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Crónicas, contos e confissões de uma rapariga gira e bem resolvida que (ainda) não cumpriu o papel para a qual foi formatada: casar e procriar. Caso para cortar os pulsos ou dar graças? Talvez nem uma coisa nem outra!

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Viva!

Qual é a coisa qual é ela que quem tem a mais não consegue vender e quem tem a menos não consegue comprar? É com esta charada que dou o pontapé de saída a uma crónica sobre o mais valioso de todos os bens na atualidade: o tempo.

Até onde sabemos nenhum ser humano, por maior que seja o seu poder, riqueza ou sabedoria, conseguiu ainda fazer com que o dia tenha mais de 24 horas, a hora mais de 60 minutos e o minuto mais de 60 segundos. Dono e senhor absoluto de si próprio, o tempo é provavelmente a única coisa neste mundo que não difere de género, raça, idade, ideologia, formação, religião, educação, profissão, localização, orientação sexual ou outra coisa qualquer. O que difere é o uso que dele se faz.

É por isso que não hesito em afirmar que o tempo é o único bem impossível de ser transacionado. Ouro compra-se, dinheiro ganha-se, riqueza acumula-se, bens materiais adquirem-se, saúde preserva-se, juventude prolonga-se, velhice retarda-se, morte finta-se. Quanto ao tempo, absolutamente nada a fazer para alterar o seu status quo. Numa lógica inversamente proporcional, quem tem mais "tudo" é justamente quem tem "menos" tempo.

Estamos numa era em que se quer ter tudo, fazer tudo, estar em todo o lado, num constante e ininterrupto desafio à lei da omnipresença e da omnipotência. Ambicionamos, ainda que muitas vezes de forma insconsciente, desempenhar concomitantemente o papel de deus e de homem, numa alarmante obsessão com o divino a prestar vassalagem ao humano, o imortal ao mortal, o criador à criatura.

É alarmante a quantidade de pessoas que se queixa a toda a hora da falta de tempo: tempo para ir ao ginásio, tempo para conviver, tempo para dormir, tempo para ler, tempo para namorar, tempo para cuidar de si, tempo para estar com a família, tempo para isto, aquilo e mais aquele outro. Esta nossa sociedade está a viver (perigosamente, atrevo-me a prognosticar) em função do tempo; e, perante as suas demandas, não há que chegue para tudo.

Se se consegue arranjar tempo para algo com toda a certeza há de faltar para outra coisa qualquer. Por exemplo, se se dorme 8-9 horas é quase certo que há de faltar tempo para ver Netflix, pastar nas redes sociais, navegar na net ou bater papo no Whatsapp; se se dedica muito tempo ao trabalho, a vida pessoal, social ou familiar há de ressentir-se; e vice-versa para cada uma das restantes esferas da nossa vida.

Tempo tempo tempo tempo… Comprar, roubar, aumentar, manipular, reter ou ignorar não é opção. Como fazê-lo então render de modo a ser possível alocá-lo a tudo o que nos importa e faz feliz? Diz a OIT que 85% das profissões de 2030 ainda não foram inventadas. Quem sabe o comerciante (traficante, também dá) de tempo não será uma delas? O que se sabe à partida é que será a mais bem paga de sempre. 

Para já só existe uma certeza: por maior que seja o nosso querer, o tempo é pessoal, instransmissível e inalterável.

Despeço-me com aquele abraço amigo e o conselho de que dês melhor uso ao teu tempo.

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Viva!

Um estudo intutulado As Mulheres em Portugal, Hoje assegura que uma em cada três portuguesas sente-se infeliz com a vida. Pela sua pertinência, e relevância, este assunto merece um olhar crítico desta solteira aqui, feliz nuns dias, infeliz noutros e assim assim nos restantes. 

A investigação, baseada numa amostra de 2,7 milhões de indivíduos do sexo feminino com idade compreendida entre os 18 e os 64 anos, intentou por a nu as condições e os objetivos das mulheres em território nacional: o trabalho, as tarefas domésticas, os rendimentos, os filhos, a vida sexual e os orgasmos, a desigualdade salarial, os filhos e a felicidade.
 
Coordenado por Laura Sagnier, economista e especialista em market intelligence, a análise, que reflete o que pensam e o que sentem as mulheres em Portugal, chegou às seguintes conclusões:
 
- O período mais complicado para a maioria das mulheres em relação às várias facetas que afetam as suas vidas situa-se entre os 35 e os 49 anos.
 
- A partir dos 28 anos, a capacidade de 'conciliar bem o trabalho pago com a vida pessoal ou familiar' torna-se a questão mais relevante para a esmagadora maioria.
 
- Mulheres com relações infelizes sentem que tal afeta de forma negativa todas as outras facetas da sua vida, ao contrário do que acontece com aquelas que não têm companheiro. Mais vale só do que mal acompanhada, não me canso de apregoar...
 
- Mais de metade (51%) das assalariadas estão infelizes no que diz respeito ao emprego.
 
- 33% sentem-se infelizes com a vida; 47% assumem-se felizes ou quase felizes e as restantes estão abaixo do limiar de felicidade.
 
- As facetas que as deixam mais felizes são, por ordem decrescente, os filhos, os netos, as amigas, os amigos, os parceiros e a mãe.
 
- As facetas que mais promovem a sua infelicidade são, por ordem decrescente de importância, o tempo médio que dispõem para si, o trabalho pago, o seu aspeto físico e os descendentes com um relacionamento anterior.
 
- 5% assumem-se como mães arrependidas.
 
- 73% assumem mais trabalho não pago que os companheiros.
 
- Para a maioria é mais importante as vezes que atingem o orgasmo do que a frequência com que mantém relações sexuais. Muitas dizem-se sentir felizes se tiverem sexo uma a duas vezes por semana.

É caso para nos perguntarmos por onde anda a felicidade de um terço das mulheres portuguesas. Poderia dizer que ela está na solteirice (como inúmeros estudos já o comprovaram). Mas como eu, solteira de longa duração, também não me sinto totalmente feliz, a resposta poderá estar no conceito de felicidade de cada uma. Só resta definir por a+b o que é a felicidade.
 
Com esta reflexão dou por encerradas as hostilidades do dia. Um abraço amigo e desejos de uma boa semana!

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Viva!

Não há coincidências! E a prova é que, depois da minha passagem (ontem) pela Feira do Livro de Lisboa, chega-me à vista (hoje) o resultado de uma sondagem levada a cabo em 13 países que concluiu que as pessoas que leem regularmente (71% dos inquiridos) são bem mais felizes que o resto da população que não o faz.

De viva voz, confirmo tal coisa. Desde a minha mais tenra idade que me recordo de gostar de ler. Lia tudo que me viesse parar às mãos. Quando digo tudo é mesmo tudo. Quando a nada mais conseguia deitar a mão, até à Bíblia me fazia, logo eu que de crente não possuo uma única molécula.

Na minha meninice em Cabo Verde não havia televisão por cabo, muito menos internet. Na verdade, mal havia televisão, e a que havia, um único canal público, só transmitia das 18 às 23 horas. Assim, a leitura, a par das brincadeiras de rua com os vizinhos, era o meu único divertimento. Por isso, lia, lia e lia.

Lia de tal maneira que quando chegava o início das aulas, já eu tinha devorado o conteúdo de todos os manuais escolares. Fui a melhor aluna do meu liceu a história e a política e uma das melhores a geografia e fisico-química à conta disso. Nas férias grandes, sem nada mais para fazer, pegava nos livros e ia lendo, como forma de passar o tempo e matar o enfado de semanas intermináveis de reclusão domiciliária forçada.

Devo ser das poucas criaturas deste planeta para quem as férias grandes eram temidas ao invés de ansiadas. Rezava para que acabassem logo. Isto porque passava três meses enfiada em casa, só saindo para ir ao mercado, fazer recados, visitar parentes e pouco mais. Nem à praia (tão bela, tão morna e tão perto) me era permitido ir. Viajar então… era coisa que só constava do meu imaginário.

Portanto, o meu único entretenimento a solo era a leitura. Chegava a ler dois romances por dia. E à noite, quando a minha mãe me obrigava a desligar a lâmpada por ser tão tarde, passava madrugadas inteiras a ler à luz de vela, com a cabeça coberta com o lençol, que era para ela não se aperceber da sombra da chama.

Vibrava a cada novo livro. Cheirava, apalpava, folheava e delirava perante a expectativa de uma nova estória, um novo capítulo, novos personagens, novas tramas. Quando vim para cá, continuei a cultivar essa paixão. Todo o santo sábado lá ia eu a caminho da Feira da Ladra para adquirir mais livros. Romance, banda desenhada, infanto-juvenil, didático e mistério eram os meus géneros preferidos. Era tão cliente assídua que cheguei a um ponto em que já nem comprava mais, trocava antes por novos exemplares.

De regresso à base, concluída a missão que me trouxe a terras lusas – tirar a licenciatura – a única carga que despachei por via marítima foi uma enorme caixa de livros, que ainda hoje conservo com o maior cuidado na casa que me viu crescer, do lado de lá do Atlântico.

Atualmente, um dos meus maiores lamentos é já não ler com assiduidade. A bem da verdade, não me lembro sequer da última vez que li um livro do princípio ao fim. A televisão e a internet, a par do meu próprio desleixo, são as grandes vilãs desta estória com um final infeliz, mas que pretendo a curto prazo converter num happy end.

A estada no Parque Eduardo VII parece que acordou o bichinho da leitura, adormecido há muito tempo, demasiado até. Tanto assim é que hoje lá pretendo voltar, não só para adquirir mais uns quantos exemplares para a minha coleção de cabeceira, mas também para me deliciar com aquelas porcarias gastronómicas que tanto dano causam à silhueta mas que tão bem fazem à alma.

Só desta vez. Porque é sexta-feira, porque está um calor descomunal, porque feira rima com gula e porque da vida só levamos o que vivemos.

Aquele abraço amigo de sempre!

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Viva!

Com o falecimento repentino do meu pai, a viagem de última hora a Cabo Verde, as cerimónias fúnebres, o reencontro com os meus em circunstâncias tão dolorosas, o stress para conseguir retornar ao território português (à custa de uma autorização de residência caducada há quatro meses), o trabalho acumulado pela ausência inesperada, as duas idas ao SEF a fim de legalizar a minha permanência no país, sem mencionar a indescritível tristeza por me saber órfã de progenitor, a minha vida no último mês tem sido um pesadelo, para não dizer um inferno.

Por não escrever há tanto tempo (por mais que quisesse, como poderia?), receio ter perdido o jeito para a coisa. Como tal, eis-me aqui praticamente a obrigar a minha pessoa a digitar caracteres, na firme esperança de que o gosto pela escrita ressurja da inércia, tal como a fénix das cinzas. A ver vamos o que daqui sairá. Para não estar mais com delongas, que o meu estado psicoemocional já conheceu dias melhores, escolhi para tema desta crónica a solteirice, na perspetiva de antes solteira do que mal emparelhada.

Sabes aquele velho ditado que diz que mais vale só do que mal acompanhado? Como se não bastasse a sabedoria popular, evidências científicas vêm agora sustentar esta crença. Uma pesquisa conduzida por investigadores da Universidade de Buffalo, citada pela psiquiatra e sexóloga Kate Pickles, sugere que é muito mais benéfico para a saúde ficar solteira do que insistir em permanecer num relacionamento amoroso mau.

Apuradas as respostas de um inquérito aplicado a jovens casais residentes em regiões rurais do estado de Iowa, constatou-se que quanto mais tempo estes permaneciam em relacionamentos positivos, melhor era o seu estado de saúde. Na mesma linha de pensamento, foram identificados flagrantes efeitos negativos sobre a saúde daquelas que mantinham relacionamentos de má qualidade — demonstrando que, pelo menos no que diz respeito ao bem-estar geral, é muito melhor estar só do que mal acompanhado.

Por hoje é tudo, que esta minha inspiração já conheceu dias melhores. Aquele abraço amigo e até breve!

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Viva!

Sexta-feira é o dia em que a população ativa costuma arrastar-se pelos corredores da vida em contagem decrescente para o merecido descanso semanal. É também o dia em que estamos mais impacientes e menos tolerantes para com as falhas alheias, sobretudo se elas nos afetam na primeira pessoa.

 

Por causa de um episódio por que passei esta manhã, que me deixou à beira de um ataque de nervos, uma colega de trabalho fez-me chegar um texto intitulado "Os outros estão sempre nas nossas justificações". Achava ela que este seria capaz de me proporcionar a dose de discernimento necessária para conseguir gerir a situação com sabedoria e serenidade. O que ela não previu foi o seu real impacto no meu estado de espírito, de tal modo que não o quis guardar só para mim.

 

É assim que eis-me aqui a partilhar contigo, na vã esperança de que te possa ser tão útil como foi comigo, uma pertinente e perturbadora análise da psicóloga Diana Gaspar sobre o modo como tercearizamos, ou seja, delegamos a terceiros, a responsabilidade pelos nossos sentimentos.

Não estamos bem porque nos magoaram, não estamos bem porque não nos valorizam, não estamos bem porque nos rejeitaram, não estamos bem porque falaram mal de nós, não estamos bem porque não cuidam de nós como cuidamos deles, não estamos bem porque nos criticam, não estamos bem porque nos infernizam a vida… São muitos os exemplos e as circunstâncias que nos fazem atribuir aos outros o nosso estado emocional e a energia da nossa vida.

E é bem verdade, afinal todos nós somos seres sociais, de relações e de afectos, e assim sendo é legitimo que a relação com os outros nos tragam algum tipo de sentimento e de estado emocional que num primeiro momento nos toque. É bem verdade, que os outros nos façam sentir "coisas más" e que num primeiro momento não consigamos deixar de nos sentir abalados. Significa que somos humanos e que temos emoções, que construímos significados e que valorizamos os outros.

No entanto, os únicos responsáveis por aquilo que sentimos, somos nós. Somos os únicos responsáveis pela nossa vida emocional. Somos os únicos responsáveis pelas pessoas que escolhemos ter na nossa vida. Somos os únicos responsáveis pelos limites que colocamos e pelos limites que deixamos os outros colocar. Somos os únicos responsáveis por aquilo que fazemos com as nossas emoções e pelo trabalho que realizamos com elas.

Por muito que alguém nos magoe, o que nem sempre conseguimos evitar, somos os únicos responsáveis pelo que fazemos depois dessa magoa e com a evolução dessa emoção. Por muito que alguém não nos valorize, somos nós que esperávamos do outro essa valorização; por muito que sintamos que alguém nos rejeita, somos nós que alimentamos esse sentimento de rejeição, ou porque alimentamos a ideia de que não somos importantes ou porque escolhemos dar ao outro o poder de nos rejeitar.

Os únicos responsáveis pela qualidade emocional com que vivemos somos nós. Os outros só têm o poder que lhe damos em função de não assumirmos o nosso poder pessoal. Não controlamos o que os outros nos fazem, mas podemos controlar aquilo que fazemos com aquilo que os outros nos fazem. Assim, somos os únicos responsáveis por os mantermos na nossa vida ou não, e somos os únicos responsáveis pelas crenças e pelos significados que damos às diferentes relações que vamos alimentando e nutrindo.

Despeço-me com um xi-coração e desejos de um radiante fim de semana.

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11
Abr19

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Viva!

Finalmente consigo acasalar uma pitada de tempo (desviada do trabalho) com uma nesguinha de inspiração (resgatada da azáfama). Dado que nem uma nem outra sobejam neste momento, que tal falar-te de algumas expressões capazes de fazer de qualquer um de nós uma pessoa bastante mais amada. Pelo menos é o que garante um artigo publicado no Observador e no qual me inspirei para escrever esta crónica.

Numa sociedade que parece fomentar o uso – e abuso – da palavra, onde cada indivíduo se sente no direito (e dever) de abrir a boca e disparar os disparates que bem lhe apetecer, como se do bom exercício da liberdade e da cidadania se tratasse, o bom uso da palavra é reconhecidamente uma arte que poucos dominam.

As palavras são tão somente o mais importante veículo de comunicação entre humanos; o meio por excelência de interação e relacionamento. Quando usadas de forma adequada, afiguram-se a pontes capazes de unir duas pessoas, tal duas margens de um mesmo rio. Por isso mesmo, aproximam, criam cumplicidades e fomentam harmonias, que retundam em felicidade.

Gentileza gera gentileza, é certo e sabido! Como tudo na vida, ela, assim como a empatia e a solidariedade, também se aprende; de tal modo que cito uma dúzia de expressões capazes de fazer de ti uma pessoa, se não mais amada, pelo menos mais agradável ou suportável (na pior das hipóteses) .
 
1. "Fico feliz por te ver"
Quando encontrares alguém de quem gostas, não te fiques pelo "olá" da praxe. Vai mais longe e diz mesmo "fico feliz por te ver" ou "fico sempre feliz por te ver". Vais ver que o outro ficará mais recetivo e gentil.
 
2. "Lembro-me que tu"
Ao evocares uma situação, um gesto ou uma atitude positiva estás a reafirmar a capacidade do outro em despertar em ti coisas agradáveis, ao ponto de as conservares na memória.
 
3. "Estou impressionada!"
Esta expressão, ideal para usares com pessoas recém-chegadas ao teu convívio, visa reforçar a autoestima delas e fazê-las sentirem-se integradas e valorizadas.
 
4. "Acredito em ti"
Verbalizares tal sentimento denota confiança nas potencialidades do outro, fazendo com que este reconheça em si mesmo as suas forças e destrezas.
 
5. "Vê só até onde já conseguiste chegar"
Assim fazes com que a outra pessoa reveja o seu percurso, ao mesmo tempo que demonstras que estás atento a ela, que registaste os seus esforços, os seus sucessos, as suas conquistas. É também uma celebração do seu sucesso.
 
6. "Gostava de saber o que pensas sobre..."
Dizer isso ou algo como "gostava de ouvir a tua opinião sobre…" é uma forma de comunicares ao outro que o consideras digno de se pronunciar sobre determinado assunto.
 
7. "Diz-me mais"
Trata-se de um cumprimento, um elogio, uma forma de comunicar que o outro diz coisas inteligentes, pertinentes, singulares. É, igualmente, uma excelente oportunidade de estabeleceres ligações sólidas e duradouras.
 
8. "Bem-vindo"
Fazer com que alguém se sinta bem acolhido, seja na tua mesa, na tua casa, na tua empresa ou na tua vida, é uma forma de dignificares a pessoa e de lhe mostrares que estás feliz com a sua chegada.
 
9. "Posso ajudar?"
Trata-se de uma demonstração de empatia para com a insegurança (momentânea ou não) de alguém e, ao mesmo tempo, uma confissão implícita de que também tu, por vezes, és acometida de incertezas.
 
10. "Desculpa"
Pedir desculpa é reconhecer que não agiste da melhor forma e que lamentas os danos que esse teu agir teve no outro. Assim, dizer "desculpa" é uma forma de esperares que este acredite na tua capacidade de ser melhor.
 
11. "Não"
Esta palavra representa o mais sublime exercício da tua liberdade de escolha. Seres capaz de expressá-la significa seres capaz de renunciar a algo que sabes não ser o melhor para ti. Quando o fazes com verdade e convicção demonstras ser fiel à tua essência.
 
12. "Obrigada"
Infelizmente, a humanidade está viciada no uso abusivo e leviano desta palavra, um autêntico cocktail composto por sentimentos positivos como gratidão, educação, empatia, humildade, delicadeza, aceitação e generosidade. Agradecer reforça no outro a vontade de ser gentil, daí que gentileza gere gentileza.
 
Por hoje é tudo, que são horas de ir dar tarefa ao corpo num ginásio perto de mim. Conto voltar ao teu convívio ainda antes do fim de semana. Até lá, só gentileza nessa vida!

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Viva!

Em relação à minha solteirice crónica ativa já ouvi de tudo um pouco, desde ser uma pessoa impossível de aturar até não ter preferência por indivíduos do sexo masculino. De entre essas "bocas", a que mais gozo me dá é aquela de que não estou preparada para ter uma relação. Como se o estar preparada implicasse automaticamente uma relação e vice-versa. Enfim...

Nesses casos, costumo responder, com a aquela minha expressão de 0-0: "mas eu estou preparada para uma relação; não estou, nem quero estar, é preparada para uma ralação!". Ciente de que a maioria dessas pessoas não sabe distinguir com clareza uma coisa da outra, lá me dou ao trabalho de vestir a capa de desencardidora de mentes e explicar, com exemplos, não vá correr o risco de também não perceberem à segunda.

Acaso, saberás tu as diferenças entre uma coisa e outra? Para o sim para o não, ei-las:

rElação
- Sentes-te mais feliz com ele do que sem ele
- Vives numa bolha de felicidade
- O afeto, o respeito, a cumplicidade e a sinceridade são os pilares do casal
- Discutem uma vez ou outra, mas acabam sempre por ficar bem
- Não vês a hora de estar com ele
- Sentes que lhe podes contar tudo
- Ambos mantêm uma agenda social independente
- Tens liberdade e à vontade para sairés com os teus amigos sem teres que dar grandes satisfações
- Tu decides até onde vai a tua privacidade
- A alegria é o pão nosso de cada dia
- Adormecem sempre abraçados
- O futuro ao lado dele parece-te risonho
- Se pudesses escolher qualquer outra pessoa neste mundo, continuas a querer estar com ele
- Estás com ele porque queres
 
rAlação
- A felicidade varia consoante a dinâmica do relacionamento
- A viagem entre o céu e o inferno é uma questão de tempo e oportunidade
- A desconfiança, a cobrança, o ciúme e a possessividade vão-se tornando uma constante
- As discussões são cada vez mais frequentes
- Sentes-te em paz quando ele não está por perto
- Omites coisas com medo de ele fazer uma cena se souber
- Têm que fazer tudo junto e quando assim não é há drama na certa
- Tens que pedir "permissão" para sair com os teus amigos, não sem antes apresentar um rol de explicações e justificações
- Ele decide até onde vai a tua privacidade
- O drama é o pão nosso de cada dia
- Dorme cada um para o seu lado
- Tens dúvidas em relação ao futuro (e ao presente)
- Imaginas o tempo todo como seria estar com outra(s) pessoa(s)
- Estás com ele porque... estás

Quando sabemos exatamente o que queremos não tem como nos contentarmos com nada menos. Eu permaneço solteira porque quero uma relação e não uma ralação.


Voltarei na quarta; até lá beijo no ombro e orgulho nessa solteirice, que o que mais há por aí é emparelhada infeliz e ressabiada que em casa come ralação e na rua arrota relação!

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Viva!

Depois de um esplêndido fim de semana (obrigada S. Pedro por esta benesse), eis-me de volta ao teu convívio com uma crónica sobre o lado oculto de muitas relações; relações que à primeira vista parecem saudáveis, mas que à quinta, sexta ou décima mirada são tudo menos isso. A essas cognomeei de relações espartilhadas, um mix entre relação saudável e relação tóxica.

Ainda que sem a componente violência (física e psicológica), flagrante nas relações tóxicas, este tipo de relacionamento pauta-se tanto pela ausência de afeto assumido como pela falta de compromisso declarado. É uma espécie de "curte" para adultos, em que uma das partes só quer saber da outra quando lhe dá jeito (ou gana, se é que me entendes ).

Marta Gonçalves Miranda, cronista da MAGG que admite ter vivido uma relação (demi)tóxica, descreve o perfil do "espartilhador" nestes termos:
- Está vários dias, ou até semanas, sem dizer nada e reaparece como se nada fosse;
- Diz que não está pronto para uma relação ou que não gosta de nós, mas é extremamente exigente para estar quando lhe apetece;
- Passa a viver às nossas custas financeiramente;
- Corre atrás de nós quando percebe que nos estamos a afastar;
- É desagradável, do estilo: "Eu não sou carinhoso muitas vezes para não ficares com a ideia errada [praticamente viviam juntos]";
- Nunca pergunta se está tudo bem;
- Mas despeja os seus problemas em cima de nós;
- Foge de tudo o que se assemelhe a uma discussão ou confronto;
- Diz que abomina ser pressionado.

Agora que ficamos com uma ideia mais concreta sobre o tipo de parceiro que assume o papel de vilão neste drama amoroso, importa escrutinar o porquê da outra parte sujeitar-se a uma relação assim assim? Será ela carente, tonta, desinformada, com baixa autoestima ou receosa do peso da solteirice? Nem por isso! A outra parte está simplesmente enamorada, e quando assim é, a vozinha interior é amordaçada e a luzinha de alerta posta em modo silencioso.

Não penses tu que todas aceitam de ânimo leve este tipo de relação. Há quem barafuste, há quem alinhe, mas no fim todas acabam por se deixar ir, enredadas numa espiral viciante, à qual se agarram como lapas, pois só assim creem poder voltar a provar do doce trago do encanto inicial. Mas porquê, é a pergunta que continua a aguardar resposta.

Porque, "no início, eles são absolutamente encantadores, mais até do que qualquer outro homem com quem tenhamos tido uma relação saudável. Eles eram presentes, prestáveis, interessados e, regra geral, fascinantes e inteligentes. Até que um dia demoraram seis horas a mandar mensagem e nós ignorámos. No dia seguinte, deixaram de nos responder. De repente apercebemo-nos que voltaram a não dizer nada, mas em vez de seis horas demoraram um dia. No dia seguinte, desapareceram sem deixar rasto. Nós chorámos a achar que tinha acabado. Até que eles reaparecem na sexta-feira como se nada tivesse acontecido, a convidar-nos para jantar. E voltávamos. Já não sabíamos quem éramos, o que queríamos. Deixámos de gostar de nós e de tirar prazer das coisas. Felicidade? Só quando estávamos com eles. E, mesmo assim, nem essa era verdadeira — no fundo do nosso ser, nós sabíamos que aquilo estava errado. E sabíamos que tinha de acabar.", esclarece Marta.


Dou por encerradas as hostilidades, com esta instigação: à falta de uma relação saudável, entre ter uma espartilhada e não ter nenhuma qual escolherias? A minha resposta: que venha o diabo e escolha!

Até breve!

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22
Fev19

girl-1245835_960_720.jpgViva!

A inspiração hoje anda arisca – talvez esteja deambulando por aí a farejar este cheirinho de verão com que S. Pedro nos agraciou – por isso partilho contigo esta crónica do Vítor Belanciano, recentemente publicada no Público. Tomara tu que a consigas apreciar tanto quanto eu.

É um conceito amplo, variável e pouco claro, porque cada um tem a sua visão sobre o assunto. E, no entanto, falamos de felicidade como se fosse uma evidência partilhada pela larga maioria das pessoas. Não é. Quando muito pode tentar perceber-se o que fazemos para alcançar esse estado.

A acreditar pelo que se vê a procura da felicidade está em alta. Existem cada vez mais pessoas em busca dela. E se o cliente quer, o mercado providencia, principalmente se nas redes sociais todos parecem mais bem-sucedidos do que nós. É só escolher. Reiki. Terapias regressivas. Quadrinidade. Acupunctura. Feng shui. Tarô. Astrologias. Homeopatia. Gurus milagrosos. Posturologia. Ayahuasca. Biorressonância. Teatro terapêutico. Psicoterapias de diversas orientações. Enfim, um sem fim de tratamentos e terapias que prometem orientação psicológica ou espiritual.

Não estou a ser cínico. Se falo disto é porque acredito, como diz a canção, "que tudo ajuda a ser feliz.” Desde que feito com convicção, resiliência, profundidade, solidez e permanência. Com consciência que é um processo de avanços e recuos. E essa é que é a questão. A pressão social para parecermos sempre felizes, a toda a hora, agora, já, é tão grande, e as promessas idílicas são tantas na indústria da ajuda, que se fica com a impressão que as opções vão sendo descartadas à menor decepção, sendo tudo praticado à superfície, de preferência sem chatices, acabando por se criar a ideia de que é possível solidificarmo-nos sem revolver em conflitos.

Antes tínhamos um quadro geracional que receava tudo o que tivesse a ver com saúde mental ou pensar as emoções, com o estigma de que isso seria só para gente doida. Agora, essa tendência, que ainda persiste, coabita com outra tão ou mais nociva, pelo menos em alguns círculos, que é o rodopio constante entre terapias, onde tudo se confunde, o uso e o abuso, a banha da cobra e práticas credíveis, uns comprimidos milagrosos ou a aposta em soluções consequentes, estruturais e de longo prazo.

O quadro que permite isso é a insatisfação permanente. A ilusão de que podemos aceder a momentos de felicidade sem lidar com a tristeza, a ansiedade ou a frustração. Coisas que fazem parte da condição humana e que devem ser compreendidas para melhor lidarmos com causas, sintomas e efeitos. Parece elementar, mas não é. Temos cada vez mais uma sociedade tentada pela medicalização dos comportamentos e dos conflitos da vida, dessa forma tentando-os ocultar, nunca chegando à sua compreensão, única forma de os tentar administrar de maneira saudável.

Dir-se-ia que o cidadão contemporâneo parece perdido, procurando qualquer luz para seguir. E o lema é quase sempre o mesmo. Nada é impossível. Tudo depende de nós. Basta mudar a nossa mente para o que o mundo que nos rodeia se transformar. Existe algo de verdade nisso. A iniciativa individual é fundamental na vida. A questão é quando isso se transforma em ideologia. Faz lembrar dogmas económicos, como o empreendedorismo, que acabam por ser aproveitados para fazer crer que o esforço individual resolve tudo (o desemprego, as desigualdades e a precariedade) o que acaba por ser uma forma de desculpabilizar, ou de não se pensar, sobre o sistema socioeconómico dominante. A mensagem é: altere a sua realidade, porque não será o sistema a fazê-lo por si.

Seria importante perceber que o vai-e-vem emocional da vida tem tanto de raízes individuais como sociais – e ainda se fala tão pouco da depressão, da ansiedade, da solidão e de outras patologias ligadas a alterações económicas, condições sociais ou exigências profissionais. Nesse sentido, o desejo salutar de cada um transformar o seu universo interior talvez pudesse vir acompanhado da aspiração de mudar o mundo de todos. Talvez seja mais complexo. Talvez existam menos prescrições para isso acontecer, mas seria importante. É que isto anda tudo ligado.

Bom fim de semana, meu bem, e aproveita este tempo fantástico para derramares charme por onde passares!

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29
Jan19

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Viva!

 

Esta madrugada, entre uma ida à casa de banho e outra – que esta minha bexiga está a anos-luz da minha idade biológica – tive uma pequena epifania sobre o amor, mais concretamente sobre a panóplia de emoções que nos assola o coração, o espírito e a alma quando atingidos pela fecha do cupido.

 

Antes de prosseguir, sinto-me na obrigação de deixar claro que não me refiro a essa versão descartável de amor que a sociedade moderna nos tem vindo a impingir sustentada naquela lógica de "à falta de um amor maior, contenta-te com um amor menor". Refiro-me sim àquele AMOR que vem dar (mais) sentido à nossa existência e nos torna na mais perfeita criação divina.

 

Se bem me lembro, quando um amor assim nos bate à porta somos acometidos por vários feelings, que passo a enumerar:

- Ao pé da pessoa amada, sentes (como nunca antes) que só agora a tua vida faz sentido

- Finalmente, percebes porque não deu certo com ninguém antes

- Aceitas que os teus fracassos amorosos anteriores só serviram para te conduzir até "o tal"

- Sentes-te capaz de desafiar e conquistar o mundo só com o poder do teu amor

- Podes ter tido o pior dia da tua vida, mas assim que chegas ao pé da pessoa amada tudo fica bem

- Sentes-te a mais sortuda e corajosa das criaturas, com a constante sensação de que nada nem ninguém neste mundo tem poder suficiente para te abalar

- O abraço da pessoa amada é remédio santo para todo o stress do teu dia a dia

- Sorrisos rasgados e contínuos e olhos cintilantes são uma constante na tua fisionomia

- Preocupas-te mais do que nunca com a tua aparência e fazes tudo para estar sempre bonita, cheirosa, depilada e tudo o mais que faz parte do cardápio de uma mulher vaidosa

- Queres desfrutar da companhia dessa pessoa o tempo todo, em detrimento dos demais

- Começas a falar, pensar e agir na primeira pessoa do plural

- Contas os segundos para estares com o alvo do teu afeto

- Sentes-te no auge da tua beleza, feminilidade, sensualidade e magnificência

- Mal te consegues lembrar daquelas feridas e cicatrizes amorosas que tanta dor e amargura te causaram no passado

- Transpiras felicidade por todos os poros e queres contaminar tudo e todos à tua volta

- O tempo passado com o teu amor parece nunca ser suficiente

 

É precisamente por já ter experienciado um amor assim que continuo solteira. Por esse amor estou disposta a esperar o tempo que for preciso e abrir mão do meu celibato. Se o universo me considerar digna de voltar a viver algo parecido, cá estarei para receber essa bênção de braços abertos e coração repleto de gratidão e humildade.

 

É melhor dar por concluída estar crónica que a continuar por este caminho ainda sou bem capaz de ficar deveras deprimida por estar ainda solteira.

 

One heart, one love, one hug!

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