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Crónicas, contos e confissões de uma rapariga gira e bem resolvida que (ainda) não cumpriu o papel para a qual foi formatada: casar e procriar. Caso para cortar os pulsos ou dar graças? Talvez nem uma coisa nem outra!

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Viva!
 
Quão distante parece estar aquele tempo em que se angariavam pretendentes – e se colecionavam admiradores – na escola, na praia, na discoteca ou numa esquina qualquer da vida. Nos dias que correm, a dificuldade, para não dizer impossibilidade, de conhecer alguém fora do universo virtual é claustrofóbico. E pelo que tenho visto, lido e ouvido, este é um mal transversal a todas as faixas etárias, com especial incidência nos "enta".
 
Académicos das universidades do Novo México e de Stanford vêm precisamente confirmar a realidade acima descrita. Um estudo por eles levado a cabo, envolvendo 3.510 casais heterossexuais, apurou que, atualmente, as pessoas conhecem-se cada vez mais online e cada vez menos no dia-a-dia. A partir da análise de dados de 2017, estes académicos chegaram à conclusão que 39% da amostra se conheceu pela primeira vez no ciberespaço. Em contrapartida, o número de casais que se conheceu pelos métodos tradicionais baixou. Uma constatação de que, em matéria de relacionamento amoroso, o virtual está a superar o real; pelo menos num primeiro momento.
 
A título de curiosidade, em 1995, apenas 2% dos casais conheceu-se pela internet; em 2000 a percentagem passou para 5%; em 2010 o valor quadruplicou, atingindo os 20%; e em 2017 chegou aos 39%. O mais provável é que, às portas de 2020, estes valores já estejam perto dos 50%.
 
De acordo com este estudo divulgado há coisa de um mês, apesar de ainda não ter sido publicado, o contacto inicial entre casais é maioritariamente feito pela internet ou pelo telemóvel. Quatro razões parecem estar na base desta crescente tendência: uma maior variedade de pessoas à disposição, um sítio livre onde as preferências e atividades podem ser expressas sem o julgamento da família ou dos amigos, uma informação atualizada sobre quem está disponível e a promessa de compatibilidade por parte de aplicações.
 
De um modo ou de outro, o online está cada vez mais presente na vida de (quase) todos nós. Portanto, o amor, como parte essencial da nossa existência, não poderia manter-se alheio a essa realidade. Aspetos como falta de tempo, apetência patológica para a praticidade e o comodismo, inexperiência e/ou inaptidão na arte da conquista, receio da rejeição, medo da acusação de assédio sexual e facilidade no acesso às apps de engate fazem com que cada vez mais corações solitários tentem a sorte no amor através da internet. Daí que seja perfeitamente compreensível o porquê do online estar a roubar espaço, e protagonismo, aos tradicionais métodos de engate.
 
Single mine, por hoje é tudo. Conto regressar na quarta com mais um post sobre um assunto digno de aqui ser abordado. Até lá fique bem e cuide desse coração, que (solitário ou não) a ti cabe o dever de preservar.

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Viva!

Em relação à minha solteirice crónica ativa já ouvi de tudo um pouco, desde ser uma pessoa impossível de aturar até não ter preferência por indivíduos do sexo masculino. De entre essas "bocas", a que mais gozo me dá é aquela de que não estou preparada para ter uma relação. Como se o estar preparada implicasse automaticamente uma relação e vice-versa. Enfim...

Nesses casos, costumo responder, com a aquela minha expressão de 0-0: "mas eu estou preparada para uma relação; não estou, nem quero estar, é preparada para uma ralação!". Ciente de que a maioria dessas pessoas não sabe distinguir com clareza uma coisa da outra, lá me dou ao trabalho de vestir a capa de desencardidora de mentes e explicar, com exemplos, não vá correr o risco de também não perceberem à segunda.

Acaso, saberás tu as diferenças entre uma coisa e outra? Para o sim para o não, ei-las:

rElação
- Sentes-te mais feliz com ele do que sem ele
- Vives numa bolha de felicidade
- O afeto, o respeito, a cumplicidade e a sinceridade são os pilares do casal
- Discutem uma vez ou outra, mas acabam sempre por ficar bem
- Não vês a hora de estar com ele
- Sentes que lhe podes contar tudo
- Ambos mantêm uma agenda social independente
- Tens liberdade e à vontade para sairés com os teus amigos sem teres que dar grandes satisfações
- Tu decides até onde vai a tua privacidade
- A alegria é o pão nosso de cada dia
- Adormecem sempre abraçados
- O futuro ao lado dele parece-te risonho
- Se pudesses escolher qualquer outra pessoa neste mundo, continuas a querer estar com ele
- Estás com ele porque queres
 
rAlação
- A felicidade varia consoante a dinâmica do relacionamento
- A viagem entre o céu e o inferno é uma questão de tempo e oportunidade
- A desconfiança, a cobrança, o ciúme e a possessividade vão-se tornando uma constante
- As discussões são cada vez mais frequentes
- Sentes-te em paz quando ele não está por perto
- Omites coisas com medo de ele fazer uma cena se souber
- Têm que fazer tudo junto e quando assim não é há drama na certa
- Tens que pedir "permissão" para sair com os teus amigos, não sem antes apresentar um rol de explicações e justificações
- Ele decide até onde vai a tua privacidade
- O drama é o pão nosso de cada dia
- Dorme cada um para o seu lado
- Tens dúvidas em relação ao futuro (e ao presente)
- Imaginas o tempo todo como seria estar com outra(s) pessoa(s)
- Estás com ele porque... estás

Quando sabemos exatamente o que queremos não tem como nos contentarmos com nada menos. Eu permaneço solteira porque quero uma relação e não uma ralação.


Voltarei na quarta; até lá beijo no ombro e orgulho nessa solteirice, que o que mais há por aí é emparelhada infeliz e ressabiada que em casa come ralação e na rua arrota relação!

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19
Mar19

Tinder Surpresa

por LegoLuna

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Viva!


Por falar em Tinder, deixa-me contar-te sobre uma conhecida minha que acabou grávida de um gajo que conheceu através desta app. Pelo que soube, eles estiveram juntos uma única vez e foi quanto bastou para que, nove meses depois, ela tivesse nos braços o seu Tinder Surpresa.

Para resumir, que ainda tenho muito para escrever, esta estória termina no tribunal, com ela a assinar um documento onde se compromete a nunca reclamar nada do pai (pensão/herança/presença) e ele a assinar um outro documento abrindo mão de todo e qualquer direito sobre a criança (guarda parental).

À luz deste caso, e tendo em consideração um número cada vez mais alarmante de corações partidos à conta de apps e sites de engate, sinto-me impelida a puxar da palmatória e a endurecer o discurso. Estimadas carentes, ingénuas, desesperadas e românticas incuráveis parem de uma vez por todas com essa fantasia de que vão encontrar o amor das vossas vidas nessas plataformas. Lamento dizer, mas isso dificilmente vai acontecer. E para não achares que estou para aqui a disparar disparates, passo a explicar porquê.

Ponto 1
O Tinder é sobejamente conhecido por ser uma app de encontros sexuais. Com isso quero dizer que o amor não faz parte da ementa. É como ires ao McDonald's e esperares que te sirvam peixe grelhado no carvão.

Ponto 2
Não encontramos o amor, é ele que nos encontra. Por isso procurá-lo, ainda mais nesse tipo de lugar, é puro desperdício.

Ponto 3
Volta e meia, ouvimos falar de uma ou outra estória de amor que começou na rede e fincou na vida real. Para tua informação, elas são a exceção que confirma a regra. A não ser que sejas a personagem Gastão dos quadradinhos da Disney esquece lá isso de encontrar a tua cara-metade por aqueles domínios.

Ponto 4
Neste tipo de metragem o argumento é quase sempre o mesmo: mulheres carentes à procura de emoção e homens esfomeados à procura de alimentação. Logo, expectativas desencontradas que findam em desilusões amorosas.

Ponto 5
Os homens sabem muito bem ao que vão quando acedem a esta app. Ninguém vai lá parar por acaso nem por lá permanece à toa. Por isso, não tenhas ilusão de que a presença deles aí é por outra coisa que não o sexo.

Ponto 6
Com base em vários testemunhos, fiquei a saber que uma mulher que se conhece por esses meios não é para ser levada a sério, menos ainda se ela "facilitar a vida" ao match no primeiro encontro. Por mais que a sociedade se orgulhe de estar a evoluir, a mente masculina ainda é muito castradora em relação à emancipação sexual feminina. Os homens acham o máximo uma mulher liberal; para dar umas voltas. Porque quando se trata de assumir e apresentar à família e pessoas das suas relações, escolhem as amostras de beatas, de quem as sogras possam orgulhar-se.

Ponto 7
O Tinder, mais do que qualquer outra app que eu conheça (e conheço quase todas), é um catálogo online de comida humana, em que cada um escolhe o prato que mais apetite lhe despertar: étnico, internacional, tradicional, exótico e por aí fora. Só têm que escolher, com a vantagem de que não pagam absolutamente nada – vá, um jantar com sorte ou a conta do motel.

Ponto 8
Os homens que usam o Tinder já lá chegam com a mente formatada para seguir o protocolo – aceder, escolher, fazer o match, encontrar-se, "comer" e ir à vidinha dele. Até ter fome novamente. Eles não estão nem aí para o facto de seres uma mulher encantadora na vertical; o que querem realmente saber é quão útil podes ser na horizontal.


Ponto 9
Eu, solteira de longa duração, mais do que ninguém sei o quão pesado pode ser o celibato. Mas caramba, tens mesmo que abrir mão da tua dignidade só para teres um macho na tua vida? Não mereces ser tratada como algo mais que mero objeto sexual à mercê da luxúria alheia?

Ponto 10
Se queres mesmo muito encontrar um tipo porreiro que te valorize como mulher e ser humano, esquece o virtual e investe no real. Vai para a rua meter conversa com quem te possa olhar nos olhos e dizer-te o quanto és importante para ele. Eu sei que é difícil, mas deve existir algures um homem que te possa tratar como algo mais que comida, a que ele só deita a mão para saciar uma das suas necessidades biológicas mais primitivas. 

Se, do fundo do teu coração, sabes que só queres dar o corpo ao manifesto a custo zero então o Tinder é sítio certo para ti. Se não for esse o caso, poupa-te a ti mesma um mais que provável desgosto amoroso e um desgaste sentimental perfeitamente dispensável.

Vai por mim, o Tinder não é para amadores muito menos para românticos; é para predadores. Não é para os que buscam viver o amor, mas para os que buscam fazer amor. Ali não há romance, apenas sedução. Não há emoção apenas tesão. Não há encanto apenas ansiedade. Ali vale tudo, exceto esperar amor.

Até breve e nada de Tinder !

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Viva!

Depois de um esplêndido fim de semana (obrigada S. Pedro por esta benesse), eis-me de volta ao teu convívio com uma crónica sobre o lado oculto de muitas relações; relações que à primeira vista parecem saudáveis, mas que à quinta, sexta ou décima mirada são tudo menos isso. A essas cognomeei de relações espartilhadas, um mix entre relação saudável e relação tóxica.

Ainda que sem a componente violência (física e psicológica), flagrante nas relações tóxicas, este tipo de relacionamento pauta-se tanto pela ausência de afeto assumido como pela falta de compromisso declarado. É uma espécie de "curte" para adultos, em que uma das partes só quer saber da outra quando lhe dá jeito (ou gana, se é que me entendes ).

Marta Gonçalves Miranda, cronista da MAGG que admite ter vivido uma relação (demi)tóxica, descreve o perfil do "espartilhador" nestes termos:
- Está vários dias, ou até semanas, sem dizer nada e reaparece como se nada fosse;
- Diz que não está pronto para uma relação ou que não gosta de nós, mas é extremamente exigente para estar quando lhe apetece;
- Passa a viver às nossas custas financeiramente;
- Corre atrás de nós quando percebe que nos estamos a afastar;
- É desagradável, do estilo: "Eu não sou carinhoso muitas vezes para não ficares com a ideia errada [praticamente viviam juntos]";
- Nunca pergunta se está tudo bem;
- Mas despeja os seus problemas em cima de nós;
- Foge de tudo o que se assemelhe a uma discussão ou confronto;
- Diz que abomina ser pressionado.

Agora que ficamos com uma ideia mais concreta sobre o tipo de parceiro que assume o papel de vilão neste drama amoroso, importa escrutinar o porquê da outra parte sujeitar-se a uma relação assim assim? Será ela carente, tonta, desinformada, com baixa autoestima ou receosa do peso da solteirice? Nem por isso! A outra parte está simplesmente enamorada, e quando assim é, a vozinha interior é amordaçada e a luzinha de alerta posta em modo silencioso.

Não penses tu que todas aceitam de ânimo leve este tipo de relação. Há quem barafuste, há quem alinhe, mas no fim todas acabam por se deixar ir, enredadas numa espiral viciante, à qual se agarram como lapas, pois só assim creem poder voltar a provar do doce trago do encanto inicial. Mas porquê, é a pergunta que continua a aguardar resposta.

Porque, "no início, eles são absolutamente encantadores, mais até do que qualquer outro homem com quem tenhamos tido uma relação saudável. Eles eram presentes, prestáveis, interessados e, regra geral, fascinantes e inteligentes. Até que um dia demoraram seis horas a mandar mensagem e nós ignorámos. No dia seguinte, deixaram de nos responder. De repente apercebemo-nos que voltaram a não dizer nada, mas em vez de seis horas demoraram um dia. No dia seguinte, desapareceram sem deixar rasto. Nós chorámos a achar que tinha acabado. Até que eles reaparecem na sexta-feira como se nada tivesse acontecido, a convidar-nos para jantar. E voltávamos. Já não sabíamos quem éramos, o que queríamos. Deixámos de gostar de nós e de tirar prazer das coisas. Felicidade? Só quando estávamos com eles. E, mesmo assim, nem essa era verdadeira — no fundo do nosso ser, nós sabíamos que aquilo estava errado. E sabíamos que tinha de acabar.", esclarece Marta.


Dou por encerradas as hostilidades, com esta instigação: à falta de uma relação saudável, entre ter uma espartilhada e não ter nenhuma qual escolherias? A minha resposta: que venha o diabo e escolha!

Até breve!

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26
Jan19

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Viva!

 

As primeiras linhas desta crónica tinham como alvo aqueles a quem batizei de “amigos acessórios”, uma categoria de camaradas que enfeitam a nossa vida que é uma beleza, dando-nos a falsa sensação de são pau para toda a obra. Sabes aqueles amigos que ficam sempre bem nas fotos de grupo, que nos bombardeiam com juras de amizade eterna nas redes sociais, que estão sempre disponíveis para a paródia, mas que na hora do aperto simplesmente viram fumaça?

 

É precisamente deles que te queria falar hoje. Só que aí vi uma notícia que considerei bem mais atinada com este sábado soalheiro que se faz na capital tuga: licença de namoro.

 

Segundo o jornal South China Morning Post, algumas empresas do país mais populoso do mundo estão a conceder uma dispensa especial às trabalhadoras do sexo feminino em idade reprodutiva, de modo que passem a ter (mais) tempo para "confraternizarem" (digamos assim) com o sexo oposto.

 

Aquilo que eles chamam de "licença de namoro” ou "licença amorosa" na teoria serve para as mandarinas desemparelhadas terem mais tempo para encontrarem o amor. Contudo, na prática esta oferta, aparentemente generosa, serve o flagrante propósito de garantir que as celibatárias tratem de cumprir o papel para o qual a família e a sociedade as formatou: garantir a preservação da espécie.

 

Num país em que desemparelhadas são descaradamente estigmatizadas – as com mais de 20 anos são frequentemente associadas ao termo pejorativo "sheng nu" (mulheres que sobram) – a solteirice é uma realidade cada vez mais corriqueira, à medida que mais mulheres decidem se investir nas carreiras ou optam por permanecer solteiras, pelo simples facto de não estarem dispostas a contentar-se com o primeiro par de calças que lhes acene com um anel.

 

Só que as pressões para que se casem e procriem não esmorecem. Pelo contrário! O governo já se assumiu seriamente inquieto com o envelhecimento da população e a consequente redução da força laboral.

 

Pelo que se conseguiu apurar, a tal licença de namoro até foi bem acolhida entre o seu público-alvo. Pudera, quem não aceitaria de bom grado mais days-off? Só que elas já não são assim tão tapadas para não se aperceberem que tudo não passa de (mais) um esforço para as pressionar, em especial as mais instruídas, a constituir família.

 

Será que este incentivo ao amor vai render os frutos desejados por aqueles que a promovem? Só o tempo o dirá. Convém é ter em atenção que nós as mulheres (inclusive, as chinesas) temos cada vez menos pressa em casar ou ter filhos.

 

Beijo no ombro e aproveita este sábado para tirares a tua licença amorosa. Quem sabe…

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Viva!

 

Depois de um repasto divinal na companhia de uma das minhas mais queridas amigas de sempre, eis-me aqui altamente inspirada para mais uma crónica, desta feita dedicada ao lado M (leia-se mau) da solteirice.

 

É do conhecimento geral da blogosfera que o celibato é algo do qual não me envergonho. Pelo contrário! Ainda que me assuma como uma solteira feliz e bem resolvida com o seu status amoroso, reconheço que nem tudo é um mar de rosas. É por isso que hoje quero falar-te de dois dos aspetos que mais acuso na solteirice: beijo e amparo. Sim, isso mesmo que acabaste de ler.

 

É sabido que o contacto físico é um aspeto fundamental em qualquer relação amorosa. Sem querer desmerecer o papel do sexo, não reconheço nenhuma intimidade física mais prazerosa que o beijo; a meu ver, capaz até de superar uma boa performance sexual. Sabes porquê? Porque beijo bom traz a reboque sexo bom. Do contrário é que já não estou convicta.

 

Abro aqui um parêntesis para assumir a minha incapacidade em visualizar de que forma bom sexo poderá advir da falta de bom beijo. Do género: serviram-te um prato delicioso, só que sem direito a uma entrada a condizer. Por melhor que este seja, a sensação de que ficou a faltar something vai perseguir-te sempre que te vier à memória aquela refeição.

 

Retomando o fio à meada antes que a mente comece a navegar por conteúdos de bolinha vermelha, longe de mim dizer que o sexo não é bom ou que não o aprecio. O que quero frisar é que tenho preferência pelo beijo porque sei que quando ele é bom dificilmente o sexo não será também. O estranho é que enquanto debutante do baile do amor não achava grande piada à coisa, para não dizer que até tinha nojo. Mas assim que lhe apanhei os passos e passei a dominar a coreografia… you know.

 

A oportunidade de uma solteira, deveras seleta no que toca a bocas na qual encostar a sua, exercer o exercício desta arte torna-se escassa, para não dizer inexistente. Este é, sem sombra de dúvida, o aspeto que mais acuso na solteirice: não poder beijocar sempre que me apetecer; beijar como cumprimento, beijar como preliminar, beijar como despedida, beijar por beijar. Só porque sim!

 

O segundo aspeto que mais me custa no celibato é a falta de amparo (físico e emocional). Nunca tive tanta consciência disso como há umas semanas atrás quando, de uma hora para outra – literalmente falando – me vi envolvida num drama caseiro de quinta categoria, cuja consequência imediata foi o despejo. Já passei por muito nesta vida, já lidei com (quase) todo o tipo de provação que imaginar possas, mas não me lembro de alguma vez me ter sentido tão perdida, tão solitária, tão desamparada. O desalento foi tanto que só conseguia pensar: "Se ao menos tivesse um homem do meu lado, teria com quem desabafar, com quem analisar soluções, com quem contar".

 

No meio daquele desespero todo, profundamente abalada pelos insultos, gritos, humilhações e ameaças de que fui alvo, saber-me longe da minha família e dos meus verdadeiros amigos e com poucos dias para encontrar um novo sítio para morar, e a poucas horas de viajar para França onde ia passar o natal com os meus, a solteirice pesou-me como nunca antes.

 

Senti tanta falta de ter quem me defendesse, quem me desse um abraço, quem me afagasse os cabelos, me enxugasse as lágrimas e me dissesse que tudo iria ficar bem e que eu poderia contar com o seu apoio para o que fosse preciso. Sem falar que precisava de ajuda física para procurar alojamento e tratar de toda a logística inerente à mudança de casa.

 

É por isso que decidi que das duas uma: ou não mais voltarei a passar por semelhante situação de todo ou, a voltar a passar, ter ao meu lado alguém capaz de me dar o amparo e o aconchego necessários para lidar com tudo. Dado que a primeira premissa não depende exclusivamente da minha atuação (por mais que assim o queira), só me resta investir na segunda. Com isso quero dizer que neste 2019 é minha intenção abandonar o celibato prolongado e arranjar um namorado. E mais não digo por ora, que a crónica já vai no décimo parágrafo.

 

Despeço-me com um "para a próxima há mais"!

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18
Jan19

Como agarrar um homem

por LegoLuna

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Viva!

 

Depois dos episódios 1 – 27 dicas para arranjares um pretendente – e 2 – Como fazer com que ele saiba que existas – eis que chega à homepage do Ainda Solteira o (tão aguardado) terceiro episódio da saga baseada no artigo 129 formas de arranjar o marido, publicado em 1958 na revista feminina McCall’s.

 

Põe-te confortável, saca de papel e caneta e toca a anotar as dicas para agarrares o teu homem. Vamos lá então:

1. Mostra-lhe que te consegues divertir num encontro barato — mas não exageres.
2. Não deixes os teus pais tratarem-no como um potencial marido.
3. Sai num encontro duplo com um casal feliz — mostra-lhe como pode ser bom.
4. Diz aos amigos dele coisas boas sobre ele.
5. Envia um cartão de parabéns à mãe dele.
6. Pede receitas à mãe dele.
7. Fala com o pai dele sobre negócios e concorda que os impostos estão demasiado altos.
8. Ocasionalmente compra um presente para ofereceres aos filhos da irmã dele.
9. No primeiro encontro diz-lhe que não estás a pensar em casar.
10. Não fales sobre o número de filhos que queres ter.
11. Se ele for pescador, aprende a escamar e limpar um peixe.
12. Não lhe contes tudo sobre ti no início. Deixa algumas coisas para reserva.
13. Quando estiveres a passear com ele, não insistas em parar em todas as montras.
14. Não lhe digas quanto custam as tuas roupas.
15. Não fofoques sobre ele.
16. Nunca deixes que ele saiba que é o único, mesmo que tenhas de ficar em casa uma ou duas noites por semana.
17. Não sejas fácil quando ele tentar marcar um encontro.
18. No início do encontro, porque não pôr uma música que fique como vossa?
19. Conhece as raparigas com quem ele não casou. Não repitas os erros delas.
20. Não fales sobre ex-namorados.
21. Se fores viúva ou divorciada, não fales constantemente sobre o teu marido.
22. Resiste à tentação de mudar a sua aparência — antes do casamento, claro.
23. Mantém-te inocente mas não ignorante.
24. Aprende a jogar poker.
25. Se ele for rico, diz-lhe que gostas de dinheiro — a tua honestidade vai intrigá-lo.
26. Nunca o deixes acreditar que a tua carreira é mais importante do que o casamento.
27. Compra-lhe um presente divertido ou particularmente apropriado de vez em quando. Mas não gastes muito dinheiro.
28. Envia-lhe um cartoon divertido que tenha significado para os dois.
29. Não contes histórias porcas.
30. Não sejas menina da mamã — não deixes que ele pense que vai ter problemas com a sogra, mesmo que vá ter.

 

Será que é desta que nós solteiras arranjamos um marinheiro jeitoso, levantamos a âncora e zarpamos rumo à felicidade conjugal? Pode ser que sim pode ser que não; depende do quão aplicada formos nesta matéria.

 

Boa sorte e até para a semana! 

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Viva!

 

Já lá vão meses, provavelmente mais de ano, desde a última vez que tive um encontro romântico na verdadeira aceção da palavra. Com isso refiro-me a um encontro por mim ansiado, para o qual me emboneco toda, com o coração a saltimbancar qual artista circense. Sequer consigo lembrar-me quando, ou com quem, foi a última vez que saí num date. Convites não me faltaram – uns mais aliciantes que outros, é certo – mas nenhum chegou a concretizar-se. Por ação direta da minha parte, assumo. Só para teres uma ideia, na passada sexta-feira, com dois first dates na calha, acabei o dia a passear pela Baixa pombalina na melhor de todas as companhias: a minha.

 

Por este, aquele ou aqueleoutro motivo, a verdade é que nenhum pretendente conseguiu cativar-me ao ponto de me aventurar a dar-lhe uma oportunidade. Antes de adentrar pelo âmago desta crónica – o porquê da minha indisponibilidade amorosa – permite-me uma pequena contextualização desta minha atual forma de estar, pensar e vivenciar o amor.

 

Quiçá à conta do (mau) karma transferido de uma vida passada, em que me revelei um filho da put* promíscuo e amoral, eu e o amor pouquíssimas vezes estivemos sintonizados na mesma frequência; razão quanto baste para o meu historial de flop amoroso. Ao longo da minha existência, o meu pobre coração foi sendo fustigado por todo o tipo de desilusões: um baque aqui, uma mossa ali, uma racha acolá, até ao golpe fatal, perpetrado por quem na altura não tive dúvidas em assumir como a minha alma gémea, o homem dos meus sonhos, um amor para toda a vida (e com esta me assumo como uma marca branca do Nicholas Sparks).

 

Olhando para esta imagem captada no auge do meu romance, há exatamente oito anos, vejo o quanto aquela Sara era descontraída, sorridente, iluminada e com uma fé inabalável num futuro risonho. Bons tempos aquele. Adiante...

 

Por razões absolutamente alheias à minha vontade (leia-se, foi ele que me deu com os pés), quando essa relação terminou o meu coração desfez-se de tal maneira que ainda hoje, sete anos, 10 meses e muitos dias depois, dou por mim a catar um ou outro pedaço. Com o sarcasmo que se lhe exige, costumo dizer que há uma linha que divide a minha vida amorosa entre antes de 2010 e depois de 2010, após o qual mudei a minha forma de experenciar o amor para nunca mais voltar ao mesmo. A essa linha dei o nome de autopreservação.

 

Acredito que seja este meu ADN de guerreiro egípcio herdado da outra encarnação que me fez não desistir de viver (como tantas vezes quis). Só eu sei o calvário que passei para conseguir manter-me de pé, só eu sei o que tive que penar para chegar onde estou, só eu sei quantas vezes me senti indigna como mulher, só eu sei o quanto tive que ralar para conseguir reconciliar-me com a minha própria pessoa e com os outros, só eu sei o quão penoso foi o processo de cura e perdão. Só eu sei... Agora pareço um pastor do IURD.

 

Passo a passo, um dia de cada vez, fui retomando o gosto pela vida, resgatando a alegria de existir, fazendo-me mais e melhor pessoa. Porém, a jura de que jamais permitiria que me voltassem a despedaçar o coração, nem que isso significasse nunca mais chegar perto de um homem, permanece intacta.

 

Com os cacos que fui juntando, consegui recuperar o meu provedor de sentimentos o suficiente para tirá-lo da UCI e interná-lo num quarto blindado, cuja chave na altura deitei fora e agora não encontro, por mais que me farte de procurar. Atualmente, ainda que queira, não encontro forma de o resgatar das masmorras para onde o atirei há quase oito anos.

 

É por isso que não mais voltei a conseguir confiar em alguém; não mais consegui acreditar que poderia dar certo; não mais consegui entregar-me; e como acredito com todo o meu ser que amor sem entrega é desperdício de tudo, não mais voltei a provar do trago doce e inebriante do afeto testosteronal. Claro que a minha paixonite crónica aguda pelo tal rapaz lá do ginásio só contribui para agravar todo este quadro clínico.

 

Perco? Claro que sim, muito até! Mas também ganho, não há como negar. Ganho paz de espírito e a certeza de que o meu (auto)amor hoje em dia é fruto de um acordo bilateral, com ambas as partes a amarem-se em igualdade de circunstâncias.

 

Se permanecer solteira for o preço que tenho que pagar para não mais voltar a sentir aquela dor dilacerante que me desfez o coração em mil e me repartiu a alma em dois, é com todo o gosto que o pago. Afinal, o amor conjugal é só uma parte da felicidade humana, nunca o todo. Somos mais felizes com ele? Claro que sim. Somos infelizes sem ele? Obviamente que não. A não ser que queiramos!

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Viva!
 
Esta crónica assenta no olhar da conselheira espiritual deste blog sobre a inércia humana em relação à mudança, mais precisamente sobre a resistência de tantos em mudar de vida, mudar de relação, mudar de forma de pensar/estar/agir.
 
O que mais abunda por esta vida fora são almas sofridas que pouco ou nada fazem para extinguir o sofrimento de que tanto se queixam. Sobre isso, diz a spiritual coach Isabel Soares dos Santos o seguinte: "cada vez mais acompanho clientes e amigos que estão insatisfeitos nas suas relações amorosas, mas que nada fazem para mudar. Oiço todos os dias as desculpas mais elaboradas... ou é porque dependem financeiramente; ou porque não acreditam que merecem alguém melhor; ou porque cultivam a eterna esperança de que a outra pessoa mude; ou porque simplesmente não querem estar sozinhos." 
 
Vamos lá então dissecar cada um destes argumentos:
1) Depender financeiramente de alguém
És a única responsável por teres escolhido depender financeiramente de alguém. Por mais que te custe admitir, a verdade é que a qualquer altura da tua vida podes mudar isso, já que o que não faltam por aí são oportunidades. Portanto, se não mudas é porque não queres... Como não queres aceita as tuas escolhas e aprende a viver com elas.
 
2) Não acreditar que merece alguém melhor
Sou a primeira a reconhecer que existem pessoas manipuladoras, controladoras, mentirosas e compulsivas que tudo fazem para te fazer acreditar que não vales nada. Percebo perfeitamente que te pode ser muito difícil sair de um ciclo de manipulação em que já estás no fundo do poço há demasiado tempo. Mas de certeza absoluta que já foste feliz em algum momento da tua vida, em que te sentiste realizada, em que te sentiste dona da tua vida. Volta então a esses momentos em que te sentiste mais confiante e faz uma escolha entre "quero continuar a viver sem autoamor" ou "quero recuperar/conquistar a minha confiança e aprender a amar-me longe de mentiras e manipulações".
 
3) Ficar na esperança que o outro mude
Este é um dos erros mais graves das relações atuais. Quando oiço: "ele só me bateu três vezes e eu até fiz queixa na polícia, mas depois perdoei..." fico arrepiada da ponta dos cabelos à planta dos pés. Acreditas mesmo que uma pessoa que foi violenta uma vez, duas vezes, três vezes, nunca mais o volta a ser? Acreditas mesmo que uma pessoa que trai uma vez nunca mais vai voltar a fazê-lo? Acreditas mesmo que uma pessoa que te manipulou e humilhou uma vez, nunca mais o volta a repetir? A única pessoa que está mal neste tipo de situação és tu, pois vives na fantasia de que o outro mudará, quando quem tem que mudar és tu. Se te amasses mais não aceitarias nem uma única vez algo que te fizesse mal.
 
4) Não querer estar sozinha
É muito triste perceber que a maior parte das pessoas escolhem viver relacionamentos infelizes e abusivos pelo simples facto de temerem a solteirice. O que mostra a minha experiência é que essas pessoas têm medo delas próprias, têm medo de vir a descobrir o seu lado sombrio e, mais do que isso, têm medo de não saberem lidar com essa realidade. Para uma boa parte delas antes um relacionamento infeliz do que relacionamento nenhum, que as obrigaria a olhar para dentro de si e assumir responsabilidades que não querem. Pode chocar esta minha afirmação, mas a razão que a sustenta é ainda mais chocante. Isto porque quando se está numa relação infeliz o que é mau é inteiramente imputado ao outro. Pois bem, fica a saber que tudo o que acontece num relacionamento é responsabilidade de ambas as partes. Essa de 100% vilão ou 100% vítima não existe na vida real. É 50/50. E não me venhas com essa conversa de que nunca fizeste nada de mal e o outro é que te bateu e o outro é que te traiu. Foi tua responsabilidade aceitar estar e permanecer nessa situação. E continua a ser tua responsabilidade, maior ainda até, quando perante a verdade nada fazes para alterar.
 
A qualidade da tua vida é reflexo da qualidade das tuas relações, tem sempre isso em mente. Vais sempre a tempo de escolher relações melhores. Isso se, de facto, queres ser (mais) feliz. Se não for esse o caso, deixa-te estar, que cada um tem exatamente aquilo que merece.
 
Ninguém aqui está a dizer que mudar é fácil. Nunca foi, nunca é, nem nunca vai ser. Só que é a única solução, o único caminho, para a verdadeira felicidade. Por mais que nos custe temos que estar preparados para a qualquer instante alterarmos os nossos planos. É apenas quando começamos a "pisar terreno escorregadio" que efetivamente vivemos. Até lá sonhamos acordados!

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 Viva!

 

A crónica de hoje versa sobre três belissimas razões porque os homens devem escolher mulheres com mau feitio. Ou mulheres com personalidade, como lhes prefiro chamar, já que eu mesma sou – e com muito orgulho – uma delas.

 

Autênticas, assertivas, frontais e honestas, mulheres assim são absolutamente encantadoras. Ao lado delas a relação raramente conhecerá a monotonia; assim como dificilmente haverá espaço para a previsibilidade. Incapaz de ser submissa, não é qualquer homem que tem colh*es para a cativar, seduzir, conquistar e manter. Isto porque:

 

É na sua complexidade que reside o seu encanto

Qual a piada de estar com uma pessoa previsível, submissa e que não te mexe com os brios? Decerto que todos os casais têm os seus problemas, assim como é certo que, quando o sentimento é sólido, a bonança acaba sempre por proceder à tempestade. Já imaginaste uma relação sem qualquer tipo de discussão, sem alguém que te desafie e te instigue a seres mais e melhor? Preciso lelmbrar-te que "sexar" com uma mulher dessas depois de uma briga é algo pelo qual vale a pena suspirar?

  

Por baixa da armadura do feitio, reside um coração romântico

Garanto-te que mulheres com mau feitio são mais românticas. A experiência, e a própria ciência, comprovam que, quase sempre, o mau feitio e a frieza não passam de uma "capa", uma espécie de armadura atrás da qual elas se escondem, precisamente para não deixarem transparecer o seu lado mais sensível e amoroso. Só os mais persistentes conseguirão ultrapassar essa barreira e descobrir o tesouro que se esconde por detrás.

  

A dificuldade costuma ser um poderoso afrodisíaco

Sentirmo-nos fascinados por pessoas complexas, enigmáticas e imprevisíveis é da nossa natureza. O complicado fascina, atrai, envolve e vicia. As mulheres com mau feito são, por norma, mais complicadas, mais misteriosas. É precisamente isso que faz com que os homens fiquem com uma vontade incontrolável de querer decifrar o lhes vai na alma. Será caso para dizer que isso as torna mais interessantes, logo mais atraentes.

 

Reconheço que é não é pera doce lidar com alguém com um génio forte. À custa desse traço de personalidade, que a torna única e especial, uma mulher com mau feitio marca um homem de tal maneira que se torna praticamente impossível esquecê-la. No final das contas, este tipo de mulher acaba por ser das mais cobiçadas.

 

Depois do que acabaste de ler, é caso para reconheceres que vale a pena ter uma mulher assim na tua vida ou não?

 

Voltarei em breve. Até lá muito mau-feitio na tua vida e na tua cama!

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