Saltar para: Post [1], Comentários [2], Pesquisa e Arquivos [3]

Crónicas, contos e confissões de uma solteira gira e bem resolvida que não cumpriu o papel para o qual foi formatada: casar e procriar. Caso para cortar os pulsos ou dar pulos de alegria? Provavelmente, nem uma coisa nem outra!


girl-2217926_960_720.jpgViva!

Hoje quero falar-te sobre um assunto um tanto ou quanto desagradável, daí que te aconselhe a estar preparada para o tom mordaz que aí vem. Às "minas" que se sentem ofendidas, chocadas, ultrajadas ou melindradas quando se apercebem que "alguém" as deseja sexualmente só tenho a dizer o seguinte: parem de frescuras que desejar não é pecado, menos ainda crime.

Antes de prosseguir, saliento que a palavra alguém levou aspas precisamente para que seja possível associá-la à criatura humana por quem não se sente o mais pequeno desejo sexual.

Retomo a operação Bora desencardir mentes, sem anestésicos nem analgésicos, para dizer que, por mais desgusting que possa ser esse desejo que sobre nós recaia, ele nada mais é do que uma emoção alheia sobre a qual não detemos nenhum controlo. Abro aqui um parêntesis para uma pequena contextualização do termo "emoção". De acordo com a ciência da mente, uma emoção é um conjunto de respostas químicas e neurais que surgem quando o cérebro recebe um estímulo externo. No caso do desejo sexual, deverá ser um ou mais atributo físico a despoletar essa emoção.

Este princípio de que não é crime "sentir" emoções aplica-se a toda espécie de desejo que imaginar se possa: 'sexar', matar, roubar, maltratar, ferir, injuriar, violentar, trair, prejudicar e por aí fora. O desejo de um pedófilo por uma criança, o de um psicopata por uma vítima, o de um canibal por carne humana, o de um clérigo por sodomia, o de um chefe por um subordinado, o de um progenitor por um filho, o de um colega por outro colega ou o de um cônjuge por outra pessoa qualquer, por mais que sejam – e são, na maioria destes casos que acabei de citar – moralmente reprováveis, aos olhos da lei, não configura crime.

O destino que se dá a esse desejo é que pode sim configurar crime. Ou seja, a infração dar se á a partir do momento em que aquele que deseja resolve agir sem se atentar ao disposto no código ético, moral e/ou penal. Para que não restem dúvidas, com este exemplo troco por miúdos: um indivíduo desejar ter sexo com uma criança não é crime, ainda que seja moralmente condenável. Esse mesmo indivíduo ter sexo (ou qualquer outro tipo de intimidade física previsto na lei como abuso sexual de menor) é considerado crime, punível com até não sei quantos anos de prisão, dependendo da gravidade do caso.

Por mais desagradável que possa ser – e sei por experiência própria o quanto pode – saber que alguém nos deseja não deve ser motivo para drama, quando muito para algum desconforto, perfeitamente expectável e legítimo. Como ficou explícito mais acima, o desejo é uma caraterística intrínseca à condição humana, pelo que nada nem ninguém é capaz de inibi-lo. Até porque o nosso cérebro não se deixa controlar, nem mesmo pelo seu próprio portador. Já que não nos é possível controlar a emoção alheia, neste caso concreto o desejo alheio, porque não optar por controlar a nossa própria reação? A meu ver, não dar importância ou simplesmente ignorar será a melhor forma de lidar com situações do género.


Desgastarmo-nos com algo que não controlamos é altamente contraproducente e emocionalmente desgastante. Por mais que a revolta e o asco se apessoem do nosso espírito quando somos fustigados por olhares dardejantes por parte de alguém por quem nutrimos desejo sexual zero, a verdade é que não existe enquadramento legal para qualquer tipo de denuncia. Agora se esse desinfeliz tiver a audácia de verbalizar esse desejo, quer por palavras, gestos ou atos, o caso muda completamente de figura.

Moral da estória: assim como amar não é pecado, desejar também não. Pelo menos até se passar da intenção à ação.

Por hoje é tudo. Hasta la vista baby!

Autoria e outros dados (tags, etc)


5 comentários

Imagem de perfil

De Mia a 24.07.2019 às 19:02

...e por outro lado, ser desejado também pode ser bom e isto dá texto para um novo post. beijinhos Luna
Imagem de perfil

De Sara Sarowsky a 24.07.2019 às 19:57

Olha que bela ideia 💡
Podemos escrevê-lo juntas. Aposto que os teus sex toys iam acrescentar valor ao post 😉🤔
Imagem de perfil

De Mia a 24.07.2019 às 22:53

Ah ah ah podemos sim senhora. Já sabes que considero os sex toys um bem essencial.
Imagem de perfil

De Kairós a 26.07.2019 às 10:23

Tudo se resumo a um "saber estar em sociedade" !!

Claro que esse desejo pode ser revelado ao outro, mas há modos e modos.

Mas sempre me fez alguma confusão aquelas mulheres que se vestem "a matar", grandes decotes no verão, transparências e afins, e depois ficam com cara de choque se apanham 3 ou 4 palermas a olhar como se fosse a última gota de água no deserto, o problema delas é que não é o palerma que elas queriam :)




Imagem de perfil

De Sara Sarowsky a 26.07.2019 às 10:49

Está aqui um bom ponto de reflexão. Apesar de ser mulher não concordo de todo que uma mulher pode vestir o que e como quiser, só porque estamos numa sociedade livre e democrática. Cada ação implica uma consequência, daí que se vestir de determinada forma convém ter em mente uma possível consequência, como tão bem referiste. Por isso que deixei um recado bem claro na crónica: para pararem de frescura e armarem-se em ofendidas só porque olham para elas com ar de gato a mirar o peixe.
Obrigada pelo teu comentário.

Comentar post



Mais sobre mim

foto do autor


Melhor Blog 2020 Sexo e Diário Íntimo


Melhor Blog 2019 Sexo e Diário Íntimo


Melhor Blog 2018 Sexualidade





Pesquisar

  Pesquisar no Blog

Subscrever por e-mail

A subscrição é anónima e gera, no máximo, um e-mail por dia.

Arquivo

  1. 2021
  2. J
  3. F
  4. M
  5. A
  6. M
  7. J
  8. J
  9. A
  10. S
  11. O
  12. N
  13. D
  14. 2020
  15. J
  16. F
  17. M
  18. A
  19. M
  20. J
  21. J
  22. A
  23. S
  24. O
  25. N
  26. D
  27. 2019
  28. J
  29. F
  30. M
  31. A
  32. M
  33. J
  34. J
  35. A
  36. S
  37. O
  38. N
  39. D
  40. 2018
  41. J
  42. F
  43. M
  44. A
  45. M
  46. J
  47. J
  48. A
  49. S
  50. O
  51. N
  52. D
  53. 2017
  54. J
  55. F
  56. M
  57. A
  58. M
  59. J
  60. J
  61. A
  62. S
  63. O
  64. N
  65. D
  66. 2016
  67. J
  68. F
  69. M
  70. A
  71. M
  72. J
  73. J
  74. A
  75. S
  76. O
  77. N
  78. D
  79. 2015
  80. J
  81. F
  82. M
  83. A
  84. M
  85. J
  86. J
  87. A
  88. S
  89. O
  90. N
  91. D