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Crónicas, contos e confissões de uma solteira gira e bem resolvida que não cumpriu o papel para o qual foi formatada: casar e procriar. Caso para cortar os pulsos ou dar pulos de alegria? Provavelmente, nem uma coisa nem outra!

10
Out22

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Ora viva! ✌️ 

Eis-me de volta, desta vez com a novel crónica para o Balai Cabo Verde, publicada há instantes. Boa leitura e, já agora, boa semana.

Preterida ou Preferida: eis a questão

Raras, para não dizer nenhumas, foram as vezes em que me senti preferida e não preterida. Não fui a filha preferida do meu pai (já falecido), não sou a filha preferida da minha mãe, tampouco sou a irmã preferida dos meus irmãos (e olha que tenho uns quantos, meia dúzia para ser mais precisa).

Enquanto catraia, em momento algum tive a noção de ser a preferida de um rapaz. Abro aqui um parêntesis para reconhecer que, além dos modestos atributos físicos que me caracterizavam na altura, esta minha personalidade reguila pouco ou nada ajudava. Devo ter sido das poucas raparigas que nunca tiveram um namoradinho de infância, nem mesmo nos tempos do liceu, já adolescente.

Os gaiatos pelos quais me interessava preferiam sempre as minhas amigas, na verdade, preferiam qualquer uma que não eu. Lembro-me de um deles dizer, em tom de brincadeira, que era um insulto pessoal dizer a um rapaz que a Sara estava interessada nele.

Cresci, portanto, com um enorme complexo de feiura, rejeição, inferioridade e desmerecimento. Já adulta, a minha versão pessoal da saga O Patinho Feio conheceu inúmeras temporadas, com um rol de pessoas próximas a serem preferidas, enquanto eu era preterida over and over and over again. Mesmo nos tempos académicos, eu era aquela que nunca era escolhida para integrar os grupos de trabalho. Até provar que era capaz de tirar boas notas, só era incluída mediante imposição expressa dos docentes.

O trauma atingiu tal proporção que cheguei ao ponto de recusar sair para a night na companhia de amigas mais vistosas do que eu. Houve uma em particular, a Natalie, que pela sua beleza estonteante acabava, ainda que sem intenção, por semanalmente me fazer reviver o pesadelo. De todas as vezes em que saímos juntas, o sentimento predominante era o mesmo de sempre: o patinho feio continuava a habitar em mim.

A baixa autoestima acompanhou-me praticamente a vida toda, precisamente por ter sido sempre preterida, a começar pela minha própria família, que nunca fez questão de me fazer sentir que pertencia àquele agregado, a começar pelo facto de o meu tom de pele ser diferente. Acredites ou não, na minha infância fui marginalizada, ostracizada até, por ser a mais "branquinha" do clã. Ouvi de tudo um pouco, "branca mo papaia azedo", "é filha do mesmo pai e da mesma mãe?", "de certeza que não foi trocada na maternidade?", "não se parece nada com os irmãos", "é tão deslavada", "coitadinha, não tem nada a ver com os outros" e por aí fora...

Não possuo uma única memória de ter sido a preferida de qualquer um dos meus familiares, pelo contrário. Até vir para Portugal estudar, a poucos dias de completar 20 anos de idade, nunca soube o que era ter a minha própria festa de aniversário. Se bem me lembro, e essas coisas jamais se esquecem, fui a única lá em casa que nunca teve direito a uma festa de anos, sequer um simbólico soprar de velas no dia de anos.

À custa disso, e de incontáveis sucedidos, cresci acreditando que ser preterida era o meu destino, era o que eu merecia. Hoje, a caminhar para os 45 anos de vida, detenho autoconhecimento, autoestima e autorrespeito suficientes para reconhecer que tal crença é falaciosa, limitadora, castradora. Hoje tenho maturidade de sobra para acreditar que o patinho feio sempre foi um cisne lindo.

Hoje ganhei consciência do meu valor, conheço a mim própria o suficiente para saber que cada um é como é e que eu sou única, especial, perfeita na minha imperfeição. Hoje sei que sentir-me preferida pouco tem a ver com os outros, mas antes comigo. Hoje sei que cabe a mim deter o poder de me preferir e não delegar essa responsabilidade a terceiros. Hoje sei que tudo aquilo que experienciei ao longo da vida só me tornou mais forte, mais resistente, mais preparada para ser aquilo que eu sou, para ser aquilo que eu quiser ser. Hoje tenho plena consciência de que sou aquela que eu mais prefiro no mundo.

Para além disso, hoje tenho ao meu redor pessoas incríveis que, todos os dias, me preferem. Que preferem estar comigo, que preferem falar comigo, que preferem celebrar comigo, que preferem chorar comigo, que preferem fazer parte da minha vida. Preferem tanto que muitas vezes não consigo dar vazão às suas solicitações. Esta crónica é, pois, um tributo a cada uma delas, uma forma de manifestar publica e inequivocamente o quão grata sou por ser a sua preferida e não a sua preterida.

Aquele abraço amigo e até à próxima!

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26
Set22

D25E0088-5678-47D4-8CED-D8FF2DA07E56.jpegOra viva! ✌️ 

O meu fim de semana foi maravilhosamente intenso, desta feita a divertir-me e não a trabalhar, como aconteceu nos outros dois anteriores. Uma sessão solene no sábado à tarde, um jantar de gala horas mais tarde e um passeio às Caldas da Rainha no domingo inspirou-me a dedicar-te esta crónica, na expectativa de que passes num teste que visa apurar se andas a aproveitar a vida ao máximo.

Porque eu ando a fazê-lo e, apesar de muitas vezes andar em contrarrelógio, no final das contas a sensação que prevalece é a de que estou a aproveitar toda e qualquer oportunidade para ser e fazer os outros felizes. 

Porque da vida só levamos o que vivemos, desafio-te a responder a estas 22 questões elencadas pela psicóloga Michelle P. Maidenberg:
1. Partilhar com entes queridos como te sentes em relação a eles
2. Arriscar e desafiar os teus medos e preocupações
3. Melhorar caraterísticas com as quais te sentes frustrada ou desapontada
4. Expores-te através de experiências comportamentais, trabalhando para ultrapassar obstáculos
5. Aceitares a ti mesma, aos outros e às circunstâncias que não podes controlar
6. Abordar o teu mundo como uma vítima ou sobrevivente
7. Avaliar o que gostas em ti, nos outros e nas circunstâncias
8. Perguntares qual o propósito da tua vida
9. Identificar quando te comparas com os outros, em vez de te focares nas tuas necessidades e objetivos
10. Praticar autocompaixão quando vives emoções negativas ou desconfortáveis
11. Aceitar emoções, tanto positivas como negativas
12. Exercitar formas saudáveis de lidar com certas situações – e reconhecer quando não o fazes
13. Elevar a tua resiliência, recuperando após experiências adversas, desafiantes ou inesperadas
14. Reconhecer as tuas conquistas, independentemente de serem grandes ou pequenas
15. Estipular quais os teus valores-base, já que são como guias para a tua vida e tomada de decisões
16. Reconhecer quais os teus "gatilhos", de modo a garantir que reages a partir do que sentes e não a partir dos teus pensamentos
17. Perguntares se estás disponível para mudar e investir tempo e esforço nessa mudança
18. Avaliar como e com quem tens passado tempo e se é nessa linha que queres que seja a tua vida
19. Avaliar se estás a viver a tua melhor vida e, se não, o que tens de mudar
20. Observar o quão rígido ou flexível és nos teus pensamentos, e o quanto és guiada por "devo" ou "tenho de"
21. Estares presente – reparar e conectares com os outros e contigo de forma intencional
22. Pensar sobre se morresses amanhã, pelo que gostarias de ser lembrada e como queres que seja a tua vida

Este exercício é bastante revelador do quão perdidos de nós mesmos, da nossa essência, andamos. Na primeira vez que o fiz, o saldo foi claramente negativo. Aperceber-me de que não estava a tirar o máximo proveito da vida - ainda não estou, mas para lá caminho - ajudou-me a tomar algumas previdências no sentido de alterar cetas atitudes que andavam a comprometer uma vida mais plena e feliz. Hoje o saldo ainda não é o que desejo, mas já é francamente positivo.

Quanto a ti, só tenho a perguntar: "Tens tirado tempo para cuidar de ti e desfrutar da vida comme il faut?"

Beijo 💋 em ti e até quarta!

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12
Set22

Quando nascem novos sonhos

por Sara Sarowsky

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Ora viva! 🫶

Que fim de semana, caramba! A Feira Anternativa de que te falei no último post foi uma experiência avassaladora, a vários níveis. Ainda estou a processar as vivências que por lá senti e testemunhei. Sobre isso falarei noutra oportunidade, que ainda estou fisica e espiritualmente estafada. A sessão com o Braco foi algo indescretível, adianto já.

De volta à rotina semanal, hoje trago a última crónica para o Balai Cabo Verde, publicada na passada sexta-feira. Quando nascem novos sonhos é assim o complemento da crónica anterior, Quando morrem os sonhos, publicada a 18 de agosto e partilhada contigo há uma semana.

Quando nascem novos sonhos

Seis semanas depois da sua chegada nessa terra longínqua, aninhada entre o oceano e a montanha, pegou ela em toda a sua bagagem e regressou à casa de partida, a cidade das sete colinas, aquela na qual um dia pensou fincar raízes por tempo indeterminado. O coração desta vez vinha vazio, frio, estéril.

Investira praticamente tudo nesses sonhos, ao ponto de já não possuir mais nenhum. Não fazia a menor ideia de onde poderia ir buscar outros. Quis o destino que as coisas não lhe corressem como planeado, reconheceu com a alma em chamas e o coração em pedaços. Sapiência e humildade tinha ela de sobra para saber que o momento da tal mudança pela qual tanto ansiara ainda não tinha chegado.

Era preciso aquietar o espírito, apaziguar o coração, aguardar que o tempo revelasse novos caminhos, que conduzissem a novos sonhos. Disposta a tal estava ela, já que, contra os desígnios do destino, mortal algum poderia atentar, muito menos contestar. Crente estava ela de que tudo acontece por um motivo, e mesmo que aquele que lhe dizia respeito não fosse de momento claro, queria acreditar que algo ou alguém detinha as respostas que tanto procurava.

"O que se faz quando morrem os sonhos", não se cansava de perguntar, a si e às entidades superiores. "O primeiro passo é fazer o luto", sussurrou-lhe a voz da razão, serena na sua sabedoria, paciente na sua fiabilidade. "E depois", questionou ela. "Depois é deixar que o tempo, o mais sábio de todos os mestres, se encarregue de por tudo no seu devido lugar, de dar a cada sonho a sorte que lhe cabe."

"Enquanto isso, como continuarei a viver se já não tenho os meus sonhos comigo", lamuriou-se. "Os sonhos não morrem jamais, eles transformam-se, reinventam-se, reajustam-se. Como a Fénix, eles possuem a magia de renascer das cinzas, ainda mais belos e fortalecidos. Mas para isso tens que dar tempo ao tempo, tempo para o tempo fazer o seu trabalho. Sem pressa nem pressão, apenas com amor e gratidão".

"Como assim com amor e gratidão", questionou ela. "Amor porque é profícuo e gratidão porque é benéfico. Se calhar a causa da morte dos teus sonhos foi insuficiência de amor, amor para acreditar que pudessem realizar-se. E de gratidão também. Provavelmente esqueceste de ser grata por deteres o poder de sonhar", esclareceu a sua voz interior.

"Para que nasçam novos sonhos é preciso que os antigos moram. Esses sonhos que agora pereceram vão abrir espaço para outros, ainda maiores e melhores. Acredita no poder dos teus sonhos, que o universo também acreditará, e a concretização deles será uma mera questão de tempo e de oportunidade", rematou a voz sábia da lua, que do alto do céu assistia ao seu diálogo interno.

Apegara-se tanto àqueles sonhos - afinal por muito tempo os cultivara, alimentara, estimara - que agora temia já não saber viver sem eles. "Desapego, é preciso praticar o desapego", recordou-se das palavras da sua terapeuta espiritual. "Para que algo novo entre na nossa vida é preciso que o velho saia", sussurraram por sua vez as estrelas.

"Sou jovem, saudável, capacitada, instruída, tenho tempo de sobra para criar novos sonhos, para voltar a olhar para a vida como a maior de todas as aventuras, aquela que vale sempre a pena", disse a si mesma. Nesse instante, um sorriso aflorou-lhe aos lábios e um brilho intenso acendeu-lhe os olhos. Novos sonhos estavam a caminho, pressentia. Perante essa convicção, deu as costas ao passado e concentrou-se no futuro, esse sim cheio de promessas.

Dia feliz e uma ótima semana!

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05
Set22

Quando morrem os sonhos

por Sara Sarowsky

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Ora viva! 🫶

Uma mão cheia de semanas depois, eis-me de volta ao teu convívio, repleta de novidades, crónicas, planos e sonhos. E é precisamente sobre estes últimos que versa a minha última crónica para o portal Balai Cabo Verde, publicada a 18 de agosto, e que vou agora partilhar contigo.

Quando morrem os sonhos

Há muito que ambicionava dar um outro rumo à sua vida. A súbita morte do progenitor e, posteriormente, a inesperada pandemia da covid despoletaram nela a certeza de que desejava – na verdade, precisava - abraçar uma nova vida. Sabendo que o primeiro passo para a mudança prendia-se com o não mais querer estar onde estava, tornara-se evidente que a mudança era incontornável, imprescindível, inadiável.

Num belo e quente dia de verão, partiu à aventura, atrás do recomeço pelo qual há tanto ansiava. Consigo levou duas malas, uma grande e outra mais pequena, uma mochila, um saco e um coração a abarrotar de sonhos. Nesse coração cabiam sonhos de todo o tipo: novo país, novo idioma, nova casa, novo trabalho, novos amigos, novas relações, novos amores, nova dinâmica, no fundo nova existência.

Dias após dia, semana após semana, os seus sonhos foram-se vergando à dureza da realidade, rendendo-se à força do infortúnio. Nenhum deles, nem o mais insignificante de todos, se concretizou. Pelo contrário, a ausência de sorte era de tal modo constante que os mal-sucedidos acumulavam-se a uma frequência praticamente diária. Ainda antes da partida, o universo emitira sinais, vários até. Em nome de uma vontade irrefreável, não lhe deu ouvidos, com ele teimou, a ele ousou desafiar. Precisava fazê-lo, caso contrário arrepender se ia para o resto da vida.

O que não cogitou, ainda que intimamente o intuísse, era que a última palavra não seria a sua, jamais seria. Por muito que sonhemos, almejemos, planeemos ou façamos, a concretização do que quer que seja só acontece no espaço e no tempo entendido pelo destino, ou universo como preferia chamar às forças superiores que comandam as ações humanas e determinam a sua experiência terrena. De pouco ou nada adianta insistir em algo (ainda) não validado por ele, até porque o tempo divino e o tempo humano raramente coincidem; o primeiro é infinitamente mais sábio do que o segundo, bem mais ansioso e impaciente.

Em terra estrangeira, numa geografia aninhada entre o oceano e a montanha, encontrou consolo nas tardes passadas na praia, numa comunhão íntima e recíproca com a natureza, a qual testemunhava com apreensão o seu desassossego, com pesar a sua agonia. Assistir ao sucumbir dos sonhos alheios, sem que os envolvidos nada possam fazer para impedir tal desfecho, é algo a que a mãe de todas as criaturas dificilmente consegue manter-se insensível.

Com o sol, a praia, as dunas e o oceano partilhou ela os seus mais íntimos ensejos, anseios e frustrações. Com a lua chorou a morte desses sonhos, os quais iam perecendo à vez, à mercê de cada frustração, cada insucesso, cada contrariedade. O mar lambeu-lhe as feridas, a brisa secou-lhe as lágrimas, o sol aqueceu-lhe a alma, a natureza curou-lhe as mágoas, o tempo aliviou-lhe o sofrimento.

Despida de expectativas, despojada de ilusões e carente de sonhos - sonhos esses que a levaram a desafiar tudo e todos, a fizeram almejar vencer a maldição que pendia sobre si, fintar o azar e triunfar sozinha num país povoado de estranhos - retomou à procedência, de coração partido e alma fragmentada, sem a mais pálida ideia sobre que rumo haveria de dar à sua existência dali em diante. Sem outra opção que não fosse render-se às evidências, um passo atrás viu-se obrigada a dar, regressando à casa de partida, tal qual jogo de monopólio. Sim, muitas vezes é preciso dar um passo atrás, recuar, para poder avançar com mais vigor, mais sagacidade, mais sabedoria.

Continua...

Bem-vinda de volta ao blog. Regressarei na quarta, com mais uma crónica. Até lá, deixo-te com aquele abraço amigo só nosso!

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22
Jul22

É melhor viver feliz sozinho

por Sara Sarowsky

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Ora viva! ✌️ 

Hoje trouxe um texto assinado pelo idealizador da página Resiliência Humana, Robson Hamuche, no qual ele defende que é melhor viver feliz sozinho, e amar a própria companhia, do que ficar esperando reciprocidade.

Como o que ele defende tem tudo a ver com a essência deste blog, é com todo o gosto que o partilho contigo, na expectativa de que te induza a mais uma reflexão sobre o quão subvalorizado é o estatudo de "sozinho".

Quem vive para agradar os outros, apenas sobrevive e coleciona feridas que permanecem abertas, indefinidamente. Se você não se coloca como prioridade, você vira um imã para as decepções, se maltrata e se torna escravo da opinião alheia. Não seja essa pessoa!

Para se sentir feliz de verdade você vai ter que aprender a se agradar com mais frequência. Você vai ter que descobrir o que você ama fazer, o que te traz satisfação e bem-estar, sem precisar buscar nos outros essa satisfação.

Se você acha que as pessoas fingem se importar com você, provavelmente, você está agindo igual, em relação a si mesmo.Você deve estar fingindo se amar, fingindo se importar com o que realmente é importante para você. Talvez, você ainda nem saiba o que realmente importa pra você. É provável que você esteja totalmente desconectado da sua essência, e desconectado você passa a desrespeitar os valores essenciais, a ponto de nem estar consciente de quais são.

Se você deseja ser amado(a), antes você precisa se amar, porque para se sentir feliz com você mesmo, você precisa ser inteiro e não apenas uma parte. Você tem que aprender a integrar todas as suas partes, as que você julga serem sombrias e, também, aquelas de que você já consegue se orgulhar.

Se você quer que as pessoas te aceitem exatamente como você é, você precisa se aceitar primeiro. Se você não se aceitar, infelizmente, você sempre se sentirá inseguro em relação aos outros. Você pensará que não é o suficiente, justamente porque você não está validando todas as suas partes.

Você precisa se doar mais para você do que para os outros e isso não é egoísmo, é amor-próprio, é se bastar e atender as suas reais necessidades. Se você já consegue perceber que as trocas nas suas relações parecem não ser justas, saia do papel de vítima e comece a impor limites claros nessas relações. Não cobre nada dos outros, nem exija que eles façam a você o que você faz por eles, simplesmente pare de fazer o que você vem fazendo, isso já será um bom sinal de que você está se escolhendo como prioridade.

Diga como você se sente, mas não se humilhe pedindo reciprocidade, apenas exponha os fatos, deixe tudo bem claro e siga a sua vida livre desses pesos e das expectativas que você cria em relação aos outros.

Se aceite, se valorize, se dê ao respeito! Entenda que você precisa aprender a gostar de ficar sozinho e pare de esperar reciprocidade de quem não está disposto a te amar.

Desapegue dessa necessidade de receber dos outros o que eles não estão prontos para te oferecer. Construa com você a relação que você quer ter com os outros. Seja pra você mesmo o seu melhor amigo, o seu amante, o seu parceiro de vida. Assim que você decidir escolher a si mesmo, você vai se sentir amado(a) como ninguém jamais conseguirá te amar.

Aprenda que, muitas vezes, é melhor viver sozinho e amar a sua própria companhia do que ficar esperando reciprocidade.

Beijo 💋 em ti e um fim de semana esplêndido!

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Ora viva! ✌️

Já que estamos numa de felicidade, e porque ela é sempre oportuna, para hoje propus-me a resgatar um artigo de há precisamente cinco anos, no qual faço uma distinção muito clara entre viver e existir.

Por estes dias, tenho duas "manamigas" que andam por demais precisadas de palavras de conforto, amizade e solidariedade, tamanho é o peso da dor que carregam nos seus ombros. A elas, mas também a todos aqueles que estejam a braços com alguma provação, dedico esta crónica, como forma de lhes transmitir alento e esperança.

Sei muito bem o quanto a vida pode ser dura, mas também sei a força de uma palavra amiga nos seus momentos mais conturbados. Não é à toa que dizem que alegria dividida é alegria a dobrar e tristeza dividida é meia tristeza.

As profundas mudanças que tenho estado a incrementar na minha vida de há uns tempos a esta parte têm vindo a reforçar a minha crença – inabalável, diga-se de passagem – de que a vida vale a pena, no matter what.

Vale sim, ai vale vale! Contudo, só nos apercebemos disso quando nos dispomos a abraçá-la sem reservas; a encará-la nos olhos, sem baixar a cabeça; a levantarmo-nos sempre que ela nos passa uma rasteira e a continuar a caminhada, mesmo com os pés em carne viva.

Ela não é fácil; na verdade, nem é suposto ser. Tem vezes que achamos que não aguentamos tamanha carga e tem outras que sentimos que toda ela conspira a nosso desfavor. Quem nunca? Ainda assim, ela continua a merecer que não desistamos dela. Ainda assim, ela continua a merecer o benefício da dúvida, mais não seja para ficarmos a saber qual a sua próxima jogada.

Queridas amigas, façam-me o favor de não desistir da vida, porque ela não desistiu de vocês, por mais que vos dê a entender que sim. Ela está apenas a por-vos à prova, com o intuito de avaliar se, de facto, são dignas das graças que, com toda a certeza, vos estão reservadas.

Viver é preciso! Atenção que eu escrevi "viver" e não "existir". Viver é que nos move no caminho da felicidade. Existir é o que nos faz respirar, dormir, trabalhar, pagar as contas e por aí fora. Existir é viver sem alento, sem alegria, sem brio, sem esperança, sem magia. Nos tempos atuais, a maioria das pessoas existe, ao invés de viver. Até pouco tempo atrás, também eu integrava esse lote. Hoje não! 

Hoje escolho só tomar como garantido o "aqui" e "agora". Hoje escolho desfrutar da vida como se não houvesse amanhã. Hoje escolho desapegar-me do que me possa vir a acontecer no futuro. Hoje escolho seguir a máxima "um dia de cada vez". Hoje escolho viver!

Hoje escolho ser feliz, do jeitinho que dá para ser. Sem ter tudo o que quero, mas querendo tudo o que tenho. Porque eu quero, porque eu posso, porque eu mereço e porque a vida só faz sentido se for para ser assim.

Noite feliz e até à próxima!

Meu bem, o meu desejo é que saibas fazer da tua vida uma vivência e não uma mera existência. Que neste semana Santa, a felicidade esteja com aqueles que mais precisarem. Hasta!

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08
Abr22

CA3A0FE3-181A-46CD-86AB-ED58923C9087.jpegOra viva! ✌️ 

Sexta-feira costuma ser o dia mais ansiado da semana, logo, um dos mais felizes, senão o mais feliz. Pelo menos assim é para aqueles que trabalham ou estudam apenas nos dias úteis. Ciente disso, hoje vou falar-te da prática regular da felicidade, o tema ideal para este dia, aquele em que nos despedimos dos deveres semanais e abraçamos o fim de semana.

A felicidade é um estado de espírito e, como tal, pode ser treinada, de preferência com uma periodicidade diária. Claro que existem dias e dias, alguns tão duros que vamos parar ao chão. E é justamente nessa altura que a sua boa forma física é posta à prova.

Quem está em forma, levanta-se num ápice, ávido por nova ronda de exercícios. Consciente e convicto de que aprendeu a lição, não se deixará apanhar pela mesma rasteira duas vezes.

Quem está assim-assim, deixa-se ficar no tatami, aproveita a estada lá em baixo para recuperar o fôlego, enquanto vai vendo as coisas de uma perspectiva diferente. Quando sentir que é o momento certo, levanta-se e continua o treino, cansado, contudo, focado na meta.

Quem não está em forma, ou seja quem optou por deixar-se ficar no sofá da vida, no chão permanecerá, a lamentar-se e a queixar-se do cansaço, das dores, da dureza do treino, do personal trainer, dos equipamentos, do barulho e por aí fora...

Dá trabalho manter a felicidade em forma? Oh se dá! Afinal, ela exige energia, tempo, disciplina, paciência, foco, humildade, motivação, resiliência, persistência, resistência, força de vontade e compromisso. Só quem é aficionado pela prática regular de exercício físico saberá entender na perfeição o que quero dizer.

Àqueles que ainda não experimentaram semelhante atitude, só tenho a dizer o seguinte: começa por aprender a gostar e a cuidar de ti e, principalmente, a só gostar e cuidar de quem gosta e cuida de ti. Depois disso, estarás pronto para ingressar numa Academia da Felicidade ao pé de ti. Uma vez que lhe apanhas o gosto, não quererás saber de outra coisa, já que a boa forma feliz é incrivelmente aditiva.

Por hoje fico por aqui. Tenho um músculo da costela atrofiado, motivo pelo qual estou cheia de dores. Ontem, quase que me dirigi ao hospital, mas lá controlei o pânico e aguentei bravamente a dor, tão intensa que estava a comprometer o normal funcionamento do aparelho respiratório. Esta manhã, acordei mais aliviada, mas o movimento levantar-sentar é uma tortura. Espirrar então...

Beijo no coração e até segunda! 💋

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16
Fev22

Perfeita na sua imperfeição

por Sara Sarowsky

angel-g294bd5434_1920.jpgOra viva! ✌️ 

Hoje tenho que ir à câmara desafiar a sorte. Lá vou eu renovar a esperança num milagre de conseguir uma habitação a um preço digno, em mais uma candidatura ao Programa Renda Acessível. Ainda que ciente de que as minhas chances são praticamente nulas - não quero ser má língua, mas não há forma de me convencer de que aquilo não é uma grande máfia e que as habitações não estão previamente "encomendadas" aos amigos, conhecidos e favorecidos.

A ansiedade e a expectativa, aliadas ao facto de ainda ter de tratar da papelada (comprovativo de rendimento, declaração de IRS e por aí fora), só me deixam margem de manobra para um texto emprestado do site Mulheres Maduras, aqui publicado pela primeira vez em 16 de fevereiro de 2016. 

Versa, pois, esta crónica sobre o quão perfeitas na sua imperfeição são as mulheres. Para o caso de ter sido demasiado erudita, quis dizer que são as nossas imperfeições que nos fazem ser perfeitas.

Miss Imperfeita
Sou a miss imperfeita, muito prazer!

Uma imperfeita que faz tudo o que precisa fazer, como boa profissional, mãe e mulher que também sou: trabalho todos os dias, ganho meu dinheiro, vou ao supermercado, decido o cardápio, levo e trago filhos da escola, almoço com eles, estudo com eles, telefono para minha mãe todas as noites, procuro as amigas, viajo, vou ao cinema, pago minhas contas, vou ao dentista, mamografia, caminho meia hora diariamente, faço reuniões ligados à minha profissão e ainda faço escova toda semana - e as unhas! E, entre uma coisa e outra, leio livros.
Portanto, sou ocupada, mas por mais disciplinada que eu seja, aprendi duas coisinhas que operam milagres. Primeiro: a dizer não. Segundo: a não sentir um pingo de culpa por dizer não. Culpa por nada, aliás.

Culpa zero.
Quando você nasceu, nenhum profeta entrou na maternidade e lhe apontou o dedo dizendo que você seria modelo!
Seu pai e sua mãe, acredite, não tiveram essa expetativa: tudo o que desejaram é que você não chorasse muito e mamasse direitinho.
Você é humildemente uma mulher.
E, se não aprender a delegar, a priorizar e a divertir-se, bye-bye vida interessante. Porque vida interessante não é ter a agenda lotada, não é alinhar em qualquer projeto por dinheiro, não é atender a todos...

É ter tempo. Tempo para fazer nada. Tempo para fazer tudo. Tempo para dançar sozinha na sala.
Tempo para desaparecer dois dias com o seu amor.

Tempo para uma massagem.
Tempo para ver a novela.

Para procurar um abajur novo para o seu quarto.
Tempo para voltar a estudar.
Tempo Para engravidar.
Tempo, principalmente, para descobrir que você pode ser profissional sem deixar de existir.
Existir, a que será que se destina? Destina-se a ter o tempo a favor, e não contra.
Portanto, não queria sair por aí batendo records...

Pense nisso!

Beijo no ombro e até sexta!

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Ora viva! ✌️ 

Para hoje temos "post requentado à moda da Sara", um conteúdo delicioso à base de um texto servido a 10 de fevereiro de 2016, aqui no AS. Tenho que terminar um artigo para o Balai Cabo Verde, pelo que só tenho cabeça e tempo para um olá de alegria e uma publicação amiga.

Assim, eis-me aqui a partilhar contigo um texto de Martha Medeiros sobre a relatividade do sofrimento. Vale a pena ler, meu bem, que as palavras que se seguem dão que pensar.

Definitivo, como tudo o que é simples. Nossa dor não advém das coisas vividas, mas das coisas que foram sonhadas e não se cumpriram.

Sofremos por quê? Porque automaticamente esquecemos o que foi desfrutado e passamos a sofrer pelas nossas projeções irrealizadas, por todas as cidades que gostaríamos de ter conhecido ao lado do nosso amor e não conhecemos, por todos os filhos que gostaríamos de ter tido junto e não tivemos, por todos os concertos e livros e silêncios que gostaríamos e não partilhamos. Por todos os beijos cancelados, pela eternidade.

Sofremos não porque nosso trabalho é desgastante e paga pouco, mas por todas as horas livres que deixamos de ter para ir ao cinema, para conversar com um amigo, para nadar, para namorar.

Sofremos não porque nossa mãe é impaciente connosco, mas por todos os momentos em que poderíamos estar confidenciando a ela nossas mais profundas angústias se ela estivesse interessada em compreender-nos.

Sofremos não porque nossa equipa perdeu, mas pela euforia sufocada.

Sofremos não porque envelhecemos, mas porque o futuro está-nos sendo confiscado, impedindo assim que mil aventuras nos aconteçam, todas aquelas com as quais sonhamos e nunca chegamos a experimentar.

Por que sofremos tanto por amor? O certo seria não sofrermos, apenas agradecer por termos conhecido uma pessoa tão especial, que gerou em nós um sentimento intenso e que nos fez companhia por um tempo razoável, um tempo feliz.

Como aliviar a dor do que não foi vivido? A resposta é simples como um verso: iludindo-se menos e vivendo mais!

A cada dia que vivo, mais me convenço de que o desperdício da vida está no amor que não damos, nas forças que não usamos, na prudência egoísta que nada arrisca, e que, esquivando-se do sofrimento, perdemos também a felicidade.

A dor é inevitável. O sofrimento é opcional...

Por hoje é tudo. Despeço-me com aquele abraço amigo de sempre e o lembrete de que as coisas, os acontecimentos e as pessoas só têm a importância que nós lhes dermos. Simples assim! Estupendo fim de semana e até segunda!

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10
Jan22

Liberta a deusa que há em ti

por Sara Sarowsky

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Viva! ✨

A crónica de hoje é assinada pela Clara Roc, bestie a quem praticamente intimei a enviar-me um texto a falar de algo que acabara de me confidenciar num dos incontáveis áudios que partilhamos todas as semanas. Dado que a minha inspiração anda amuada, não tenho qualquer escrúpulo em socorrer-me da criatividade alheia, pois o importante é continuar a proporcionar-te conteúdos interessantes e pertinentes. Espero que gostes!

Sabes aquela sensação que um bebé tem depois de ouvir os humanos a falarem vezes e vezes sem conta, a apontarem para os objetos com os olhos bem abertos e a dizerem qualquer coisa que parece ser importante, aquela sensação de que talvez devas aprender alguma coisa que parece ser vital, como a fala? Pois, às tantas não sabem porque os bebés não têm essa consciência. E é exatamente aí que começa a minha percepção de divindade.  

Simplesmente sinto que, muito inconscientemente, estou de coração aberto a cada segundo do meu dia. Parece que cada frase que me dizem, cada tarefa que executo, cada passo que dou, são importantes e que eu estou tão consciente disso que de repente estou constantemente a repetir para mim “ah, então é isso! Isto está a mostrar-me aquilo. Não me posso esquecer que a vida é assim e assado!”. Sou uma esponja que absorve cada segundo de vida como se de água se tratasse. 

Esta atenção inconsciente faz com que tudo me pareça mais leve e luminoso. Faz com que sinta uma alegria pacificadora com o facto de estar a viver e a crescer. Gente, estou a crescer a cada segundo e estou ver isso de olhos bem abertos! Percebam que isto não é um esforço. Simplesmente acontece, como ao bebé.  

De repente sou uma deusa. De repente tornei-me uma máquina de adquirir conhecimentos de vida.  Noto que sempre que estou perante situações que me abalam, aquelas que sempre nos deixam menos confortáveis, inicialmente ajo como sempre, fico realmente triste, nervosa, com medo, mas logo me apercebo que sei coisas sobre a vida. Ah eu sei coisas sobre a vida! E aí, a divindade. E aí, a serenidade. E aí, tudo o é que é mau passa num ápice e o que é bom é desfrutado com requinte. 

Já sentiste isto? Já te apercebeste como é bom viver? Não sei se sou deusa ou se estou a amdurecer. 

Bom resto de dia e até quarta meu bem!

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