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Crónicas, contos e confissões de uma solteira gira e bem resolvida que não cumpriu o papel para o qual foi formatada: casar e procriar. Caso para cortar os pulsos ou dar pulos de alegria? Provavelmente, nem uma coisa nem outra!

15
Dez21

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Ora viva! 👋

Nos últimos dias, a sociedade cabo-verdiana tem testemunhado a uma inquietante onda de homicídios, com a violência patente em cada um deles. Para além do estupro, e consequente assassinato, de uma menina de 13 anos, cujo corpo foi barbaramente largado num sítio ermo da ilha do Sal, registaram-se ainda dois crimes passionais: uma mulher que matou o companheiro à facada (também na ilha do Sal) e um homem que matou a tiro a companheira (na ilha de Santiago).

Quem me conhece minimamente sabe que não sou apologista de dar tempo de antena a acontecimentos nefastos ao bem-estar mental e emocional. A realidade é suficientemente dura para estar a dar protagonismo ao seu lado perverso. Contudo, volta e meia, abro uma exceção para falar de casos que me tocam particularmente, tamanha a sua relevância para a harmonia social, sobretudo quando põe em xeque a problemática do género.

É à luz desta contextualização que eis-me aqui a partilhar este poderoso desabafo da escritora e ativista social Natacha Magalhães, a propósito dos episódios acima mencionados.

Ontem uma mulher assassinou o marido com uma faca. Hoje um homem (agente policial) mata a esposa com tiros.

Vejo comentários do tipo "até quando?", "quantas mais terão que perder a vida?", "nossa sociedade está doente".

Não. Paremos com isso! Nem toda a sociedade está doente. Não somos todos assim.

O que se passa, nesses casos, é que pessoas estão em relações sem sentido, com medo de ficarem sozinhas ou para darem uma satisfação à sociedade, que aprova mulheres e homens casados (ainda que mal casados) do que solteiros e felizes. Há muita pressa, pouca paciência, muita irracionalidade. E é o que se vê. Quantas/os se submetem a relações infelizes, onde o parceiro não tem nada a ver com a parceira e vice-versa, mas o casal só lá permanece apenas porque um ou ambos não conseguem viver sós? Quantos estão em relações baseadas no sexo e não na amizade, cumplicidade e respeito? Quantas mulheres e homens precisam aprender a amar e respeitar a sua própria pessoa, ao ponto de sair da relação tóxica ou quando as coisas chegam a um ponto que claramente há sinais de desgraça eminente?

O que há nessa sociedade é muita falta de amor, incluindo amor-próprio. Muita falta de cuidar da alma, de cultivar a fé e os valores.

Há autoridade capaz de resolver isso? Não! Essa é a nossa responsabilidade, enquanto pais e educadores. Lá em casa, ensinar as meninas e os meninos a autoestima e auto-respeito, a respeitar o outro, a gerir emoções, a aceitar opiniões contrárias.

Mais amor. Amor-próprio. Amor ao próximo.

Despeço-me com aquele abraço amigo e votos de Boas Festas.

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Ora viva! ✌️

Este manhã, uma das minhas besties partilhou comigo um conteúdo sobre a solteirice. Na sequência da conversa que a partir daí se desenrolou, diz-me ela o seguinte: "Que fique registado que às 10h da manhã do dia 13 de dezembro eliminei a minha conta do Tinder. Sinto me muito mais livre, em paz e feliz".

Nem duas semanas de utilização aguentou ela, o tempo por mim estipulado para um primeiro balanço do mundo (des)encantado desta aplicação de encontros. No que toca à minha pessoa, só não a desativo de uma vez por todas pelos motivos óbvios: tenho que estar a par do que se passa no mundo do engate online. Afinal, de que outra forma conseguiria conteúdo fidedigno para escrever sobre a odisseia dos solteiros em busca do amor?

À parte isso, nunca tive esperança de que a seta do cupido fosse atingir-me pelas mãos do Tinder
E, pelos vistos, não sou a única, já que são cada vez mais os corações solitários que assumem o seu desânimo/desencanto em relação às aplicações de encontro. Para esses, recomendo a (re)leitura de um artigo datado novembro do ano passado, intitulado Há vida para além das apps de engate, através da qual dou conta do seguinte:

As plataformas de encontro - apps de engate, como gosto de chamá-las - são um tema que não se esgota na sua (in)significância, até porque nos dias que correm, com todas as restrições ao convívio e ao contacto físico que a Covid-19 veio impor, os desemparelhados precisam mais do que nunca de toda e qualquer ajuda para incrementar a sua vida amorosa.

Com uns mais focados na parte sentimental e outros assumidamente interessados em sexo, as relações românticas, tal como tudo na vida (e no mundo), estão a ser alvo de uma transformação sem precedentes. As plataformas de encontro assumem assim um papel preponderante nesta mudança de paradigma, não só por permitirem a tão conveniente interatividade, imediata e ininterrupta, como por aumentarem exponencialmente o leque de opções.

"Conhecer" alguém nunca foi tão fácil, barato e descompromissado. Iniciar/terminar uma relação faz-se num piscar de olhos, melhor dizendo, num deslizar de dedos. Os encontros, que antes implicavam conhecer fisicamente a pessoa, passaram a estar ao alcance de dois ou três cliques. Os conhecidos de amigos ou colegas de trabalho/universidade deram lugar a fotografias, as quais vamos aceitando ou rejeitando, conforme o nosso agrado.

A excitação inicial que é descobrir pretendentes, explorar os seus perfis, encetar uma conversa, trocar informações, para, no final, arriscar um tête-à-tête, com o passar do tempo vai dando lugar ao tédio, à impaciência, à frustração e à desilusão. Precisamente por haver demasiadas opções à nossa mercê, acreditamos que o próximo perfil será sempre melhor do que o anterior. Só assim é-nos possível alimentar a esperança de que nada perdemos com aqueles que rejeitamos. Esta dinâmica torna-nos aditos, ao ponto de, ao invés de apreciarmos o que temos garantido, continuarmos a correr compulsivamente os dedos pelo ecrã na expectativa do que ainda poderemos vir a ter.

A minha odisseia pelo ciberespaço em busca do amor é sobejamente conhecida pelos meus leitores/seguidores. A última aliada nesta aventura foi o Facebook Dating, do qual dei conhecimento em dois posts. Do que ainda não tinha dado conhecimento é que, duas semanas após a sua descoberta, e exploração, o veredicto resume-se a "menos do mais". Falando curto e grosso, a nova funcionalidade do Facebook é uma versão low-coast do Tinder, motivo pelo qual não me restou outra opção que não fosse eliminar o perfil. Claro que um encontro aquém das expectativas, no sábado, foi a gota de água para acabar de vez com esta estória de conhecer gajos interessantes através desta, ou de qualquer outra, plataforma digital.

Assim, de momento, e por tempo indeterminado, está suspensa da minha vida toda e qualquer procura do amor através da internet. Se tiver que acontecer, que seja de forma espontânea, de preferência ao estilo convencional, como sucedeu com o tal mec francês. Sim, porque não desisti do amor, pelo contrário! A cada dia que passa, mais convencida fico de que uma vida sem amor é meia vida. A questão aqui é esclarecer o tipo de amor que cobiçamos: o próprio ou o alheio. O primeiro é algo que tenho de sobra, pelo que, nesse quesito, tenho uma vida inteira. Quanto ao segundo, anseio pela sua versão maior, aquela que soma, acrescenta, engrandece, enaltece e envaidece.

Meu bem, caso estejas de coração livre, na ânsia de viver ou reviver um grande amor, o meu conselho só pode ser este: estar atenta, ser paciente e não procurar muito. Afinal, não somos nós que encontramos o amor, mas o amor que nos encontra. Bem sei que amar intimida, sobretudo quando já fomos magoados. Ainda assim, continua a valer a pena. Mesmo com o coração despedaçado, é possível amarmos com esses pedaços. Amar alguém e não resultar, não tira valor ao que se viveu e lá porque terminou, não deixa de ser uma estória de amor.

Aquele abraço amigo de sempre!

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Viva! 👋

Hoje resgato da memória deste blog (mais) um artigo que atesta que, no que toca à solteirice, as mulheres são mais felizes do que os homens. Datada de 17.11.17, a publicação faz referências às conclusões de um estudo (recente, na altura) sobre relações amorosas, o qual deu que falar, não só por deitar por terra velhos dogmas, como por deixar os polícias do estado civil alheio cada vez mais espartilhados.

Escreveu o The Telegraph que uma pesquisa levada a cabo pela Mintel no Reino Unido apurou que 61% das mulheres solteiras está feliz com o seu estado civil, em comparação com 49% dos homens. Ao que se conseguiu apurar, as inquiridas sentem-se tão confortáveis com essa situação que ¾ não procurou ativamente, durante o último ano, um relacionamento, em comparação com 65% dos homens solteiros.

A esta altura da leitura já deves estar a pensar que as minas de sua majestade não querem saber de gajos. No way, my dear! Simplesmente sentem-se bem sozinhas. Analisando por faixa etária, entre os 45 e os 65 anos, 32% das discípulas de Vénus afirma estar bem sozinha, enquanto apenas 19% reconhece o mesmo.

Ilações dos autores desta pesquisa
Genericamente, quando solteiras, elas são mais felizes do que eles na mesma condição. Isto porque são mais abertas e melhores a socializar, envolvendo-se em mais atividades; são mais propensas a ter uma rede de amigos próximos a quem podem recorrer em caso de necessidade; realizam mais tarefas domésticas que o parceiro e gastam mais tempo e dinheiro para manter uma boa aparência quando estão numa relação.

Ilações da autora desta crónica

Ponto 1: Quanto mais maduras as mulheres, mais seguras e realizadas se sentem e menos suscetíveis tornam-se à opinião alheia. Por saberem exatamente o que querem e o que lhes faz feliz, não estão para aturar um macho qualquer da vida só porque sim.

Ponto 2: O estigma em relação às mulheres solteiras está (finalmente) a minguar. Já não são vistas como rejeitadas para passarem a ser percecionadas como pessoas independentes e satisfeitas consigo próprias, que não têm de ter uma relação se não o quiserem.

Ponto 3: Provavelmente, a maioria destas mulheres já foi esposa e mãe/avó, ou seja, já "cumpriram" o papel que delas se esperava. Sendo assim, já não sofrem tanta pressão e cobrança para arranjarem um companheiro.

Ponto 4: Muitos homens ainda cultivam aquela mentalidade jurássica de que espécies femininas acima de uma certa faixa etária são como artigos fora do prazo de validade, isto é, impróprias para consumo.

Ponto 5: O que realmente importa é estar feliz (com ou sem par). O resto é conversa para encher a chouriça.

Aquele abraço amigo e até sexta!

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06
Set21

Vamos falar de sexo?

por Sara Sarowsky

310A581F-66ED-4B6F-B9A7-532F390CC7C1.jpegOra viva! ✌️ 

Bem sei que era suposto vir ter contigo na sexta-feira, contudo, deixei-me corromper por um passeio a Sintra; ao qual não conseguiria virar costas, não só pela companhia, como pelo facto de ser uma apaixonada confessa daquela terra encantada. Foi maravilhoso voltar ao sítio aonde fui tão feliz em outubro passado, altura em que fiz a escapedela de que te dei conhecimento no post Uma aventura em Sintra. Caso não te lembres, este link vai refrescar-te a memória em cinco minutos.

Ainda que esteja desejosa para te por a par desta minha última aventura (acompanhada, para variar), o motivo da minha vinda aqui prende-se com a efeméride que hoje se assinala, uma data que muito diz a este blog, não fosse ele tricampeão na categoria de sexo e diário íntimo. Celebra-se neste dia 6 de setembro o Dia Mundial do Sexo. Ah pois é bebé... como tal, vou partilhar contigo, em direto, a minha recente traquinice sexual, a qual prefiro contar de viva voz, pois temo não ser capaz de transmitir com fidelidade todos os detalhes através da escrita.

O estar saudosa das sessões em direto é só um pretexto extra para o nosso meeting de logo mais. Estarei, portanto, à tua espera, a partir das 21 horas, no meu perfil de Instagram. A live acontecerá uma hora mais cedo do que o habitual, porque quero que a minha tribo de Cabo Verde possa acompanhá-la sem stress, já que o fuso horário (menos duas horas do que em Portugal) coincidiria com a hora do jantar, o que faria com que muita gente ficasse impedida de assistir.

Como não vou ter ninguém a acompanhar-me, deixo-te à vontade para intervir, que terei muito gosto em ouvir o que terás para dizer. Aposto que, após ouvires, o tenho para contar vais querer dar o teu achega, até porque o que aconteceu comigo já aconteceu com outras. Para participares só terás que pedir para aderir.

Conto contigo e com a tua malta, com quem vais partilhar a nova de que hoje vai ter confissões da Ainda Solteira em direto. Despeço-me com aquele abraço amigo de sempre e um até logo mais!

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28
Jul21

people-247459_1920.jpgOra viva! ✌️ 

Hoje trouxe a minha mais recente crónica para o portal de notícias Balai Cabo Verde, acabadinho de ser publicado. Bom proveito!

No outro dia, no decurso de um almoço com ex-colegas de trabalho, alguém perguntou-me se na verdade existem mais mulheres solteiras do que homens solteiros. A resposta que dei na altura serve de mote a esta crónica, a qual intenta lançar um olhar sobre a (aparente) discrepância entre os géneros no que toca à solteirice.

Dita a minha experiência que a percentagem de corações solitários está praticamente elas por eles, ainda que com uma ligeira vantagem do sexo feminino, facilmente explicado pela sua predominância em termos populacionais. O que acontece é que para a maioria dos indivíduos do sexo masculino estar solteiro não tem necessariamente que rimar com estar sozinho.

É bem mais fácil - e socialmente tolerável - que os celibatários tenham "amigas", as quais vão rodando consoante o estado de espírito ou apetência sexual. Muito mais à vontade do que nós mulheres em separar o coração da libido, eles lidam e gerem melhor o seu estado civil, mais não seja porque a sociedade é mais branda e condescendente com eles. "Ter alguém" sem assumir uma relação é melhor aceite quando se trata do género masculino; disso não tenhamos dúvida, ainda que nos console pensar o contrário.

Uma mulher que vai colecionando "amigos" é comum e inevitavelmente rotulada de "fácil", "leviana", "promíscua", para não dizer outra palavra de quatro letras começada por p. Nos nossos dez grãozinhos de terra, em que a dimensão do território é inversamente proporcional ao falatório sobre a vida alheia, esta é uma situação flagrante, condicionante, incapacitante. Com a mulher que vai fazendo a sua vida amorosa, à margem do seu celibato, a comunidade é implacável no criticismo, no julgamento, na condenação e na ostracização.

Com os homens a conversa é outra. Em inúmeras paragens deste planeta ficam até bem vistos; afinal, cultivar e perpetuar o dogma do macho alfa valoriza o seu passe perante tudo e todos. Ele é encarado como um servidor social, que mais não faz do que cumprir o seu papel de provedor da satisfação feminina e da perpetuação da espécie. Mulher que vai saltando de par em par de calças incomoda bem mais do que mulher que prefere aguardar pelo par de calças ideal. Homem que adota a mesma postura incorre no pecado mortal de ver sua masculinidade posta em causa.

A eles é permitido provar da doce fragrância do romantismo, desde que isso não comprometa a sua macheza, claro está. A elas injetam-se doses cavalares do mesmo elixir do amor, na expectativa de que se mantenham puras e castas até à chegada do tal dito cujo montado no cavalo branco, o qual, no final da estória, fica-se a saber que não passa de um sapo sob o encantamento de uma fada madrinha ressabiada. Mas isso já é assunto para outra ocasião.

Termino lembrando que, sobretudo no caso dos homens, estar solteiro não implica necessariamente estar sozinho, assim como não ter uma relação assumida não implica estar em abstinência sexual. As coisas são como são e, em matéria de solteirice, cada um conduz a sua vida da forma que melhor lhe convier, que ninguém tem nada a ver com isso. O importante é ser feliz e desfrutar da vida tal como ela se nos apresenta.

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Clara Roc.jpgOra viva!

O conteúdo deste post é mérito da Clara Roc, que ontem enviou-me um áudio com a sua "reflexão sobre a solteirice", como lhe chamou esta minha amiga maior, cuja análise da condição amorosa que nos une é de tamanha profundidade e verdade que não hesitei um nanossegundo a tomar a decisão de partilhá-lo contigo.

Segundo ela, "o grande peso da solteirice não é o facto de estarmos sozinhas, mas sim de termos toda a liberdade do mundo para gerirmos as nossas vidas." O melhor mesmo é deixar-te com a transcrição integral do áudio.

Minha amiga maior, eu fico muito feliz por falares sobre a solteirice e fico ainda mais feliz por este tema estar a ser tão acarinhado por tanta gente e tu poderes realmente influenciar tantas mulheres. Durante muito tempo eu não fui solteira, como bem sabes. Mas hoje em dia sou uma de vós. Eu às vezes lembro-me de tu, e mesmo a Natalie, falarem de peito cheio de como é bom ser solteira e eu pensava assim: "Mas que raio, como é que isso é possível?" E afinal, começo a achar que ser solteira é melhor do que ser emparelhada. E eu queria partilhar contigo esta minha reflexão porque pode ser um mote para possíveis divagações, possíveis textos teus...

A verdade é que quando nós estamos solteiras, assim que acordamos, todo o dia é gerido de acordo com a nossa simples vontade, com aquilo que queremos fazer, desde aquilo que vestimos à forma como comemos, aonde vamos, as coisas que fazemos, com quem queremos estar, a quem vamos ligar para nos fazer companhia, por exemplo. Quando estamos emparelhadas, há - tem que haver sempre - que procurar um equilíbrio. Ao pequeno-almoço, se calhar, não vou comer tudo o que me apetece porque é para os dois, se calhar eu até queria ir às compras ao fim da tarde mas o companheiro está em casa e se ele não quiser ir, eu também não vou. E a nossa liberdade, vou-lhe chamar partilhada, fica partilhada e isso tira-nos bastante grau de autonomia.

E esse encantamento que eu neste momento estou a viver, e que acho que é um ponto muito positivo em ser solteira, é realmente esta profunda liberdade, profunda autonomia, que é na realidade muito assustador. Descobri que o grande peso da solteirice não é o facto de estarmos sozinhas, mas sim de termos toda a liberdade do mundo para gerirmos as nossas vidas. Porque lidar com todo este poder, todos os dias, é uma experiência arrebatadora. Daí que não seja para qualquer uma.

Todas as tuas seguidoras que são celibatárias devem estar muito muito felizes porque qualquer solteira que o é há muito tempo e que tem este poder é um ser humano muito grande, uma mulher muito grande. E essas mulheres não podem ser iguais às outras; elas têm o poder, não é mesmo? É uma pequena reflexão sobre o meu estado de solteirice e sobre o quão enamorada estou de mim própria.

A reflexão da minha adorada Clara traz um novo olhar sobre a questão do celibato feminino. Confesso que nunca tinha pensado na questão dessa forma, ainda que sempre tenha sentido que ser solteira acarreta uma liberdade inebriante, da qual facilmente se fica viciada. A solteirice implica lidar com uma profunda liberdade, e sabemos bem que nem toda a gente está disposta a pagar o preço de ser dona e senhora do seu próprio destino.


Por hoje é tudo, voltarei na sexta com a temática da próxima live, cuja convidada desmarcou à última da hora, deixando-me com a ingrata missão de encontrar uma substituta em tempo recorde. Vai correr tudo bem, sei-o. 

Aquele abraço amigo!

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30
Jan21

Hoje há live no meu Instagram

por Sara Sarowsky

FF0BC00E-E2C7-4604-8064-9472BD7B19C9.jpegOra viva! ✌️ 

O tempo hoje está escorregadio (literalmente, falando 😉), pelo que só passei para dizer-te três coisas. A primeira é que a live de quinta-feira, em O Lado Negro da Força, foi épica, a melhor de sempre (palavras de alguns intranautas, não minhas). O que eu posso dizer é que foram as quatro horas mais divertidas de há muito tempo. Num dia que estejas aborrecida até ao tutano, clica neste link e assiste à minha performance. Aposto que vais-te animar na hora.

A segunda coisa que te queria dizer é que hoje, a partir das 22 horas, estarei numa nova live, desta vez promovida por mim. Com a ajuda da psicóloga Kátia Marques, vou tentar confirmar se é verdade que as mulheres bem-resolvidas têm menos sorte no amor. Não percas, que será uma conversa descontraída e esclarecedora, sem filtros, tabus ou papas na língua, em que qualquer pessoa poderá intervir (se assim o desejar, claro!). Conto contigo!

O terceiro motivo que aqui me trouxe hoje é lembrar-te da live de amanhã com a happiness coach Raquel Godinho, na qual eu, na qualidade de convidada, vou abordar o impacto do confinamento na felicidade dos solteiros em Portugal. Temos reservado um desafio, pelo que só terás a ganhar participando. Anota aí, este domingo (31 de janeiro), às 18 horas, no instagram @nitidamente.pt.

Por hoje é tudo. Estarei de volta na segunda-feira, para mais uma conversa amiga. Até lá, deixo-te com aquele abraço amigo e desejos de uma bom fim de semana. Hasta luego baby!

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woman-1439909_1920.jpgOra viva! ✌️ 

Um artigo da Holofote, datado de junho de 2016, dá conta de uma série de coisas que os solteiros não acham piada que os amigos lhes façam, não obstante toda a confiança e estima existente entre ambos. Na qualidade de solteira crónica, posso garantir que, ainda que saibamos reconhecer as suas boas intenções, muitas vezes eles mais atrapalham do que ajudam, quando tentam arranjar-nos um par.

Por acreditar que qualquer solteira, em algum momento da sua vida, tenha passado por algo semelhante, partilho contigo algumas atitudes que não matam mas são bem capazes de moer uma amizade. Ei-las:

Estarem sempre a fazer-nos "arranjinhos"
Contamos sair com um casal de amigos e, supresa, eles trazem um amigo a tiracolo. O que até parecia uma boa ideia torna-se motivo de embaraço, pois, de tão pouco subtil que é esta tentativa de emparelhamento, as duas pessoas ficam constrangidas, impossibilitanto uma interação descontraída. Sem falar que os nossos amigos, por mais íntimos que sejam, raramente sabem com exatidão que tipo de pessoa desperta o nosso interesse.

Sugerir que tentemos a sorte online quando sabem que não é a nossa onda
Há pessoas que estão perfeitamente à vontade com o engate online, mas outras nem por isso. Daí que seja um drama quando os amigos insistem que devem procurar alguém online. No meu caso, foi uma irmã que empurrou-me para este universo paralelo das relações amorosas. Hoje, depois de vários anos à caça na internet, estou cada vez mais convicta de que o amor não deve ser procurado, já que ele simplesmente acontece.

Pesquisar sobre alguém que acabamos de conhecer
Mal lhes contamos que conhecemos alguém, bombardeiam-nos com um verdadeiro inquérito policial: qual a sua aparência, quantos anos tem, que faz na vida, com quem costuma dar e, sobretudo, se está nas redes sociais. São incansáveis na procura e descobrem tudo e mais alguma coisa, coisas que, se calhar, preferíamos não saber, pelo menos não tão cedo. Existem aquelas amigas que até pedem amizade ao fulano, algumas sob um perfil falso, para poderem seguir todos os seus passos. Creepy!

Convidar-nos para uma saída só de casais

Esta então é deveras deprimente! Já passei por isso e jurei para nunca mais. Por mais boa onda que sejam os casais, a pessoa desemparelhada sente sempre que está a mais. Como se não bastasse o lugar ao seu lado estar vago, exibindo assim a sua "maldição" amorosa, ainda tem que dar uma de castiçal, assistindo aos beijinhos, abracinhos e arulhinhos que os pombinhos vão trocando entre si, como se de propósito o fizessem  com o intuito de fazer lembrar o que estamos a perder.

Achar que o Zé era mesmo um bom para nós
Lá porque acham que o fulano de tal é bom partido, isso não quer dizer que ele seja bom partido para nós. A pessoa até pode abarrotar predicados por tudo quanto é lado e nós simplesmente não sentirmos aquela química. Volta e meia, sou lembrada do quanto o Luís, com quem fiz uma tentativa há uns anitos, é o sonho de consumo de qualquer mulher. De nada parece adiantar eu explicar que nunca senti a mais pequena faísca perto ele. Tenho a sensação que, pura e simplesmente, fazem ouvidos de mercador, daí que continuem a atiram-nos à cara a oportunidade que perdemos.

Dizer que somos muito exigentes
Esta então é o pão-nosso-de-todo-o-dia. Não perdem uma oportunidade para fazer-nos sentir culpadas do nosso malfadado estado de solteirice, como se fosse uma doença que é preciso curar; pior, que é nossa culpa. Não se cansam de dizer que não sabem como é que uma rapariga tão gira e simpática não encontra ninguém, como é que os homens não percebem o Ferrari que somos, que não estamos a esforçar para conhecer alguém, que queremos o príncipe encantado e que estes já não existem, que somos irrealistas, que temos de baixar as expectativas, que isto, que aquilo, que aqueloutro. Fazem-nos sentir que temos de aceitar (e agradecer) o primeiro que nos aparecer à frente, que vale tudo menos permanecer solteira.

A estes amigos, que no fundo só querem ajudar, é preciso lembrar-lhes que às vezes uma mulher é solteira por escolha; sua escolha, não de outros. E que ter um par não é garantia de felicidade. Enfim...

Aquele abraço amigo e desejos de bom fim de semana!

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09
Dez20

fashion-2605023_1920.jpgOra viva! ✌️ 

Empenhada na "campanha eleitoral" com vista ao terceiro mandato como o melhor de Portugal na categoria Sexo e Diário Íntimo, proponho para hoje mais uma abordagem sobre o tema central deste blog: a solteirice, com especial ênfase no facto de uma pessoa solteira não ser (necessariamente) uma pessoa infeliz.

A crença de que o solteiro, sobretudo se for do sexo feminino, é uma criatura amargurada e/ou ressentida, no fundo infeliz, é tão antiquada quanto desadequada. Existem, e não são poucas, pessoas desemparelhadas que estão perfeitamente à vontade com a sua condição amorosa. Assim como existem emparelhados felizes, existem solteiros felizes. Pelos caracteres deste blog, tenho um orgulho imenso em contribuir para desequilibrar essa balança em favor da felicidade a solo.

Ser solteira é uma condição que, na maioria dos casos, sequer depende inteiramente do nosso querer. Agora ser solteira infeliz só depende da vocação/opção de cada uma. No meu caso, assumo que é uma situação que é-me deveras confortável, não só por gostar de ser dona e senhora do meu destino, mas também por ter a plena consciência de que só é possível ser feliz a dois se souber ser feliz a um. Toda e qualquer fórmula, e forma, de felicidade começa e acaba num único ingrediente: amor próprio. Sem isso, não tem como ser feliz na companhia de outro alguém, menos ainda fazer esse outro alguém feliz.

É certo que uma atuação au pair tem as suas vantagens (oh se tem!). Contudo, a atuação a solo também tem, com o diferencial de o palco ser todo nosso, sem necessidade de termos que dividir o protagonismo. Single mine, se estás solteira (por opção própria ou alheia, isso é lá contigo), lembra-te destas minhas palavras e, ao invés de lamentares a falta de um par, celebra a tua abundância de liberdade: liberdade para ser feliz, liberdade para ser gostosa, liberdade para ser poderosa.

Aquele abraço amigo de sempre e não te esqueças de votar para os Blogzillas do Ano!

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30
Set20

As pseudofelizes

por Sara Sarowsky

lights-2551274_1920.jpgOra viva!

Estes dias têm-me sido difícil dar-te atenção, não só por ter muito que fazer, mas sobretudo por estar a braços com sérios problemas laborais, problemas esses que vêm causando um desgaste emocional avassalador. A situação é de tal forma dramática que o despedimento parece-me ser a única maneira de me livrar do assédio moral com o qual venho debatendo há já um bom tempo. Sobre isso falarei numa altura em que não esteja tão reativa. O tempo é curto, já disse, mas será suficiente para falar-te das pseudofelizes, uma subespécie feminina que se carateriza por comer amargura e arrotar felicidade.

Atenção que nada tenho contra quem assuma uma atitude positiva perante a vida; pelo contrário, admiro com todo o meu ser as pessoas que, independentemente das rasteiras da vida, fazem questão de manter uma atitude otimista. Gente assim faz toda a diferença. 
As pseudofelizes não são felizes, nem tão pouco mais ou menos. Fazem é questão de mostrar aos outros que o são com o único propósito de se gabarem e causar inveja aos demais. É aqui que reside a diferença entre pessoas genuinamente felizes, independentemente de como a vida lhes trata, e as que fazem tudo para parecerem felizes apenas por uma questão de aparência e conveniência social. São essas que batizei de pseudofelizes.

Dou um exemplo: aquela colega ou conhecida que, sabendo-te solteira, não perde uma oportunidade para pregar que devias arranjar alguém, que não sabes o que estás a perder, que ela não se vê completamente feliz sem o seu "Tó Zé" Ora acontece que, na realidade, essa fulana não é respeitada, para não dizer maltratada, pelo seu gajo e, como se não bastasse, volta e meia, leva com um par de chifres. Esta é uma pseudofeliz, uma mulher emparelhada que se acha melhor do que qualquer desemparelhada pelo simples facto de ter um par de calças fixo na sua vida, mesmo que isso implique estar num relacionamento miserável.

Portanto, solteira minha, não invejes relações alheias. Lembra-te que as aparências enganam e que existe um mar de mulheres "não solteiras" cujo grau de infelicidade não chega aos pés da mais solitária das desemparelhadas.

Aquele abraço amigo de sempre!

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