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Crónicas, contos e confissões de uma rapariga gira e bem resolvida que (ainda) não cumpriu o papel para a qual foi formatada: casar e procriar. Caso para cortar os pulsos ou dar graças? Talvez nem uma coisa nem outra!

 

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Viva!

Hoje quero falar-te sobre um assunto um tanto ou quanto desagradável, daí que te aconselhe a estar preparada para o tom mordaz que aí vem. Às "minas" que se sentem ofendidas, chocadas, ultrajadas ou melindradas quando se apercebem que "alguém" as deseja sexualmente só tenho a dizer o seguinte: parem de frescuras que desejar não é pecado, menos ainda crime.

Antes de prosseguir, saliento que a palavra alguém levou aspas precisamente para que seja possível associá-la à criatura humana por quem não se sente o mais pequeno desejo sexual.

Retomo a operação Bora desencardir mentes, sem anestésicos nem analgésicos, para dizer que, por mais desgusting que possa ser esse desejo que sobre nós recaia, ele nada mais é do que uma emoção alheia sobre a qual não detemos nenhum controlo. Abro aqui um parêntesis para uma pequena contextualização do termo "emoção". De acordo com a ciência da mente, uma emoção é um conjunto de respostas químicas e neurais que surgem quando o cérebro recebe um estímulo externo. No caso do desejo sexual, deverá ser um ou mais atributo físico a despoletar essa emoção.

Este princípio de que não é crime "sentir" emoções aplica-se a toda espécie de desejo que imaginar se possa: 'sexar', matar, roubar, maltratar, ferir, injuriar, violentar, trair, prejudicar e por aí fora. O desejo de um pedófilo por uma criança, o de um psicopata por uma vítima, o de um canibal por carne humana, o de um clérigo por sodomia, o de um chefe por um subordinado, o de um progenitor por um filho, o de um colega por outro colega ou o de um cônjuge por outra pessoa qualquer, por mais que sejam – e são, na maioria destes casos que acabei de citar – moralmente reprováveis, aos olhos da lei, não configura crime.

O destino que se dá a esse desejo é que pode sim configurar crime. Ou seja, a infração dar se á a partir do momento em que aquele que deseja resolve agir sem se atentar ao disposto no código ético, moral e/ou penal. Para que não restem dúvidas, com este exemplo troco por miúdos: um indivíduo desejar ter sexo com uma criança não é crime, ainda que seja moralmente condenável. Esse mesmo indivíduo ter sexo (ou qualquer outro tipo de intimidade física previsto na lei como abuso sexual de menor) é considerado crime, punível com até não sei quantos anos de prisão, dependendo da gravidade do caso.

Por mais desagradável que possa ser – e sei por experiência própria o quanto pode – saber que alguém nos deseja não deve ser motivo para drama, quando muito para algum desconforto, perfeitamente expectável e legítimo. Como ficou explícito mais acima, o desejo é uma caraterística intrínseca à condição humana, pelo que nada nem ninguém é capaz de inibi-lo. Até porque o nosso cérebro não se deixa controlar, nem mesmo pelo seu próprio portador. Já que não nos é possível controlar a emoção alheia, neste caso concreto o desejo alheio, porque não optar por controlar a nossa própria reação? A meu ver, não dar importância ou simplesmente ignorar será a melhor forma de lidar com situações do género.


Desgastarmo-nos com algo que não controlamos é altamente contraproducente e emocionalmente desgastante. Por mais que a revolta e o asco se apessoem do nosso espírito quando somos fustigados por olhares dardejantes por parte de alguém por quem nutrimos desejo sexual zero, a verdade é que não existe enquadramento legal para qualquer tipo de denuncia. Agora se esse desinfeliz tiver a audácia de verbalizar esse desejo, quer por palavras, gestos ou atos, o caso muda completamente de figura.

Moral da estória: assim como amar não é pecado, desejar também não. Pelo menos até se passar da intenção à ação.

Por hoje é tudo. Hasta la vista baby!

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Viva!

Sexta-feira é o dia em que a população ativa costuma arrastar-se pelos corredores da vida em contagem decrescente para o merecido descanso semanal. É também o dia em que estamos mais impacientes e menos tolerantes para com as falhas alheias, sobretudo se elas nos afetam na primeira pessoa.

 

Por causa de um episódio por que passei esta manhã, que me deixou à beira de um ataque de nervos, uma colega de trabalho fez-me chegar um texto intitulado "Os outros estão sempre nas nossas justificações". Achava ela que este seria capaz de me proporcionar a dose de discernimento necessária para conseguir gerir a situação com sabedoria e serenidade. O que ela não previu foi o seu real impacto no meu estado de espírito, de tal modo que não o quis guardar só para mim.

 

É assim que eis-me aqui a partilhar contigo, na vã esperança de que te possa ser tão útil como foi comigo, uma pertinente e perturbadora análise da psicóloga Diana Gaspar sobre o modo como tercearizamos, ou seja, delegamos a terceiros, a responsabilidade pelos nossos sentimentos.

Não estamos bem porque nos magoaram, não estamos bem porque não nos valorizam, não estamos bem porque nos rejeitaram, não estamos bem porque falaram mal de nós, não estamos bem porque não cuidam de nós como cuidamos deles, não estamos bem porque nos criticam, não estamos bem porque nos infernizam a vida… São muitos os exemplos e as circunstâncias que nos fazem atribuir aos outros o nosso estado emocional e a energia da nossa vida.

E é bem verdade, afinal todos nós somos seres sociais, de relações e de afectos, e assim sendo é legitimo que a relação com os outros nos tragam algum tipo de sentimento e de estado emocional que num primeiro momento nos toque. É bem verdade, que os outros nos façam sentir "coisas más" e que num primeiro momento não consigamos deixar de nos sentir abalados. Significa que somos humanos e que temos emoções, que construímos significados e que valorizamos os outros.

No entanto, os únicos responsáveis por aquilo que sentimos, somos nós. Somos os únicos responsáveis pela nossa vida emocional. Somos os únicos responsáveis pelas pessoas que escolhemos ter na nossa vida. Somos os únicos responsáveis pelos limites que colocamos e pelos limites que deixamos os outros colocar. Somos os únicos responsáveis por aquilo que fazemos com as nossas emoções e pelo trabalho que realizamos com elas.

Por muito que alguém nos magoe, o que nem sempre conseguimos evitar, somos os únicos responsáveis pelo que fazemos depois dessa magoa e com a evolução dessa emoção. Por muito que alguém não nos valorize, somos nós que esperávamos do outro essa valorização; por muito que sintamos que alguém nos rejeita, somos nós que alimentamos esse sentimento de rejeição, ou porque alimentamos a ideia de que não somos importantes ou porque escolhemos dar ao outro o poder de nos rejeitar.

Os únicos responsáveis pela qualidade emocional com que vivemos somos nós. Os outros só têm o poder que lhe damos em função de não assumirmos o nosso poder pessoal. Não controlamos o que os outros nos fazem, mas podemos controlar aquilo que fazemos com aquilo que os outros nos fazem. Assim, somos os únicos responsáveis por os mantermos na nossa vida ou não, e somos os únicos responsáveis pelas crenças e pelos significados que damos às diferentes relações que vamos alimentando e nutrindo.

Despeço-me com um xi-coração e desejos de um radiante fim de semana.

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11
Abr19

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Viva!

Finalmente consigo acasalar uma pitada de tempo (desviada do trabalho) com uma nesguinha de inspiração (resgatada da azáfama). Dado que nem uma nem outra sobejam neste momento, que tal falar-te de algumas expressões capazes de fazer de qualquer um de nós uma pessoa bastante mais amada. Pelo menos é o que garante um artigo publicado no Observador e no qual me inspirei para escrever esta crónica.

Numa sociedade que parece fomentar o uso – e abuso – da palavra, onde cada indivíduo se sente no direito (e dever) de abrir a boca e disparar os disparates que bem lhe apetecer, como se do bom exercício da liberdade e da cidadania se tratasse, o bom uso da palavra é reconhecidamente uma arte que poucos dominam.

As palavras são tão somente o mais importante veículo de comunicação entre humanos; o meio por excelência de interação e relacionamento. Quando usadas de forma adequada, afiguram-se a pontes capazes de unir duas pessoas, tal duas margens de um mesmo rio. Por isso mesmo, aproximam, criam cumplicidades e fomentam harmonias, que retundam em felicidade.

Gentileza gera gentileza, é certo e sabido! Como tudo na vida, ela, assim como a empatia e a solidariedade, também se aprende; de tal modo que cito uma dúzia de expressões capazes de fazer de ti uma pessoa, se não mais amada, pelo menos mais agradável ou suportável (na pior das hipóteses) .
 
1. "Fico feliz por te ver"
Quando encontrares alguém de quem gostas, não te fiques pelo "olá" da praxe. Vai mais longe e diz mesmo "fico feliz por te ver" ou "fico sempre feliz por te ver". Vais ver que o outro ficará mais recetivo e gentil.
 
2. "Lembro-me que tu"
Ao evocares uma situação, um gesto ou uma atitude positiva estás a reafirmar a capacidade do outro em despertar em ti coisas agradáveis, ao ponto de as conservares na memória.
 
3. "Estou impressionada!"
Esta expressão, ideal para usares com pessoas recém-chegadas ao teu convívio, visa reforçar a autoestima delas e fazê-las sentirem-se integradas e valorizadas.
 
4. "Acredito em ti"
Verbalizares tal sentimento denota confiança nas potencialidades do outro, fazendo com que este reconheça em si mesmo as suas forças e destrezas.
 
5. "Vê só até onde já conseguiste chegar"
Assim fazes com que a outra pessoa reveja o seu percurso, ao mesmo tempo que demonstras que estás atento a ela, que registaste os seus esforços, os seus sucessos, as suas conquistas. É também uma celebração do seu sucesso.
 
6. "Gostava de saber o que pensas sobre..."
Dizer isso ou algo como "gostava de ouvir a tua opinião sobre…" é uma forma de comunicares ao outro que o consideras digno de se pronunciar sobre determinado assunto.
 
7. "Diz-me mais"
Trata-se de um cumprimento, um elogio, uma forma de comunicar que o outro diz coisas inteligentes, pertinentes, singulares. É, igualmente, uma excelente oportunidade de estabeleceres ligações sólidas e duradouras.
 
8. "Bem-vindo"
Fazer com que alguém se sinta bem acolhido, seja na tua mesa, na tua casa, na tua empresa ou na tua vida, é uma forma de dignificares a pessoa e de lhe mostrares que estás feliz com a sua chegada.
 
9. "Posso ajudar?"
Trata-se de uma demonstração de empatia para com a insegurança (momentânea ou não) de alguém e, ao mesmo tempo, uma confissão implícita de que também tu, por vezes, és acometida de incertezas.
 
10. "Desculpa"
Pedir desculpa é reconhecer que não agiste da melhor forma e que lamentas os danos que esse teu agir teve no outro. Assim, dizer "desculpa" é uma forma de esperares que este acredite na tua capacidade de ser melhor.
 
11. "Não"
Esta palavra representa o mais sublime exercício da tua liberdade de escolha. Seres capaz de expressá-la significa seres capaz de renunciar a algo que sabes não ser o melhor para ti. Quando o fazes com verdade e convicção demonstras ser fiel à tua essência.
 
12. "Obrigada"
Infelizmente, a humanidade está viciada no uso abusivo e leviano desta palavra, um autêntico cocktail composto por sentimentos positivos como gratidão, educação, empatia, humildade, delicadeza, aceitação e generosidade. Agradecer reforça no outro a vontade de ser gentil, daí que gentileza gere gentileza.
 
Por hoje é tudo, que são horas de ir dar tarefa ao corpo num ginásio perto de mim. Conto voltar ao teu convívio ainda antes do fim de semana. Até lá, só gentileza nessa vida!

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Viva!

Um estudo de comportamento apurou que cerca de ¼ da população norte-americana entre os 18 e os 29 anos não teve qualquer relação sexual durante um ano ou mais; uma tendência transversal a várias sociedades ocidentais e que tem vindo a acentuar-se nas últimas três décadas.

Para os especialistas, a explicação para este fastio sexual dos millennials (nome porque é tratada esta geração) parece residir na apetência pelo virtual em detrimento do real. "Há demasiadas solicitações virtuais que exigem respostas e que satisfazem esta geração. O próprio sexo pode ser sem parceiro ativo. O prazer, o desejo ou a atividade sexual já não são uma prioridade", considera um dos envolvidos no estudo.

A propósito disso, Luís Pedro Nunes, numa crónica para a GQ, descreve o estado anémico da vida sexual dos jovens nestes termos: "Li algures uma série de possibilidades que podem estar a contribuir para esta crise de tesão-jovem: alterações na cultura de engate; viver na casa dos pais até tarde; efeitos secundários dos antidepressivos; a explosão do Netflix; aumento do estrogénio devido ao plástico na comida; queda da testosterona; vício no porno digital; viver-se a era de ouro do vibrador; obsessão na carreira; as apps de engate; privação de sono; epidemia da obesidade e mais uma catrefada. Há ainda questões religiosas de jovens que optam por permanecerem virgens até encontrar 'a pessoa certa'". 

Na ótica deste cronista, "o real é cada vez mais um lugar perigoso, onde as regras são pouco claras, cheio de armadilhas e múltiplas interpretações, para além do risco de se ser humilhado pela rejeição – o maior dos medos. E estas apps de engate estão pensadas para que tal humilhação não aconteça, pois há uma troca feita para anular a possibilidade de rejeição. Perante tanto sexo digital, tanta excitação online, tanta emoção de expectativa nas apps, tanta conversa no sexting, o sexo em si – o sexo tradicional, aquilo, tipo, um com uma e nada mais – acaba por parecer dececionante para um jovem".

Se a malta continuar a pinar a este ritmo cada vez mais desacelerado, a humanidade caminha a passo de corrida para a extinção, já que o sexo é a matéria-prima sem a qual a fábrica de bebés dificilmente consegue laborar a pleno vapor. A diminuição do número de cambalhotas é tão flagrante que a maternidade anda em gestão lay-off e as mulheres engravidam cada vez menos e em idade mais avançada.

Just saying, afinal quem avisa amigo é!

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Viva!

É-nos cada vez mais indubitável que as relações longas e duradouras, os "até que a morte nos separe", são cada vez mais exemplos raros de encontrar. O que era regra virou exceção, e como tal o amor tradicional tem-se desmembrado em várias versões, sendo uma delas o fast love. Falemos então desta nova forma de vivenciar o mais intenso de todos os sentimentos.

O conceito de amor para toda a vida, que o Nicholas Sparks tão bem nos vende, definha-se a olhos vistos; e em seu lugar vão ganhando força as relações efémeras, voláteis e descartáveis, sustentadas no pressuposto de que "se isto não está a dar certo, mais vale partir já para outra". São as tais "relações de consumo rápido", como as define a psicóloga Ana Carvalheira.

De acordo com esta investigadora na área da psicologia e da sexualidade, nos tempos atuais a maioria de nós procura uma pessoa que sirva os seus interesses, que se encaixe na sua personalidade, no seu estilo de vida, nos seus ideais, sonhos e metas; no fundo, que vá de encontro às suas expectativas. O problema é que assim que se chega à conclusão que esta não corresponde àquilo que se idealizou, troca-se. É o tal fast love.


Explica a mesma que por detrás desta exigência redobrada está "um processo de individualização muito marcado". Hoje, prima o "eu" sobre o "nós", o indivíduo sobre o casal. Ora, acontece que uma relação exige investimento, dedicação, motivo pelo qual a esfera do "eu" nunca deverá estar acima da esfera do "nós", sob pena da relação não vincar. Por isso é que atualmente os casais se unem e separam com tanta facilidade.

 

E para piorar ainda mais todo este cenário, existem as novas tecnologias, que através de sites, aplicações e ferramentas de comunicação, potenciam e facilitam relações instantâneas, à mercê de um match. Um simples swipe para a direita pode conduzir-nos ao amor. Esta multiplicidade de meios que a tecnologia põe ao nosso dispor possibilitam interações que de outra forma não aconteceriam. O que facilita sobremaneira a vida deste tal fast love, reforça Ana Carvalheira.

Só que o amor exige envolvimento, nem que seja a prazo. E isso implica objetivos além dos individuais. Lamentavelmente, "hoje em dia, a maior parte dos casais tem imensa dificuldade em apontar objetivos além do viajar", considera a psicóloga.

Outra explicação para este proliferar de amores de consumo rápido deve-se a um menor conformismo em permanecer numa relação infeliz. “No passado as relações eram mais longas, mas não necessariamente mais felizes. Eram as normas sociais e a vergonha em assumir que um projeto de vida falhou que mantinham muitos casamentos de pé. Agora, os jovens não estão dispostos a estar numa relação que deixou de ser feliz só porque parece bem", remata a especialista.

Sabendo que o conceito de fast food transpôs a fronteira da culinária e chegou ao amor, é caso para nos interrogarmos se o regime amoroso que temos vindo a praticar é o mais adequado ao nosso bem-estar emocional, psíquico, social e familiar. A cada um de nós cabe a responsabilidade de adotar aquela que lhe for mais conveniente.

Até breve!

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Viva!

A amizade é um assunto que nunca se esgota. Não sei se alguma vez paraste para pensar como seria a tua existência sem os teus amigos. Eu já, e só de pensar sinto um aperto no peito e um frio na alma.

Uma das coisas que mais acuso nesta vida de forasteira é estar longe dos meus (verdadeiros) amigos, aqueles com quem partilho laços afetivos inquebrantáveis; a minha referência naquilo que sou e, sobretudo, naquilo que aspiro vir a ser.

Sempre fui uma pessoa sociável, não obstante muito reservada num primeiro momento. Era do tipo que chegava num sítio e gastava a primeira meia hora só a cumprimentar quem lá estivesse. Houve, inclusive, uma fase da minha vida em que me orgulhava descaradamente de ser uma das raparigas mais populares do meio. Isso fazia-me sentir importante, apreciada, cobiçada e invejada. Pura ingenuidade! Com o passar dos anos fui-me apercebendo que ser popular passa antes pela qualidade das amizades e muito pouco pela quantidade delas.

Dessa profusão de amizades, nos dias de hoje só sobraram pouco mais de uma dúzia de amigos na verdadeira aceção da palavra: pessoas sinceras e leais com as quais posso, de facto e de direito, contar, sobretudo nos momentos menos bons. Por este, aquele ou aqueleoutro motivo, ao longo dos anos as tais dezenas de amizades foram caindo por terra, as máscaras arrancadas, as verdadeiras faces reveladas e a fealdade dos sentimentos emergida.

A uma frequência acelerada e de uma forma impiedosa, a vida foi-me mostrando que o facto de uma pessoa se dizer tua amiga não quer dizer necessariamente que o seja. Pelo contrário! Lembras-te da estória da pshyco da minha ex-senhoria de que te falei no post Stalkers: cuidado que eles andam aí e quando menos esperares...? Aquele foi tão somente um dos últimos coices desferidos por pseudoamigos; ainda ontem fiquei a saber que um outro a quem ajudei a conseguir trabalho na mesma instituição onde eu presto serviços está a fazer por ficar com o meu lugar. Com amigos assim há matéria para "cronicar" o resto da vida...

É justamente a esse tipo de humanos que eu chamo de amigos acessórios, perfeitamente dispensáveis, mas necessários quando precisamos enfeitar a nossa vida social. Já houve uma altura em que, no auge da desilusão, os bani completamente da minha convivência. Houve outras em que, no pico da solidão, prefiri tê-los por perto a não ter ninguém. Hoje, mais sábia, menos ingénua e muito mais calculista, prefiro tê-los por perto quando me convém e mandá-los à merda quando não. Por algum motivo se diz: "Mantém os amigos perto e os inimigos ainda mais!"

Hoje em dia me dou com quem quero, quando quero e nos termos que eu definir. Não tenho qualquer escrúplulo em reclamar a presença tipo de amigos se isso for do meu interesse, nem que seja uma simples noitada ou um favor. Quando não me servirem para coisa nenhuma reduzo-os à sua insignificância. 

Carregada de razão está aquela máxima de que "há amigos e amigos". Os amigos acessórios são perfeitamente dispensáveis, mas necessários quando, à falta de coisa melhor, queremos enfeitar a nossa vida. No fundo, são uma espécie de bobos da corte a quem confiamos a missão de nos entreter quando estamos aborrecidos, deprimidos ou carentes.

Até breve!

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Viva!

Single mine, vai uma pausa para pormos a conversa em dia? É que quero conversar contigo sobre um assunto que venho adiando há já algum tempo: stalking, para mim uma das palavras do momento na atual conjuntura das relações interpessoais.

A maioria de nós quando ouve essa palavra associa-a automaticamente ao contexto amoroso; ora acontece que o stalking extravasa a fronteira do amor. Eu, por exemplo, há coisa de um mês, passei por uma situação perfeitamente encaixável no seu conceito, ao ponto de ter que bloquear nas redes sociais, mudar de contacto telefónico, alterar o meu percurso e afastar-me de pessoas em comum.

 

Antes de entrar em mais detalhes, convém dizer que por stalking, perseguição ou importunação gravosa (na linguagem jurídica) entende-se os comportamentos de assédio persistente que visam perturbar, atemorizar e alarmar a vítima. Geralmente, o perseguidor partilha uma ligação com a vítima e o que origina este tipo de comportamento é um "rompimento indesejado" e consequentemente, um desejo de reconciliação – que acaba muitas vezes em vingança.

O parágrafo anterior narra com uma precisão alarmante o tal episódio de que te falei há pouco e que passo a descrever da forma mais sucinta que conseguir. 

 

Durante oito meses, vivi num apartamento que pertencia a uma conhecida, a quem cheguei a considerar amiga, ao ponto de irmos ao ginásio, sairmos para a noite, trocarmos confidências e tudo o mais que costuma pautar uma relação de convivência próxima.

 

Quando me mudei para a casa dela, juntamente com outra rapariga com quem já partilhava alojamento há alguns anos, ficou acordado entre as partes que o valor da renda seria simbólico, já que nenhuma de nós tinha condições de pagar o valor do mercado: ela auferia um salário que rondava os 500 euros e eu os 400.

 

Em agosto passado essa colega acabou por emigrar, ficando eu a residir sozinha na casa. Dado que, mesmo tendo arranjado um trabalho com um salário digno, não tinha como assumir na íntegra o valor da renda, ficou assente que iria partilhar a habitação de dois quartos de dormir e dois wc’s com outro inquilino, mantendo cada um a sua própria casa de banho.

 

Ora acontece que essa pseudoamiga/senhoria, à última da hora, decide aceitar não um mas sim dois inquilinos, sendo um deles do sexo masculino, quando desde a primeira hora deixei claro que não me agradava de todo essa possibilidade. Se eu quisesse dividir casa com um gajo, arranjava um para mim, certo? Como se não bastasse, ainda teria que passar a partilhar wc, esta segunda condição ainda mais penosa que a primeira.

 

Por sentir que já não tinha condições para continuar naquela casa, tive a infeliz ideia de ser sincera com essa pseudoamiga, que também era senhoria, comunicando-lhe que tinha decidido procurar outro sítio para viver. Mama mia, o que eu fui fazer. A dita cuja, numa reação absolutamente tresloucada, gritou-me, chamou-me de tudo e mais alguma coisa (mentirosa, mau-carácter, desleal e egoísta) e deu-me um prazo de 10 dias para deixar a casa. Só faltou bater-me.

 

Como isso aconteceu no dia 21 de dezembro, poucas horas antes da minha ida a Paris, de onde regressaria somente no dia 2 de janeiro, na prática a fulana deu-me dois dias negativos (sim leste bem) para arranjar um sítio para onde ir. Não obstante todos os meus apelos, numa das posturas mais malvadas que já tive o desprazer de presenciar num ser humano, ela foi irredutível: tinha até o fim do mês para "tirar as minhas coisas e a minha pessoa da casa", palavras da própria.

 

Em pânico, e a conselho de pessoas próximas, pedi perdão (mesmo achando que não tinha feito nada de errado), praticamente implorando por um prazo razoável para deixar a casa. De nada resultou. A dita cuja queria sangue, queria castigar-me por ter-me atrevido a contestar o seu desmando, queria ver-me na merda, sem casa, sem trabalho (estava em crer ela que a partir do dia 31 de dezembro estaria eu desempregada), sem família e sem amigos a quem recorrer, ou seja, sem ninguém que me amparasse naquela hora de aflição.

 

Mesmo me sabendo junto dos meus para passar a mais sagrada de todas as celebrações, o Natal, continuou implacável na sua sede de vingança. Exigiu que alterasse a data do meu regresso de modo a cumprir o prazo dado. Quando percebeu que eu não iria abrir mão de estar com a minha família, ao invés de estar com a dela (como era sua intenção), endureceu o ataque. Passou a enviar-me mensagens cada vez mais perturbadoras, ao ponto de eu preferir dormir num hostel quando regressei à cidade por medo que me fizesse algum mal.

 

Só para teres uma ideia da psicose dela, digo-te que primeiro deu-me até 15 de janeiro para sair da casa, depois até 4 de janeiro e por fim até meio-dia do dia 3; tudo isso em menos de 24 horas. Não satisfeita, e furibunda por eu não reagir aos seus ataques, exigiu que lhe transfirisse 150 euros de "despesas que só a mim cabiam", quando o combinado foi tudo incluído no valor da renda. Pelo meio, enviava mensagens a dizer que sempre me considerou uma amiga e que me desejava tudo de bom na vida, que a minha atitude de não lhe responder às mensagens era inaceitável. Enfim... o seu assédio obsessivo assumiu tal proporção que, temendo pela minha integridade física, recorri a um advogado para me orientar no processo de apresentar queixa por assédio moral e importunação gravosa.

 

Finalmente, dois dias depois de regressar a Lisboa, no dia 4 de janeiro, deixei a casa, não sem antes receber outra mensagem a avisar-me para não “levar nada que não me pertencia”. Quanto mais desprezo eu lhe dava – nunca respondi a nenhuma das suas mensagens – mais enfurecida ela ficava e mais violento se tornava o próximo ataque. Com o passar das investidas era-me cada vez mais óbvio que o que ela queria era a minha atenção, que lhe desse munição para continuar com os bombardeios, no fundo que lhe desse um pretexto para justificar a sua postura desprezível. Queria por tudo que eu me rebaixasse ao seu nível. 

 

Na altura não percebi isso; só depois quando fui pesquisar sobre o assunto é que encontrei uma explicação científica que refere que "as vítimas passam a ocupar uma importância muito grande no espaço mental do stalker que quer a sua atenção e, por vezes, alimenta o desejo de causar dano", in Stalking - Boas Práticas no Apoio à Vítima.

 

Só que a minha atenção ela não teve e nem nunca mais terá. Em momento algum revidei nem aceitei as suas provocações; primeiro porque temia as represálias, depois porque cheguei à conclusão que de mim ela não merecia absolutamente nada além de um profundo desprezo, pelo que me fez, mas sobretudo pelo tipo de pessoa que revelou ser: abjeta. 

 

Essa psicótica, desequilibrada, histérica e conflituosa causou-se tamanho abalo emocional que estive dias e dias sem conseguir dormir nem comer. De cada vez que recebia uma sms ficava num estado de nervos que, ainda antes de me instalar na casa nova, tratei de mudar o meu número de telefone.

 

Como o texto já vai para Atlas, o resto desta estória sórdida terá que ficar para uma próxima oportunidade. Antes de me despedir deixo-te com o perfil dos vários tipos de stalkers, para que consigas identificá-los antes que te aconteça o mesmo que a mim:

- Stalker rejeitado: é o tipo mais intrusivo e com mais probabilidades de se tornar violento. Pratica a perseguição numa tentativa de reatar uma relação terminada ou de se vingar da vítima, muitas vez um/ ex-companheiro/a.

- Stalker ressentido: a sua motivação é a vingança, sendo que recorre muitas vezes a ameaças, mas raramente à violência. O objetivo da perseguição é a intimidação da vítima, que geralmente já é sua conhecida.

- Stalker em busca de intimidade: o assédio persistente decorre de um ambiente de solidão e de ausência de um parceiro. As celebridades costumam ser as vítimas mais frequentes deste tipo de stalker.

- Stalker cortejador inadequadoperseguição inadequada da vítima com o objetivo de criar um relacionamento com a mesma.

- Stalker predadora perseguição é um dos estágios iniciais da relação que culmina em agressão sexual. Este é geralmente um desconhecido da vítima.

 

Até à próxima e que o universo te livre dos stalkers!

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10
Dez18

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Viva!

 

Parafraseando o apresentador do Alta Definição, intenta esta crónica descortinar até que ponto os olhos são, de facto e de direito, o espelho da alma. Cansados estamos nós de ouvir tal coisa, sem que ninguém nos demonstre, por a+b, qual a percentagem de sinceridade que cada um de nós deposita do seu olhar.

 

Sequer atrevo-me a questionar tal dito popular, até porque a sua veracidade está ao alcance da nossa vista. O que questiono é a qualidade desse reflexo, absolutamente refém do estado de manutenção/conservação do espelho e da mestria de cada ser em deixar transparecer, não só o que lhe vai na alma, mas essencialmente o que lhe apetece e lhe convém. Esta lógica não está a fazer muito sentido para ti? Não te apoquentes, que já desconstruo esta minha teoria.

 

Antes de mais, permite-me esta pequena reflexão: olhamos e somos olhados o tempo todo, desde o dia em que nascemos até o dia em que damos por concluída a nossa missão carnal nesta vida. Mais fácil conseguimos controlar todos os demais sentidos – que já não são apenas cinco como nos foi ensinado toda a vida – do que o nosso olhar. Podemos domesticá-lo, espartilhá-lo e até censurá-lo, mas subjugá-lo por completo, jamais! Agrada-nos? Olhamos! Desagrada-nos? Olhamos na mesma! E esta máxima aplica-se a pessoas, objetos, lugares e acontecimentos.

 

Sabes porque isso acontece, porque é tão difícil deixarmos de olhar para o quer que seja? Porque o olhar é o meio mais imediato e eficaz, no fundo instintivo, de que dispomos para interagirmos com o que nos rodeia. Quando olhamos, olhamos o mundo. No caso das pessoas, que é para onde pretendo direcionar esta crónica, quando olhamos para os seus rostos vemos lá refletidos gerações passadas, tradições, culturas, realidades, crenças, valores, experiências, vontades, expectativas, sonhos e futuro. E sentimentos, acima de tudo. Quando olhamos para o mundo, através das pessoas, vemos um mundo de afetos, de gentes e locais inesquecíveis. Um mundo imenso, infinito, profundo, misterioso e, muitas vezes, inescrutável.

 

É neste contexto que a tal máxima de que os olhos são o espelho da alma faça todo o sentido. Eu acredito que de facto assim seja. Só que existem almas tão imundas, tão carecidas de limpeza, restauro e polimento, que o seu reflexo de nítido pouco ou nada tem, ao ponto de dificilmente conseguirmos descortinar o que realmente lhes vai na alma. No fundo, não passam de almas encardidas, algumas com nódoas reversíveis outras nem por isso.

 

Ao longo da minha vida, tive o desprazer de cruzar com algumas delas. A umas topei logo de caras qual a real natureza da sua índole; a outras, para mal dos meus pecados, só me apercebi demasiado tarde, quando a fatura já era demasiado alta para conseguir liquidá-la a pronto pagamento. Acredito que a pouca experiência de vida e uma bondade inata tenham sido nessas alturas péssimas conselheiras.

 

Hoje sei que os olhos nem sempre dizem a verdade. Também sei que muitos dominam a arte de gerir o olhar consoante a sua conveniência. De forma matreira, astuciosa e até perversa, são capazes de nos envolver numa sequência de falsas boas intenções, das quais só nos apercebemos demasiado tarde, quando já estamos irremediavelmente enredados nas suas teias de inverdades, máscaras e manipulações.

 

Remato o assunto com o repto: dizem os teus olhos aquilo que sentes e sentem os teus olhos aquilo que dizes? Se a tua resposta for sim, dá cá mais cinco que és um humano premium. Caso contrário, se calhar é caso para repensares a tua forma de estar na vida. 

 

Boa reflexão e até à próxima!

 

P.S. - Não te esqueças que já só faltam 5 dias para o anúncio do blog do ano na categoria Sexualidade. Se ainda não me deste o teu voto, toca a despachar e deposita-o já aqui.

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Viva!

 

Um texto do Sarcasticamente Falando inspirou-me a escrever sobre o quão perigoso (e doloroso) é ser-se bom nos dias que correm. Numa época em que culto da moral elástica parece angariar cada vez mais seguidores, valores como honestidade, sinceridade, lealdade, solidariedade e respeito pela dignidade alheia quase que destoam dessa realidade invertida.

 

Hoje em dia, mais fácil nos surpreendemos com um gesto de bondade do que com o contrário. A sensação que me dá é que o que é suposto ser regra - sermos bons uns para os outros - passou a ser exceção, como se habitássemos um universo paralelo, com os valores todos trocados.

 

Quem nunca foi acometido por um genuíno sentimento de incredulidade quando bafejado por uma ação bondosa, custando-lhe acreditar em tamanha sorte, que comente agora ou prossiga com a leitura. Nessas ocasiões, a nossa primeira reação verbal costuma ser algo do tipo: "Não estava nada à espera", num claro sinal de que estamos mais familiarizados (logo confortáveis) com a ausência de bondade do que com a dita cuja propriamente; quando deveria ser precisamente o contrário.

 

Num mundo cada vez mais distorcido de valores e de princípios, torna-se um intrincado quebra-cabeças saber em quem confiar e em quem depositar as nossas melhores expectativas. Mais do que querer confiar, precisamos fazê-lo para nos sentirmos em paz connosco. Como tal, acabamos, mais do que é suposto, com os sentimentos feridos, pelo simples motivo de que avaliamos os corações dos outros à luz do nosso próprio. Daí que ser bom demais tornou-se perigoso. E inglório.

 

Existe, no contexto atual, uma necessidade de se dar bem em todos os palcos em que se atua, mesmo que por meio de vantagens indevidas, de caminhos duvidosos, passando por cima dos outros, como se, de facto, os fins justificassem quaisquer meios. Nessa luta desenfreada pelo sucesso, a lealdade e o compromisso com o outro acabam por ser algo a não se prender, pois o que importa mesmo é galgar os degraus da ascensão social, da progressão laboral e da realização amorosa, fazendo com que as relações humanas se revelem cada vez mais frágeis e ocas.

 

Ainda assim, muitos são aqueles que fazem questão de manter a fé na bondade alheia e a esperança numa sociedade mais justa, mais igualitária, mais solidária, mais digna, no fundo, mais humana. São esses os que se recusam a abrir mão da crença na amizade verdadeira, no amor desinteresseiro, na honestidade e na integridade. Almas que ainda persistem no propósito de ser feliz sem magoar, sem trair, sem maldizer, sem prejudicar, colocando-se no lugar das pessoas com as quais convivem.

 

Eu me assumo como uma dessas pessoas que, por mais que apanhem da vida e levem rasteiras dos outros, permanecem fiéis à sua essência, que é ser bondoso. Não porque acredito na recompensa divina (longe disso), mas porque acredito que o mundo seria um lugar infinitamente melhor para se viver se todos nós formos genuinamente bons uns com os outros.

 

Atenção, que com ser bom não me refiro a ser um santo, que tudo atura, tudo aceita, tudo suporta e tudo perdoa. Com ser bom refiro-me a ter respeito pelos outros, a ajudar quem precisa, a não prejudicar ninguém a custo zero, a não trair, a não mentir e a não intentar contra o bom nome e a honra alheia.

 

Despeço com um até à próxima!

 

P.S. - Na sexta faço anos, por isso vai pensado na minha prenda, que faço questão de receber.

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Viva!

 
A propósito da nomeação do Ainda Solteira para os Sapos do Ano, assumi, na última crónica, o blog como um serviço público de informação para solteiros. O que não mencionei na altura, e que agora faço com todo o gosto, é que a sua autora se assume como uma espécie de lavadeira de pensamentos, cuja missão passa por desencardir mentes em relação à solteirice. O que me move? Já te explico!
 
É com uma frequência cada vez mais alarmante que constato o quão encardidas se encontram certas mentes – demasiadas até – nos dias que correm. Manchadas de estereótipos, preconceitos e palpites sobre a vida alheia, essas tais mentes encardidas são o reflexo de crenças que já não se justificam no atual panorama das relações amorosas. E é precisamente este tipo de nódoas mentais e sociais a que me propus combater ao criar este blog, há coisa de três anitos e meio.
 
É do conhecimento geral da nação digital que há largos anos que eu não tenho uma vida amorosa digna desse nome. Desde finais de 2010, data da minha última relação oficial, que esta mais não é do que um filme de autor, cujo enredo é inspirado numa série de personagens desencontradas no espaço e no tempo e cujos interesses estiveram desalinhados desde o primeiro take. Assim, o meu celibato deve-se a sucessivos erros de casting, em que o meu interesse e o deles jamais coincidiu em termos de intensidade, oportunidade, afinidade e disponibilidade. Tão simples quanto isso!    
 
Não existe nenhuma razão obscura por detrás desta minha solteirice prolongada, como tantos especulam. Tenho perfeita noção que muitos dos que me conhecem pensam que das três uma: ou bato prato fundo com fundo (leia-se, gay), ou mantenho uma relação clandestina (leia-se, amante) ou sou uma promíscua embutida (leia-se, puta). Uns dizem-me isso na cara (em tom de brincadeira), outros apenas insinuam e há ainda aqueles que só observam, na firme convicção de me apanhar na curva, em flagrante delito.
 
É a este tipo de pessoas que eu associo as tais mentes encardidas, as quais este blog comprometeu-se tentar branquear, na firme convicção de instituir à solteirice na idade adulta a dignidade que a sociedade lhe vem negando desde sempre.
 
Se vou ser bem-sucedida nesta minha missão? O futuro o dirá. Até lá continuarei tentando!
 
Assinado,
Ainda Solteira, a "desencardidora" de mentes

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