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Crónicas, contos e confissões de uma solteira gira e bem resolvida que não cumpriu o papel para o qual foi formatada: casar e procriar. Caso para cortar os pulsos ou dar pulos de alegria? Provavelmente, nem uma coisa nem outra!

05
Dez16

depressão12.jpgOra viva!

Talvez encorajado pelo artigo da passada sexta-feira, um seguidor entrou em contacto comigo em busca de um conselho amigo para o dilema de amor que o aflige. Dado considerar que se trata de um assunto deveras delicado, e mediante o seu consentimento, decidi partilhar contigo esta responsabilidade. Só para te contextualizar, TS é um jovem de 26 anos que foi traído e enganado pela namorada, não obstante ter perdoado o primeiro deslize dela. Da minha parte, e agora da tua, este seguidor procura uma luz para o seu dilema: insistir ou desistir de vez. O texto é um bocado extenso, mas vale a pena perderes alguns minutos, afinal é por uma boa causa.

Vivemos longe. Mas isso nunca foi problema. Infelizmente eu tenho um problema de saúde que se está a resolver, mas ainda assim é algo menos bom, a famosa doença da moda: o cancro.

A nossa relação sempre foi boa, sempre estivemos juntos, conforme dava. E sendo ela uma mulher sem "papas na língua" sempre estive seguro da nossa relação. Antes de a iniciarmos falamos imenso sobre esta distância. Acontece que, fui internado num fim de semana, em abril, devido ao cancro, senti-me mal e tive de ficar internado duas noites e três dias. Com os nervos e a situação, e como a minha família na altura pouco sabia desta relação, ninguém entrou em contacto com ela. Mal eu pude, liguei e expliquei. Ela, como seria de esperar, estava fula e eu entendi que deveria dar espaço e tentar um entendimento mais tarde.

Entretanto, ela não me procurou e no fim de semana a seguir fiz-me a caminho e fui tentar resolver a situação, a qual não ficou resolvida. Ela terminou comigo. 

Ficamos dois meses e meio, mais ou menos, separados. Eu concentrei-me nos meus filhos (adotei duas crianças) e no meu trabalho para ultrapassar...

E a verdade é que estava a conseguir. Claro que nesse espaço de tempo mantivemos o contacto, confesso que no início, talvez na primeira semana, não mais, seria eu a puxar conversa, porque independentemente de tudo sempre me preocupei com ela, mas como era tratado com desdém resolvi parar e focar no que realmente importa. Dentro desse tempo ela ligou vezes sem conta criando discussões, ciúmes... A coisa mais confusa, que no final de cada discussão, jogava-me a cara que nada tínhamos.

Estivemos um tempo sem falar desde aí. Sei que ela andava cheia de trabalho, eu também. Até que, em julho, ela resolve falar comigo. Ligou-me a chorar, fiquei preocupado, acalmei-a, e ela contou-me que devido a exames de rotina no ginecologista, ele alertou que futuramente para engravidar seria preciso ajuda médica. Eu sabia, e sei, o quanto ela deseja ser mãe. Estive do lado dela, como amigo. Mas, mais uma vez, ela afastou-me.

Até que voltou de vez, dizendo que não sabe estar sem mim. Reatamos tudo novamente. Fui lá uns dias, poucos porque ela não tinha praticamente tempo nenhum, mas fui os que podia e até os que não podia. Em setembro, ela conseguiu uns dias, pelo que tivemos uma espécie de lua de mel, dez dias perfeitos. E num dia, em outubro, ela lembrou-se de me bloquear qualquer acesso a ela. Dois dias depois, liga-me e diz a chorar: "Tomei uma decisão na minha vida. Não quero que me procures mais. Por favor, não tornes mais difícil do que já é".

Confesso que sou um completo maricas, mas engoli o meu choro e disse-lhe que gostava de entender de onde veio aquela decisão, mas que respeitava. Dois dias depois, ligou-me, pediu desculpa e disse que se tinha envolvido (apenas beijos) com alguém. Disse-lhe que, com a distância, era normal, que esqueceríamos tudo.

Quinze dias depois, ao chegar a casa vindo de uma sessão de quimio, reparei que tinha 80 e tal chamadas dela. Não lhe liguei logo por estar com os meus filhos, mas enviei-lhe mensagem a perguntar o que se passava. Ela dizia que queria falar comigo e tinha de ser em chamada, ao que eu respondi: "Se me vais deixar, deixa estar assim, não quero ouvir" e ela respondeu: "Também passa por isso mas não é só".

Foi aí que me disse novamente a chorar: "Eu não sei como te dizer isto mas..." E eu completei: "Tens outra pessoa", ao que ela concorda e chora, chorava tanto que não conseguia falar. Disse-lhe que sabia quem era e ela confirmou. Foi numa sexta-feira...

Os dias seguintes foram dias sem ar para mim, falávamos, eu queria ir ter com ela para falar e resolver pessoalmente, mas ela não queria, queria estar só, e pensar. Mas mantinha sempre o telefone em chamada para mim. Terça-feira disse-me que pensou e que queria seguir a vida dela sem mim, falou com o outro, e optou não ficar com ninguém. E eu respeitei. Estava à espera de não ficar com ela. 

Ela liga-me no dia a seguir, em modo privado por saber que não atenderia se ligasse com número identificado, e diz-me (e ainda hoje diz ) que não conseguia estar sem mim, que por mais que tente não consegue, que me ama demais para não me ter na vida dela.

E desde então temos estado razoavelmente bem. Estivemos uma semana juntos, que foi como mel, até que, no último fim de semana não pude ir lá a cima porque o meu filho teve um pequeno acidente e eu não o podia deixar e nem ele fazer uma grande viagem. Nessa noite, ao telefone com ela vejo as fotos de quinta-feira que me enviou, e sem querer, no facebook o rapaz com quem ela andava/anda, aparece me como sugestão de amigo, e reparei na fotografia. Abri, tinha duas fotografias, uma no carro que reconheci ser dela, e outra, no mesmo local onde ela tirou a foto que me enviou. Não acredito em coincidências. E tenho a certeza de que as fotografias foram tiradas juntos.

Sei que falta presença, e nessa presença que falta, é lógico que poderá faltar o sexo, o que, confesso-te, que ela nunca se queixou disso, nós até sexo por telefone fazemos . 

Talvez ela se complete por ele estar mais perto que eu. Mas assim não precisa de mim. Se precisa... Não sei como.

Eu amo-a. Mas confesso que desta vez dói muito mais, e não sei como falar com ela. Ela não se pode enervar, devido a um princípio de depressão, e eu sei que mesmo que fale com calma ela vai se enervar.

Bem, é este o (intrincado) caso do TS. Pelo que (já) me conheces, estás mesmo a imaginar qual a resposta que mal consigo segurar, mas antes disso, gostaria de saber a tua. Vamos juntos ajudá-lo a arrumar de vez este assunto? Conto contigo e o TS também.

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