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Crónicas, contos e confissões de uma solteira gira e bem resolvida que não cumpriu o papel para o qual foi formatada: casar e procriar. Caso para cortar os pulsos ou dar pulos de alegria? Provavelmente, nem uma coisa nem outra!

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Viva!

 

Os aeroportos sempre despertaram em mim um fascínio inexplicável. Adorei-os ainda antes de adentrar por uma sala de embarque. A primeira vez que isso aconteceu, apoderou-se de mim uma comoção avassaladora. Partia rumo a Portugal para tirar um curso superior. Já lá vão mais de duas décadas.

 

Desde essa altura que estes gigantescos albergues de partidas e chegadas são-me sinónimo de aventura, adrenalina, descoberta, reencontro e esperança. Bastava transpor aquelas portas automáticas para se apoderar de mim uma felicidade indescritível, prenúncio de que estava a caminho de algum sítio, escolhido por mim com todo o gosto e expectativa. Nunca houve voo atrasado, bagagem extraviada, perdida ou danificada, fila ou pessoas mal humoradas capazes de pôr em cheque essa genuína alegria de estar num deles. Mesmo quando só ia acompanhar quem partia ou acolher quem chegava.

 

Hoje, o sentimento que me assola é exatamente o oposto. Hoje o aeroporto, o mesmo que sempre me fez sentir tão bem, afigura-se a um corredor da morte. Hoje faço a viagem mais triste de sempre, a caminho do funeral do meu pai, vítima de um ataque cardíaco fulminante aos 64 anos. Hoje queria estar em qualquer outro lugar que não aqui onde me encontro a escrever para ti, numa última tentativa de fintar o desespero e não sucumbir ao pranto que teima em não se deixar fintar.

 

Hoje sei que, daqui para a frente, nunca mais voltarei a ver um aeroporto da mesma forma. Hoje sei que nada será como antes. Hoje sei que a minha vida mudou para sempre!

 

Feliz Páscoa, palavra derivada do latim e, por sua vez, do hebraico, que significa “passagem”. Simboliza a libertação do povo egípcio e a ressurreição de Cristo. Simboliza, igualmente, a passagem das trevas para a luz, da escravidão para a liberdade, da morte para a vida. Afinal, o bem vence o mal!

 

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10
Fev16

Definitivo

por Sara Sarowsky

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Definitivo, como tudo o que é simples. Nossa dor não advém das coisas vividas, mas das coisas que foram sonhadas e não se cumpriram.

 

Sofremos por quê? Porque automaticamente esquecemos o que foi desfrutado e passamos a sofrer pelas nossas projeções irrealizadas, por todas as cidades que gostaríamos de ter conhecido ao lado do nosso amor e não conhecemos, por todos os filhos que gostaríamos de ter tido junto e não tivemos, por todos os concertos e livros e silêncios que gostaríamos e não partilhamos. Por todos os beijos cancelados, pela eternidade.

 

Sofremos não porque nosso trabalho é desgastante e paga pouco, mas por todas as horas livres que deixamos de ter para ir ao cinema, para conversar com um amigo, para nadar, para namorar.

 

Sofremos não porque nossa mãe é impaciente connosco, mas por todos os momentos em que poderíamos estar confidenciando a ela nossas mais profundas angústias se ela estivesse interessada em compreender-nos.

 

Sofremos não porque nossa equipa perdeu, mas pela euforia sufocada.

 

Sofremos não porque envelhecemos, mas porque o futuro está-nos sendo confiscado, impedindo assim que mil aventuras nos aconteçam, todas aquelas com as quais sonhamos e nunca chegamos a experimentar.

 

Por que sofremos tanto por amor? O certo seria não sofrermos, apenas agradecer por termos conhecido uma pessoa tão especial, que gerou em nós um sentimento intenso e que nos fez companhia por um tempo razoável, um tempo feliz.

 

Como aliviar a dor do que não foi vivido? A resposta é simples como um verso: iludindo-se menos e vivendo mais!

 

A cada dia que vivo, mais me convenço de que o desperdício da vida está no amor que não damos, nas forças que não usamos, na prudência egoísta que nada arrisca, e que, esquivando-se do sofrimento, perdemos também a felicidade.

 

A dor é inevitável. O sofrimento é opcional...

Martha Medeiros

 

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