Saltar para: Posts [1], Pesquisa e Arquivos [2]

Crónicas, contos e confissões de uma solteira gira e bem resolvida que não cumpriu o papel para o qual foi formatada: casar e procriar. Caso para cortar os pulsos ou dar pulos de alegria? Provavelmente, nem uma coisa nem outra!

28
Out19

photo-883286_960_720.jpg

Viva!

Numa busca frenética por um tema inspirador para este post, lá me lembrei de espreitar os rascunhos que vou atirando para os bastidores do AS, à medida que vou sendo acometida por espasmos epifânicos. Foi assim que acabei por resgatar um artigo do Público sobre as selfies, datado de 18 de setembro deste ano. Por se tratar de um assunto atual e pertinente, logo digno do nosso olhar acutilante, eis-me aqui a desafiar-te para um tête-à-tête sobre o fenómeno do autorretrato digital.

Para começo de conversa, não é de hoje que ouvimos, aqui e acolá, que por detrás de muito selfie existe um perfil narcisista, carente e pouco confiante. Verdade seja dita, quem de nós não possui no seu círculo de amizade virtual alguém cujo perfil corresponde na perfeição a esta descrição? Dado que a selfiemania parece ter vindo para ficar – se bem que já tenha visto dias melhores – proponho dissecá-lo comme il faut. Afinal, a ela ninguém sai ileso.

Publicar muitas selfies nas redes sociais leva os fotografados a parecerem mais egocêntricos, inseguros, menos bem-sucedidos, menos simpáticos e menos abertos a novas experiências. Especialmente se essas fotografias intentam evidenciar certas partes da sua anatomia. Por outro lado, publicar fotografias tiradas por outros, posies, está associado a uma maior autoestima e espírito aventureiro. Pelo menos é esta a conclusão de um estudo publicado recentemente no Journal of Research in Personality.

"Mesmo quando duas contas tinham conteúdos semelhantes, os sentimentos dos outros sobre a pessoa que publicava mais selfies eram mais negativos", resume o professor de psicologia Chris Barry, da Universidade do Estado de Washington, na apresentação dos resultados de uma pesquisa que comparou a forma como as pessoas são percecionadas com base no tipo de fotografias que publicam no Instagram. "É a prova de que, independentemente do contexto, há certas dicas virtuais que podem desencadear respostas positivas ou negativas nas redes sociais."

A experiência académica notou também que todos os utilizadores que publicavam fotografias para acentuar alguma caraterística física eram considerados egocêntricos. Nos casos das selfies foram ainda considerados solitários, maus amigos, pouco empáticos para com outros e pouco dispostos a vivenciar novas experiências.

Muito se tem escrito e discutido sobre a cultura selfie estar na raiz de uma geração mais narcisista do que nunca, exposta a novos meios onde o "eu" está acima de tudo e todos. "Estamos cada vez mais acostumados a pessoas vaidosas e posers que não têm mais nada a oferecer que não elas próprias e a sua necessidade de estar numa plataforma pública", considera Jeffrey Kluger, escritor sénior da Time, revista que em 2013 dedicou uma das suas edições à The Me Me Me Generation, onde na capa vinha estampada que "os millennials são narcisistas preguiçosos e egocêntricos que ainda vivem com os pais".

Segundo o jornalista que assina o artigo, "mais do que o narcisismo, os millennials são famosos pelo efeito dele: agir como se o mundo lhes devesse alguma coisa. Não só têm falta de empatia para se sentirem preocupados com os outros, como têm dificuldade em perceber o ponto de vista das outras pessoas, afinal cresceram a ver reality shows, que na sua maioria são documentários sobre o narcisismo", remata Joel Stein.

Se és da safra 1980-2000, mas não te identificas no acima descrito, tens mais do que motivos para te sentires afrontada com tais afirmações. Pudera, não são nada benevolentes, ainda que tenham o seu quinhão de verdade.

Por não fazer parte dessa turma da igualmente apelidada pela sociologia de Geração Y, sinto-me perfeitamente à vontade para mandar este bitaite: independentemente da faixa etária, da classe social ou do traço de personalidade, é incontestável que o mundo anda precisado de mais criaturas desconectadas do virtual, logo conectadas com o real; a sociedade precisada de mais pessoas focadas no outro, logo menos no "em si mesmo"; e nós humanos absolutamente ávidos por menos "me" e mais "we".

Dado que está o recado, dou por concluído este artigo, não sem antes deixar-te com aquele abraço amigo de sempre. Voltarei na quarta!

Autoria e outros dados (tags, etc)

01
Out15

003.JPG

 

Hoje vou abordar um tópico que, infelizmente, afecta muitas de nós, mulheres a caminharem a passos largos para a primeira década do "enta", "entinhas", como gosto de lhes chamar, que é o desemprego, melhor dizendo, a procura desenfreada por um trabalho. Uma odisseia, tantas vezes ingrata, infrutífera e inglória, e com danos colaterais devastadores: emocionais (ansiedade, insónia e desânimo), físicos (olheiras, cabelos brancos, ar abatido, rugas, pele baça), sem falar nos financeiros (no meu caso então, que nem sequer tive direito ao subsídio, este é o maior de todos).

 

Tudo isto para dizer que, após a resposta a um anúncio para marketeer digital, recebo um e-mail a propor-me um desafio. De acordo com palavras da pessoa que assinou a missiva, este serviria "para nos ajudar a seleccionar o candidato ideal, estamos a lançar um pequeno desafio aos candidatos. A ideia é replicar um contexto real de trabalho e fazer uma análise o mais objectiva possível."

 

Tinha então 48 horas para responder a meia dúzia de questões exigentes e armadilhadas, sim porque os recrutadores adoram passar rasteiras aos candidatos, mal conseguindo conter o gosto em vê-los estatelarem-se ao comprido. Tendo em conta que o desafio foi-me lançado numa sexta-feira à tarde, isso queria dizer que o meu fim de semana, que por ironia do destino previa-se ensolarado e caliente, tão caraterístico do início de setembro em Alface City, vulgo Lisboa, estava destinado a elaborar respostas criativas, aliciantes e bem melhores do que as dos restantes concorrentes, que segundo a contabilidade do site já ia nas 245 candidaturas.

 

Tinha portanto o sábado e o domingo para pensar, imaginar, criar, escrever e convencer o desafiador que era a melhor de entre todos os outros. Sábado nada saiu, nem uma única linha. Domingo, assim que saio da cama, sento-me em frente ao pc, com o meu tabuleiro com o brunch, e de lá não saí até dar por concluída a tarefa.

 

E pode acreditar que caprichei, pena que não foi o suficiente, já que uma semana e tal depois, sou agraciada com esta mensagem: "analisámos cuidadosamente todas as respostas enviadas. Não vos queremos deixar sem notícias: acabámos por seleccionar outro candidato, cujo perfil e competências nos pareceram mais adequados ao que precisamos nesta fase. As candidaturas em geral foram muito boas e a grande maioria das pessoas que respondeu ao desafio fê-lo com grande qualidade, pelo que o facto de não vos termos chamado para entrevista não significa que não tenham feito um bom trabalho", assinado pelo site manager e com direito a ter que levar com as fuças do dito cujo, já que este gosta tanto da sua pessoa que resolveu incluir uma fotografia sua na assinatura do e-mail. Se ao menos, fosse um gajo giro e podre de bom..

 

O que me consola, e que amortece significativamente a minha frustração, é o facto de saber que dei o melhor de mim e que eles perdem mais por não me terem escolhido do que eu por não ter sido escolhida.

 

E agora deixo-te que a busca ainda não terminou e aquele que será o meu próximo emprego está algures à minha espera.

 

Fui!

Autoria e outros dados (tags, etc)


Mais sobre mim

foto do autor


Melhor Blog 2020 Sexo e Diário Íntimo


Melhor Blog 2019 Sexo e Diário Íntimo


Melhor Blog 2018 Sexualidade





Pesquisar

  Pesquisar no Blog

Subscrever por e-mail

A subscrição é anónima e gera, no máximo, um e-mail por dia.

Arquivo

  1. 2021
  2. J
  3. F
  4. M
  5. A
  6. M
  7. J
  8. J
  9. A
  10. S
  11. O
  12. N
  13. D
  14. 2020
  15. J
  16. F
  17. M
  18. A
  19. M
  20. J
  21. J
  22. A
  23. S
  24. O
  25. N
  26. D
  27. 2019
  28. J
  29. F
  30. M
  31. A
  32. M
  33. J
  34. J
  35. A
  36. S
  37. O
  38. N
  39. D
  40. 2018
  41. J
  42. F
  43. M
  44. A
  45. M
  46. J
  47. J
  48. A
  49. S
  50. O
  51. N
  52. D
  53. 2017
  54. J
  55. F
  56. M
  57. A
  58. M
  59. J
  60. J
  61. A
  62. S
  63. O
  64. N
  65. D
  66. 2016
  67. J
  68. F
  69. M
  70. A
  71. M
  72. J
  73. J
  74. A
  75. S
  76. O
  77. N
  78. D
  79. 2015
  80. J
  81. F
  82. M
  83. A
  84. M
  85. J
  86. J
  87. A
  88. S
  89. O
  90. N
  91. D