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Crónicas e confissões de uma rapariga gira e bem resolvida que (ainda) não cumpriu o papel para a qual foi formatada: casar e procriar. Caso para cortar os pulsos ou dar graças? Talvez nem uma coisa nem outra!

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Viva!

 

Há coisa de uma hora saiu o anúncio oficial com o resultado das votações aos Sapos do Ano. O Ainda Solteira foi considerado blog do ano na categoria Sexualidade, como poderás comprovar pelo comunicado original:

 

O prometido é devido e hoje cá estamos para vos dar os resultados.

Mas antes...

Queremos deixar aqui os nossos sinceros parabéns aos nomeados, aos finalistas e aos vencedores, principalmente àqueles que não recorreram a estratagemas nem inventaram emails para terem mais nomeações/votações. Honestamente, e como já manifestamos anteriormente, não percebemos o que levou alguns bloguistas a isto, dado que o prémio final dos Sapos do Ano é apenas isto: uma indicação no post de hoje e, talvez, mais alguns visitantes durante o dia de hoje. Depois, se não tiverem qualidade os visitantes não vão regressar e vocês ficam exactamente como estavam antes.

Esta foi a única coisa que nos entristeceu nos Sapos do Ano 2018: haver quem tenha deturpado todo o conceito, achando que ia ganhar mundos e fundos, esquecendo-se que se estavam a enganar a eles próprios porque, realmente de valor, é quem ganhou por mérito e não por estratagema.

Dito isto (que não poderia deixar de ser afirmado de novo), queremos também agradecer a todos as palavras de apoio e de incentivo que nos deram. O nosso mundo ficou certamente mais colorido por vossa culpa. Nós fomos, certamente, os grandes vencedores e nunca vos poderemos explicar o quanto foi bom estar deste lado. 

Fica aqui a nossa promessa. Em 2019 cá estaremos de novo. Marquem nas vossas agendas!

Cremos, no entanto, que não foi para isto que nos vieram visitar hoje. Supomos que queiram saber quem foram os vencedores do Sapo do Ano 2018. E por isso, sem mais demoras ou delongas, senhoras e senhores, meninas e meninas, uma salva de palmas para:

Amigos dos Animais - vencedor na categoria Animais

Mamã Paleo - vencedor na categoria Culinária

Geração Benfica - vencedor na categoria Desporto

Educar com Vida - vencedor na categoria Educação

Ser Super Mãe é uma treta - vencedor na categoria Família

Olhar d'Ouro - vencedor na categoria Fotografia

Desabafos da Mula - vencedor na categoria Generalista

Pequeno Caso Sério - vencedor na categoria Humor

Gadget Man - vencedor na categoria Inovação e Tecnologia

Contos da Menina Mulher - vencedor na categoria Lifestyle, Moda e Beleza

Stoneartbooks - vencedor na categoria Livros

Itugga - vencedor na categoria Opinião

Delito de Opinião - vencedor na categoria Política e Economia

Descontos - vencedor na categoria Poupança

Uma Barriga Renovada - vencedor na categoria Saúde

Ainda Solteira - vencedor na categoria Sexualidade

Mais uma vez, parabéns a todos!

 

Faltam-me palavras para descrever o caleidoscópio de emoções que assolam o meu espírito neste momento. Bem que estava a precisar, depois de um fim de semana marcado pelo falecimento da minha querida avó. Acredito, de todo o coração, que ela intercedeu por mim junto do staff celestial.

 

Muito muito, muito mesmo, obrigada a cada um de vós pelo vosso preciso clique. Sou imensamente grata por ter tanta gente que aprecia e valoriza a minha escrita. A vós devo esta distinção. Sois a razão de existir deste blog.

 

Um agradecimento muito sentido à minha tribo de Cabo Verde, que pôs o arquipélago todo a votar; aos meus colegas de trabalho e, especialmente, às minhas amigas do peito, que foram os melhores mandatários que o AS poderia ter. Um abraço especial à Magda e ao David por esta espetacular iniciativa, um selo de qualidade na blogosfera nacional. Obrigada por tudo.

 

A vitória é de todos nós!

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14
Dez18

Last minute vote

por LegoLuna

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Viva!

 

Amanhã é dia 15 de dezembro. Sabes o que isso significa? Significa que é o dia em que termina prazo para as votações nos Sapos do Ano. Neste último dia de campanha eleitoral, apelo ao teu voto de última hora embalada por esses versos do Agostinho da Silva, citado pelo seguidor MM:
Eu não voto por rótulos. (...)
Eu não quero saber das campanhas eleitorais para nada.
Eu quero saber das ideias que as pessoas têm e da maneira como depois as vão defender e praticar.

 

Conto contigo para eleger o AS como blog do ano na categoria Sexualidade. Vota e põe os teus a votar, que cada voto é um passo em direção à vitória. Não te esqueças que sou a primeira opção da última categoria (mesmo mesmo no final da página).

 

Obrigada e até breve!

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10
Dez18

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Viva!

 

Parafraseando o apresentador do Alta Definição, intenta esta crónica descortinar até que ponto os olhos são, de facto e de direito, o espelho da alma. Cansados estamos nós de ouvir tal coisa, sem que ninguém nos demonstre, por a+b, qual a percentagem de sinceridade que cada um de nós deposita do seu olhar.

 

Sequer atrevo-me a questionar tal dito popular, até porque a sua veracidade está ao alcance da nossa vista. O que questiono é a qualidade desse reflexo, absolutamente refém do estado de manutenção/conservação do espelho e da mestria de cada ser em deixar transparecer, não só o que lhe vai na alma, mas essencialmente o que lhe apetece e lhe convém. Esta lógica não está a fazer muito sentido para ti? Não te apoquentes, que já desconstruo esta minha teoria.

 

Antes de mais, permite-me esta pequena reflexão: olhamos e somos olhados o tempo todo, desde o dia em que nascemos até o dia em que damos por concluída a nossa missão carnal nesta vida. Mais fácil conseguimos controlar todos os demais sentidos – que já não são apenas cinco como nos foi ensinado toda a vida – do que o nosso olhar. Podemos domesticá-lo, espartilhá-lo e até censurá-lo, mas subjugá-lo por completo, jamais! Agrada-nos? Olhamos! Desagrada-nos? Olhamos na mesma! E esta máxima aplica-se a pessoas, objetos, lugares e acontecimentos.

 

Sabes porque isso acontece, porque é tão difícil deixarmos de olhar para o quer que seja? Porque o olhar é o meio mais imediato e eficaz, no fundo instintivo, de que dispomos para interagirmos com o que nos rodeia. Quando olhamos, olhamos o mundo. No caso das pessoas, que é para onde pretendo direcionar esta crónica, quando olhamos para os seus rostos vemos lá refletidos gerações passadas, tradições, culturas, realidades, crenças, valores, experiências, vontades, expectativas, sonhos e futuro. E sentimentos, acima de tudo. Quando olhamos para o mundo, através das pessoas, vemos um mundo de afetos, de gentes e locais inesquecíveis. Um mundo imenso, infinito, profundo, misterioso e, muitas vezes, inescrutável.

 

É neste contexto que a tal máxima de que os olhos são o espelho da alma faça todo o sentido. Eu acredito que de facto assim seja. Só que existem almas tão imundas, tão carecidas de limpeza, restauro e polimento, que o seu reflexo de nítido pouco ou nada tem, ao ponto de dificilmente conseguirmos descortinar o que realmente lhes vai na alma. No fundo, não passam de almas encardidas, algumas com nódoas reversíveis outras nem por isso.

 

Ao longo da minha vida, tive o desprazer de cruzar com algumas delas. A umas topei logo de caras qual a real natureza da sua índole; a outras, para mal dos meus pecados, só me apercebi demasiado tarde, quando a fatura já era demasiado alta para conseguir liquidá-la a pronto pagamento. Acredito que a pouca experiência de vida e uma bondade inata tenham sido nessas alturas péssimas conselheiras.

 

Hoje sei que os olhos nem sempre dizem a verdade. Também sei que muitos dominam a arte de gerir o olhar consoante a sua conveniência. De forma matreira, astuciosa e até perversa, são capazes de nos envolver numa sequência de falsas boas intenções, das quais só nos apercebemos demasiado tarde, quando já estamos irremediavelmente enredados nas suas teias de inverdades, máscaras e manipulações.

 

Remato o assunto com o repto: dizem os teus olhos aquilo que sentes e sentem os teus olhos aquilo que dizes? Se a tua resposta for sim, dá cá mais cinco que és um humano premium. Caso contrário, se calhar é caso para repensares a tua forma de estar na vida. 

 

Boa reflexão e até à próxima!

 

P.S. - Não te esqueças que já só faltam 5 dias para o anúncio do blog do ano na categoria Sexualidade. Se ainda não me deste o teu voto, toca a despachar e deposita-o já aqui.

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08
Dez18

About last saturday...

por LegoLuna

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Viva!

 

Como hoje não me apetece escrever, já que tenho que ir dar tarefa ao corpo no ginásio e à carteira nas compras de Natal, deixo-te com este registo da minha passagem por aquela gala de que te falei no post As 41 velas da Sara.

 

Despeço-me com aquele abraço amigo de sempre e um (novo) pedido para votares no Ainda Solteira para blog do ano na categoria Sexualidade. Na reta final da campanha – falta menos de uma semana para o término da votação – todo o voto é decisivo. Portanto, vota e pede aos teus contactos que votem aqui. Não te esqueças que eu sou a primeira opção da última categoria (bem no final da página).

 

Bom fim de semana e até à próxima!

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Viva!

 

Despertando a libido literária deste blog – por algum motivo está indicado para Sapos do Ano na categoria Sexualidade – esta crónica assenta sobre um estudo recente do Serviço Nacional de Saúde Britânico (NHS) que recomenda aos homens ejaculações mais frequentes, como forma de redução do risco do cancro da próstata.

 

De acordo com aquela entidade, a probabilidade de aparecimento da doença é menor nos machos que ejaculam pelo menos 21 vezes por mês (o que dá uma média de 0,7 ejaculações por dia), quer seja através de sexo ou de masturbação. Curto e grosso, se bem que há quem prefira comprido e fino ou, melhor ainda, comprido e grosso? Quanto mais vezes "despejarem os colh*es" menos riscos correm eles de vir a contrair o cancro da próstata.

 

A investigação, publicada no European Urology e baseada na comparação entre homens que ejaculavam 21 vezes mensalmente e homens que ejaculavam entre quatro a sete vezes a cada quatro semanas, permitiu concluir que aqueles que derramavam mais vezes o seu néctar genético estavam menos propensos à doença. A explicação parece residir na possibilidade da ejaculação contribuir para a expulsão de elementos cancerígenos e de infeções da glande. Dado que a inflamação do organismo é uma conhecida causa de aparecimento de doenças de foro oncológico, a ejaculação poderá assim ajudar a atenuar o fenómeno.

 

O que faz todo o sentido, diga-se de passagem. Longe de mim querer desmerecer as prodigiosas mentes que se dedicam à matéria, mas a verdade é que não é preciso ser-se cientista para chegar à seguinte conclusão: se quando nós transpiramos expulsamos as substâncias nocivas ao normal funcionamento do organismo (vulgo, toxinas), nada mais expectável que a mesma lógica se aplique quando eles expelem sémen.

 

Solteiro meu que estás a ler isto, pelo bem da tua próstata (em particular) e da tua saúde (em geral), trata de dar largas à tua líbido. A solo, au pair ou à trois, o importante é ejacular. Solteira minha que também estás a ler isto, da parte que te couber trata de garantir que assim seja. Fui clara?

 

Conto voltar ao teu convívio no sábado. Até lá muitas e boas (que qualidade também conta) ejaculações!

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05
Dez18

Viva!

 

Já viste a paródia de natal da RFM, uma hilariante versão do hit Toda a Noite do cantor português Toy? Fiquei tão encantada com o vídeo, um dos melhores que me chegou aos olhos e ouvidos nos últimos tempos, que tenho mesmo que partilhá-lo contigo. Assiste já aqui e depois diz-me se não é uma ode à gargalhada.

 

Não te esqueças que a votação para Sapos do Ano 2018 decorre até o próximo dia 15. Se ainda não deste o teu clique ao Ainda Solteira, faz-me o favor de lá ir depositá-lo o quanto antes, que eu quero é entrar no novo ano com o "selo" de blogger do ano. Não te esqueças que eu sou a primeira opção da última categoria - Sexualidade (localizada no final da página).

 

Conto com o teu voto e com o de todos os teus amigos/inimigos/conhecidos. Obrigada e até à vitória!

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30
Nov18

As 41 velas da Sara

por LegoLuna

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Happy birthday to me
Happy birthday to me
Happy birthday dear Sara
Happy birthday to me

 

Viva!

 

Eis que chegou o dia de trocar o 0 pelo 1, já que esta solteira aqui acaba de completar mais um ano de vida, 41 para ser mais precisa. E como o dia é todo meu, nada mais justo que dedicá-lo na íntegra à minha estimada pessoa.

 

Como? Para começar, nada de trabalho! Dei a mim mesma férias de todas as funções atuais, inclusive do Ainda Solteira; por isso hoje já não deves voltar a ouvir falar de mim. Depois do acordar tardio, nada melhor que um delicioso e substancial brunch num sítio especial (cortesia da casa), para em seguida rumar ao spa ansiosa por uma merecida sessão de relaxamento. Feito isso, toca a marchar rumo ao cantinho da minha bodyshaper, responsável pela epilação, cavitação e manicure. Duas horas depois, devo rumar ao cabeleireiro com a missão de domar estes cabelos rebeldes. Findo o processo de embelezamento, a próxima paragem será no Bazar Diplomático para as comprinhas de Natal. Conto dar por encerradas as festividade à noite, com um jantar com a minha tribo e um brinde algures ali para as bandas da zona ribeirinha.

 

Se pensas que toda esta produção se deve ao facto de eu ser aniversariante fica a saber que o equívoco é todo teu. Amanhã marcarei presença, com todo o glamour que a ocasião exige, na Gala Cabo Verde Sucesso, uma espécie de Globos de Ouro, na qual vão estar presentes la crème de la crème das sociedades luso-crioula, incluindo chefes de Estado e de governo, governantes, diplomatas, artistas e personalidade de todos os quadrantes.

 

Será uma noite de consagração para a diáspora cabo-verdiana na Europa, na qual me incluo com todo o orgulho. Será, portanto, uma noite de consagração para mim.

 

Beijo no ombro e desejos de um estupendo fim de semana, que eu vou mas é ser feliz!

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Viva!

 

Um texto do Sarcasticamente Falando inspirou-me a escrever sobre o quão perigoso (e doloroso) é ser-se bom nos dias que correm. Numa época em que culto da moral elástica parece angariar cada vez mais seguidores, valores como honestidade, sinceridade, lealdade, solidariedade e respeito pela dignidade alheia quase que destoam dessa realidade invertida.

 

Hoje em dia, mais fácil nos surpreendemos com um gesto de bondade do que com o contrário. A sensação que me dá é que o que é suposto ser regra - sermos bons uns para os outros - passou a ser exceção, como se habitássemos um universo paralelo, com os valores todos trocados.

 

Quem nunca foi acometido por um genuíno sentimento de incredulidade quando bafejado por uma ação bondosa, custando-lhe acreditar em tamanha sorte, que comente agora ou prossiga com a leitura. Nessas ocasiões, a nossa primeira reação verbal costuma ser algo do tipo: "Não estava nada à espera", num claro sinal de que estamos mais familiarizados (logo confortáveis) com a ausência de bondade do que com a dita cuja propriamente; quando deveria ser precisamente o contrário.

 

Num mundo cada vez mais distorcido de valores e de princípios, torna-se um intrincado quebra-cabeças saber em quem confiar e em quem depositar as nossas melhores expectativas. Mais do que querer confiar, precisamos fazê-lo para nos sentirmos em paz connosco. Como tal, acabamos, mais do que é suposto, com os sentimentos feridos, pelo simples motivo de que avaliamos os corações dos outros à luz do nosso próprio. Daí que ser bom demais tornou-se perigoso. E inglório.

 

Existe, no contexto atual, uma necessidade de se dar bem em todos os palcos em que se atua, mesmo que por meio de vantagens indevidas, de caminhos duvidosos, passando por cima dos outros, como se, de facto, os fins justificassem quaisquer meios. Nessa luta desenfreada pelo sucesso, a lealdade e o compromisso com o outro acabam por ser algo a não se prender, pois o que importa mesmo é galgar os degraus da ascensão social, da progressão laboral e da realização amorosa, fazendo com que as relações humanas se revelem cada vez mais frágeis e ocas.

 

Ainda assim, muitos são aqueles que fazem questão de manter a fé na bondade alheia e a esperança numa sociedade mais justa, mais igualitária, mais solidária, mais digna, no fundo, mais humana. São esses os que se recusam a abrir mão da crença na amizade verdadeira, no amor desinteresseiro, na honestidade e na integridade. Almas que ainda persistem no propósito de ser feliz sem magoar, sem trair, sem maldizer, sem prejudicar, colocando-se no lugar das pessoas com as quais convivem.

 

Eu me assumo como uma dessas pessoas que, por mais que apanhem da vida e levem rasteiras dos outros, permanecem fiéis à sua essência, que é ser bondoso. Não porque acredito na recompensa divina (longe disso), mas porque acredito que o mundo seria um lugar infinitamente melhor para se viver se todos nós formos genuinamente bons uns com os outros.

 

Atenção, que com ser bom não me refiro a ser um santo, que tudo atura, tudo aceita, tudo suporta e tudo perdoa. Com ser bom refiro-me a ter respeito pelos outros, a ajudar quem precisa, a não prejudicar ninguém a custo zero, a não trair, a não mentir e a não intentar contra o bom nome e a honra alheia.

 

Despeço com um até à próxima!

 

P.S. - Na sexta faço anos, por isso vai pensado na minha prenda, que faço questão de receber.

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Viva!

 

Já lá vão meses, provavelmente mais de ano, desde a última vez que tive um encontro romântico na verdadeira aceção da palavra. Com isso refiro-me a um encontro por mim ansiado, para o qual me emboneco toda, com o coração a saltimbancar qual artista circense. Sequer consigo lembrar-me quando, ou com quem, foi a última vez que saí num date. Convites não me faltaram – uns mais aliciantes que outros, é certo – mas nenhum chegou a concretizar-se. Por ação direta da minha parte, assumo. Só para teres uma ideia, na passada sexta-feira, com dois first dates na calha, acabei o dia a passear pela Baixa pombalina na melhor de todas as companhias: a minha.

 

Por este, aquele ou aqueleoutro motivo, a verdade é que nenhum pretendente conseguiu cativar-me ao ponto de me aventurar a dar-lhe uma oportunidade. Antes de adentrar pelo âmago desta crónica – o porquê da minha indisponibilidade amorosa – permite-me uma pequena contextualização desta minha atual forma de estar, pensar e vivenciar o amor.

 

Quiçá à conta do (mau) karma transferido de uma vida passada, em que me revelei um filho da put* promíscuo e amoral, eu e o amor pouquíssimas vezes estivemos sintonizados na mesma frequência; razão quanto baste para o meu historial de flop amoroso. Ao longo da minha existência, o meu pobre coração foi sendo fustigado por todo o tipo de desilusões: um baque aqui, uma mossa ali, uma racha acolá, até ao golpe fatal, perpetrado por quem na altura não tive dúvidas em assumir como a minha alma gémea, o homem dos meus sonhos, um amor para toda a vida (e com esta me assumo como uma marca branca do Nicholas Sparks).

 

Olhando para esta imagem captada no auge do meu romance, há exatamente oito anos, vejo o quanto aquela Sara era descontraída, sorridente, iluminada e com uma fé inabalável num futuro risonho. Bons tempos aquele. Adiante...

 

Por razões absolutamente alheias à minha vontade (leia-se, foi ele que me deu com os pés), quando essa relação terminou o meu coração desfez-se de tal maneira que ainda hoje, sete anos, 10 meses e muitos dias depois, dou por mim a catar um ou outro pedaço. Com o sarcasmo que se lhe exige, costumo dizer que há uma linha que divide a minha vida amorosa entre antes de 2010 e depois de 2010, após o qual mudei a minha forma de experenciar o amor para nunca mais voltar ao mesmo. A essa linha dei o nome de autopreservação.

 

Acredito que seja este meu ADN de guerreiro egípcio herdado da outra encarnação que me fez não desistir de viver (como tantas vezes quis). Só eu sei o calvário que passei para conseguir manter-me de pé, só eu sei o que tive que penar para chegar onde estou, só eu sei quantas vezes me senti indigna como mulher, só eu sei o quanto tive que ralar para conseguir reconciliar-me com a minha própria pessoa e com os outros, só eu sei o quão penoso foi o processo de cura e perdão. Só eu sei... Agora pareço um pastor do IURD.

 

Passo a passo, um dia de cada vez, fui retomando o gosto pela vida, resgatando a alegria de existir, fazendo-me mais e melhor pessoa. Porém, a jura de que jamais permitiria que me voltassem a despedaçar o coração, nem que isso significasse nunca mais chegar perto de um homem, permanece intacta.

 

Com os cacos que fui juntando, consegui recuperar o meu provedor de sentimentos o suficiente para tirá-lo da UCI e interná-lo num quarto blindado, cuja chave na altura deitei fora e agora não encontro, por mais que me farte de procurar. Atualmente, ainda que queira, não encontro forma de o resgatar das masmorras para onde o atirei há quase oito anos.

 

É por isso que não mais voltei a conseguir confiar em alguém; não mais consegui acreditar que poderia dar certo; não mais consegui entregar-me; e como acredito com todo o meu ser que amor sem entrega é desperdício de tudo, não mais voltei a provar do trago doce e inebriante do afeto testosteronal. Claro que a minha paixonite crónica aguda pelo tal rapaz lá do ginásio só contribui para agravar todo este quadro clínico.

 

Perco? Claro que sim, muito até! Mas também ganho, não há como negar. Ganho paz de espírito e a certeza de que o meu (auto)amor hoje em dia é fruto de um acordo bilateral, com ambas as partes a amarem-se em igualdade de circunstâncias.

 

Se permanecer solteira for o preço que tenho que pagar para não mais voltar a sentir aquela dor dilacerante que me desfez o coração em mil e me repartiu a alma em dois, é com todo o gosto que o pago. Afinal, o amor conjugal é só uma parte da felicidade humana, nunca o todo. Somos mais felizes com ele? Claro que sim. Somos infelizes sem ele? Obviamente que não. A não ser que queiramos!

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Viva!

 

Só agora – passados três dias – decidi pronunciar-me publicamente sobre o acidente na estrada nacional 255, que liga Borba a Vila Viçosa, no Alentejo. Dois motivos me impediram de fazê-lo antes: consternação e alívio. Confusa? Já explico, mas antes deixa-me contextualizar o assunto.

 

Para quem não está inteiramente a par, partilho um pequeno excerto de uma notícia a propósito: "Esta segunda-feira, 19 de novembro, pelas 15h45, houve um aluimento de um troço da Nacional 255, que provocou a queda de dois veículos civis para dentro de uma pedreira com 50 metros de profundidade e o deslocamento de uma retroescavadora com o maquinista e auxiliar."

 

A esta altura da leitura deves estar a perguntar o que é que o c* tem a ver com as calças. Ora acontece que há apenas três semanas estive precisamente naquela zona, tendo transitado por aquela mesma estrada (quatro vezes, para ser mais precisa), tendo inclusive visitado aquela pedreira.

 

A propósito de uma visita técnica à zona dos mármores, a 27 de outubro, lembro-me (como se fosse ontem) do grupo passar por aquela estrada, num autocarro de 34 lugares, e da engenheira responsável ter comentado sobre a perigosidade da via, dizendo com todas as letras que aquela estava para ruir a qualquer momento e que seria preciso acontecer uma desgraça para que alguém tomasse uma providência. Lembro-me, inclusive, do motorista ter perguntado, meio a brincar meio a "trelicar", se iríamos despencar por ali abaixo, após o qual um dos geólogos que nos acompanhava (que agora foi chamado à baila para dar o seu parecer sobre uma fatalidade por ele anunciada faz tempo) responder que ainda ia demorar algum tempo até tal suceder. Mal sabia o engenheiro que esse "algum tempo" resumia-se a uns míseros 18 dias.

 

Imagina tu qual não foi o meu espanto – e choque – ao tomar conhecimento que o pior tinha realmente acontecido. Nem queria acreditar, e as pessoas que estiveram comigo nesse dia ficaram tão ou mais atordoadas com a notícia. Genuinamente abalados pela tragédia e profundamente sentidos com as vidas humanas ceifadas, o sentimento de alívio que nos assola é inebriante; infinitamente mais forte que a nossa comoção pela dor alheia.

 

É nestas horas que constatamos o quão maquiavélica pode ser a vida, com a alegria de uns a representar a tristeza de outros. O nosso alívio por não ter sido connosco é inversamente proporcional à dor daqueles que perderam os seus entes queridos.

 

Fiquei de tal forma abalada que a imagem daquela estrada não me sai da cabeça, por mais que tente. Revejo-a vezes e vezes na tentativa de me consciencializar da sorte que tivemos por aquilo ter acontecido esta segunda-feira e não há três sábados atrás. Desta foi por pouco!

 

Até à próxima, altura em que conto trazer-te uma crónica bem mais descontraída!

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