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Crónicas e confissões de uma rapariga gira e bem resolvida que (ainda) não cumpriu o papel para a qual foi formatada: casar e procriar. Caso para cortar os pulsos ou dar graças? Talvez nem uma coisa nem outra!

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Viva!

 

Qual é a pergunta qual é ela que todos os solteiros temem ouvir? Como é evidente, "Porque não tens ninguém?". De entre todas as respostas – espontâneas, evasivas, resmungonas ou depressivas – esta é aquela que não me lembro de alguma vez ter ouvido sair da boca de um mortal: "É porque como nunca saio de casa, estou à espera que o amor me venha bater à porta!".

 

A experiência pessoal permite-me afirmar que dificilmente existe uma única explicação para o facto de se estar desemparelhado. É facto que um determinado momento e um determinado acontecimento ditaram o dia, o mês e o ano em que a pessoa se autoconsciencializa solteiro. Depois disso, vários argumentos são descaradamente evocados para justificar e/ou reforçar o não estar num relacionamento: preferência por atuações a solo, aversão e/ou medo de compromissos, cara metade esquiva ou, pura e simplesmente, falta de sorte.

 

Independentemente do motivo por detrás da solteirice nossa de cada dia, a auto sabotagem, ainda que na maioria das vezes perpetrada de forma inconsciente, é responsável por uma siginificativa percentagem de corações solitários que andam a vaguear pelos calabouços do amor.

 

De acordo com a psicóloga Melanie Schilling, "minamos e bloqueamos de forma ativa as oportunidades que impliquem qualquer tipo de interação social ou que possam levar a conhecer possíveis parceiros. Ao adotarmos essa postura, transmitimos a mensagem de não estamos interessados numa relação".

 

Como é que fazemos isso? Atribuindo a responsabilidade da nossa situação amorosa a fatores externos – por exemplo, 'está muito frio, começo a sair mais e a ir a encontros quando o inverno acabar' ou 'não há homens de jeito' –, quando na verdade só estamos com medo.

 

"Frequentemente quando já sofremos no passado tornamo-nos demasiado protetores de nós próprios. E tememos sentir intimidade e vulnerabilidade com alguém. Porém, há uma diferença entre ser razoavelmente cético e boicotar a própria felicidade", esclarece a psicóloga.

 

No parecer desta inspetora da mente, muitos dos que inconscientemente sabotam as suas hipóteses de encontrar o amor, 'agarram-se' a três tipos de noções negativas: acerca deles próprios ('estou melhor sozinho'), acerca dos homens/mulheres em geral ('provavelmente vão trair-me') e acerca dos relacionamentos ('não tenho tempo para uma relação').

 

Perante este quadro, o diagnóstico é irrefutável: não estamos preparados para namorar se cultivamos um desses três pensamentos. Ups!

 

O poço de verdade na qual estas ideias saciam a sua empiricidade é tal que não me resta outra opção que não seja fazer mea culpa e encetar uma análise isenta de "achismos" sobre os reais motivos porque continuo solteira. Agora vejo que muitos de nós cometemos o pecado de não saber reconhecer que estar desemparelhado deve-se, acima de tudo, às nossas próprias atitudes e ao nosso modo de estar na vida.

 

E com esta retiro-me de costas, não vá a verdade dos factos seguir-me ecrã fora. Até à próxima, single mine.

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Mai18

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Viva!

 

Ando sumida, não porque não queira estar contigo, mas porque ando numa azáfama tal que pouco tempo e inspiração me tem sobrado para tal. Como te disse há umas semanitas, no sábado passado fui ao tal workshop de reprogramação mental.

 

Há tanto para contar que, até conseguir tempo para despejar tudo, vou resumir essa experiência numa só palavra: transformador. Mesmo! A todos os níveis e de tal modo profundo que (apenas) quatro dias depois tenho a possibilidade de realizar uma das minhas viagens de sonho. De modo totalmente inesperado, como se, de facto, o universo começasse a trazer até mim tudo o que esteve na calha durante tanto tempo.

 

Vou estar fora uns dias, mas para a semana estarei de volta com mais novidades e estórias incríveis para contar. Até lá fica com aquele abraço amigo e votos de um fantástico fim de semana. 

 

P.S. - Para saberes onde estarei nos próximos dias fica atenta ao Instagram que vou tratar de postar lá umas fotos giras.

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11760086_1008355652537998_1052707973627477187_n.jpViva!

 

Sem muita inspiração para uma crónica inédita (além de estar a estudar o código da estrada, estou a dirigir o falecimento de um parente muito próximo, e ainda por cima jovem), espero que te contentes com esta eloquente crónica do José Paulo do Carmo sobre aquilo que ele chama de "agitadores sociais", subespécie humana com a qual me identifico plenamente. Se bem te conheço, garanto-te que vais gostar do que aí vem.

 

Gosto mais dos que dizem o que pensam do que os que pensam muito no que dizem.
Gosto dos que o fazem de peito feito, não para serem incorretos ou só para serem do contra mas que odeiam subserviência.
Que abominam "lambe-cus" e que lhes dá urticária só de olhar para "engraxadores".
Dos que vão sem medos, quase sempre sozinhos e não se escondem em comentários cobardes atrás de um qualquer nome fictício nas redes sociais.
Os que dão a cara e não se escondem, que se informam, se transformam e mudam de opinião quando vão para melhor.
Os que crescem e evoluem.
Que assumem os seus erros como parte da sua construção pessoal e não têm vergonha de pedir desculpa.
Os que falam do que sabem, que pesquisam e analisam e que vencem pelos seus méritos sem ter que andar de mão estendida no meio da multidão, porque desses já há cá de sobra.


Gosto dos que fazem da palavra a sua bandeira, dos que trabalham para serem felizes e terem sucesso, que gostam de partilhar o seu conteúdo e que falam mesmo quando sabem que o mundo inteiro vai estar contra.
Dos que defendem posições e convicções, dos que são incómodos sem ser injustos, que não vivem da produção de tudo aquilo que não são e que mesmo que às vezes façam um esforço para estarem calados não conseguem. Porque é puro, natural e incorrigível.


Gosto dos que sabem que podem prejudicar a sua vida social e a sua carreira mas que não sucumbem aos vícios, aos interesses instalados e às mordaças políticas. Dos que preferem felicidade interna bruta ao produto interno bruto e que entre a esquerda e a direita preferem aquilo que os faz sentir bem, que os preenche e que pensam ser melhor em determinado momento para determinada situação especifica.
Dos que analisam caso a caso e não generalizam.
Gosto dos que participam quando por vezes era tão mais fácil ficar de boca fechada e que o fazem por uma questão de principio, de coerência e dever cívico.

 

Gosto dos que são tão livres que num primeiro momento são ostracizados e postos de parte, mas depois puxados para bem perto para ver se os compram e se os mantêm "domados" e controlados e ao serem goradas as expectativas ficam na linha do respeito cumprindo a distância de segurança com receio do que possam fazer.
Adoro quando os que estão habituados a ter "lambe-botas" ao seu redor apanham um destes.
Dos que conquistam o direito a dizer o que lhes vai na alma mesmo que nem tudo seja certo. Que arriscam sem subterfúgios ou meias palavras e que pensam no que os filhos um dia irão pensar deles à frente de um tacho ou de paninhos quentes.

 

Gosto de quem ainda acredita que pode existir ética na vida, dos que sabem criticar mas que elogiam ainda com maior prazer.
Dos que não são sempre do contra e que têm sensibilidade para dar valor a atitudes e a gestos.
Dos que não decidem em função da cor mas sim do que está certo, dos que sabem que nem tudo está bem mas que certamente não estará tudo mal.
Dos positivos que não se encolhem e que acham que podem mudar o mundo mesmo sabendo que não mudando quase nada se sentem na obrigação de fazer a sua parte.
Dos que não são rançosos e invejosos, antes compreensivos e exigentes, solidários e calorosos.


Insaciáveis apaixonados pela liberdade de pensar e opinar, eternos incompreendidos, esta espécie em vias de extinção. Os agitadores sociais.

 

Depois desta brilhante abordagem, é com a alma leve, o pensamento desanuviado e o coração renovado de esperança num mundo melhor que retomo os meus estudos de sinais, regras e tudo o mais que me é exigido saber para ser considerada apta à condução de um ligeiro de passageiros. Até breve!

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11705375_1008843785822518_7184954541760765737_n.jpViva!

 

De pessoas tóxicas já aqui falei, estou certa. Que tal falar-te agora de uma outra espécie de humanóides que pouco ou nada contribuem para o bem-estar psíquico e emocional daqueles com os quais cruzam? Refiro-me aos psicopatas do quotidiano, cujos "traços de personalidade podem ser encontrados nos briguentos do trânsito, nos vizinhos problemáticos ou nos progenitores que fazem chantagem emocional com os filhos", segundo explicação da psiquiatra Katia Mecler, no livro Psicopatas do Quotidiano (à venda na Fnac por 10,85€).

 

Se é inevitável que nos deparemos com psicopatas de pequeno porte – tipos que seduzem, manipulam, amedrontam ou sufocam, causando desconforto e até medo – também o é que, embora não sejam propensos a matar (como os psicopatas a sério), acabam por nos perturbar a vida. Do estilo, "não mata, mas mói", se é que me entendes.

 

No intuito de nos ajudar a reconhecer esses psicopatas do quotidiano, com quem acabamos por lidar diariamente, esta especialista da mente aponta algumas caraterísticas comuns, que passo a citar:

1. Não deseja nem desfruta de relações íntimas

2. Prefere atividades solitárias

3. Tem pouco interesse por experiências sexuais

4. Referências e crenças estranhas ou pensamento mágico

5. Desconfiança ou perceções paranoides

6. Pensamento e discurso diferente do convencional

7. Suspeita, sem fundamento, de estar a ser explorado, maltratado ou enganado

8. Preocupação injustificada com lealdade de amigos e colegas

9. Incapacidade de confiar em quem quer que seja

10. Incapacidade de ajustamento às normas sociais

11. Tendência para a falsidade

12. Irritabilidade ou agressividade

13. Esforços desesperados para evitar ser abandonado

14. Costuma ter relacionamentos intensos e instáveis

15. Tem problemas de identidade

16. Desconforto em situações em que não se é o centro das atenções

17. Comportamento sexualmente sedutor e exagerado

18. Mudanças emocionais rápidas

19. Sensação grandiosa da própria importância

20. Fantasias de sucesso ilimitado, na vida profissional e na vida amorosa

21. Crença de ser único e especial

22. Dificuldade em tomar decisões por si próprio

23. Passa as responsabilidades que tem na vida para outras pessoas

24. Raras manifestações de desacordo, para não perder apoio ou aprovação

25. Evitar atividades profissionais que incluam contacto interpessoal significativo

26. Não se envolver com os outros sem a certeza de que serão bem recebidos

27. Ser reservado nas relações íntimas, por vergonha ou medo do ridículo

 

O acima exposto permite concluir que esses pequenos psicopatas encontram-se em toda a parte: na sociedade, no trabalho e até na família. Na Internet, principalmente através das redes sociais, é cada vez mais fácil identificá-los; basta prestar atenção ao que partilham.

 

Quem foi incapaz de identificar alguém das suas relações que fale agora ou se cale para sempre. Da minha parte nem um pio pretendo dar, já que obriga-me a honestidade a admitir que ao longo da minha vida tenho lidado com uma infinidade de exemplares destes. Até eu acuso três dos sintomas. Olha que sorte a minha!

 

Despeço-me com um até à próxima e desejos de uma noite feliz!

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Viva!

 

Este tempo, deveras deprimente, mais não é do que uma providencial inspiração para as mentes criativas. Isto porque, quando ilhada entre quatro paredes, a criatividade permite-se ser possuída pelo espírito de um totem ancestral perdido algures na memória coletiva da humanidade.

 

No meu caso, escrever é o melhor remédio; daí que tenha optado por ocupar uma horita (ou duas) deste meu sábado caseiro a dissertar sobre a paixão. Afinal de contas, pode um dia cinzento como este resistir ao seu fogo caliente? No lo creo!

 

Antes que comeces para aí a fantasiar sobre um possível atentado do Dom Cupido para com a minha pessoa, vou logo dizendo que não é nada disso. Estou apenas me precavendo para o caso de, numa dessas reviravoltas da vida, eu tropeçar no homem da minha vida. Só isso, apenas isso e nada mais do que isso!

 

Agora falando sério... assumo que a minha intenção é tão somente evitar que toda e qualquer alma desemparelhada seja pega desprevenida quando lhe tomarem de assalto o coração. É por esta razão que partilho contigo algumas declarações de utilizadores da plataforma Wibbitz quando questionados sobre os sinais que os denunciam sempre que estão apanhadinhos por outro alguém:

 

1. Quando estamos felizes queremos estar perto dessa pessoa, quando estamos chateados continuamos a querer a companhia dela.

 

2. Quando acordamos ou vemos algo engraçado, é a primeira pessoa com quem queremos partilhar.

 

3. Quando essa pessoa aparece com um penteado feio e mesmo assim queremos tê-la por perto.

 

4. Sonhamos com o outro na nossa vida para sempre.

 

5. A felicidade e bem-estar do outro é mais importante que a nossa própria felicidade e bem-estar.

 

6. Estamos dispostos a parar um jogo para responder uma mensagem ou atender uma chamada do outro.

 

Diz-se à boca pequena que "o amor não se explica, sente-se", dito com o qual concordo em género, número e grau. Talvez seja por isso que sempre me custou horrores admitir que estava realmente de quatro por um par de calças. Racional e pragmática como sou, não me era fácil aceitar que algo que não conseguia explicar estava a passar-se comigo. Hoje em dia, no auge das minhas quatro décadas de existência, tenho maturidade suficiente para aceitar que o amor não carece de explicação, mas sim de aceitação. Aceitar que ele é uma benção que deve ser vivido ao máximo (enquanto durar, claro está!).

 

Mesmo ciente de que podes não te rever nas declarações acima descritas (meras legendas de experiências alheias, ressalvo), cumpre esta crónica o doloroso dever de te lembrar que quando o amor bate à porta, há que escancará-la, sob pena de deixarmos passar a chance de ser feliz au pair. Afinal, o amor é o tempero que dá (mais) sabor à vida. Tenho dito!

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Viva!

 

Sabias que a estação do ano em que nasceste tem uma – melhor dizendo, duas – palavras a dizer sobre a tua personalidade? Ah pois é, meu bem, vários estudos constataram que a altura do ano em que nascemos influencia quem somos. Bora desconstruir este post em quatro estações?

 

Uma série de pesquisas levadas a cabo na última década procurou estabelecer uma correlação entre a época do ano em que o indivíduo nasce e as suas caraterísticas intrínsecas. Ao que se apurou, existe realmente uma influência sazonal nos humanos, através da qual é possível identificar alguns traços de personalidade.

 

Primavera
Quem nasce nos meses de março, abril e maio regista altos níveis de hipertermia, intimamente ligada ao alto astral. Contudo, nem tudo são flores na personalidade daqueles que nascem nesta estação, já que demonstram ser indivíduos com personalidade do tipo oito ou oitenta: ou extremamente positivos ou muito propensos à depressão.

 

Verão
Os nascidos nos meses mais quentes do ano são geralmente felizes. A luz solar na altura do nascimento contribui para os altos níveis de hipertermia no organismo. Mas isso não quer dizer que eles não possam também sofrer de transtorno ciclotímico, isto é, do seu humor oscilar entre extremos. Ainda assim, não são dados a transtorno bipolar, com os nascidos em agosto a registarem a menor incidência dessa patologia.

 

Outono
Os que vêm ao mundo no terceiro trimestre do ano (eu eu eu) são normalmente mais equilibrados que aqueles que nascem nas restantes estações, quiçá por ainda beneficiarem dos resquícios do verão que antecedem o início da estação cinzenta. Apesar de raramente propensos a depressões ou a desenvolverem doenças bipolares, os nativos do outono são bastante irritáveis (eu que o diga).

 

Inverno
Os nascidos nos meses frios apresentam níveis mais elevados de esquizofrenia, desordem bipolar e depressão. Como tudo nesta vida tem um lado B, os cientistas apuraram que os bebés de inverno são mais calmos e perseverantes. Tem mais: janeiro e fevereiro são os meses mais propensos a ser famoso; isto porque os nascidos nesta estação são mais criativos, ambiciosos e desenrascados.

 

E não é que, pelo menos no que toca à minha personalidade, bate tudo certinho. Ainda bem porque se algum dia se me proporcionar a oportunidade de ser mãe já sei em que estação do ano proceder à "encomenda".

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Viva!

 

No Dia Internacional da Mulher, partilho contigo esta crónica da Paula Cosme Pinto, autora do A vida de saltos altos, sobre a razão porque esta efeméride faz todo o sentido, não obstante as (lamentáveis) posições em contrário.

 

Amanhã não se celebra o Dia Internacional da Mulher, portanto esqueçam as ofertas de flores e os convites para jantar fora. Amanhã assinala-se, sim, esta data, e fazê-lo é assumirmos coletivamente uma discriminação histórica que recai no sexo feminino. É aquele dia do ano em que não basta falar de direitos humanos, mas sim focarmo-nos numa parte específica da espécie humana que ainda é tratada com menos respeito, dignidade e igualdade. Se têm dúvidas quanto a isto, convido-vos a ler o que se segue.

 

Vou dar-vos uns quantos exemplos do último ano, que são um espelho claro do que se passa no mundo. Março de 2017: "As mulheres são mais fracas, mais pequenas e menos inteligentes" do que os homens e por isso "devem ganhar menos", palavras ditas por um deputado em pleno Parlamento Europeu, num debate sobre a demografia. Sim, em 2017. Junho: uma mulher dá à luz uma criança sem vida em El Salvador. A gravidez resultara de uma violação, mas ela não teve direito a abortar. O seu atacante não foi preso pelo crime de abuso sexual, mas ela recebeu uma sentença de 30 anos de prisão pelo aborto espontâneo, uma vez que não procurou ajuda médica imediata mal teve as primeiras contrações. Tinha, alegou a acusação, intenção de matar a criança. Setembro, interior do Brasil: uma miúda de treze anos foi brutalmente espancada pelo pai por ter tido relações sexuais pela primeira vez. Levado a tribunal, o homem foi absolvido pelo juiz, que considerou que tudo não passou de um mero "exercício do direito de correção" do progenitor sendo ela menina. Estão a perceber a ideia?

 

Mas há mais. Outubro, Nova Zelândia: uma mulher é eleita primeira-ministra e, por ser mulher, a pergunta é repetida pelos seus pares e pela imprensa exaustivamente: "vai ser capaz de desempenhar as suas funções e ser mãe?". No mesmo mês, em Portugal: "O adultério da mulher é um atentado à honra do homem", lê-se num acórdão proferido pelo Tribunal da Relação do Porto, referente a um caso de violência doméstica. E nos Estados Unidos: duas grandes publicações revelam uma dúzia de casos de assédio e abuso sexual perpetuados por um gigante de Hollywwod. Foi só a ponta do icebergue para um movimento global de fim do silêncio das inúmeras vítimas de situações semelhantes, mundo fora. Novembro: Judith Butler, famosa filósofa cujo trabalho se debruça nas questões de género, dá uma conferência em São Paulo e encontra uma multidão à porta com cartazes de ódio e uma boneca com a sua cara que foi queimada entre gritos de repúdio às suas ideias. "Queimem a bruxa", ouviu-se por lá. Dezembro: relatos de ONG's no terreno revelam que as mulheres da minoria rohingya estão a ser continuamente violadas e torturadas por soldados birmaneses. Dois meses depois, sabe-se que funcionários humanitários, que operam em nome das Nações Unidas e de diversas organizações internacionais de caridade, obrigaram mulheres e meninas sírias a trocar favores sexuais por ajuda humanitária, como comida ou boleias. Nojo. Fevereiro 2018: mais de 30 mulheres iranianas são presas por ousarem retirar o hijab em público e ficarem com os cabelos à solta. O que lhes está a acontecer às mãos da polícia ninguém sabe. Há umas semanas, por cá: uma mulher é morta pelo marido, 37 dias depois de ter apresentado queixa contra ele. A situação não foi considerada de risco e os mecanismos existentes nem sequer foram acionados. Infelizmente, podia estar aqui o dia todo a debitar casos destes.

 

Bom, mas se estes exemplos, vindos de zonas tão diferentes do mundo, mesmo assim não chegam para perceberem a necessidade de ainda termos de falar especificamente de direitos das mulheres, então vamos a números: sabiam que 1 em cada 3 mulheres em todo o mundo é vítima de agressões físicas, psicológicas e sexuais, pelo simples facto de ser mulher? Ou que, todos os anos, 15 milhões de meninas e adolescentes são obrigadas a casar, o que dá uma média de 28 meninas por minuto? E têm noção de todos os anos, mais de 5 mil mulheres e raparigas são mortas nos chamados crimes de honra, regra geral cometidos pelos pais, irmãos ou maridos? Ou que 8 mil raparigas estão em risco de sofrer mutilação genital diariamente? Feitas as contas, são três milhões de meninas por ano, leram bem. Por cá, foram registados 80 casos entre 2016 e 2017 . Sabem quantas mulheres da União Europeia viveram situações de assédio sexual a partir dos 15 anos? À volta de 83 milhões, ou seja, qualquer coisa como mais de 50% da população feminina a residir nos 28 Estados-Membros. No que toca ao tráfico humano, sabiam que mais de 70% das vítimas são mulheres e meninas, sendo que 3 em cada 4 são depois alvo de exploração sexual? E que feitas a contas às mulheres assassinadas no mundo, mais de metade foram mortas por homens com quem mantinham relações de intimidade?

 

Por tudo isto e muito mais, o feminismo – enquanto ideologia que defende a igualdade de direitos, oportunidades e dignidade entre pessoas, independentemente do género – é totalmente necessário e pertinente. Se durante séculos acreditámos e aceitámos que a discriminação que recai sobre as mulheres era só parte da norma, hoje já não é assim. Porque é injusto, tão simples quanto isto. Não se trata de inverter as regras do jogo, trata-se apenas de as equilibrar. Cada vez que repito isto, lembro-me do cartaz de uma senhora com idade para ser minha avó, na grande Marcha das Mulheres: "Não acredito que ainda tenho de andar a lutar por esta merda". Tenho dito!

 

Depois disto, só me resta desejar-nos um feliz dia e muita reflexão sobre a real importância desta data.

 

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zp_7.jpgViva!

 

Diz o ditado: "Ajoelhou, vai ter que rezar!". No post anterior, ajoelhei-me sobre os erros que alguns homens cometem nos primeiros encontros. Neste, vou rezar sobre a razão porque tantos romeus e julietas andam por aí a atuar a solo, não obstante a sua imensa vontade por um dueto.

 

Numa sociedade que nos oferece de bandeja um buquê de meios e canais (leia-se, sites e apps) que apregoam facilitar o acesso ao sentimento-mor, a pergunta que não posso calar é esta: porque raios então continuamos desemparelhados e/ou secos de afeto alheio? A explicação para este paradoxo parece residir no overdating, isto é na overdose de datings. Em tradução livre para a língua camoniana, o mal dos problemas dos solteiros atuais é o excesso de encontros.

 

"Como? Esta gaja deve estar a surtar, só pode! Como é que ir a muitos encontros pode complicar a vida daqueles que procuram o amor? Quantos mais encontros se for, mais probabilidade uma pessoa tem de encontrar alguém compatível, certo?" Aposto que foi algo assim que acabou de te passar pela cabeça. Antes que me apedrejes em fórum público, deixa-me dizer-te que esta teoria não é minha, mas sim de quem de direito percebe do assunto.

 

De acordo com os especialistas em relações, o principal motivo porque a maioria de nós (ainda) se encontra desemparelhada está precisamente na ânsia de encontrar um parceiro, ânsia essa que se traduz em encontros atrás de encontros, que em nada dão.

 

Ao que os estudos indicam, com o boom de apps de romance, quem está no encontro acaba por, inconscientemente, se focar no próximo em vez de no atual; um problema flagrante numa época em que a frequência de saídas com pessoas novas acelera a olhos vistos, atingindo uma média de dois first dates por semana. Na prática, os praticantes desta autêntica maratona de encontros, acabam por não se permitirem deixar conhecer a fundo, visto estarem numa frenética procura pelo próximo que, creem, será melhor do que o atual.

 

Apontam aqueles que analisam esta realidade, que o problema começa no facto de se estar constantemente à procura do par ideal no primeiro encontro. Dado que a probabilidade de tal acontecer é mínima, não é dada uma segunda oportunidade a possíveis parceiros. Esta procura 'automática' por alguém é, pois, vista como uma tendência da geração Millennial, que vive da espontaneidade e acaba por esquecer que aqueles com quem tem encontros não são descartáveis.

 

Insistir over and over again nos primeiros encontros leva a que aquele que procura se canse e se sinta farto de falhar, culpabilizando-se pelo problema e levando-o a desistir de procurar um companheiro. Sobre isso, há que atentar-se ao reverso da moeda: quando se toma o gosto pela atenção que se recebe num primeiro encontro – deveras viciante – entra-se numa espiral de vaidade e futilidade.

 

Portanto, para quem anda à procura de um chinelo para o seu pé cansado, o melhor mesmo é focar-se numa crush de cada vez e lembrar-se que quando ambas as partes querem embarcar numa relação comme il faut, todo o investimento vale a pena (e, mais importante, a espera).

 

Acreditar que será através de um 'match' no Tinder ou em qualquer outra app do género que vais encontrar o amor da tua vida é pura utopia. Claro que, volta e meia, a media nos dá conta de um ou outro caso bem-sucedido, mas livra-te de acreditar que isso é regra, e não exceção.

 

Moral da estória: por mais opções que a tecnologia ponha à nossa disposição, ela de pouco nos vale se não estivermos dispostos a perder tempo para encontrar a 'tal' pessoa. Investir (tempo, sentimentos, expectativas e paciência), single mine, é a chave do sucesso no amor.

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Viva!

 

Que achas de hoje falarmos do primeiro encontro, mais especificamente das gaffes que (consciente ou inconscientemente) alguns homens acabam cometendo? Por mais ansiado que ela seja, a eminência da primeira saída com o objeto do nosso interesse é algo que a muito poucos deixa de abalar. Afinal, a par da vontade de agradar, paira no ar toda a espécie de expectativas: levar  a conversação a bom porto, decidir que informações pessoais revelar, acertar nas perguntas, gerir aquele nervoso miudinho que nos acomete sempre que nos sentimos avaliados, e por aí fora.

 

A pensar nisso, a crónica de hoje é inspirada num artigo da MAAG, que por estes dias foi assuntar junto de várias mulheres quais os temas e atitudes proibidos aos homens no (temido) first date. A conversa com as 18 ladies que aceitaram o desafio, com idades compreendidas entre os 25  e os 66 anos, deu nisto:

1. "Perturba-me a falta de etiqueta à mesa, como lamber a faca. E também não gosto quando não sabem falar, como dizer 'Fui ca (em vez de com) minha mãe à praia'." Luísa, 28 anos

2. "Que não se ria das minhas piadas." Marta, 30 anos

3. "Descuido nos sapatos." Glória, 66 anos

4. "Detesto que se gabem muito, que tenham uma aparência descuidada, que façam muitas perguntas e muitas críticas." Andreia, 38 anos

5. "Pagas tu ou pago eu?" Irina, 29 anos

6. "Falar sobre ex-relacionamentos." Joana, 28 anos

7. "Ter uma atitude altiva para se mostrar uma pessoa confiante, como contar histórias onde foi o maior ou tratar mal o empregado." Ana Luísa, 27 anos

8. "Enganar-se no meu nome." Carmen, 25 anos

9. "Chegar atrasado e tratar-me por boneca ou princesa." Inês, 30 anos

10. "Não tolero erros de português. E se ele der erros na SMS onde estamos a combinar tudo para o encontro, nem apareço!" Rita, 34 anos

11. "Estar constantemente a mexer no telemóvel como quem está a controlar mais alguma coisa… ou mais alguém!" Mia, 36 anos

12. "Falar na mãe." Teresa, 41 anos

13. "Olhar para outras mulheres." Ana, 27 anos

14. "Quando não me perguntam nada sobre mim e não têm assunto." Bárbara, 31 anos

15. "Vais mesmo comer isso tudo?" Patrícia, 30 anos

16. "Odeio homens egocêntricos e não tenho paciência quando se começam a exibir." Magda, 41 anos

17. "Se só falar dele, está cortado da lista." Sandra, 30 anos

18. "Não me beijar." Joana, 25 anos

 

Se dúvidas houvesse de que pequenos detalhes fazem toda a diferença no primeiro programa a dois, estes testemunhos acabaram de as dissipar. A verdade é que há temas, frases, ações e gestos que são capazes de mutilar um relacionamento ainda no útero da conquista.

 

Apesar de apontadas ao género masculino, estas podem perfeitamente aplicar-se ao género oposto, razão pela qual todo o cuidado deva ser pouco. Meu bem, se por acaso tens algum encontro na calha, atenta-te a esta crónica, não vás fazer má figura e deitar por terra a oportunidade de te emparelhares.

 

E com esta retiro-me para os braços do Twoo a ver se consigo fisgar algum incauto ávido por um primeiro encontro.

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Viva!

 

Acometida de mais um daqueles momentos de pura desinspiração (daí não ter aqui dado a cara ontem), valho-me de um artigo publicado hoje no Notícias ao Minuto a propósito de algumas dicas sobre como fazer amigos depois de adulto. Nem de propósito, pois ainda esta manhã estressei-me com uma amiga de longa data, o que me deixou murchinha murchinha. Adiante...

 

Boas amizades valem ouro. Pessoalmente, dou mais valor às amizades do que aos laços familiares e/ou amorosos. Ao contrário da família, com quem muitas vezes só se partilha os genes, os amigos são parentes de coração, aqueles que escolhemos livre e espontaneamente para fazerem parte da nossa vida.

 

Além do papel crucial que desempenham na nossa identidade, no nosso sentimento de pertença e nosso bem-estar geral (vulgo, felicidade), atesta a ciência que a amizade contribui ativamente para que tenhamos uma vida mais saudável e longa. Isto porque ela diminui a pressão sanguínea e o stress, reduzindo o risco de depressão e aumentando a longevidade, em grande parte por termos alguém a olhar por nós.

 

Infelizmente, assim que entramos na idade adulta o nosso número de amigos começa a minguar até se fixar nuns quantos, perfeitamente cabíveis numa mão. A azáfama do quotidiano, as distâncias geográficas, as exigências profissionais, as relações amorosas e os filhos são os principais motivos que determinam essa diminuição do leque de amigos. Outro motivo relevante é a maturidade, uma vez que ela nos torna mais selectos, mais conscientes do que queremos para a nossa vida e mais perspicazes em relação aos outros, em suma mais sábios. Daí que a quantidade acabe por ceder lugar à qualidade.

 

Quando mais novos, fazer amigos era tão natural ao ponto de cada interação social resultar, quase sempre, numa nova afeição. Começava na vizinhança, passava pelos jardins infantis, chegava à escola, alcançava a universidade e até atingia o trabalho. Agora que somos emancipados, donos e senhores do nosso destino, parece cada vez mais difícil encetar amizades sinceras e duradouras. 

 

A respeito disso, os especialistas apontam algumas atitudes capazes de nos ajudar a conectar mais pessoas e a construir novas amizades:

 

1. Estar atento
A amizade é essencialmente uma relação de partilha, razão pela qual devemos estar atentos, recetivos e interessados nas pessoas ao nosso redor. Mais do que querer fazer novos amigos, é preciso tomar a iniciativa, mostrar vontade de conhecer o outro e estar disposto a dar-se a conhecer.

 

2. Frequentar lugares de interesse
Ir a sítios de que gostamos aumenta as probabilidades de nos cruzarmos com pessoas com gostos e interesses convergentes aos nossos, ou seja pessoas com as quais nos identificamos mais, o que pode a priori pode ser garante de uma boa amizade.

 

3. Ser constante
Participar regularmente em atividades coletivas (ginásio, teatro, espetáculos, bares, discotecas ou até mesmo o café do bairro) pode revelar-se uma excelente oportunidade para conhecer novas pessoas, um ótimo pretexto para se estabelecer novos e promissores laços sociais.

 

4. Ajudar os outros
Ser solidário com quem precisa é meio caminho andado para o início de uma boa amizade. Seja um vizinho precisado de uma sopa quentinha, seja uma colega necessitada de um ombro amigo, seja um desconhecido  ansioso por um apoio, um gesto amigo fica sempre bem na hora de conquistar afetos.

 

4. Sorrir
Ainda que o seu (real) poder possa ser relativizado, a verdade é que o sorriso faz milagres quando se trata de estabelecer contacto interpessoal. Além de nos fazer parecer mais simpáticos e interessantes, quebra o gelo, gera empatia, cativa corações e encoraja o destinatário a retribuir. Quando sorrimos para os outros mostramos que estamos recetivos a uma aproximação, logo a uma nova amizade.

 

5. Esforçar-se para criar uma conexão
Quando partilhamos algo íntimo sobre nós, transmitimos confiança ao outro para que baixe a guarda e nos veja como alguém digno de confiança. Dado que uma amizade exige empatia, partilha e reciprocidade, um pouco de esforço na hora de criar assunto cai sempre bem.

 

Meu bem, estas dicas, apesar de muito pertinentes, de pouco servirão se não estiveres disposta a deixar entrar alguém novo na tua vida. A amizade não se materializa num passe de mágica; ela constrói-se a cada dia, a cada contacto, a cada partilha, a cada interação. Com isso quero te prevenir para o facto de as dicas abordadas nesta crónica não se converterem automaticamente numa nova amizade. Contudo, se fizeres a parte que te cabe, acredita que os outros vão-se esforçar para te ter na suas vidas. Depois é só uma questão de tempo até que a conexão comece a ser construída e continue a crescer gradualmente, rumo a uma estima para a vida toda.

 
Despeço-me com votos de uma radiante pausa semanal, bem como novos, sinceros e duradouros amigos!

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