Saltar para: Posts [1], Pesquisa e Arquivos [2]

Crónicas, contos e confissões de uma rapariga gira e bem resolvida que (ainda) não cumpriu o papel para a qual foi formatada: casar e procriar. Caso para cortar os pulsos ou dar graças? Talvez nem uma coisa nem outra!

freedom-4503959_960_720.jpg

Viva!

O artigo sobre vegansexualidade (que já agora vai ter que ficar para segunda-feira) estava quase concluído quando "pausei" para o almoço. Nessa hora e meia – gasta entre uma ida ao correio, uma visita à loja favorita dos meus cachitos e uma esplanada onde degustei a minha pizza di gamberi con tonno – aconteceu algo que mudou por completo o rumo da crónica que tinha prevista para hoje.

Enquanto aguardava pela comida, sentaram-se ao meu lado dois homens, na casa dos 30, que encetaram uma amena cavaqueira em inglês. Vendo ali uma excelente oportunidade para testar a minha escuta do idioma, afinal tenho que pôr em prática os conhecimentos que tenho vindo a adquirir no curso de nível intermédio que estou a tirar, estive particularmente atenta ao desenrolar dessa conversa alheia. 

Em meu abono tenho a dizer que eles é que vieram sentar-se na mesa contígua à minha, quando havia outras disponíveis; sem falar que, estando sozinha, tinha que me entreter com alguma coisa.

Um deles, português, com um inglês quase tão precário como o meu, contou que divorciou-se o ano passado, após um casamento de dez anos. Pelo que confidenciou, foram vários os motivos por detrás da separação: o desgaste de uma relação de mais de 15 anos, o nascimento da filha e as próprias mudanças pessoais. Para rematar o chorrilho, lá argumenta ele que as mulheres são doidas. Ou ouvir isso quase que me esqueço da minha condição de ouvinte clandestina, tamanho o meu desejo em espetar-lhe um garfo na língua. Só consegui refrear esse ímpeto assassino quando me lembrei que, de facto, nós as mulheres somos crazy


O que me leva a escrever-te não é tanto o discurso desse desinfeliz, mas antes a intervenção do seu acompanhante, residente na Polónia, mas cuja fisionomia e pronúncia remetem para sudoeste asiático. Em resposta ao desabafo do outro, diz ele o seguinte: "I’m single because I like to be free". Ao ouvir tal declaração, que tem tanto de verdade como de alarmante, não pude deixar de refletir sobre o que levará um jovem a encarar o casamento como uma prisão. E sabemos nós que ele não é caso único; pelo contrário.

É certo que não sou casada, sequer juntei alguma vez os trapinhos, mas custa-me acreditar que o matrimónio seja isso. Eu, pelo menos, não o consigo encarar dessa forma. Para mim, o matrimónio é para ser visto – e sentido – como uma união de dois corações que se amam, de duas almas que se reconhecem, de duas pessoas que se querem bem, em última estância, de dois indivíduos dispostos a percorrer um caminho de sentido único, ainda que com duas vias. [Desculpa lá a analogia com o código da estrada, mas agora que estou a tirar a carta não quero perder uma única oportunidade para rever a matéria.] 

É o que eu penso, sinto e acredito. Provavelmente, deve ser essa a razão pela qual sou (ainda) solteira. Com essa reflexão, deixo-te com aquele abraço amigo de sempre e desejos de um excelente fim de semana.

Autoria e outros dados (tags, etc)

facebook-dating-1.png

Ora viva!

Não é de hoje que venho apregoando que a solteirice é um tema que não se esgota na sua essência; pelo contrário, extravasa a fronteira do coração desocupado, da cama vazia, do lar solitário ou da companhia inexistente. O mercado associado a esta realidade tem-se revelado cada vez mais atrativo, competitivo, e consequentemente, lucrativo. Com um potencial colossal, e com o número de desemparelhados a assumir proporções inéditas, a solteirice tem despoletado o florescimento de uma infinidade de produtos e serviços.

De acordo com um artigo da CNN, "nunca houve um momento melhor para ser solteiro". Só para teres uma ideia, calcula-se que existam mais de 5 biliões de solteiros no mundo. Só no Brasil são mais de 78 milhões, nos Estados Unidos mais de 110 milhões (dados de 2017) e em Portugal dados de 2011 apontam para mais de 4 milhões. Em Paris – cidade que alberga mais de 2 milhões de habitantes – existem mais solteiros do que casados, fazendo desta a cidade europeia daqueles que, como eu, ainda não encontraram uma pantufa para o seu pé cansado. 

Voltando ao tema desta crónica, escrevia eu que a solteirice é um negócio cada vez mais lucrativo e compensador. Vejamos: lá para as bandas das américas já existem empresas que alugam par para eventos, "namorados" e até abraços. Na China, o dia dos solteiros já é o maior evento de comércio online do mundo. Do bom e velho sexo vou apenas citar, dado que se trata de um negócio cujas receitas são do conhecimento geral do planeta. Idem aspas no que toca às apps e sites de engate, cujos números ascendem a milhões de utilizadores e, por tabela, de cifrões. Na versão real da coisa, as agências matrimoniais faturam igualmente uma fortuna. Aqui em terras lusas, a mais conhecida – a que cheguei a recorrer, acabando por desistir ao tomar conhecimento da tabela de preços em vigor – apresenta pacotes que ascendem às centenas de euros. Que dizer dos malfadados programas televisivos, eternos candidatos ao cargo de São Valentim, os quais já aqui abordei no post Os dating shows são decadentes, contudo viciantes?

Remato esta linha de raciocínio com mais três exemplos de serviços e/ou produtos direcionados em exclusivo para a comunidade solteira: speed datings (agora em julho aventurei-me num, lembras-te?), singles travel (a preços acessíveis a partir dos quatro dígitos) e singles parties (nenhum deles gratuitos, convém ressalvar). Até ouvi falar de sessões ao estilo 50 Sombras de Grey exclusivas a celibatários, em que se pagam montantes obscenos.

Aposto que é por tudo isso – e, obviamente, para tentar debelar a debandada da malta jovem – que a empresa-mãe de Mark Zuckerberg, Facebook, resolveu apostar num novo serviço: o Facebook Dating. Lançado esta quinta-feira nos Estados Unidos, a nova funcionalidade vai permitir, entre outras coisas, integrar publicações e histórias do Instagram no perfil do utilizador, bem como acrescentar os amigos a uma "lista secreta de paixonetas".

Segundo comunicado pela empresa, o Facebook Dating, que se assume como concorrente direto dos Tinder da rede, tornará fácil encontrar o amor através dos gostos pessoais, ajudando a começar relacionamentos com significado através dos aspetos que os utilizadores tiverem em comum, tais como gostos partilhados, eventos e grupos.

Em relação à tal lista de "paixonetas secretas", que pode integrar até nove pessoas, caso haja reciprocidade entre os membros destas listas, ou seja, se uma das pessoas escolhidas também tiver adicionado o utilizador à sua própria lista, haverá um match. Caso não exista interesse da outra parte, a lista continua secreta. Onde foi mesmo que já vimos/ouvimos esta?

A novidade já se encontra ativa em 20 países, devendo chegar ao mercado europeu no início do próximo ano. Para ter acesso ao cupido do Facebook bastará aos interessados criar um perfil e ter mais de 18 anos. De modo a não excluir ninguém, sobretudo aqueles que não estão registados nesta rede social ou não querem ver o seu perfil associado ao fénomeno "finding love", oferece-se a possibilidade de uma conta à parte, independente do perfil "oficial".

É, meu bem, a solteirice é que está a dar. Goste-se ou não, a verdade é que os negócios associados aos corações solitários estão-se a tornar cada vez mais cobiçados, ao ponto do patrão da maior rede social do mundo querer meter a colher no assunto, ou devo dizer, a mão na massa?

Por hoje é tudo, para a semana há mais. Aquele abraço amigo e um sincero desejo de que o fim de semana seja salpicado por sol, sombra, água fresca e amor, claro!

Autoria e outros dados (tags, etc)

desktop-3248895_960_720.jpg

Viva!

Visa esta crónica complementar aquela que a precede, na qual abordei as dificuldades da comunidade desemparelhada em conseguir ofertas turísticas adequadas ao seu perfil. O meu olhar de hoje recai sobre o preço de se ser solteira em Portugal, tendo por base duas premissas: os valores das rendas e o custo de vida, duas variáveis que comprometem seriamente o quotidiano de quem suporta as contas na sua totalidade.

A invasão massiva dos turistas e dos migrantes endinheirados veio agudizar um problema que há muito ensombra a emancipação das celibatárias, relegando para segundo plano a falta de um par de calças do lado. O maior drama das single ladies neste momento é conseguir morar sozinha; que sobre adquirir casa própria nem me atrevo a pronunciar. Eu sou o exemplo vivo desta dura realidade; na casa dos 40 e ainda a dividir casa, como se uma universitária ainda fosse.

A propósito desta questão, considera o sociólogo Bernardo Coelho que "não só os salários em Portugal são dos mais baixos da Europa, como as mulheres são as mais mal pagas, com a agravante de que este é um cenário que acontece em todas as fases das suas vidas e não apenas no início da vida profissional. Além disso, o número de contratos não permanentes nas empresas incide com maior percentagem no sexo feminino. A precariedade no feminino é uma realidade".

Conscientes estamos todos de que salário baixo implica poder de compra reduzido, que, por sua vez, resulta numa margem financeira deveras limitada, numa espécie de pescada de rabo na boca. Não é à toda que os passarinhos deixam o ninho cada vez mais tarde e que muitos a ele retornam nos primeiros três anos após o voo da libertação do jugo parental. Flagrante é também a quantidade de indivíduos (sobretudo do sexo feminino) que "juntam os trapinhos" mais por uma questão prática do que propriamente sentimental, assim como aqueles que se mantêm numa relação moribunda e tóxica por motivos exclusivamente financeiros.

A continuar assim será caso para substituirmos o "quem casa quer casa" pelo "quem quer casa, casa". Afinal, de que outra maneira uma solteira assalariada conseguirá condições financeiras para ter um cantinho a que chamar seu?

Até à próxima, que o fim de semana já me veio buscar para irmos desbundar!

Autoria e outros dados (tags, etc)

freedom-2768515_960_720.jpg

Viva!

Muy grata pelo esplêndido fim de semana com que Dom Pedro nos agraciou, de tez bronzeada e alma revigorada retomo o contacto contigo. Não penses que venho de mãos a abanar, é que não mesmo. Comigo trago uma crónica sobre a validação – mais uma – da solteirice por parte da ciência. Como se preciso fosse…

Já algumas vezes aqui abordei as vantagens em ser solteira (se não o fizesse, este blog nem sentido faria, certo?). Umas vezes fundamentei com base na minha própria experiência, outras no senso comum e, na sua grande maioria, em estudos empíricos. Desta vez, volto a recorrer à ciência, mais concretamente ao académico Paul Dolan, para quem o casamento só é (comprovadamente) benéfico para os homens. Já no nosso caso, a coisa não é bem assim; pelo contrário.

Um estudo apresentado há um par de dias no festival Hay, e que faz parte do livro Happy Ever After, citado pelo The Guardian, garante que as mulheres da minha laia (leia-se solteiras e sem descendentes) são o subgrupo mais feliz da população. Como se isso não bastasse, o estudo refere ainda que é mais provável que nós vivamos mais do que aquelas que casam e procriam.


Estas alegações do docente de ciência comportamental na London School of Economics baseiam-se na convicção de que os marcadores tradicionais para medir o sucesso não estão relacionados com a felicidade – particularmente o casamento e os filhos. "As pessoas casadas são mais felizes do que outros subgrupos da população, mas apenas quando os seus parceiros se encontram na mesma sala. Quando lhes é pedido para saírem, dizem que se sentem miseráveis", afirma Dolan. Ups!

Se dúvidas houvessem sobre a quantidade de emparelhadas infelizes que nos andam a impingir uma falsa imagem da felicidade conjugal, o britânico detonou-as numa única frase. Continuando... Sem meias-palavras, Dolan é perentório quando diz o seguinte: "Se és homem, provavelmente deves casar-te. Se és mulher, não te preocupes com isso".

A razão porque beneficiam eles mais com o matrimónio prende-se com o facto do sexo masculino ficar mais calmo quando se retira do mercado amoroso. "Eles têm menos riscos, ganham mais dinheiro no trabalho e vivem mais. Elas, por outro lado, morrem mais cedo do que aquelas que nunca chegam a casar".


Não obstante essas benesses imputadas ao celibato, o académico às ordens de sua majestade não é alheio ao persistente estigma de que as mulheres apenas são felizes casadas e com filhos. "Vemos uma mulher de 40 anos que nunca teve filhos. 'Meu Deus, é uma vergonha, não é? Talvez um dia venha a conhecer o homem certo e talvez o estado dela mude'. Não. Talvez um dia ela encontre o homem errado. Talvez ela encontre um homem que a torne menos feliz e morra mais cedo", conclui Dolan.

É por estas (e por outras) que estou solteira. Afinal, quem sou eu para contrariar a própria ciência, que garante que mulheres solteiras e sem filhos vivem mais e melhor? Ser solteira torna-se assim uma questão de vida ou morte. Eh eh eh.

Um bom resto de dia para ti, que eu vou é celebrar a minha solteirice com um cocktail bem colorido, que a ocasião assim o exige. Até à próxima!

Autoria e outros dados (tags, etc)

girl-1246525_960_720.jpg

Viva!

Com o falecimento repentino do meu pai, a viagem de última hora a Cabo Verde, as cerimónias fúnebres, o reencontro com os meus em circunstâncias tão dolorosas, o stress para conseguir retornar ao território português (à custa de uma autorização de residência caducada há quatro meses), o trabalho acumulado pela ausência inesperada, as duas idas ao SEF a fim de legalizar a minha permanência no país, sem mencionar a indescritível tristeza por me saber órfã de progenitor, a minha vida no último mês tem sido um pesadelo, para não dizer um inferno.

Por não escrever há tanto tempo (por mais que quisesse, como poderia?), receio ter perdido o jeito para a coisa. Como tal, eis-me aqui praticamente a obrigar a minha pessoa a digitar caracteres, na firme esperança de que o gosto pela escrita ressurja da inércia, tal como a fénix das cinzas. A ver vamos o que daqui sairá. Para não estar mais com delongas, que o meu estado psicoemocional já conheceu dias melhores, escolhi para tema desta crónica a solteirice, na perspetiva de antes solteira do que mal emparelhada.

Sabes aquele velho ditado que diz que mais vale só do que mal acompanhado? Como se não bastasse a sabedoria popular, evidências científicas vêm agora sustentar esta crença. Uma pesquisa conduzida por investigadores da Universidade de Buffalo, citada pela psiquiatra e sexóloga Kate Pickles, sugere que é muito mais benéfico para a saúde ficar solteira do que insistir em permanecer num relacionamento amoroso mau.

Apuradas as respostas de um inquérito aplicado a jovens casais residentes em regiões rurais do estado de Iowa, constatou-se que quanto mais tempo estes permaneciam em relacionamentos positivos, melhor era o seu estado de saúde. Na mesma linha de pensamento, foram identificados flagrantes efeitos negativos sobre a saúde daquelas que mantinham relacionamentos de má qualidade — demonstrando que, pelo menos no que diz respeito ao bem-estar geral, é muito melhor estar só do que mal acompanhado.

Por hoje é tudo, que esta minha inspiração já conheceu dias melhores. Aquele abraço amigo e até breve!

Autoria e outros dados (tags, etc)

1961766_672854286086039_1603978369_o.jpg

Viva!

 
A propósito da nomeação do Ainda Solteira para os Sapos do Ano, assumi, na última crónica, o blog como um serviço público de informação para solteiros. O que não mencionei na altura, e que agora faço com todo o gosto, é que a sua autora se assume como uma espécie de lavadeira de pensamentos, cuja missão passa por desencardir mentes em relação à solteirice. O que me move? Já te explico!
 
É com uma frequência cada vez mais alarmante que constato o quão encardidas se encontram certas mentes – demasiadas até – nos dias que correm. Manchadas de estereótipos, preconceitos e palpites sobre a vida alheia, essas tais mentes encardidas são o reflexo de crenças que já não se justificam no atual panorama das relações amorosas. E é precisamente este tipo de nódoas mentais e sociais a que me propus combater ao criar este blog, há coisa de três anitos e meio.
 
É do conhecimento geral da nação digital que há largos anos que eu não tenho uma vida amorosa digna desse nome. Desde finais de 2010, data da minha última relação oficial, que esta mais não é do que um filme de autor, cujo enredo é inspirado numa série de personagens desencontradas no espaço e no tempo e cujos interesses estiveram desalinhados desde o primeiro take. Assim, o meu celibato deve-se a sucessivos erros de casting, em que o meu interesse e o deles jamais coincidiu em termos de intensidade, oportunidade, afinidade e disponibilidade. Tão simples quanto isso!    
 
Não existe nenhuma razão obscura por detrás desta minha solteirice prolongada, como tantos especulam. Tenho perfeita noção que muitos dos que me conhecem pensam que das três uma: ou bato prato fundo com fundo (leia-se, gay), ou mantenho uma relação clandestina (leia-se, amante) ou sou uma promíscua embutida (leia-se, puta). Uns dizem-me isso na cara (em tom de brincadeira), outros apenas insinuam e há ainda aqueles que só observam, na firme convicção de me apanhar na curva, em flagrante delito.
 
É a este tipo de pessoas que eu associo as tais mentes encardidas, as quais este blog comprometeu-se tentar branquear, na firme convicção de instituir à solteirice na idade adulta a dignidade que a sociedade lhe vem negando desde sempre.
 
Se vou ser bem-sucedida nesta minha missão? O futuro o dirá. Até lá continuarei tentando!
 
Assinado,
Ainda Solteira, a "desencardidora" de mentes

Autoria e outros dados (tags, etc)

new-single-woman.jpg

Viva!

 

Há dias uma seguidora interpelou-me sobre qual a melhor estratégia a adotar por quem está solteira e disponível para uma nova relação. Sem pestanejar, respondi-lhe: "estar recetiva!"

 

De tão óbvia, esta resposta até parece infantil. Mas a verdade é que dar uma de Bela Adormecida à espera do Príncipe Encantado não é uma estratégia sustentável. Primeiro, porque o príncipe encantado é cada vez mais uma espécie em vias de extinção. Segundo, porque a mulher moderna não está para depositar a sua felicidade nas mãos de um estranho (por mais azul que seja o seu sangue); até porque ela tem plena consciência de que não existe nenhuma garantia de que ele, após o beijo, não vá se transformar num sapo qualquer da vida.

 

Que o digam as mulheres vítimas de todo o tipo de violência por parte daqueles a quem confiaram o coração. 

 

Se contentar-se com o primeiro pretendente a despertar-nos do "sono amoroso" não é lá muito boa ideia, ser demasiado exigente no processo de escolha menos ainda, já que pode estar a impedir-nos de viver boas experiências. A solução passa, portanto, por não definir requisitos de forma rígida.

 

De forma consciente (ou não) todas nós procuramos a perfeição; mas quantos mais critérios estabelecemos menos compatibilidade vamos encontrar. Falo em meu nome pessoal e no de todas as demais desemparelhadas do meu círculo de amizades (reais e virtuais). 

 

Depois de uma certa idade (geralmente, depois dos 30), das duas uma: ou os padrões de exigência de uma mulher aumentam mais e mais ou diminuem mais e mais. Aumentam porque ela vai ganhando consciência do seu valor, ao ponto de não se contentar com alguém que não considere estar à sua altura. Mais do que saber o que quer de um homem e de uma relação, ela sabe, com uma exatidão alarmante, o que não quer para a sua vida. Por observação direta das outras ao seu redor, ela vai tomando consciência de que a presença de um homem na sua vida, na sua cama, na sua família e no seu círculo social só se justifica se este acrescentar valor. Se assim não for, ela prefere estar sozinha, pois sabe que consegue ser feliz solteira, mesmo que não plenamente. 

 

Do lado oposto, está a mulher que, em desespero de causa, aceita abrir mão de uma boa parte dos seus padrões de exigência só para não "ficar para tia", como se diz na gíria popular. Ou porque o relógio biológico não para de piscar, ou porque as amigas/colegas desemparelhadas vão minguando a olhos vistos, ou porque a pressão da família e da sociedade assumem proporções dantescas ou simplesmente porque não sabe nem tem interesse em estar só. Para esse tipo de mulher, qualquer um destes motivos é razão mais do que válida para abraçar uma relação, mesmo que, no fundo do seu coração, ela se sinta tão ou mais solitária do que aquela que descrevi no parágrafo anterior. 

 

Portanto, à querida seguidora ND, deixo este conselho: "Interage com eles de forma tranquila, sem pensar de antemão no que pode ou não desencadear, aproveita cada momento e cada pessoa que cruza o teu caminho. Limita as tuas expectativas e retira a pressão de ter que ter alguém só porque sim. Sê o tipo de pessoa que gostavas de ter ao teu lado. Vais ver que mais cedo ou mais tarde o amor que tanto desejas e mereces chegará. E se não chegar tens-te a ti, o teu primeiro, grande e verdadeiro amor."

 

Capice? Estamos juntas!

 

Autoria e outros dados (tags, etc)

naom_5ad4e4ffc2986.jpg

Viva!

 

Farta de levar com palpites alheios, mudei o discurso em relação ao meu estatuto amoroso-sexual. Antes, quando questionada porque não tenho ninguém, apelava a uma série de argumentos, todos eles lógicos e politicamente corretos, contudo facilmente refutáveis pelas mentes mais persistentes, e inconvenientes, diga-se de passagem. Quase sempre, familiares mais velhos e amigos próximos que se sentem no direito de dissecar a minha vida amorosa.

 

Nessas ocasiões, os meus argumentos – quando ficar calada ou desconversar não era opção – não fugiam muito ao repertório da praxe: porque acreditava num amor maior; porque não queria acabar largada e com filho(s) para criar sozinha (como a esmagadora maioria das mulheres que conheço); porque não era um bom momento; porque o amor não era prioridade; porque ainda estava traumatizada com a última relação; porque não queria estar com alguém só por estar; porque tinha medo de me entregar novamente e sair magoada; porque tinha deixado de acreditar no amor; porque gostava de ser leve, livre e solta; porque estava habituada à solteirice; porque não queria levar com os cornos; porque isto; porque aquilo; porque aqueleoutro.

 

E assim tem sido a minha vida de desemparelhada nos últimos anos. Aliás, foi precisamente esse cenário que despoletou a criação do Ainda Solteira. Com o blog ao menos teria um espaço onde poderia assumir a minha solteirice sem sentir que estava a desonrar as convenções sociais. Agora, ao atingir as quatro décadas de vida, estou-me lixando ainda mais para a opinião alheia, inclusive daqueles a quem devo algum respeito e satisfação, como os parentes mais próximos.

 

O chorrilho de contra argumentos com que costumo levar a seguir é digna de registo, de tão inabaláveis que são: porque o meu prazo de validade para procriar vai-se esgotando no passar dos anos; porque mulher sem homem é como sapato sem meia; porque é um desperdício alguém com tantos predicados estar sozinha; porque todas conseguem; porque os meus irmãos mais novos já cumpriram o seu papel na sociedade; porque quando ficar velha não terei ninguém para cuidade de mim; porque "os outros" podem pensar que tenho uma relação clandestina (com algum homem casado ou, pior ainda, com outro alguém do mesmo sexo); e por aí fora.

 

Por mais que se tente, não há volta a dar à coisa: volta e meia, leva-se com este tipo de cenas. E a não ser que sejamos estúpidos ou indelicados, convém ser criativo nas justificações. Ainda ontem, assisti a mais um episódio da saga Porque Estás Solteira. Só que aí saiu-me uma resposta que até eu tive que tirar (mentalmente) o chapéu à minha adorável pessoa. Ei-la: "A esta altura do campeonato, ter um homem na minha vida depende unica e exclusivamente da beleza dele. Se a beleza for física, como e vou à minha vida. Se a beleza for monetária, como e faço a minha vida". Havias de ver a cara da fulana. Até eu tive uma nesguinha de pena dela.

 

Perante o meu despudor em assumir-me como uma libertina assanhada ou uma mercenária descarada (dependendo para que lado pendia a beleza do macho alfa), a minha situação amorosa deixou de ser tema do seu interesse. Ficou claro que para ela, pior do que eu estar sem par, é conviver com a ideia de que a pessoa ao seu lado (neste caso, eu) deixou-se corromper pela libido ou pelo materialismo.

 

Por ter constatado que a minha resposta acertou na muche, fica lacrado que, a partir desta data, esta solteira aqui só quer saber de homens com muita beleza. Fica a saber quem não tem um físico espetacular ou uma conta bancária recheada que nem vale a pena estar a nutrir pretensões para com a minha pessoa, pois não terá a mínima chance. Agora já não há cá essa estória de amor. Dos homens eu só quero a beleza. E tenho dito!

 

E com esta me despeço com um até à próxima!

Autoria e outros dados (tags, etc)

29
Set17

20245966_1745479585492264_126226055130378191_n.jpg

Ora viva!

 

Esta crónica, assinada por Estefânia Barroso e publicada ontem no publico.pt, versa sobre a solteirice, mais concretamente sobre as cobranças a que o sexo feminino está sujeito à conta desta situação amorosa. A impressão que tenho é que este assunto não se esgota e, por mais que se lute por diginificar esta opção, a sociedade continua a insistir numa atitude fiscalista e implacável perante quem optou (ou não) por estar desemparelhado. Espreita só:

 

""Sim, continuo solteira!" — esta será uma das frases que mais utilizei ao longo dos anos. Nos encontros de família, nos reencontros de amigos que não se viam há muito e até nas conversas com pessoas que conheci há pouco tempo. Inevitavelmente, no decorrer destes momentos sociais, vinha a mesma pergunta mascarada de formas diferentes. Desde a forma mais directa "Então, ainda não casaste?", à forma mais discreta "Então, ainda não arranjaste tempo para uma pessoa nessa tua vida ocupada?", à forma mais galante (e ligeiramente patética) "Como é que uma miúda como tu continua sozinha?". E é verdade, contra tudo e contra todos, continuo solteira. Porquê? Vejamos…

 

Analisando a situação:

A primeira ideia que ocorre na mente das pessoas é que, se já és uma mulher feita (digamos, se passaste dos 30…e eu já passei há mais de uma década), só podes interpretar na sociedade um de dois papéis: ou és uma "tia solteirona" que não sai de casa, vive a sua vida através das histórias de amor que assiste na televisão, tem um gato com quem conversa e continua a sonhar com o amor da sua vida enquanto, noite atrás de noite, fica em casa com o seu chá quente e com os pés frios. Ou então, e se tiveres uma imagem, na tua forma de vestir e apresentar, que não se coadune com essa teoria da "tia solteirona", serás a segunda opção: a louca que faz festa todos os dias, que não tem namorado porque não acredita no amor, mas acredita, e bem, nos prazeres físicos, que adora comer e ainda mais beber e por isso tudo não é companhia aconselhável para as amigas casadas porque as poderá enlouquecer com os seus hábitos poucos recomendáveis! Quando muito, poderá ser companhia para as amigas divorciadas que, de algum modo, sofrem do mesmo estigma.

 

E é com estes rótulos que tens que viver, apenas porque escolheste viver a tua vida de uma forma diferente daquela que é socialmente aceite pela sociedade. Não lhes passa pela cabeça que podes não ser nem uma coisa, nem outra. De facto, não sou a tia solteirona que fica em casa a ver novelas. Mas também não sou a louca pintada na segunda opção. Apenas sou uma mulher que até ao momento decidiu não partilhar a sua vida com ninguém porque não encontrou ninguém com quem quisesse ou lhe fosse possível partilhar a sua vida. Serei assim tão diferente da maioria das pessoas? Ou apenas serei exigente demais? Assumo que, como já escrevi noutra crónica, acredito que existe uma alma gémea à nossa espera no mundo. Mas também referi que nem sempre a alma gémea vem no corpo ou nas circunstâncias certas. E só me faz sentido partilhar a minha vida com uma pessoa que eu considere ter sido colocada no mundo para se encontrar comigo, uma pessoa com quem partilhe uma energia especial, uma pessoa que me faça pensar que serei mais feliz estando com ela do que estando sozinha, uma pessoa que terá aparecido nas circunstâncias certas. No fundo, só me faz sentido partilhar a minha vida com aquela que identificaria como a minha alma gémea.

 

Não irei negar que pensei muito sobre o facto de ver passar os anos e sobre o facto de não encontrar uma pessoa com quem quisesse ou pudesse partilhar o meu mundo. Pensei sobre a questão do casamento, do viver junto, da urgência que a sociedade impõe em resolver essas questões a partir dos 25/30 anos. E, para falar verdade, passei, também, a procurar conhecer-me e analisar-me, procurando compreender-me e perceber por que raio não seguia o caminho socialmente aceite.

 

Foi aí que percebi que desde pequenos nos vendem a ideia de que a felicidade só vem a dois, em casal e, de preferência, com filhos. Compreendi que estamos habituados a viver no barulho e na confusão. Compreendi que "ser sozinho" é, por isto, visto de modo negativo. Compreendi que o silêncio assusta. Compreendi que criaram em nós a ideia de que precisamos estar sempre acompanhados. Mais! Criaram em nós a ideia de que não somos completos a não ser quando temos ao nosso lado um "mais que tudo". Por isso, quando segues um caminho diferente desse socialmente aceite, tens de ser rotulada. Ou és uma perigosa amante das festas e dos prazeres mundanos ou és uma triste tia relegada ao conforto do sofá. De qualquer maneira, não podes ser feliz. Porque a fórmula da felicidade está no casamento e nos filhos.

 

Nada mais errado, digo eu. Com o tempo percebi que só se encontra a paz e a harmonia, o silêncio, dentro de si próprio. Percebi que não se pode ter medo de estar sozinho. Estar com outra pessoa tem de ser uma escolha e não uma necessidade. Só assim poderemos ser uma boa companhia para o outro. Só assim poderemos dar o tempo que for necessário para encontrar a pessoa que se julga ser a certa… ou não a encontrar de todo e, ainda assim, ser feliz e completa.

 

Concluindo: só depois de gostarmos da nossa própria companhia é que "outro alguém" poderá, também ele, apreciá-la. Gosto da minha companhia. Gosto de estar no meu silêncio, como gosto de do barulho por estar com amigos, em família, ou numa qualquer festa ou celebração. Continuo a acreditar em almas gémeas. Continuo a acreditar no amor. E sei que apenas deixarei de ser solteira porque encontrei alguém com quem sinto vontade de partilhar os meus silêncios. E não porque a sociedade assim me impôs."

Autoria e outros dados (tags, etc)

17547081_10212663670013710_2882842504342679334_o.j

Ora viva!

 

Acabo de me dar conta que, não obstante nutrir uma queda pela escrita dela, pouco partilho sobre os artigos da Paula Cosme Pinto. É por isso que decidi que hoje – sexta, véspera de feriado e com as festas populares à espreita – é um bom dia para este texto da autora do A vida em saltos altos sobre o tema-mor deste blog: a solteirice.

 

Boa leitura, single mine, e já agora, um fim de semana absolutamente escaldante, de preferência, naquele sentido (se é que me entendes).

 

"Com a chegada do verão, chegam também os convites para casamentos. Há uns tempos estava eu a jantar só com mulheres e percebi que, para quase todas, ir a uma festa do género significava de lidar com um rol de perguntas indiscretas sobre a sua vida privada. Das solteiras às enamoradas, passando, inclusive, pelas divorciadas, eis a principal questão a que nenhuma se escapa, como se disto dependesse a sua realização pessoal neste mundo: "Então e tu, quando é que te casas?". Melhor que isto só mesmo o eterno "não consegues arranjar ninguém?", mas já lá vamos.

 

Se a partir dos vintes já se ouve a pergunta sobre o casamento, é certo e sabido que passando os trintas a mesma surge quase como uma sentença por incumprimento do ciclo correto da vida: 'arranjar' alguém, casar e ter filhos, enquanto ainda se é nova, claro. Porque, pelos vistos, também temos prazo de validade nisto do amor. Há várias coisas que são particularmente desagradáveis nesta pergunta feita com aparente inocência, começando pelo mais óbvio: a assunção de que todas nós temos o casamento como uma meta a cumprir.

 

É curioso que um homem que permaneça solteiro tem a aura charmosa do bon vivant. Já uma mulher, é basicamente uma encalhada. E se, por acaso, os nossos planos simplesmente não passem pela vontade de casar e ter filhos, algo está nitidamente mal. Há olhos, incrédulos, que se reviram em jeito de julgamento, e, invariavelmente, soltam-se profecias do género: "Dizes isso agora, mas quando arranjares alguém vais querer". No que toca a estas coisas, a escolha e vontade individual de uma mulher não interessa para nada, porque o seu papel está bem definido desde o dia em que nasceu.

 

"Então e tu, não consegues arranjar ninguém?"

Esta profecia leva-nos diretamente a outra pergunta dispensável, mas também bastante comum, principalmente quando se chega sozinha a um casamento: "Então e tu, não consegues arranjar ninguém?". Quem a diz pode até não ter noção, mas a carga recriminatória desta frase é de digestão difícil. Novamente, parte-se do princípio de que temos de partilhar a vida com alguém para sermos felizes. Depois, a crítica implícita: nós é que não conseguimos 'arranjar’'ninguém, algo que, como todos sabemos, é um objetivo indispensável pelo qual devíamos batalhar todos os dias. Aparentemente tão simples quanto ir ao talho e arranjar um pedaço de carne que nos agrade para levar para casa.

 

De vez em quando, também surge o famoso "ninguém te pega?", que, para além de ser um comentário de uma classe extrema, também nos coloca a nós na qualidade de peça de fruta que alguém já deveria ter pegado e metido na cesta. Parece-me relativamente claro que as relações de intimidade, quando as queremos para as nossas vidas, não se arranjam, acontecem. Mas se até aos trintas isto ainda não aconteceu, então algo nitidamente está a falhar. E devemo-nos sentir preocupadas – ou até mesmo culpadas – com isso. E a verdade é que muitas mulheres acabam por se sentir assim.

 

"Queres ficar para tia?"

Quando temos vinte e poucos anos, perguntam-nos estas coisas com um sorriso compincha. Passados os trinta, o semblante já carrega alguma preocupação. Quando nos aproximamos dos quarenta, somos claramente um caso perdido, "deixadas para trás" na linha de montagem da ordem supostamente natural das coisas. Muito provavelmente, somos mulheres estranhas, demasiado masculinas, com a "mania da independência", demasiado mau-feitio, traumas graves ou com um profundo ódio aos homens em geral (nesta regra de três simples, querermos ter uma relação com alguém do mesmo sexo entra, obviamente, na categoria da "mulher estranha"). Se o nível alcoólico já for elevado aquando desta conversa, talvez ainda se acabe mesmo por ouvir o famoso "mas queres ficar para tia?". O que é também um comentário deveras simpático de se ouvir em dia de festa.

 

Contudo, o tal rol de perguntas e comentários, feitos sem pudor, ora por familiares, ora por amigos, ou até mesmo por ilustres desconhecidos que se cruzam connosco pela primeira vez, não se resume a isto. Quanto a isto, falo por mim: partilhar a vida com alguém também não é suficiente para as expectativas da nossa sociedade. "Mas há algum problema para não casarem?", ouve-se amiúde num sussurro, seguido do mítico "então ele não te pede em casamento?". Pelos vistos, um casal só parece ser digno desse nome quando há papel assinado ou festa com vestido branco que comprove o seu amor. E, é claro, querer ou não querer casar passa pela vontade do homem, responsável máximo por dar o passo e por decidir o caminho dos dois. A mulher que espere, passiva, pela sua sorte.

 

Sei que há coisas mais preocupantes no mundo – haverá sempre – mas tal como no caso das perguntas sobre "para quando uma gravidez" escrevo este texto como chamada de atenção para a pressão e mal-estar desnecessários que muitas vezes causamos nos demais com comentários do género. Entendam, são perguntas carregadas de julgamento. Sei que muitas vezes surgem como conversa fácil e de circunstância, algo que se faz por hábito e que supostamente ninguém leva a mal. Mas, não só essas perguntas não acrescentam absolutamente nada de bom à vida de quem as ouve (e, já agora, também à de quem as faz), como podem ser catalisadoras de emoções muito amargas.

 

Falando concretamente no impacto que têm nas mulheres, são perguntas que, demasiadas vezes, têm o condão de magoar, desrespeitar, menosprezar, fomentar inseguranças e criar frustrações, porque quer queiram, quer não, nós crescemos a ouvir que aquele é o caminho certo a seguir e se não o fizermos a tempo a nossa vida roça o falhanço. Mas, acima de tudo, estas são perguntas invasivas, e a vida privada de cada um de nós – homens e mulheres – só a nós diz respeito. Não custa nada manter isto em mente e usar antes o empecilho Trump, por exemplo, quando for preciso fazer conversa de circunstância."

Autoria e outros dados (tags, etc)


Mais sobre mim

foto do autor


Blog do Ano




Arquivo

  1. 2019
  2. J
  3. F
  4. M
  5. A
  6. M
  7. J
  8. J
  9. A
  10. S
  11. O
  12. N
  13. D
  14. 2018
  15. J
  16. F
  17. M
  18. A
  19. M
  20. J
  21. J
  22. A
  23. S
  24. O
  25. N
  26. D
  27. 2017
  28. J
  29. F
  30. M
  31. A
  32. M
  33. J
  34. J
  35. A
  36. S
  37. O
  38. N
  39. D
  40. 2016
  41. J
  42. F
  43. M
  44. A
  45. M
  46. J
  47. J
  48. A
  49. S
  50. O
  51. N
  52. D
  53. 2015
  54. J
  55. F
  56. M
  57. A
  58. M
  59. J
  60. J
  61. A
  62. S
  63. O
  64. N
  65. D

Pesquisar

  Pesquisar no Blog