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Crónicas, contos e confissões de uma rapariga gira e bem resolvida que (ainda) não cumpriu o papel para a qual foi formatada: casar e procriar. Caso para cortar os pulsos ou dar graças? Talvez nem uma coisa nem outra!

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Viva!

Como o Dia é dos Namorados dedico estes versos (de autor desconhecido) a todos os enamorados espalhados por este mundo fora:

Namoro
Namora
Namora sempre
Namora muito
Deixa-te namorar
Namora o mundo
Enamora-te do mundo
Namoro é plural e não faz mal
Paixão é prazer, namoro é gozo
Amor é teoria, namoro é prática
Paixão é chama, namoro é lume
Amor é alegria, namoro é festa
Paixão queima, namoro aquece
Amor é ser, namoro é estar
Paixão é entrega, namoro é partilha
Que desperdício este Dia de Namorados
Se podes namorar todos os dias
E – NA – MO – RA – TE
Enamora-te perdidamente e ama
Apaixonadamente enamorada.

Que o teu dia seja transbordante de amor, romance, beijos, abraços, mimos, prendas e gemidos de prazer!

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Viva!

A menos de 48 horas do dia mais romântico do ano, que melhor tema para uma crónica do que a emoção que o poeta-mor da lusofonia descreveu, entre outras estrofes, como "querer estar preso por vontade".

Por mais que respeite e admire a genialidade de Luís de Camões, não estou incondicionalmente de acordo com esta frase do épico 'Amor é fogo que arde sem se ver'. Isto porque, para mim, amor é liberdade, liberdade para ser (mais) feliz!


Com isso quero deixar claro que me recuso a encarar o amor – o sentimento mais sublime que um ser humano é capaz de experienciar – como uma prisão, ainda que voluntária. Vejo-a sim como um escape para uma existência mais plena e infinitamente mais realizada. Logo, encaro-a como uma libertação. 

O amor, quando sincero e correspondido (convém!), nada mais é do uma via verde para a felicidade. Quando amamos transpiramos felicidade por todos os poros, contaminando tudo e todos ao nosso redor (como referi há dias num outro post). Quando amamos somos mais generosos, mais solidários, mais tolerantes e mais gratos, no fundo, mais fiéis à nossa essência divina.


Assim, amar é o mais perfeito exercício da liberdade, connosco livres para revelarmos os nossos melhores sentimentos; livres para zelarmos pelo bem-estar alheio; livres para apreciarmos (mais) a vida; livres para melhor nos conectarmos com o que nos rodeia; livres para sermos mais felizes.

Independentemente do alvo da nossa afeição (seja ele namorado, marido, filho, parentes ou amigos), amor será sempre liberdade e em momento algum prisão.

Aproveito esta deixa para mandar um recado a todos aqueles cujo amor remete para prisão ao invés de liberdade. Se tens hipotecado a tua felicidade em nome de uma relação que não te faz sentir mais e melhor pessoa, lamento dizer-te que não é amor. E se não é amor, não te permitas manter acorrentada a algo que não te dá liberdade para seres feliz.

Mais e melhor amor para todos nós!

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29
Jan19

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Viva!

 

Esta madrugada, entre uma ida à casa de banho e outra – que esta minha bexiga está a anos-luz da minha idade biológica – tive uma pequena epifania sobre o amor, mais concretamente sobre a panóplia de emoções que nos assola o coração, o espírito e a alma quando atingidos pela fecha do cupido.

 

Antes de prosseguir, sinto-me na obrigação de deixar claro que não me refiro a essa versão descartável de amor que a sociedade moderna nos tem vindo a impingir sustentada naquela lógica de "à falta de um amor maior, contenta-te com um amor menor". Refiro-me sim àquele AMOR que vem dar (mais) sentido à nossa existência e nos torna na mais perfeita criação divina.

 

Se bem me lembro, quando um amor assim nos bate à porta somos acometidos por vários feelings, que passo a enumerar:

- Ao pé da pessoa amada, sentes (como nunca antes) que só agora a tua vida faz sentido

- Finalmente, percebes porque não deu certo com ninguém antes

- Aceitas que os teus fracassos amorosos anteriores só serviram para te conduzir até "o tal"

- Sentes-te capaz de desafiar e conquistar o mundo só com o poder do teu amor

- Podes ter tido o pior dia da tua vida, mas assim que chegas ao pé da pessoa amada tudo fica bem

- Sentes-te a mais sortuda e corajosa das criaturas, com a constante sensação de que nada nem ninguém neste mundo tem poder suficiente para te abalar

- O abraço da pessoa amada é remédio santo para todo o stress do teu dia a dia

- Sorrisos rasgados e contínuos e olhos cintilantes são uma constante na tua fisionomia

- Preocupas-te mais do que nunca com a tua aparência e fazes tudo para estar sempre bonita, cheirosa, depilada e tudo o mais que faz parte do cardápio de uma mulher vaidosa

- Queres desfrutar da companhia dessa pessoa o tempo todo, em detrimento dos demais

- Começas a falar, pensar e agir na primeira pessoa do plural

- Contas os segundos para estares com o alvo do teu afeto

- Sentes-te no auge da tua beleza, feminilidade, sensualidade e magnificência

- Mal te consegues lembrar daquelas feridas e cicatrizes amorosas que tanta dor e amargura te causaram no passado

- Transpiras felicidade por todos os poros e queres contaminar tudo e todos à tua volta

- O tempo passado com o teu amor parece nunca ser suficiente

 

É precisamente por já ter experienciado um amor assim que continuo solteira. Por esse amor estou disposta a esperar o tempo que for preciso e abrir mão do meu celibato. Se o universo me considerar digna de voltar a viver algo parecido, cá estarei para receber essa bênção de braços abertos e coração repleto de gratidão e humildade.

 

É melhor dar por concluída estar crónica que a continuar por este caminho ainda sou bem capaz de ficar deveras deprimida por estar ainda solteira.

 

One heart, one love, one hug!

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26
Jan19

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Viva!

 

As primeiras linhas desta crónica tinham como alvo aqueles a quem batizei de “amigos acessórios”, uma categoria de camaradas que enfeitam a nossa vida que é uma beleza, dando-nos a falsa sensação de são pau para toda a obra. Sabes aqueles amigos que ficam sempre bem nas fotos de grupo, que nos bombardeiam com juras de amizade eterna nas redes sociais, que estão sempre disponíveis para a paródia, mas que na hora do aperto simplesmente viram fumaça?

 

É precisamente deles que te queria falar hoje. Só que aí vi uma notícia que considerei bem mais atinada com este sábado soalheiro que se faz na capital tuga: licença de namoro.

 

Segundo o jornal South China Morning Post, algumas empresas do país mais populoso do mundo estão a conceder uma dispensa especial às trabalhadoras do sexo feminino em idade reprodutiva, de modo que passem a ter (mais) tempo para "confraternizarem" (digamos assim) com o sexo oposto.

 

Aquilo que eles chamam de "licença de namoro” ou "licença amorosa" na teoria serve para as mandarinas desemparelhadas terem mais tempo para encontrarem o amor. Contudo, na prática esta oferta, aparentemente generosa, serve o flagrante propósito de garantir que as celibatárias tratem de cumprir o papel para o qual a família e a sociedade as formatou: garantir a preservação da espécie.

 

Num país em que desemparelhadas são descaradamente estigmatizadas – as com mais de 20 anos são frequentemente associadas ao termo pejorativo "sheng nu" (mulheres que sobram) – a solteirice é uma realidade cada vez mais corriqueira, à medida que mais mulheres decidem se investir nas carreiras ou optam por permanecer solteiras, pelo simples facto de não estarem dispostas a contentar-se com o primeiro par de calças que lhes acene com um anel.

 

Só que as pressões para que se casem e procriem não esmorecem. Pelo contrário! O governo já se assumiu seriamente inquieto com o envelhecimento da população e a consequente redução da força laboral.

 

Pelo que se conseguiu apurar, a tal licença de namoro até foi bem acolhida entre o seu público-alvo. Pudera, quem não aceitaria de bom grado mais days-off? Só que elas já não são assim tão tapadas para não se aperceberem que tudo não passa de (mais) um esforço para as pressionar, em especial as mais instruídas, a constituir família.

 

Será que este incentivo ao amor vai render os frutos desejados por aqueles que a promovem? Só o tempo o dirá. Convém é ter em atenção que nós as mulheres (inclusive, as chinesas) temos cada vez menos pressa em casar ou ter filhos.

 

Beijo no ombro e aproveita este sábado para tirares a tua licença amorosa. Quem sabe…

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Viva!

 

Depois de um repasto divinal na companhia de uma das minhas mais queridas amigas de sempre, eis-me aqui altamente inspirada para mais uma crónica, desta feita dedicada ao lado M (leia-se mau) da solteirice.

 

É do conhecimento geral da blogosfera que o celibato é algo do qual não me envergonho. Pelo contrário! Ainda que me assuma como uma solteira feliz e bem resolvida com o seu status amoroso, reconheço que nem tudo é um mar de rosas. É por isso que hoje quero falar-te de dois dos aspetos que mais acuso na solteirice: beijo e amparo. Sim, isso mesmo que acabaste de ler.

 

É sabido que o contacto físico é um aspeto fundamental em qualquer relação amorosa. Sem querer desmerecer o papel do sexo, não reconheço nenhuma intimidade física mais prazerosa que o beijo; a meu ver, capaz até de superar uma boa performance sexual. Sabes porquê? Porque beijo bom traz a reboque sexo bom. Do contrário é que já não estou convicta.

 

Abro aqui um parêntesis para assumir a minha incapacidade em visualizar de que forma bom sexo poderá advir da falta de bom beijo. Do género: serviram-te um prato delicioso, só que sem direito a uma entrada a condizer. Por melhor que este seja, a sensação de que ficou a faltar something vai perseguir-te sempre que te vier à memória aquela refeição.

 

Retomando o fio à meada antes que a mente comece a navegar por conteúdos de bolinha vermelha, longe de mim dizer que o sexo não é bom ou que não o aprecio. O que quero frisar é que tenho preferência pelo beijo porque sei que quando ele é bom dificilmente o sexo não será também. O estranho é que enquanto debutante do baile do amor não achava grande piada à coisa, para não dizer que até tinha nojo. Mas assim que lhe apanhei os passos e passei a dominar a coreografia… you know.

 

A oportunidade de uma solteira, deveras seleta no que toca a bocas na qual encostar a sua, exercer o exercício desta arte torna-se escassa, para não dizer inexistente. Este é, sem sombra de dúvida, o aspeto que mais acuso na solteirice: não poder beijocar sempre que me apetecer; beijar como cumprimento, beijar como preliminar, beijar como despedida, beijar por beijar. Só porque sim!

 

O segundo aspeto que mais me custa no celibato é a falta de amparo (físico e emocional). Nunca tive tanta consciência disso como há umas semanas atrás quando, de uma hora para outra – literalmente falando – me vi envolvida num drama caseiro de quinta categoria, cuja consequência imediata foi o despejo. Já passei por muito nesta vida, já lidei com (quase) todo o tipo de provação que imaginar possas, mas não me lembro de alguma vez me ter sentido tão perdida, tão solitária, tão desamparada. O desalento foi tanto que só conseguia pensar: "Se ao menos tivesse um homem do meu lado, teria com quem desabafar, com quem analisar soluções, com quem contar".

 

No meio daquele desespero todo, profundamente abalada pelos insultos, gritos, humilhações e ameaças de que fui alvo, saber-me longe da minha família e dos meus verdadeiros amigos e com poucos dias para encontrar um novo sítio para morar, e a poucas horas de viajar para França onde ia passar o natal com os meus, a solteirice pesou-me como nunca antes.

 

Senti tanta falta de ter quem me defendesse, quem me desse um abraço, quem me afagasse os cabelos, me enxugasse as lágrimas e me dissesse que tudo iria ficar bem e que eu poderia contar com o seu apoio para o que fosse preciso. Sem falar que precisava de ajuda física para procurar alojamento e tratar de toda a logística inerente à mudança de casa.

 

É por isso que decidi que das duas uma: ou não mais voltarei a passar por semelhante situação de todo ou, a voltar a passar, ter ao meu lado alguém capaz de me dar o amparo e o aconchego necessários para lidar com tudo. Dado que a primeira premissa não depende exclusivamente da minha atuação (por mais que assim o queira), só me resta investir na segunda. Com isso quero dizer que neste 2019 é minha intenção abandonar o celibato prolongado e arranjar um namorado. E mais não digo por ora, que a crónica já vai no décimo parágrafo.

 

Despeço-me com um "para a próxima há mais"!

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18
Jan19

Como agarrar um homem

por LegoLuna

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Viva!

 

Depois dos episódios 1 – 27 dicas para arranjares um pretendente – e 2 – Como fazer com que ele saiba que existas – eis que chega à homepage do Ainda Solteira o (tão aguardado) terceiro episódio da saga baseada no artigo 129 formas de arranjar o marido, publicado em 1958 na revista feminina McCall’s.

 

Põe-te confortável, saca de papel e caneta e toca a anotar as dicas para agarrares o teu homem. Vamos lá então:

1. Mostra-lhe que te consegues divertir num encontro barato — mas não exageres.
2. Não deixes os teus pais tratarem-no como um potencial marido.
3. Sai num encontro duplo com um casal feliz — mostra-lhe como pode ser bom.
4. Diz aos amigos dele coisas boas sobre ele.
5. Envia um cartão de parabéns à mãe dele.
6. Pede receitas à mãe dele.
7. Fala com o pai dele sobre negócios e concorda que os impostos estão demasiado altos.
8. Ocasionalmente compra um presente para ofereceres aos filhos da irmã dele.
9. No primeiro encontro diz-lhe que não estás a pensar em casar.
10. Não fales sobre o número de filhos que queres ter.
11. Se ele for pescador, aprende a escamar e limpar um peixe.
12. Não lhe contes tudo sobre ti no início. Deixa algumas coisas para reserva.
13. Quando estiveres a passear com ele, não insistas em parar em todas as montras.
14. Não lhe digas quanto custam as tuas roupas.
15. Não fofoques sobre ele.
16. Nunca deixes que ele saiba que é o único, mesmo que tenhas de ficar em casa uma ou duas noites por semana.
17. Não sejas fácil quando ele tentar marcar um encontro.
18. No início do encontro, porque não pôr uma música que fique como vossa?
19. Conhece as raparigas com quem ele não casou. Não repitas os erros delas.
20. Não fales sobre ex-namorados.
21. Se fores viúva ou divorciada, não fales constantemente sobre o teu marido.
22. Resiste à tentação de mudar a sua aparência — antes do casamento, claro.
23. Mantém-te inocente mas não ignorante.
24. Aprende a jogar poker.
25. Se ele for rico, diz-lhe que gostas de dinheiro — a tua honestidade vai intrigá-lo.
26. Nunca o deixes acreditar que a tua carreira é mais importante do que o casamento.
27. Compra-lhe um presente divertido ou particularmente apropriado de vez em quando. Mas não gastes muito dinheiro.
28. Envia-lhe um cartoon divertido que tenha significado para os dois.
29. Não contes histórias porcas.
30. Não sejas menina da mamã — não deixes que ele pense que vai ter problemas com a sogra, mesmo que vá ter.

 

Será que é desta que nós solteiras arranjamos um marinheiro jeitoso, levantamos a âncora e zarpamos rumo à felicidade conjugal? Pode ser que sim pode ser que não; depende do quão aplicada formos nesta matéria.

 

Boa sorte e até para a semana! 

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Viva!

 

No seguimento do post anterior, através do qual dei-te a conhecer várias dicas para arranjares um pretendente, agora é a vez de enumerar mais umas quantas para fazer com que ele – o alvo do teu interesse – se aperceba da existência da tua digníssima pessoa.

 

Anota aí:

1. Tropeça quando entrares numa sala onde ele está.
2. Esquece a discrição de vez em quando e liga-lhe.

3. Usa um penso. As pessoas perguntam sempre o que é que aconteceu.
4. Faz muito dinheiro.
5. Aprende várias histórias divertidas e saiba como as contar bem — mas certifica-te que não as dizes mais do que uma vez.
6. Vai ter com ele e diga-lhe que precisa de um conselho.
7. Fica num canto e chora brandamente. Há boas hipóteses que ele venha ter contigo para saber o que se passa.
8. Se estiveres num resort deixa o mensageiro lisonjear-te.
9. Compra um descapotável. Os homens gostam de conduzi-lo.
10. Aprende a fazer tarte saborosa. Leva uma para o escritório e deixa os solteiros elegíveis saboreá-la.
11. Ri-te das suas piadas.
12. Se houver um homem tímido nas pessoas que conheces, porque não fomentar a relação? Tanto quanto sabes, ele pode ser um diamante em bruto.
13. "Acidentalmente" deixa cair a tua mala aberta, deixando espalhar o conteúdo pela rua.

 

É incrível como estes conselhos, com mais de 60 anos, continuam atuais. Como só vejo uma forma de saber se a sua eficácia também se mantém, será que ainda vou a tempo de pô-las em prática com o tal rapaz lá do ginásio, alma pela qual não há forma de eu deixar de suspirar? A ver vamos!

 

Desejo-te uma semana espetacular!

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Viva!
 
Hoje quero contar-te a minha (não) estória com o programa de que todos falam mas que poucos admitem visionar. Como já deves ter percebido pelo título e pela imagem, refiro-me ao Casados à Primeira Vista, a controversa experiência social que o canal 3 "franchisou" em terras lusas.
 
Já dele tinha ouvido falar, é certo, mas nunca tinha tido oportunidade de vê-lo passar. Assim, o meu interesse por ele chegou através de uma colega de trabalho, igualmente solteira, com quem desabafei sobre o quão desgastante e infrutífero tornou-se o engate, tanto no mundo real como no virtual. Cansada do desemparelhamento de longa duração, e almejando injetar alguma adrenalina à minha pacata existência amorosa, comentei com ela que estava a ponderar seriamente recorrer àquela agência matrimonial muito conhecida que fica lá para as bandas das Amoreiras e cujo nome opto por não dizer, que não estou para lhes fazer publicidade gratuita.
 
Foi assim que convenci a minha pessoa de que era uma boa ideia participar no programa, até porque o teaser nas redes sociais prometia uma experiência social única – inédita em Portugal –, onde o amor, o romance, o mistério e a aventura seriam os ingredientes-chave. Escusado será dizer que a abordagem pouca convencional do matrimónio e a ruptura com vários tipos de tabus e preconceitos que o formato prometia foram condimentos extras que me aguçaram ainda mais o apetite.
 
Antes de avançar com uma abordagem, achei de bom tom aconselhar-me com o Dr. Tarot, um especialista em desvendar a vida nas cartas. Para tal, valeu-me o dom da minha guru do bem e conselheira espiritual do AS, cujas previsões não poderiam ter sido mais auspiciosas. "É pra avançar e é para avançar já", disse-me com toda a convicção a Isabel Soares dos Santos. Era tudo que eu precisava ouvir para exorcizar de vez aquela vozinha interior que teimava em lembrar-me o quanto da minha intimidade teria que revelar num reality show. Admitamos ou não, o programa mais não é do que isso.
 
No dia seguinte – a arrotar confiança por todos os orifícios, já que tinha o aval dos astros – dediquei a minha pausa para o almoço a redigir uma manifestação de interesse digna de me tornar uma pretendente elegível a um primeiro encontro. Na rede catei um endereço de correio eletrónico para onde enviei o seguinte texto: 
Eu, SS, de 40 anos, 165 cm, 60 kilos, cabo-verdiana e residente no centro de Lisboa, gostaria que considerassem a minha candidatura ao programa. 
Sou licenciada em comunicação empresarial, área na qual exerço funções para uma missão diplomática, como consultora estratégica, e para uma associação profissional, como técnica de comunicação. Fora isso, sou autora do blog Ainda Solteira e social media manager freelancer. 
Pratico exercício físico com regularidade, faço meditação, primo por uma alimentação saudável e estou disposta a sair da minha zona de conforto para encontrar o amor. Para falar a verdade, estou farta dos sites e apps de encontros.
A vida corre-me de feição, faltando apenas o amor, que teima em não acontecer, depois de mais de sete anos desemparelhada. Nunca fui casada nem tenho filhos.
No aguardo do vosso interesse pela minha candidatura, endereço um abraço amigo.
 
Enquanto digitava, uma outra colega – essa sim casada e orgulhosa progenitora de três rebentos – lá me ia alertando para os contras de tal propósito: a exposição mediática, a natureza conservadora das duas instituições para as quais presto serviço, o preconceito social em relação a este tipo de conteúdo televisivo, a possibilidade de ser despedida e a devassa da minha vida privada, só para citar os argumentos mais consistentes; com a mesma eloquência com que eu rebatia os prós: as mais-valias que a fama poderia trazer a este blog, as portas que se me poderiam abrir, a oportunidade de dar voz e cara às solteiras desta vida, a possibilidade de desmistificar alguns preconceitos, os proveitos monetários e por aí fora.
 
Nem bem acabei de enviar o email, eis que recebo uma mensagem automática nesses dizeres: "Agradecemos a sua inscrição no novo programa da SIC! Estamos à procura de solteiros que procurem o seu par ideal! Se é o seu caso, por favor preencha este questionário. Depois de preencher o questionário, aguarde por um contato nosso!
Até breve!"
 
O questionário – extensíssimo, com dezenas e dezenas de perguntas – incidia sobre aspetos da minha vida que eu não tinha a menor intenção de revelar em cadeia nacional, ainda para mais em primetime. Obviamente que tinha consciência que, caso fosse selecionada, estaria sujeita a uma grande exposição mediática, justamente o que eu precisava para impulsionar este blog.
 
Tudo na vida tem o seu preço e eu até estava disposta a pagar aquele que considerava justo: expor grande parte da minha vida sentimental, uma parte da vida familiar e outra da vida social. O que não me passou pela cabeça, em momento algum, era que teria que expor o sítio onde vivo, o local onde trabalho, as pessoas com as quais convivo e os sonhos, planos e projetos mais pessoais.
 
Não que eu tenha alguma coisa a esconder ou algo do que me envergonhar. Simplesmente, não estou disposta a partilhar com desconhecidos aspetos meus tão íntimos, tudo isso ainda na fase de candidatura. Só para teres uma ideia, exigiam fotos da minha pessoa no trabalho, em casa (em dois cómodos distintos), com as pessoas com quem vivo, com os amigos com quem me dou e a executar atividades do dia a dia. Só faltou pedirem fotos da minha pessoa a defecar, passo a ordinarice.
 
Foi assim que uma relação que tinha tudo para acabar num happy end não resistiu à primeira crise, com o encanto a ceder lugar ao desgosto, a esperança a ceder lugar à desilusão e o entusiasmo a ceder lugar à frustração. Foi assim que o casamento à primeira vista acabou em divórcio à primeira crise. Ainda no altar, dei por findo o meu enlace matrimonial com um programa em que, pelo pouco que vi, pelo suficiente que li e pelo muito que ouvi, elas não querem estar com eles e eles não sabem como estar com elas.
 
Despeço-me com aquele abraço amigo e um lembrete de que só faltam 3 dias para o final da votação do Sapos do Ano.

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Viva!

 

Há dias uma seguidora interpelou-me sobre qual a melhor estratégia a adotar por quem está solteira e disponível para uma nova relação. Sem pestanejar, respondi-lhe: "estar recetiva!"

 

De tão óbvia, esta resposta até parece infantil. Mas a verdade é que dar uma de Bela Adormecida à espera do Príncipe Encantado não é uma estratégia sustentável. Primeiro, porque o príncipe encantado é cada vez mais uma espécie em vias de extinção. Segundo, porque a mulher moderna não está para depositar a sua felicidade nas mãos de um estranho (por mais azul que seja o seu sangue); até porque ela tem plena consciência de que não existe nenhuma garantia de que ele, após o beijo, não vá se transformar num sapo qualquer da vida.

 

Que o digam as mulheres vítimas de todo o tipo de violência por parte daqueles a quem confiaram o coração. 

 

Se contentar-se com o primeiro pretendente a despertar-nos do "sono amoroso" não é lá muito boa ideia, ser demasiado exigente no processo de escolha menos ainda, já que pode estar a impedir-nos de viver boas experiências. A solução passa, portanto, por não definir requisitos de forma rígida.

 

De forma consciente (ou não) todas nós procuramos a perfeição; mas quantos mais critérios estabelecemos menos compatibilidade vamos encontrar. Falo em meu nome pessoal e no de todas as demais desemparelhadas do meu círculo de amizades (reais e virtuais). 

 

Depois de uma certa idade (geralmente, depois dos 30), das duas uma: ou os padrões de exigência de uma mulher aumentam mais e mais ou diminuem mais e mais. Aumentam porque ela vai ganhando consciência do seu valor, ao ponto de não se contentar com alguém que não considere estar à sua altura. Mais do que saber o que quer de um homem e de uma relação, ela sabe, com uma exatidão alarmante, o que não quer para a sua vida. Por observação direta das outras ao seu redor, ela vai tomando consciência de que a presença de um homem na sua vida, na sua cama, na sua família e no seu círculo social só se justifica se este acrescentar valor. Se assim não for, ela prefere estar sozinha, pois sabe que consegue ser feliz solteira, mesmo que não plenamente. 

 

Do lado oposto, está a mulher que, em desespero de causa, aceita abrir mão de uma boa parte dos seus padrões de exigência só para não "ficar para tia", como se diz na gíria popular. Ou porque o relógio biológico não para de piscar, ou porque as amigas/colegas desemparelhadas vão minguando a olhos vistos, ou porque a pressão da família e da sociedade assumem proporções dantescas ou simplesmente porque não sabe nem tem interesse em estar só. Para esse tipo de mulher, qualquer um destes motivos é razão mais do que válida para abraçar uma relação, mesmo que, no fundo do seu coração, ela se sinta tão ou mais solitária do que aquela que descrevi no parágrafo anterior. 

 

Portanto, à querida seguidora ND, deixo este conselho: "Interage com eles de forma tranquila, sem pensar de antemão no que pode ou não desencadear, aproveita cada momento e cada pessoa que cruza o teu caminho. Limita as tuas expectativas e retira a pressão de ter que ter alguém só porque sim. Sê o tipo de pessoa que gostavas de ter ao teu lado. Vais ver que mais cedo ou mais tarde o amor que tanto desejas e mereces chegará. E se não chegar tens-te a ti, o teu primeiro, grande e verdadeiro amor."

 

Capice? Estamos juntas!

 

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Viva!

 

Queres desencalhar? Se sim, só tens que experimentar este menu de degustação, composto por dicas à moda da Trea, marinadas em cinco questões e temperada com um caso concreto. Para sobremesa, sorrisos constantes. Garanto-te que esta receita para arranjar namorado é de comer e lamber os beiços. Pronta para o que aí vem? Bora!

 

matchmaker Trea Tijmens, citada pela swissinfo, é categórica na hora de dizer que para começar a namorar é preciso antes fazer uma limpeza interna, uma faxina de dentro para fora. Aliado a este conselho, a formadora de casais explica que o seu trabalho consiste em preparar mulheres holisticamente, por forma a que consigam criar oportunidades para um novo relacionamento.

 

"Quero que as minhas clientes consigam reconhecer oportunidades e que sejam capazes de agir perante esses momentos. Oportunidades acontecem no nosso dia a dia, no comboio, no supermercado, no autocarro, nos bares. Só que muitas pessoas nem reconhecem", enfatiza, reconhecendo que trabalha preparando a mente dos clientes para lidar com situações de engate.

 

Mas para isso é imperativo sair da zona de conforto. Para quem tem filhos, o conselho é que a pessoa se envolva nas atividades escolares. É preciso tomar atitudes para aumentar a rede de contatos, como por exemplo matricular-se num curso ou inscrever-se num ginásio.

 

Esta profissional que se dedica a juntar corações solitários aconselha seus clientes a limparem a mente de ideias negativas, com frases que minam a autoconfiança, como "Os bons já foram fisgados", "Eu não mereço um gajo bom" ou "Por que esta pessoa se interessaria por mim?".

 

Outra lição que Trea faz questão de passar é sobre o sorriso. "Sorria, faça do mundo um lugar mais humano. Eu garanto que vai ajudar a atrair um relacionamento", diz. E dá como exemplo o caso de uma das suas clientes, que reclamava que ninguém falava com ela, mas que após seguir o seu conselho, foi abordada por um homem interessante.

 

Outro conselho valioso, principalmente para os bem-sucedidos profissionalmente. "Muita gente acha que aquela pessoa está muito feliz sozinha e que não procura ninguém. Além disso, não vão querer se intrometer ou tocar no assunto, já que é privado. Dessa maneira, aconselho que o assunto seja inserido durante o almoço ou até mesmo durante o café no escritório, mas sempre de maneira sutil: "Diga que está em busca de uma pessoa para formar uma família, ou de um relacionamento estável, sem conotação de desespero ou desânimo", explica.

 

Para rematar, a love coach sugere algumas perguntas que devem estar bem esclarecidas na mente de quem procura o amor, sob pena de ver fracassadas todas as estratégias anteriores:

 

Você está emocionalmente pronto?
É imperativo responder se o ex realmente ficou no passado. Isto porque o futuro relacionamento não quer ouvir falar de relações passadas.

 

Namorar é uma prioridade?
É preciso se fazer disponível para um relacionamento, investir tempo e esforço.

 

O quão feliz é com a sua pessoa?
Só você é responsável por sua felicidade. Pessoas felizes são ótimas em se ter por perto e isso ajuda na busca de um relacionamento. É importante sentir-se bem (emocional e fisicamente) e segura.

 

Tem uma mentalidade positiva?
Seja otimista e aberta a conhecer outras pessoas solteiras. É preciso manter o espírito de querer descobrir coisas boas nos outros, como também em si mesmo.

 

Costuma sorrir para os outros?
Mantenha o sorriso no semblante sempre.

 

Agora diz-me a que te soube esta crónica gourmet?

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