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Crónicas, contos e confissões de uma solteira gira e bem resolvida que não cumpriu o papel para o qual foi formatada: casar e procriar. Caso para cortar os pulsos ou dar pulos de alegria? Provavelmente, nem uma coisa nem outra!

25
Jan21

mw-1024.jpgOra viva!

Votei pela primeira vez na vida. O que pode parecer coisa pouca para aqueles que escolhem alienar-se do exercício da democracia, é para mim um momento histórico. O ter deixado o país que me viu nascer aos 19 anos e o ter adquirido a nacionalidade portuguesa há bem pouco tempo justificam o facto de só agora, aos 43 anos de idade, ter podido exercer a cidadania na sua forma mais contundente.

Gosto de política, sempre gostei. No secundário fui uma das melhores alunas de todo o liceu nesta disciplina. Considero-a, na sua essência, um dos melhores meios para atingir o fim nobre que é contribuir para o bem-estar coletivo e defender os interesses dos fracos e oprimidos. Não fosse o sistema que a sustenta tão corrupto, e corruptível, é mais do que provável de que nela aventurar me ia, quiçá na gestão autárquica.

Se reluto em registar publicamente as minhas opiniões políticas é porque sinto que estas pouca diferença fariam. Com tantos politiqueiros à solta por aí, o que teria a dizer uma blogger de solteirice que merecesse a pena ser levado a sério? Acredito piamente que cada macaco deve permanecer no seu galho, ou seja, que cada um deve falar com conhecimento de causa e não opinar só para não estar calado. Contudo, volta e meia, sinto necessidade de expressar o que me vai na alma, como é agora o caso.

O dia de ontem foi um drama, como de resto é habitual na minha vida. Crente de que não poderia votar, por não ter feito o recenseamento, contava eu seguir as eleições de camarote, no aconchego do lar. Por volta da hora do almoço, recebo um sms da minha amiga, e vizinha, a perguntar se já tinha ido votar. Lamentando a minha sina, lá expliquei o motivo porque não poderia fazê-lo. Nisto, vejo a passar no rodapé da RTP 3, canal através do qual ia seguindo o desenrolar dos acontecimentos, uma informação sobre como saber onde votar. Mais por curiosidade do que por outra coisa qualquer, enviei um sms para o número indicado, convicta de que, a obter uma reação, esta viria confirmar o que já sabia: o meu nome não constava dos cadernos eleitorais. Qual não foi a minha surpresa quando recebo uma resposta com a indicação do local do voto. Sabia lá eu que, em Portugal, o recenseamento é feito de forma automática...

Como era dia de jejum, sair imeditamente de casa estava fora de questão, sob pena de correr o risco de passar mal, caso tivesse que esperar muito tempo na fila. Assim, só às 18 horas e 25 minutos do dia 24 de janeiro do ano de 2021, após um belo desjejum, foi-me possível expressar o meu primeiro voto, depositado naquele que viria a ser reeleito presidente da República Portuguesa. Não é segredo nenhum que tenho estima pelo professor Marcelo Rebelo de Sousa, com quem privei de perto muito antes da sua chegada a Belém, pelo que não vou estar com rodeios sobre o meu sentido de voto.

Em relação aos resultados destas eleições presidenciais, dois aspetos parecem merecedores de particular atenção, e reflexão: o estado anémico da esquerda, especialmente a ala mais radical, e a escalada galopante da extrema direita, cujo partido sequer completou dois anos de vida. É óbvio que a decadência de um é inversamente proporcional à ascensão de outro.

Identifico-me com a ideologia esquerdista, mas confesso que já não posso ouvir falar da Catarina Martins, menos ainda do Jerónimo de Sousa. Já não há paciência para ouvi-los a dizer mal de tudo e de todos, o tempo todo, numa atitude típica de quem levou calote da vida. Pessoalmente, acredito que é isso que tem contribuído para o seu tombo ladeira abaixo. Já as últimas legislativas tinham dado a entender isso mesmo...

Enquanto cidadã atenta, sinto que, no momento em que o país mais precisou, eles simplesmente tiraram o corpo fora e optaram por assistir à gestão da crise pandémica da bancada. Fizeram questão de não fazer parte da solução, mas sim da oposição, uma oposição que tudo critica e nada edifica. Nestes últimos meses, o PSD foi mais aliado político do governo do que o PCP e o Bloco de Esquerda juntos. Não pensem eles que este tipo de postura não pesa na decisão dos eleitores. Espero que os respetivos líderes partidários saibam tirar as devidas ilações e repensem a sua estratégia política.

Quanto ao partido da extrema direita, cujo nome considero indigno de aqui ser pronunciado, o meio milhão de votos obtido representa um claro sinal de que a onda racista, fascista, xenófoba, homofóbica, misógina e intolerante não é coisa passageira, muito menos fruto de uma visão populista e demagoga. É sério, e como tal deve ser encarado. Outro dado inquietante prende-se com o facto de esta ala extremista reunir muita simpatia nos estratos sociais mais elevados, precisamente onde se concentram as tomadas de decisões.

Moral da estória: entre uma ala e outra, fico-me pelo Iniciativa Liberal, que esse ao menos tem demonstrado cortesia e respeito pelas regras do jogo.

Por hoje é tudo, voltarei na quarta com novidades sobre as duas lives que vou protagonizar esta semana. Aquele abraço amigo!

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img_818x455$2016_11_10_15_07_12_575213_im_63614387Em estado de choque e negação, ainda busco respostas para a catástrofe política de quarta-feira. Se nunca morri de amores pelo modo americano de ser, agora então... Foi por isso que ontem, apesar de ter estado de folga, não dei as caras por aqui. Na verdade, não dei a cara em lado nenhum. Sem sequer por o nariz fora de casa, passei o dia todo no sofá a ver filmes. Em momentos como esses, em que levo um baque da realidade, a ficção é, sem dúvida, o meu melhor refúgio.

O que me consola é que por cada dez políticos de quinta – os Trash da esfera pública, como lhes chamo – existe, pelo menos, um político digno desse nome. O presidente dos afetos, vulgo Marcelo Rebelo de Sousa, é um desses exemplos capazes de nos fazer resgatar a fé e a confiança numa classe que, supostamente, deve ser a legítima representante dos interesses dos cidadãos.

Por me ter movimentado durante anos na arena diplomática tive o privilégio de com ele privar em várias ocasiões, muito antes da sua chegada a Belém. Na minha perspetiva, uma figura digna, afável, hiperativa, irrequieta, bem disposta, com um sentido de humor apuradíssimo e cumpridor da palavra dada.

Conhecia-o dos media – quem não? – mas o nosso primeiro tête-a-tête foi num seminário na Culturgest, já lá vão uns anitos. Chamou-me logo a atenção o entusiasmo que transmitia na voz, o domínio magistral da oratória e a descontração e espontaneidade com que se chegava a todos. No intervalo desse evento, por sabê-lo sozinho na primeira fila, lá fui eu – na qualidade de responsável pela informação e comunicação de uma missão diplomática – meter conversa, a fim de assegurar-me de que de nada se queixava ele. Dois dedos de prosa depois, éramos praticamente BFFs; tanto assim foi que permiti a captação do momento em imagens, coisa pouco comum na minha postura profissional e pessoal.DSC05201.jpgSou aversa a tirar fotografias com figuras públicas, por mais importantes e mediáticas que estas sejam. Só para teres uma ideia, já estive com o CR7 em duas ocasiões, com vários chefes de estado e de governo, incontáveis ministros, cantores, atores, apresentadores, celebridades nacionais e internacionais e por aí fora, sem nunca ter registado o momento. Até já estive com o (falecido) Kadafi, imagina tu.

De entre todas essas personalidades apenas fiz questão de guardar para a posterioridade o meu momento com o professor Marcelo e com o jornalista e escritor José Rodrigues dos Santos. Os motivos para tal, deixo ao teu critério.

Voltando ao professor, um tempo depois voltei a encontrá-lo num outro evento, desta feita no Palácio Foz. Dado que a Feira do Livro de Lisboa ia arrancar em breve, convidei-o, ainda que informalmente, a visitar o pavilhão do país que representava e no qual ia estar a trabalhar. Aceitou de bom grado o convite e garantiu que daria um saltinho até lá.

Como promessa de político é o que se sabe, ainda mais para alguém cuja agenda estava sempre assoberbada, não depositei muita fé nisso. Qual não foi o meu espanto, e contentamento, quando, no dia combinado, lá me aparece um sorridente Marcelo à frente. Cuscou, indagou, partilhou estórias, comprou, conversou, brincou, pousou para a câmara e até deixou-se levar pelo doce embalo de uma morna, tocada ao vivo na praça em frente. Se dúvidas houvesse, foi nesse dia que me rendi definitivamente aos seus encantos.

Voltei a encontrá-lo em outras ocasiões, sendo a última em maio deste ano, aquando da tomada de posse dos novos órgãos da ordem profissional para a qual estava a prestar serviço. Nessa altura – ele o mais alto magistrado da nação e eu uma mera técnica, ainda por cima contratada a prazo – só me foi possível visualizá-lo ao longe. Sequer tive oportunidade para aquele abraço amigo e votos de um mandato recheado de afetos e consensos.

Lembrei-me de partilhar contigo a minha estória com o presidente dos afetos, a propósito da última imagem dele, que anda a fazer furor nas redes sociais, no qual ele é "apanhado" a engraxar os sapatos numa rua de Lisboa como um simples e comum mortal. Porque o político não passa disso mesmo: um mero mortal no qual o povo confiou para defender os seus interesses e proporcionar-lhe uma vida mais digna, próspera e pacífica.

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Donald Trump 2 sm.jpgNão há alergia (sim, ando, novamente, a braços com uma violenta reação alérgica, ao que tudo indica a um medicamento), braço paralisado (por causa deste novo trabalho tenho tido preocupantes episódios em que perco totalmente a sensibilidade do braço direito), cansaço (depois de mais uma extenuante noite, desta feita dedicada em exclusivo a inventário e auditoria), desmotivação, preguiça ou outro motivo qualquer que me tem impedido de aqui vir com mais frequência que me impeçam de expressar o que me vai na alma neste dia em que o mundo, e eu, voltou a testemunhar novo acontecimento, impensável até um dia atrás.

Choque, incredulidade, preocupação e repúdio são apenas algumas das palavras que me vem à cabeça toda vez que me lembro que o Donald Trump – Trash, para mim – é o novo presidente eleito dos Estados Unidos. E o que mais dói é que ele foi democraticamente eleito. Como é possível?

Tu que me segues há já algum tempo sabes que não sou muito dada a trazer politiquices para este blog, até porque acredito que existam sítios melhores e pessoas mais qualificadas para tal. Sem falar que o mote deste é outro, a solteirice.

Aprecio convictamente a política, a ciência e não o sistema, convém ressalvar. Para desgosto meu tenho acumulado desilusão atrás de desilusão com o estado atual do panorama político, dentro e fora de portas. O sucedido neste histórico dia 8 de novembro de 2016 é, a meu ver, o atestado-mor do estado periclitante e desnorteado da política que se faz nos dias de hoje. O que o mundo assistiu na madrugada desta quarta-feira é demasiado importante (e grave) para não ser merecedor de um post.

Depois do Brexit, que não acreditei ser possível, hoje a minha alma volta a apalermar-se e o meu espírito de cidadã deste mundo global e sem fronteiras volta a vivenciar novo fenómeno estapafúrdio.

Alguém consegue fazer-me entender como uma personagem caricata; uma figura grotesca; um político de quinta, declaradamente xenófobo e fascista; um tarado, para não dizer predador sexual; um gajo simplesmente repugnante consegue chegar à Casa Branca?

E o mais grave é que não foram somente os americanos estúpidos e iletrados que nele votaram. Pelo contrário, a massa eleitoral que o elegeu é composta por pessoas que sabiam muito bem o que estavam a fazer. O que me leva a uma indagação ainda mais arrepiante: se votaram nele é porque concordam, e se identificam, com as ideias delirantes e surrealistas do Trash.

O meu medo, que a cada dia ganha contornos alarmantes, é que a maior economia mundial esteja a enveredar por um caminho perigoso e sem retorno, que pode desembocar num futuro de incertezas, conflitos e intolerância extrema.

O ultra nacionalismo que, de algum tempo para cá, vem ganhando rosto, voz e assento político no velho continente pelos vistos sobrevoou o Atlântico e aterrou na torre de Trump, o aspirante mais improvável da história moderna americana, mas que acaba de receber as chaves do poder.

Talvez um dia a história consiga explicar-me como é que um candidato com o discurso mais arrogante e provocador que alguma vez se assistiu, tratado como uma celebridade inofensiva, uma personagem pitoresca, vai passar a mandar e desmandar nos Estados Unidos, a curto prazo, e em mais de metade do mundo em vias de desenvolvimento e um terço dos já desenvolvidos, a médio prazo.

É com esta hecatombe, um autêntico tsunami político de proporções imprevisíveis e claramente catastróficas, em mente que vou deixar-te. O corpo já reivindica o sono perdido em mais uma noite de labuta. Sei, com toda a certeza, que o corpo vai ceder ao cansaço, mas a cabeça esta deverá permanecer alerta, divagando sobre a improvável vitória da abominável criatura da media, que, a partir de janeiro próximo, atenderá pelo nome de The President of United States of America.

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28
Jun16

Aqui também se fala do Brexit

por Sara Sarowsky

black-adder_770x433_acf_cropped.jpgEste blog é essencialmente um espaço onde se debate assuntos relacionados com a solteirice. Contudo, há outros que são tão atuais, tão pertinentes e tão virais que não faz sentido ficar fora deste nosso espaço de debate e convívio. E por estes dias, só dá Brexit na rede, na televisão, nos jornais, nas conversas de café e até nos escritórios. De entre uma infindável panóplia de conteúdos, esta é aquela que, a meu ver, faz todo o sentido ser aqui partilhado. Depois desta introdução, deixo-te então com este divertido e cativante artigo de Bruno Vieira Amaral, publicado esta segunda-feira no Observador, sobre a emancipação das terras de Sua Majestade da velha-mãe Europa.

Querem o divórcio, é isso? Então vamos às partilhas. Durante anos, tolerámos as vossas escapadinhas, a vossa gastronomia, os vossos hooligans, os turistas em Albufeira, os expat em Albufeira e Albufeira em geral. Fizemos de conta que gostávamos dos Take That, deixámos que um jogador como Michael Thomas fosse titular do Benfica, pedimos que nos mandassem o Vale e Azevedo de volta, aturámos os McCann e fomos tão misericordiosos que só vos eliminámos duas vezes nos penáltis. Em nome da Europa a que orgulhosamente pertencemos esta é a nossa lista de exigências. Esperemos que as vossas futuras gerações tenham a beleza do Boris Johnson e a inteligência do Nigel Farage.

Em nome da Europa a que orgulhosamente pertencemos esta é a nossa lista de exigências, matéria que também nos pertence e da qual não abdicamos:
Adele – Cantou enrolada a uma bandeira portuguesa. Querem mais provas da ligação profunda ao nosso país? Comeu sardinhas e ouviu fado. Um conselho: invistam na desmumificação das Spice Girls ou na recauchutagem da Samantha Fox. A Adele é nossa!

Blur – Durante alguns anos foram os cronistas reais do país real: parques, desempregados, transportes públicos, pessoas com sotaque cockney. Depois abandonaram a vocação paroquial e foram à procura de novos sons na América, em África naquele planeta distante a que só Damon Albarn tem acesso. Ficamos com estes, se não se importam.

Chá das cinco – What goes around, comes around. Já se devem ter esquecido, mas foi uma portuguesa, Catarina de Bragança, que levou para essas terras bárbaras o hábito civilizado de que tanto se vangloriam. It’s payback time, bitches!

Comentários no The Guardian – Não desfazendo dos excelentes comentários dos leitores do Observador (que leio religiosamente), não há nada que se compare às caixas de comentários do The Guardian. É verdade que temos acesso ao site em qualquer lugar do mundo, excepto na Coreia do Norte e na Carruagem 2 do Intercidades, mas achámos por bem "europeizar" este monumento à liberdade de imprensa.

Harry Potter – É do conhecimento geral que se J.K. Rowling não tivesse vivido no Porto no início da década de 90 nunca teria criado Harry Potter. De acordo com a lei de propriedade intelectual em vigor na Europa continental (e que acabei de inventar), isso confere-nos direitos sobre qualquer personagem de ficção inventada por ela, mesmo que assine com um pseudónimo masculino.

Helen Mirren – Aos 70 anos está mais sexy do que nunca. Retirem-lhe o título, insultem-na, façam o que quiserem, o certo é que a Europa lhe fica muito bem e ela fica muito bem à Europa.

Hugh Grant – A pensar na vossa reputação, concluímos que seria melhor extirpar-vos deste senhor que ocupa os tempos livres a receber prazer oral de travestis. Estamos em crer que o eleitorado do UKIP não terá qualquer objecção.

Isabel II – Eu sei, eu sei, vocês agora gostam todos muito da senhora, ela é o garante da união, o último e duradouro símbolo das vossas manias imperiais, mas aqui no continente também nos faz falta uma figura unificadora e unânime. Não se preocupem, na volta mandamos a Letizia e a Teresa Guilherme.

James Bond – Vai custar, mas tudo na vida tem o preço. Além disso, Sean Connery é escocês, Pierce Brosnan é irlandês, portanto sabemos bem de que lado é que eles estão. E não é do vosso. Como também ficam sem a rainha, não vão precisar de um espião ao serviço de sua majestade.

Jarvis Cocker – Este foi o homem que escreveu "Disco 2000" e "Common People" e pensavam que podiam ficar com ele? Nem pensar!

Julian Barnes – Num ano em que teve uma grande alegria com o triunfo do Leicester na Premier League, vocês tinham de lhe estragar a vida com isto do Brexit. Saibam que este é o mais continental dos vossos escritores, apaixonadíssimo pela cultura francesa, portanto, nem vão dar pela sua falta. Au revoir!

Keith Richards – De início pensámos em reclamar os Rolling Stones, mas como prova da nossa generosidade e boa-fé cumprimos o dever doloroso de vos deixar Mick Jagger, Ron Wood e aquilo que resta do Charlie Watts. Sim, somos péssimos negociadores, mas temos este coração de "beurre". Nada a fazer.

Martin Amis – Aos 66 anos, cheio de rugas e sem a frescura dos tempos de Money, o filho de Sir Kingsley continua a ser o “enfant terrible” da literatura inglesa. Ora, "enfant terrible" não é uma expressão muito inglesa, pois não? É nosso, temos pena.

Mo Farah – Os vossos branquelas já não dão uma para a caixa? Onde é que andam os Sebastian Coe? Já não bastava terem subtraído os mármores aos gregos ainda têm de roubar um atleta destes à Somália? Sempre a bater nos pequeninos. Fica connosco com a promessa de o devolvermos à Somália assim que possível.

Noddy – Esta é pessoal, desculpem lá qualquer coisinha. O Noddy irritava-me bastante, confesso, mas depois de ter passado os primeiros anos de vida do meu filho a ver repetidamente clássicos como "Noddy Salva o Natal" ou o "Pó Mágico da Lua", sinto que é meu dever enquanto pai resgatar o Noddy das vossas garras. Além disso, antes da chegada da Uber, era o único motorista simpático que eu conhecia.

Página 3 do The Sun – Esclareçam-me só uma coisa: já acabaram com as maminhas ao léu? Em caso afirmativo, a página 3 é toda vossa.

Premier League – Essa grande instituição puramente inglesa tem de passar a Mancha. Quer dizer, nós mandamos Mourinho, Guardiola, Wenger, Ranieri, Klopp, Hazard, Ozil, Martial e o magnífico Robert Huth e ainda têm o desplante de achar que a Premier League é vossa? Não brinquem com coisas sérias. Ouvi dizer que o campeonato escocês vai ser muito animado no próximo ano.

Roger Scruton – Nos divórcios são sempre as crianças que sofrem mais. E os politólogos. Assim, rogamos a vossas excelências que nos seja atribuída a guarda de Roger Scruton e, em troca, ficam com o João Carlos Espada, que nos poderá visitar de quinze em quinze meses e nas férias de Natal dos anos bissextos.

Rolls Royce – Não é que eu tenha intenção de (nem dinheiro para) comprar um, mas não quero que a lembrança dos tempos áureos do Herman seja conspurcada por este símbolo da vossa arrogância aristocrático-industrial.

Rowan Atkinson – O Bean, sobretudo depois dos filmes americanos, é perfeitamente detestável, eu sei. Porém, vive na minha memória cada um dos episódios do "Blackadder". Very british, não é? Pois, mas a ideia é fazer-vos sofrer um bocadinho.

Steve McQueen – Se pensarem bem (e caso tenham dúvidas perguntem ao Nigel Farage), o Steve McQueen não vos faz falta. Têm o Ken Loach e o Mike Leigh para fazer filmes sobre a vidinha inglesa, desemprego, aborto e outros temas fracturantes. A nós dá-nos jeito um McQueen. Prometemos não o enviar para certas zonas da Polónia e da Hungria.

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Hoje é dia de legeslativas na Tugaland, um bom mote para este post, mais não seja para animar este domingo insosso, cinza e pluvioso, com alertas multicolores para vários distritos do país.

 

Voltando às eleições, que o propósito desta publicação é dissecar este tema e não a meteorologia, importa referir que a je aqui não vota, aliás jamais resenseou-se, nem no seu país de origem e nem neste do qual se apropriou há já alguns anos. Sim, sou emigrante e como cidadã residente, e não nacional, não estou autorizada a dar palpites sobre a gorvernação interna. O que até é compreensível. Mas, ao menos posso opiniar, que é este é um direito do Estado democrático, independentemente do meu estatudo jurídico.

 

Nunca votei e não me vejo a mudar de posição, simplesmente porque sou contra a logística da coisa. Afinal, o povo - aquele que tem o poder nas mãos - confere esse mesmo poder a certas pessoas, que lhes prometem mundos e fundos e depois nunca mais lhes põem a vista em cima, a não ser através da televisão, da internet e de eventos nos quais ficam (quase) sempre bem na fotografia.

 

Dias, semanas, até mesitos, antes de precisarem novamente do bendito povo (e do seu poder, claro está!), os mesmo fulanos, e mais uns tantos recém-chegados à arena política, logo ávidos por protagonismo, voltam a dar o ar da sua graça, tratando-nos como BFF (vulgo best friend forever). São beijos para aqui, abraços para acolá, apertos de mão pelo meio, palmadinhas nas costas por detrás, sorrisos a torto e a direito (que esses não pagam impostos. Pelo menos por enquanto). E mais promessas, obviamente, que essas assumem o papel principal durante a disputa, mas misteriosamente saem de cena quando a conquista se efetiva.

 

É esse sistema e a forma como ele beneficia umas centenas de indivíduos, em detrimento de outros tantos milhões, que faz com que opte por manter-me longe destas cenas de politiquice, não obstante reconhecer na minha pessoa um talento inato, logo inegável, para a coisa. Apesar dessa constatação, não é de todo minha intenção dar corda a essa tendência, na medida em que sou consciente de que jamais poderia ser bem sucedida nesta matéria. Digo o que penso e penso o que digo e essa postura, o meu fado (para o bem e para o mal), que já um pesadelo social, tornar se ia, sem dúvida, um suicídio político, e quiçá até físico.

 

Cá estou eu novamente a dispersar-me, não que seja de todo reprovável, já que é uma caraterística associada a mentes criativas, espíritos indagadores e almas generosas, mas que faz com que perca o fio à meada. E a meada são as eleições deste domingo, 4 de outubro.

 

Nunca assumi nenhuma cor partidária, tão pouco afiliação, mas confesso que identifico-me mais com a filosofia da esquerda. E quando digo esquerda, refiro-me essencialmente ao PS e ao Bloco de Esquerda, este último uma inesperada e inspiradora revelação na pessoa da Catarina Martins, uma mulher do tipo comum, mas com uns olhos de luxo, uma visão clarividente, uma língua proativa e um competente jogo de cintura. Admiro-a, não tenho como negar, e espero vê-la, em breve, no elenco governamental.

 

Quanto ao outro candidato da esquerda, o Costa (que não é do Castelo, mas que, por algum tempo, foi o seu soberano), digo que gosto do homem. Na verdade sempre gostei. Encontrei-me com ele algumas vezes, em contexto profissional, e o senhor despertou-me uma simpatia inusual. Talvez por ter sido tão generoso para com o meu país e a gente da minha terra. Talvez por não ser 100% caucasiano. Talvez por ter aquele ar bonacheirão e astuto. Talvez por ser socialista...

 

Ainda assim, não estou plenamente convencida de que ele será "aquele" chefe de Governo de que o país anda tão necessitado. Durante os últimos meses, o candidatado atolou-se diversas vezes, noutras até se estatelou ao comprido. Ainda não degeri por completo a sua postura para com o Seguro (alguém ainda se lembra deste persona?) e muito menos as promessas, no mínimo fantasiosas, que andou por aí a apregiar, à vontade do freguês. Mas mal por mal fico com ele, que os outros (P e P) não estão com nada.

 

O facto é que, se me fosse permitido palpitar, prefiro que ganhe o PS, sem maioria absoluta, de modo a ver-se obrigado a coligar-se com o Bloco. Só assim teríamos oportunidade de apreciar de camarote um indivídio do sexo feminino a assumir o papel (semi) principal nos destinos do país.

 

Entre o que esteve no poder nos últimos anos (não há isenção ou sutileza que disfarce que me refiro ao PSD e ao CDS) e o que pode vir a estar, fico com a última opção, uma vez que o primeiro já deu provas mais do que dadas do que dele podemos (e devemos) esperar. Pelo menos, um novo elenco terá a possibilidade de surpreender (pela positiva ou pela negativa, a essa altura do campeonato tanto se me dá), enquanto que a coligação, que batalhou incansavelmente por um segundo mandato, há muito perdeu essa habilidade.

 

O que me conforta o espírito é que, como não tomei parte na decisão, não me poderei queixar de ter dado o meu voto a quem não o soube honrar, e muito menos exigir que cumpra a(s) promessa(s) que me foram feitas quando de mim precisaram. Assim sendo, deixo-me estar por casa, no recesso do meu lar, a acompanhar o desenrolar dos acontecimentos através dos media e torcer para que a vontade do povo se faça.

 

Para aqueles que (ainda) vão às urnas, façam-no em consciência! Para aqueles, que como eu, vão ficar apenas na torcida, que vença o que reunir a nossa simpatia!

 

Bom domingo para todos nós (votantes ou apenas expetantes).

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