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Crónicas, contos e confissões de uma solteira gira e bem resolvida que não cumpriu o papel para o qual foi formatada: casar e procriar. Caso para cortar os pulsos ou dar pulos de alegria? Provavelmente, nem uma coisa nem outra!
Viva!
Depois de um esplêndido fim de semana (obrigada S. Pedro por esta benesse), eis-me de volta ao teu convívio com uma crónica sobre o lado oculto de muitas relações; relações que à primeira vista parecem saudáveis, mas que à quinta, sexta ou décima mirada são tudo menos isso. A essas cognomeei de relações espartilhadas, um mix entre relação saudável e relação tóxica.
Ainda que sem a componente violência (física e psicológica), flagrante nas relações tóxicas, este tipo de relacionamento pauta-se tanto pela ausência de afeto assumido como pela falta de compromisso declarado. É uma espécie de "curte" para adultos, em que uma das partes só quer saber da outra quando lhe dá jeito (ou gana, se é que me entendes ).
Marta Gonçalves Miranda, cronista da MAGG que admite ter vivido uma relação (demi)tóxica, descreve o perfil do "espartilhador" nestes termos:
- Está vários dias, ou até semanas, sem dizer nada e reaparece como se nada fosse;
- Diz que não está pronto para uma relação ou que não gosta de nós, mas é extremamente exigente para estar quando lhe apetece;
- Passa a viver às nossas custas financeiramente;
- Corre atrás de nós quando percebe que nos estamos a afastar;
- É desagradável, do estilo: "Eu não sou carinhoso muitas vezes para não ficares com a ideia errada [praticamente viviam juntos]";
- Nunca pergunta se está tudo bem;
- Mas despeja os seus problemas em cima de nós;
- Foge de tudo o que se assemelhe a uma discussão ou confronto;
- Diz que abomina ser pressionado.
Agora que ficamos com uma ideia mais concreta sobre o tipo de parceiro que assume o papel de vilão neste drama amoroso, importa escrutinar o porquê da outra parte sujeitar-se a uma relação assim assim? Será ela carente, tonta, desinformada, com baixa autoestima ou receosa do peso da solteirice? Nem por isso! A outra parte está simplesmente enamorada, e quando assim é, a vozinha interior é amordaçada e a luzinha de alerta posta em modo silencioso.
Não penses tu que todas aceitam de ânimo leve este tipo de relação. Há quem barafuste, há quem alinhe, mas no fim todas acabam por se deixar ir, enredadas numa espiral viciante, à qual se agarram como lapas, pois só assim creem poder voltar a provar do doce trago do encanto inicial. Mas porquê, é a pergunta que continua a aguardar resposta.
Porque, "no início, eles são absolutamente encantadores, mais até do que qualquer outro homem com quem tenhamos tido uma relação saudável. Eles eram presentes, prestáveis, interessados e, regra geral, fascinantes e inteligentes. Até que um dia demoraram seis horas a mandar mensagem e nós ignorámos. No dia seguinte, deixaram de nos responder. De repente apercebemo-nos que voltaram a não dizer nada, mas em vez de seis horas demoraram um dia. No dia seguinte, desapareceram sem deixar rasto. Nós chorámos a achar que tinha acabado. Até que eles reaparecem na sexta-feira como se nada tivesse acontecido, a convidar-nos para jantar. E voltávamos. Já não sabíamos quem éramos, o que queríamos. Deixámos de gostar de nós e de tirar prazer das coisas. Felicidade? Só quando estávamos com eles. E, mesmo assim, nem essa era verdadeira — no fundo do nosso ser, nós sabíamos que aquilo estava errado. E sabíamos que tinha de acabar.", esclarece Marta.
Dou por encerradas as hostilidades, com esta instigação: à falta de uma relação saudável, entre ter uma espartilhada e não ter nenhuma qual escolherias? A minha resposta: que venha o diabo e escolha!
Até breve!
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