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Crónicas, contos e confissões de uma solteira gira e bem resolvida que não cumpriu o papel para o qual foi formatada: casar e procriar. Caso para cortar os pulsos ou dar pulos de alegria? Provavelmente, nem uma coisa nem outra!

19
Mar19

Tinder Surpresa

por Sara Sarowsky

tinder-suprise-pregnancy-kinder-suprise.jpg

Viva!


Por falar em Tinder, deixa-me contar-te sobre uma conhecida minha que acabou grávida de um gajo que conheceu através desta app. Pelo que soube, eles estiveram juntos uma única vez e foi quanto bastou para que, nove meses depois, ela tivesse nos braços o seu Tinder Surpresa.

Para resumir, que ainda tenho muito para escrever, esta estória termina no tribunal, com ela a assinar um documento onde se compromete a nunca reclamar nada do pai (pensão/herança/presença) e ele a assinar um outro documento abrindo mão de todo e qualquer direito sobre a criança (guarda parental).

À luz deste caso, e tendo em consideração um número cada vez mais alarmante de corações partidos à conta de apps e sites de engate, sinto-me impelida a puxar da palmatória e a endurecer o discurso. Estimadas carentes, ingénuas, desesperadas e românticas incuráveis parem de uma vez por todas com essa fantasia de que vão encontrar o amor das vossas vidas nessas plataformas. Lamento dizer, mas isso dificilmente vai acontecer. E para não achares que estou para aqui a disparar disparates, passo a explicar porquê.

Ponto 1
O Tinder é sobejamente conhecido por ser uma app de encontros sexuais. Com isso quero dizer que o amor não faz parte da ementa. É como ires ao McDonald's e esperares que te sirvam peixe grelhado no carvão.

Ponto 2
Não encontramos o amor, é ele que nos encontra. Por isso procurá-lo, ainda mais nesse tipo de lugar, é puro desperdício.

Ponto 3
Volta e meia, ouvimos falar de uma ou outra estória de amor que começou na rede e fincou na vida real. Para tua informação, elas são a exceção que confirma a regra. A não ser que sejas a personagem Gastão dos quadradinhos da Disney esquece lá isso de encontrar a tua cara-metade por aqueles domínios.

Ponto 4
Neste tipo de metragem o argumento é quase sempre o mesmo: mulheres carentes à procura de emoção e homens esfomeados à procura de alimentação. Logo, expectativas desencontradas que findam em desilusões amorosas.

Ponto 5
Os homens sabem muito bem ao que vão quando acedem a esta app. Ninguém vai lá parar por acaso nem por lá permanece à toa. Por isso, não tenhas ilusão de que a presença deles aí é por outra coisa que não o sexo.

Ponto 6
Com base em vários testemunhos, fiquei a saber que uma mulher que se conhece por esses meios não é para ser levada a sério, menos ainda se ela "facilitar a vida" ao match no primeiro encontro. Por mais que a sociedade se orgulhe de estar a evoluir, a mente masculina ainda é muito castradora em relação à emancipação sexual feminina. Os homens acham o máximo uma mulher liberal; para dar umas voltas. Porque quando se trata de assumir e apresentar à família e pessoas das suas relações, escolhem as amostras de beatas, de quem as sogras possam orgulhar-se.

Ponto 7
O Tinder, mais do que qualquer outra app que eu conheça (e conheço quase todas), é um catálogo online de comida humana, em que cada um escolhe o prato que mais apetite lhe despertar: étnico, internacional, tradicional, exótico e por aí fora. Só têm que escolher, com a vantagem de que não pagam absolutamente nada – vá, um jantar com sorte ou a conta do motel.

Ponto 8
Os homens que usam o Tinder já lá chegam com a mente formatada para seguir o protocolo – aceder, escolher, fazer o match, encontrar-se, "comer" e ir à vidinha dele. Até ter fome novamente. Eles não estão nem aí para o facto de seres uma mulher encantadora na vertical; o que querem realmente saber é quão útil podes ser na horizontal.


Ponto 9
Eu, solteira de longa duração, mais do que ninguém sei o quão pesado pode ser o celibato. Mas caramba, tens mesmo que abrir mão da tua dignidade só para teres um macho na tua vida? Não mereces ser tratada como algo mais que mero objeto sexual à mercê da luxúria alheia?

Ponto 10
Se queres mesmo muito encontrar um tipo porreiro que te valorize como mulher e ser humano, esquece o virtual e investe no real. Vai para a rua meter conversa com quem te possa olhar nos olhos e dizer-te o quanto és importante para ele. Eu sei que é difícil, mas deve existir algures um homem que te possa tratar como algo mais que comida, a que ele só deita a mão para saciar uma das suas necessidades biológicas mais primitivas. 

Se, do fundo do teu coração, sabes que só queres dar o corpo ao manifesto a custo zero então o Tinder é sítio certo para ti. Se não for esse o caso, poupa-te a ti mesma um mais que provável desgosto amoroso e um desgaste sentimental perfeitamente dispensável.

Vai por mim, o Tinder não é para amadores muito menos para românticos; é para predadores. Não é para os que buscam viver o amor, mas para os que buscam fazer amor. Ali não há romance, apenas sedução. Não há emoção apenas tesão. Não há encanto apenas ansiedade. Ali vale tudo, exceto esperar amor.

Até breve e nada de Tinder !

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mw-860.jpgHoje partilho contigo um artigo da colega Paula Cosme Pinto, autora do blog A vida de saltos altos, sobre a (não) gravidez depois dos 30 anos. Simplesmente fenomenal, pois ela fala por todas nós que dia sim - e outro também - temos que levar com esse tipo de interrogatório só porque (ainda) não enveredamos pelo caminho da maternidade.

Faço parte daquela geração que já passou dos 30 e que não tem filhos. Faço também parte daquele grupo de mulheres que até estão numa relação duradoura, com uma situação económica estável e sem problemas de saúde de maior. Posto isto, volta não volta (e estas voltas acontecem muito frequentemente), surge a questão: mas afinal quando é que engravidas? A resposta é simples: vocês não têm nada a ver com isso!

Depois do clássico "quando é que te casas?", durante os vinte, esta é a pergunta que se impõe à larga maioria das mulheres quando passam dos trinta. Como se nos transformássemos num bicho estranho por não estarmos a contribuir para a taxa da natalidade, principalmente quando a nossa vida aparentemente até "está tão bem encaminhada". O que muita gente não percebe é que esta pergunta pode ser muito inconveniente, ou até mesmo dolorosa. E foi isso que Emily Bingham, 33 anos, quis mostrar ao publicar no seu perfil de Facebook uma foto de uma ecografia, com um texto que se tornou viral nas últimas duas semanas.

Se ainda não se cruzaram com ele, deixo-vos as primeiras palavras desta jornalista de Michigan: "Olá a todos!!! Agora que consegui captar a vossa atenção com esta ecografia aleatória que saquei do Google, vou usá-la como um lembrete para o facto de que os planos reprodutivos dos outros NÃO SÃO DA VOSSA CONTA".

Emily relembra que antes de se fazer a típica pergunta sobre quando é que alguém começa uma família, deveríamos todos ter em conta que há imensos casais com problemas de fertilidade, muitas vezes há anos em tratamentos deveras dolorosos, tanto fisicamente como emocionalmente. Por cá, por exemplo, um estudo realizado pelo presidente do Colégio de Especialidade de Ginecologia e Obstetrícia da Ordem dos Médicos e pela investigadora Ana Santos, revelou que nove a dez por cento dos casais (entre 260 e 292 mil casais portugueses) têm problemas de infertilidade ao longo da vida. Acreditem: ninguém vai andar a apregoar aos quatro ventos que tem este problema, portanto pensem duas vezes antes de pressionar um casal com esta pergunta tão desnecessária. Quando eles engravidarem, vocês irão saber.

Não esquecer: há quem simplesmente não queira ter filhos

Mas há mais razões: a jornalista americana relembra também a quantidade crescente de mulheres que abortam durante as primeiras semanas da gravidez (aquelas em que ainda é suposto manter segredo) e que, mais uma vez, nunca chegam a partilhar com ninguém o que aconteceu. Convenhamos, sejam seis ou dezasseis semanas, é sempre uma perda dolorosa. Emily relembra ainda que há imensas pessoas com problemas de saúde que não são compatíveis com uma gravidez saudável, tal como há pessoas que estão a passar por fases mais stressantes das suas vidas profissionais e por problemas económicos, todos eles fatores que pesam aquando de uma gravidez planeada. Já agora, também convém não esquecer: há muitas pessoas que simplesmente não querem ter filhos. E ninguém tem nada a ver com isso.

"Há perguntas à partida inocentes que podem causar sofrimento, stress e frustração extra, lembrem-se disso quando decidirem fazer esta", frisa Emily no seu post viral. Um texto que já conta com 76 mil partilhas e mais de 57 mil comentários, na sua larga maioria de pessoas que aplaudem as palavras da jornalista e que se revêm nas múltiplas situações que ela expõe.

Quando tiverem a 'pergunta dos filhos' debaixo da língua, lembrem-se das palavras de Emily Bingham: "Metam-se na vossa vida, simplesmente vocês não têm nada a ver com isso.

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