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Crónicas, contos e confissões de uma solteira gira e bem resolvida que não cumpriu o papel para o qual foi formatada: casar e procriar. Caso para cortar os pulsos ou dar pulos de alegria? Provavelmente, nem uma coisa nem outra!

BBB228CC-FE50-4057-A1EB-05C457EF01F2.jpegOra viva ✌️!

Estes últimos dias têm sido uma loucura, só que uma loucura boa. No post anterior revelei que novembro, o meu mês de nascimento, costuma ser muito generoso comigo e que este ano parecia querer manter a tradição. Ora nem mais! Ainda só vamos no seu quarto dia e já tenho muito que celebrar, bastante que agradecer, tanto que partilhar. As novidades são mais que muitas, mas por ora adianto estas quatro:

Nacionalidade
Vinte e dois anos, dez meses e alguns dias depois de ter cá posto os pés pela primeira vez, tornei-me cidadã nacional, de facto e de direito. Mamma mia, o que me custou... mais do que a designação jurídica, a obtenção da nacionalidade portuguesa representa a vitória da persistência sobre o infortúnio. A partir de agora, e para todos os efeitos, sou cidadã cabo-lusa. Bem sei que o termo oficial é luso-cabo-verdiana, mas dado que a minha cidadania original é a cabo-verdiana, opto por dar-lhe primazia na conjugação do nome.

Teletrabalho
Após quatro semanas de incapacidade temporária para o trabalho, causada por stress profissional, era-me francamente desconfortável a ideia de regressar ao escritório, até poque sabia que voltaria a ficar exposta à causa do problema. Com o trabalho remoto fica a questão atenuada, já que à distância o assédio moral por parte da minha chefia direta perde impacto, para gaúdio da minha paz de espírito, em primeira instância, e da minha saúde mental, em última. Sem falar que, com a retoma ao ativo, volto a desfrutar de uma maior margem financeira, uma vez que recuperarei o salário na íntegra.

Televisão
Participei, na tarde de ontem, no talk-show Bem-vindos, durante o qual tive oportunidade de apresentar este blog e abordar a solteirice e a pressão que as mulheres, sobretudo as africanas, sofrem quando não têm um parceiro amoroso assumido na sua vida. A gravação correu lindamente, pelo que estou confiante que fiz boa figura. O programa será transmitido na tarde da próxima terça-feira (10 de novembro), na RTP África. Assiste, se puderes!

Mulheres e seus Destinos
Lembras-te daquele livro para o qual contribui com a prosa Quisera eu ser como tu, mulhera qual dei-te conhecimento numa publicação datada de 28 de novembro de 2019? A obra vai ser agora lançada em território luso e esta solteira aqui é uma das convidadas para proceder à sua apresentação, ao lado de ilustres figuras como a embaixatriz cabo-verdiana Manuela Brito, a poetisa Carlota de Barros e a antropóloga Teresa Noronha. A cerimónia, a ser transmitida em direto através da página do Facebook do CCCV - Centro Cultural de Cabo Verde, está agendada para as 18 horas do dia 13 de novembro (uma sexta-feira 13 🧟‍♀️). Seria uma honra contar com a tua audiência, por isso anota aí na agenda.

Mais coisas (boas) se avizinham e terei todo o prazer em partilhá-las sempre que se justificar. Por hoje é tudo.

Stay cool, stay happy, stay safe!

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04
Dez19

Entrevista ao SAPO Lifestyle

por Sara Sarowsky

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Viva!

Contigo partilho hoje a minha entrevista ao maior portal de notícias do meu amado país natal, o Sapo Cabo Verde. Assinada pela C. Morais, a peça saiu hoje na rubrica Dinheiro e Carreira da SAPO Lifestyle. Podes aceder através do link ou ler aqui mesmo.

Define-se como "mulher de personalidade independente, desenrascada, bem-disposta, curiosa e muito crítica em relação a determinados status quo que, a seu ver, cumprem o doloroso dever de manter as pessoas espartilhadas num código de conduta (moral, social e religioso), para a qual sequer foram convidadas a opinar". Em entrevista ao SAPO, Sara Sarowsky, a autora do blog Ainda Solteira, conta como surgiu o projeto que se revelou ser o 'grande amor da sua vida'.

É natural da cidade da Praia, mas há muitos anos que Sara reside no estrangeiro, atualmente em Portugal. É autora de um blog com um título no mínimo provocador – Ainda Solteira – e este ano é novamente uma das finalistas dos Sapos do Ano, iniciativa que visa distinguir os melhores blogs anónimos portugueses e cujo vencedor é anunciado a 17 de dezembro.

O 'grande amor da sua vida' surgiu em 2015. Sara tinha 36 anos, trabalhava em comunicação enquanto gestora dos blogs de uma apresentadora de televisão em Portugal e consequentemente "passou a inteirar-se do âmbito técnico, administrativo e comercial da blogosfera". Da troca de ideias com jornalistas e gestores de conteúdos, colegas de profissão, e de uma pesquisa sobre os temas com maior saída na altura, decidiu criar o blog, que inicialmente batizou de 'À beira dos 40 e ainda solteira. So what?!', mas que acabou por ficar apenas Ainda Solteira.

Recorda que na altura "já não suportava levar com os comentários alheios sobre a sua condição amorosa. Com maior ou menor pitada de malícia, ouvi de tudo: porque não tinha namorado, porque não tinha filhos, porque as amigas e colegas já estavam todas casadas e paridas e eu não, porque o prazo de validade para engravidar estava a expirar, porque uma mulher sem homem é como um carro sem motor, porque tinha uma relação clandestina, porque não gostava de homens, porque tinha mau feitio, porque tinha a mania, porque isto, porque aquilo, porque aqueloutro. Levava com essas bocas da família, dos amigos, dos colegas, dos conhecidos, dos desconhecidos, dos indiscretos, dos condescendentes, dos genuinamente preocupados, dos ressabiados, dos invejosos, dos piedosos, dos moralistas, dos amorais, de todos, o tempo todo".

Consciente de que o tema era bastante específico deitou as mãos a obra e dedicou-se à pesquisa, sondou "profissionais da área, analisou tendências e estudou casos de sucesso" e seguiu em frente sempre com o objetivo de "criar um blog diferente (...) que respeitasse o lema da faculdade onde estudou: 'Se formos apenas mais um, seremos um a mais!'.

Escolheu um tópico onde se sentia à vontade. "Ao estatuto de solteira de longa duração, aliava-se uma vocação inata para a coisa, se assim posso dizer. Eu gosto de ser leve, livre e solta, como se diz por aí. (...) O celibato ensinou-me a sentir-me amada sem precisar de um homem do lado, a alocar os meus recursos em exclusivo à minha pessoa e a ter maior consciência que ter um parceiro não é garantia de felicidade. Basta ver a quantidade de amigas, colegas e conhecidas que são miseravelmente infelizes mesmo estando emparelhadas. Sem falar naquelas que casaram, descasaram e agora são mais amargas que azedinha".

Ainda assim salienta que é totalmente a favor do amor, "o mais sublime de todos os sentimentos" que "só faz sentido se for para nos deixar mais felizes do que já somos". Daí que salienta: “Até agora não encontrei quem consiga fazer-me mais feliz do que já sou estando solteira".

O estilo peculiar da sua pena virtual deve-se também ao facto de sempre ter sido uma leitora voraz e ter especial aptidão para contar histórias, alega.PJN_9561a.jpg

"Durante a minha infância – passada no Cabo Verde recém-independente, sem internet e com acesso limitado à televisão, a leitura era tudo o que me restava para ocupar o tempo livre. Lia o que me aparecia pela frente: banda desenhada, romances (moda entre as adolescentes), obras de aventura e mistério, contos eróticos (que chamávamos de capricho), jornais, manuais escolares, livros didáticos e por aí fora. Quando a nada mais conseguia deitar a vista valia-me a Bíblia, logo eu que sou agnóstica até à medula".

Explica que pelo facto de o blog ter um público bastante específico, a comunidade celibatária, a sua audiência é "modesta, contudo, fiel". 

Geralmente publica três vezes por semana e raramente faz posts aos fins-de-semana. "Como estou longe de pertencer à turma dos "agarrado ao telemóvel", o estar desconectada nesses dois dias é uma solução para desacelerar a dinâmica alucinada que rege o exercício da profissão de gestor de redes sociais”.

Apesar de já ter recebido propostas, a blogger optou por não ter publicidade no Ainda Solteira, nem fazer promoção de produtos e serviços. Sara explica que tem um cuidado obsessivo em não associar o blog "a alguma marca, serviço ou produto do qual possa vir a sentir embaraço no futuro. Sem falar que receio perigar a minha credibilidade, como já aconteceu com vários bloggers e influencers".

Mas deixa claro que não exclui a hipótese de tirar proveito financeiro com o blog que considera ser "uma causa, um projeto de vida, um casamento para a eternidade", e não apenas um passatempo. "No dia em que me fizerem uma proposta com a qual me identifique e com a qual os meus seguidores também se possam identificar, terei o maior gosto em aceitar. Até lá, prefiro manter os meus valores intactos, ainda que isso implique bolsos rasos".

Mostra-se extremamente realizada com o feedback que tem recebido até então por parte dos utilizadores e diz, inclusive, que são estes que a motivam a continuar com o blog.

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"Não mais do que uma vez ponderei a hipótese de desistir do blog e se não o fiz foi por causa da excelente relação que tenho com aqueles que leem os meus conteúdos. Deles só tenho recebido elogios, cada um mais inspirador que outro. Pessoas, sobretudo mulheres, que me confidenciam como as ajudo a encarar a solteirice com outros olhos. Que ao lerem o que escrevo se sentem mais confiantes, mais firmes na sua decisão de se manterem solteiras a estar numa relação medíocre, abusiva ou estéril".

"Saber que fazemos diferença – para melhor, claro – na vida de alguém é algo indescritível, que me impele a ser mais e melhor blogger, em primeira instância, e mais e melhor pessoa, por consequência", enfatiza.

Quanto aos planos futuros para o Ainda Solteira, a autora diz que gostaria de elevar ainda mais a qualidade do blog "não só para legitimar as distinções (já) conquistadas, mas essencialmente para alcançar muitas mais".

"A minha intenção é, e será sempre, ser reconhecida (ainda que por meia dúzia de pessoas) como uma autora criativa, divertida, verdadeira e com uma escrita pautada por uma sensibilidade capaz de tocar, de forma despretensiosa e aconchegante, o coração, a mente e a alma dos seus leitores. É isso que me move, motiva, orgulha e realiza".

A possibilidade de um dia regressar a Cabo Verde existe, mas Sara salienta que antes disso teria de realizar uns quantos projetos."Gostemos ou não de admitir, Cabo Verde ainda é muito limitativo em determinadas áreas. E aquela na qual quero realizar-me é uma delas. Outra razão que me prende cá tem a ver com o facto de todos os meus irmãos residirem na Europa. Estando em Portugal, é-me mais fácil, rápido, cómodo e barato estar junto deles".

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09
Nov19

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Ora viva! ✌️


Hoje, ainda que por pouco tempo, tive a oportunidade de privar com o lado desagradável do sucesso. 
Seguramente à conta do mediatismo dos últimos dias, fui despertada do meu descanso prolongado por uma avalancha de pedidos de amizade no meu perfil no Facebook.

 

Só para teres uma ideia, em pouco mais de uma hora este já contava com duzentos e tal novos amigos. Isto porque, de modo imprudente e impulsivo, fui aceitando os convites que me eram endereçados, sem parar para refletir sobre as implicações daquilo que estava a fazer. A ficha só caiu quando comecei a ser bombardeada pelo Messenger com chamadas e mensagens. Em questão de minutos, recebi pedidos de ajuda e de dinheiro, agradecimentos, piropos, elogios, conversa fiada e até uma imagem obscena. Com o mesmo frenesi, as chamadas não paravam. Nem bem acabava de rejeitar uma, lá vinha outra a clamar pelo ícone verde. Do mesmo "chamador" ou de outro qualquer, essas chamadas anunciavam que o ter aceite o convite de amizade foi interpretado como um convite ao engate. Ou que o facto de ser autora de um blog chamado Ainda Solteira significava que ando desesperada por um macho.

 

Abro aqui um parêntesis para esclarecer que a minha definição de privacidade há muito que determina que apenas amigo de amigo pode enviar-me convite de amizade. Quanto a isso sempre fui inflexível: impedir o acesso ao meu perfil a desconhecidos, pessoas com quem nunca tenha privado na vida real ou com quem não partilhe determinado círculo de amizade.

 

Na ressaca do meu recente sucesso na comunicação social cabo-verdiana, baixei a guarda e aceitei pedidos de amizade de pessoas alheias ao meu convívio. Foi quanto bastou para que amigos desses recém-amigos conseguissem chegar até mim.

 

A debandada desta manhã assumiu tal proporção que o próprio Facebook por duas vezes bloqueou-me o acesso à conta. Imagino que deva ter pensado que se tratava de um hacker ou de uma mobilização massiva do Daesh, já que, em 75 minutos, passei de utilizador com uma média de duas novas amizades por mês a utilizador com duas centenas de novas amizades, sendo 99% delas do sexo masculino, a maioria portadores de nomes árabes e muçulmanos. 

 

Porque aceitei estes pedidos de amizade? Porque a ingenuidade que insiste em não deixar-me ver as coisas como elas de facto são, pelo menos num primeiro momento, disse-me que estava aí uma boa oportunidade para angariar novos seguidores para a página do Ainda Solteira. Assim, dei por mim a batalhar em duas frentes: no tablet aceitava os pedidos de amizade e no telemóvel enviava convites para gostarem da página. Quanta ingenuidade minha! O número dos que aceitaram ser fã da página não atingiu sequer 10%.

 

Ao constatar que o interesse deles não estava em mim enquanto autora, e com cada vez mais requests a chegar, tomei a decisão de desferir o golpe fatal, sob pena de ver comprometida a guerra contra o assédio. O primeiro passo consistiu em bloquear os áudios. Depois "ignorei"  os textos, enviando-os para a pasta (oculta) dos pedidos de mensagem. A seguir, encetei a empreitada de remover todas essas amizades recentes. Por último, rejeitei todos os outros pedidos pendentes, que a essa altura já ultrapassavam as duas dezenas.

 

Mesmo sendo um processo moroso e enfadonho, nem um único perfil escapou à chacina. Dos cerca de 1.100 amigos que já tinha acumulado, sobraram 816, basicamente os mesmos que tinha antes da fama. Mais pedidos continuam a chegar, só que em menor quantidade, com todos eles a conhecerem o mesmo destino: "eliminado".

 

Quem quiser saber da minha vida enquanto blogger poderá fazê-lo através da página do Ainda Solteira. Gostando ou seguindo, será sempre bem-vindo, disso pode estar certo. Quanto ao meu perfil, a conversa é outra. Por ser pessoal, logo privado, só lá aceito aqueles que considero amigos, pessoas que conheço pessoalmente ou com quem tenha, no mínimo, 10 perfis em comum. Àqueles que não cumprem nenhum desses requisitos deixo o seguinte recado: "Não se deem ao trabalho de me enviar pedidos de amizade, pois estes serão impiedosamente rejeitados!"

 

A minha postura na vida sempre se pautou pela máxima "qualidade, em vez de quantidade" e não vai ser agora, por causa de três artigos em jornais, que dela vou abrir mão. Este lado da fama dispenso de bom grado. Termino lembrando que há uma linha que separa a minha vida pessoal da minha vida profissional e que essa linha está muito bem demarcada: o perfil é para a privada e a página para a pública. Fui clara?

 

Aquele abraço amigo e desejos de um ótimo fim de semana!

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