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Crónicas, contos e confissões de uma rapariga gira e bem resolvida que (ainda) não cumpriu o papel para a qual foi formatada: casar e procriar. Caso para cortar os pulsos ou dar graças? Talvez nem uma coisa nem outra!

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Ora viva!

Não é de hoje que venho apregoando que a solteirice é um tema que não se esgota na sua essência; pelo contrário, extravasa a fronteira do coração desocupado, da cama vazia, do lar solitário ou da companhia inexistente. O mercado associado a esta realidade tem-se revelado cada vez mais atrativo, competitivo, e consequentemente, lucrativo. Com um potencial colossal, e com o número de desemparelhados a assumir proporções inéditas, a solteirice tem despoletado o florescimento de uma infinidade de produtos e serviços.

De acordo com um artigo da CNN, "nunca houve um momento melhor para ser solteiro". Só para teres uma ideia, calcula-se que existam mais de 5 biliões de solteiros no mundo. Só no Brasil são mais de 78 milhões, nos Estados Unidos mais de 110 milhões (dados de 2017) e em Portugal dados de 2011 apontam para mais de 4 milhões. Em Paris – cidade que alberga mais de 2 milhões de habitantes – existem mais solteiros do que casados, fazendo desta a cidade europeia daqueles que, como eu, ainda não encontraram uma pantufa para o seu pé cansado. 

Voltando ao tema desta crónica, escrevia eu que a solteirice é um negócio cada vez mais lucrativo e compensador. Vejamos: lá para as bandas das américas já existem empresas que alugam par para eventos, "namorados" e até abraços. Na China, o dia dos solteiros já é o maior evento de comércio online do mundo. Do bom e velho sexo vou apenas citar, dado que se trata de um negócio cujas receitas são do conhecimento geral do planeta. Idem aspas no que toca às apps e sites de engate, cujos números ascendem a milhões de utilizadores e, por tabela, de cifrões. Na versão real da coisa, as agências matrimoniais faturam igualmente uma fortuna. Aqui em terras lusas, a mais conhecida – a que cheguei a recorrer, acabando por desistir ao tomar conhecimento da tabela de preços em vigor – apresenta pacotes que ascendem às centenas de euros. Que dizer dos malfadados programas televisivos, eternos candidatos ao cargo de São Valentim, os quais já aqui abordei no post Os dating shows são decadentes, contudo viciantes?

Remato esta linha de raciocínio com mais três exemplos de serviços e/ou produtos direcionados em exclusivo para a comunidade solteira: speed datings (agora em julho aventurei-me num, lembras-te?), singles travel (a preços acessíveis a partir dos quatro dígitos) e singles parties (nenhum deles gratuitos, convém ressalvar). Até ouvi falar de sessões ao estilo 50 Sombras de Grey exclusivas a celibatários, em que se pagam montantes obscenos.

Aposto que é por tudo isso – e, obviamente, para tentar debelar a debandada da malta jovem – que a empresa-mãe de Mark Zuckerberg, Facebook, resolveu apostar num novo serviço: o Facebook Dating. Lançado esta quinta-feira nos Estados Unidos, a nova funcionalidade vai permitir, entre outras coisas, integrar publicações e histórias do Instagram no perfil do utilizador, bem como acrescentar os amigos a uma "lista secreta de paixonetas".

Segundo comunicado pela empresa, o Facebook Dating, que se assume como concorrente direto dos Tinder da rede, tornará fácil encontrar o amor através dos gostos pessoais, ajudando a começar relacionamentos com significado através dos aspetos que os utilizadores tiverem em comum, tais como gostos partilhados, eventos e grupos.

Em relação à tal lista de "paixonetas secretas", que pode integrar até nove pessoas, caso haja reciprocidade entre os membros destas listas, ou seja, se uma das pessoas escolhidas também tiver adicionado o utilizador à sua própria lista, haverá um match. Caso não exista interesse da outra parte, a lista continua secreta. Onde foi mesmo que já vimos/ouvimos esta?

A novidade já se encontra ativa em 20 países, devendo chegar ao mercado europeu no início do próximo ano. Para ter acesso ao cupido do Facebook bastará aos interessados criar um perfil e ter mais de 18 anos. De modo a não excluir ninguém, sobretudo aqueles que não estão registados nesta rede social ou não querem ver o seu perfil associado ao fénomeno "finding love", oferece-se a possibilidade de uma conta à parte, independente do perfil "oficial".

É, meu bem, a solteirice é que está a dar. Goste-se ou não, a verdade é que os negócios associados aos corações solitários estão-se a tornar cada vez mais cobiçados, ao ponto do patrão da maior rede social do mundo querer meter a colher no assunto, ou devo dizer, a mão na massa?

Por hoje é tudo, para a semana há mais. Aquele abraço amigo e um sincero desejo de que o fim de semana seja salpicado por sol, sombra, água fresca e amor, claro!

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Viva!

Recebi esta manhã, por via eletrónica, uma mensagem cujo título não poderia ser mais contundente: Atenção Ainda Solteira, que há um novo site de relacionamentos e encontros em Portugal. Acredito que para ma ter enviado, o remetente esteja a par da minha relação íntima com este blog, daí que tenha aproveitado a oportunidade para promover este recente serviço para solteiros, na expectativa de obter divulgação gratuita. Como não sou de deixar na mão quem a mim recorre, eis-me aqui para te relatar o último episódio da vida desta Ainda Solteira.

SugarDaters assim se chama o novo site de encontros de que tomei conhecimento hoje. Pelo que pude apreender do texto que recebi, trata-se de um conceito um tanto ou quanto diferente da concorrência. Para começo da conversa, foi importado diretamente do país 2 da felicidade, a Dinamarca. Para meio da conversa, este que é o maior e mais popular site do género na Escandinávia está presente em 26 países, Portugal incluído. E para fim da conversa, vais ter que ler até ao fim...

Esta plataforma online de encontros apregoa que o que a diferencia dos concorrentes é o facto de "o respeito ser sempre o fio condutor, o princípio orientador de uma dinâmica que inclui ambientes luxuosos, glamour e muito mimo". Ao ler tal coisa, fui para o terreno investigar o quanto de verdade conteria a garantia dada pelo seu fundador de que não seria apenas mais um site de encontros, mas sim o espaço que junta "homens e mulheres que controlam totalmente a sua vida e que sabem o que querem de uma relação"; razão pela qual "o SugarDating baseia-se no desenvolvimento de relacionamentos, e não na troca de serviços".

Mal acedi à página, saltou-me à vista a promessa de um ambiente seguro e acolhedor, com todos os perfis dos utilizadores a serem alvos de uma verificação e validação manual. Um segundo aspeto que mereceu a minha imediata aprovação foi a regra em relação às fotos de perfis, que não poderiam de todo conter carne humana exposta (entenda-se nudes e afins).

Por tudo isto e mais alguns outros pontos que não vou agora referir, sob pena desta crónica tornar-se demasiado extensa, posso dizer com toda a convicção que vi, gostei e aderi sem pestanejar. Bastaram 10 minutos para ter o meu perfil criado e outros cinco para vê-lo validado. A esta altura, o entusiasmo seguia em crescendo e a expectativa de encontrar pretendentes "fora da caixa" despertava em mim uma adrenalina há que tempos entorpecida.

Até que chega o balde de água gelada; sim porque essa cedo ou tarde chega, com toda a certeza. Ainda que o registo seja gratuito, a permanência não é. Apesar de reconhecer que é justo cobrar-se por um serviço prestado, por uma questão de princípios, não me sinto confortável em pagar para ter acesso ao amor. Isso seria admitir que, nesta nossa sociedade cada vez mais comercializável, até o amor tornou-se um bem de consumo. Por não querer abrir mão deste meu ideal "domquixotiano", dei por encerrada esta minha
flash love story sem sequer ter privado com um único pretendente. Lá se foi a oportunidade – mais uma – de dar um update à minha love life...

Como as hipóteses de uma solteira não se esgotam no online, resta-me torcer para que o Single Mingle de amanhã dê (bons) frutos. Sim, finalmente acedi a embarcar num speed dating. Mas isso é tema para uma outra crónica, que partilharei oportunamente.

Até lá, porta-te mal!

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Viva!
 
Quão distante parece estar aquele tempo em que se angariavam pretendentes – e se colecionavam admiradores – na escola, na praia, na discoteca ou numa esquina qualquer da vida. Nos dias que correm, a dificuldade, para não dizer impossibilidade, de conhecer alguém fora do universo virtual é claustrofóbico. E pelo que tenho visto, lido e ouvido, este é um mal transversal a todas as faixas etárias, com especial incidência nos "enta".
 
Académicos das universidades do Novo México e de Stanford vêm precisamente confirmar a realidade acima descrita. Um estudo por eles levado a cabo, envolvendo 3.510 casais heterossexuais, apurou que, atualmente, as pessoas conhecem-se cada vez mais online e cada vez menos no dia-a-dia. A partir da análise de dados de 2017, estes académicos chegaram à conclusão que 39% da amostra se conheceu pela primeira vez no ciberespaço. Em contrapartida, o número de casais que se conheceu pelos métodos tradicionais baixou. Uma constatação de que, em matéria de relacionamento amoroso, o virtual está a superar o real; pelo menos num primeiro momento.
 
A título de curiosidade, em 1995, apenas 2% dos casais conheceu-se pela internet; em 2000 a percentagem passou para 5%; em 2010 o valor quadruplicou, atingindo os 20%; e em 2017 chegou aos 39%. O mais provável é que, às portas de 2020, estes valores já estejam perto dos 50%.
 
De acordo com este estudo divulgado há coisa de um mês, apesar de ainda não ter sido publicado, o contacto inicial entre casais é maioritariamente feito pela internet ou pelo telemóvel. Quatro razões parecem estar na base desta crescente tendência: uma maior variedade de pessoas à disposição, um sítio livre onde as preferências e atividades podem ser expressas sem o julgamento da família ou dos amigos, uma informação atualizada sobre quem está disponível e a promessa de compatibilidade por parte de aplicações.
 
De um modo ou de outro, o online está cada vez mais presente na vida de (quase) todos nós. Portanto, o amor, como parte essencial da nossa existência, não poderia manter-se alheio a essa realidade. Aspetos como falta de tempo, apetência patológica para a praticidade e o comodismo, inexperiência e/ou inaptidão na arte da conquista, receio da rejeição, medo da acusação de assédio sexual e facilidade no acesso às apps de engate fazem com que cada vez mais corações solitários tentem a sorte no amor através da internet. Daí que seja perfeitamente compreensível o porquê do online estar a roubar espaço, e protagonismo, aos tradicionais métodos de engate.
 
Single mine, por hoje é tudo. Conto regressar na quarta com mais um post sobre um assunto digno de aqui ser abordado. Até lá fique bem e cuide desse coração, que (solitário ou não) a ti cabe o dever de preservar.

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Viva!

Muy grata pelo esplêndido fim de semana com que Dom Pedro nos agraciou, de tez bronzeada e alma revigorada retomo o contacto contigo. Não penses que venho de mãos a abanar, é que não mesmo. Comigo trago uma crónica sobre a validação – mais uma – da solteirice por parte da ciência. Como se preciso fosse…

Já algumas vezes aqui abordei as vantagens em ser solteira (se não o fizesse, este blog nem sentido faria, certo?). Umas vezes fundamentei com base na minha própria experiência, outras no senso comum e, na sua grande maioria, em estudos empíricos. Desta vez, volto a recorrer à ciência, mais concretamente ao académico Paul Dolan, para quem o casamento só é (comprovadamente) benéfico para os homens. Já no nosso caso, a coisa não é bem assim; pelo contrário.

Um estudo apresentado há um par de dias no festival Hay, e que faz parte do livro Happy Ever After, citado pelo The Guardian, garante que as mulheres da minha laia (leia-se solteiras e sem descendentes) são o subgrupo mais feliz da população. Como se isso não bastasse, o estudo refere ainda que é mais provável que nós vivamos mais do que aquelas que casam e procriam.


Estas alegações do docente de ciência comportamental na London School of Economics baseiam-se na convicção de que os marcadores tradicionais para medir o sucesso não estão relacionados com a felicidade – particularmente o casamento e os filhos. "As pessoas casadas são mais felizes do que outros subgrupos da população, mas apenas quando os seus parceiros se encontram na mesma sala. Quando lhes é pedido para saírem, dizem que se sentem miseráveis", afirma Dolan. Ups!

Se dúvidas houvessem sobre a quantidade de emparelhadas infelizes que nos andam a impingir uma falsa imagem da felicidade conjugal, o britânico detonou-as numa única frase. Continuando... Sem meias-palavras, Dolan é perentório quando diz o seguinte: "Se és homem, provavelmente deves casar-te. Se és mulher, não te preocupes com isso".

A razão porque beneficiam eles mais com o matrimónio prende-se com o facto do sexo masculino ficar mais calmo quando se retira do mercado amoroso. "Eles têm menos riscos, ganham mais dinheiro no trabalho e vivem mais. Elas, por outro lado, morrem mais cedo do que aquelas que nunca chegam a casar".


Não obstante essas benesses imputadas ao celibato, o académico às ordens de sua majestade não é alheio ao persistente estigma de que as mulheres apenas são felizes casadas e com filhos. "Vemos uma mulher de 40 anos que nunca teve filhos. 'Meu Deus, é uma vergonha, não é? Talvez um dia venha a conhecer o homem certo e talvez o estado dela mude'. Não. Talvez um dia ela encontre o homem errado. Talvez ela encontre um homem que a torne menos feliz e morra mais cedo", conclui Dolan.

É por estas (e por outras) que estou solteira. Afinal, quem sou eu para contrariar a própria ciência, que garante que mulheres solteiras e sem filhos vivem mais e melhor? Ser solteira torna-se assim uma questão de vida ou morte. Eh eh eh.

Um bom resto de dia para ti, que eu vou é celebrar a minha solteirice com um cocktail bem colorido, que a ocasião assim o exige. Até à próxima!

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11
Abr19

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Viva!

Finalmente consigo acasalar uma pitada de tempo (desviada do trabalho) com uma nesguinha de inspiração (resgatada da azáfama). Dado que nem uma nem outra sobejam neste momento, que tal falar-te de algumas expressões capazes de fazer de qualquer um de nós uma pessoa bastante mais amada. Pelo menos é o que garante um artigo publicado no Observador e no qual me inspirei para escrever esta crónica.

Numa sociedade que parece fomentar o uso – e abuso – da palavra, onde cada indivíduo se sente no direito (e dever) de abrir a boca e disparar os disparates que bem lhe apetecer, como se do bom exercício da liberdade e da cidadania se tratasse, o bom uso da palavra é reconhecidamente uma arte que poucos dominam.

As palavras são tão somente o mais importante veículo de comunicação entre humanos; o meio por excelência de interação e relacionamento. Quando usadas de forma adequada, afiguram-se a pontes capazes de unir duas pessoas, tal duas margens de um mesmo rio. Por isso mesmo, aproximam, criam cumplicidades e fomentam harmonias, que retundam em felicidade.

Gentileza gera gentileza, é certo e sabido! Como tudo na vida, ela, assim como a empatia e a solidariedade, também se aprende; de tal modo que cito uma dúzia de expressões capazes de fazer de ti uma pessoa, se não mais amada, pelo menos mais agradável ou suportável (na pior das hipóteses) .
 
1. "Fico feliz por te ver"
Quando encontrares alguém de quem gostas, não te fiques pelo "olá" da praxe. Vai mais longe e diz mesmo "fico feliz por te ver" ou "fico sempre feliz por te ver". Vais ver que o outro ficará mais recetivo e gentil.
 
2. "Lembro-me que tu"
Ao evocares uma situação, um gesto ou uma atitude positiva estás a reafirmar a capacidade do outro em despertar em ti coisas agradáveis, ao ponto de as conservares na memória.
 
3. "Estou impressionada!"
Esta expressão, ideal para usares com pessoas recém-chegadas ao teu convívio, visa reforçar a autoestima delas e fazê-las sentirem-se integradas e valorizadas.
 
4. "Acredito em ti"
Verbalizares tal sentimento denota confiança nas potencialidades do outro, fazendo com que este reconheça em si mesmo as suas forças e destrezas.
 
5. "Vê só até onde já conseguiste chegar"
Assim fazes com que a outra pessoa reveja o seu percurso, ao mesmo tempo que demonstras que estás atento a ela, que registaste os seus esforços, os seus sucessos, as suas conquistas. É também uma celebração do seu sucesso.
 
6. "Gostava de saber o que pensas sobre..."
Dizer isso ou algo como "gostava de ouvir a tua opinião sobre…" é uma forma de comunicares ao outro que o consideras digno de se pronunciar sobre determinado assunto.
 
7. "Diz-me mais"
Trata-se de um cumprimento, um elogio, uma forma de comunicar que o outro diz coisas inteligentes, pertinentes, singulares. É, igualmente, uma excelente oportunidade de estabeleceres ligações sólidas e duradouras.
 
8. "Bem-vindo"
Fazer com que alguém se sinta bem acolhido, seja na tua mesa, na tua casa, na tua empresa ou na tua vida, é uma forma de dignificares a pessoa e de lhe mostrares que estás feliz com a sua chegada.
 
9. "Posso ajudar?"
Trata-se de uma demonstração de empatia para com a insegurança (momentânea ou não) de alguém e, ao mesmo tempo, uma confissão implícita de que também tu, por vezes, és acometida de incertezas.
 
10. "Desculpa"
Pedir desculpa é reconhecer que não agiste da melhor forma e que lamentas os danos que esse teu agir teve no outro. Assim, dizer "desculpa" é uma forma de esperares que este acredite na tua capacidade de ser melhor.
 
11. "Não"
Esta palavra representa o mais sublime exercício da tua liberdade de escolha. Seres capaz de expressá-la significa seres capaz de renunciar a algo que sabes não ser o melhor para ti. Quando o fazes com verdade e convicção demonstras ser fiel à tua essência.
 
12. "Obrigada"
Infelizmente, a humanidade está viciada no uso abusivo e leviano desta palavra, um autêntico cocktail composto por sentimentos positivos como gratidão, educação, empatia, humildade, delicadeza, aceitação e generosidade. Agradecer reforça no outro a vontade de ser gentil, daí que gentileza gere gentileza.
 
Por hoje é tudo, que são horas de ir dar tarefa ao corpo num ginásio perto de mim. Conto voltar ao teu convívio ainda antes do fim de semana. Até lá, só gentileza nessa vida!

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Viva!

Um dia destes, passei por um mupi onde figurava uma publicidade com a Roberta Medina, na qual ela dizia que "Somos aquilo que amamos!" Desde então que tenho andado a matutar no real sentido desta frase, ao ponto de resolver dissertar sobre ela nesta crónica.

É facto consensual que o amor é saudável e recomenda-se. É igualmente saudável dele falar, em especial do seu impacto na existência humana. Voltando à frase da responsável pelo Rock in Rio Lisboa, se, de facto, somos aquilo que amamos, porque raio não amamos mais? E melhor, já agora!

Anda o mundo precisado, andam as pessoas sequiosas, andam os corações solitários e andam as almas desnorteadas, tudo à custa desse sentimento, ou melhor, da falta dele. Idealmente, amar implica oferecer os nossos melhores sentimentos a alguém esperando que esse mesmo alguém retribua em igual proporção. Neste meu entendimento, amar (na verdadeira aceção da palavra) extravasa o sentido romântico e/ou erótico, para se revelar como uma ligação bem mais espiritual do que carnal. 

O amor carnal é selvagem nos seus instintos, urgente nas suas necessidades, inequívoco nas suas manifestações, enquanto que o espiritual é sereno, sábio, paciente, altruísta, logo sublime, absoluto, divino.

Independentemente do tipo de amor que cada um de nós é capaz de sentir ou demonstrar, ele mais não é do que o reflexo da nossa essência/vivência/experiência, ou seja, daquilo que somos. Daí que esteja plenamente de acordo com a citação da empresária brasileira.


Amamos como fomos amados, quem nunca ouviu esta? Mais pertinente que esta sapiência popular – com a qual concordo, já agora – é saber até que ponto amamos aquilo que nos ensinaram a amar. Com esta reflexão me despeço com um abraço amigo e desejos de um bom fim de semana.

Hasta!

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Viva!

Em relação à minha solteirice crónica ativa já ouvi de tudo um pouco, desde ser uma pessoa impossível de aturar até não ter preferência por indivíduos do sexo masculino. De entre essas "bocas", a que mais gozo me dá é aquela de que não estou preparada para ter uma relação. Como se o estar preparada implicasse automaticamente uma relação e vice-versa. Enfim...

Nesses casos, costumo responder, com a aquela minha expressão de 0-0: "mas eu estou preparada para uma relação; não estou, nem quero estar, é preparada para uma ralação!". Ciente de que a maioria dessas pessoas não sabe distinguir com clareza uma coisa da outra, lá me dou ao trabalho de vestir a capa de desencardidora de mentes e explicar, com exemplos, não vá correr o risco de também não perceberem à segunda.

Acaso, saberás tu as diferenças entre uma coisa e outra? Para o sim para o não, ei-las:

rElação
- Sentes-te mais feliz com ele do que sem ele
- Vives numa bolha de felicidade
- O afeto, o respeito, a cumplicidade e a sinceridade são os pilares do casal
- Discutem uma vez ou outra, mas acabam sempre por ficar bem
- Não vês a hora de estar com ele
- Sentes que lhe podes contar tudo
- Ambos mantêm uma agenda social independente
- Tens liberdade e à vontade para sairés com os teus amigos sem teres que dar grandes satisfações
- Tu decides até onde vai a tua privacidade
- A alegria é o pão nosso de cada dia
- Adormecem sempre abraçados
- O futuro ao lado dele parece-te risonho
- Se pudesses escolher qualquer outra pessoa neste mundo, continuas a querer estar com ele
- Estás com ele porque queres
 
rAlação
- A felicidade varia consoante a dinâmica do relacionamento
- A viagem entre o céu e o inferno é uma questão de tempo e oportunidade
- A desconfiança, a cobrança, o ciúme e a possessividade vão-se tornando uma constante
- As discussões são cada vez mais frequentes
- Sentes-te em paz quando ele não está por perto
- Omites coisas com medo de ele fazer uma cena se souber
- Têm que fazer tudo junto e quando assim não é há drama na certa
- Tens que pedir "permissão" para sair com os teus amigos, não sem antes apresentar um rol de explicações e justificações
- Ele decide até onde vai a tua privacidade
- O drama é o pão nosso de cada dia
- Dorme cada um para o seu lado
- Tens dúvidas em relação ao futuro (e ao presente)
- Imaginas o tempo todo como seria estar com outra(s) pessoa(s)
- Estás com ele porque... estás

Quando sabemos exatamente o que queremos não tem como nos contentarmos com nada menos. Eu permaneço solteira porque quero uma relação e não uma ralação.


Voltarei na quarta; até lá beijo no ombro e orgulho nessa solteirice, que o que mais há por aí é emparelhada infeliz e ressabiada que em casa come ralação e na rua arrota relação!

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19
Mar19

Tinder Surpresa

por LegoLuna

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Viva!


Por falar em Tinder, deixa-me contar-te sobre uma conhecida minha que acabou grávida de um gajo que conheceu através desta app. Pelo que soube, eles estiveram juntos uma única vez e foi quanto bastou para que, nove meses depois, ela tivesse nos braços o seu Tinder Surpresa.

Para resumir, que ainda tenho muito para escrever, esta estória termina no tribunal, com ela a assinar um documento onde se compromete a nunca reclamar nada do pai (pensão/herança/presença) e ele a assinar um outro documento abrindo mão de todo e qualquer direito sobre a criança (guarda parental).

À luz deste caso, e tendo em consideração um número cada vez mais alarmante de corações partidos à conta de apps e sites de engate, sinto-me impelida a puxar da palmatória e a endurecer o discurso. Estimadas carentes, ingénuas, desesperadas e românticas incuráveis parem de uma vez por todas com essa fantasia de que vão encontrar o amor das vossas vidas nessas plataformas. Lamento dizer, mas isso dificilmente vai acontecer. E para não achares que estou para aqui a disparar disparates, passo a explicar porquê.

Ponto 1
O Tinder é sobejamente conhecido por ser uma app de encontros sexuais. Com isso quero dizer que o amor não faz parte da ementa. É como ires ao McDonald's e esperares que te sirvam peixe grelhado no carvão.

Ponto 2
Não encontramos o amor, é ele que nos encontra. Por isso procurá-lo, ainda mais nesse tipo de lugar, é puro desperdício.

Ponto 3
Volta e meia, ouvimos falar de uma ou outra estória de amor que começou na rede e fincou na vida real. Para tua informação, elas são a exceção que confirma a regra. A não ser que sejas a personagem Gastão dos quadradinhos da Disney esquece lá isso de encontrar a tua cara-metade por aqueles domínios.

Ponto 4
Neste tipo de metragem o argumento é quase sempre o mesmo: mulheres carentes à procura de emoção e homens esfomeados à procura de alimentação. Logo, expectativas desencontradas que findam em desilusões amorosas.

Ponto 5
Os homens sabem muito bem ao que vão quando acedem a esta app. Ninguém vai lá parar por acaso nem por lá permanece à toa. Por isso, não tenhas ilusão de que a presença deles aí é por outra coisa que não o sexo.

Ponto 6
Com base em vários testemunhos, fiquei a saber que uma mulher que se conhece por esses meios não é para ser levada a sério, menos ainda se ela "facilitar a vida" ao match no primeiro encontro. Por mais que a sociedade se orgulhe de estar a evoluir, a mente masculina ainda é muito castradora em relação à emancipação sexual feminina. Os homens acham o máximo uma mulher liberal; para dar umas voltas. Porque quando se trata de assumir e apresentar à família e pessoas das suas relações, escolhem as amostras de beatas, de quem as sogras possam orgulhar-se.

Ponto 7
O Tinder, mais do que qualquer outra app que eu conheça (e conheço quase todas), é um catálogo online de comida humana, em que cada um escolhe o prato que mais apetite lhe despertar: étnico, internacional, tradicional, exótico e por aí fora. Só têm que escolher, com a vantagem de que não pagam absolutamente nada – vá, um jantar com sorte ou a conta do motel.

Ponto 8
Os homens que usam o Tinder já lá chegam com a mente formatada para seguir o protocolo – aceder, escolher, fazer o match, encontrar-se, "comer" e ir à vidinha dele. Até ter fome novamente. Eles não estão nem aí para o facto de seres uma mulher encantadora na vertical; o que querem realmente saber é quão útil podes ser na horizontal.


Ponto 9
Eu, solteira de longa duração, mais do que ninguém sei o quão pesado pode ser o celibato. Mas caramba, tens mesmo que abrir mão da tua dignidade só para teres um macho na tua vida? Não mereces ser tratada como algo mais que mero objeto sexual à mercê da luxúria alheia?

Ponto 10
Se queres mesmo muito encontrar um tipo porreiro que te valorize como mulher e ser humano, esquece o virtual e investe no real. Vai para a rua meter conversa com quem te possa olhar nos olhos e dizer-te o quanto és importante para ele. Eu sei que é difícil, mas deve existir algures um homem que te possa tratar como algo mais que comida, a que ele só deita a mão para saciar uma das suas necessidades biológicas mais primitivas. 

Se, do fundo do teu coração, sabes que só queres dar o corpo ao manifesto a custo zero então o Tinder é sítio certo para ti. Se não for esse o caso, poupa-te a ti mesma um mais que provável desgosto amoroso e um desgaste sentimental perfeitamente dispensável.

Vai por mim, o Tinder não é para amadores muito menos para românticos; é para predadores. Não é para os que buscam viver o amor, mas para os que buscam fazer amor. Ali não há romance, apenas sedução. Não há emoção apenas tesão. Não há encanto apenas ansiedade. Ali vale tudo, exceto esperar amor.

Até breve e nada de Tinder !

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Viva!

A propósito dos tais programas televisivos que tanto deram que falar na semana passada e que até cheguei a comentar no post Os "dating shows" são decadentes, contudo viciantesa seguidora NV acedeu partilhar connosco a sua perspetiva deste tema que não se esgota na sua futilidade:

Podia ser uma segunda-feira como outra qualquer... Daquelas cinzentonas, pesarosas, difíceis de digerir. Ou podíamos ser ainda alimentados pelos restos requentados do Conan, da Cristina, do Marcelo ou do futebol. Mas não... explodiu nas redes sociais a partir de uma bolha de fluídos suspeitos depois de uma orgia domingueira em frente à caixinha mágica.

Egos inflamados pelos valores, pelo correto, pelo errado, pelo feminismo, pelo machismo, pela falsa moral, a masturbarem palavras em manifestações de exibicionismo. Eis os senhores da virtude e da razão (virtual). E a razão? Dois programas televisivos, gémeos, separados à nascença. Ambos diferentes e simultaneamente semelhantes, saídos da National Geographic, a retratarem alguns espécimes da nossa sociedade através dos mais vincados estereótipos, ora no seu estado mais natural, com aroma a PVC, ora com um cheiro mais urbano e bairrista, com fêmeas alpha a fazerem de mãe e a revelarem, logo de caras, a razão dos filhos estarem solteiros.

Afinal, nada anormal para quem já utiliza o sentido de observação no dia-a-dia e lida com os frequentadores dos cafés lá da zona, daqueles onde se fala dos romances da bola e onde se "abancam" os "experts" da geopolítica estratégica mundial da batata, frequentadores de transportes públicos onde se ouvem os desabafos de dramalhões infindáveis, enquanto a vizinha do lado lê a TV 7 Dias, ou quando se visitam os cabeleireiros de bairro, onde as minas disparam bitaites com mais rapidez do que o Marcelo lê um livro, revelando uma capacidade multitasking fenomenal ao falar do novo namorado da filha da vizinha, da toilete que a princesa Meghan usa, ao mesmo tempo em que vendem um creme da Oriflame.

A sociedade fast-food pariu o pseudoamor, instantâneo e descartável, superficial, que nos deixa esfomeados e sequiosos de outra coisa qualquer assim que damos a primeira trincada numa atração de borracha. O desespero cria o sonho idílico que o amor pode estar nas coisas simples da vida e que talvez entre ovelhas e cabras se pode afinal encontrar um sapo que se transformará em príncipe, ou que uma sogra poderá ser a fada madrinha que oferecerá o seu mais-que-tudo que não sabe cozinhar ou passar a ferro, mas com um laçarote no topo.

Desenganem-se as alminhas puras e inocentes se realmente pensam que ali poderão encontrar o verdadeiro amor. Este será apenas um meio para atingir os seus fins, e basicamente todos saem a ganhar. Os próprios sabem isso. Aguçados pela sede de audiências, os canais apenas revelam de forma pornográfica (leia-se bruta e explícita), a realidade da nossa sociedade e do nosso querido Portugal…

E manifestam-se então as criaturas virtuosas das redes sociais ou as politiqueiras de serviço, que se degladiam com espadas de cartão face aos moinhos da pimbalhice, enquanto deixam escorrer uma pinguinha de azeite pelas pernas abaixo de tamanha excitação... Afinal, têm pezinhos de barro como qualquer um dos mortais, e também lhes corre um pouquinho de bimbalhice, parolice e pimba pelas veias, debaixo de toda aquela maquilhagem, silicone e roupa de marca. São as mesmas pessoas que não irão escolher um parceiro desdentado e obeso ou não irão querer a sua prole enrolada com atrizes de filmes para adultos. Oh, santa demagogia que abençoaste esta malta.

Desejo-te uma semana cintilante!

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Viva!

Já que só se fala disso, eu também quero dar bitaite sobre a polémica do momento, apesar de (ainda) não ter estabelecido qualquer contacto visual com nenhum dos elementos. Como já deves ter adivinhado, refiro-me aos novos dating shows, estreados domingo nos canais 3 e 4 da televisão portuguesa.

Desde a primeira versão do Big Brother, já lá vão quase duas décadas, que sou assumidamente abstémia no que toca ao consumo destes conteúdos, a meu ver, mero lixo audiovisual, ou telelixo para ser mais exata. Contudo, como profissional da comunicação formada e informada, que faz questão de estar a par do que acontece ao seu redor, leio sobre o assunto. E como! É assim que vou acompanhando o desfile de programas de entretenimento para adultos (sem bolinha vermelha, atenção), cada um mais decadente que o outro. E o que não me chega ao conhecimento por livre e espontâneo acaso, as redes sociais, as colegas e os amigos disso se encarregam.

Mais empolgante que devorar o disse-que-disse/escreve-que-escreve, é auscultar a reação alheia, venha ela de figuras públicas ou de personalidades anónimas. E o que mais tem abundado nas últimas trinta e tal horas são notícias, paródias, mas sobretudo, censuras sobre os programas Quem Quer Casar com o Meu Filho? e Quem Quer Namorar com um Agricultor?.

Para as Capazes, protagonistas de uma das reações mais ferozes que me chegou à vista, "a SIC pôs várias mulheres a competir para agradar a um macho", enquanto que a TVI "pôs várias mulheres a competir para agradar à mamã de um macho". "Lady na mesa, louca na cama… e serva na cozinha" parecem ser as chaves desta lotaria; seja ela qual for (amor, namorido, fama, dinheiro ou outra coisa qualquer).

Uma vez instalada a polémica, são cada vez mais audíveis as vozes contra estes formatos que, mais do que fazerem das televisões pseudoagências matrimoniais ou locais de speed dating, promovem uma imagem deveras degradante do papel da mulher na relação, na família e na sociedade.

A meu ver, ao mesmo tempo que se dá uma migração do engate, do território virtual para o território audiovisual, é flagrante a deturpação de valores como sensibilidade, bom senso e seriedade. Sobre os guarda-roupas, os roteiros e as personalidades das candidatas prefiro não emitir opinião para já, sob pena de incorrer no perjúrio do preconceito e dos estereótipos.

Atrevo-me é a dizer que, independentemente da motivação de cada um dos intervenientes (eu mesma quase concluí a minha candidatura ao Casados à Primeira Vista, lembras-te?), é inegável que o desespero parece ser o denominador comum. Desespero por mediatismo, desespero por encontrar o (verdadeiro) amor, desespero por subir audiências, desespero por aqueles 15 minutos de fama, desespero por coscuvilhice, desespero por atenção, desespero por desespero mesmo.

Por ora, remato o assunto nestes termos: estará a televisão a refletir-se na sociedade ou a sociedade a deixar-se refletir na televisão?

Até à próxima!

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