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Crónicas, contos e confissões de uma solteira gira e bem resolvida que não cumpriu o papel para o qual foi formatada: casar e procriar. Caso para cortar os pulsos ou dar pulos de alegria? Provavelmente, nem uma coisa nem outra!

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Viva!

Era uma vez uma princesa chamada Kimberley. A Kimberley tinha 24 anos e, tal qual a maioria dos mortais, ansiava por encontrar a sua cara-metade. Como esta tardava em dar o ar da sua graça, a nossa heroína decidiu partir em busca dele. Na sua aventura passou por vários sites e apps, até ir parar aos domínios do Tinder, onde se cruzou com vários pretendentes. Houve um que a cativou mais que os outros; ao ponto de decidir aceitar o seu convite para um encontro, encontro esse que correu tão bem que acabou promovido a jantar.

O que parecia prestes a desabrochar num segundo date, acabou confinado a um silêncio ensurdecedor, já que o mancebo nunca mais deu sinal de vida. Até que, três meses depois, adentra pelo telemóvel da Kimberley uma mensagem do "ghosting" com 15 recomendações que ela deveria seguir se quisesse voltar a desfrutar da doce fragrância da sua presença.

Qual não foi o choque e a estupefação da nossa jovem ao ver isto:

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Para quem não está muito à vontade com o inglês (como eu), fica aqui a tradução:

1. Se perdesses seis a 12 quilos ficarias incrível;

2. És muito pálida. Sei que não gostas muito de apanhar sol, mas um pouco de bronzeador não te faria mal nenhum;

3. Como até tens mamas grandes, deverias mostrar um pouco mais do teu decote;

4. Penso que deverias usar roupas que se adequem mais ao teu tipo de corpo. Deverias também atualizar um pouco o teu estilo para que eu não me sinta embaraçado quando andar contigo na rua;

5. Devias pintar o teu cabelo de uma cor mais normal e fazer extensões. O cabelo comprido é mais sexy;

6. Devias ter um ar mais natural e por isso devias deixar de usar maquilhagem. Arranja-te de forma a que fiques com um ar decente, mas não exageres;

7. Como os teus lábios descaíram, devias voltar a fazer um preenchimento. Eu sei que te arrependeste de o teres feito antes, mas o enchimento dos lábios dá-te um ar mais sexy;

8. Precisas de ser mais confiante. A confiança é sexy!;

9. O facto de quereres ir devagar fez-te parecer pudica. Além disso deverias ser mais sensível para com os sentimentos dos outros pois o facto de não me teres dado um beijo magoou o meu ego;

10. Quando nós comemos, eu reparei que pediste uma salada, mas pedires uma cola normal é ingerires mais calorias que não precisas;

11. Devias contar o mínimo possível de detalhes sobre o teu passado. Eu não estou minimamente interessado em saber nada sobre o teu passado nem por aquilo que passaste;

12. Pareceste-me um pouco reservada. Devias mostrar mais a tua personalidade;

13. Devias ter um melhor sentido de humor. Tu não te riste de nenhuma das minhas piadas;

14. Fizeste-me sentir mal quando te ofereceste para pagar. Parece que não percebeste que eu tinha dinheiro para pagar mesmo depois de te ter mostrado qual o saldo da minha conta bancária;

15. Não me fizeste nenhum elogio.

Poderia este texto ter sido importado diretamente da minha imaginação? Poderia, mas não foi. Esta estória é verídica e passou-se lá pelas terras de sua majestade. Uma situação tão inusitada (e bizarra) que a sua protagonista fez questão de partilhá-la com o cibermundo, que, por sua vez, não se coibiu de a viralizar, despertando assim a atenção de reputados sites de notícias, como, por exemplo, a Fox News, o The Sun ou o Daily News.

Moral da estória: príncipes encantados não existem, muito menos no Tinder!

Bom fim de semana!

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Hoje tenho um almoço com uma grande amiga que veio lá da terra, daí que o tempo para escrever é pouco. Ainda assim, trago-te um artigo publicado no Observador e que vem complementar o post de ontem. Refere-se a um novo conceito de relação: benching.

 

Benching, nouvelle terminologia em matéria de relações, como o próprio nome indica vem de bench, que em inglês significa banco, ou seja, é o ato de ficar no banco.

 

Ilustrando a coisa, pode-se dizer que é quando conheces alguém — regra geral no Tinder ou numa rede social –, têm um ou dois encontros e essa pessoa subitamente deixa de responder às tuas mensagens, para umas semanas mais tarde voltar a dar sinais de vida, isso é benching. A comunicação é intermitente e pressupõe convites para jantares ou cafés que à última da hora nunca acontecem. E isto pode durar meses. Quem está "sentado" acha que é uma questão de timing e que, eventualmente, a coisa vai dar-se.

 

As desculpas pela ausência inexplicável são sempre elaboradas, envolvem agendas preenchidíssimas, prazos de entrega de trabalhos ou problemas familiares que são corroborados por fotografias tiradas com um único propósito: iludir a pessoa sentada.

 

Quem "senta" outra pessoa fá-lo por indecisão e para manter as suas hipóteses em aberto. Não tem a certeza de gostar o suficiente para assumir uma relação, mas não quer descartar essa possibilidade — está à espera de que apareça alguém melhor e não se quer comprometer, para além de estar de olho em mais dois ou três pretendentes. Quer ver no que vai dar e, no caso de não dar com alguma das alternativas, não fica sem ninguém. Tem sempre alguém seguro, no banco.

 

Há dois tipos de benching: quando alguém é solteiro e está ocasionalmente com outra pessoa de quem não tem a certeza se gosta ou não, mas não quer deixá-la ir, e quando alguém está numa relação e não tem a certeza de querer continuar nela, mas prefere não acabar e começar a procurar outras opções.

 

Segundo escreve o The Telegraph, as "benchees" também servem para acompanhar a casamentos ou para quando a pessoa não quer chegar a uma festa sozinha e sabe que basta mandar uma mensagem no Whatsapp para arranjar um par. Para quem está sentado isto só aumenta a incerteza de não saber se aquela pessoa gosta efetivamente de ti ou não. Basicamente o que te passa pela cabeça é: se não gostasse de mim não me mandava estas mensagens versus se gostasse de mim não ficava tanto tempo sem dizer nada.

 

Porque é que tanta gente cai nesta história? Porque o bencher (aquele que pratica o benching) é atencioso, tem o cuidado de perguntar à pessoa como é que ela está, como foi o seu dia, além de uma série de outros cuidados que são interpretados como interesse genuíno. Mesmo que isso só aconteça de duas em duas semanas e seja sempre por telemóvel.

 

O que diferencia o benching do ghosting é que no último a pessoa desaparece sem aviso e de vez, isto é, não volta para se assegurar de que não perdeu nada. De acordo com a revista nova-iorquina BetaMale, o benching é bem mais traiçoeiro do que o ghosting ou do que simplesmente dizer que não está interessado e acabar com tudo de uma vez. Uma vítima de ghosting pode fazer o seu luto quando se apercebe do fim da relação — mesmo que não encontre uma explicação –, já a vítima de benching não sabe em que pé estão as coisas porque a pessoa desaparece e aparece constantemente.

 

Jason Chen, editor da referida revista, acredita que esta é uma prática essencialmente dos homens. As mulheres entram em jogos com homens que conhecem há muito tempo e com os quais têm confiança, mas não são capazes de o fazer com alguém que acabaram de conhecer. Até porque elas ainda se regem bastante pela ideia de o homem ter de dar o primeiro passo.

 

A verdade é que o nome até pode ser recente e as aplicações de encontros até podem propiciar um acréscimo da prática, mas infelizmente o conceito não tem nada de novo. É o velho "iludir alguém" com uma roupagem nova e tecnológica.

 

Se depois de leres este texto chegaste à conclusão de que estás "sentada"”, tens duas opções: sentar a outra pessoa de volta ou ires à tua vida. Porque quando o benching acontece, a velha máxima de "ele/a não está assim tão interessado" continua a ser verdadeira.

 

É por estas e por outras que estou (ainda) solteira. Para ser assim, mais vale estar só do que "sentada". Cheira-me que o tal fulano de que te falei ontem, a prioósito do "datexit" é um bencher. O que ele não deve ter previsto é que já levo muitos anos na estrada da vida e uns quantos nas redes sociais.

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