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Crónicas, contos e confissões de uma solteira gira e bem resolvida que ainda não cumpriu o papel para o qual foi formatada: casar e procriar. Caso para cortar os pulsos ou dar pulos de alegria? Provavelmente, nem uma coisa nem outra!

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Viva!

Esta quinta-feira trouxe uma boa nova aos solteiros deste país, pelos quais dou a cara, com gosto e orgulho. O Facebook Dating, do qual dei-te conhecimento no post A solteirice é que está a dar (até o Facebook já se apercebeu disso), já se encontra operacional em Portugal, ainda que apenas na versão app.

Esta nova funcionalidade da gigante tecnológica de Mark Zuckerberg fará uso do perfil dos utilizadores, a partir das suas preferências, páginas seguidas, atividade, grupos e eventos, para encontrar potenciais pares românticos. A melhor parte é que estes sequer precisam "conhecer-se" para serem "apresentados".

Com muita pena minha, ao meu telemóvel a dita cuja ainda não se dignou a dar as caras. Logo eu que estou (por todos os motivos e mais algum) ansiosa por conhecê-la e dela fazer-me amiga; caso haja empatia, obviamente... Mal lhe ponha a vista em cima, virei aqui contar-te. Promessa de solteira a quem o Facebook vai dar uma oportunidade para encontrar o amor.

Aquele abraço amigo e até segunda!

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hands-1222866_1920.jpgOra viva!

Hoje quero partilhar contigo a primeira parte de um conto, cuja redação iniciei em abril, em pleno confinamento geral da população portuguesa. Com ele pretendia eu concorrer ao Prémio Contos da Quarentena, promovido pela Livraria Lello. Dado que não cheguei a terminá-lo a tempo, eis-me aqui a dar-lhe alguma utilidade, não vá perder-se no meio das dezenas de rascunhos que tenho espalhado pela rede. Espero que gostes.

Era uma vez uma linda criatura chamada Humanidade. Filha do Sol e da Terra, afilhada predileta da Lua e amiga íntima das Constelações, foi criada com todo o esmero e dedicação. Airosa como nenhuma outra, a ela não faltava beleza, saúde, educação, conhecimento, luxo, divertimento, progresso...

Bastava querer que tudo conspirava a seu favor... t
inha tudo o que quisesse, ainda que não quisesse tudo o que tinha. O que lhe interessava era ter, possuir, comprar, adquirir, acumular... mais e mais... sem atentar-se às possíveis consequências de todo esse consumismo desenfreado.

Incapaz de estar quieta, a vida era uma eterna paródia, um espetáculo que tinha de continuar não importasse como... Gastava rios de dinheiro em festas, festivais, concertos, espetáculos, jantares...

Viajava a toda a hora, por toda a parte, saltitando de continente em continente, de país em país, de cidade em cidade... pelos motivos mais surpreendentes. De avião, de jato, de navio cruzeiro, de carro, de autocarro, de moto... o que lhe permitisse não estar parada, não vá a rotina acomodar-se.

A
depta do desporto, apadrinhava todo o tipo de competição, sobretudo as transnacionais, por lhe lembrarem que a sua existência não conhecia fronteiras, barreiras ou limitações. 

O verde, no início, e o cinza, no final, eram as suas cores favoritas.

Vaidosa compulsiva, mostrava-se incapaz em resistir ao charme industrial, em especial aquele que emanava do vestuário, do calçado, do automóvel, da tecnologia e do entretenimento, ainda que isso implicasse recorrer ao crédito. Estava (cada vez mais) endividada, sabia-o, mas o importante era a aparência e um padrão de vida digno de cobiça.

A sua existência só tinha valor se pudesse exibir-se. Por isso inventou as redes sociais, uma espécie de espelho mágico que lhe dizia, sempre que quisesse ouvir, que era a mais bela de todas. Como tal, era cada vez maior o tempo que lhes dedicava... afinal, além de não exigirem esforço acrescido, dedicavam-lhe atenção constante e... absoluta.

Quanto mais s
acrificava o seu tempo, a sua inteligência, a sua socialização e a sua essência, mais realizada demonstrava estar...

Com o passar do tempo foi-se assumindo cada vez mais mimada, caprichosa, vaidosa, egoísta e fútil... desafiando os princípios mais básicos de existência e da convivência. A ela tudo lhe parecia descartável: as pessoas, os relacionamentos, os sentimentos, os laços familiares, os objetos, os serviçais... 

Era-lhe mais caro o trabalho do que a família, o sexo do que o amor, o chat do que a conversa, os amigos do que os parentes, a rua do que o próprio lar, os outros do que ela mesma, o virtual do que o real, o superficial do que o essencial...

Desfrutava do hoje como se não houvesse amanhã, vivia o presente como se o futuro pouco importasse.

Quando jovem, só queria estar em comunhão com o que a rodeava. Com o passar do tempo, foi deixando pelo caminho o altruísmo e a sensibilidade. O materialismo fazia-se cada vez mais presente na sua atuação. A sua ideia de abundância tornou-se indissociável da prosperidade económica e financeira. Tudo o resto era de importância secundária, considerava ela...

Encontrava magia nas coisas e não nas pessoas...

Essa existência desregrada e desenfreada traria consequências sérias, alertavam-na aqueles que lhe tinham verdadeira estima... Focada, unica e exclusivamente, em alimentar os prazeres do corpo, não era do seu interesse inteirar-se da real gravidade do mal de que padecia. Fazia questão de ignorar os sintomas cada vez mais flagrantes...

De tanto brincar aos deuses acabou por esquecer que não passava de uma mera mortal, que, a uma velocidade estonteante, acumulava pecados atrás de pecados. Achava a Humanidade que a imunidade era o garante para a impunidade.

Quanta ingenuidade, quanta ignorância, quanta arrogância... mal sabia ela o que lhe estava reservado para o ano de 2020.

Continua...

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Viva ✌️!

Como se não bastasse ser segunda-feira, ainda temos que levar com 'Bárbara', a depressão que acaba de chegar a Portugal, acompanhada de chuva, frio e vento... muito vento. Como tal, proponho animarmos este dia com o tal ranking dos melhores provedores de orgasmo espalhados por esse mundo fora.

Visando apurar quais as nacionalidades dos melhores (e piores) amantes a nível mundial, a Global Search promoveu uma sondagem junto de 15 mil indivíduos do sexo feminino, aos quais foi pedido que classificassem os homens com quem tinham "sexado". As inquiridas, mulheres bem viajadas, apontaram os espanhóis, seguidos dos brasileiros e dos italianos, como os melhores performistas na arte do amor carnal. Os franceses, sobre cujo desempenho estou em condições de opinar,  apareceram em quarto lugar. Com muita pena, não me foi possível descortinar o(s) motivo(s) porque elas os consideraram tão bons entre lençóis.

Em contrapartida, na cauda da tabela figuram os alemães e os ingleses, com os americanos a ocuparem o 5º lugar entre os piores amantes dos mundo. Escuso dizer que, ao tomar conhecimento destes resultados, o Trump não hesitou em dizer que eram fake news, já que os americanos são os melhores do mundo em tudo 🤣. Já aqui, as anónimas não se inibiram em apontar os motivos porque os consideram má foda, como poderás comprovar mais abaixo.

Eis as nacionalidades dos melhores amantes do mundo:
1. Espanha
2. Brasil
3. Itália
4. França
5. Irlanda
6. África do Sul
7. Austrália
8. Nova Zelândia
9. Dinamarca
10. Canadá

O top ten dos piores é composto pelas seguintes nacionalidades:
1. Alemanha (demasiado fedidos)
2. Inglaterra (demasiado preguiçosos)
3. Suécia (demasiado rápidos)
4. Países Baixos (demasiado dominantes)
5. Estados Unidos da América (demasiado rudes)
6. Grécia (demasiado amorosos)
7. País de Gales (demasiado egoístas)
8. Escócia (demasiado ruidosos)
9. Turquia (demasiado melosos)
10. Rússia (demasiado apressados)

Dado que os cabo-verdianos, os amantes com os quais estou familiarizada, não constam deste ranking, vou abster-me de tecer comentários sobre a sua fiabilidade. Uma coisa estou eu em condições de afirmar: caso a ocasião venha a proporcionar-se, pensarei duas vezes antes de dar umas cambalhotas com qualquer um dos integrantes da segunda lista. Just in case... 😉

Até breve!

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three-monkeys-1212613_1920.jpgOra viva!

Sextou! E como o último dia útil da semana pede leveza e descontração, trouxe uma mão cheia de conselhos de alguém que viveu, e aprendeu, o suficiente para registá-los, quiça na esperança de poderem ser proveitosos.

1. Evita fazer observações sarcásticas.
2. Se entrares numa briga, bate primeiro e bate com força.
3. A inveja de um amigo é pior que o ódio de um inimigo.
4. Ouve o que as pessoas têm a dizer. Não interrompas; deixa-as falar.
5. Guarda segredos.
6. Não cultives medo por ninguém.
7. Sê corajoso. Ainda que não sejas, ao menos finge ser.
8. Cuidado com as pessoas que nada têm a perder.
9. Escolhe a companheira da tua vida com cuidado. A partir dessa decisão, virá 80% de toda a tua felicidade ou miséria.
10. Se a casa do teu vizinho está em chamas, a tua também está em perigo.
11. Nunca elogies a ti mesmo; se houver elogios, que venham dos outros.
12. Sê um bom perdedor.
13. Não desejes colher frutos daquilo que nunca plantaste.
14. Quando aflito: respira fundo e distancia-te.
15. Dá às pessoas uma segunda chance, mas nunca uma terceira.
16. Cuidado ao queimar pontes. Nunca sabes quantas vezes precisarás atravessar o mesmo rio.
17. Lembra-te de que 70% do sucesso em qualquer área baseia-se na capacidade de lidar com pessoas.
18. Assume o controlo da tua vida. Não deixes que outra pessoa faça escolhas por ti.
19. A maior riqueza é a saúde.
20. Pensa duas vezes antes de sobrecarregares um amigo com um segredo.
21. Mantém um bloco de anotações e um lápis na tua mesa de cabeceira. Ideias que valem milhões surgem de madrugada.
22. Mostra respeito por todos que trabalham para viver.
23. Elogia a refeição quando fores hóspede na casa de alguém.
24. Não permitas que o telefone interrompa momentos importantes.
25. Não demores onde não és bem recebido.
26. Todo mundo "gosta" de te ver crescer, até começar a superá-los.
27. Ouve os mais velhos.

Aquele abraço amigo e até segunda-feira.

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02
Out20

Sexo sem tabus

por LegoLuna

pair-4647624_1920.jpgOra viva!

Este post assenta numa publicação da talentosa Miriam Medina, amiga pessoal, socióloga, terapeuta, escritora e autora da página Sem.tabus. Como o próprio nome indica, esta visa abordar todo o tipo de temas que, infelizmente, ainda são alvo de censuras, ainda que veladas, por parte de uma sociedade descaradamente tolerante com alguns assuntos e hipocritamente condescendente com outros tantos, entre os quais o sexo. 

Sem.tabus é um espaço onde se fala, de forma descomplexada, de temas como a prostituição, a sexualidade da mulher, a gravidez precoce, a violência doméstica e no namoro, a maternidade, a depressão, a deficiência e o sexo. Sobre este último, escreveu ela o seguinte:

Sextou com S de Sono acumulado. Se pensaste que era S de Sexo estás perdoada, porque o é também. Vamos falar de sexo? Essa palavrinha tão pequena, mas tão cheia de tudo, que em pleno século 21 é ainda um tabu. Se nossos pais não fizessem sexo, não estaríamos aqui, certo?? E graças a Deus que os meus fizeram e fabricaram essa coisa maravilhosa, que sou eu.

Sexo é um assunto que não é muito explorado publicamente, é um tabu, mas ganha espaço na boca das pessoas com muita facilidade nos dias de hoje. A realidade é bem justa e precisa: sexo é bom, todo mundo faz ou vai fazer um dia. E ainda bem. E não precisa ter um parceiro para sentir prazer. Masturba-te! Toca-te! Permite-te!

Hoje vivemos um momento em que o sexo desempenha um papel curioso. Apesar da libertação sexual ocorrida nas últimas décadas, a sexualidade ainda é um assunto embaraçoso em determinados contextos. Mencionar as palavras "vagina", "pénis", "coito interrompido", "masturbação" ou "camisinha"… Uiiiiii as puritanas vão à loucura. É ridículo que algo tão básico quanto a sexualidade ainda provoque essas reações.

O sexo na sociedade é visto como um tabu, especialmente na família e na educação, e isso traz sérias consequências. Em toda a nossa vida, isso terá seu próprio papel, tanto em termos de desenvolvimento biológico quanto social. Se tratarmos a sexualidade como algo embaraçoso e a ignorarmos, teremos uma educação sexual deficiente. Uma boa educação sexual precisa de um diálogo aberto.

É importante mudar a conceção que temos a respeito do sexo, deixar de vê-lo como um tabu ou uma obrigação. A sexualidade é um conjunto de comportamentos humanos que podem trazer muitos benefícios para qualquer pessoa. Aí mulherada, as unhas, o cabelo e a pele ficam um luxo só. Vamos normalizar falar sobre o sexo?

Aproveita bem o feriadão, que para a semana haverá mais. Até lá fica com aquele abraço amigo tão nosso!

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30
Set20

As pseudofelizes

por LegoLuna

lights-2551274_1920.jpgOra viva!

Estes dias têm-me sido difícil dar-te atenção, não só por ter muito que fazer, mas sobretudo por estar a braços com sérios problemas laborais, problemas esses que vêm causando um desgaste emocional avassalador. A situação é de tal forma dramática que o despedimento parece-me ser a única maneira de me livrar do assédio moral com o qual venho debatendo há já um bom tempo. Sobre isso falarei numa altura em que não esteja tão reativa. O tempo é curto, já disse, mas será suficiente para falar-te das pseudofelizes, uma subespécie feminina que se carateriza por comer amargura e arrotar felicidade.

Atenção que nada tenho contra quem assuma uma atitude positiva perante a vida; pelo contrário, admiro com todo o meu ser as pessoas que, independentemente das rasteiras da vida, fazem questão de manter uma atitude otimista. Gente assim faz toda a diferença. 
As pseudofelizes não são felizes, nem tão pouco mais ou menos. Fazem é questão de mostrar aos outros que o são com o único propósito de se gabarem e causar inveja aos demais. É aqui que reside a diferença entre pessoas genuinamente felizes, independentemente de como a vida lhes trata, e as que fazem tudo para parecerem felizes apenas por uma questão de aparência e conveniência social. São essas que batizei de pseudofelizes.

Dou um exemplo: aquela colega ou conhecida que, sabendo-te solteira, não perde uma oportunidade para pregar que devias arranjar alguém, que não sabes o que estás a perder, que ela não se vê completamente feliz sem o seu "Tó Zé" Ora acontece que, na realidade, essa fulana não é respeitada, para não dizer maltratada, pelo seu gajo e, como se não bastasse, volta e meia, leva com um par de chifres. Esta é uma pseudofeliz, uma mulher emparelhada que se acha melhor do que qualquer desemparelhada pelo simples facto de ter um par de calças fixo na sua vida, mesmo que isso implique estar num relacionamento miserável.

Portanto, solteira minha, não invejes relações alheias. Lembra-te que as aparências enganam e que existe um mar de mulheres "não solteiras" cujo grau de infelicidade não chega aos pés da mais solitária das desemparelhadas.

Aquele abraço amigo de sempre!

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dark-1869803_1920.jpgViva!

Convido-te a (re)visitar este post, originalmente publicado a 24 de setembro de 2019, tendo, na altura, suscitado um aceso debate sobre a questão do racismo em Portugal. Espero que gostes e que partilhes a tua opinião sobre o tema.

Hoje quero abordar um assunto que tenho vindo a adiar, com receio de que o discurso acabe por revelar-se demasiado inflamado, logo demasiado propenso a ferir suscetibilidades, precisamente o tema desta crónica.

Não é de hoje que acuso um enorme desconforto e alguma revolta (porque não assumi-lo?) cada vez que me chegam aos ouvidos relatos de acusações de racismo, que, nos dias que correm, parecem estar a fazer escola. Acusa-se alguém de racismo por tudo e por nada. A forma leviana e inconsequente com que se tem dado uso ao termo está a prejudicar despudoradamente o racismo na sua génese. Com isso quero deixar claro que muitas das atuais acusações de racismo mais não têm feito que roubar protagonismo a verdadeiros casos onde este é gritante, alarmante e incapacitante.

Para que entendas bem aquilo a que me refiro, cito o caso do chefe do governo canadiano, Justin Trudeau, que há poucos dias viu-se envolvido numa enorme polémica despoletada pela divulgação de uma fotografia em que, numa festa temática sobre noites árabes, aparece de turbante e com a cara escurecida.

Tendo acompanhado desde a primeira hora toda a celeuma à volta do assunto, continuo sem atinar com o cerne da acusação, segundo a qual "pintar a cara de castanho ou negro, o blackface/brownface, era comum em espetáculos do século XIX e contribuiu para a propagação de estereótipos sobre a população negra ou de pele escura."

Como é que o facto do Trudeau ter aderido ao espírito de uma festa temática, incorporando na perfeição uma personagem – que foi exatamente assim que interpretei a coisa, e graças a Deus que não fui a única – pode ser considerado racismo, ao ponto deste se vir obrigado a pedir desculpas publicamente? Se formos por aí, um branco que usa tranças ou uma branca que anda com um "black" podem dar azo a acusações de racismo. Afinal, estariam a apropriar-se de algo exclusivo ou identificativo de uma raça que não a sua. 

Voltando ao caso do governante canadiano, o mais hilariante é que os primeiros a apontarem o dedo foram pessoas brancas e não aqueles que tinham toda a legitimidade para o fazer: os de pele escura. Acaso, perguntou-se aos supostos "visados" se se sentiram vítimas de racismo? Agora pergunto eu: e se fosse o contrário? Um negro fantasiado de caucasiano, com a cara pintada de branco, configuraria racismo? Ou será que o racismo é uma estrada com várias vias num único sentido?

Ao que parece o racismo só é considerado válido quando é o branco que "se apropria" de alguma caraterística ou símbolo de outra raça, etnia ou cultura. Porque quando se dá o oposto, não é costume alguém vir bradar para a esfera pública que se está a cometer racismo. E olha que tenho autoridade na matéria para pronunciar-me. Na qualidade de negra, orgulhosa de uma mentalidade aberta e de um espírito tolerante, afirmo que não me revejo na maior parte das acusações de racismo que tem vindo a público.

Por experiência própria, posso dizer que a esmagadora maioria das pessoas não faz a mais pálida ideia do que é racismo, menos ainda do que é ser vítima dele. Racismo é, por exemplo, ouvires da boca de uma branca que, por mais bem vestida e instruída que sejas, o teu lugar será sempre na ala dos criados. Isso sim é ser vítima de racismo. Racismo é não seres selecionada para um emprego – apesar de seres claramente a candidata mais adequada – porque a empresa não quer pessoas "diferentes" em lugares de destaque. Isso sim é racismo. Um branco escurecer artificialmente a cara para ir a um baile de máscaras não é racismo, é politiquice, hipocrisia e overdose de suscetibilidade.

A impressão que tenho é a de que, nos dias que correm não se pode dizer, fazer, pensar ou até respirar sem ferir alguma suscetibilidade alheia. Sinceramente, já não há paciência. É tanta suscetibilidade narcisista, supérflua e artificial que situações verdadeiramente relevantes acabam ofuscadas por pseudocasos, fomentados por quem deseja ver o circo pegar fogo, por quem se sente realizado toda vez que tem oportunidade de brincar de caça às bruxas.

O papel de carrasco que antes a história reservou à Inquisição agora é autoreclamado por todo aquele que se sente, em plena faculdade da sua prepotência e "achismo", no dever moral de criticar, julgar, condenar, apedrejar, ostracizar, humilhar, desmerecer. É deprimente, decadente e preocupante o crescendo de almas encardidas que se acham no direito de apontar o dedo aos outros, como se deuses fossem, e não meros mortais, mais pecadores que Judas.

A essas criaturas só tenho a dizer: tomem conta das vossas vidas, façam por serem melhores humanos, pessoas mais dignas, humildes, virtuosas e solidárias. Hoje és tu a apontar o dedo, amanhã provavelmente serás tu o alvo do dedo alheio. Como diz o dito popular, quando apontamos o dedo a alguém, pelo menos outros três apontam na nossa direção.

Pensem nisso antes de se autoindigitarem polícia da moral e do comportamento alheio. À opinião todos nós temos direitos; só que essa liberdade de expressão não dá a nenhum de nós o direito de cruxificar os outros. Na ausência de algo construtivo para dizer, façamos um favor a nós mesmos, e aos outros: guardemos para nós essa opinião.

O racismo é coisa séria, pelo que só à sua vítima deve ser dado legitimidade para se pronunciar sobre. Não usem, muito menos abusem, da palavra, peço-vos.

Por hoje é tudo, voltarei na quinta com um assunto mais leve, prometo. Até lá aquele abraço amigo de sempre.

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beauty-863439_1920.jpgViva!

Serão as mulheres poderosas (entenda-se independentes e seguras de si próprias) mais propensas a fracassaram no campo das relações efetivas? Já aqui abordei esta questão, assumindo - com base na minha experiência pessoal - que de facto assim é. Sempre senti que, a nível amoroso, a minha maneira de ser, segura, autónoma, despachada e desapegada, era-me mais prejudicial do que benéfica. No entanto, há dias estive a ler uma crónica da psicóloga Sara Ferreira que pôs-me a pensar que esta minha perceção pode estar enviesada, provavelmente viciada.

Porque estou pondo em causa uma crença até então enraizada em mim? Porque continuo firme no meu processo de desenvolvimento pessoal e espiritual, através do qual vejo-me impelida a reformular o modo como vejo as coisas, como encaro as situações, como analiso as pessoas, como compreendo a vida.

Todos nós, independentemente do género, raça, credo ou orientação sexual, queremos ser felizes; de preferência ao lado de outro alguém que nos ame, compreenda, valorize e apoie. É o que nos inspira, motiva, impulsiona e conforta. Não obstante este desejo, comum e universal, humanamente legítimo, há imensa gente avulsa por aí. Pessoas que permanecem desemparelhadas, por mais que queiram, e tentem, conseguir um parceiro para a vida. Quando se tratam daquelas seguras de si, com boa autoestima, alto astral e espírito do bem este fenómeno parece ainda mais difícil de se compreender. Daí que seja senso comum acreditarmos que para as mulheres poderosas essa tarefa seja, à primeira vista, muito mais árdua.

Ao que parece a coisa não é bem assim, pelo que ninguém melhor que uma psicóloga clínica para nos elucidar. "Não podemos afirmar que os homens fogem de relacionamentos com mulheres que dizem o que pensam e que exercem as suas vontades e outras (legítimas) liberdades pessoais!", garante Sara Ferreira, para quem não é a independência ou a segurança de uma mulher o que os assusta, mas antes a forma como ela as expressa. Os homens não temem mulheres poderosas, temem, sim, aquelas que, escudadas por essa faceta da sua personalidade, se revelam arrogantes, chatas, manipuladoras, adeptas de joguinhos emocionais. Ainda de acordo com esta psicoterapeuta, fogem eles a sete pés das "armadas em boas", que acham que têm sempre razão.


Resumindo e concluindo, a forma como uma mulher demonstra a sua independência/segurança é que determina se ela cativa ou intimida um homem. Ditas as coisas desta maneira, não posso deixar de pensar se não terá sido esse o meu problema, isto é, se, nas minhas relações, não acabei por fazer mau uso dessas caraterísticas. É hora de eu refletir a sério sobre este ponto, pois só azar no amor já não é argumento que satisfaça, muito menos justifique, esta minha solteirice crónica. 

Voltarei na sexta com mais um assunto do meu, aliás, do teu, na verdade, do nosso, interesse. Até lá, fica com aquele abraço amigo de sempre.

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Ora viva! ✌️

Já que estamos sintonizados na frequência do prazer carnal, hoje trago-te um artigo sobre boas práticas sexuais em tempo de pandemia. Cientes estamos todos de que a Covid-19 veio bagunçar a nossa vida, afetando sobretudo o modo como interagimos com os outros, seja ao nível social, profissional ou sexual, este último condenado a um confinamento inédito e inusitado na sua versão casual.

Sexo sem compromisso tem conhecido dias difíceis desde março a esta parte. Nos últimos seis meses, os desemparelhados têm-se visto gregos para dar vazão às suas necessidades libidinosas. O que antes era obtido com uma descarada facilidade/velocidade, nos dias que correm tornou-se, mais do que uma tarefa complicada, uma missão de alto risco. A proximidade física, sem a qual este acaba por perder a sua própria identidade, passou a ser um jogo somente à altura dos mais destemidos, imprudentes até.

De acordo com a Organização Mundial da Saúde (OMS), organismo internacional que regula as questões relacionadas com o bem-estar coletivo, também as práticas sexuais devem adaptar-se ao atual contexto epidemiológico. O que antes acontecia segundo a nossa vontade, e disponibilidade, agora tem de respeitar uma série de recomendações. Dar rédea solta à tesão em "espaços grandes, abertos e bem ventilados" é provavelmente aquela que suscita maior estranheza, mais não seja pela sua colisão com o código penal, o qual proíbe expressamente o sexo em locais públicos. A não ser que estejam a pensar em criar áreas sexuais, como acontece com áreas verdes, esta recomendação é um contrassenso, sem falar que atenta contra a moral e os bons costumes.

É facto assente que a exposição "à respiração ou à saliva", através do qual se propaga o novo coronavírus, representa uma grande ameaça à saúde pública. Daí que dar o corpo ao manifesto de forma segura deixou de se resumir ao uso do preservativo para passar a evitar contactos físicos de qualquer natureza, especialmente os que implicam troca de fluidos salivais. A gravidade é tal que o uso da camisinha e de barreiras dentais é aconselhado no caso do sexo oral. Quanto aos beijos, a indicação é que sejam evitados a todo o custo.

Para a OMS, seguras seguras são as práticas sexuais que não implicam proximidade física com outro alguém, como, por exemplo, a masturbação, a pornografia, o sexting ou o sexo virtual. Pergunto eu se não seria mais fácil desaconselharem terminantemente toda e qualquer espécie de cópula au pair? Ao menos assim quem não têm um parceiro sexual à distância de uma almofada saberia que, na hora do bem bom, só deve contar consigo próprio. Que o melhor mesmo é matar a fome à la pate, respeitando assim o tão desejado afastamento social, vital à contenção desta maldita pandemia.

Aquele abraço amigo e muita coragem nesta hora difícil. Tamos juntos 😉!

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girl-2217926_1920.jpgOra viva!

Como promessa é dívida, eis-me aqui a retomar a minha novela da vida real, a qual não pude dar continuidade no post anterior. Em que parte da estória tinha ficado mesmo? Já me lembro, naquela em que iniciámos as conversações via WhatsApp. Pois, mensagem vai mensagem vem, a uma frequência e abundância à qual estava desabituada, eis que acertamos um rendez-vous para dali a dois dias. Porquê só dali a dois dias? Porque 40 minutos de viagem nos separavam. Com ele apeado e eu sem carta de condução, ainda que tivesse o carro da minha irmã à disposição, as opções de locomoção eram nulas. Ainda cogitou a hipótese de ir ter comigo antes, mal recuperasse o carro que tinha ido para o arranjo, só que eu já tinha compromissos familiares, aos quais convinha comparecer.

Assim, na quarta-feira, três tardes depois de nos conhecermos à beira-rio, lá tivemos o nosso primeiro tête-à-tête, com ele a ir buscar-me à casa. O engraçado é que a minha irmã, mais nova do que eu, fez questão de me entregar em mãos, com a recomendação de que eu deveria ser devolvida sã e salva. A reação dele foi adorável: deu permissão para fotografar a matrícula do carro e ligar para a polícia caso eu não desse sinal de vida nos próximos 60 minutos.

Uma vez entregue a mercadoria, lá nos dirigimos a um bar da praia, o sítio mais à mão para dar vazão à curiosidade mútua, recolhendo, desta forma, as informações que precisávamos para averiguar o grau de interesse existente entre as partes. Ainda que não o tenha admitido, apercebi-me que, mais do que ansioso por estar comigo, ele estava nervoso (a transpiração nas axilas era disso prova irrefutável). Ao passo que eu, impávida e serena, ia observando, absorvendo, desfrutando... Cativou-me particularmente o facto de ele ter-se livrado das havaianas mal nos sentamos nas espreguiçadeiras. Voltou a ganhar pontos quando fez questão de ir buscar as bebibas (pagando ele), enquanto eu ficava a desfrutar da deslumbrante vista.

Da minha parte, foi uma agradável surpresa descobrir que ele tinha 38 anos, era do signo Sagitário (como eu), não fumava, bebia ocasionalmente, viajava imenso, não tinha filhos, nem era casado. Implícito ficou que tinha alguém, a mil quilómetros de distância, em Paris, e que só estava interessado em aproveitar o momento. Neste ponto, foi taxativo e imperativo: o que acontecesse ali, ali deveria ficar, ao estilo "what happens in vegas stays in vegas".

Confesso que, nas antigas circunstâncias, teria hesitado, para não dizer recuado, perante tal proposta. Mas como decidi mudar o meu chip mental e focar-me apenas no "aqui" e "agora", dei por mim, pouco depois, dentro de um carro à entrada da floresta, numa intensa troca de fluidos orais (antes que a tua mente comece a viajar na maionese, que fique claro que refiro-me a saliva). Mal conseguia lembrar-me da última vez que tinha estado a curtir dentro de uma viatura, feita adolescente a provar do inebriante trago do primeiro amor. Foi absolutamente... revigorante, digamos assim.

Duas horas depois, deixa-me ele à porta de casa, sã e salva, mas não intacta, com a promessa de um novo encontro para breve. No caminho de volta, enquanto conduzia, lá me deu a honra de conhecer os seus dotes musicais, enquanto cantarolava, ao mesmo tempo que tamborilava com os dedos no volante, uma canção que passava na rádio do carro. Era tão contagiante a sua boa disposição que não consegui resistir a mandar-lhe a seguinte boca: "Cuidado que ainda vão pensar que estás feliz!".

Faço aqui uma pausa para dizer que são momentos como estes - ínfimos, íntimos, efémeros  - que nos fazem lembrar o quão maravilhosa é a vida. Mais do que isso, que estar com outro alguém pode ser uma experiência magnífica.

Voltei a estar com o Ben dois dias depois, poucas horas antes dele fazer-se à estrada com destino a casa. Foi ter comigo logo pela manhã, de modo que conseguimos desfrutar de outras duas horas de sabura (palavra crioula que classifica tudo que seja bom). Desta vez, ele foi prevenido (se é que me entendes), pelo que a festa foi toda nossa. Jamais, em tempo algum, imaginaria que um branco, ainda para mais sendo francês, mandasse tão bem. Eu que já estava em vias de perder a esperança de voltar a desfrutar do prazer carnal, experienciei umas das melhores performances sexuais de toda a minha existência. Depois de um longo e inglório jejum, tive oportunidade de "encher o bucho", como dizem os manos brazucas. Comi, trinquei, mordisquei, lambi, lambuzei, arrotei e ainda tive tempo para repetir a dose.

E pensar que teria perdido tudo isso se ainda estivesse no velho registo de só "dar" quando for por amor. Na na na, a partir de agora, sempre que a ocasião se propiciar, "darei" por luxúria mesmo. Eu quero mais é ser feliz, ainda que por breves instantes, como foi o caso. Mil vezes estas duas horas - na verdade foram quatro se acrescentar a esta equação o encontro de (re)conhecimento - do que os últimos 10 anos, período que não sinto ter vivido, apenas vegetado, à espera da pessoa certa, da relação desejada, do momento ideal. Como arrependo-me de todo este tempo perdido, um tempo que, sei bem, jamais conseguirei recuperar.

Se há filosofia com a qual estou alinhada nesta altura da minha vida é aquela que apregoa que devemos amar sem reservas, f*der sem culpa, viver sem pudor. A vida é demasiado preciosa para não desfrutarmos de cada momento como se fosse o único, para não aproveitarmos o hoje como se não houvesse amanhã. Nada melhor que esta frase, proferida ontem pela minha amiga Carmencita, para rematar esta linha de pensamento: "Não os f*do por amor... mas amo-os de todas as vezes que os f*do!"

Quanto ao tal mec francês, nunca mais soube dele, já lá vão três semanas. Não mais deu sinal de vida, nem eu fiz por isso. Afinal, já foi obtido o que queríamos - e precisávamos - um do outro.

Beijo no ombro e muita f*da na tua vida!

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