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Crónicas, contos e confissões de uma solteira gira e bem resolvida que não cumpriu o papel para o qual foi formatada: casar e procriar. Caso para cortar os pulsos ou dar pulos de alegria? Provavelmente, nem uma coisa nem outra!

18
Mar22

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Ora viva! ✌️ 

Que belo dia que se faz hoje, não? Sente-se mesmo a vinda da prima vera, com os passarinhos a anunciarem a sua chegada. É uma benção acompanhar o dia a ficar mais comprido, a temperatura a subir e o verde a apossar-se da botânica. O único senão desta estação do ano é a rinite alérgica, da qual não há forma de eu me livrar. 🤧 

Bom, hoje estou aqui para partilhar contigo a minha última crónica para o portal de conteúdos Balai Cabo Verde, publicada esta manhã, ainda a tempo de saudar e prestigiar as minhas conterrâneas pelo seu dia que se avizinha. Sim, porque a mulher cabo-verdiana tem um dia que é só dela, e de mais nenhuma outra.

Março é um mês muito especial para as mulheres. Para as criolas é ainda mais especial, já que, não só comemoram o 8 de março, Dia Internacional da Mulher, como o 27 de março, Dia da Mulher Cabo-verdiana. Como tal, esta crónica é dedicada às mulheres da minha terra, as mais bodonas de todas e a quem presto esta mais do que merecida homenagem.

Quisera eu ser como tu, mulher
Quisera eu fazer de ti a minha melhor amiga
Quisera eu estar por perto toda vez que precisares
Quisera eu impedir que te partam o coração
Quisera eu ensinar-te a recomeçar de novo
Quisera eu abraçar-te sempre que precisares
Quisera eu proteger-te de pessoas abusivas e de relações tóxicas
Quisera eu gostar de ti como gosto de mim mesma
Quisera eu fazer da tua mágoa o meu manto de afetos
Quisera eu espelhar em ti a minha melhor versão
Quisera eu ser capaz de manter a violência longe de ti
Quisera eu erguer-te uma muralha contra os inimigos
Quisera eu aconselhar-te com sabedoria
Quisera eu amparar-te toda a vez que te faltarem forças
Quisera eu partilhar contigo os teus maiores sonhos
Quisera eu saber-te amada, realizada e protegida
Quisera eu caminhar ao teu lado por toda a vida
Quisera eu ser como tu
Quiseras tu ser como eu
Quisera eu ser mulher

Esta prosa foi originalmente publicada no Volume I da Antologia Mulheres e Seus Destinos, lançado em 25 de novembro de 2019.

Aquele abraço amigo e energia de um fim de semana fantástico!

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09
Mar22

Todo o dia é Dia da Mulher

por Sara Sarowsky

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Ora viva! 🌷

Celebrou-se ontem o Dia Internacional da Mulher, uma efeméride instituída pelas Nações Unidas como forma de assinalar a luta dos indíviduos do sexo feminino pela igualdade, respeito e proteção dos seus direitos.

Faria sentido publicar esta crónica no próprio dia? Claro que faria! Contudo, optei pelo dia seguinte, não só porque ontem não era dia de vir cá, como era minha intenção fazer um apanhado do que foi este 8 de março de 2022.

Dado que não tive oportunidade para tal, já que dei folga aos meus compromissos e fui celebrar a ocasião com um belo almoço, num dos meus espaços favoritos da capital lisboeta, na companhia de uma das minhas besties, partilho contigo uma reflexão minha sobre esta temática, datada de 2016.

Por sermos o que somos, a criatura humana que gera a vida, o Dia da Mulher deveria ser todos os dias. A meu ver, sequer há necessidade de um dia específico para o mundo nos prestar homenagem. No entanto, já que o instituíram, resta-nos aceitar, agradecer, desfrutar e orgulhar.

Esta efeméride teve como ponto de partida o dia 8 de março de 1857, durante o qual 130 trabalhadoras de uma fábrica de tecidos de Nova Iorque morreram carbonizadas, na sequência de uma greve geral, através da qual reivindicavam melhores condições de trabalho. Contudo, somente em 1910, durante uma conferência na Dinamarca, ficou decidido que o 8 de março passaria a ser o Dia Internacional da Mulher, em homenagem a essas operárias norte-americanas.

Sessenta e cinco após depois, em 1975, a data foi oficializada, através de um decreto, pela Organização das Nações Unidas (ONU), com a finalidade de celebrar as conquistas sociais, políticas e económicas das mulheres, independentemente de divisões nacionais, étnicas, linguísticas, culturais, económicas ou políticas. De lá para cá, muito foi alcançado, com bastante ainda para ser conquistado, de modo a dar-se mais valor, destaque, empoderamento, respeito, proteção e consideração à mais perfeita criação de Deus. 

Africanas, europeias, asiáticas ou indígenas; altas, medianas ou baixinhas; loiras, morenas ou ruivas; magras, curvilíneas ou cheinhas; atraentes, gostosas ou simpáticas; ricas ou pobres; solteiras, casadas ou divorciadas; mães ou simplesmente tias/madrinhas; felizes ou deprimidas; guerreiras ou vítimas; dominadoras ou submissas; passivas ou ativas; trabalhadoras ou inativas; sobreviventes ou resignadas; chatas ou fascinantes; realizadas ou paranoicas; sedutoras ou acanhadas; tímidas ou descaradas; ciumentas ou bem resolvidas; possessivas ou descontraídas; maduras ou imaturas; frágeis ou resistentes; doces ou amarguradas; amorosas ou agressivas; mimadas ou sábias… seja qual for a pele que vistamos ou o papel que assumamos, a essência é, e será sempre, a mesma. SER MULHE!

E é essa essência que devemos enaltecer e celebrar todos os dias e não apenas no dia 8 de março. Termino lembrando que todos os dias são dias da mulher, já que a mulher é o símbolo da vida.

Aquele abraço amigo e até sexta!

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274614495_476055554000684_4714266621224401772_n.jp Ora viva! ✌️ 

Esta sexta-feira estarei presente, na qualidade de apresentadora, na tertúlia 'Política no Feminino - a mulher de origem cabo-verdiana na política em Portugal', uma iniciativa inserida na programação de Março Mês da Mulher que o Centro Cultural Cabo Verde (CCCV) e a Embaixada de Cabo Verde em Portugal organizam anualmente, como forma de assinalar o dia 8 de março, Dia Internacional da Mulher, e o dia 27 de março, Dia da Mulher Cabo-verdiana.

De acordo com a nota de divulgação da organização, esta conversa amiga - delas para todos - visa "dar a conhecer as mulheres cabo-verdianas e de origem cabo-verdiana que atualmente exercem cargos políticos em Portugal, com o objetivo de destacar os seus percursos de vida, as suas propostas e contributos para a comunidade cabo-verdiana imigrada em Portugal e a sociedade em geral".

São elas: Andredina Gomes Cardoso, deputada na assembleia municipal de Sesimbra; Carla Semedo, vereadora independente na Câmara Municipal de Cascais; Fátima Soares de Carvalho, deputada na assembleia municipal do Seixal; Kathlyn Martins, deputada na assembleia de freguesia de Casal de Cambra (Sintra); Maria Assis Almeida, presidente da União de Freguesias de Almada, Cova da Piedade, Cacilhas e Pragal (Almada) e Simone da Cruz Andrade, deputada na assembleia de freguesia de Carnaxide e Queijas (Oeiras). A moderação ficará a cargo da coach de liderança feminina, mentora e estratega de imagem profissional, Evódia Graça.

Apesar de não ter nenhuma participação ativa na esfera política, foi com todo o gosto que aceitei o convite da gestora do CCCV para apresentar as oradoras e dinamizar a interação com a plateia, naquela que será a primeira de várias iniciativas alusivas às duas efemérides acima mencionadas.

Muito nos honraria a tua presença, pelas 18 horas, na Rua de S. Bento, número 640. Em alternativa, podes assitir à sessão em direto na página do Facebook daquele espaço cultural.

Esperamos por ti!

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16
Fev22

Perfeita na sua imperfeição

por Sara Sarowsky

angel-g294bd5434_1920.jpgOra viva! ✌️ 

Hoje tenho que ir à câmara desafiar a sorte. Lá vou eu renovar a esperança num milagre de conseguir uma habitação a um preço digno, em mais uma candidatura ao Programa Renda Acessível. Ainda que ciente de que as minhas chances são praticamente nulas - não quero ser má língua, mas não há forma de me convencer de que aquilo não é uma grande máfia e que as habitações não estão previamente "encomendadas" aos amigos, conhecidos e favorecidos.

A ansiedade e a expectativa, aliadas ao facto de ainda ter de tratar da papelada (comprovativo de rendimento, declaração de IRS e por aí fora), só me deixam margem de manobra para um texto emprestado do site Mulheres Maduras, aqui publicado pela primeira vez em 16 de fevereiro de 2016. 

Versa, pois, esta crónica sobre o quão perfeitas na sua imperfeição são as mulheres. Para o caso de ter sido demasiado erudita, quis dizer que são as nossas imperfeições que nos fazem ser perfeitas.

Miss Imperfeita
Sou a miss imperfeita, muito prazer!

Uma imperfeita que faz tudo o que precisa fazer, como boa profissional, mãe e mulher que também sou: trabalho todos os dias, ganho meu dinheiro, vou ao supermercado, decido o cardápio, levo e trago filhos da escola, almoço com eles, estudo com eles, telefono para minha mãe todas as noites, procuro as amigas, viajo, vou ao cinema, pago minhas contas, vou ao dentista, mamografia, caminho meia hora diariamente, faço reuniões ligados à minha profissão e ainda faço escova toda semana - e as unhas! E, entre uma coisa e outra, leio livros.
Portanto, sou ocupada, mas por mais disciplinada que eu seja, aprendi duas coisinhas que operam milagres. Primeiro: a dizer não. Segundo: a não sentir um pingo de culpa por dizer não. Culpa por nada, aliás.

Culpa zero.
Quando você nasceu, nenhum profeta entrou na maternidade e lhe apontou o dedo dizendo que você seria modelo!
Seu pai e sua mãe, acredite, não tiveram essa expetativa: tudo o que desejaram é que você não chorasse muito e mamasse direitinho.
Você é humildemente uma mulher.
E, se não aprender a delegar, a priorizar e a divertir-se, bye-bye vida interessante. Porque vida interessante não é ter a agenda lotada, não é alinhar em qualquer projeto por dinheiro, não é atender a todos...

É ter tempo. Tempo para fazer nada. Tempo para fazer tudo. Tempo para dançar sozinha na sala.
Tempo para desaparecer dois dias com o seu amor.

Tempo para uma massagem.
Tempo para ver a novela.

Para procurar um abajur novo para o seu quarto.
Tempo para voltar a estudar.
Tempo Para engravidar.
Tempo, principalmente, para descobrir que você pode ser profissional sem deixar de existir.
Existir, a que será que se destina? Destina-se a ter o tempo a favor, e não contra.
Portanto, não queria sair por aí batendo records...

Pense nisso!

Beijo no ombro e até sexta!

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31
Jan22

Esperem sentados (reprise)

por Sara Sarowsky

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Ora viva! ✌️ 

A rescaldar das legislativas de ontem, e profundamente orgulhosa do facto de o meu #votonegro ter contado, para hoje proponho lançarmos um olhar a este texto da jornalista Rita Marrafa de Carvalho sobre o papel da mulher na sociedade atual, originalmente publicado em janeiro de 2016, tinha este blog poucos meses de vida.

Esperem sentados
Que cases. Que te juntes numa cerimónia branca e imaculada, rodeada de família e amigos. Que tenhas filhos depois. Só depois. Esperam de ti, mulher, que saibas, no mínimo, estrelar ovos e que gostes de homens. Mas que sejas fiel. Ordeira e arrumada. Limpa e asseada. E que dês de mamar. Que sejas incansável na função de mãe, sem lágrimas ou dúvidas. Mãe que é mãe nunca se arrepende de nada. Nem de os ter. Nem do que faz. Nunca questiona os conselhos dos mais velhos.

Esperam de ti isso e mais. Que qualquer sensação de fraqueza é para erradicar do peito e da cabeça. Esperam que se te dizem que deves dar peito até aos dois anos, é para cumprir. Que se não sentes qualquer gozo nisso, és menos mãe. Menos capaz. Menos mulher. Esperam de ti um parto normal. Gaja que é gaja, tem parto vaginal. As outras são umas "meninas". Esperam de ti a boçalidade da pré-história.

Esperam que tenhas os filhos sempre limpos e que lhes dês banho todos os dias, após uma refeição sem fritos ou salsichas. Esperam que a roupa do homem com quem casas, porque é suposto gostares de homens, esteja passada a ferro. Que se não podes, contrates alguém.

Esperam que não haja vincos na tua camisola quando vais trabalhar todos os dias nem nódoas de ranho ou papa. Esperam que tires um curso. Que sejas "alguma coisa" mas que consigas ter a casa num brinco, sem pingo de pó ou brinquedos fora do sítio.

Esperam que sejas magra. Atlética. Que corras todos os dias. Ou dia sim, dia não, vá. De depilação feita e unhas coloridas. Que faças bolos ao sábado. E que não tenhas as raízes do cabelo por fazer. Esperam que te comportes bem e que nunca bebas um copo a mais para não caíres em figuras ridículas. Que nunca sejas daquelas que urina entre dois carros, no meio do Cais do Sodré.

Esperam isso. Esperam mais. Que nunca adormeças maquilhada porque sujas a fronha da almofada. E que não te separes. Aguenta. É suposto aguentares porque tudo dá trabalho na vida. Por isso, é suposto esforçares-te. Pelos filhos. Por ti, não. Não carece. Por ti, não. E pela imagem. A imagem. E o que gastaram naquele casamento sumtuoso! Não. Aguenta, se faz favor. Pelos teus pais e pelos teus filhos. Esmera-te. É capaz de ser culpa tua.

Esperam isso de ti. E não convém falhares. Esperam que tenhas sempre a louça na máquina e a roupa estendida. Que a cama esteja sempre feita. Todos os dias. Esperam de ti pouco rasgo. Se pensares demasiado, vais questionar demasiado. Ser curiosa ainda vá. Refletir é evitável. Não esperam que sejas uma grande inteletual ou que fumes charutos ou que gostes de brandy. Vais beber licor de café ou vinho do porto e fumar qualquer coisa com sabor a mentol. Esperam de ti a dignidade. Que aceites o assédio como um galanteio. Esperam que uses saltos altos todos os dias e que uses um perfume que enche o elevador. Esperam que sejas isto. E mais. Só não esperam que sejas feliz.

Sobre o resultado das eleições, históricas em vários aspetos, falarei noutra altura, que hoje é dia de celebrar e perspetivar dias mais estáveis para o país. Que a tua semana seja tão boa quanto a tua energia!

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14
Jan22

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Viva! 👋

"Ano novo vida nova", escrevi eu nos primeiros posts do ano. "Ano novo, rotinas novas", escreveu a minha coach espiritual nas suas primeiras comunicações do ano. "Começa o ano valorizando-te e amando-te como mereces", escreveu Roxana Peña, autora de um artigo no site Nueva Mujer que insta as celibatárias a adotarem em 2022 alguns princípios básicos de autoestima e valorização pessoal.

"Estar solteira não é nada mau e não deves sentir-te triste nem complexada, pelo contrário, deves aproveitar este momento e valorizar o tempo só e aprender a amar-te", começa por sugerir a autora do texto. "Muitas vezes vemos a solteirice como algo negativo, que nos faz sentir pouco valorizadas e com a autoestima no chão", prossegue Roxana.

Não me é claro se também ela faz parte da turma desemparelhada, mas o facto é que parece saber do que fala, tanto que cita alguns propósitos que nós solteiras devemos colocar em prática para este novo ano, de modo a ajudar-nos a sentir mais estimadas, seguras e confiantes. São eles:

Foca-te no lado positivo da vida
Esta é tão batida que hesitei em citá-la, não vá eu estar a maçar-te com a mesma lenga lenga do costume. Contudo, aqui vai: quando começas a ver tudo com maior positivismo, tudo passará a correr melhor, o que por tabela fará com que recuperes a confiança e a segurança em ti mesma. E não te esqueças que as coisas más que nos acontecem cumprem um propósito e ensinam-nos sempre valiosas lições de vida.

Não te compares com outras mulheres
É um erro grasso comparares-te com outras mulheres, seja em termos de aparência, êxitos ou vida pessoal. Focar-te na tua vida e deixar de olhar para a dos outros é uma boa forma de te valorizares mais. Quando assim começares a agir, vais aperceber-te o quão fantástica e bem-sucedida és.

Não aceites qualquer um
Muitas são aquelas que aceitam qualquer pretendente, pelo simples facto de não quererem, saberem ou suportarem estar sozinhas. O desespero é uma via verde para os "atrasos de vida", que ao invés de resolverem um problema, acabam por multiplicá-lo. Uma boa forma de te valorizares mais é avaliar bem os candidatos e só avançar se realmente sentires que os queres na tua vida. Mereces um bom homem, por isso não te contentes com um homem qualquer.

Sai mais com os teus amigos
O estar ímpar faz com que por vezes nos retraiamos e evitemos sair com os amigos. Se é o teu caso, não faças isso, pois só vai fazer com que fiques com a autoestima em baixo. Não te afastes da tua malta, nem congeles a tua vida social pelo simples facto de não teres acompanhante. Os teus amigos, se forem verdadeiros, só querem ver-te bem e feliz, por isso tudo farão para animar-te. Neste 2022, aproxima-te mais e investe forte e feio na amizade.

Em jeito de conclusão, Roxana apela a que as solteiras deixem de focar-se no que não têm para passarem a focar-se no que têm, em tudo de bom que já conquistaram e no quão únicas e valiosas são. Single mine, esse deve ser o teu maior propósito nos próximos 12 meses, isso se almejas ser uma solteira poderosa e bem resolvida.

Dado que está o recado, despeço com aquele abraço amigo de sempre e um "bom fim de semana!"

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4DA4D498-9F5E-4AD3-9A3D-D03A5222E1F4.jpegOra viva! 👋

Enquanto "desencardidora de mentes", é meu dever dar um contributo ativo para a desmistificação de questões "sensíveis" à condição feminina, em especial à mulher solteira e à mulher negra. Uma dessas questões prende-se precisamente com a forma como os "não negros" se dirigem ou referem a nós.

No universo feminino, que é onde estou confortável para opinar, tal acontece com uma frequência indesejável nos dias que correm. Dois milénios e duas décadas depois de Cristo, continuamos a levar com pseudoelogios que em nada abonam a nosso favor, muito pelo contrário. Acredito que a maioria daqueles que os proferem fazem-no na crença de que estão a enaltecer-nos, quando na verdade estão é a desmerecer-nos.

Porque ofensa é ofensa, seja ela provida (ou não) de intenção, é preciso expor a situação, trazer à baila o tema, de modo a alertar os incautos para terem cuidado, de modo a não ferir suscetibilidade nem cair no erro de perpetuar estereótipos que contribuem ativamente para o enraizamento do racismo e do preconceito em relação às mulheres negras. 

Cláudia Turpin, para a revista Activa, cita quatro "bocas" que nos são ofensivas e que estamos fartas de ouvir. São elas:

"És uma negra bem bonita"
O que está implícito neste comentário é que os negros, em geral, são pouco atraentes. Isto para não mencionar a noção condescendente de que a pessoa que está a tentar "elogiar" é uma rara exceção à regra, que, diga-se de passagem, só existe por causa de preconceitos. Da próxima vez, deixa a qualificação e as nuances racistas de lado, e faz apenas uma afirmação genuína sobre a beleza da outra pessoa. Já agora, podemos juntar o "És diferente. Vê-se que cresceste cá" ao pacote?

"Não pareces negra. Tens alguma mistura?"
Esta pergunta é um sintoma de discriminação pelo tom de pele, na qual as minorias são consideradas mais "aceitáveis" se tiverem traços físicos que se assemelham aos de pessoas brancas. Em vez de dizerem a uma mulher negra que ela é bonita ou inteligente, pessoas de todas as raças, incluindo alguns homens negros, perpetuam a suposição de que essas características só podem ser alcançadas através da existência de relações interraciais na linhagem familiar.

"Tens tanta sorte! Não precisas de bronzear"
Sim, as pessoas negras têm mais melanina, uma proteína que é responsável pela pigmentação da pele, do cabelo e de outros pelos no corpo. A dita sorte por termos um "bronze natural" prende-se com as preferências pessoais de cada um em relação ao tom de pele. Porém, há uma ideia errónea de que não conseguimos ficar bronzeados. Embora tenhamos menos probabilidades apanhar escaldões ou de ter cancro da pele, não deixamos de estar vulneráveis aos efeitos nocivos dos raios solares e precisamos de proteção e cuidados *como toda a gente*.

"Tenho uma queda para negras"
Alô? Noção precisa-se. As negras não são todas iguais. Então, quem diz isto sente-se atraído especificamente pelo quê? Dependendo da resposta, poderá estar a sugerir que só tem interesse nos estereótipos associados às mulheres negras, e não nas características individuais de cada uma. Não há nada de errado em achar certos detalhes atraentes - penteados, traços faciais ou diferentes tipos de corpo - mas é perigoso sugerir que qualquer combinação dessas qualidades representa o todo de uma etnia.

Os tópicos acima referidos espelham na perfeição o que referi no início desta crónica, há elogios que são dispensáveis, sobretudo se forem capazes de constranger aquele que o ouve. Na dúvida sobre como elogiar uma mulher negra, sem cair no erro de perpetuar estereótipos ou preconceitos, recomendo sensibilidade e bom senso, que esses nunca falham.

Por experiência própria acrescentaria dois ou três "cumprimentos", como, por exemplo, este: "Deves ser uma bomba na cama". Mas isso já é assunto para outra crónica, que esta já cumpriu o seu propósito. Fica bem, na companhia do meu abraço amigo!

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nude-5304222_1920.jpgOra viva! ✌️ 

Ainda a propósito do Dia Mundial do Sexo, celebrado a 6 de setembro, este artigo visa dar-te conhecimento de uma lista de uma conceituada revista norte-americana com as oito fantasias sexuais mais comuns no sexo feminino. Antes de enumerá-las, permite-me uma pequena contextualização.

Sexo é bom. Tão bom, tão bom, mas tão bom, que por ele trai-se, mata-se e morre-se. Esta frase pode parecer um tanto ou quanto exagerada, mas o facto é que à volta do sexo gira a humanidade, não fosse este o responsável pelo processo de procriação (em circunstâncias naturais, obviamente). 

No verão, a libido conhece o seu momento alto, com os corpos bronzeados e despidos a exalarem sensualidade e sexualidade por todos os poros. O desejo ameaça explodir a qualquer momento e as fantasias sexuais ganham maior protagonismo. Ciente disso, a revista Oprah Daily reuniu, na sua edição do passado dia 20 de agosto, oito das mais populares fantasias sexuais femininas. Ei-las:

1. Ser dominada
Um estudo publicado no Journal of Sexual Medicine refere que quase 65% das mulheres fantasiam com dominação sexual. De acordo com a terapeuta de casais Channa Bromley, esta fantasia é atraente porque um dos parceiros "abre mão de todo o controlo e fica submisso à pessoa que o toca". Além do mistério em redor do que vai acontecer, fica no ar a possibilidade de se obter vários orgasmos.

2. Menáge à trois
Uma das fantasias mais vulgares entre todos os géneros é fazer sexo com mais do que um parceiro ao mesmo tempo, preferencialmente com o companheiro e mais uma pessoa. Esta, de acordo com a sexóloga Cyndi Darnell, está relacionada com o facto de se gostar de ser "o centro das atenções" e com o desejo de se sentir "valorizado" ou "importante".

3. Sexo com outras mulheres

Um estudo levado a cabo pelo psicólogo social Justin Lehmiller apurou que 59% das mulheres heterossexuais fantasiam em ter sexo com outra mulher. "O sexo feminino concentra-se na estimulação oral e clitoriana e é assim que muitas mulheres têm orgasmos. Desejar outra mulher pode significar apenas que quer ter prazer de uma forma que só as mulheres entendem", lê-se no livro Tell Me What You Want.

4. Sexo em público
Mais de metade (57%) das mulheres deseja fazer sexo num lugar público, indica um estudo publicado no Journal of Sexual Medicine. Esta fantasia, segundo Channa Bromley, "dá uma sensação de liberdade e a ideia de que excita sexualmente os outros com o seu desempenho e prazer".

5. Sexo com estranhos
Quase 50% das mulheres já desejaram ter relações sexuais com uma pessoa desconhecida, revela a mesma fonte. "Esta fantasia está relacionada com questões de apego, intimidade ou ciúme" e significa que se está a tentar "desligar de algo". As fantasias com estranhos estão relacionadas com o desejo de se ver livre de alguma pressão, dever ou responsabilidade.

6. Sexo com conhecidos
Cerca de dois terços das mulheres (66%) fantasiam com sexo com conhecidos, que tanto pode ser o chefe, o amigo do marido, o vizinho ou o colega. De acordo com o citado jornal, "um dos piores inimigos do desejo e da satisfação sexual é o tédio, especialmente num relacionamento de anos". Fantasiar com alguém que se conhece é apenas os fatores "novidade, mistério e curiosidade" a fazerem das suas.

7. Dor e prazer

Sessenta e cinco por cento (65%) das pessoas fantasiam com sentir dor ao mesmo tempo que têm prazer, seja em forma de palmadas, mordidas ou até mesmo cera de velas sobre a pele. A explicação? "É abrir mão do controlo, algo que habitualmente não podem fazer. É uma forma de as pessoas se esquecerem de si mesmas". Além disso, de acordo com os especialistas, fisicamente, a dor infligida desperta o corpo, ou seja, torna-o mais sensível ao prazer.

8. Fazer amor num local romântico

Oitenta e cinco (85%) das mulheres também sonham em fazer amor num sítio romântico, como uma praia deserta. Além de os romances desempenharem um papel fundamental nesta fantasia, é neste tipo de cenários que elas mais relaxam das suas lides e responsabilidades.

Por experiência própria apenas valido metade destas fantasias, as outras que fiquem com quem as elegeu, que esta solteira aqui tem preferências muito peculiares.

Por hoje é tudo, estarei de volta na sexta para mais um papo amigo. Até lá, deixo-te com aquele abraço amigo de sempre!

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28
Mai21

Empreendedorismo no feminino

por Sara Sarowsky

Saturday Single Spot_Leila Portela.jpgViva! ✌️ 

Sextou, o quer dizer que amanhã haverá live no meu Instagram. Será o arranque da segunda temporada do ciclo Saturday Single Spot, iniciado a 30 de janeiro e cuja primeira temporada acabou a 24 de abril. Após uma pausa criativa de cinco semanas, eis-me de volta aos diretos, com novos temas para debater, novos convidados para receber, novas perspetivas para explorar e novos paradigmas para desconstruir, sendo o primeiro deles o empreendedorismo feminino.

É chegada a hora de dedicar uma atenção especial a este tema tão em voga nos tempos que correm e no qual estou interessada em aventurar-me num futuro próximo. Caso não estejas ainda familiarizada com o conceito, começo por dizer que o empreendedorismo pode ser definido, segundo Robert D. Hisrich, como "o processo de criar algo diferente e com valor, dedicando tempo e esforço necessários, assumindo os riscos financeiros, psicológicos e sociais correspondentes e recebendo as consequentes recompensas da satisfação económica e pessoal".

Na prática, o empreendedorismo mais não é do que a capacidade de cada indivíduo para realizar e montar o seu próprio negócio, e ser bem-sucedido dentro deste processo. 
É justamente sobre isso - com enfoque nos desafios e constrangimentos impostos ao género feminino - que vou estar à conversa com a Leila Portela, conterrânea minha mentora do Global Women in Tourism, uma comunidade de mulheres que atuam na área do turismo, através de um olhar penetrante sobre as questões de género no turismo, tais como o empoderamento feminino, a liderança, o amor-próprio, o empreendedorismo e as adversidades que o género enfrenta.

Às páginas dantas da live vamos levantar o véu sobre o II Fórum Internacional: Mulheres e Turismo, a minha voz, promovido pela minha convidada para os dias 2, 3 e 4 de junho. Como podes ver, motivos de sobra tens tu para assistir à nossa conversa amiga, amanhã, a partir das 22 horas, no meu perfil sara_sarowsky. Conto com a tua presença!


Abraço de bom fim de semana!

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08
Mar21

A7958068-A081-4A0A-848D-8DF56ED67206.jpegOra viva!

Referi há dias que março é o mês da mudança, assim como o da mulher. O dia de hoje é disso exemplo, pois assinala-se o Dia Internacional da Mulher, efeméride que visa enaltecer e dignificar a condição feminina.

Ainda que seja apologista de que a mulher deve, e merece, ser homenageada todos os dias do ano, não posso deixar passar (mais) esta oportunidade para prestar um sentido tributo a todas as descendentes de Vénus espalhadas por este mundo fora. 
Que o espírito que representa esta data se faça presente em todos os restantes dias do ano e que a mulher seja cada vez mais reconhecida, valorizada, respeitada, amada e protegida. 

Como escreveu há pouco a minha adorável colega Anita, "enquanto ansiamos pela presença física, sem máscara e sem medo do abraço, toca a olhar o mundo com o coração". 
Feliz dia nosso, hoje, amanhã e sempre!

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