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Crónicas e confissões de uma rapariga gira e bem resolvida que (ainda) não cumpriu o papel para a qual foi formatada: casar e procriar. Caso para cortar os pulsos ou dar graças? Talvez nem uma coisa nem outra!

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Viva!

 

Escolhi para hoje um texto do Pedro Caballero Serodio, focado na azáfama da vida contemporânea, mais precisamente na "catrefada" de coisas que a sociedade nos recomenda (quando não impõe) como politicamente corretas e/ou saudáveis.

 

Dizem que todos os dias temos que comer uma maçã para o ferro e uma banana para o potássio. Também uma laranja para a vitamina C, meio melão para melhorar a digestão e uma chávena de chá verde sem açúcar para prevenir a diabetes.
 
Todos os dias temos que beber dois litros de água (sim, e logo a seguir mijá-los, que leva quase o dobro do tempo que os levei a beber). Todos os dias temos que tomar um Activia ou um iogurte para ter 'L.Cassei Imunitas', que ninguém sabe exactamente que merda é, mas parece que se não ingeres um milhão e meio todos os dias começas a ver toda a gente com uma grande diarreia ou presos dos intestinos.
 
Cada dia uma aspirina, para prevenir os enfartes, mais um copo de vinho tinto, para a mesma coisa. E outro de vinho branco, para o sistema nervoso. E um de cerveja, que já não me lembro para que era... Se os tomares todos juntos, mesmo que te dê um derrame cerebral ali mesmo, não te preocupes, pois o mais certo é que nem dês conta disso.
 
Todos os dias tens que comer fibras. Muita, muitíssima fibra, até que sejas capaz de cagar uma camisola bem grossa! Tens que fazer quatro a seis refeições diárias leves, sem te esqueceres de mastigar cem vezes cada garfada.
 
Ora, fazendo um pequeno cálculo, apenas a comer vão-se assim de repente umas cinco horitas. Ah, depois de cada refeição deves escovar bem os dentes, ou seja: depois do Activia e da fibra, os dentes. Depois da maçã, os dentes. Depois da banana, os dentes e assim, enquanto tiveres dentes sem nunca te esqueceres de passar o fio dental massajador das gengivas e bochechar com PLAX...
 
Melhor! Amplifica a casa de banho e põe a aparelhagem de música lá, porque entre a água, a fibra e os dentes vais passar horas, quase metade do dia ali dentro. Equipa-o também com jornais e revistas para te pores a par do que se passa enquanto sentado na sanita.
 
Temos que dormir oito horas e trabalhar outras oito, mais as cinco que usamos a comer, faz vinte e uma. Restam três horas, sempre que não surja algum imprevisto. Segundo as estatísticas, vemos três horas de televisão diárias. Bem, já não podes porque todos os dias devemos caminhar pelo menos uma meia hora (dado por experiência: ao fim de 15 minutos é melhor regressar, senão andas mas é uma hora!).
 
E há que cuidar das amizades porque são como uma planta: temos que as regar diariamente. E quando vais de férias também, suponho, senão as plantas morrem nas férias. Para além disso há que estar bem informado e ler pelo menos um dos jornais diários e outro de uma revista séria para comparar a informação. Ah! E temos que ter sexo todos os dias, mas sem cair na rotina: temos que ser inovadores, criativos, renovar a sedução. Claro!
 
Isso leva o seu tempo. E já nem estamos a falar do sexo tântrico! (A respeito disso, relembro: depois de cada refeição temos que escovar os dentes!).
 
Também temos que arranjar tempo para a maquilhagem, a depilação/fazer a barba, varrer a casa, lavar a roupa, lavar os pratos e já nem digo, os que têm gatos, cães, pássaros e uma catrefada de filhos...
 
No total, a mim dá-me umas 29 horas diárias. Isto se nunca parares! A única possibilidade que me ocorre é fazer várias destas coisas ao mesmo tempo: por exemplo, tomas duche com água fria e com a boca aberta, e assim bebes logo os dois litros de água de uma vez. Enquanto sais do banho com a escova de dentes na boca, vais fazendo o amor, o sexo tântrico, parado junto ao teu mais que tudo, que de passagem vê TV e te vai contando o que se passa, enquanto varres a casa.
 
Sobrou-te uma mão livre? Não, não penses nisso! Telefona aos teus amigos e aos teus pais! Bebe o vinho (que depois de telefonares aos teus pais vai fazer-te falta!). O iogurte com a maçã pode dar-te o teu par, enquanto ele come a banana com a Activia. No dia seguinte troquem! E menos mal que já crescemos, porque senão tínhamos que engolir mais umas cerelacs e um Danoninho Extra Cálcio todos os santos dias. Úuuuf! Mas se te restam 2 minutos, reenvia isto aos teus amigos (que temos que regar como as plantas) enquanto comes uma colherzinha de Muesli ou Al-Bran, que faz muito bem...
 
E agora vou deixar-te porque entre o iogurte, o meio melão, o primeiro litro de água e a terceira refeição do dia já não faço a mínima ideia o que é que estou a fazer porque preciso urgentemente de uma casa de banho.
Ah, vou aproveitar e levo comigo a escova de dentes...
 
Depois do que acabei de postar, vou repensar alguns dos conteúdos deste texto nos quais me revi. Oh se vou! Até à proxima adulto contemporâneo.

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11760086_1008355652537998_1052707973627477187_n.jpViva!

 

Sem muita inspiração para uma crónica inédita (além de estar a estudar o código da estrada, estou a dirigir o falecimento de um parente muito próximo, e ainda por cima jovem), espero que te contentes com esta eloquente crónica do José Paulo do Carmo sobre aquilo que ele chama de "agitadores sociais", subespécie humana com a qual me identifico plenamente. Se bem te conheço, garanto-te que vais gostar do que aí vem.

 

Gosto mais dos que dizem o que pensam do que os que pensam muito no que dizem.
Gosto dos que o fazem de peito feito, não para serem incorretos ou só para serem do contra mas que odeiam subserviência.
Que abominam "lambe-cus" e que lhes dá urticária só de olhar para "engraxadores".
Dos que vão sem medos, quase sempre sozinhos e não se escondem em comentários cobardes atrás de um qualquer nome fictício nas redes sociais.
Os que dão a cara e não se escondem, que se informam, se transformam e mudam de opinião quando vão para melhor.
Os que crescem e evoluem.
Que assumem os seus erros como parte da sua construção pessoal e não têm vergonha de pedir desculpa.
Os que falam do que sabem, que pesquisam e analisam e que vencem pelos seus méritos sem ter que andar de mão estendida no meio da multidão, porque desses já há cá de sobra.


Gosto dos que fazem da palavra a sua bandeira, dos que trabalham para serem felizes e terem sucesso, que gostam de partilhar o seu conteúdo e que falam mesmo quando sabem que o mundo inteiro vai estar contra.
Dos que defendem posições e convicções, dos que são incómodos sem ser injustos, que não vivem da produção de tudo aquilo que não são e que mesmo que às vezes façam um esforço para estarem calados não conseguem. Porque é puro, natural e incorrigível.


Gosto dos que sabem que podem prejudicar a sua vida social e a sua carreira mas que não sucumbem aos vícios, aos interesses instalados e às mordaças políticas. Dos que preferem felicidade interna bruta ao produto interno bruto e que entre a esquerda e a direita preferem aquilo que os faz sentir bem, que os preenche e que pensam ser melhor em determinado momento para determinada situação especifica.
Dos que analisam caso a caso e não generalizam.
Gosto dos que participam quando por vezes era tão mais fácil ficar de boca fechada e que o fazem por uma questão de principio, de coerência e dever cívico.

 

Gosto dos que são tão livres que num primeiro momento são ostracizados e postos de parte, mas depois puxados para bem perto para ver se os compram e se os mantêm "domados" e controlados e ao serem goradas as expectativas ficam na linha do respeito cumprindo a distância de segurança com receio do que possam fazer.
Adoro quando os que estão habituados a ter "lambe-botas" ao seu redor apanham um destes.
Dos que conquistam o direito a dizer o que lhes vai na alma mesmo que nem tudo seja certo. Que arriscam sem subterfúgios ou meias palavras e que pensam no que os filhos um dia irão pensar deles à frente de um tacho ou de paninhos quentes.

 

Gosto de quem ainda acredita que pode existir ética na vida, dos que sabem criticar mas que elogiam ainda com maior prazer.
Dos que não são sempre do contra e que têm sensibilidade para dar valor a atitudes e a gestos.
Dos que não decidem em função da cor mas sim do que está certo, dos que sabem que nem tudo está bem mas que certamente não estará tudo mal.
Dos positivos que não se encolhem e que acham que podem mudar o mundo mesmo sabendo que não mudando quase nada se sentem na obrigação de fazer a sua parte.
Dos que não são rançosos e invejosos, antes compreensivos e exigentes, solidários e calorosos.


Insaciáveis apaixonados pela liberdade de pensar e opinar, eternos incompreendidos, esta espécie em vias de extinção. Os agitadores sociais.

 

Depois desta brilhante abordagem, é com a alma leve, o pensamento desanuviado e o coração renovado de esperança num mundo melhor que retomo os meus estudos de sinais, regras e tudo o mais que me é exigido saber para ser considerada apta à condução de um ligeiro de passageiros. Até breve!

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11705375_1008843785822518_7184954541760765737_n.jpViva!

 

De pessoas tóxicas já aqui falei, estou certa. Que tal falar-te agora de uma outra espécie de humanóides que pouco ou nada contribuem para o bem-estar psíquico e emocional daqueles com os quais cruzam? Refiro-me aos psicopatas do quotidiano, cujos "traços de personalidade podem ser encontrados nos briguentos do trânsito, nos vizinhos problemáticos ou nos progenitores que fazem chantagem emocional com os filhos", segundo explicação da psiquiatra Katia Mecler, no livro Psicopatas do Quotidiano (à venda na Fnac por 10,85€).

 

Se é inevitável que nos deparemos com psicopatas de pequeno porte – tipos que seduzem, manipulam, amedrontam ou sufocam, causando desconforto e até medo – também o é que, embora não sejam propensos a matar (como os psicopatas a sério), acabam por nos perturbar a vida. Do estilo, "não mata, mas mói", se é que me entendes.

 

No intuito de nos ajudar a reconhecer esses psicopatas do quotidiano, com quem acabamos por lidar diariamente, esta especialista da mente aponta algumas caraterísticas comuns, que passo a citar:

1. Não deseja nem desfruta de relações íntimas

2. Prefere atividades solitárias

3. Tem pouco interesse por experiências sexuais

4. Referências e crenças estranhas ou pensamento mágico

5. Desconfiança ou perceções paranoides

6. Pensamento e discurso diferente do convencional

7. Suspeita, sem fundamento, de estar a ser explorado, maltratado ou enganado

8. Preocupação injustificada com lealdade de amigos e colegas

9. Incapacidade de confiar em quem quer que seja

10. Incapacidade de ajustamento às normas sociais

11. Tendência para a falsidade

12. Irritabilidade ou agressividade

13. Esforços desesperados para evitar ser abandonado

14. Costuma ter relacionamentos intensos e instáveis

15. Tem problemas de identidade

16. Desconforto em situações em que não se é o centro das atenções

17. Comportamento sexualmente sedutor e exagerado

18. Mudanças emocionais rápidas

19. Sensação grandiosa da própria importância

20. Fantasias de sucesso ilimitado, na vida profissional e na vida amorosa

21. Crença de ser único e especial

22. Dificuldade em tomar decisões por si próprio

23. Passa as responsabilidades que tem na vida para outras pessoas

24. Raras manifestações de desacordo, para não perder apoio ou aprovação

25. Evitar atividades profissionais que incluam contacto interpessoal significativo

26. Não se envolver com os outros sem a certeza de que serão bem recebidos

27. Ser reservado nas relações íntimas, por vergonha ou medo do ridículo

 

O acima exposto permite concluir que esses pequenos psicopatas encontram-se em toda a parte: na sociedade, no trabalho e até na família. Na Internet, principalmente através das redes sociais, é cada vez mais fácil identificá-los; basta prestar atenção ao que partilham.

 

Quem foi incapaz de identificar alguém das suas relações que fale agora ou se cale para sempre. Da minha parte nem um pio pretendo dar, já que obriga-me a honestidade a admitir que ao longo da minha vida tenho lidado com uma infinidade de exemplares destes. Até eu acuso três dos sintomas. Olha que sorte a minha!

 

Despeço-me com um até à próxima e desejos de uma noite feliz!

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Viva!

 

Acometida de mais um daqueles momentos de pura desinspiração (daí não ter aqui dado a cara ontem), valho-me de um artigo publicado hoje no Notícias ao Minuto a propósito de algumas dicas sobre como fazer amigos depois de adulto. Nem de propósito, pois ainda esta manhã estressei-me com uma amiga de longa data, o que me deixou murchinha murchinha. Adiante...

 

Boas amizades valem ouro. Pessoalmente, dou mais valor às amizades do que aos laços familiares e/ou amorosos. Ao contrário da família, com quem muitas vezes só se partilha os genes, os amigos são parentes de coração, aqueles que escolhemos livre e espontaneamente para fazerem parte da nossa vida.

 

Além do papel crucial que desempenham na nossa identidade, no nosso sentimento de pertença e nosso bem-estar geral (vulgo, felicidade), atesta a ciência que a amizade contribui ativamente para que tenhamos uma vida mais saudável e longa. Isto porque ela diminui a pressão sanguínea e o stress, reduzindo o risco de depressão e aumentando a longevidade, em grande parte por termos alguém a olhar por nós.

 

Infelizmente, assim que entramos na idade adulta o nosso número de amigos começa a minguar até se fixar nuns quantos, perfeitamente cabíveis numa mão. A azáfama do quotidiano, as distâncias geográficas, as exigências profissionais, as relações amorosas e os filhos são os principais motivos que determinam essa diminuição do leque de amigos. Outro motivo relevante é a maturidade, uma vez que ela nos torna mais selectos, mais conscientes do que queremos para a nossa vida e mais perspicazes em relação aos outros, em suma mais sábios. Daí que a quantidade acabe por ceder lugar à qualidade.

 

Quando mais novos, fazer amigos era tão natural ao ponto de cada interação social resultar, quase sempre, numa nova afeição. Começava na vizinhança, passava pelos jardins infantis, chegava à escola, alcançava a universidade e até atingia o trabalho. Agora que somos emancipados, donos e senhores do nosso destino, parece cada vez mais difícil encetar amizades sinceras e duradouras. 

 

A respeito disso, os especialistas apontam algumas atitudes capazes de nos ajudar a conectar mais pessoas e a construir novas amizades:

 

1. Estar atento
A amizade é essencialmente uma relação de partilha, razão pela qual devemos estar atentos, recetivos e interessados nas pessoas ao nosso redor. Mais do que querer fazer novos amigos, é preciso tomar a iniciativa, mostrar vontade de conhecer o outro e estar disposto a dar-se a conhecer.

 

2. Frequentar lugares de interesse
Ir a sítios de que gostamos aumenta as probabilidades de nos cruzarmos com pessoas com gostos e interesses convergentes aos nossos, ou seja pessoas com as quais nos identificamos mais, o que pode a priori pode ser garante de uma boa amizade.

 

3. Ser constante
Participar regularmente em atividades coletivas (ginásio, teatro, espetáculos, bares, discotecas ou até mesmo o café do bairro) pode revelar-se uma excelente oportunidade para conhecer novas pessoas, um ótimo pretexto para se estabelecer novos e promissores laços sociais.

 

4. Ajudar os outros
Ser solidário com quem precisa é meio caminho andado para o início de uma boa amizade. Seja um vizinho precisado de uma sopa quentinha, seja uma colega necessitada de um ombro amigo, seja um desconhecido  ansioso por um apoio, um gesto amigo fica sempre bem na hora de conquistar afetos.

 

4. Sorrir
Ainda que o seu (real) poder possa ser relativizado, a verdade é que o sorriso faz milagres quando se trata de estabelecer contacto interpessoal. Além de nos fazer parecer mais simpáticos e interessantes, quebra o gelo, gera empatia, cativa corações e encoraja o destinatário a retribuir. Quando sorrimos para os outros mostramos que estamos recetivos a uma aproximação, logo a uma nova amizade.

 

5. Esforçar-se para criar uma conexão
Quando partilhamos algo íntimo sobre nós, transmitimos confiança ao outro para que baixe a guarda e nos veja como alguém digno de confiança. Dado que uma amizade exige empatia, partilha e reciprocidade, um pouco de esforço na hora de criar assunto cai sempre bem.

 

Meu bem, estas dicas, apesar de muito pertinentes, de pouco servirão se não estiveres disposta a deixar entrar alguém novo na tua vida. A amizade não se materializa num passe de mágica; ela constrói-se a cada dia, a cada contacto, a cada partilha, a cada interação. Com isso quero te prevenir para o facto de as dicas abordadas nesta crónica não se converterem automaticamente numa nova amizade. Contudo, se fizeres a parte que te cabe, acredita que os outros vão-se esforçar para te ter na suas vidas. Depois é só uma questão de tempo até que a conexão comece a ser construída e continue a crescer gradualmente, rumo a uma estima para a vida toda.

 
Despeço-me com votos de uma radiante pausa semanal, bem como novos, sinceros e duradouros amigos!

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Viva!

 

Daqui a pouco vou uma festinha de aniversário. Trata-se da comemoração do segundo ano de vida da princesa Isabella, a benjamim do clã Santos, cujos laços de crioulidade, afeto e vizinhança dele faz uma espécie de família minha em segundo grau.

 

Salvo um caso ou outro, a presença de não procriadoras em eventos desta natureza constuma ser um tanto ou quanto constrangedora, para não dizer ingrata. Isto porque nestes eventos 90% de tudo o que acontece gira em torno da maternidade. As que, tal como eu, não podem falar na primeira pessoa acabam por se sentirem desintegradaa, às vezes umas autênticas alienígenas no meio de todas aquelas progenitoras babadas e rebentos mimados.

 

A antever o que me espera nas próximas horas, gostaria de partilhar contigo um texto da Catarina Fonseca sobre o drama social das mulheres que não têm filhos. Espreita só.

 

"Fui acordada dos meus sonhos pré-férias pela fúria de uma amiga. O que é que se passa? Ela estava mesmo exaltada: "Passa-se esta mania agora de que quem é solteiro e não tem filhos não precisa de programar a vida e fica para trás em tudo, pá! PKP!"

 

Fiquei a pensar que ela tinha razão: atualmente, parece que ter filhos é a única razão de viver.

 

Falei com outras amigas que não são mães e todas confirmaram: se não tens filhos, ninguém respeita o teu tempo. És uma egoísta. Não podes sair mais cedo nunca (para quê?), não podes marcar férias em agosto (porque quem tem miúdos precisa mais), não há nenhuma razão para não trabalhares até mais tarde ou ao fim de semana (afinal, não tens ninguém em casa a quem precises de ir aquecer douraditos ou dar banho ou obrigar a fazer os TPCs) e, basicamente, não tens vida que valha a pena ter em conta.

 

Mais do que isso, diz a Leonor, não tens família! "Porque em Portugal 'família' são só filhos. E se não tens filhos, qual é o teu papel na sociedade? És uma inútil, um peso, uma invisibilidade."

 

Claro que quem tem filhos queixa-se do contrário: de ser preterida em cargos de trabalho, e de muitas vezes os chefes não serem nada sensíveis à necessidade de levar os miúdos ao médico, ir à festa da escola ou sair mais cedo porque eles deram uma queda manhosa e é preciso levá-los ao hospital (e já se sabe que a quantidade de pais homens que assume estas tarefas continua mínima).

 

Mas desses males fala-se muito. É o famoso 'conciliar a maternidade com a profissão'. Fala-se pouco é de quem não tem 'nada' para 'conciliar' e portanto, acha o mundo, deve estar disponível para ser explorada até à 5ª casa.

 

Por acaso vou ser sincera: no sítio onde trabalho isso nunca me aconteceu. Nunca ninguém pôs em causa que eu quisesse férias em agosto ou que precisasse de sair mais cedo quando fosse mesmo mesmo preciso. Mas vejo isso acontecer diariamente, com outras mulheres e de várias maneiras: é aquele discurso do 'não tens filhos, sabes lá o que é estar cansada' ou 'não tens filhos, podes ir ao ginásio à vontade, que sorte’. As pessoas querem tudo nesta vida. Quer dizer, não tenho a alegria de ter filhos, e além disso, também não devia ter a alegria de ir ao ginásio ou ao cinema ou onde me apetecesse. Ou lá por não ter filhos não tenho também o direito de estar cansada sem entrar numa competição infantilóide de 'eu estou mais cansada do que tu'. Como se não houvesse infinitas maneiras de estar cansada, de amar alguém, de ter uma vida.

 

Depois há aquela tirada que está agora muito na moda: 'Até ter filhos, eu não sabia o que era amar'. Bolas, minha senhora, que vida triste e vazia que a senhora teve até ter filhos… A humanidade em geral e as mulheres em particular estavam bem arranjadas se só soubessem o que era o verdadeiro amor depois de terem filhos…

 

Escusado será dizer que mesmo para as nossas mães quem não tem filhos continuará eternamente com cinco anos. Enfim, quem tem filhos também, mas é ligeiramente mais respeitado, principalmente os homens. Não é que sejam mais respeitados intrínsecamente, mas como têm uma 'arma' que nós nunca teremos - as crianças - também têm infinitamente mais poder sobre avós e sogros.

 

Isto já para não falar em casos mais graves de heranças e desavenças: não tens filhos? Então para que é que precisas de dinheiro? Para que é que precisas de uma casa decente? Podes muito bem viver num moquifo. Para que é que precisas de uma parte igual à da tua irmã, afinal ela tem crianças e tu não.

 

Então e se me apetecer estoirar o meu dinheiro todo em sucessivas voltas ao mundo? Se quiser abrir uma escola no Zimbabué, não posso? Se quiser passar o resto dos meus dias no Reids enfrascada em champanhe, não posso? Além disso, como não tenho filhos também é normal que fique mais desamparada na velhice e precise de mais apoio, ou não?

 

Enfim. Como dizia a minha avó, cada um tem a sua cruz. Mas já ia sendo tempo de respeitarmos as pessoas pelo que elas são, e não por aquilo que têm. Incluindo os filhos."

 

É, solteira minha, o drama nosso da solteirice é um tema que nunca se esgota. Bom fim de semana, que eu vou é encher o bucho na festa infantil. Afinal, nestas ocasiões o que me salva são os carbohidratos!

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Viva!

 

Que tal começarmos a semana com um tema quente, aquele que por mais que o tempo passe e a sociedade evolua teima em despertar curiosidade infinita e a suscitar toda a espécie de reação? Claro está que me refiro à sexualidade, mais concretamente sobre três coisas sobre a sexualidade masculina que geralmente passam ao lado do radar de grande parte das mulheres.

 

Curiosa? Espreita só o que têm a dizer três especialistas sobre esta questão, citados pela Sapocv:

 

1. A sexualidade deles é mais insegura
De acordo com a ginecologista Maria do Céu Santo, "as mulheres podem iniciar a atividade sexual sem desejo ou excitação e estes surgirem depois ou até nem surgirem de todo. Já os homens, para terem uma relação sexual com penetração, precisam de ter excitação. E quando isso não acontece (leia-se, quando a coisa não sobe) para eles é um drama de todo o tamanho.

 

2. Eles sentem-se perdidos
"Nos dias que correm os homens perderam o poder, já que as mulheres assumiram um patamar de igualdade, fazendo com que muitos deles se sintam confusos em relação àquilo que lhes ensinaram sobre a masculinidade e como exercê-la. Ficam sem saber como agir", considera o psicólogo Jorge Cardoso, para quem, perante este cenário, paira sobre eles um grande dilema sobre se devem comportar-se como lhes ensinaram – o que não dá grande resultado com as mulheres – ou se devem adaptar-se à nova dinâmica de conquista e relacionamento.

 

3. As emoções afetam o desejo deles
Estamos fartas de ouvir que nada abala o desejo sexual dos homens, que comem tudo o que lhes aparece à frente, tendo ou não apetite. Só que a realidade mostra que não é bem assim que a banda toca. Uma investigação levada a cabo pela psicoterapeuta Ana Carvalheira desconstrói esse estereótipo. "Num estudo sobre desejo sexual masculino com dados de três países, em homens com mais de 30 anos, apurámos que o stress profissional, o cansaço físico e os fatores emocionais e relacionais são razões que podem perturbar o desejo masculino."

 
Analisando a questão à luz destes depoimentos, não há como negar que, no que toca ao desempenho sexual, a pressão do lado deles é bem maior. O fantasma que paira sobre a mulher a quem não apetece 'sexar', ou cuja performance não tenha sido lá grande coisa, deve ser um gasparzinho quando comparado com o do homem que não o consegue levantar, que se vem em dois in-out ou, pior ainda, que nem sequer consegue desaguar no vale venusiano.
 
É, solteira minha, homem (também) sofre!

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18
Jan18

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Viva!

 

Hoje quero partilhar contigo uma crónica de Jorge Alas, publicada há coisa de três anos no caderno P3, sobre as amizades, mais concretamente sobre toda a logística que a sua gestão implica, assim como o desgaste emocional a ela inerente. Desnecessário será dizer que as compensações são infinitamente prazerosas.

 

Vale a pena lê-la, mais não seja porque nos leva a uma autoanálise de algumas afetos que se perderam pelos corredores da vida e que, talvez, valham a pena serem resgatados. No meu caso, tenho um que deixou um buraco no peito que não há maneira de conseguir tapá-lo.

 

Os amigos fazem-nos bem. Mesmo que à distância, fazem-nos bem. O simples facto de sabermos que há amizades que resistem às barreiras espaciais e aos hiatos temporais reconforta-nos o espírito. Queremos, por isso, preservar essas amizades, dedicar-lhes tempo e mantê-las tão próximas quanto possível. Geri-las é um desafio que se impõe.

 

Todos temos amigos, sejam dos tempos da escola primária, do secundário, da licenciatura, do mestrado, de outras faculdades, da rua, do café, do desporto ou de outras atividades e andanças. Estar com todos eles exige uma ginástica considerável. Temos, inevitavelmente, de medir o custo de oportunidade e fazer as nossas escolhas. Há épocas do ano em que passamos mais tempo com um grupo de amigos do que com outros, situação que será, naturalmente, compensada noutra altura.

 

Tomar café com um grupo de amigos impede-nos de ir ao cinema ou beber uns copos com outro grupo, assim existam essas oportunidades simultâneas. Fora isto, ainda há que contar com os compromissos inerentes à família, ao estudo e/ou ao trabalho. É uma ciência combinatória complexa para quem tem pouco tempo livre, mas que gosta de estar em constante contacto com os amigos. O equilíbrio entre a atenção e a compreensão é fundamental e, tal como gostamos de estar satisfeitos com os nossos amigos, também desejamos que eles estejam satisfeitos connosco, numa espécie de relação simbiótica.

 

Não raras são as vezes em que queremos estar com todos os nossos amigos sem poder estar com nenhum. E mesmo quando podemos, é quase impossível juntá-los a todos num jantar ou convívio, devido aos compromissos de cada um ou por haver incompatibilidades entre eles. Com efeito, é um aborrecimento haver zangas e discussões entre amigos por motivos quase insignificantes e facilmente ultrapassáveis. Mais difícil de aceitar e perceber é quando essas zangas não são resolvidas e se tornam definitivas. Com uma boa conversa e com um momento de razão depois da emoção, todas essas “tempestades em copos de água” deveriam ser sanadas. A não ser que o motivo seja demasiado grave, não vejo razões para que bons amigos se zanguem, se desinteressem, se afastem e se esqueçam.

 

Por vezes, quando o mais miudinho dos obstáculos parece capaz de incendiar ou apagar as memórias de uma amizade de anos, é necessária a intervenção de um mediador, juiz ou apaga-fogos, para evitar males maiores. Há que manter o interesse mútuo para cimentar uma boa amizade, porque bons amigos são aqueles que podemos estar sem ver durante meses ou anos, por exemplo, sabendo que o reencontro vai ser uma festa desmesurada e que a conversa consequente vai ser uma agradável e plena cavaqueira.

 

Se os nossos círculos de amizade coexistissem todos em harmonia seria bem mais fácil de os gerir. Mas também podia ser muito menos desafiante e recompensador. É como é.

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29
Set17

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Ora viva!

 

Esta crónica, assinada por Estefânia Barroso e publicada ontem no publico.pt, versa sobre a solteirice, mais concretamente sobre as cobranças a que o sexo feminino está sujeito à conta desta situação amorosa. A impressão que tenho é que este assunto não se esgota e, por mais que se lute por diginificar esta opção, a sociedade continua a insistir numa atitude fiscalista e implacável perante quem optou (ou não) por estar desemparelhado. Espreita só:

 

""Sim, continuo solteira!" — esta será uma das frases que mais utilizei ao longo dos anos. Nos encontros de família, nos reencontros de amigos que não se viam há muito e até nas conversas com pessoas que conheci há pouco tempo. Inevitavelmente, no decorrer destes momentos sociais, vinha a mesma pergunta mascarada de formas diferentes. Desde a forma mais directa "Então, ainda não casaste?", à forma mais discreta "Então, ainda não arranjaste tempo para uma pessoa nessa tua vida ocupada?", à forma mais galante (e ligeiramente patética) "Como é que uma miúda como tu continua sozinha?". E é verdade, contra tudo e contra todos, continuo solteira. Porquê? Vejamos…

 

Analisando a situação:

A primeira ideia que ocorre na mente das pessoas é que, se já és uma mulher feita (digamos, se passaste dos 30…e eu já passei há mais de uma década), só podes interpretar na sociedade um de dois papéis: ou és uma "tia solteirona" que não sai de casa, vive a sua vida através das histórias de amor que assiste na televisão, tem um gato com quem conversa e continua a sonhar com o amor da sua vida enquanto, noite atrás de noite, fica em casa com o seu chá quente e com os pés frios. Ou então, e se tiveres uma imagem, na tua forma de vestir e apresentar, que não se coadune com essa teoria da "tia solteirona", serás a segunda opção: a louca que faz festa todos os dias, que não tem namorado porque não acredita no amor, mas acredita, e bem, nos prazeres físicos, que adora comer e ainda mais beber e por isso tudo não é companhia aconselhável para as amigas casadas porque as poderá enlouquecer com os seus hábitos poucos recomendáveis! Quando muito, poderá ser companhia para as amigas divorciadas que, de algum modo, sofrem do mesmo estigma.

 

E é com estes rótulos que tens que viver, apenas porque escolheste viver a tua vida de uma forma diferente daquela que é socialmente aceite pela sociedade. Não lhes passa pela cabeça que podes não ser nem uma coisa, nem outra. De facto, não sou a tia solteirona que fica em casa a ver novelas. Mas também não sou a louca pintada na segunda opção. Apenas sou uma mulher que até ao momento decidiu não partilhar a sua vida com ninguém porque não encontrou ninguém com quem quisesse ou lhe fosse possível partilhar a sua vida. Serei assim tão diferente da maioria das pessoas? Ou apenas serei exigente demais? Assumo que, como já escrevi noutra crónica, acredito que existe uma alma gémea à nossa espera no mundo. Mas também referi que nem sempre a alma gémea vem no corpo ou nas circunstâncias certas. E só me faz sentido partilhar a minha vida com uma pessoa que eu considere ter sido colocada no mundo para se encontrar comigo, uma pessoa com quem partilhe uma energia especial, uma pessoa que me faça pensar que serei mais feliz estando com ela do que estando sozinha, uma pessoa que terá aparecido nas circunstâncias certas. No fundo, só me faz sentido partilhar a minha vida com aquela que identificaria como a minha alma gémea.

 

Não irei negar que pensei muito sobre o facto de ver passar os anos e sobre o facto de não encontrar uma pessoa com quem quisesse ou pudesse partilhar o meu mundo. Pensei sobre a questão do casamento, do viver junto, da urgência que a sociedade impõe em resolver essas questões a partir dos 25/30 anos. E, para falar verdade, passei, também, a procurar conhecer-me e analisar-me, procurando compreender-me e perceber por que raio não seguia o caminho socialmente aceite.

 

Foi aí que percebi que desde pequenos nos vendem a ideia de que a felicidade só vem a dois, em casal e, de preferência, com filhos. Compreendi que estamos habituados a viver no barulho e na confusão. Compreendi que "ser sozinho" é, por isto, visto de modo negativo. Compreendi que o silêncio assusta. Compreendi que criaram em nós a ideia de que precisamos estar sempre acompanhados. Mais! Criaram em nós a ideia de que não somos completos a não ser quando temos ao nosso lado um "mais que tudo". Por isso, quando segues um caminho diferente desse socialmente aceite, tens de ser rotulada. Ou és uma perigosa amante das festas e dos prazeres mundanos ou és uma triste tia relegada ao conforto do sofá. De qualquer maneira, não podes ser feliz. Porque a fórmula da felicidade está no casamento e nos filhos.

 

Nada mais errado, digo eu. Com o tempo percebi que só se encontra a paz e a harmonia, o silêncio, dentro de si próprio. Percebi que não se pode ter medo de estar sozinho. Estar com outra pessoa tem de ser uma escolha e não uma necessidade. Só assim poderemos ser uma boa companhia para o outro. Só assim poderemos dar o tempo que for necessário para encontrar a pessoa que se julga ser a certa… ou não a encontrar de todo e, ainda assim, ser feliz e completa.

 

Concluindo: só depois de gostarmos da nossa própria companhia é que "outro alguém" poderá, também ele, apreciá-la. Gosto da minha companhia. Gosto de estar no meu silêncio, como gosto de do barulho por estar com amigos, em família, ou numa qualquer festa ou celebração. Continuo a acreditar em almas gémeas. Continuo a acreditar no amor. E sei que apenas deixarei de ser solteira porque encontrei alguém com quem sinto vontade de partilhar os meus silêncios. E não porque a sociedade assim me impôs."

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Ora viva!

 

Correu bem o fim de semana, single mine? O meu – feliz ou infelizmente, já nem sei dizer – foi passado a trabalhar. Abro aqui um parêntesis para te fazer um balanço da minha situação profissional, coisa que há muito não acontece.

 

Durante este mês, abracei o cargo de cuidadora (de um amoroso casal nonagenário), cujas tarefas se regem nos seguintes termos: dias úteis, entrada ao final da tarde e saída na manhã seguinte, e aos fins de semana, entrada na sexta à tarde e saída à mesma hora de domingo.

 

Como podes imaginar, a minha vida social, que já andava ligada a soro, neste momento só sobrevive à custa do suporte básico de vida. E logo agora que, quiça inspirada pelas festas juninas, pelos arraiais, pelos festivais de música, pelos eventos ao ar livre, pelo arranque da época balnear, pelo regresso dos sunset party ou pela perspetiva de um (escaldante) amor de verão, me predispus a atravessar a fronteira da solteirice e dar uma oportunidade ao amor.

 

Mas fazer o quê? Trabalho é trabalho, e enquanto não chega a tão ambicionada estabilidade económico-profissional, não me posso dar ao luxo de dispensar as oportunidades que me vão surgindo, venham elas de onde vierem.

 

Dramas meus à parte, hoje escrevo-te a propósito dos resultados de um estudo da Aston Medical School sobre os benefícios do casamento na saúde humana. Ao que apurou esta recente pesquisa, o matrimónio ameniza os efeitos de problemas como hipertensão, colesterol alto ou diabetes tipo 2, os principais fatores de risco para o aparecimento de doenças cardíacas fatais.

 

A explicação para esta relação causa-efeito parece residir no facto de os cônjuges se incentivarem mutuamente no que toca a cuidar da saúde e da alimentação, a tomar medicação e a praticar exercício físico.

 

A dita pesquisa, que contou com mais de um milhão de participantes com cerca de 60 anos e desenrolou-se ao longo de 13 anos, vem confirmar os resultados de vários outros estudos anteriormente realizados, como a descoberta da OMS de que o casamento reduz o risco de ansiedade e depressão ou da Universidade da Califórnia, que concluiu que a taxa de mortalidade nos pacientes oncológicos casados é menor do que nos pacientes solteiros (assunto já aqui abordado aquando do artigo Três razões porque compensa namorar). 

 

Contudo, parece que as benesses do enlace marital são bem mais flagrantes na vida deles do que na delas. Isto porque os efeitos nefastos da solteirice são mais amenos quando se trata delas.

 

Estar casado traz ainda outras vantagens para o sexo masculino que não são tão significantes nas mulheres. Segundo o America's Institute for Family Studies, os benefícios do casamento para os homens "são substanciais em todos os parâmetros". Incluem ganhar mais dinheiro, ter uma vida sexual melhor e "saúde física e mental claramente melhor", afirma o estudo.

 

A ser verdade tudo isso, porque relutam tanto eles em deixar-se enlaçar? E porque é a sociedade tão impiedosa com a solteirice feminina, quando, no final das contas, são eles quem mais lucram com o casamento?

 

Terá a ciência uma resposta cabal e convincente a estas minhas questões? Aguardemos, pois, o desenrolar das próximas investigações. Até lá, uma semana ausipiciosa para todos nós e um bom feriado para os alfacinhas!

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Ora viva!

 

Porque não começar o fim de semana com um manifesto a favor da dignidade feminina, temática sempre oportuna e pela qual não me canso de batalhar, seja através da minha escrita, seja através da partilha de algumas das mais criativas e comoventes iniciativas do género.

 

Curiosa, intrigada ou apenas expectante? Seja lá qual for o teu estado de espírito neste momento, digo-te que me refiro a mais uma, brilhante por sinal, abordagem sobre um mal que insiste em assolar as sociedades, por mais modernas que estas sejam: o machismo.

 

Através do vídeo Ahora o nunca (Agora ou nunca, em português), com mais de 600 mil visualizações no Youtube, uma jovem espanhola de 17 anos, de nome Alicia Ródenas, enceta (mais) uma chamada de atenção para a violência de género, numa abordagem tão bem conseguida que já está a ser exibida em escolas espanholas, quando o assunto é machismo e igualdade de direitos.

 

O script desta curta pode ser resumido desta forma: a protagonista, a própria autora, encara despudoradamente a câmara, enquanto vai elencando uma série de frases consideradas machistas, que vão desde o: "Que menina mais bonita! És uma princesa", ou "Judo não. É melhor ginástica rítmica", passando pelo "Informática? Não preferes dança?", sem esquecer o clássico "Se me deixares faço uma loucura", num total de cem citações.

 

O que motivou Alicia para um assunto tão sensível? A importância de falar da violência, já que, na opinião desta jovem: "É preciso começar desde criança. Caso contrário fica muito difícil entender que dizer este tipo de coisa é mau".

 

O grande finale tem como cenário um fundo negro, legendado nestes termos: "A violência de género não é só física. Vivemo-la desde a infância e persegue-nos até ao fim. É agora ou nunca."

 

Single mine, que tal dares uma olhadela ao vídeo e depois partilhares connosco a tua opinião? Fico à espera, mas até lá bom fim de semana.

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