Saltar para: Posts [1], Pesquisa e Arquivos [2]

Crónicas, contos e confissões de uma solteira gira e bem resolvida que não cumpriu o papel para o qual foi formatada: casar e procriar. Caso para cortar os pulsos ou dar pulos de alegria? Provavelmente, nem uma coisa nem outra!

chair-2595311_1920.jpgOra viva!

Depois de um Banquete do Amor perfeito, que superou as melhores expectativas e do qual saí atacada por uma paixonite aguda à conta de um solteiro giraço, e livre para amar (será desta?), proponho para hoje um tema, não só pertinente em tempo de pandemia, como bastante relevante para quem celebrou a solo a efeméride de ontem, 14 de fevereiro.

Numa altura em que tanto se fala da solidão, agudizada pelo confinamento e pelo distanciamento social de que o planeta terra anda refém há quase um ano, um artigo da Revista Pazes, sobre oito caraterísticas comuns a pessoas que adoram estar sozinhas, afigura-se como um bom tópico de análise, daí que o tenha escolhido para tema desta crónica. Vamos lá então conhecer quais são estas tais caraterísticas.

1. Limites claros
Quem aprecia a própria companhia acredita que quem não reza pela mesma cartilha dificilmente terá algo de bom para oferecer, daí que coloque limites claros nas relações e não deixe que ninguém as ultrapasse.

2. Poucos amigos
Apesar de serem os melhores amigos que se possa desejar, possuem poucos, pois sabem ser seletivos e não precisam de receber demasiada atenção. Gostam de se fazer presente apenas quando existe real necessidade de afeto e companheirismo.

3. Novas aventuras
Por conta da sua mente aberta e curiosa, querem sempre inovar e abraçar novas aventuras, de modo a nutrir seu intelecto de coisas interessantes e de uma adrenalina saudável.

4. Autorreflexão
O gostar de estar sozinho dá-lhes uma grande vantagem quando precisam tomar decisões e passam por momentos de estress e pressão. A autorreflexão constante coloca-os em vantagem para fazer as melhores escolhas em benefício próprio e dos outros.

5. Conhecem-se muito bem
São pessoas incansáveis na busca do autoconhecimento, e por isso não se demoram em momentos de tristeza e depressão. Sabem quais os canais que devem ativar dentro de si mesmos para atingir um nível de equilíbrio e satisfação.

6. O tempo é precioso
Fazem do tempo o seu melhor amigo. Tanto como querem ter seu próprio tempo respeitado, respeitam o tempo dos outros. Não gostam que invadam seu espaço e que desperdicem o seu tempo com coisas inúteis e também não fazem isso com os outros.

7. Honestidade para consigo próprias
Têm plena consciência de que ninguém é perfeito, por isso não cobram perfeição de ninguém. Demonstram muita tolerância para com as falhas alheias, assim como tolerância zero para com os ignorantes.

8. Sensibilidade ao sentimento do mundo
A maioria dos solitários são empáticos, sensitivos ou até paranormais. Revelam maior capacidade de sentir que os outros sentem e conseguem perceber a falsidade alheia de longe. Por isso mesmo gostam da reclusão, uma forma de se preservarem.

Remato frisando que existem pessoas - e assumo-me como uma delas - que preterem a companhia dos outros em detrimento da sua própria. Para essas pessoas, os seus pensamentos e emoções são mais importantes, motivo pelo qual não são propensas a jogar conversa fora nem a contactos sociais frequentes. Comum, e erroneamente, vistas como solitárias e depressivas, elas na verdade gostam mesmo é de pensar e concentrar-se nas suas próprias vidas, aprofundando, assim o seu autoconhecimento e amor interior.

Por hoje é tudo. Despeço-me com aquele abraço amigo de sempre e desejos de um bom feriado de Carnaval, de preferência em casa, na segurança do confinamento, como recomendam as autoridades.

Autoria e outros dados (tags, etc)

08
Jun20

red-631349_1920.jpg

Viva!

O amor é o tempero da vida, não me canso de assumir; e repetir. A maioria dos comuns mortais o perceciona no contexto romântico ou maternal, absolutamente alheia a uma das suas formas mais puras, saudáveis e enriquecedoras: o próprio. Tendo como emissor e recetor o mesmo destinatário, o amor pela nossa própria pessoa é, na dose certa, o melhor aliado na interação com os outros, sobretudo no que toca ao romance.

Longe de mim desmerecer o amor romântico. Estou bem ciente do seu papel social, sexual, biológico e emocional na existência humana. Ainda me lembro do quão feliz e realizado faz-nos ele sentir. A questão aqui é desmistificar a crença - um tanto ou quanto infantil, em grande parte impingido pelos filmes Disney da vida - de que precisamos dele para sermos felizes. Errado! Precisamos do amor romântico para sermos MAIS felizes. A nossa felicidade, na sua génese, não está no outro, mas sim em nós mesmos.

Acreditar que a nossa felicidade está no amor alheio é disruptivo, razão pela qual abundam tantas criaturas infelizes por não estarem emparelhadas. Amas e és amada? Sorte tua! Amas e não és amada? Azar teu! Não amas e és amada? Sorte irónica essa tua! Não amas nem és amada? Ainda há esperança! Amas-te a ti mesma como gostarias de um dia ser amada? Estás no caminho certo para viver um amor para a vida toda!

Amor não é algo que se vai à Internet e faz download, que se vai ao supermercado e compra, que se pede emprestado a quem tem muito ou que se obtém pela via da cobiça. Amor não é algo que se tem só porque se deseja. Ele simplesmente acontece. Ou não. E enquanto não acontece, convém nutrirmos o nosso coração com amor próprio, aquele cuja intensidade, profundidade e duração depende única e exclusivamente da nossa vontade em ser feliz, do jeitinho que dá.

Autoamor só depende de nós, já amor de outrem… Single mine, se tal como eu, (ainda) não tens o segundo, a minha dica é só uma: sê feliz com o primeiro, como se não houvesse o segundo (que por enquanto não há mesmo). O amor alheio há de chegar na hora exata e na pessoa certa. Até lá, vai sendo feliz contigo mesma!

Autoria e outros dados (tags, etc)

07
Out18

996939_610783658959769_1133267530_n.jpgViva!

Escrevo-te, em pleno domingo de jejum (já vou na 20ª hora sem por nada no estômago), para te comunicar que 15 anos depois de um casamento, perfeito nos 10 primeiros, estremecido nos últimos três e moribundo nos restantes dois, divorciei-me definitivamente da night.

Sacramentei esta minha decisão esta madrugada, após uma noitada que passarei a descrever tout de suite. Depois de um jantar de aniversário de uma amiga próxima, o grupo saiu para a naite. Confesso, que quanto a isso estive reticente desde o primeiro instante, não só por saber que o meu sentimento por ela estava por um fio, mas sobretudo por prever mais do mesmo, ou pior do mesmo, como foi o caso. Numa derradeira tentativa de last chance, lá resolvi pagar para ver.

No bar/discoteca lá para as bandas do Cais do Sodré, de nome Titanik sur mer (sugestivo q.b.) para onde fomos, dei por mim tiritando de frio – culpa do vestido curto, sandálias e casaco totalmente inadequado aos 15 graus que se fazia sentir na rua – e assolada por duas palavras: decadente e casa.

Decadente observar aquelas pessoas todas a fumarem tal e qual as chaminés das fábricas chinesas; e, pior, eu a inalar todo aquele ar tóxico. Decadente vê-las a consumirem álcool e drogas como se as suas vidas se resumissem àquelas poucas horas, num claro sintoma da necessidade de anestesiarem o vazio daquele momento. Decadente assistir às tentativas patéticas de alguns em engatar o que lhes aparecia pela frente, num sinal de profundo desespero por uma companhia que lhes permitisse fintar a sua solidão. Decadente o quanto a miséria humana está presente na vida da maioria dos comuns mortais. Decadente estar no meio deles, como se de um deles eu me tratasse.

Casa era onde queria estar. No conforto do meu lar, na macio do meu leito e no sossego da minha companhia. Aquilo tudo causa-me um mal enorme ao corpo, mas sobretudo à alma. Não queria estar ali, não queria estar rodeada por aquelas pessoas – mal conseguia olhar para elas, quanto mais respirar aquele ar contaminado de nicotina, cannabis, álcool e súor. Abro aqui um parêntesis para perguntar o que foi feito daquela lei que proibia fumar em espaços fechados, inclusive os de diversão noturna.

Só conseguia pensar na noite de sono que estava a perder, no quanto estaria a forçar a coluna (tanto tempo em pé de saltos é uma espécie de automutilação a que nós mulheres nos sujeitamos voluntariamente em nome da vaidade), no quão maléfica seria aquela fumarada para os meus pulmões, pele, olhos e garganta e no quão ocas eram as conversas que me chegava aos ouvidos.

Só conseguia pensar: "Sara que estás aqui a fazer?". E nem o facto de estar rodeada de pessoas com quem me dou lindamente era capaz de atenuar a minha agonia, atroz a cada minuto que passava, ao ponto de se tornar insuportável. Pior que isso era ter que fingir para elas que estava minimamente na onda. Estou certa que não fui bem sucedida nessa intenção. Elas, cortês e generosamente, bem que disfarçaram o desconforto que a minha no vibe impactava no grupo, ao ponto de passarem a ignorar a minha presença, excluindo-me das conversas e das coreografias.

Não as censuro, apesar de ter ficado sentida. O alter ego é algo no qual tenho estado a trabalhar, mas cuja procissão ainda vai no adro.

Ao fim de mais de três horas, lá arranjei coragem e bom senso para verbalizar o que todas do grupo já adivinhavam: eu iria embora para casa. Perante o meu comunicado, uma delas ainda esboçou um tímido argumento a favor de esticarmos a noite. Contudo, era notório que sabia ela, tal como as restantes, que pouco mais havia a dizer ou fazer. Assumo que até foi um alívio para elas não ter que levar com a emplastro de plantão para o Plateau, a próxima paragem da madrugada.

Resta às protagonistas deste episódio o consolo de que todas as partes envolvidas ficaram felizes com a minha saída prematura de cena. Eu, mais do que elas, sem dúvida nenhuma. O mais intrigante é que eu fui frequentadora assídua da noite. Desde os meus 20 anos, quando aqui cheguei para estudar e me tornei dona absoluta do meu nariz, que saía religiosamente duas vezes por semana, com ou sem companhia, fizesse chuva ou sol, fosse inverno, primavera ou outono. No verão, e nas pausas académicas, esse valor atingia o pico de sete saídas por semana. Durante 15 anos foi essa a minha vida. Ficar em casa à noite era uma tortura, sendo assaltada pela ideia de que estava a perder a vida que lá fora se desenrolava. Ficava doente se perdesse uma paródia.

Que eu venho amadurecendo mais e mais nos últimos tempos, sobretudo de há três anos a esta parte, é flagrante. Agora resta-me saber se este meu amadurecimento encontra-se dentro dos padrões considerados normais ou se ele passou do ponto, perigando para a velhice social.

Seja lá qual for o diagnóstico, a verdade é que já não me apraz saídas noturnas que tragam a reboque poluição sonora, indivíduos ébrios e/ou dopados, ar impuro, conversas estéreis, encontrões/pisadelas, lavabos imundos, etc. etc.

Antes, uma boa noite de sono, um bom jantar num restaurante decente, um serão caseiro na companhia de pessoas que acrescentam valor, um bom filme, uma boa meditação, uma boa leitura, uma boa conversa, uma boa hora no ginásio, uma boa caminhada, uma boa sentada num sítio tranquilo, um bom por do sol, uma boa música, um bom concerto, mas acima de tudo, a minha própria companhia.

Estou viciada em mim, admito! E ao contrário do que muitos possam pensar, não estou deprimida nem nada que se pareça. Aliás, nunca me senti tão bem com tão pouco que fazer fora de portas e com tão poucas pessoas ao meu redor. Apercebi-me, e aceitei, que sentir-me bem – feliz, estimada e em paz – não passa por estar na companhia dos outros, mas tão somente por mim, pelos meus pensamentos, pelas minhas expectativas. Estar rodeada de pessoas pouco ou nada tem a ver com sentirmo-nos acompanhados, desejados, amados ou mesmo importantes. Quando temos cá dentro o que nos faz bem, é perda de tempo procurar lá fora.

Nos últimos tempos andei fixada (quase a pender para a obsessão) em encontrar um homem que me ame, deseje, valorize e tudo o mais que se costuma fantasiar numa relação a dois. Hoje, é-me evidente que esse alguém estava o tempo todo ao alcance da minha perceção. Esse alguém estava à distância do meu amor próprio. Esse alguém ninguém mais é do que moi même.

Em questão de semanas duas pessoas sem nenhuma correlação, disseram-me algo do género: "Como esperas amar o outro, se não sabes amar-te a ti mesma"? Diz-se que amamos como fomos amados. Pois, a mim nunca me ensinaram a amar. A minha família, especialmente a minha progenitora, nunca o fez. Muitos do meu círculo de amizade a quem dediquei devoção absoluta também não. A maior parte dos colegas de escola, faculdade e trabalho, menos ainda.

Envolvia-me, over and over again, em relações tóxicas e desequilibradas, nas quais dava sempre mais do que recebia. Em completa desigualdade de comprometimento afetivo, dava-me demais, servia demais, aturava demais, perdoava demais, na mesma proporção em que aceitava de menos. A insana convicção de que se assim fosse iriam amar-me mais e melhor justificava essa minha postura nas relações de amor, mas essencialmente nas de amizade.

Quanta ingenuidade. Quanta carência. Quanta subserviência. Quanta falta de valorização. Quanta ausência de amor próprio. Aos poucos, e à custa de incontáveis desilusões, fui aprendendo a direcionar o foco do meu afeto. Aos trancos e barracos cheguei a uma fase da minha vida em que caminho a passos largos para o autoamor pleno. Ao ponto de me estar a tornar egoísta, individualista e territorialista. Para isso muito tem contribuído o ho'oponopono do amor próprio, uma poderosa meditação "receitada" pela minha guru espiritual para que eu possa reavivar ou encetar uma linda, saudável e eterna estória de amor com o meu próprio eu.

É por tudo isso que esta crónica cumpre o (doloroso) dever de formalizar esta minha disjunção com a noitada, quiçá por estar ciente de que, uma vez tornada pública, ela assumirá um caráter vinculativo, salvo uma ou outra exceção, devidamente salvaguardadas em contrato.

E por hoje fico por aqui que o post já vai extensíssimo. Bom resto de domingo e até breve!

Autoria e outros dados (tags, etc)


Mais sobre mim

foto do autor


Melhor Blog 2020 Sexo e Diário Íntimo


Melhor Blog 2019 Sexo e Diário Íntimo


Melhor Blog 2018 Sexualidade





Pesquisar

  Pesquisar no Blog

Subscrever por e-mail

A subscrição é anónima e gera, no máximo, um e-mail por dia.

Arquivo

  1. 2021
  2. J
  3. F
  4. M
  5. A
  6. M
  7. J
  8. J
  9. A
  10. S
  11. O
  12. N
  13. D
  14. 2020
  15. J
  16. F
  17. M
  18. A
  19. M
  20. J
  21. J
  22. A
  23. S
  24. O
  25. N
  26. D
  27. 2019
  28. J
  29. F
  30. M
  31. A
  32. M
  33. J
  34. J
  35. A
  36. S
  37. O
  38. N
  39. D
  40. 2018
  41. J
  42. F
  43. M
  44. A
  45. M
  46. J
  47. J
  48. A
  49. S
  50. O
  51. N
  52. D
  53. 2017
  54. J
  55. F
  56. M
  57. A
  58. M
  59. J
  60. J
  61. A
  62. S
  63. O
  64. N
  65. D
  66. 2016
  67. J
  68. F
  69. M
  70. A
  71. M
  72. J
  73. J
  74. A
  75. S
  76. O
  77. N
  78. D
  79. 2015
  80. J
  81. F
  82. M
  83. A
  84. M
  85. J
  86. J
  87. A
  88. S
  89. O
  90. N
  91. D