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Crónicas e confissões de uma rapariga gira e bem resolvida que (ainda) não cumpriu o papel para a qual foi formatada: casar e procriar. Caso para cortar os pulsos ou dar graças? Talvez nem uma coisa nem outra!


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Viva!

 

Já lá vão meses, provavelmente mais de ano, desde a última vez que tive um encontro romântico na verdadeira aceção da palavra. Com isso refiro-me a um encontro por mim ansiado, para o qual me emboneco toda, com o coração a saltimbancar qual artista circense. Sequer consigo lembrar-me quando, ou com quem, foi a última vez que saí num date. Convites não me faltaram – uns mais aliciantes que outros, é certo – mas nenhum chegou a concretizar-se. Por ação direta da minha parte, assumo. Só para teres uma ideia, na passada sexta-feira, com dois first dates na calha, acabei o dia a passear pela Baixa pombalina na melhor de todas as companhias: a minha.

 

Por este, aquele ou aqueleoutro motivo, a verdade é que nenhum pretendente conseguiu cativar-me ao ponto de me aventurar a dar-lhe uma oportunidade. Antes de adentrar pelo âmago desta crónica – o porquê da minha indisponibilidade amorosa – permite-me uma pequena contextualização desta minha atual forma de estar, pensar e vivenciar o amor.

 

Quiçá à conta do (mau) karma transferido de uma vida passada, em que me revelei um filho da put* promíscuo e amoral, eu e o amor pouquíssimas vezes estivemos sintonizados na mesma frequência; razão quanto baste para o meu historial de flop amoroso. Ao longo da minha existência, o meu pobre coração foi sendo fustigado por todo o tipo de desilusões: um baque aqui, uma mossa ali, uma racha acolá, até ao golpe fatal, perpetrado por quem na altura não tive dúvidas em assumir como a minha alma gémea, o homem dos meus sonhos, um amor para toda a vida (e com esta me assumo como uma marca branca do Nicholas Sparks).

 

Olhando para esta imagem captada no auge do meu romance, há exatamente oito anos, vejo o quanto aquela Sara era descontraída, sorridente, iluminada e com uma fé inabalável num futuro risonho. Bons tempos aquele. Adiante...

 

Por razões absolutamente alheias à minha vontade (leia-se, foi ele que me deu com os pés), quando essa relação terminou o meu coração desfez-se de tal maneira que ainda hoje, sete anos, 10 meses e muitos dias depois, dou por mim a catar um ou outro pedaço. Com o sarcasmo que se lhe exige, costumo dizer que há uma linha que divide a minha vida amorosa entre antes de 2010 e depois de 2010, após o qual mudei a minha forma de experenciar o amor para nunca mais voltar ao mesmo. A essa linha dei o nome de autopreservação.

 

Acredito que seja este meu ADN de guerreiro egípcio herdado da outra encarnação que me fez não desistir de viver (como tantas vezes quis). Só eu sei o calvário que passei para conseguir manter-me de pé, só eu sei o que tive que penar para chegar onde estou, só eu sei quantas vezes me senti indigna como mulher, só eu sei o quanto tive que ralar para conseguir reconciliar-me com a minha própria pessoa e com os outros, só eu sei o quão penoso foi o processo de cura e perdão. Só eu sei... Agora pareço um pastor do IURD.

 

Passo a passo, um dia de cada vez, fui retomando o gosto pela vida, resgatando a alegria de existir, fazendo-me mais e melhor pessoa. Porém, a jura de que jamais permitiria que me voltassem a despedaçar o coração, nem que isso significasse nunca mais chegar perto de um homem, permanece intacta.

 

Com os cacos que fui juntando, consegui recuperar o meu provedor de sentimentos o suficiente para tirá-lo da UCI e interná-lo num quarto blindado, cuja chave na altura deitei fora e agora não encontro, por mais que me farte de procurar. Atualmente, ainda que queira, não encontro forma de o resgatar das masmorras para onde o atirei há quase oito anos.

 

É por isso que não mais voltei a conseguir confiar em alguém; não mais consegui acreditar que poderia dar certo; não mais consegui entregar-me; e como acredito com todo o meu ser que amor sem entrega é desperdício de tudo, não mais voltei a provar do trago doce e inebriante do afeto testosteronal. Claro que a minha paixonite crónica aguda pelo tal rapaz lá do ginásio só contribui para agravar todo este quadro clínico.

 

Perco? Claro que sim, muito até! Mas também ganho, não há como negar. Ganho paz de espírito e a certeza de que o meu (auto)amor hoje em dia é fruto de um acordo bilateral, com ambas as partes a amarem-se em igualdade de circunstâncias.

 

Se permanecer solteira for o preço que tenho que pagar para não mais voltar a sentir aquela dor dilacerante que me desfez o coração em mil e me repartiu a alma em dois, é com todo o gosto que o pago. Afinal, o amor conjugal é só uma parte da felicidade humana, nunca o todo. Somos mais felizes com ele? Claro que sim. Somos infelizes sem ele? Obviamente que não. A não ser que queiramos!

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11 comentários

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De Nuno a 26.11.2018 às 16:01

Predebo o tru ponto de vista a for da perda e una fir demasiado grande demasiado grande para ser esquecida mas valerá a pena deixar de viver o amor deixar de tentsrvpelo medo da dor que poderá daí advir? A vida é feita de riscos e se nso saires dessa masmorra dessa armadura dymura e fria que criaste não te prenitiras voltar a sorrir porque não voltar a tentar?
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De LegoLuna a 26.11.2018 às 16:09

É processo Nuno, que leva o seu tempo. Estou melhor do que há sete anos, mas pior do que amanhã. Quem sabe o que o futuro me reserva...
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De Nuno a 26.11.2018 às 16:22

So não te feches completamente
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De gatodeloiça a 26.11.2018 às 18:03

O último parágrafo diz tudo. Boa!
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De LegoLuna a 26.11.2018 às 18:35

Obrigada
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De Eurico a 27.11.2018 às 00:18

Lamento sinceramente tudo o que passaste.
Infelizmente, também eu achava como tu ainda achas e muitas outras pessoas, que o amor é como um fogo que arde sem se ver.
Esse é o estereótipo coletivo, de uma relação amorosa que foi criado por todos nós e os que nos antecederam.
O amor é tão simplesmente, apenas uma ligação, nada mais nada menos.
É uma sensação que não se consegue traduzir em palavras.
É como uma brisa fresca num dia de verão.
É como beber um copo de água fresca quando estamos cheios de sede.
É como quando paramos, a seguir a correr até não poder mais.
Sentimo-nos simplesmente bem na companhia um do outro.
Por esse motivo, não é bom apenas quando estamos na intimidade, mas sempre que estamos juntos.
Se nos sentimos bem juntos, então não temos necessidade nenhuma de estar separados.
Podemos fazer dum hambúrguer no Mac um encontro romântico, por que somos nós os românticos e não o encontro.
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De LegoLuna a 27.11.2018 às 10:03

Isso é que é inspiração...
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De Eurico a 27.11.2018 às 10:21

Obrigado pelo elogio, mas trata-se apenas de uma caracterização concreta de um princípio básico da mecânica quântica: a atração dos simétricos.
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De Eurico a 27.11.2018 às 10:31

Podes crer que é mesmo assim.
Ou abrimos "a pestana" ou estamos todos fodidos, literalmente!

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