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Crónicas, contos e confissões de uma solteira gira e bem resolvida que não cumpriu o papel para o qual foi formatada: casar e procriar. Caso para cortar os pulsos ou dar pulos de alegria? Provavelmente, nem uma coisa nem outra!

04
Abr22

A cor do desejo

por Sara Sarowsky

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Ora viva! ✌️

Hoje trago-te a minha contribuição para o II Volume da Antologia Mulheres & Seus Destinos, uma iniciativa das minhas conterrâneas Lena Marçal e Joana Nogueira e cujas receitas (direitos de autor e venda) revertem-se a favor de uma instituição cabo-verdiana de apoio a crianças com vulnerabilidade especial. 

A cor do desejo

Dentro da suíte, o ambiente era simplesmente explosivo. Em momento algum da sua calejada vida sexual imaginou Ben que pudesse desejar tanto uma mulher. O contraste das suas peles, o modo como os seus corpos se encaixavam na perfeição e a forma como Mia respondia às suas investidas, e ele próprio reagia à sensualidade dela, fê-lo ter a certeza de que tinham nascido um para o outro: ele para amá-la, ela para satisfazê-lo.

Estava embriagado de amor, inebriado de prazer, intoxicado de desejo. Ele da cor de leite condensado, ela da cor de chocolate quente. Ele faminto, ela ávida. Ele ansioso, ela expectante. Ele poderoso, ela soberana. No instante em que sentiu aquela boca carnuda apossar-se do vórtice da sua masculinidade, Ben soube que estava irremediavelmente preso aos seus encantos, para sempre embeiçado por ela...

Tal constatação teve um efeito avassalador na sua libido, arrasador no seu coração. Foi acometido por um medo irracional. Acima de tudo, temia ser correspondido. Se ela sentisse o mesmo, arrependimento nenhum deste mundo os poderia valer. Se se permitisse consumar esse desejo, para todo o sempre estaria a sua felicidade dependente de outra pessoa.

Demasiada intensidade assustava. Tamanha atração confundia. Tanta vulnerabilidade mortificava. Ter consciência de que aquela seria a única oportunidade que dispunha para desfrutar dela - do seu corpo voluptuoso, da sua boca sensual, do seu olhar sedutor, do seu sorriso tentador, do seu espírito encantador e da sua atitude misteriosa - só contribuía para aumentar ainda mais o seu desconforto.

Por mais que quisesse nela enterrar a sua espada de guerreiro do amor, afiada como jamais a sentira em nenhuma outra ocasião, Ben sabia que consumar essa paixão ditaria o fim da vida que conquistara, aquela que escolhera para si e pela qual tanto batalhara. Em nome do seu conforto pessoal, em abono da sua harmonia familiar, no interesse da sua estabilidade patrimonial, conteve-se, a escassos segundos de desferir o golpe fatal.

A excitação que se tinha apoderado do seu corpo era de tal magnitude que a cabeça latejava, a respiração falhava, o coração galopava. Ter aquela deusa de ébano seria simultaneamente a glória e a ruína, o céu e o inferno, o sucesso e o fracasso... Sabendo que se a possuísse não mais voltaria a desejar outra mulher pelo resto da vida, Ben optou por abrir mão dela. Deles. De si próprio...

A garganta seca, as mãos usadas, o olhar alucinado, o coração acelerado, a respiração entrecortada e a majestosa ereção que teimava em consumir-lhe as entranhas eram indícios mais do que evidentes de que, a provar dela, para o resto da sua vida ficaria viciado. Sentia-se a personificação da frustração: libidinosamente potente, emocionalmente impotente, humanamente incompetente.

Ver Mia deixando o quarto, saindo da sua vida, foi tão intenso que por pouco não desabou sobre a cama. Impediu-o a dignidade de se ajoelhar e implorar para ela ficar. Temia o momento em que se abrisse a porta, atrás da qual adivinhava estar a sua esposa, à escuta, à espera, à míngua.

A Ana disse depois que o casamento tinha sido o motivo pelo qual não tinha sido capaz de concretizar a fantasia de ter uma aventura sexual com uma negra. Entendeu ela tal confissão como uma poderosa declaração de amor, pelo que aterrou nos seus braços possuída por um ímpeto há muito relegado à memória dos primeiros meses do namoro, onde a atração sexual era presença assídua e o prazer físico uma necessidade constante.

Amaram-se com loucura, com urgência, com desespero, assolados por uma ânsia primitiva, incontrolável, inconfessável. Cada um por razões distintas. Ele para aliviar o tesãom acumulado e aplacar o desejo insaciado. Ela para recompensá-lo por ter resistido à tentação de ter sexo consentido com aquele orgasmo ambulante chamado Mia.

Soube ele no momento em que penetrou a sua esposa Ana que jamais voltaria a desfrutar do seu corpo sem pensar na misteriosa criatura que por breves instantes tivera nos braços, uma mulher que irrompeu na sua vida feito tempestade tropical, para lhe despertar um desejo selvagem, abrasador, arrasador, que até então ignorava possuir.

Ana, grata, lisonjeada e apaixonada, entregou-se sem qualquer reserva, pudor ou complexo. Entregou-se como nunca antes o tinha feito, sedenta de prazer, faminta de amor. O que jamais lhe passou pela cabeça é que aquela paixão toda não lhe pertencia, nunca lhe pertenceu, jamais lhe pertencerá...

Quanto a Mia... bem isso é assunto para outro conto, disponível em breve num site perto de ti. 😉

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16
Nov20

Mulher... a causa que nos une

por Sara Sarowsky

6F5DF041-9ABE-4601-AAD9-60532FD9D248.jpegOra viva! ✌️ 

O fim de semana foi de confinamento, contudo a semana arranca com sol e temperatura amena, auspiciosos indicadores de que os próximos dias poderão trazer boas notícias, sobretudo no que toca ao número de casos diários de infeção pelo novo coronavírus.

A sede do meu trabalho, após detetado o surto que levou-me a fazer o teste da Covid, estará encerrada durante esta semana, não obstante já terem procedido à desinfeção das instalações. Como estou em teletrabalho, este é um constrangimento que me passa ao lado. Lamento pelos meus colegas que ficaram infetados e espero que recuperem totalmente.

No último post, dei conhecimento de que seria uma das apresentadoras da sessão de lançamento, em Lisboa, da antologia Mulheres e Seus Destinos, um projeto literário de cariz solidário ao qual associei-me com alma e coração. Em jeito de balanço, tenho a dizer que foi um evento memorável, salpicado de momentos inesquecíveis. Testemunhar a forma como um grupo de mulheres - bem heterogénio, diga-se de passagem - abraçou esta causa, cujas receitas revertem na totalidade para duas associações cabo-verdianas de apoio a vítimas da violência e do cancro, renovou em cada uma das presentes a convicção de que sozinhas podemos até conquistar batalhas, mas somente juntas seremos capazes de ganhar a guerra e conquistar o mundo.

Pleonasmo à parte, mulheres unidas jamais serão vencidas, e a tarde de sexta-feira é disso uma prova inequívoca. Caso tenha despertado a tua curiosidade, este link dar te á acesso ao vídeo da cerimónia (a minha intervenção começa ao minuto 24).

Por hoje é tudo, estarei de volta na quarta-feira com o novo mantra para combater o stress: comer, dormir e 'sexar'.

Aquele abraço amigo!

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123730225_186065906332985_4728890825230807272_o.jpViva!

Hoje é sexta-feira 13, data pouco auspiciosa para muitos, sobretudo os mais supersticiosos. Como faço questão de fazer parte da minoria otimista, nada tenho contra o malfadado dia, pelo contrário. Coisas boas costumam acontecer-me às sextas-feiras 13 e hoje é um bom exemplo disso.

Logo pela manhã fui agraciada com uma excelente notícia: testei negativo para a Covid. Há um surto no meu trabalho, e apesar de só lá ter estado uma única vez em cinco semanas, recomendaram-me que efetuasse o teste, até por uma questão de prevenção. Foi o meu primeiro susto em relação ao novo coronavírus, quanto bastou para que redobre as medidas de proteção, não vá a sorte decidir jogar à roleta russa comigo numa próxima vez.

Outro acontecimento bom deste dia será a apresentação do livro Mulheres e Seus Destinos. Assim, logo mais, estarei no Centro Cultural de Cabo Verde para apresentar aquela que é uma antologia que reúne mais de 180 contributos de autoras (conhecidas e anónimas) à volta da temática mulher. A obra, uma iniciativa de Lena Marçal e Yara Santos e lançada em novembro do ano passado na Cidade da Praia, comporta uma vertente solidária, com a totalidade das receitas arrecadas com a sua venda a reverterem a favor de associações cabo-verdianas de apoio às mulheres vítimas de violência e de cancro.

Agora é a vez da capital portuguesa acolher a sua apresentação, cuja sessão será transmitida em direto, a partir das 18 horas locais (17 em Cabo Verde), nesta página do Facebook. É para mim uma grande honra estar associada a este projeto, honra essa que faço questão de partilhar contigo que tem acompanhado a minha caminhada ao longo dos últimos cinco anos. Conto com a tua presença, lembra-te que é por uma boa causa. 

Estarei de volta para a semana, até lá deixo-te com aquele abraço amigo!

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