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Crónicas, contos e confissões de uma solteira gira e bem resolvida que não cumpriu o papel para o qual foi formatada: casar e procriar. Caso para cortar os pulsos ou dar pulos de alegria? Provavelmente, nem uma coisa nem outra!

doctor-1149149_1920.jpgOra viva ✌️!

Contigo quero hoje partilhar a primeira crónica da série Um Amor Indesejado, que mais não é do que um ensaio para um prémio literário ao qual pretendo concorrer mal a mademoiselle inspiração regresse das férias; férias essas que de tão prolongadas já começam a perder a graça.

Retomando as palavras à narrativa, encontrei-a algures perdida na pasta aonde anoto as ideias que me vão surgindo, na firme convicção de, mais tarde, virem a revelar-se aproveitáveis. Como é agora o caso, em que irei contar a estória de um super médico capaz de curar qualquer doença do coração, exceto o Amor, para o qual descobriu não ter imunidade, cura menos ainda.

Era uma vez um jovem que se orgulhava de ser portador da Doença do Não Envolvimento Emocional (DNEE), uma moléstia autodiagnosticada tinha ele pouco mais de 11 anos, altura em que viu o pai ser abandonado pela mãe, que decidiu redescobrir a felicidade conjugal nos braços de outro alguém. Presenciar o sofrimento - pior do que isso, a impotência - do progenitor perante um desgosto amoroso, despertou no nosso protagonista uma profunda repulsa por sentimentos mais profundos do que o mero "gostar". Jurou a si próprio que jamais se permitiria um envolvimento ao ponto de correr o risco de passar pelo mesmo que o pai.

E assim levou a sua vida sentimental... namorando sempre que calhava, chegando, inclusive, a apreciar genuinamente a companhia de várias mulheres. Contudo, nunca ao ponto de sentir que precisava de qualquer uma delas para ser (verdadeiramente) feliz. Para ele, as mulheres com as quais se relacionava cumpriam o papel de o entreter social e emocionalmente, ao mesmo tempo que lhe proporcionavam a satisfação sexual da qual não abria mão por um período de tempo superior a uma semana.

Aos trinta e tal anos a vida corria-lhe de feição. Pudera! Um emprego de sonho (cirurgião cardiotorácico no mais conceituado hospital privado da capital), uma casa maravilhosa rente à praia, mais dinheiro do que conseguia gastar, um círculo social invejável e parceiras ao alcance de um SMS. Contava ele permanecer nesse registo por longos e felizes anos: curtindo a sua vida, quando não estava ocupado a salvar a vida dos outros.

Acreditava piamente que o seu coração estava a salvo das artimanhas do amor, um vírus traiçoeiro e nefasto que só aos tolos e incautos infetava. Quanta arrogância, quanta soberba, quanta ingenuidade! Em breve, o nosso doutor iria descobrir que à vida cabe sempre a última palavra.

Foi numa fria e cinzenta manhã de novembro que o mundo encantado do nosso cardiologista sofre um abalo do qual jamais voltaria a recuperar. Pelo menos não da forma como esperava. Nessa manhã, ao entrar no seu consultório, um gabinete de 25 m2 com vista privilegiada para o rio, o Dr. Sem Emoção (chamemos-lhe assim), dá de caras com a pessoa que deitaria por terra todas as suas convicções amorosas, todas as suas defesas emocionais, erguidas ainda no despertar da adolescência e mantidas intactas ao longo de mais de duas décadas.

Soube ele no preciso instante em que a viu que o seu coração não mais lhe pertencia, não mais obedecia à voz da razão. O cupido, esse filho da puta do qual sempre tinha feito questão de manter a devida distância de segurança, tramara-o da forma mais perversa e matreira que poderia imaginar. Naquele momento, apercebeu-se de que o amor adentrara pelo seu coração, sem pedir licença nem desculpa. Um amor prematuro, insensato, indesejado. Ainda assim Amor!

Continua...

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10
Jul19

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Viva!

Era minha intenção que esta crónica versasse sobre o resultado de um estudo que garante que mulheres inteligentes (leia-se, com elevados níveis de formação) têm tendência a escolher homens intelectualmente menos abonados. Ia eu a meio do segundo parágrafo quando uma epifania alterou a direção dos meus pensamentos.

Assim, eis-me aqui prestes a desabafar contigo sobre a minha desventura enquanto cronista profissional. Confusa? A esta altura do discurso até eu estou, confesso. Deixa-me respirar fundo que já conto tudo.

Então é assim… há coisa de ano e meio, mais concretamente em fevereiro de 2018, tomei a iniciativa de abordar três meios de comunicação com boa reputação nos mercados português e cabo-verdiano, a propor-me como cronista. Do contacto com esses pretendentes, apenas um – e logo o mais garboso – mostrou-se recetivo à minha corte. Dos outros dois nem tchum quanto mais tcham.

Voltando à narrativa, foi com uma alegria imensa que acolhi a resposta positiva da responsável editorial, que me desafiou a enviar uma proposta original e inédita para avaliação. A transpirar orgulho por todos os poros celebrei a conquista, partilhei a novidade, visualizei a fama, delineei o texto, sonhei com a glória. Só não escrevi p*rra nenhuma.

O tempo foi passando, os dias deram lugar a semanas, as semanas a meses, comigo a repetir todos os dias, feita papagaio gago: "Sara, tens que escrever o tal artigo", "Sara tens que escrever o tal artigo", "Sara tens que escrever o tal artigo", "Sara tens que escrever o tal artigo", "Sara tens que escrever o tal artigo…" E assim passaram nove meses.

Em dezembro, com a conquista do Sapo do Ano, sentindo-me ainda mais confiante, retomei o contacto com a tal editora dando conta da distinção, bem como da vontade, agora redobrada, de fazer parte da sua equipa de cronistas. Novamente, a minha proposta de colaboração foi recebida de braços abertos. Como seguro morreu de velho, eu mesma estabeleci um prazo para enviar o texto. "Para a semana conte com um texto meu", garanti na altura à pessoa. Sete meses depois nada enviei. Como poderia, se nada escrevi?

Terminará, sem nunca ter começado, a minha carreira de cronista profissional? A seguir cenas dos próximos episódios, que ainda há muita trama para desvendar. Despeço-me com um 'Crónica da Ainda Solteira em breve numa banca perto de si!'

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