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Crónicas, contos e confissões de uma solteira gira e bem resolvida que não cumpriu o papel para o qual foi formatada: casar e procriar. Caso para cortar os pulsos ou dar pulos de alegria? Provavelmente, nem uma coisa nem outra!

Ora viva! 👋
Era minha intenção, conforme adiantado no post anterior, descortinar um pouco mais sobre o rumo que a minha vida tomou nos últimos 12 meses. No entanto, eis-me aqui a escrever sobre a liberdade. Porquê esse volte-face? Porque estou em crer que de pouco adianta falar de mudança sem antes (re)visitar este conceito-chave que me permitiu, aos 46 anos, recomeçar a vida num outro país, deixando para trás tudo o que era, tinha, conhecia e amava.
Mesmo que a esta altura da leitura a minha linha de pensamento possa não fazer muito sentido para ti, tens a minha palavra de que chegarás ao final desta crónica devidamente esclarecida e convencida de que não há nada mais precioso na vida do que a liberdade. Mais importante do que isso: a vida sem liberdade a pouco ou nada nos sabe.
Intenta, assim, esta minha mini dissertação - pessoal e descaradamente subjetiva - enaltecer e celebrar aquilo que a maior parte de nós toma como garantido, e que, precisamente por causa disso, não lhe dá o devido valor, nem reconhece o quão privilegiados são aqueles que dela podem usufruir a seu bel-prazer.
Segundo o dicionário da língua portuguesa, a liberdade pode ser definida como o "direito de um indivíduo proceder conforme lhe pareça (desde que isso não vá contra o direito de outrem e esteja dentro dos limites da lei, obviamente), ou a condição da pessoa que não tem constrangimentos ou submissões exteriores ou ainda o estado ou condição daquilo que não está preso, confinado ou com alguma restrição física ou material".
Questões linguísticas à parte, a meu ver, a verdadeira liberdade está na capacidade de escolher quem somos, o que queremos e como desejamos conduzir a nossa vida, com cada decisão a ser uma oportunidade para transformar a nossa história, mudar de rumo e assumir o comando do próprio destino.
Essencial à felicidade humana, e empoderamento pessoal, por tabela, é ela que nos permite sermos autênticos, mantermo-nos fiéis à nossa essência, tomar decisões conscientes e assumir o pleno controlo da nossa vida. Só quem é livre tem o poder de escolher os seus objetivos, valores e caminhos.
Ao contrário do que muitos pensam, o reverso da liberdade chama-se responsabilidade e não outra coisa qualquer. Tal facto faz com que tanta gente por aí não consiga ser efetivamente livre, precisamente por não estar disposto a assumir a responsabilidade pelas suas decisões e escolhas.
Não permitir que o medo ou as expectativas alheias limitem as nossas possibilidades é o primeiro passo em direção à liberdade efetiva. Tenho que (re)lembrar que nós somos os únicos detentores do poder de se reinventar, mudar, alcançar a felicidade, segundo as nossas próprias regras e desejos. Ser feliz do jeitinho que nos convém não é apenas um sonho, é um direito que merecemos exercer e ativar todos os dias.
Só assim teremos autonomia para explorar o nosso querer, superar limitações e enfrentar desafios com confiança, fortalecendo a autoestima e o sentimento de capacidade e resiliência. Além disso, a liberdade de fazer escolhas alinhadas com o nosso verdadeiro eu promove um sentido de realização e felicidade genuínas.
Ter liberdade significa poder escolher o próprio caminho, viver de acordo com os nossos valores, explorar as nossas paixões e assumir aquilo que temos de único. Não conheço outra fórmula para desfrutar de uma vida mais significativa, plena e alinhada com quem realmente somos.
A riqueza material, embora importante, é por si só oca, frágil, ilusória. Já a liberdade nos proporciona autonomia, controlo e satisfação interior. Ao sermos livres, podemos construir uma vida que realmente nos faz felizes, independentemente das posses ou condições externas.
A liberdade de ser, escolher e viver do jeito que faz o nosso coração vibrar, com entusiasmo e autenticidade, proporciona espaço para o crescimento, a felicidade e a realização pessoal, sendo fundamental para uma vida mais plena, feliz e empoderada.
Termino com o seguinte lembrete: tu és a protagonista da tua vida. A autora da tua própria história. A responsável - primeira e última – pela tua felicidade. Assumir o controlo, escolher ser feliz e enveredar por um caminho que faz o teu coração bater mais forte é o meu conselho para ativares essa coisa chamada liberdade.
Despeço-me com aquele abraço amigo tão nosso e um "até para a semana".

Ora viva! 👋
É ténue - muito mesmo - a memória da última vez que por aqui dei as caras, malgrada a indiscutível saudade que diariamente me assombrava. Pelas coordenadas do último post, já lá vão quase dois anos, andava eu em contagem decrescente para realizar o sonho de levar o movimento social Empodera-te! à minha adorada terra natal, Cabo Verde.
Como por diversas vezes assumi, no meu entender, setembro é o mês mais importante do ano, já que é aquele que marca a rentrée, ou seja, o recomeço após a tão desejada pausa de verão. E precisamente hoje, dia 9, do mês 9, do ano 9 (numerologicamente falando), quis o destino que eu retomasse este blog.
Por um daqueles acasos do destino, que não sabemos explicar, mas que sentimos que faz todo o sentido, nesta terça-feira, dei por mim sem absolutamente nada para fazer. Coisa rara nos últimos tempos, acredita em mim. Sendo assim, senti que tinha finalmente chegado a hora de reassumir uma das atividades que mais me realiza na vida e que tanta falta tem-me feitos nestes últimos 23 meses.
Faço aqui uma pausa para te convidar a refletir comigo sobre o significado de ter reassumido algo que me é tão precioso numa data tão mágica, tão auspiciosa. Tens a minha palavra de que só neste preciso instante apercebi-me desta incrível coincidência, logo eu que já fui tão íntima da espiritualidade. Seja como for, acredito firmemente que não foi por acaso que retomei a escrita precisamente neste 9-9-9. A vida tem destas coisas, não tem? Até me arrepiei de emoção!
Voltando à narrativa, tanto aconteceu na minha vida desde a última vez que aqui dei o ar da graça. A bem da verdade, nada que desculpe o meu exílio por tanto tempo, há que fazer essa mea culpa. Há tanto para contar, partilhar, narrar, inspirar, que nem sei bem por onde começar. Só de pensar na quantidade de coisas que tenho para "vomitar", apetece-me fechar o portátil e retomar a pacífica existência dos últimos tempos, pautada pela esscassez de atividade intelectual e criativa.
Para começo de conversa, re-expatriei. Há pouco mais de um ano, em agosto do ano passado, para ser mais precisa, compilei toda a minha tralha em duas malas e uma mochila e rumei a um novo país. Por hora opto por não revelar a minha atual localização geográfica, uma vez que essa novidade ainda não é do conhecimento de muita boa gente do meu círculo privado. Considero justo que saibam da novidade de viva voz e não através da internet.
O que posso adiantar é que essa mudança era algo há muito desejado, mas que, por razões várias (que a seu tempo descortinarei), foi sendo adiado... adiado... adiado... até que chegou o 10 de agosto de 2024, o dia em que já não me era mais possível adiar o inevitável, fintar o desconhecido, cumprir o destino. Na altura, esse recomeço, às portas dos 47 anos de idade, foi apenas do conhecimento de uma dezena de almas - as minhas besties, para ser mais específica.
A incerteza que me aguardava, dado que já tinha havido duas tentativas anteriores, a par do receio de levar com conselhos dissuasores, ainda que bem intencionados, fez-me guardar segredo deste passo crucial da minha existência, provavelmente o mais custoso e aquele que exigiu uma coragem e uma determinação que poucas pessoas com a minha idade são capazes de reunir.
Para trás deixei tudo o que eu era, sabia, conhecia e possuía, seja em termos de conquistas pessoais, sociais e profissionais, seja em termos materiais e patrimoniais. Movida pela convicção de que um futuro mais próspero e abundante se avizinhava (o que mais leva uma pessoa a migrar?), deixei para trás aquele que foi o meu porto seguro nos últimos 17 anos. De cabeça erguida, peito aberto e coração palpitante. À minha espera sabia ter apenas a possibilidade de um novo recomeço, num lugar onde não conhecia vivalma.
Oportunamente, terei a oportunidade de detalhar com precisão o (brutal) custo emocional e social desta decisão, radical para alguns, destemido para outros e insano para os demais. Especialmente porque encontrava-me no auge do sucesso enquanto mentora do Empodera-te!, com tudo o que isso implicava.
Num resumo tão breve quanto possível, recordo-te que um ano antes tinha sido distinguida com o Prémio de Mérito Migrante; que detinha um espaço de crónica mensal no portal Balai Cabo Verde; que tinha visto publicado três textos meus; que estava a conquistar o meu lugar ao sol como escritora de contos eróticos; que detinha um invejável portfólio de quatro edições do Empodera-te! - com uma internacionalização pelo meio; que era presença requisitada em eventos do mais alto nível; que estava a ter cada vez mais procura para apresentar eventos de grande prestígio entre a comunidade cabo-verdiana e não só (cito, a título de exemplo, o Dia Nacional da Cultura de Cabo Verde, o Jantar dos Embaixadores Africanos em Lisboa e a cerimónia de apresentação dos nomeados à 13ª edição da Cabo Verde Music Awards), sem falar nas diversas presenças na televisão e imprensa portuguesa, cabo-verdiana, brasileira e angolana.
A par disso, começava a tornar-me uma referência na organização e promoção de eventos, como o comprovam as quatro edições do Empodera-te!, a exposição de fotografia A mulher da minha vida, as diversas ações de formação (tanto para miúdos como para graúdos), bem como as palestras em escolas e eventos como a Feira do Bem Comum.
Enfim... muito mais teria a enumerar sobre o meu palmarés. Contudo, impõe a modéstia e a prudência que eu me contenha, caso contrário, corro o risco de ver-te partir antes que eu tenha podido revelar o ponto essencial deste inesperado regresso.
Dado que já não disponho nem de tempo nem de disposição para retomar este espaço nos moldes de antigamente, ou seja, com a regularidade, disciplina e assiduidade que tão bem conheces, por sugestão da minha amada Ângela Barbosa (a melhor coaching e mentora que uma amiga poderia desejar), proponho darmos um novo rumo ao Ainda Solteira.
O que quer isso dizer? Quer dizer que pretendo transformá-lo num blog comunitário, onde todo aquele que assim o entender passa a ter vez e voz (mediante o respeito pela regras básicas da boa convivência virtual, claro está!). Sendo assim, desafio todos os leitores, seguidores, amigos, conhecidos e até mesmo inimigos a enviarem conteúdos que queiram ver publicados neste blog, que passará assim a ser um espaço de todos, onde cada um terá a chance de partilhar, inspirar, impactar, no fundo, contribuir para uma comunidade virtual mais informada, formada, esclarecida e empoderada.
Não resisto a terminar com este spoiler: há coisa de três meses conheci uma pessoa espetacular, com quem estou a experenciar uma coisa bonita. É, meu bem, esta minha nova vida, num outro país, com uma nova língua, cultura, profissão e tudo o mais que implica ir viver para o estrangeiro, trouxe-me um presente muito especial. Após 15 anos de celibato, posso dizer que estou numa relação. Mas isso é tema para outra altura 😉.
P.S. – Tenho consciência de que o texto é extenso, mas, dada a prolongada ausência, creio ter direito a uma tolerância maior do que o habitual.
Aquele abraço amigo e até um dia destes.
Com estima e saudade,
Sara 🤎

Ora viva! 🫶
Que fim de semana, caramba! A Feira Anternativa de que te falei no último post foi uma experiência avassaladora, a vários níveis. Ainda estou a processar as vivências que por lá senti e testemunhei. Sobre isso falarei noutra oportunidade, que ainda estou fisica e espiritualmente estafada. A sessão com o Braco foi algo indescretível, adianto já.
De volta à rotina semanal, hoje trago a última crónica para o Balai Cabo Verde, publicada na passada sexta-feira. Quando nascem novos sonhos é assim o complemento da crónica anterior, Quando morrem os sonhos, publicada a 18 de agosto e partilhada contigo há uma semana.
Quando nascem novos sonhos
Seis semanas depois da sua chegada nessa terra longínqua, aninhada entre o oceano e a montanha, pegou ela em toda a sua bagagem e regressou à casa de partida, a cidade das sete colinas, aquela na qual um dia pensou fincar raízes por tempo indeterminado. O coração desta vez vinha vazio, frio, estéril.
Investira praticamente tudo nesses sonhos, ao ponto de já não possuir mais nenhum. Não fazia a menor ideia de onde poderia ir buscar outros. Quis o destino que as coisas não lhe corressem como planeado, reconheceu com a alma em chamas e o coração em pedaços. Sapiência e humildade tinha ela de sobra para saber que o momento da tal mudança pela qual tanto ansiara ainda não tinha chegado.
Era preciso aquietar o espírito, apaziguar o coração, aguardar que o tempo revelasse novos caminhos, que conduzissem a novos sonhos. Disposta a tal estava ela, já que, contra os desígnios do destino, mortal algum poderia atentar, muito menos contestar. Crente estava ela de que tudo acontece por um motivo, e mesmo que aquele que lhe dizia respeito não fosse de momento claro, queria acreditar que algo ou alguém detinha as respostas que tanto procurava.
"O que se faz quando morrem os sonhos", não se cansava de perguntar, a si e às entidades superiores. "O primeiro passo é fazer o luto", sussurrou-lhe a voz da razão, serena na sua sabedoria, paciente na sua fiabilidade. "E depois", questionou ela. "Depois é deixar que o tempo, o mais sábio de todos os mestres, se encarregue de por tudo no seu devido lugar, de dar a cada sonho a sorte que lhe cabe."
"Enquanto isso, como continuarei a viver se já não tenho os meus sonhos comigo", lamuriou-se. "Os sonhos não morrem jamais, eles transformam-se, reinventam-se, reajustam-se. Como a Fénix, eles possuem a magia de renascer das cinzas, ainda mais belos e fortalecidos. Mas para isso tens que dar tempo ao tempo, tempo para o tempo fazer o seu trabalho. Sem pressa nem pressão, apenas com amor e gratidão".
"Como assim com amor e gratidão", questionou ela. "Amor porque é profícuo e gratidão porque é benéfico. Se calhar a causa da morte dos teus sonhos foi insuficiência de amor, amor para acreditar que pudessem realizar-se. E de gratidão também. Provavelmente esqueceste de ser grata por deteres o poder de sonhar", esclareceu a sua voz interior.
"Para que nasçam novos sonhos é preciso que os antigos moram. Esses sonhos que agora pereceram vão abrir espaço para outros, ainda maiores e melhores. Acredita no poder dos teus sonhos, que o universo também acreditará, e a concretização deles será uma mera questão de tempo e de oportunidade", rematou a voz sábia da lua, que do alto do céu assistia ao seu diálogo interno.
Apegara-se tanto àqueles sonhos - afinal por muito tempo os cultivara, alimentara, estimara - que agora temia já não saber viver sem eles. "Desapego, é preciso praticar o desapego", recordou-se das palavras da sua terapeuta espiritual. "Para que algo novo entre na nossa vida é preciso que o velho saia", sussurraram por sua vez as estrelas.
"Sou jovem, saudável, capacitada, instruída, tenho tempo de sobra para criar novos sonhos, para voltar a olhar para a vida como a maior de todas as aventuras, aquela que vale sempre a pena", disse a si mesma. Nesse instante, um sorriso aflorou-lhe aos lábios e um brilho intenso acendeu-lhe os olhos. Novos sonhos estavam a caminho, pressentia. Perante essa convicção, deu as costas ao passado e concentrou-se no futuro, esse sim cheio de promessas.
Dia feliz e uma ótima semana!

Ora viva! 🫶
Uma mão cheia de semanas depois, eis-me de volta ao teu convívio, repleta de novidades, crónicas, planos e sonhos. E é precisamente sobre estes últimos que versa a minha última crónica para o portal Balai Cabo Verde, publicada a 18 de agosto, e que vou agora partilhar contigo.
Quando morrem os sonhos
Há muito que ambicionava dar um outro rumo à sua vida. A súbita morte do progenitor e, posteriormente, a inesperada pandemia da covid despoletaram nela a certeza de que desejava – na verdade, precisava - abraçar uma nova vida. Sabendo que o primeiro passo para a mudança prendia-se com o não mais querer estar onde estava, tornara-se evidente que a mudança era incontornável, imprescindível, inadiável.
Num belo e quente dia de verão, partiu à aventura, atrás do recomeço pelo qual há tanto ansiava. Consigo levou duas malas, uma grande e outra mais pequena, uma mochila, um saco e um coração a abarrotar de sonhos. Nesse coração cabiam sonhos de todo o tipo: novo país, novo idioma, nova casa, novo trabalho, novos amigos, novas relações, novos amores, nova dinâmica, no fundo nova existência.
Dias após dia, semana após semana, os seus sonhos foram-se vergando à dureza da realidade, rendendo-se à força do infortúnio. Nenhum deles, nem o mais insignificante de todos, se concretizou. Pelo contrário, a ausência de sorte era de tal modo constante que os mal-sucedidos acumulavam-se a uma frequência praticamente diária. Ainda antes da partida, o universo emitira sinais, vários até. Em nome de uma vontade irrefreável, não lhe deu ouvidos, com ele teimou, a ele ousou desafiar. Precisava fazê-lo, caso contrário arrepender se ia para o resto da vida.
O que não cogitou, ainda que intimamente o intuísse, era que a última palavra não seria a sua, jamais seria. Por muito que sonhemos, almejemos, planeemos ou façamos, a concretização do que quer que seja só acontece no espaço e no tempo entendido pelo destino, ou universo como preferia chamar às forças superiores que comandam as ações humanas e determinam a sua experiência terrena. De pouco ou nada adianta insistir em algo (ainda) não validado por ele, até porque o tempo divino e o tempo humano raramente coincidem; o primeiro é infinitamente mais sábio do que o segundo, bem mais ansioso e impaciente.
Em terra estrangeira, numa geografia aninhada entre o oceano e a montanha, encontrou consolo nas tardes passadas na praia, numa comunhão íntima e recíproca com a natureza, a qual testemunhava com apreensão o seu desassossego, com pesar a sua agonia. Assistir ao sucumbir dos sonhos alheios, sem que os envolvidos nada possam fazer para impedir tal desfecho, é algo a que a mãe de todas as criaturas dificilmente consegue manter-se insensível.
Com o sol, a praia, as dunas e o oceano partilhou ela os seus mais íntimos ensejos, anseios e frustrações. Com a lua chorou a morte desses sonhos, os quais iam perecendo à vez, à mercê de cada frustração, cada insucesso, cada contrariedade. O mar lambeu-lhe as feridas, a brisa secou-lhe as lágrimas, o sol aqueceu-lhe a alma, a natureza curou-lhe as mágoas, o tempo aliviou-lhe o sofrimento.
Despida de expectativas, despojada de ilusões e carente de sonhos - sonhos esses que a levaram a desafiar tudo e todos, a fizeram almejar vencer a maldição que pendia sobre si, fintar o azar e triunfar sozinha num país povoado de estranhos - retomou à procedência, de coração partido e alma fragmentada, sem a mais pálida ideia sobre que rumo haveria de dar à sua existência dali em diante. Sem outra opção que não fosse render-se às evidências, um passo atrás viu-se obrigada a dar, regressando à casa de partida, tal qual jogo de monopólio. Sim, muitas vezes é preciso dar um passo atrás, recuar, para poder avançar com mais vigor, mais sagacidade, mais sabedoria.
Continua...
Bem-vinda de volta ao blog. Regressarei na quarta, com mais uma crónica. Até lá, deixo-te com aquele abraço amigo só nosso!
Ora viva! ✌️
Só passei para dizer que já obtive alta médica e que estou a caminho de cumprir a tão ansiada - e proclamada - mudança de vida, a qual vai levar-me a "fincar" raízes noutras paragens. Para breve ficam mais detalhes, que agora, depois de 10 dias de isolamento, só quero curtir o sol na pele, o vento no rosto, a esperança no coração e a gratidão na alma.
Por hoje é só, voltarei amanhã para mais uma conversa de solteira para solteira, ou não. Aquele abraço amigo!

Viva!
Para fechar com ânimo redobrado esta semana implacavelmente pluviosa nada melhor que estas reveladoras e muito transformadoras previsões energéticas da conselheira espiritual deste blog: a iluminada Isabel Soares dos Santos, a quem não me canso de agradecer estas cedências pro bono.
Eis pois o que nos reservam os astros para o segundo mês do ano, o mais romântico de todos:
Fevereiro surge-nos com uma energia de transformação profunda. Para aqueles que têm vindo a fugir de olharem para o seu interior e que não querem tomar consciência de que a mudança faz parte da vida, vai ser um mês duro... Muita compaixão será necessária para apoiar a quantidade de almas perdidas, que a cada dia que passa mais perdidas ficam. Porque têm medo da mudança, porque têm medo de se libertarem de antigas crenças, porque têm medo de se sentirem sozinhos e no vazio.
Mas o mais importante é quando chegas a esse momento de profundo vazio. É aí que a transformação começa a acontecer: quando consegues despir-te de crenças, quando consegues deitar fora tudo o que já não te faz feliz, quando deixas de ouvir a voz dos outros para passares a ouvir apenas a tua voz interior, a tua intuição. A tua intuição é o teu maior dom. Aprende a ficar no teu silêncio, aprende a ser feliz sozinha, aprende a amar-te sem limitações.
A cura e a verdadeira transformação só acontecem quando te aprendes a amar, sem esperares nada em troca e sem esperares nada de ninguém. Enquanto não o fizeres, vais apenas mudando de roupagem e, com isso, vais mudando de problema e acumulando mais crenças e mais limitações. O teu medo cresce na mesma proporção que as tuas limitações. Por isso, aproveita esta energia de libertação e transformação que o mês de tevereiro te traz, para arriscares a ser um pouco mais feliz.
Arrisca a mudar. O que de tão grave pode acontecer se arriscares mudar? Nada! Apenas cresces e ficas mais próxima da tua verdadeira essência. E é só quando vibras na tua verdadeira essência que a magia da vida acontece.
Infelizmente, 99% da população sobrevive apenas, ao invés de viver. Agarrados a medos e limitações, acabam por viver à distância os sonhos alheios. Sou muito abençoada e grata por fazer parte daquele 1% que arrisca todos os dias, que quer crescer e aprender todos os dias, que não se limita a sobreviver no dia a dia e que vibra na sua verdadeira essência todos os dias da sua vida.
Quando queres realmente vibrar na tua essência e seres imensamente feliz, é quando assumes o poder pela tua vida. Queres assumir o poder e seres dona da tua vida ou queres "sobreviver" e à distância desejares os sonhos dos outros? Esta é a pergunta que deves fazer em fevereiro. Se, com a tua consciência conseguires responder a esta pergunta, já deste um passo em direção a uma vida mais plena. Mas a verdadeira mudança só acontece quando entras em ação, quando começas a dar os primeiros passos, quando começas a libertar-te de pessoas ou situações que não são as melhores para ti.
Não percas mais tempo a viver através dos sonhos dos outros! Define qual o teu maior sonho e transforma radicalmente a tua vida para o alcançares. Milagres acontecem quando arriscamos.
Se quiseres receber a tua carta deste mês, partilha esta publicação e escreve nos comentários “Eu quero!” Irei responder a todos os pedidos por mensagem privada.
Desejo-te de um mês muito abençoado e luminoso, em que saibas fazer as escolhas certas e te transformes. A transformação começa por ti, jamais te esqueças disso!
Abraço de Luz,
Isabel 💗
Viva!
Viva!
No dia 28 que vem, vou participar, pela primeira vez, num workshop de reprogramação mental. Era algo que há muito ambicionava, só que por um motivo ou outro – quase sempre monetário – este desejo foi sendo adiado, adiado, adiado... Até agora.
De PNL (Programação Neurolinguística) já deves ter ouvido falar. E sobre a reprogramação mental, o que me sabes dizer? Para falar a verdade, eu mesma pouco sei sobre o assunto. O que sei, e basta-me, é que pode ser um poderoso aliado na hora de mudar a forma de pensarmos e encararmos a vida. Disse-te que estou encentando mudanças profundas na minha vida, não disse? Pois, este é mais um passo nessa direção.
Creia-se ou não no invisível aos olhos, uma coisa é certa: tudo é energia! Até o génio Einstein teve que se render a esta evidência. Basta um google it para confirmares o que acabei de escrever. Ora pois, se tudo é energia, ao mudarmos a nossa, estaremos em condições de mudar radicalmente as circunstâncias atuais e vindouras. Ou seja, ao reprograrmos a nossa mente podemos transformar a nossa vida, dando-lhe aquele rumo que tanto desejamos, e merecemos.
Como se processa? Sendo a reprogramação mental uma capacidade humana de dominar a própria mente trocando informações neurais anticrescimento por informações prósperas e evolutivas, ela atua com recurso a técnicas baseadas em vibrações energéticas mais elevadas, dizem os especialistas. Como funciona? Respondo-te no dia 29 de abril. O que por ora te posso adiantar é que durante o evento o profissional de serviço fará recurso a técnicas como autohipnose, meditação, visualização, ho’oponopono, só para citar aquelas que me deixaram a salivar.
Incrível a forma como a idade nos impõe uma maturidade e uma humildade mental e espiritual. Eu, uma cética crónica desde o berço, jamais me vi a embarcar neste tipo de aventuras imateriais. Como a vida é uma eterna caixinha de surpresas, e uma educadora paciente, eis-me aqui predisposta a reprogramar a minha mente na convicta expectativa de que tal procedimento me ajude a atingir os meus objetivos e a alcançar uma existência mais plena e feliz.
Se te quiseres juntar a mim nesta odisseia espiritual, apita que terei todo o gosto em dar-te uma boleia. Quem sabe não é o que também tu estás a precisar para dares um novo rumo à tua vida. Bom fim de semana e até breve!

Viva!
Acontecimentos excecionais justificam posts excecionais, daí que te escreva, excecionalmente, num dia de domingo. Muito tem-me acontecido nos últimos dias; e é precisamente esse muito, ou pelo menos parte dele, que faço questão de partilhar contigo, tamanho o seu impacto na minha vida, e neste blog, por certo.
Mudei! Mudei de casa, mudei de telefone, mudei de sentimento, mudei de vida, ao fim e ao cabo. Conheces aquela canção que é o genérico de uma série do canal 1, Bem-vindos a Beirais, se não me engano? Ela é uma fiel narrativa do estado de espírito que me tem assolado nos últimos tempos e que, volta e meia, aqui deixei transparecer. Algumas dessas batalhas que tenho vindo a travar culminam agora numa retumbante vitória, que, confesso, jamais pensei ser possível a esta altura da beligerância.
Mas a vida é assim mesmo: uma vezes mãe, outras madrasta e, por vezes, fada-madrinha. Para gaudio meu, por estes dias ela resolveu vestir a terceira farda. Num passe de mágica, de modo inesperado, generoso e caprichoso até, ela tudo mudou, trazendo uma merecida e aclamada lufada de esperança à minha vida.
No último post, contei-te que estava de bagagem aviada para uma nova residência, mudança essa que se concretizou na manhã deste sábado. Entre incontáveis descidas de um 4º andar (sem elevador) e subidas para um 6º andar (com elevador), lá se fez a transição de código postal sem uma única baixa a registar. Acreditas que, mesmo sem caixas nem papel de jornal à volta, não se partiu uma só peça de louça? Sucesso absoluto, da exclusiva responsabilidade do corpo de intervenção que esteve envolvido em toda operação.
Sentada na cama – sequer me lembro da última vez que escrevi nestas circunstâncias – no conforto da minha suite master, a inspiração corre-me solta pelos neurónios. Pudera. Além de uma monumental varanda com vista para tudo e mais alguma coisa (diz quem aqui vive há muito que nos dias desanuviados é possível ver a olho nu a Serra da Arrábida, vê lá tu!), este meu reino da Graceland é limitado à direta pelas terras do Marquês do Pombal e à esquerda pelas do Duque de Saldanha. É caso para se dizer: bendita sou eu entre a nobreza alfacinha.
Ainda que destituída de telefone e internet e cansada até à medula, não poderia sentir-me mais realizada. Na verdade, não me vem à memória a última vez que me senti assim, tão bem, tão em paz. Assim que me habituar ao barulho deste trânsito frenético e incessante, que não dá tréguas nem mesmo ao fim de semana, serei uma mulher ainda mais realizada.
Quem comigo convive sabe que há muito acalentava o desejo – que muitas vezes chegou a soar como uma fantasia, de tão inalcansável que parecia – de morar sozinha, ou pelo menos partilhar espaço somente com a Natalie, a minha companheira de casa, lutas, sonhos, projetos e, mais importante que tudo, filosofia de convivência habitacional.
Desde os tempos de estudante que venho partilhando casa. Já tive colegas de raças, nacionalidades, credos, formações e educações bem distintas. Aos 20 anos encarava a coisa como uma aventura. Aos 30, uma força das circunstâncias. Aos 40, uma fatalidade, que estava a dar comigo em doida. Ainda que no último ano e meio não tenha havido dança de cama no Dona Estefânia 7, a verdade é que achava cada vez menos piada ao ter que partilhar o meu espaço com forasteiros, cuja presença me era imposta por um dos elementos.
Para além de me ver obrigada a abrir mão da minha privacidade, da minha rotina e do meu sossego, ou seja, da minha paz de espírito, a presença de pessoas estranhas à casa implicava a esta pobre criatura trabalho a dobrar. Ainda que sob acusação de excesso de asseio (quero lá saber, antes isso do que ser porca), uma habitação limpinha e organizada é algo do qual nunca consegui abrir mão. Por trabalhar em casa, é nela que passo a maior parte do meu dia, em primeira instância, e da minha vida, em última. Diz-me lá se é um absurdo tão grande que faça questão que esse espaço esteja sempre impecável?
Xiiiiiii, a crónica já vai no parágrafo 7 – eu disse que a inspiração corria solta, não disse – e tanto mais há para dizer. Queria falar de como esta mudança calhou numa altura deveras auspiciosa, já que a Páscoa (a celebração mais importante para a comunidade católica) está associada à ressureição, que é com quem diz à vida depois da morte. Exatamente o que esta mudança representa para mim. E para a Natalie, acredito.
Pelos vistos, vai ter que ficar para a próxima, assim como para a próxima vai ficar a imagem da vista da minha varanda. Agora vou aí ao vizinho ver se lhe consigo cravar 10 minutos de internet, tempo suficiente para te fazer chegar este post.
Despeço-me com um abraço mais amigo do que o costume e desejos de que a tua Páscoa seja tão abençoada quanto esta nova fase que ora se inicia para esta ainda solteira que tanto bem que quer.
Viva!
"Chegou a Primavera! A tua equipa do Facebook deseja-te uma estação cheia de luz e beleza.", foi assim que me atinei que o início da nova estação afinal é hoje e não amanhã, como estava em crer. Assim sendo, tive que alterar a pauta do blog e parir a toda a pressa (sem epidural nem cesariana, vê lá tu a minha agonia) este artigo. Afinal, a prima vera bem merece uma homenagem, mais não seja porque é pelas semanas dela que se dá o renascimento de tudo o que esteve hibernado nos últimos gélidos meses.
Se ainda me restasse alguma dúvida quanto ao tema desta crónica, uma memória facebookiana chamou-me a atenção para o facto de nesta terça-feira também se assinalar o Dia Internacional da Felicidade, efeméride instituída pelas Nações Unidas em 2013.
Já que as duas estão juntas desde os primórdios da humanidade, porque não selar o seu enlace com a pergunta da praxe: "Primavera, aceitas a felicidade como tua legítima parceira, prometendo ser-lhe fiel, de dia e de noite, na luz e na escuridão, na residência e na rua, por todos os dias desta estação até que o verão vos separe?"
Antes de te contar qual foi a resposta da nossa nubente, faço uma pausa para referir que aqueles que entendem do assunto acreditam que a estação das flores está, de facto, intimamente ligada à felicidade, na medida em que promove o aumento e/ou melhoria de uma série de aspetos, tais como:
- contacto com a natureza
- prática do exercício físico
- atividades outdoor
- convívio com os outros
- exposição à vitamina D
Existe, igualmente, uma relação direta entre a estação do ano que ora se inicia e a nossa autoestima; quiçá porque, libertos do vestuário pesado, passamos a dedicar mais atenção àquilo que nos reflete o espelho. Não é nesta altura do ano que se fazem mais planos de emagrecimento, que se idealizam as férias e que se passa mais tempo polindo a calçada? Sem falar nas primeiras excursões à praia, no quente abraço do areal, no arranque da época bronzeal, nos finais de tarde nas esplanadas e nos cocktails nos rooftops. Tudo coisas que contribuem ativamente para a elevação da autoestima humana.
Com mais horas de sol, muitos se despedem dos estados de espírito mais vulneráveis. É na primavera que o índice de depressão costuma atingir os mínimos. Se a tudo isso acrescentarmos os dias ensolarados, as tardes amenas, as árvores em flor, as relvas esverdeadas, os campos floridos, os pássaros tagarelas e as roupas coloridas, é caso para se dizer: "Primavera e felicidade, declaro-vos luz e vida até que o apocalipse vos separe!"
Uma feliz primavera a todos os inquilinos deste planeta!
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