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Crónicas, contos e confissões de uma solteira gira e bem resolvida que não cumpriu o papel para o qual foi formatada: casar e procriar. Caso para cortar os pulsos ou dar pulos de alegria? Provavelmente, nem uma coisa nem outra!

11
Jul22

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Ora viva! ✌️ 

Vamos lá então concluir a narração das minhas peripécias naquela que chamei de uma aventura em Peñíscola. Se bem te recordas, o terceiro episódio desta saga, que mais parece as obras de Santa Engrácia, terminou comigo dentro de um autocarro (por sinal, atrasado), com a bexiga prestes a arrebentar e o coração inquieto, ante a possibilidade de comprometer o embarque para Espanha.

Partilhando com a minha amiga Clara o estado do meu depósito urinário, assegurou-me ela que haveria tempo para aliviá-lo, já que o terminal rodoviário dispunha de sanitários. A essa altura dos acontecimentos, um minuto a mais um minuto a menos era irrelevante, rematou ela. Pouco tempo depois, liga-me novamente, desta vez para me dar conta de que afinal já não poderia contar com o wc da estação, por estar fora de serviço.

É meu bem, quando o universo decide conspirar a nosso desfavor, pouco ou nada podemos fazer, a não ser esperar que ele mude de ideias e nos sorria novamente.

Quando faltavam dois minutos para as oito da noite, desembarquei - finalmente - em Aveiro, aflitíssima por ir à casa de banho e louca para dar um abraço na Clara. Mal a viatura parou, fui a primeira a desembarcar e a primeira a pegar na mala, desatando de seguida a correr, para espanto dos presentes. Mais do que por estar atrasada, corria por sentir que era uma questão de segundos até fazer urinar pelas pernas abaixo.

A Clara, à minha espera há quase uma hora, sugeriu-me que tentasse a sorte com a casa de banho do café da gare, mesmo sem consumir nada. Enquanto ela acolhia os meus pertences e os arrumava no carro, corri para o café, sem olhar para nada nem ninguém, a não ser o símbolo da identificação da toilete. Na ânsia do alívio, não me apercebi que este não dispunha de papel higiénico. Que merda! Tive que me limpar com as mãos, fazer o quê? A essa altura dos acontecimentos não ia armar-me em fina.

Nesse entretanto, a guia – lembras-te dela? – deu o ar da sua graça, devolvendo as milhentas chamadas que tinha do meu número. Coitada da Sandra (assim se chama ela), estivera a dormir, pois tinha chegado nessa manhã de uma outra excursão. Extremamente amável, não obstante a enxurrada de chamadas minhas, ela lá nos tranquilizou novamente, garantindo que esperariam por nós, o tempo que fosse necessário.

Para encurtar a estória, se não nunca mais saímos daqui, deixamos a gare num fechar de olhos e fizemo-nos à estrada, a Clara como piloto, eu como copiloto e o GPS como coadjuvante. Como ela nunca tinha ido para Estarreja de carro estava um bocado insegura, não fosse enganar-se numa rotunda ou saída. Com a ajuda do mapa que o pai lhe fez, contendo as indicações necessárias, minuciosamente anotadas à mão, fizemos o percurso em menos tempo do que o previsto. Foi assim que, sem sobressaltos, chegámos ao nosso destino, pouco depois das 20h20.

A Clara, que já tinha identificado um bom sítio para deixar o carro durante a semana de ausência, uma fábrica próxima do local de embarque, logo à saída da autoestrada, conseguiu um lugar discreto para o estacionar. Desta vez foi ela a precisar de urinar, ato que realizou ali mesmo, ao ar livre. A sorte é que aquilo era um descampado, sem vivalma à vista.

Quando nos abeirámos do sítio indicado pela agência de viagens, descobrimos que já lá estavam dois casais. Tal como nós, também eles receberam instruções para lá estarem às 20:30. Sabes a que horas apareceu o autocarro que era suposto chegar às 20h30? Às 21h05!!! Ou seja, ainda estivemos quase 45 minutos à espera.

Moral da estória: não vale de todo a pena stressarmos por algo que não controlámos. Tanto desgaste emocional, e físico, para quê? Para nada! Além de termos conseguido chegar antes da hora combinada, ainda estivemos um bom tempo à espera.

Fim (por agora).

Beijo 💋 em ti e uma ótima semana!

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04
Jul22

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Ora viva! ✌️ 

Vamos lá então dar continuidade à narração da minha aventura em Espanha, a qual começou de forma muito atribulada, ao ponto de quase comprometer a viagem. Preparada para mais detalhes? Bora! 😉

Como deves recordar, Uma aventura em Peñíscola (Parte II) terminou com esta pessoa aqui a tentar descobrir uma forma alternativa de chegar àquela cidade espanhola, já que o risco de falhar o embarque em Estarreja era real e iminente. Não tendo conseguido descobrir nenhuma, pelo menos a curto prazo, não me restou outra alternativa que não fosse ligar novamente para a Clara, dando-lhe conhecimento de tal facto.

Aconselhou-me ela a embarcar, argumentando que como já tinha comprado o bilhete mais valia fazê-lo, e que, até à chegada ao destino, alguma solução haveria de aparecer. Nisto, ocorreu-nos expor a situação à guia que ia acompanhar a excursão, cujo contacto telefónico constava das informações enviadas pela agência de viagens.

Ainda em Sete Rios, minutos antes de embarcar para Aveiro, fiz a primeira tentativa de falar com ela. Sem sucesso. Ao longo da viagem - de quatro horas, lembras-te? - continuei a tentar, over and over and over again. O telefone da pobre senhora não tinha descanso, eu ligava de um lado, a Clara do outro.

O meu estado de espírito era de tal ordem que os infortúnios começaram a chegar em catadupa. Os meus óculos de sol, que descansavam na prateleira do assento, diante de uma curva mais apertada, caíram ao chão e partiu a armação. Além de os considerar acessórios indispensáveis, estes eram de marca, ou seja, custaram um bom dinheiro. Amaldiçoando tudo e todos, ao tentar conter os danos, parti uma unha. A minha manicure francesa, fresquinha e fofa, estava arruinada. Com muito custo, segurei o choro.

Como se não bastasse, comecei a ficar com uma enorme vontade de fazer xixi. Sem solução imediata à vista, já que estávamos em plena autoestrada, dirigi-me ao wc do próprio autocarro, solução que em circunstâncias normais rejeitaria de cara. Um único olhar à porta do cubículo foi quanto bastou para eu perceber que precisaria de um euro para poder usufruir do serviço. Uma vez mais, a sorte voltou a deixar claro que não queria nada comigo. Não encontrando nenhuma moeda de um euro no meu porta-moedas, e sem coragem para pedir emprestado aos passageiros vizinhos, não me restou outra alternativa que não fosse aguentar estoicamente a urina.

Sequer nas paragens que o bus fez - lembras-te de ter dito que este iria efetuar paragens em todas as estações e apeadeiros? - me foi possível descomprimir a bexiga. Numa delas, Figueira da Foz, se não estou em erro, quando perguntei por um sanitário, recebi indicações tão imprecisas que andei às voltas feita barata tonta, acabando por ficar sem tempo para aliviar a botija urinária.

Para pior ainda mais a situação, apercebi-me que a chegada a Aveiro dar se ia para lá da hora indicada no bilhete. Dirigindo-me ao motorista, expus o meu caso, alegando que o atraso iria comprometer a minha ida para Espanha. Novamente, levei com aquele ar enfadado caraterístico de quem está-se nas tintas para os dramas alheios. Sem qualquer vestígio de empatia ou solidariedade, ouvi da sua boca o seguinte: "O autocarro não é um avião, chega quando chegar!"

Perante tal resposta, decidi apear ali mesmo e continuar a viagem por outros meios. Dirigindo-me à primeira viatura da fila estacionada à porta da estação de comboios, abordei o taxista, a fim de saber quanto custaria a corrida até Estarreja. Setenta euros, disse-me ele sem pestanejar. Mesmo achando o preço salgado, o desespero era tanto que acedi. Prestes a pedir ao condutor do autocarro para abrir o porta-bagagem para eu retirar a minha mala, ocorreu-me que não dispunha desse valor em espécie.

Sem nenhum multibanco à vista, e com pouco tempo para analisar alternativas, regressei ao pesado de transportes de passageiros, frustrada e aflita por urinarEste lá continuou o seu percurso, cujo itinerário contemplava ainda três paragens até ao destino final. Não te esqueças que durante todo esse tempo, tanto a Clara como eu continuávamos a telefonar para a guia, sem qualquer sucesso.

Entretanto, o meu stress contaminara a Clara, os pais dela (que estavam lá em casa) e a minha tribo além-fronteiras, com quem, em tempo real, ia partilhando o meu drama. Em modo desespero total, já que passava das sete da tarde, a Clara lembrou-se de procurar o contacto da dona da agência, com quem tinha viajado em anteriores ocasiões.

Desta vez, a sorte sorriu-nos. Perante o exposto, a agente de viagens deu-nos a garantia de que o autocarro esperaria por nós, uma vez que os motivos do atraso eram alheios à nossa vontade. Explicou que a guia turística - que nunca atendeu o telefone, não obstante as nossas dezenas de tentativas - tinha chegado nesse mesmo dia de uma excursão e que estava a dormir, antes de liderar uma nova excursão, a nossa. E eu que já tinha mentalizado uma reclamação formal contra a pobre coitada, por negligência, descaso, incompetência e tudo o mais que me ocorreu.

Mais aliviada, ainda assim apreensiva, lá consegui desfrutar do resto da viagem sem sofrer o ataque cardíaco que ameaçava a minha pessoa desde o momento em que me apercebi do engano na compra do bilhete.

Continua...

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