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Crónicas, contos e confissões de uma solteira gira e bem resolvida que não cumpriu o papel para o qual foi formatada: casar e procriar. Caso para cortar os pulsos ou dar pulos de alegria? Provavelmente, nem uma coisa nem outra!

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Viva!

Visa esta crónica complementar aquela que a precede, na qual abordei as dificuldades da comunidade desemparelhada em conseguir ofertas turísticas adequadas ao seu perfil. O meu olhar de hoje recai sobre o preço de se ser solteira em Portugal, tendo por base duas premissas: os valores das rendas e o custo de vida, duas variáveis que comprometem seriamente o quotidiano de quem suporta as contas na sua totalidade.

A invasão massiva dos turistas e dos migrantes endinheirados veio agudizar um problema que há muito ensombra a emancipação das celibatárias, relegando para segundo plano a falta de um par de calças do lado. O maior drama das single ladies neste momento é conseguir morar sozinha; que sobre adquirir casa própria nem me atrevo a pronunciar. Eu sou o exemplo vivo desta dura realidade; na casa dos 40 e ainda a dividir casa, como se uma universitária ainda fosse.

A propósito desta questão, considera o sociólogo Bernardo Coelho que "não só os salários em Portugal são dos mais baixos da Europa, como as mulheres são as mais mal pagas, com a agravante de que este é um cenário que acontece em todas as fases das suas vidas e não apenas no início da vida profissional. Além disso, o número de contratos não permanentes nas empresas incide com maior percentagem no sexo feminino. A precariedade no feminino é uma realidade".

Conscientes estamos todos de que salário baixo implica poder de compra reduzido, que, por sua vez, resulta numa margem financeira deveras limitada, numa espécie de pescada de rabo na boca. Não é à toda que os passarinhos deixam o ninho cada vez mais tarde e que muitos a ele retornam nos primeiros três anos após o voo da libertação do jugo parental. Flagrante é também a quantidade de indivíduos (sobretudo do sexo feminino) que "juntam os trapinhos" mais por uma questão prática do que propriamente sentimental, assim como aqueles que se mantêm numa relação moribunda e tóxica por motivos exclusivamente financeiros.

A continuar assim será caso para substituirmos o "quem casa quer casa" pelo "quem quer casa, casa". Afinal, de que outra maneira uma solteira assalariada conseguirá condições financeiras para ter um cantinho a que chamar seu?

Até à próxima, que o fim de semana já me veio buscar para irmos desbundar!

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Viva!

Agora que o Dia dos Namorados "defuntou" – e assim vai permanecer nos próximos 350 dias – não vejo razão para não partilhar contigo os resultados do estudo 'European Consumer Payment Report 2018', que revela que 37% dos portugueses mantém-se emparelhado pelo simples facto de não ter dinheiro para se fazer à estrada sozinho.

O ficar 'preso' a uma relação que já não é desejada é uma constatação que não me surpreende de todo, até porque quando andava na vida do engate online tive conhecimento de inúmeros casos de homens comprometidos que procuravam afeto como se solteiros fossem mas que continuavam a manter vida de casado por não terem bolso com a profundidade necessária para arcarem com os custos de se sustentarem sozinhos e ainda sustentarem as ex's com rebentos.


Reconheçamos ou não, a verdade é que os problemas financeiros influenciam sobremaneira o prazo de validade de muitas relações, demasiadas até. Isto porque "grande parte dos casais tem créditos bancários que não conseguem liquidar e em caso de separação, cada um continua a ser responsável pelas dívidas existentes. Assumir a responsabilidade pelas finanças pessoais, juntamente com a plena noção das consequências de uma dívida, são questões que têm um peso muito grande no momento da separação", esclarece Luís Salvaterra, diretor-geral da Intrum Justitia.

Outro dado curioso deste estudo é que a mesma percentagem de inquiridos assumiu que a sua situação financeira tem sido um fator crucial para o fracasso dos relacionamentos. Dito de outra forma: são duplamente infelizes; primeiro porque não têm dinheiro para deixar quem já não lhes faz feliz; segundo porque não têm dinheiro para ir atrás de quem lhes possa fazer feliz. Moral da estória: a felicidade conjugal só está ao alcance das contas bancárias mais robustas!


Quem foi mesmo que inventou aquela frase de que o dinheiro não traz felicidade? Aposto que não deveria ser nenhum dos entrevistados deste estudo, pobres almas condenadas a estarem acorrentadas a quem que já não amam, mas de quem não podem separar.

Bom fim de semana!

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