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Crónicas, contos e confissões de uma solteira gira e bem resolvida que não cumpriu o papel para o qual foi formatada: casar e procriar. Caso para cortar os pulsos ou dar pulos de alegria? Provavelmente, nem uma coisa nem outra!

30
Jan17

21e230d9fe4a07db020e75433e9ae160_original.jpgOra viva!

Nesta última segunda-feira do primeiro mês do novo ano, escrevo-te de um dos sítios mais improváveis e desinspiradores que imaginar possas: o centro de (des)emprego. Enquanto aguardo a minha vez, tal e qual a ovelha à espera de entrar para a sala do abate, vou alinhavando as ideias para a crónica do dia. Mas isto de escrever no tablet não é nada prático, pelo contrário.

Depois da gazeta de sexta, esta semana começa com novidades, prometedoras e dolorosas q.b.. A primeira acabei de contar. Manhã de segunda-feira à porta do IEFP é a treva. Como se não bastasse o tempo que se perde entre chegar lá, esperar a vez, ser atendida e voltar para casa, cada vez que lá ponho os pés é como se de um lembrete da minha precariedade laboral e financeira se tratasse. Podiam poupar-me dessa, mas como precisava mesmo da declaração para entregar no SEF, de pouco adianta estar a inflamar.

Na semana passada predispus-me a dois blind dates e em ambos acabei a ver navios. O primeiro, três dias depois, veio com a justificação de que tinha perdido o telemóvel, logo não tinha como avisar-me que ia ficar pendurada. Nesse dia, até tinha posto make up, vê lá tu a minha pouca sorte. O segundo, três horas antes, informa-me que apanhou um resfriado, pelo que haveríamos de marcar para outro dia. Moral da estória: depois de dois "bolos", num espaço de três dias, estão suspensas (por tempo indeterminado) qualquer tipo de contacto com o sexo oposto. Está mais do que claro de que isso só me vai custar expectativas goradas e desperdício de tempo e produção feminina.

Sendo assim, há que apontar a artilharia para outros campos. O ginásio, por exemplo. Quatro meses depois (o primeiro marcado pela preguicite aguda, o segundo por aquele trabalho noturno, o terceiro pelo desvio na cervical e o quarto pela falta de verba), volto hoje ao ativo. Para além das dores com que vou ficar nos próximos dias (por mais que me custe admitir, este corpinho que é meu e do qual muito me orgulho já não reage com a desenvoltura de antes), quero só ver como vão reagir a coluna e o coração. A primeira é fácil de gerir, agora a segunda... tem que se lhe diga, pois vou voltar a privar com o rapaz lá do ginásio, que não vejo desde o verão. Ai esse meu pobre músculo turbinado a O+, é muita emoção para uma solteira só.

Bem, finalmente, chegou a minha vez de ser atendida. Deixo-te com aquele abraço amigo e a promessa de que voltarei amanhã, fresca, fofa e dorida. Como se diz na língua de Shakespeare: No pain, no gain!

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23
Set16

 

913621.jpgSalvaguardando o respeito pela intimidade e vida privada alheia, esta não posso deixar de te contar. Até porque coisas boas valem sempre a pena serem partilhadas. Há dias, um seguidor deste (nosso) espaço mandou-me uma mensagem, que mais não era que um S.O.S. amoroso.

Após leu aquele meu artigo onde escrevia uma carta ao tal rapaz lá do ginásio, o dito – trintão, romântico, aventureiro e sonhador, como ele próprio assume – achou boa ideia enviar uma carta de amor à dona do seu coração. E a mim recorreu por ter jeito com as palavras.

Segundo ele: "A menina faz muito bom uso das palavras, uso esse que me pode ajudar a conquistar o afeto da pessoa por quem estou enamorado há já algum tempo, mas a quem não tenho coragem de me declarar, pois fico nervoso e não sei usar as palavras certas. Depois de ter o teu artigo, pensei que me poderias ajudar a escrever-lhe uma carta, retomando um costume antigo e bastante eficaz, onde exponho os meus sentimentos. Gostaria de lhe demonstrar que as minhas intenções para com ela são as melhores, mas sem parecer lamechas ou desesperado. Achas que me podes ajudar?".

Como deves imaginar, nem me passou pela cabeça negar-lhe este favor. Aliás, foi com alegria e orgulho que encarei tal pedido. Saber que há quem conte connosco para resolver uma situação; mais do que isso, saber que podemos contribuir (efetivamente) para a felicidade de outro ser é algo que é-me verdadeiramente caro e que me faz sentir mais pessoa, logo mais merecedora do meu lugar no mundo.

Meia dúzia de mensagens depois – era imperativo que eu soubesse um pouco da sua amada e do tipo de contacto existia entre eles –, lá pari a dita carta de amor, a qual teria todo o gosto em partilhar contigo, caso obtenha a permissão das partes envolvidas.

Caprichei na coisa, pelo que, modéstia à parte, a dita é capaz de derreter o coração da mais insensível das criaturas. E não é que surtiu o efeito desejado? A rapariga, que ao que parece também já estava de olho no nosso Romeu, pura e simplesmente deixou-se render ao amor e aceitou de bom grado a manifestação de interesse dele.

Isso aconteceu há coisa de duas semanas e, tanto quanto sei, a relação deles vai de vento em popa. Na sequência do follow-up da praxe – sou cusca, assumo! –, fiquei a saber que "as coisas não poderiam estar melhor entre nós", palavras do próprio.

Já viste isto? Quando poderia eu imaginar que a ideia de uma lettre d'amour ao objeto do meu afeto poderia ser "franchisada" para afeto alheio? Se a moda pega, quem sabe não passe a fazer disso o meu ganha-pão. Assim, no futuro quando me perguntarem qual a minha profissão, em vez de desempregada, direi com todo o orgulho: "escritora de cartas de amor".

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