam daquelas seguras de si, com boa autoestima, alto astral e espírito do bem este fenómeno parece ainda mais difícil de se compreender. Daí que seja senso comum acreditarmos que para as mulheres poderosas essa tarefa seja, à primeira vista, muito mais árdua.

Ao que parece a coisa não é bem assim, pelo que ninguém melhor que uma psicóloga clínica para nos elucidar. "Não podemos afirmar que os homens fogem de relacionamentos com mulheres que dizem o que pensam e que exercem as suas vontades e outras (legítimas) liberdades pessoais!", garante Sara Ferreira, para quem não é a independência ou a segurança de uma mulher o que os assusta, mas antes a forma como ela as expressa. Os homens não temem mulheres poderosas, temem, sim, aquelas que, escudadas por essa faceta da sua personalidade, se revelam arrogantes, chatas, manipuladoras, adeptas de joguinhos emocionais. Ainda de acordo com esta psicoterapeuta, fogem eles a sete pés das "armadas em boas", que acham que têm sempre razão.


Resumindo e concluindo, a forma como uma mulher demonstra a sua independência/segurança é que determina se ela cativa ou intimida um homem. Ditas as coisas desta maneira, não posso deixar de pensar se não terá sido esse o meu problema, isto é, se, nas minhas relações, não acabei por fazer mau uso dessas caraterísticas. É hora de eu refletir a sério sobre este ponto, pois só azar no amor já não é argumento que satisfaça, muito menos justifique, esta minha solteirice crónica. 

Voltarei na sexta com mais um assunto do meu, aliás, do teu, na verdade, do nosso, interesse. Até lá, fica com aquele abraço amigo de sempre.

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18
Mai20

balloon-1046693_1920.jpgViva!

Hoje quero falar-te de um dos temas do momento na minha vida: o amor. Antes que comeces com ideias, vou já adiantando que não me refiro a esse amor em que provavelmente estás a pensar, mas antes a um tipo de amor incondicional, aquele que só acontece no plano espiritual.
 
À conta da minha bem-aventurança no mundo da espiritualidade, tenho estado a encetar uma profunda redefinição de alguns conceitos essenciais a uma existência plena: abundância, gratidão, perdão, realização pessoal, e, ora aí está, amor. Volta e meia aqui tenho partilhado alguns episódios desta odisseia para lá da matéria, como por exemplo aquele workshop de coaching espiritual que fiz em janeiro, e cujo efeito transformador ainda hoje conservo bem presente.
 
À boleia desta quarentena, estou a tirar um curso de tarot – yep, ando a reunir aptidões e conhecimentos para tentar a sorte na cartomância. A par disso, a meditação é outra compenente da espiritualidade na qual venho investindo fortemente; não só pela sua indiscutível capacidade relaxante, mas, sobretudo, pelos inúmeros benefícios em termos de autoconhecimento, autoaceitação e autoamor.
 
É neste contexto que, estou prestes a concluir um ciclo de meditação de 21 dias com Deepak Chopra, médico indiano e autor de mais de 25 livros de autoajuda, traduzidos em 35 línguas. Fundador do The Chopra Center for Well Being, este professor de ayurveda, espiritualidade e medicina corpo-mente, desenvolve os seus próprios programas e cursos para o desenvolvimento pessoal.
 
Do tanto que com ele – e a sua filosofia de vida – tenho aprendido, a visão do amor é, sem sombra de dúvida, a que mais tem impactado a minha perceção do mundo, dos outros e, sobretudo, de mim mesma. Sempre encarei o amor como a força mais poderosa do universo, aquele sentimento que extasia, inspira, preenche, transforma e cura. A maioria de nós vê o amor como externo a nós mesmos; como algo que tanto pode ser dado como retirado, por terceiros, a qualquer momento. O que este guru espiritual tem reforçado na minha pessoa é a convicção de que a vida é amor e o amor é vida.
 
Se tudo o que existe no universo é energia, nós, enquanto componentes desse universo, só podemos ser energia. Como o amor é uma manifestação energética, nós somos amor. Um dom eterno, imprescendível a nós mesmos e aos outros, o amor é a via direta para nos conectarmos intima e definitivamente com o nosso eu superior. Quando vivemos de verdade o amor, encontramo-nos a nós mesmos e (re)descobrimos o nosso propósito nesta vida.
 
Termino com esta frase: "Toda a vez que experenciamos amor, mais não fazemos do que homenagear o divino que há em nós!"
 
Que esta tua semana seja repleta de amor!

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27
Fev20

Minha vida, minha escolha!

por Sara Sarowsky

60225141_2291138747590910_1048775557065474048_n.jpViva!

Sobre o tema do momento na atualidade portuguesa, a eutanásia, tanto já se disse e muito ainda haverá a ser dito. Por razões várias este é um assunto que a todos toca e ao qual, por mais que assim o queiramos, dificilmente conseguiríamos permanecer alienados ou imparciais. Por eu não ser exceção, eis-me aqui a dar o meu, ainda que modesto, contributo para uma reflexão proporcional e imparcial.

O pontapé de saída para este embate deve ser dado por esta questão crucial, sobre a qual é imperativo que reflitamos antes de assumirmos uma posição, seja ela pró ou contra: a quem pertence o direito à vida, ou seja, a quem cabe decidir sobre ela? Se a vida é minha, nada mais lógico e legítimo que a mim deva pertencer o direito de decidir sobre ela.

Dito isto, nada mais previsível que eu seja a favor da eutanásia, não me coibindo em assumi-lo publicamente. Esta minha posição prende-se, acima de tudo, com a inabalável convicção de que todo e qualquer ser humano tem o direito à livre escolha, direito esse que está salvaguardado nas duas constituições que norteiam a minha identidade enquanto cidadã: a do país que me viu nascer e a do país que me vê residir. Para mim esse direito está acima de qualquer referência moral, religiosa, política, filosófica ou ideológica.

Como poderemos falar numa democracia plena quando ao cidadão é-lhe negado o direito a decidir como e quando quer dar por terminada a sua permanência nesta vida? A nossa chegada ao mundo afigura-se como obra do acaso, ao qual a nossa vontade parece ser refém. Que ao menos possamos escolher a forma como morremos, ou seja, que possamos decidir como e quando vamos partir. Que possamos exercer o direito de escolher morrer quando e como acharmos conveniente e não fruto do acaso. Ao menos que possamos partir deste mundo com dignidade, serenidade e assertividade.

Desinteligente é, portanto, a posição de muitos em evitar o inevitável, em adiar o inadiável, em travar o intravável. Poder de escolha rima com Estado de direito democrático e Estado de direito democrático rima com liberdade de cada um decidir o que é melhor para si (desde que não prejudique ninguém). Que me contradigam os politólogos e filósofos da moral alheia quando afirmo que não reconheço um estado de pleno direito democrático sem a liberdade de escolha do seu povo. Não poder decidir sobre algo tão pessoal, tão indelegável, tão intransferível, é, na minha perspetiva, o mesmo que não poder exercer o direito à plena cidadania.

Dos argumentos contra, o mais inflamado é o que está acoplado às convicções religiosas, especialmente a dos católicos, crentes de que ao decidirmos quando devemos morrer estaremos, de forma petulante e desleal, a usurpar o poder divino, a quem reconhecem o direito absoluto sobre a vida e a morte. Se Deus não nos queria a decidir sobre o que quer que fosse porque nos dotou então do livre arbítrio?

Mais gritante do que a perda da vida é a perda da vontade de viver. Existem várias formas de se morrer e nem todas elas implicam a primeira premissa. Sabemos todos que existem pessoas em atroz sofrimento, cuja esperança de melhoria há muito que extrapolou a racionalidade coerente. Estas, para além de sofrerem horrores, fazem sofrer os seus, sem falar que, ao verem prolongado o tratamento que apenas os vai ajudando a adiar o inevitável, consomem ingloriamente os recursos humanos, financeiros e hospitalares indispensáveis àqueles com reais possibilidades de recuperação.

Claro que não devemos legitimar a morte à primeira curva da vida (como escreveu há dias a minha amiga AB), à primeira bofetada, por mais violenta que esta seja. É para isso que existem as comissões de avaliação. É para isso que servem as condições estipuladas pela lei. Todos eles são fatores extremamente relevantes, válidos, mas que jamais deverão prevalecer sobre a vontade e a liberdade que nos assiste de decidir sobre a própria vida.

A existência é minha, a enfermidade é minha, a dor é minha, a desesperança é minha, portanto, a decisão deve ser minha. Minha vida, minha escolha. Hoje e sempre!

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