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Crónicas, contos e confissões de uma solteira gira e bem resolvida que não cumpriu o papel para o qual foi formatada: casar e procriar. Caso para cortar os pulsos ou dar pulos de alegria? Provavelmente, nem uma coisa nem outra!

26
Nov18

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Viva!

 

Já lá vão meses, provavelmente mais de ano, desde a última vez que tive um encontro romântico na verdadeira aceção da palavra. Com isso refiro-me a um encontro por mim ansiado, para o qual me emboneco toda, com o coração a saltimbancar qual artista circense. Sequer consigo lembrar-me quando, ou com quem, foi a última vez que saí num date. Convites não me faltaram – uns mais aliciantes que outros, é certo – mas nenhum chegou a concretizar-se. Por ação direta da minha parte, assumo. Só para teres uma ideia, na passada sexta-feira, com dois first dates na calha, acabei o dia a passear pela Baixa pombalina na melhor de todas as companhias: a minha.

 

Por este, aquele ou aqueleoutro motivo, a verdade é que nenhum pretendente conseguiu cativar-me ao ponto de me aventurar a dar-lhe uma oportunidade. Antes de adentrar pelo âmago desta crónica – o porquê da minha indisponibilidade amorosa – permite-me uma pequena contextualização desta minha atual forma de estar, pensar e vivenciar o amor.

 

Quiçá à conta do (mau) karma transferido de uma vida passada, em que me revelei um filho da put* promíscuo e amoral, eu e o amor pouquíssimas vezes estivemos sintonizados na mesma frequência; razão quanto baste para o meu historial de flop amoroso. Ao longo da minha existência, o meu pobre coração foi sendo fustigado por todo o tipo de desilusões: um baque aqui, uma mossa ali, uma racha acolá, até ao golpe fatal, perpetrado por quem na altura não tive dúvidas em assumir como a minha alma gémea, o homem dos meus sonhos, um amor para toda a vida (e com esta me assumo como uma marca branca do Nicholas Sparks).

 

Olhando para esta imagem captada no auge do meu romance, há exatamente oito anos, vejo o quanto aquela Sara era descontraída, sorridente, iluminada e com uma fé inabalável num futuro risonho. Bons tempos aquele. Adiante...

 

Por razões absolutamente alheias à minha vontade (leia-se, foi ele que me deu com os pés), quando essa relação terminou o meu coração desfez-se de tal maneira que ainda hoje, sete anos, 10 meses e muitos dias depois, dou por mim a catar um ou outro pedaço. Com o sarcasmo que se lhe exige, costumo dizer que há uma linha que divide a minha vida amorosa entre antes de 2010 e depois de 2010, após o qual mudei a minha forma de experenciar o amor para nunca mais voltar ao mesmo. A essa linha dei o nome de autopreservação.

 

Acredito que seja este meu ADN de guerreiro egípcio herdado da outra encarnação que me fez não desistir de viver (como tantas vezes quis). Só eu sei o calvário que passei para conseguir manter-me de pé, só eu sei o que tive que penar para chegar onde estou, só eu sei quantas vezes me senti indigna como mulher, só eu sei o quanto tive que ralar para conseguir reconciliar-me com a minha própria pessoa e com os outros, só eu sei o quão penoso foi o processo de cura e perdão. Só eu sei... Agora pareço um pastor do IURD.

 

Passo a passo, um dia de cada vez, fui retomando o gosto pela vida, resgatando a alegria de existir, fazendo-me mais e melhor pessoa. Porém, a jura de que jamais permitiria que me voltassem a despedaçar o coração, nem que isso significasse nunca mais chegar perto de um homem, permanece intacta.

 

Com os cacos que fui juntando, consegui recuperar o meu provedor de sentimentos o suficiente para tirá-lo da UCI e interná-lo num quarto blindado, cuja chave na altura deitei fora e agora não encontro, por mais que me farte de procurar. Atualmente, ainda que queira, não encontro forma de o resgatar das masmorras para onde o atirei há quase oito anos.

 

É por isso que não mais voltei a conseguir confiar em alguém; não mais consegui acreditar que poderia dar certo; não mais consegui entregar-me; e como acredito com todo o meu ser que amor sem entrega é desperdício de tudo, não mais voltei a provar do trago doce e inebriante do afeto testosteronal. Claro que a minha paixonite crónica aguda pelo tal rapaz lá do ginásio só contribui para agravar todo este quadro clínico.

 

Perco? Claro que sim, muito até! Mas também ganho, não há como negar. Ganho paz de espírito e a certeza de que o meu (auto)amor hoje em dia é fruto de um acordo bilateral, com ambas as partes a amarem-se em igualdade de circunstâncias.

 

Se permanecer solteira for o preço que tenho que pagar para não mais voltar a sentir aquela dor dilacerante que me desfez o coração em mil e me repartiu a alma em dois, é com todo o gosto que o pago. Afinal, o amor conjugal é só uma parte da felicidade humana, nunca o todo. Somos mais felizes com ele? Claro que sim. Somos infelizes sem ele? Obviamente que não. A não ser que queiramos!

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broken_heart_by_admx.jpgViva!

Quando envolve sentimentos verdadeiros, dificilmente um rompimento, seja de que natureza for, passa incólume na vida de alguém. Separação deixa marcas, é indiscutível. Nos casos em que apenas uma das partes assim o deseja, estas podem ser tão impactantes ao ponto de mudar, de forma irreversível, a nossa essência.

Infelizmente, esta é uma realidade inerente à condição humana, intrínseca à faculdade de nos relacionarmos com os outros. É com muita pena que afirmo não conhecer criatura humana que nunca tenha saboreado o gosto amargo de uma rutura. Da parte que me toca, só posso dizer que mutilaram-me o coração de todas as formas possíveis e imagináveis, ao ponto deste nunca mais encontrar forças para voltar a entregar-se sem reservas.

De entre as inúmeras razões que determinam o fim de uma relação (recente ou duradoura, é indiferente), existe uma que custa mais que todas as outras. Acaso, fazes ideia a qual delas me refiro? Não? Eu digo-te: ser trocado por outra pessoa!

Mais do que uma constatação pessoal, este é um dado empírico, comprovado pela ciência através de um estudo recente da Cornell University, que concluiu que ser trocado por outra pessoa faz com que o rejeitado se sinta excluído e perca o sentido de pertença, podendo isso ter implicações complexas a nível emocional. E se essa rejeição não vier acompanhada de qualquer tipo de justificação ou pedido de desculpa, a tristeza pode assumir proporções dantescas.

Eu, de nome de batismo Sara e nome de guerra Legoluna, atribuo medalha de mérito a este estudo. Quando me aconteceu, senti-me tão pequena, tão miserável, tão incompetente, tão indigna de ser amada... A tristeza por constatar que os meus melhores sentimentos não foram suficientes para alguém querer permanecer ao meu lado é algo que não desejo nem ao meu pior inimigo. E olha que sou pessoa para desejar cobras e lagartos aos meus desafetos :-)

Single mine, quero saber o que tens a dizer sobre o assunto. Concordas que este é o tipo de separação mais doloroso e difícil de ultrapassar? Também já passaste por isso? Se sim, conseguiste superar?

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zp_13.jpgOra viva!

Lembras-te de no post anterior o autor do livro Quem nunca morreu de amor ter dito que precisamos morrer de amor algumas vezes? Ah, pois, isso pode até parecer muito romântico aos olhos de quem lê, mas na vida real dor de amor é algo que não traz benefício nenhum, pelo contrário, pode causar sérios e permanentes danos à saúde cardiovascular. Dos psíquico-emocionais, escuso mencionar...

Reza a minha experiência que um coração partido equivale a morrer um pouquinho todos os dia, para se renascer no dia seguinte e voltar a morrer novamente. Uma, duas, três, vezes sem conta. O que nos salva é que um dia ela acaba por entrar em estado vegetativo, até que decidamos que é hora de desligar a máquina e deixá-la descansar em paz nos confins da memória. Até lá, só nos resta recorrer à máscara de oxigénio, um dia de cada vez.

Mas esta crónica não é para falar dos meus desgostos amorosos, mas sim de um novo estudo da British Heart Foundation que garante que o síndrome do coração partido (ou miocardiopatia Takotsubo, cientificamente falando) é um facto, com consequências mensuráveis, embora ainda não reúna consenso entre a comunidade académica.

A referida investigação apurou que três mil britânicos padecem anualmente deste mal, que, na prática, enfraquece o músculo cardíaco ao ponto de dificultar o seu normal funcionamento. Testes à amostra permitiram concluir que as consequências de uma desilusão amorosa assemelham-se às de um ataque cardíaco, isto porque, tanto num caso como no outro, há danos no músculo cardíaco, algo que é não reversível. Tal constatação permite afirmar que aqueles que padecem deste síndrome ficam com as mesmas taxas de sobrevivência que aqueles que sofreram um ataque cardíaco.

De acordo com os entendidos na matéria, essa tal de Takotsubo é uma doença tão devastadora que pode, num ápice, prejudicar a mais saudável das criaturas. Se antes se pensava que as suas consequências seriam temporárias, agora não restam dúvidas de que pode deixar marcas para o resto da vida.

Aos (ex)corações partidos dedico esta bela composição do Alejandro Sanz. Estou ciente que não cura dor nenhuma, mas ao menos anima a alma.

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