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Crónicas, contos e confissões de uma solteira gira e bem resolvida que não cumpriu o papel para o qual foi formatada: casar e procriar. Caso para cortar os pulsos ou dar pulos de alegria? Provavelmente, nem uma coisa nem outra!

16
Out20

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Viva!

Era intenção desta publicação dar-te conhecimento do ranking mundial dos melhores (e piores) amantes. Contudo, a possível obrigatoriedade da instalação da aplicação Stayaway Covid, cuja proposta foi ontem entregue na Assembleia da República, com vista à sua aprovação, é-me de tal forma preocupante que resolvi, à última da hora, mudar o teor do seu conteúdo.

Estamos todos conscientes de que esta pandemia não está para brincadeiras e que, se mais e melhor não for feito, ela poderá assumir proporções catastróficas. Estamos igualmente cientes de que a hora de agir é agora, sob pena de se perder o controlo da situação. Estamos ainda cônscios de que tempos duros exigem medidas duras, medidas que raramente reúnem consenso geral.

Às autoridades competentes - no caso de Portugal, ao executivo liderado por António Costa, de quem sou simpatizante assumida - cabe o (ingrato) papel de decidir, determinar, gerir, controlar e, em última instância, fiscalizar e punir. Até agora nunca vi motivos para grandes celeumas, por mais que me possam custar algumas das medidas impostas, como o uso da máscara, por exemplo.

Bem diferente é a atual postura governamental de impor a obrigatoriedade da instalação da Stayaway Covid, uma aplicação para telemóvel, um objeto pessoal e intransmissível, adquirido com recursos próprios, sem qualquer comparticipação, ou dedução, de fundos públicos. Caro primeiro-ministro português, é com todo o respeito que lhe digo que essa sua intenção é autoritária, arbitrária e atentatória ao estado de direito democrático do qual tanto nos orgulhamos. Não queira esbater a linha que o separa de um estado de direito autoritário, peço-lhe. Já a história provou, por diversas vezes, que a governação pela ditadura nunca é boa ideia. Não há pandemia, por mais exigente que o seu combate possa ser, que justifique tal coisa.

Ainda que os 10,28 milhões de residentes em território português acedessem a instalar a dita app, acredita o governo que é desta forma que vai conseguir controlar ou interromper as cadeias de transmissão do novo coronavírus? A não ser que tenha sido identificada uma nova forma de contágio, é sabido que este transmite-se através do contacto humano direto e não do contacto virtual. Ter a Stayaway Covid instalada não é garantia de nada, até porque ela só é útil se estiver permanentemente ligada, ou seja, conectada à internet. Garante o governo que todos terão acesso à internet móvel, de modo a manter a aplicação sempre on? Garante o governo que todos manterão o telemóvel ligado o tempo todo, em todo o lado? Garante o governo que os aparelhos terão memória suficiente para a sua instalação? Garante o governo que o saber que se esteve próximo de alguém infetado não vai comprometer o estado psíquico-emocional dos portugueses, por si só bastante fragilizado pela própria pandemia?

Estas são apenas algumas das questões de caráter prático que convém serem ponderadas, a par das relacionadas com a sua implementação e fiscalização no terreno, assumidamente difícil para todos os stakeholders. As de foro jurídicas vou deixar para quem entende do assunto. Ainda que o direito não seja a minha área de formação e atuação, tenho conhecimento suficiente para acreditar que esta é uma medida que atenta contra a liberdade individual, salvaguadada pela Constituição portuguesa. Com esta proposta, o governo deixa claro que, desde que assim o entenda, a vontade pública deve prevalecer sobre a vontade privada. O que me leva a questionar até que ponto o interesse coletivo deverá impor-se ao interesse individual. Sem falar que se estaria a abrir um precendente que, no futuro, poderá revelar-se perigoso, tanto do ponto de vista da constitucionalidade como da privacidade.

Por hoje é tudo; voltarei na segunda com o tal artigo sobre os melhores provedores de orgasmo espalhados por esse mundo fora. Até lá, deixo-te com aquele abraço amigo e a recomendação de Staycool, Stayhappy e Stayway Covid (apenas por vontade própria e não por imposição legal).

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25
Nov15

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Digam o que disserem sobre o XXI Governo Constitucional de Portugal: que o António Costa é um usurpador, que quem ganha nas urnas deve (e merece por mérito próprio) governar, que se o povo quisesse um governo de esquerda teria votado num, enfim... Todos argumentos legítimos, logo perfeitamente aceitáveis, mas que em nada acrescentam à realidade política nacional.

 

Intrigas da oposição à parte, o facto é que o Costa (ai Costinha) ainda nem tomou posse e já introduziu duas mudanças que a direita jamais soube (ou devo dizer, quis) efetuar: a primeira prende-se com a nomeação (inédita e inesperada) de uma negra - como deves compreender esta é uma questão que me toca particularmente - para um cargo ministerial. Refiro-me a Francisca Van Dunem, nascida em Angola há 60 anos, e que até aqui desempenhava funções de procuradora-geral distrital de Lisboa. A segunda atende pelo nome de Sofia Antunes, a nova secretária de Estado da Inclusão das Pessoas com Deficiência, que ficará para sempre na história como a primeira secretária de Estado cega ou invisual (como preferirem). Antes de chegar ao Governo, Sofia Antunes, de 34 anos, presidia à Associação dos Cegos e Amblíopes e era provedora do cliente na Empresa Municipal de Mobilidade e Estacionamento de Lisboa (EMEL).

 

Não sei se por ter o pé numa antiga colónia, não sei se por não ser caucasiano puro, não sei se por ter sido discípulo de Sócrates, não sei se por ser mais sensível às minorias, não sei se pela natureza do acordo político que permitiu a formação deste governo, a verdade é que o recém-indigitado premier já está a promover bons e auspiciosos ventos da mudança.

 

E esta mulher aqui, apartidária, mas com um fraco pela esquerda, deseja toda a sorte e felicidade ao novo executivo que tomará posse amanhã, dia 26 de novembro de 2015.

 

Agora diz-me companheira se há ou não motivo para aguardarmos esperançosos pelo desenrolar dos próximos acontecimentos? Independentemente da tua crença política ou da tua cor partidária, uma coisa tens que reconhecer: dificilmente levaremos com mais do mesmo. Bah oui!

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Hoje é dia de legeslativas na Tugaland, um bom mote para este post, mais não seja para animar este domingo insosso, cinza e pluvioso, com alertas multicolores para vários distritos do país.

 

Voltando às eleições, que o propósito desta publicação é dissecar este tema e não a meteorologia, importa referir que a je aqui não vota, aliás jamais resenseou-se, nem no seu país de origem e nem neste do qual se apropriou há já alguns anos. Sim, sou emigrante e como cidadã residente, e não nacional, não estou autorizada a dar palpites sobre a gorvernação interna. O que até é compreensível. Mas, ao menos posso opiniar, que é este é um direito do Estado democrático, independentemente do meu estatudo jurídico.

 

Nunca votei e não me vejo a mudar de posição, simplesmente porque sou contra a logística da coisa. Afinal, o povo - aquele que tem o poder nas mãos - confere esse mesmo poder a certas pessoas, que lhes prometem mundos e fundos e depois nunca mais lhes põem a vista em cima, a não ser através da televisão, da internet e de eventos nos quais ficam (quase) sempre bem na fotografia.

 

Dias, semanas, até mesitos, antes de precisarem novamente do bendito povo (e do seu poder, claro está!), os mesmo fulanos, e mais uns tantos recém-chegados à arena política, logo ávidos por protagonismo, voltam a dar o ar da sua graça, tratando-nos como BFF (vulgo best friend forever). São beijos para aqui, abraços para acolá, apertos de mão pelo meio, palmadinhas nas costas por detrás, sorrisos a torto e a direito (que esses não pagam impostos. Pelo menos por enquanto). E mais promessas, obviamente, que essas assumem o papel principal durante a disputa, mas misteriosamente saem de cena quando a conquista se efetiva.

 

É esse sistema e a forma como ele beneficia umas centenas de indivíduos, em detrimento de outros tantos milhões, que faz com que opte por manter-me longe destas cenas de politiquice, não obstante reconhecer na minha pessoa um talento inato, logo inegável, para a coisa. Apesar dessa constatação, não é de todo minha intenção dar corda a essa tendência, na medida em que sou consciente de que jamais poderia ser bem sucedida nesta matéria. Digo o que penso e penso o que digo e essa postura, o meu fado (para o bem e para o mal), que já um pesadelo social, tornar se ia, sem dúvida, um suicídio político, e quiçá até físico.

 

Cá estou eu novamente a dispersar-me, não que seja de todo reprovável, já que é uma caraterística associada a mentes criativas, espíritos indagadores e almas generosas, mas que faz com que perca o fio à meada. E a meada são as eleições deste domingo, 4 de outubro.

 

Nunca assumi nenhuma cor partidária, tão pouco afiliação, mas confesso que identifico-me mais com a filosofia da esquerda. E quando digo esquerda, refiro-me essencialmente ao PS e ao Bloco de Esquerda, este último uma inesperada e inspiradora revelação na pessoa da Catarina Martins, uma mulher do tipo comum, mas com uns olhos de luxo, uma visão clarividente, uma língua proativa e um competente jogo de cintura. Admiro-a, não tenho como negar, e espero vê-la, em breve, no elenco governamental.

 

Quanto ao outro candidato da esquerda, o Costa (que não é do Castelo, mas que, por algum tempo, foi o seu soberano), digo que gosto do homem. Na verdade sempre gostei. Encontrei-me com ele algumas vezes, em contexto profissional, e o senhor despertou-me uma simpatia inusual. Talvez por ter sido tão generoso para com o meu país e a gente da minha terra. Talvez por não ser 100% caucasiano. Talvez por ter aquele ar bonacheirão e astuto. Talvez por ser socialista...

 

Ainda assim, não estou plenamente convencida de que ele será "aquele" chefe de Governo de que o país anda tão necessitado. Durante os últimos meses, o candidatado atolou-se diversas vezes, noutras até se estatelou ao comprido. Ainda não degeri por completo a sua postura para com o Seguro (alguém ainda se lembra deste persona?) e muito menos as promessas, no mínimo fantasiosas, que andou por aí a apregiar, à vontade do freguês. Mas mal por mal fico com ele, que os outros (P e P) não estão com nada.

 

O facto é que, se me fosse permitido palpitar, prefiro que ganhe o PS, sem maioria absoluta, de modo a ver-se obrigado a coligar-se com o Bloco. Só assim teríamos oportunidade de apreciar de camarote um indivídio do sexo feminino a assumir o papel (semi) principal nos destinos do país.

 

Entre o que esteve no poder nos últimos anos (não há isenção ou sutileza que disfarce que me refiro ao PSD e ao CDS) e o que pode vir a estar, fico com a última opção, uma vez que o primeiro já deu provas mais do que dadas do que dele podemos (e devemos) esperar. Pelo menos, um novo elenco terá a possibilidade de surpreender (pela positiva ou pela negativa, a essa altura do campeonato tanto se me dá), enquanto que a coligação, que batalhou incansavelmente por um segundo mandato, há muito perdeu essa habilidade.

 

O que me conforta o espírito é que, como não tomei parte na decisão, não me poderei queixar de ter dado o meu voto a quem não o soube honrar, e muito menos exigir que cumpra a(s) promessa(s) que me foram feitas quando de mim precisaram. Assim sendo, deixo-me estar por casa, no recesso do meu lar, a acompanhar o desenrolar dos acontecimentos através dos media e torcer para que a vontade do povo se faça.

 

Para aqueles que (ainda) vão às urnas, façam-no em consciência! Para aqueles, que como eu, vão ficar apenas na torcida, que vença o que reunir a nossa simpatia!

 

Bom domingo para todos nós (votantes ou apenas expetantes).

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