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Crónicas, contos e confissões de uma solteira gira e bem resolvida que ainda não cumpriu o papel para o qual foi formatada: casar e procriar. Caso para cortar os pulsos ou dar pulos de alegria? Provavelmente, nem uma coisa nem outra!

30
Set20

As pseudofelizes

por LegoLuna

lights-2551274_1920.jpgOra viva!

Estes dias têm-me sido difícil dar-te atenção, não só por ter muito que fazer, mas sobretudo por estar a braços com sérios problemas laborais, problemas esses que vêm causando um desgaste emocional avassalador. A situação é de tal forma dramática que o despedimento parece-me ser a única maneira de me livrar do assédio moral com o qual venho debatendo há já um bom tempo. Sobre isso falarei numa altura em que não esteja tão reativa. O tempo é curto, já disse, mas será suficiente para falar-te das pseudofelizes, uma subespécie feminina que se carateriza por comer amargura e arrotar felicidade.

Atenção que nada tenho contra quem assuma uma atitude positiva perante a vida; pelo contrário, admiro com todo o meu ser as pessoas que, independentemente das rasteiras da vida, fazem questão de manter uma atitude otimista. Gente assim faz toda a diferença. 
As pseudofelizes não são felizes, nem tão pouco mais ou menos. Fazem é questão de mostrar aos outros que o são com o único propósito de se gabarem e causar inveja aos demais. É aqui que reside a diferença entre pessoas genuinamente felizes, independentemente de como a vida lhes trata, e as que fazem tudo para parecerem felizes apenas por uma questão de aparência e conveniência social. São essas que batizei de pseudofelizes.

Dou um exemplo: aquela colega ou conhecida que, sabendo-te solteira, não perde uma oportunidade para pregar que devias arranjar alguém, que não sabes o que estás a perder, que ela não se vê completamente feliz sem o seu "Tó Zé" Ora acontece que, na realidade, essa fulana não é respeitada, para não dizer maltratada, pelo seu gajo e, como se não bastasse, volta e meia, leva com um par de chifres. Esta é uma pseudofeliz, uma mulher emparelhada que se acha melhor do que qualquer desemparelhada pelo simples facto de ter um par de calças fixo na sua vida, mesmo que isso implique estar num relacionamento miserável.

Portanto, solteira minha, não invejes relações alheias. Lembra-te que as aparências enganam e que existe um mar de mulheres "não solteiras" cujo grau de infelicidade não chega aos pés da mais solitária das desemparelhadas.

Aquele abraço amigo de sempre!

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Viva!

Esta minha ausência, mais prolongada do que o previsto, prende-se com uma letal crise de desinspiração/desânimo que me tem assolado desde que descobri informações relevantes sobre aquela minha crush crónica made in gym. Coisas do coração, se é que me entendes... Enquanto tento debelar mais esta recaída na minha (há muito vegetativa) vida amorosa, e porque a vida segue (imune à minha dor de c*rno), eis-me aqui a republicar um post de 2016 sobre como a solteirice nos ensina a ser mais exigentes. Boa leitura!
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Solteira minha, dá uma olhadela neste artigo de Nat Medeiros, publicado no blog Já Foste. Parece que ela tirou-me as palavras da mente. Nem eu teria conseguido expressar desta maneira tão flagrante e intensa, tenho que admitir.

Em relação ao amor, hoje sou menos iludida, mas também muito mais criteriosa. Não que eu tenha desistido deste sentimento, mas aquela empolgação juvenil e até inocente já não existe mais.

O x da questão é que já vivi situações suficientes para perceber que relacionamento amoroso não envolve só sentimento. Envolve diferenças, envolve família, envolve vizinhos, animais de estimação, e até smartphones. Dois deixam de ser dois e passam a ser um número incontável de gente, torcendo pela sua felicidade (ou não). Envolve paciência, pressão, frustração, desconfiança. Claro que envolve também coisas maravilhosas, como vida partilhada, companheirismo, afeto, amor, confiança.

Lembro-me muito bem quando eu tinha 15 anos e sonhava em namorar. Achava que era o melhor que me poderia acontecer na época, mas não aconteceu… Fiquei frustrada, mas fui levando a vida. Quando finalmente tive um relacionamento mais profundo posso dizer que a vida me deu uma bofetada na cara.

Namorar não era nada daquilo que eu criara fantasiosamente. Não fiquei amarga ou desesperançosa. Fiquei realista.

Hoje, após alguns relacionamentos profundos, e aos 27 anos, eu vejo o quanto ser solteira representa liberdade e aprendizagem para mim. Não tenho medo de ficar sozinha em casa em pleno sábado à noite. Não tenho medo de ir a eventos sociais sem um rapaz ao meu lado. Eu construí a vida com os meus passos. Um atrás do outro, aos trancos e barrancos. Mas hoje eu sou eu. Quem entrar na minha vida não será o protagonista, pois a protagonista já existe. Quem entrar na minha vida tornar se á referência e não coordenada.

A questão é que as frustrações ensinaram-me a amar-me mais, a valorizar mais os meus momentos comigo mesma. Estar feliz e solteira ensinou-me a ser mais exigente. E alguém para adentrar no meu mundo tem que fazer por merecer. Se ficar com joguinhos, se ficar com palavras fartas e atitudes vazias eu, simplesmente, perco o interesse.

Eu gosto tanto de escrever, eu gosto tanto de estar e conversar comigo mesma que não dá para trocar isso por nenhum "olá gata" ou pior: "olá, sua desaparecida", sendo que desaparecida eu nunca fui nem estive. Não dá para trocar um episódio de Downton Abbey por uma conversa superficial ou sem afinidades.

Só vai entrar na minha vida quem realmente merecer. Porque vida é mais íntimo que quarto, vida é mais íntimo que cama. As pessoas costumam relacionar intimidade com sexualidade. Mas intimidade é sonho, é medo, é esperança, é falar do passado, da infância, é planear um futuro, é olhar juntos para a mesma direção. Intimidade requer tempo, requer dedicação, requer interesse profundo. Intimidade é oposto de superficialidade.

Intimidade não é saber a cor da calcinha ou do sutiã. Intimidade é saber a cor dos sonhos, a cor dos olhos quando choram, a forma exata dos lábios quando sorriem. Intimidade não é ver alguém de lingerie… Isso tu podes ver a qualquer momento, com alguém que tu conheces há muitos anos ou há poucas horas. Intimidade não é ver alguém a despir-se das roupas.

Intimidade é ver alguém a despir-se das barreiras, dos medos, das suas verdades incontestáveis, das suas certezas absolutas. Intimidade é a entrega, mas não a entrega do corpo. Intimidade é a entrega mais difícil: a entrega da alma e do coração.

Também te identificaste com estas palavras ou nem por isso?

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Viva!

Ainda que mal se aperceba, hoje é sexta-feira; para mais é o Dia Internacional da Felicidade. Felicidade é coisa que anda arisca por estes dias. Mesmo assim podemos fazer um esforço acrescido para celebrar o dia que também assinala o início da primavera, a estação do ano em que a terra renasce e se cobre de verde.

Como tal, proponho fugirmos, ainda que por breves instantes, ao assunto do momento e voltarmos ao tema essência deste blog: a solteirice. Que te parece? É que lembrei-me de partilhar contigo mais uma razão por detrás deste meu love status, que, de tão longo, já já será crónico.

Não gostar de animais de companhia tem sido um grande entrave na tentativa de engrenar a minha vida amorosa. O que é que o facto da rapariga não gostar destas criaturas adoráveis tem a ver com continuar solteira, perguntas tu? Já vais perceber. Mas antes disso, peço-te que te poupes a pensar que, por não gostar de animais, não sou boa pessoa. É um cliché demasiado aquém da tua mentalidade.

Voltando ao facto da minha falta de simpatia pelos patudos estar a atrapalhar – e de que maneira – o alavancar da minha vida amorosa, o motivo é simples: a maioria dos gajos, sobretudo os que valem a pena, apreciam-nos ao ponto de terem um ou mais exemplares em casa. Basta-me ir a qualquer uma dessas apps de engate para perder a conta da quantidade de "disponíveis" que airosamente partilham fotos suas agarrados a um canídeo ou felino.

De cada vez que me deparo com um solteiro giro nessas poses o desalento apossa-se na hora da minha esperança. "Zero chances de dar certo, Sarita!", costumo dizer aos meus botões. A não ser que só estivéssemos juntos – e teria que ser em qualquer sítio menos na casa dele – para "dar o corpo ao manifesto a custo zero", dificilmente seria possível levar a bom porto um relacionamento com um detentor de animais.

Além da minha mais do que diagnosticada alergia ao pelo animal, ponho-me a pensar no quão penoso seria ter que partilhar do espaço dessa pessoa, correndo o risco de levar com uma lambidela (desgasting!) ou, pior, ter que catar os dejetos deles, sem falar naquele cheiro característico que me deixa agoniada. Definitivamente, não me vejo no papel da namorada do dono de um animal. Só de pensar no risco de ouvi-lo referir-se a mim como "mamã" da pequena criatura... no way!

E como sequer me passa pela cabeça assumir o papel da gaja chata que passa a vida a reclamar ou a exigir que o seu homem se livre do companheiro de quatro patas, só me resta continuar a minha odisseia em busca de um pretendente giro, fit, saudável, inteligente, trabalhador, boa pessoa e que não goste de animais, pelo menos não ao ponto de querer ter um em casa.

E assim continua a vida desta solteira aqui...

Aquele abraço amigo e desejos de uma boa quarentena!

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Viva!

A solteirice, a principal motivação por detrás da criação deste blog, é um assunto que aqui nunca se esgota, não fosse ela o tópico à volta da qual se justifica a sua existência, pertinência e preferência. Por falar nisso, já te falei das três surpreendentes vantagens associadas a esse estatuto amoroso? Se sim, toca a rever a lição; se não, eis uma boa oportunidade para atualizares a informação.

Como não me canso de referir (e exemplificar), estar desemparelhada acarreta inúmeros benefícios físicos e emocionais, ainda que quase sempre desmerecidos, muito por culpa desta sociedade madrasta para com as mulheres sem um homem do lado. Para hoje escolhi falar-te de três dos mais incontestáveis, mais não seja por terem sido validados pela ciência.

1. Mais saudáveis
A última publicação do American Time Use Survey indica que os solteiros têm maiores probabilidades de viverem mais tempo do que os emparelhados. Esta ideia é reforçada por outras investigações que comprovam que as mulheres solteiras tendem a fazer exercício durante mais tempo e que os homens celibatários tendem a ter um menor IMC (Índice de Massa Corporal). Para além disso, os descomprometidos pesam, em média, menos 2 kg do que os comprometidos.

2. Mais resilientes
Outras investigações indicam que as pessoas solteiras são mais bem-sucedidas quando se trata de superar lesões ou doenças, e igualmente menos propensas a ter problemas emocionais ou físicos, quando comparadas a pessoas casadas ou divorciadas. Um bom exemplo disso é a dos soldados americanos solteiros apresentarem menores probabilidades de stress pós-traumático quando feridos em combate.

3. Mais felizes
Um outro estudo aferiu que os solteiros têm maior propensão em assumir que a sua vida evoluiu. O tempo pessoal extra para explorarem quem são, aquilo que querem e o que lhes faz feliz justificam esta conclusão. Aliás, um dos estudos mais recentes sugere que as mulheres solteiras e sem filhos são o subgrupo mais feliz da população, como já aqui partilhei no post Mulheres solteiras e sem filhos vivem mais e melhor.

Single mine, retém esta informação, que ela há de ser-te útil naqueles momentos de sufoco emocional em que te indagam quando vais casar e/ou procriar. É só citares estas conclusões empíricas que o interrogatório cessará de imediato. Será? Tenho as minhas dúvidas, mas pode ser que te safes.

Aquele abraço amigo!

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Viva!
 
Por estes dias o single world não faz outra coisa que não seja mencionar self-partnered, termo que se tornou viral pela boca da atriz Emma Watson, que numa entrevista à Vogue britânica assumiu estar comprometida consigo mesma, self-partnered, portanto.
 
Em contexto convencional, estar solteira implica estar à procura de relação. Em contrapartida, self-partnered, que em tradução livre quer dizer auto-parceira, implica estar feliz numa relação a um (consigo própria), ao invés de numa relação a dois (com outro alguém). Assim, no que toca ao estatuto amoroso, este conceito surge como uma exímia alternativa à palavra solteira, sobejamente conhecida pela sua conotação depreciativa.
 
"Muitas pessoas pensam que é impossível ser simultaneamente feliz e solteira", garante Melanie Evans, aparentemente a primeira a "blogar" sobre o assunto, em 2015. "Penso que é muito bom quando aprendemos sobre o que significa estar comprometido consigo próprio e o quão saudável é ser uma pessoa inteira numa relação consigo, com os outros e com a vida", assegura.
 
Por cá, além da minha pessoa, a rainha das audiências é um bom exemplo de self-parterned. Cristina Ferreira, que assume estar sozinha há oito anos, afirma que até hoje não lhe fez falta um homem. "O que não quer dizer que não haja dias em que vês os teus amigos todos a irem jantar com o companheiro, vão passar férias com o companheiro, há dias em que nos apetecia também ter uma vida dessas, mas depois há outros em que vives tranquilamente bem com isso e eu aprendi a gostar muito de mim", declarou esta segunda-feira no seu programa.
 
Os americanos, que arranjam um nome para tudo e mais alguma coisa, até já tem uma designação para pessoas solteiras que não estão saindo com ninguém e sentem-se felizes assim: SANDs - Single And Not Dating.
 
Termino com um conselho amigo: estejas tu solteira por vontade própria ou por vontade alheia, jamais te esqueças de ser parceira de ti mesma, de ser a parceira que sempre desejaste, de ser a parceira que mereces!
 
Um abraço e até sexta!

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Viva!

O artigo sobre vegansexualidade (que já agora vai ter que ficar para segunda-feira) estava quase concluído quando "pausei" para o almoço. Nessa hora e meia – gasta entre uma ida ao correio, uma visita à loja favorita dos meus cachitos e uma esplanada onde degustei a minha pizza di gamberi con tonno – aconteceu algo que mudou por completo o rumo da crónica que tinha prevista para hoje.

Enquanto aguardava pela comida, sentaram-se ao meu lado dois homens, na casa dos 30, que encetaram uma amena cavaqueira em inglês. Vendo ali uma excelente oportunidade para testar a minha escuta do idioma, afinal tenho que pôr em prática os conhecimentos que tenho vindo a adquirir no curso de nível intermédio que estou a tirar, estive particularmente atenta ao desenrolar dessa conversa alheia. 

Em meu abono tenho a dizer que eles é que vieram sentar-se na mesa contígua à minha, quando havia outras disponíveis; sem falar que, estando sozinha, tinha que me entreter com alguma coisa.

Um deles, português, com um inglês quase tão precário como o meu, contou que divorciou-se o ano passado, após um casamento de dez anos. Pelo que confidenciou, foram vários os motivos por detrás da separação: o desgaste de uma relação de mais de 15 anos, o nascimento da filha e as próprias mudanças pessoais. Para rematar o chorrilho, lá argumenta ele que as mulheres são doidas. Ou ouvir isso quase que me esqueço da minha condição de ouvinte clandestina, tamanho o meu desejo em espetar-lhe um garfo na língua. Só consegui refrear esse ímpeto assassino quando me lembrei que, de facto, nós as mulheres somos crazy


O que me leva a escrever-te não é tanto o discurso desse desinfeliz, mas antes a intervenção do seu acompanhante, residente na Polónia, mas cuja fisionomia e pronúncia remetem para sudoeste asiático. Em resposta ao desabafo do outro, diz ele o seguinte: "I’m single because I like to be free". Ao ouvir tal declaração, que tem tanto de verdade como de alarmante, não pude deixar de refletir sobre o que levará um jovem a encarar o casamento como uma prisão. E sabemos nós que ele não é caso único; pelo contrário.

É certo que não sou casada, sequer juntei alguma vez os trapinhos, mas custa-me acreditar que o matrimónio seja isso. Eu, pelo menos, não o consigo encarar dessa forma. Para mim, o matrimónio é para ser visto – e sentido – como uma união de dois corações que se amam, de duas almas que se reconhecem, de duas pessoas que se querem bem, em última estância, de dois indivíduos dispostos a percorrer um caminho de sentido único, ainda que com duas vias. [Desculpa lá a analogia com o código da estrada, mas agora que estou a tirar a carta não quero perder uma única oportunidade para rever a matéria.] 

É o que eu penso, sinto e acredito. Provavelmente, deve ser essa a razão pela qual sou (ainda) solteira. Com essa reflexão, deixo-te com aquele abraço amigo de sempre e desejos de um excelente fim de semana.

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Ora viva!

Não é de hoje que venho apregoando que a solteirice é um tema que não se esgota na sua essência; pelo contrário, extravasa a fronteira do coração desocupado, da cama vazia, do lar solitário ou da companhia inexistente. O mercado associado a esta realidade tem-se revelado cada vez mais atrativo, competitivo, e consequentemente, lucrativo. Com um potencial colossal, e com o número de desemparelhados a assumir proporções inéditas, a solteirice tem despoletado o florescimento de uma infinidade de produtos e serviços.

De acordo com um artigo da CNN, "nunca houve um momento melhor para ser solteiro". Só para teres uma ideia, calcula-se que existam mais de 5 biliões de solteiros no mundo. Só no Brasil são mais de 78 milhões, nos Estados Unidos mais de 110 milhões (dados de 2017) e em Portugal dados de 2011 apontam para mais de 4 milhões. Em Paris – cidade que alberga mais de 2 milhões de habitantes – existem mais solteiros do que casados, fazendo desta a cidade europeia daqueles que, como eu, ainda não encontraram uma pantufa para o seu pé cansado. 

Voltando ao tema desta crónica, escrevia eu que a solteirice é um negócio cada vez mais lucrativo e compensador. Vejamos: lá para as bandas das américas já existem empresas que alugam par para eventos, "namorados" e até abraços. Na China, o dia dos solteiros já é o maior evento de comércio online do mundo. Do bom e velho sexo vou apenas citar, dado que se trata de um negócio cujas receitas são do conhecimento geral do planeta. Idem aspas no que toca às apps e sites de engate, cujos números ascendem a milhões de utilizadores e, por tabela, de cifrões. Na versão real da coisa, as agências matrimoniais faturam igualmente uma fortuna. Aqui em terras lusas, a mais conhecida – a que cheguei a recorrer, acabando por desistir ao tomar conhecimento da tabela de preços em vigor – apresenta pacotes que ascendem às centenas de euros. Que dizer dos malfadados programas televisivos, eternos candidatos ao cargo de São Valentim, os quais já aqui abordei no post Os dating shows são decadentes, contudo viciantes?

Remato esta linha de raciocínio com mais três exemplos de serviços e/ou produtos direcionados em exclusivo para a comunidade solteira: speed datings (agora em julho aventurei-me num, lembras-te?), singles travel (a preços acessíveis a partir dos quatro dígitos) e singles parties (nenhum deles gratuitos, convém ressalvar). Até ouvi falar de sessões ao estilo 50 Sombras de Grey exclusivas a celibatários, em que se pagam montantes obscenos.

Aposto que é por tudo isso – e, obviamente, para tentar debelar a debandada da malta jovem – que a empresa-mãe de Mark Zuckerberg, Facebook, resolveu apostar num novo serviço: o Facebook Dating. Lançado esta quinta-feira nos Estados Unidos, a nova funcionalidade vai permitir, entre outras coisas, integrar publicações e histórias do Instagram no perfil do utilizador, bem como acrescentar os amigos a uma "lista secreta de paixonetas".

Segundo comunicado pela empresa, o Facebook Dating, que se assume como concorrente direto dos Tinder da rede, tornará fácil encontrar o amor através dos gostos pessoais, ajudando a começar relacionamentos com significado através dos aspetos que os utilizadores tiverem em comum, tais como gostos partilhados, eventos e grupos.

Em relação à tal lista de "paixonetas secretas", que pode integrar até nove pessoas, caso haja reciprocidade entre os membros destas listas, ou seja, se uma das pessoas escolhidas também tiver adicionado o utilizador à sua própria lista, haverá um match. Caso não exista interesse da outra parte, a lista continua secreta. Onde foi mesmo que já vimos/ouvimos esta?

A novidade já se encontra ativa em 20 países, devendo chegar ao mercado europeu no início do próximo ano. Para ter acesso ao cupido do Facebook bastará aos interessados criar um perfil e ter mais de 18 anos. De modo a não excluir ninguém, sobretudo aqueles que não estão registados nesta rede social ou não querem ver o seu perfil associado ao fénomeno "finding love", oferece-se a possibilidade de uma conta à parte, independente do perfil "oficial".

É, meu bem, a solteirice é que está a dar. Goste-se ou não, a verdade é que os negócios associados aos corações solitários estão-se a tornar cada vez mais cobiçados, ao ponto do patrão da maior rede social do mundo querer meter a colher no assunto, ou devo dizer, a mão na massa?

Por hoje é tudo, para a semana há mais. Aquele abraço amigo e um sincero desejo de que o fim de semana seja salpicado por sol, sombra, água fresca e amor, claro!

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Viva!

Visa esta crónica complementar aquela que a precede, na qual abordei as dificuldades da comunidade desemparelhada em conseguir ofertas turísticas adequadas ao seu perfil. O meu olhar de hoje recai sobre o preço de se ser solteira em Portugal, tendo por base duas premissas: os valores das rendas e o custo de vida, duas variáveis que comprometem seriamente o quotidiano de quem suporta as contas na sua totalidade.

A invasão massiva dos turistas e dos migrantes endinheirados veio agudizar um problema que há muito ensombra a emancipação das celibatárias, relegando para segundo plano a falta de um par de calças do lado. O maior drama das single ladies neste momento é conseguir morar sozinha; que sobre adquirir casa própria nem me atrevo a pronunciar. Eu sou o exemplo vivo desta dura realidade; na casa dos 40 e ainda a dividir casa, como se uma universitária ainda fosse.

A propósito desta questão, considera o sociólogo Bernardo Coelho que "não só os salários em Portugal são dos mais baixos da Europa, como as mulheres são as mais mal pagas, com a agravante de que este é um cenário que acontece em todas as fases das suas vidas e não apenas no início da vida profissional. Além disso, o número de contratos não permanentes nas empresas incide com maior percentagem no sexo feminino. A precariedade no feminino é uma realidade".

Conscientes estamos todos de que salário baixo implica poder de compra reduzido, que, por sua vez, resulta numa margem financeira deveras limitada, numa espécie de pescada de rabo na boca. Não é à toda que os passarinhos deixam o ninho cada vez mais tarde e que muitos a ele retornam nos primeiros três anos após o voo da libertação do jugo parental. Flagrante é também a quantidade de indivíduos (sobretudo do sexo feminino) que "juntam os trapinhos" mais por uma questão prática do que propriamente sentimental, assim como aqueles que se mantêm numa relação moribunda e tóxica por motivos exclusivamente financeiros.

A continuar assim será caso para substituirmos o "quem casa quer casa" pelo "quem quer casa, casa". Afinal, de que outra maneira uma solteira assalariada conseguirá condições financeiras para ter um cantinho a que chamar seu?

Até à próxima, que o fim de semana já me veio buscar para irmos desbundar!

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Viva!

Muy grata pelo esplêndido fim de semana com que Dom Pedro nos agraciou, de tez bronzeada e alma revigorada retomo o contacto contigo. Não penses que venho de mãos a abanar, é que não mesmo. Comigo trago uma crónica sobre a validação – mais uma – da solteirice por parte da ciência. Como se preciso fosse…

Já algumas vezes aqui abordei as vantagens em ser solteira (se não o fizesse, este blog nem sentido faria, certo?). Umas vezes fundamentei com base na minha própria experiência, outras no senso comum e, na sua grande maioria, em estudos empíricos. Desta vez, volto a recorrer à ciência, mais concretamente ao académico Paul Dolan, para quem o casamento só é (comprovadamente) benéfico para os homens. Já no nosso caso, a coisa não é bem assim; pelo contrário.

Um estudo apresentado há um par de dias no festival Hay, e que faz parte do livro Happy Ever After, citado pelo The Guardian, garante que as mulheres da minha laia (leia-se solteiras e sem descendentes) são o subgrupo mais feliz da população. Como se isso não bastasse, o estudo refere ainda que é mais provável que nós vivamos mais do que aquelas que casam e procriam.


Estas alegações do docente de ciência comportamental na London School of Economics baseiam-se na convicção de que os marcadores tradicionais para medir o sucesso não estão relacionados com a felicidade – particularmente o casamento e os filhos. "As pessoas casadas são mais felizes do que outros subgrupos da população, mas apenas quando os seus parceiros se encontram na mesma sala. Quando lhes é pedido para saírem, dizem que se sentem miseráveis", afirma Dolan. Ups!

Se dúvidas houvessem sobre a quantidade de emparelhadas infelizes que nos andam a impingir uma falsa imagem da felicidade conjugal, o britânico detonou-as numa única frase. Continuando... Sem meias-palavras, Dolan é perentório quando diz o seguinte: "Se és homem, provavelmente deves casar-te. Se és mulher, não te preocupes com isso".

A razão porque beneficiam eles mais com o matrimónio prende-se com o facto do sexo masculino ficar mais calmo quando se retira do mercado amoroso. "Eles têm menos riscos, ganham mais dinheiro no trabalho e vivem mais. Elas, por outro lado, morrem mais cedo do que aquelas que nunca chegam a casar".


Não obstante essas benesses imputadas ao celibato, o académico às ordens de sua majestade não é alheio ao persistente estigma de que as mulheres apenas são felizes casadas e com filhos. "Vemos uma mulher de 40 anos que nunca teve filhos. 'Meu Deus, é uma vergonha, não é? Talvez um dia venha a conhecer o homem certo e talvez o estado dela mude'. Não. Talvez um dia ela encontre o homem errado. Talvez ela encontre um homem que a torne menos feliz e morra mais cedo", conclui Dolan.

É por estas (e por outras) que estou solteira. Afinal, quem sou eu para contrariar a própria ciência, que garante que mulheres solteiras e sem filhos vivem mais e melhor? Ser solteira torna-se assim uma questão de vida ou morte. Eh eh eh.

Um bom resto de dia para ti, que eu vou é celebrar a minha solteirice com um cocktail bem colorido, que a ocasião assim o exige. Até à próxima!

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Viva!

Com o falecimento repentino do meu pai, a viagem de última hora a Cabo Verde, as cerimónias fúnebres, o reencontro com os meus em circunstâncias tão dolorosas, o stress para conseguir retornar ao território português (à custa de uma autorização de residência caducada há quatro meses), o trabalho acumulado pela ausência inesperada, as duas idas ao SEF a fim de legalizar a minha permanência no país, sem mencionar a indescritível tristeza por me saber órfã de progenitor, a minha vida no último mês tem sido um pesadelo, para não dizer um inferno.

Por não escrever há tanto tempo (por mais que quisesse, como poderia?), receio ter perdido o jeito para a coisa. Como tal, eis-me aqui praticamente a obrigar a minha pessoa a digitar caracteres, na firme esperança de que o gosto pela escrita ressurja da inércia, tal como a fénix das cinzas. A ver vamos o que daqui sairá. Para não estar mais com delongas, que o meu estado psicoemocional já conheceu dias melhores, escolhi para tema desta crónica a solteirice, na perspetiva de antes solteira do que mal emparelhada.

Sabes aquele velho ditado que diz que mais vale só do que mal acompanhado? Como se não bastasse a sabedoria popular, evidências científicas vêm agora sustentar esta crença. Uma pesquisa conduzida por investigadores da Universidade de Buffalo, citada pela psiquiatra e sexóloga Kate Pickles, sugere que é muito mais benéfico para a saúde ficar solteira do que insistir em permanecer num relacionamento amoroso mau.

Apuradas as respostas de um inquérito aplicado a jovens casais residentes em regiões rurais do estado de Iowa, constatou-se que quanto mais tempo estes permaneciam em relacionamentos positivos, melhor era o seu estado de saúde. Na mesma linha de pensamento, foram identificados flagrantes efeitos negativos sobre a saúde daquelas que mantinham relacionamentos de má qualidade — demonstrando que, pelo menos no que diz respeito ao bem-estar geral, é muito melhor estar só do que mal acompanhado.

Por hoje é tudo, que esta minha inspiração já conheceu dias melhores. Aquele abraço amigo e até breve!

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