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Crónicas, contos e confissões de uma solteira gira e bem resolvida que não cumpriu o papel para o qual foi formatada: casar e procriar. Caso para cortar os pulsos ou dar pulos de alegria? Provavelmente, nem uma coisa nem outra!

woman-1439909_1920.jpgOra viva! ✌️ 

Um artigo da Holofote, datado de junho de 2016, dá conta de uma série de coisas que os solteiros não acham piada que os amigos lhes façam, não obstante toda a confiança e estima existente entre ambos. Na qualidade de solteira crónica, posso garantir que, ainda que saibamos reconhecer as suas boas intenções, muitas vezes eles mais atrapalham do que ajudam, quando tentam arranjar-nos um par.

Por acreditar que qualquer solteira, em algum momento da sua vida, tenha passado por algo semelhante, partilho contigo algumas atitudes que não matam mas são bem capazes de moer uma amizade. Ei-las:

Estarem sempre a fazer-nos "arranjinhos"
Contamos sair com um casal de amigos e, supresa, eles trazem um amigo a tiracolo. O que até parecia uma boa ideia torna-se motivo de embaraço, pois, de tão pouco subtil que é esta tentativa de emparelhamento, as duas pessoas ficam constrangidas, impossibilitanto uma interação descontraída. Sem falar que os nossos amigos, por mais íntimos que sejam, raramente sabem com exatidão que tipo de pessoa desperta o nosso interesse.

Sugerir que tentemos a sorte online quando sabem que não é a nossa onda
Há pessoas que estão perfeitamente à vontade com o engate online, mas outras nem por isso. Daí que seja um drama quando os amigos insistem que devem procurar alguém online. No meu caso, foi uma irmã que empurrou-me para este universo paralelo das relações amorosas. Hoje, depois de vários anos à caça na internet, estou cada vez mais convicta de que o amor não deve ser procurado, já que ele simplesmente acontece.

Pesquisar sobre alguém que acabamos de conhecer
Mal lhes contamos que conhecemos alguém, bombardeiam-nos com um verdadeiro inquérito policial: qual a sua aparência, quantos anos tem, que faz na vida, com quem costuma dar e, sobretudo, se está nas redes sociais. São incansáveis na procura e descobrem tudo e mais alguma coisa, coisas que, se calhar, preferíamos não saber, pelo menos não tão cedo. Existem aquelas amigas que até pedem amizade ao fulano, algumas sob um perfil falso, para poderem seguir todos os seus passos. Creepy!

Convidar-nos para uma saída só de casais

Esta então é deveras deprimente! Já passei por isso e jurei para nunca mais. Por mais boa onda que sejam os casais, a pessoa desemparelhada sente sempre que está a mais. Como se não bastasse o lugar ao seu lado estar vago, exibindo assim a sua "maldição" amorosa, ainda tem que dar uma de castiçal, assistindo aos beijinhos, abracinhos e arulhinhos que os pombinhos vão trocando entre si, como se de propósito o fizessem  com o intuito de fazer lembrar o que estamos a perder.

Achar que o Zé era mesmo um bom para nós
Lá porque acham que o fulano de tal é bom partido, isso não quer dizer que ele seja bom partido para nós. A pessoa até pode abarrotar predicados por tudo quanto é lado e nós simplesmente não sentirmos aquela química. Volta e meia, sou lembrada do quanto o Luís, com quem fiz uma tentativa há uns anitos, é o sonho de consumo de qualquer mulher. De nada parece adiantar eu explicar que nunca senti a mais pequena faísca perto ele. Tenho a sensação que, pura e simplesmente, fazem ouvidos de mercador, daí que continuem a atiram-nos à cara a oportunidade que perdemos.

Dizer que somos muito exigentes
Esta então é o pão-nosso-de-todo-o-dia. Não perdem uma oportunidade para fazer-nos sentir culpadas do nosso malfadado estado de solteirice, como se fosse uma doença que é preciso curar; pior, que é nossa culpa. Não se cansam de dizer que não sabem como é que uma rapariga tão gira e simpática não encontra ninguém, como é que os homens não percebem o Ferrari que somos, que não estamos a esforçar para conhecer alguém, que queremos o príncipe encantado e que estes já não existem, que somos irrealistas, que temos de baixar as expectativas, que isto, que aquilo, que aqueloutro. Fazem-nos sentir que temos de aceitar (e agradecer) o primeiro que nos aparecer à frente, que vale tudo menos permanecer solteira.

A estes amigos, que no fundo só querem ajudar, é preciso lembrar-lhes que às vezes uma mulher é solteira por escolha; sua escolha, não de outros. E que ter um par não é garantia de felicidade. Enfim...

Aquele abraço amigo e desejos de bom fim de semana!

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people-2557411_1920.jpgOra viva!

A minha vida continua aquela loucura que só eu sei, um corre-corre que parece alimentar-se da sua própria dinâmica. Ainda bem que já estou em contagem decrescente para as (habituais) férias de Natal. Este ano, a pandemia trocou-nos as voltas de tal modo que vi-me obrigada a abrir mão de estar com os meus, os quais, feliz ou infelizmente, vivem além-fronteiras. Por terras lusas terei eu que desvencilhar nas próximas semanas, o que não me agrada nada, vou já dizendo.

Como o que não tem remédio remediado está, mais vale conformar e tentar ver o lado bom da situação. 
Desabafo à parte, contigo partilho hoje um texto de Nelson Marques, publicado na edição online do Expresso, em junho de 2018, que versa sobre um tema particularmente interessante: a junção da amizade com o amor, resultando naquilo que o autor chama de amorzade. Deixo-te então com esta reflexão sobre se será (ou não) uma boa ideia namorar com um amigo.

A culpa desta geração que diz ser "inamorável" é das crianças. Ou melhor, é nossa quando éramos crianças. Lembram-se do tempo em que trocávamos bilhetinhos nas aulas ou no recreio da escola? "Queres namorar comigo?", perguntávamos. E lá inscrevíamos as três opções que a nossa paixão infantil devia considerar: sim, não, talvez. Na idade da inocência ainda não tínhamos percebido que o amor é incondicional. Ou sim ou não. Não há espaço para talvez.

O bom daquela idade é que ninguém tinha bagagem. Não havia feridas emocionais por cicatrizar, corações partidos à espera de quem os consertasse, fantasmas do passado que voltavam para nos assombrar. Éramos ainda folhas em branco, mas já disponíveis para as migalhas de um amor em suspenso. "Queres namorar comigo?" Talvez. Bastava isso para nos colocar um sorriso na cara.

Hoje já quase não se namora. Salta-se da discoteca ou do Tinder para a cama e em menos de duas semanas a combustão já se extinguiu, foi afinal fogo fátuo. Numa hora andamos nas nuvens, na outra já estamos a olhar por cima do ombro à procura de alguém melhor. Tão depressa nos deitamos a pensar que nada podia ser mais certo, como acordamos a ouvir "há dias em que penso que tudo o que faço é errado". O "não és tu sou eu" deu lugar ao "és uma pessoa incrível, mas tenho de me resolver a mim antes de nos resolver a nós". E quanto mais incrível for a pessoa, mais medo temos de falhar. Paralisamos. Em menos de nada, desistimos.

O amor tornou-se um jogo de tentativa e erro. Tentamos muito, mas acertamos pouco. E a cada nova tentativa, partimos com a armadura reforçada, para amparar o tombo. Já poucos aceitam saltar sem para-quedas, viver a sensação de queda-livre, mesmo que acabem estatelados ao comprido, para depois montarem os ossos do esqueleto, um a um, até estarem de pé de novo. Tornámo-nos a geração que tenta muito, mas arrisca pouco. Parece um contrassenso, mas não é. Para arriscar é preciso investir, como no tempo das paixões juvenis. Agora, desiste-se ao primeiro embate.

Esta geração de gente "inamorável", que diz ser feliz a viajar sozinha pelo mundo, mas que sonha com alguém com quem possa ver uma série de pijama no sofá, criou uma nova categoria de relacionamentos: as "nossas pessoas". "És a minha pessoa", dizemos, quase como uma declaração de amor. É o(a) amigo(a) que está lá sempre quando tudo o resto falha, a companhia para jantar, para ir ao cinema, para viajar. É o(a) namorado(a) com o qual não temos sexo. E de tanto estarmos com a nossa pessoa, esperando que ela um dia nos abra a porta, esquecemo-nos de olhar para outras. E nem percebemos que, por estarmos sempre acompanhados, não damos espaço a que se aproximem de nós.

E neste círculo vicioso, com pessoas cada vez mais magoadas, com mais cicatrizes, com cada vez mais receio de arriscar, talvez um dia olhemos para o lado e pensemos "Porque não?". Então, é muito provável que ouçamos "Não digas asneiras, somos só amigos". Mas será um erro assim tão grande? Se calhar quem tanto procurávamos esteve sempre ali ao nosso lado, como no tempo dos bilhetinhos da escola. Se ao menos tivéssemos coragem de escolher o "sim".

Aquele abraço amigo de sempre!

P.S. - Não te esqueças de votar em mim para blog do ano. A votação termina este domingo, pelo que ainda vais a tempo de fazer a diferença. Para fazê-lo só tens que clicar aqui e escrever o nome Ainda Solteira na caixa "Comentar", tal como esta imagem.

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Viva!

A amizade é um assunto que nunca se esgota. Não sei se alguma vez paraste para pensar como seria a tua existência sem os teus amigos. Eu já, e só de pensar sinto um aperto no peito e um frio na alma.

Uma das coisas que mais acuso nesta vida de forasteira é estar longe dos meus (verdadeiros) amigos, aqueles com quem partilho laços afetivos inquebrantáveis; a minha referência naquilo que sou e, sobretudo, naquilo que aspiro vir a ser.

Sempre fui uma pessoa sociável, não obstante muito reservada num primeiro momento. Era do tipo que chegava num sítio e gastava a primeira meia hora só a cumprimentar quem lá estivesse. Houve, inclusive, uma fase da minha vida em que me orgulhava descaradamente de ser uma das raparigas mais populares do meio. Isso fazia-me sentir importante, apreciada, cobiçada e invejada. Pura ingenuidade! Com o passar dos anos fui-me apercebendo que ser popular passa antes pela qualidade das amizades e muito pouco pela quantidade delas.

Dessa profusão de amizades, nos dias de hoje só sobraram pouco mais de uma dúzia de amigos na verdadeira aceção da palavra: pessoas sinceras e leais com as quais posso, de facto e de direito, contar, sobretudo nos momentos menos bons. Por este, aquele ou aqueleoutro motivo, ao longo dos anos as tais dezenas de amizades foram caindo por terra, as máscaras arrancadas, as verdadeiras faces reveladas e a fealdade dos sentimentos emergida.

A uma frequência acelerada e de uma forma impiedosa, a vida foi-me mostrando que o facto de uma pessoa se dizer tua amiga não quer dizer necessariamente que o seja. Pelo contrário! Lembras-te da estória da pshyco da minha ex-senhoria de que te falei no post Stalkers: cuidado que eles andam aí e quando menos esperares...? Aquele foi tão somente um dos últimos coices desferidos por pseudoamigos; ainda ontem fiquei a saber que um outro a quem ajudei a conseguir trabalho na mesma instituição onde eu presto serviços está a fazer por ficar com o meu lugar. Com amigos assim há matéria para "cronicar" o resto da vida...

É justamente a esse tipo de humanos que eu chamo de amigos acessórios, perfeitamente dispensáveis, mas necessários quando precisamos enfeitar a nossa vida social. Já houve uma altura em que, no auge da desilusão, os bani completamente da minha convivência. Houve outras em que, no pico da solidão, prefiri tê-los por perto a não ter ninguém. Hoje, mais sábia, menos ingénua e muito mais calculista, prefiro tê-los por perto quando me convém e mandá-los à merda quando não. Por algum motivo se diz: "Mantém os amigos perto e os inimigos ainda mais!"

Hoje em dia me dou com quem quero, quando quero e nos termos que eu definir. Não tenho qualquer escrúplulo em reclamar a presença tipo de amigos se isso for do meu interesse, nem que seja uma simples noitada ou um favor. Quando não me servirem para coisa nenhuma reduzo-os à sua insignificância. 

Carregada de razão está aquela máxima de que "há amigos e amigos". Os amigos acessórios são perfeitamente dispensáveis, mas necessários quando, à falta de coisa melhor, queremos enfeitar a nossa vida. No fundo, são uma espécie de bobos da corte a quem confiamos a missão de nos entreter quando estamos aborrecidos, deprimidos ou carentes.

Até breve!

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11846778_1019786801394883_8569342396608080969_n.jpViva!

Acometida de mais um daqueles momentos de pura desinspiração (daí não ter aqui dado a cara ontem), valho-me de um artigo publicado hoje no Notícias ao Minuto a propósito de algumas dicas sobre como fazer amigos depois de adulto. Nem de propósito, pois ainda esta manhã estressei-me com uma amiga de longa data, o que me deixou murchinha murchinha. Adiante...

Boas amizades valem ouro. Pessoalmente, dou mais valor às amizades do que aos laços familiares e/ou amorosos. Ao contrário da família, com quem muitas vezes só se partilha os genes, os amigos são parentes de coração, aqueles que escolhemos livre e espontaneamente para fazerem parte da nossa vida.

Além do papel crucial que desempenham na nossa identidade, no nosso sentimento de pertença e nosso bem-estar geral (vulgo, felicidade), atesta a ciência que a amizade contribui ativamente para que tenhamos uma vida mais saudável e longa. Isto porque ela diminui a pressão sanguínea e o stress, reduzindo o risco de depressão e aumentando a longevidade, em grande parte por termos alguém a olhar por nós.

Infelizmente, assim que entramos na idade adulta o nosso número de amigos começa a minguar até se fixar nuns quantos, perfeitamente cabíveis numa mão. A azáfama do quotidiano, as distâncias geográficas, as exigências profissionais, as relações amorosas e os filhos são os principais motivos que determinam essa diminuição do leque de amigos. Outro motivo relevante é a maturidade, uma vez que ela nos torna mais selectos, mais conscientes do que queremos para a nossa vida e mais perspicazes em relação aos outros, em suma mais sábios. Daí que a quantidade acabe por ceder lugar à qualidade.

Quando mais novos, fazer amigos era tão natural ao ponto de cada interação social resultar, quase sempre, numa nova afeição. Começava na vizinhança, passava pelos jardins infantis, chegava à escola, alcançava a universidade e até atingia o trabalho. Agora que somos emancipados, donos e senhores do nosso destino, parece cada vez mais difícil encetar amizades sinceras e duradouras. 

A respeito disso, os especialistas apontam algumas atitudes capazes de nos ajudar a conectar mais pessoas e a construir novas amizades:

1. Estar atento
A amizade é essencialmente uma relação de partilha, razão pela qual devemos estar atentos, recetivos e interessados nas pessoas ao nosso redor. Mais do que querer fazer novos amigos, é preciso tomar a iniciativa, mostrar vontade de conhecer o outro e estar disposto a dar-se a conhecer.

2. Frequentar lugares de interesse
Ir a sítios de que gostamos aumenta as probabilidades de nos cruzarmos com pessoas com gostos e interesses convergentes aos nossos, ou seja pessoas com as quais nos identificamos mais, o que pode a priori pode ser garante de uma boa amizade.

3. Ser constante
Participar regularmente em atividades coletivas (ginásio, teatro, espetáculos, bares, discotecas ou até mesmo o café do bairro) pode revelar-se uma excelente oportunidade para conhecer novas pessoas, um ótimo pretexto para se estabelecer novos e promissores laços sociais.

4. Ajudar os outros
Ser solidário com quem precisa é meio caminho andado para o início de uma boa amizade. Seja um vizinho precisado de uma sopa quentinha, seja uma colega necessitada de um ombro amigo, seja um desconhecido  ansioso por um apoio, um gesto amigo fica sempre bem na hora de conquistar afetos.

4. Sorrir
Ainda que o seu (real) poder possa ser relativizado, a verdade é que o sorriso faz milagres quando se trata de estabelecer contacto interpessoal. Além de nos fazer parecer mais simpáticos e interessantes, quebra o gelo, gera empatia, cativa corações e encoraja o destinatário a retribuir. Quando sorrimos para os outros mostramos que estamos recetivos a uma aproximação, logo a uma nova amizade.

5. Esforçar-se para criar uma conexão
Quando partilhamos algo íntimo sobre nós, transmitimos confiança ao outro para que baixe a guarda e nos veja como alguém digno de confiança. Dado que uma amizade exige empatia, partilha e reciprocidade, um pouco de esforço na hora de criar assunto cai sempre bem.

Meu bem, estas dicas, apesar de muito pertinentes, de pouco servirão se não estiveres disposta a deixar entrar alguém novo na tua vida. A amizade não se materializa num passe de mágica; ela constrói-se a cada dia, a cada contacto, a cada partilha, a cada interação. Com isso quero te prevenir para o facto de as dicas abordadas nesta crónica não se converterem automaticamente numa nova amizade. Contudo, se fizeres a parte que te cabe, acredita que os outros vão-se esforçar para te ter na suas vidas. Depois é só uma questão de tempo até que a conexão comece a ser construída e continue a crescer gradualmente, rumo a uma estima para a vida toda.

Despeço-me com votos de uma radiante pausa semanal, bem como novos, sinceros e duradouros amigos!

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18
Jan18

11898873_1024076277632602_7630826223548091080_n.jpViva!

Hoje quero partilhar contigo uma crónica de Jorge Alas, publicada há coisa de três anos no caderno P3, sobre as amizades, mais concretamente sobre toda a logística que a sua gestão implica, assim como o desgaste emocional a ela inerente. Desnecessário será dizer que as compensações são infinitamente prazerosas.

Vale a pena lê-la, mais não seja porque nos leva a uma autoanálise de algumas afetos que se perderam pelos corredores da vida e que, talvez, valham a pena serem resgatados. No meu caso, tenho um que deixou um buraco no peito que não há maneira de conseguir tapá-lo.

Os amigos fazem-nos bem. Mesmo que à distância, fazem-nos bem. O simples facto de sabermos que há amizades que resistem às barreiras espaciais e aos hiatos temporais reconforta-nos o espírito. Queremos, por isso, preservar essas amizades, dedicar-lhes tempo e mantê-las tão próximas quanto possível. Geri-las é um desafio que se impõe.

Todos temos amigos, sejam dos tempos da escola primária, do secundário, da licenciatura, do mestrado, de outras faculdades, da rua, do café, do desporto ou de outras atividades e andanças. Estar com todos eles exige uma ginástica considerável. Temos, inevitavelmente, de medir o custo de oportunidade e fazer as nossas escolhas. Há épocas do ano em que passamos mais tempo com um grupo de amigos do que com outros, situação que será, naturalmente, compensada noutra altura.

Tomar café com um grupo de amigos impede-nos de ir ao cinema ou beber uns copos com outro grupo, assim existam essas oportunidades simultâneas. Fora isto, ainda há que contar com os compromissos inerentes à família, ao estudo e/ou ao trabalho. É uma ciência combinatória complexa para quem tem pouco tempo livre, mas que gosta de estar em constante contacto com os amigos. O equilíbrio entre a atenção e a compreensão é fundamental e, tal como gostamos de estar satisfeitos com os nossos amigos, também desejamos que eles estejam satisfeitos connosco, numa espécie de relação simbiótica.

Não raras são as vezes em que queremos estar com todos os nossos amigos sem poder estar com nenhum. E mesmo quando podemos, é quase impossível juntá-los a todos num jantar ou convívio, devido aos compromissos de cada um ou por haver incompatibilidades entre eles. Com efeito, é um aborrecimento haver zangas e discussões entre amigos por motivos quase insignificantes e facilmente ultrapassáveis. Mais difícil de aceitar e perceber é quando essas zangas não são resolvidas e se tornam definitivas. Com uma boa conversa e com um momento de razão depois da emoção, todas essas “tempestades em copos de água” deveriam ser sanadas. A não ser que o motivo seja demasiado grave, não vejo razões para que bons amigos se zanguem, se desinteressem, se afastem e se esqueçam.

Por vezes, quando o mais miudinho dos obstáculos parece capaz de incendiar ou apagar as memórias de uma amizade de anos, é necessária a intervenção de um mediador, juiz ou apaga-fogos, para evitar males maiores. Há que manter o interesse mútuo para cimentar uma boa amizade, porque bons amigos são aqueles que podemos estar sem ver durante meses ou anos, por exemplo, sabendo que o reencontro vai ser uma festa desmesurada e que a conversa consequente vai ser uma agradável e plena cavaqueira.

Se os nossos círculos de amizade coexistissem todos em harmonia seria bem mais fácil de os gerir. Mas também podia ser muito menos desafiante e recompensador. É como é.

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02
Nov16

Afetos que curam

por Sara Sarowsky

pictures-for-friends.jpgPorque nem só de lamentos é feita a minha existência, hoje é dia de partilhar uma bonita e comovedora manifestação de afeto de uma amiga, que me chegou pelas "mãos" do Mr. FB. Ora lê e depois diz-me se não é uma verdadeira injeção de ânimo.

Oh minha amiga,
Sabes, pode não parecer, mas sinto remorsos por não te procurar mais vezes, por, com alguma frequência, me "demitir" do sentimento de responsabilidade que tenho por ti, por imaginar que precisas muito mais das minhas palavras que eu das tuas, isto porque, eu aprendi desde muito cedo a viver na adversidade e imagino sempre que tu não, que foi a vida que te colocou nessa situação de por vezes estares tão em baixo e a precisar de uma mão que te puxe.

Quero dizer-te que se não te procuro mais vezes não é porque não pense em ti, não é porque não precise de ti na minha vida, não é porque não faças a diferença entre o ter-te e o não ter-te... não, é tudo ao contrário, gosto de ti, gosto de saber que gostas de mim, gosto de saber que se precisar de uma palavra amiga, posso ir buscá-la em ti porque não a negarás, nunca!

Acontece Lego, que demasiadas vezes ao longo da minha vida precisei de ser só minha, ser só para mim, estar só comigo, ouvir-me, falar-me, rejeitar-me e reconquistar-me ... demasiadas vezes precisei de me resgatar emocionalmente e isso só tem sido possível comigo mesma e em mim mesma... infelizmente não tenho conseguido deixar-me resgatar por outros que não os que vivem em mim. E é por isso que às vezes fico longe, quieta a deixar o tempo passar, porque se não estou positivamente bem que contributo vou dar a quem precisa de ânimo?

Geralmente estou sempre bem, aprendi a relativizar quase tudo e como tal não amo demais, mas também não sofro demais e assim mantenho-me à tona da vida.

Tudo isto para te dizer que, embora esteja há semanas sem te dizer nada, isso não quer dizer que não pense sempre em ti e fico triste e com remorsos ao ler a tua última crónica.

Também quero repetir aquilo que já te disse outras vezes, o tempo é o senhor de todos os momentos, os bons, os maus e os menos bons e a sabedoria que o sr. tempo nos passa é que devemos respeitá-lo e deixá-lo fazer o seu trabalho de cura dos momentos maus e dos menos bons. Desejo-te um dia e dias tranquilos e serenos na rota da felicidade ou pelo menos no caminho da conquista. Beijosss.

De facto, os afetos (quase) tudo curam e o que não curam, pelo menos, ajudam a sarar. Depois dessa o desânimo deu lugar à esperança, a tristeza cedeu vez à motivação e a confiança que andava perdida recuperou o rumo. Amanhã há mais: mais dia, mais vida, mais oportunidade, mais expectativa, mais sonho.

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24
Mai16

les-series-tele-qui-font-grandir-lamitie---desperaHá uns tempos atrás li um artigo que dizia que a ciência tinha comprovado que as pessoas com mais amigos são mais resistentes às amarguras da vida. Lembro que na altura até achei a tese interessante, mas não lhe dei grande importância. Hoje, a propósito da conversa com uma colega sobre o valor da amizade, fui resgatar o dito artigo, que agora partilho contigo.

Uma investigação publicada no jornal Scientific Reports assegura que as pessoas com círculos de amigos mais extensos são mais tolerantes à dor. A explicação para tal parece estar no cérebro e na libertação de endorfinas, químicos naturais que aniquilam a dor e que são produzidos pelo corpo humano, sendo igualmente responsáveis pela sensação de bem-estar e conforto.

"Numa dose equivalente, as endorfinas são mais potentes do que a própria morfina", explica Katerina Johnson, aluna de doutoramento na Universidade de Oxford e coautora deste estudo que se debruça sobre as redes interpessoais e os seus efeitos nos limites da dor. "O comportamento social e as ligações a outros indivíduos são realmente importantes para a nossa sobrevivência, seja estar com os nossos pais ou filhos, ajudar os outros ou ajudar alguém a defender-se", exemplifica Johnson.

A ter interpretado bem esta teoria, redes de amizades mais abrangentes estão associadas a uma maior tolerância à dor. Agora a pergunta que não quer calar: por onde andava a minha rede de amizades quando andei a deambular pelas tortuosas, obscuras, amargas e solitárias ruas da depressão há uns anos atrás?

Lembrei-me! Fui eu que os afastei porque não suportava a ideia de me virem tão acabada, tão pequena, tão desesperançosa. Achava que se presenciassem a minha dor iriam ver-me como alguém fraco e merecedor de pena. Erro gravíssimo, pois hoje tenho a certeza de que o meu fardo teria sido bem mais leve se o tivesse partilhado em vez de guardar tudo cá dentro só para mim.

Fica a dica: nós somos um ser social, por isso não devemos isolar-nos, muito menos quando a nossa alma padece e o nosso coração sangra. Não é à toa que se costuma dizer: "alegria partilhada, alegria a dobrar. Tristeza partilhada, meia tristeza!"

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23
Fev16

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Os conselhos de hoje sobre como ser solteiro ficam por conta d'A Gaja, pelos vistos uma especialista na matéria, já que conta com, pelo menos, um livro editado, milhares de seguidores nas redes sociais e presença assídua nos media nacionais.

Continua a haver um estigma social, quando chegamos aos 30, em relação às pessoas (sobretudo às mulheres) que não são casadas/têm namorado/companheiro. Como se fosse condição sine qua non, chegados a uma determinada faixa etária, estar emparelhado com alguém. Eis algumas dicas úteis para assumirem sem vergonha a vossa "singlearidade" e viverem bem com isso.

1. Façam coisas sozinhos
Fico completamente abismada com a quantidade de pessoas que se sentem constrangidas com o simples ato de irem sozinhas ao cinema ou jantar a um restaurante. Muitas vezes esses tais olhares reprovadores só existem na nossa cabeça. Por isso, percam o medo (nem que seja um medo de cada vez) e experimentem fazer algo que gostam sem companhia: pode ser ir ao ginásio, às compras ou mesmo viajar.

2. Não saiam com merda
É impressionante a quantidade de gente que – como diz a minha mãe – se contenta com a primeira merda que aparece. Eu sei que a perspetiva do desespero distorce a realidade e que, através dessas lentes, até o mais cabrão-filho-puta-chupista-encornador pode parecer um príncipe encantado. Sejam seletivos.

3. Não se afastem dos vossos amigos
O mais normal é que, nesta altura do campeonato, muitos dos vossos amigos estejam casados e/ou com filhos pequenos. Deixem-me dar-vos uma pequena novidade: eles não fizeram isso para vos tramar. É a vida a acontecer. Por isso, não usem o vosso estado civil como arma de arremesso. Se forem mesmo amigos dos vossos amigos, mantenham o contato. Ok? Em vez de shots de vodka vão mandar abaixo fatias de bolo de aniversário e ajudar a preparar biberões. Mas faz parte. Um dia eles farão isso por vocês.

4. Ignorem os haters
Há sempre gente que, por mais bem-intencionada que pareça, gosta sempre de soltar o seu "como é que alguém como tu está sozinha?" ou o mais agressivo "não gostavas de casar"? Estes comentariozinhos, que normalmente vêm de gente com a mania de se meter na vida dos outros, devem ser categoricamente ignorados. E se as pessoas que vos são mais próximas insistem em proferir alarvidades destas sugiro que arranjem novas companhias. É que gente dessa não interessa nem ao menino Jesus.

5. Cuidem de vocês
Seja em termos físicos, seja em termos emocionais, espirituais ou mesmo profissionais, é imprescindível não fazerem depender a vossa felicidade de terceiros. Não se pendurem na ideia de uma relação, de alguém novo que possa aparecer na vossa vida para se inscreverem no ginásio, começar uma dieta, procurar um emprego melhor ou marcar, finalmente, aquela consulta num psicólogo. Se vocês se colocarem num lugar secundário, qualquer pessoa que entre na vossa vida vai tratar-vos dessa forma. E, já sabem como é que se diz: merda atrai merda. Não se tratem como merda.


Quem fala assim não é gaga, é Gaja. Acham que deva convidá-la como consultora estratégica para este (nosso) blog?

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15
Dez15

É preciso ir embora

por Sara Sarowsky

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Esta manhã recebi uma mensagem de uma subscritora deste (tão nosso) caderno digital com a sugestão de publicar o texto que abaixo se segue. Como foi importando diretamente de um blog brasileiro, tomei a liberdade de proceder à sua edição, isto é traduzir para o português de Portugal. Obrigada querida Dalila por este teu contributo, que com toda a certeza vai enriquecer (ainda) mais o Ainda Solteira.

 

Ir embora é importante para que entendas que não és tão importante assim, que a vida segue, com ou sem ti por perto. Pessoas nascem, morrem, casam, separam e resolvem os problemas que antes acreditavas só tu poderes resolver. É chocante e libertador – ninguém precisa de ti para seguir vivendo. Nem tua mãe, nem teu pai, nem teu ex-patrão, nem tua pegada, nem ninguém. Pode parecer parvoíce, mas a maioria de nós tem uma noção bem distorcida da importância do próprio umbigo – novidade para quem sofre deste mal: ninguém é insubstituível ou imprescindível. Lida com isso.

É preciso ir embora.

Ir embora é importante para que vejas que és muito importante sim! Seja por dois minutos, seja por dois anos, quem sente a tua falta não sente menos ou mais porque te foste embora – apenas sente por mais tempo! O sentimento não muda. Algumas pessoas nunca vão esquecer do teu aniversário, estando aqui ou na Austrália. Essa conversa de "que saudades de ti, temos que combinar um dia destes..." é treta. Quem sente a tua falta vai sempre sentir e agir. E não te preocupes, pois o filtro é natural. Vai haver sempre aquele seleto e especial grupo que vai terminar a frase "que saudade de ti…" com "por isso mando-te este áudio"; ou "porque está tocando a nossa música", ou "então comprei uma passagem" ou ainda "desce agora que estou passando aí".

Então vai embora. Vai embora do trabalho que te atormenta. Vai embora daquela relação que sabes que não vai dar certo. Vai embora "do grupinho" que está presente apenas quando lhe convém. Vai embora da casa dos teus pais. Do teu país. Da sala. Vai embora. Por minutos, por anos ou para vida. Ausenta-te, nem que seja para te encontrares a ti mesma. Quanto voltares – e se voltares – vais ver as coisas de outra perspetiva, lá de cima do avião.

As desculpas e pré-ocupações sempre vão existir. Basta decidires encarar as mesmas como elas realmente são – do tamanho de formigas.

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24
Out15

Com que então sou uma PAS

por Sara Sarowsky

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Depois de ter lido um artigo sobre os dons das pessoas altamente sensíveis (PAS), publicado há dias no site Conti outra, se dúvidas houvesse em relação à forma como vivencio as coisas, particularmente como a elas reajo, estas acabam de dar o seu último suspiro. Pelos vistos, ser uma PAS é algo inerente à minha maneira de ser e sendo assim mais vale parar de martirizar-me por ser como sou, coisa que tenho feito toda a minha existência. Cada um é como é, e esta pessoa aqui está longe de ser a exceção.

 

Finalmente consegui encontrar respostas mais do que satisfatórias às perguntas com as quais venho martelando a minha mente desde que me lembro por gente: por que eu vejo as coisas de forma diferente dos demais? Por que sofro mais que as outras pessoas? Por que encontro alívio na minha própria solidão? Por que sinto e vejo coisas que os outros não percebem?

 

1. O dom do conhecimento interior

O conhecimento das emoções é uma arma poderosa, que nos faz entender melhor as pessoas, mas também nos torna mais vulneráveis à dor e ao comportamento dos demais. A sensibilidade é uma luz resplandecente que faz com que tenhamos que estar sempre a levar com comentários do tipo: "levas tudo demasiado a sério", ou então "és muito sensível".

 

2. O dom de desfrutar da solidão

As PAS encontram prazer nos momentos de solidão, uma vez que são seres criativos que gostam de música, leitura, hobbies…. Isso não significa que não gostemos da companhia dos outros, mas sim que também sentimo-nos felizes sozinhos. Não tememos a solidão, pois é precisamente nesses momentos que conseguimos conectar-nos connosco e com os nossos pensamentos, livres de apegos e olhares curiosos.

 

3. O dom de viver com o coração

Pessoas como eu vivem através do coração. Vivemos intensamente o amor, a amizade e sentimos muito prazer com os pequenos gestos do dia a dia. Estamos mais propensas ao sofrimento, já que temos uma tendência a desenvolver depressão, tristeza e vulnerabilidade frente ao comportamento dos outros. No entanto, vivemos o relacionamento afetivo com muita intensidade, seja ele amor, amizade, simpatia ou mera empatia.

 

4. O dom do crescimento interior

A alta sensibilidade não pode ser curada. A pessoa já nasce com essa caraterística e esse dom manifesta-se desde criança. Não é fácil viver com esse dom. No entanto, se reconhecermos isso devemos aprender a administrar essa sensibilidade. Não deixar que as emoções negativas nos desestabilizem e nos façam sofrer é imperativo. Mais vale entendermos de uma vez por todas que os outros têm um ritmo diferente do nosso. Muitas vezes eles não vivem as emoções tão intensamente quanto nós gostaríamos, mas isso não significa que nos amem menos; é somente uma forma diferente de vivenciar as emoções.

 

Fazer parte dos 20% dos mortais que se reconhecem como altamente sensíveis não é para todos, por isso paremos de encarar este facto como uma desvantagem e menos ainda um estigma. Talvez seja mesmo um dom e portanto há que saber usá-lo a nosso favor, por forma a encontrarmos o melhor caminho para sermos e estarmos felizes. Connosco e com os outros.

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