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Crónicas, contos e confissões de uma solteira gira e bem resolvida que não cumpriu o papel para o qual foi formatada: casar e procriar. Caso para cortar os pulsos ou dar pulos de alegria? Provavelmente, nem uma coisa nem outra!

23
Fev22

250BD434-A004-42D5-BE4C-555509BB8756.jpegOra viva! ✌️ 

Já é do teu conhecimento que tenho uma nova crush lá no ginásio. Onde mais? 😉 Depois de uma paixonite aguda de cinco anos pelo tal rapaz lá do ginásio, cujo nome nunca assumi publicamente, mas que agora digo, Nuno, voltei a meter-me numa nova enrascada, ainda que com contornos bem diferentes.

Ao contrário do primeiro, de quem nunca ouvi sequer a voz, com este, um personal trainer, tive eu a presença de espírito suficiente para meter conversa, chegando ao ponto de com ele abordar temas atípicos do ambiente ginásio, quase exclusivamente à volta do desporto, com bem sabes. Já falámos de covid, espiritualidade, reencarnação, vidas passadas, terrorismo, bullying, pornografia, histórias de infância, atualidade e futebol.

Agora que penso nisso, é-me claro que, na maioria das vezes, eu fui a emissora e ele um mero ouvinte, ainda que atento e interessado. A dinâmica do nosso parlapiê trissemanal - mais ao sábado, que nos outros dias ele está ocupado a fazer suar um cliente, pelo que só há margem de manobra para um breve olá – ficou comprometida no último sábado, quando, nem me recordo como, a conversa chegou à política. Meu pai do céu, nesse dia o meu mundo caiu, o meu coração ficou estilhaçado e a minha alma aparvalhada.

A certa altura, começamos a falar de futebol e ele assumiu que o Bruno de Carvalho (BC) foi um ótimo líder para o Sporting e que o Varandas só está a recolher os louros que o antecessor semeou. Não se tratava de nenhuma novidade para mim, que há muito sabia que ele era adepto ferrenho do agora ex-Big Brother Famosos. Aliás, foi precisamente por esse motivo que removi a amizade com ele no Facebook, por não aguentar mais as suas publicações pró-BC, mesmo aquando do ataque à Academia de Alcochete. 

Em jeito de provocação, retruquei que o BC era um projeto de déspota e que pessoas assim não fazem falta em lado nenhum. Não me recordo com exatidão como é que o nome de Donald Trump veio à baila. O que sei é que fiquei estupefacta quando o dito cujo proferiu com toda a convicção deste mundo que ele foi o melhor presidente que os Estados Unidos da América já tiveram. Mal ouvi isso, as sirenes de alerta passaram de vermelho a púrpura em questão de nanossegundos. Ao questionar-lhe se falava a sério, rematou: "Claro que sim, e não te esqueças do Bolsonaro, de quem sou admirador!"

Incapaz de segurar a língua, interpelei-o nestes termos: "Só falta dizeres que o Ventura não é uma aberração!", ao que ele respondeu com todo o orgulho que não. Com uma visível dificuldade em acreditar naquilo que os meus ouvidos tinham acabado de escutar, mal sabia eu que outra atrocidade estava para ser expelida da boca dele, numa espécie de autoexorcização compulsiva.

Caiu-me tudo quando ele disse que Portugal está no estado em que está por causa das políticas de esquerda, as quais apenas servem para alimentar parasitas (entenda-se subsídiodependentes) e sustentar jobs for the boys (entenda-se compadrio/amiguismo). Foi nessa altura que citou Mário Soares, pessoa que, segundo palavras do próprio, "abriu mão das colónias".

Mesmo consciente dos tímpanos alheios que assistiam descaradamente ao nosso duelo verbal, disse-lhe "Abriu mão? Deves estar a brincar comigo, só pode! Esqueces que estás a falar com alguém das colónias? Como é que se abre mão de algo que não nos pertence, explica-me! Tenho que te lembrar que quando os portugueses chegaram em África, com exceção de Cabo Verde, esses territórios já tinham dono, já eram habitados pelos seus legítimos proprietários: os africanos?"

Dos argumentos prós e contras, de parte a parte, que se seguiram nem vale a pena fazer referência. O que importa frisar é que ficou transparente que ele é da extrema direita, uma ideologia política que choca com tudo aquilo que acredito e defendo. Quando ele saiu-se com aquela velha história de que "pelo menos não era racista", só consegui responder-lhe: "Era só o que te faltava para completar o pacote: fascista, imperialista, colonialista e racista!"

Como bem sabes, tenho por princípio de vida respeitar as opiniões alheias, sobretudo as contrárias à minha. O que não concebo é a ideia de estar apaixonada por alguém que assume na cara dura que votou no Chega e que é fã dos políticos que mais volta me dão ao estômago. Isso não. Jamais, em tempo algum!

Não lhe disse isso diretamente, até porque ele nem desconfia do meu interesse amoroso, mas fui sincera ao confessar-lhe que o meu coração estava partido e que nunca tinha imaginado que ele era esse tipo de pessoa. Às tantas, ele só conseguia dizer: "Não penses que sou má pessoa, todos nós somos da direita, ainda que não admitamos". Meio a brincar, eu só repetia: "Não quero mais falar contigo, não quero olhar para ti, não quero pensar em ti!"

Ontem, a primeira vez que nos vimos depois desse momento que deu uma machadada fatal em qualquer pretensão romântica para com a sua pessoa, ele veio ter comigo, todo sem jeito, cumprimentou e chamou-me "miúda da direita". A única coisa que lhe disse foi: "Nem me lembres, que eu ainda estou a digerir!"

Eu até acho que ele pode ser boa pessoa. Só não é boa pessoa para eu me apaixonar. Se o quisesse apenas para dar umas voltas, seria bem capaz de relevar o nosso antagonismo ideológico. Como não é o caso, só me resta lamentar a perda de mais uma oportunidade para encontrar um homem que valha a pena. O que mais dói é que, a olho nu, ele é a personificação do meu tipo ideal: alto, magro, tonificado, adepto da vida saudável, sorriso bonito, dentadura perfeita, discreto, bom papo e da mesma faixa etária.

Que sina esta minha... E assim vai indo a (não) vida amorosa desta tua solteira favorita. Beijo no ombro e até sexta!

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30
Jan17

21e230d9fe4a07db020e75433e9ae160_original.jpgOra viva!

Nesta última segunda-feira do primeiro mês do novo ano, escrevo-te de um dos sítios mais improváveis e desinspiradores que imaginar possas: o centro de (des)emprego. Enquanto aguardo a minha vez, tal e qual a ovelha à espera de entrar para a sala do abate, vou alinhavando as ideias para a crónica do dia. Mas isto de escrever no tablet não é nada prático, pelo contrário.

Depois da gazeta de sexta, esta semana começa com novidades, prometedoras e dolorosas q.b.. A primeira acabei de contar. Manhã de segunda-feira à porta do IEFP é a treva. Como se não bastasse o tempo que se perde entre chegar lá, esperar a vez, ser atendida e voltar para casa, cada vez que lá ponho os pés é como se de um lembrete da minha precariedade laboral e financeira se tratasse. Podiam poupar-me dessa, mas como precisava mesmo da declaração para entregar no SEF, de pouco adianta estar a inflamar.

Na semana passada predispus-me a dois blind dates e em ambos acabei a ver navios. O primeiro, três dias depois, veio com a justificação de que tinha perdido o telemóvel, logo não tinha como avisar-me que ia ficar pendurada. Nesse dia, até tinha posto make up, vê lá tu a minha pouca sorte. O segundo, três horas antes, informa-me que apanhou um resfriado, pelo que haveríamos de marcar para outro dia. Moral da estória: depois de dois "bolos", num espaço de três dias, estão suspensas (por tempo indeterminado) qualquer tipo de contacto com o sexo oposto. Está mais do que claro de que isso só me vai custar expectativas goradas e desperdício de tempo e produção feminina.

Sendo assim, há que apontar a artilharia para outros campos. O ginásio, por exemplo. Quatro meses depois (o primeiro marcado pela preguicite aguda, o segundo por aquele trabalho noturno, o terceiro pelo desvio na cervical e o quarto pela falta de verba), volto hoje ao ativo. Para além das dores com que vou ficar nos próximos dias (por mais que me custe admitir, este corpinho que é meu e do qual muito me orgulho já não reage com a desenvoltura de antes), quero só ver como vão reagir a coluna e o coração. A primeira é fácil de gerir, agora a segunda... tem que se lhe diga, pois vou voltar a privar com o rapaz lá do ginásio, que não vejo desde o verão. Ai esse meu pobre músculo turbinado a O+, é muita emoção para uma solteira só.

Bem, finalmente, chegou a minha vez de ser atendida. Deixo-te com aquele abraço amigo e a promessa de que voltarei amanhã, fresca, fofa e dorida. Como se diz na língua de Shakespeare: No pain, no gain!

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23
Set16

 

913621.jpgSalvaguardando o respeito pela intimidade e vida privada alheia, esta não posso deixar de te contar. Até porque coisas boas valem sempre a pena serem partilhadas. Há dias, um seguidor deste (nosso) espaço mandou-me uma mensagem, que mais não era que um S.O.S. amoroso.

Após leu aquele meu artigo onde escrevia uma carta ao tal rapaz lá do ginásio, o dito – trintão, romântico, aventureiro e sonhador, como ele próprio assume – achou boa ideia enviar uma carta de amor à dona do seu coração. E a mim recorreu por ter jeito com as palavras.

Segundo ele: "A menina faz muito bom uso das palavras, uso esse que me pode ajudar a conquistar o afeto da pessoa por quem estou enamorado há já algum tempo, mas a quem não tenho coragem de me declarar, pois fico nervoso e não sei usar as palavras certas. Depois de ter o teu artigo, pensei que me poderias ajudar a escrever-lhe uma carta, retomando um costume antigo e bastante eficaz, onde exponho os meus sentimentos. Gostaria de lhe demonstrar que as minhas intenções para com ela são as melhores, mas sem parecer lamechas ou desesperado. Achas que me podes ajudar?".

Como deves imaginar, nem me passou pela cabeça negar-lhe este favor. Aliás, foi com alegria e orgulho que encarei tal pedido. Saber que há quem conte connosco para resolver uma situação; mais do que isso, saber que podemos contribuir (efetivamente) para a felicidade de outro ser é algo que é-me verdadeiramente caro e que me faz sentir mais pessoa, logo mais merecedora do meu lugar no mundo.

Meia dúzia de mensagens depois – era imperativo que eu soubesse um pouco da sua amada e do tipo de contacto existia entre eles –, lá pari a dita carta de amor, a qual teria todo o gosto em partilhar contigo, caso obtenha a permissão das partes envolvidas.

Caprichei na coisa, pelo que, modéstia à parte, a dita é capaz de derreter o coração da mais insensível das criaturas. E não é que surtiu o efeito desejado? A rapariga, que ao que parece também já estava de olho no nosso Romeu, pura e simplesmente deixou-se render ao amor e aceitou de bom grado a manifestação de interesse dele.

Isso aconteceu há coisa de duas semanas e, tanto quanto sei, a relação deles vai de vento em popa. Na sequência do follow-up da praxe – sou cusca, assumo! –, fiquei a saber que "as coisas não poderiam estar melhor entre nós", palavras do próprio.

Já viste isto? Quando poderia eu imaginar que a ideia de uma lettre d'amour ao objeto do meu afeto poderia ser "franchisada" para afeto alheio? Se a moda pega, quem sabe não passe a fazer disso o meu ganha-pão. Assim, no futuro quando me perguntarem qual a minha profissão, em vez de desempregada, direi com todo o orgulho: "escritora de cartas de amor".

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