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Crónicas, contos e confissões de uma rapariga gira e bem resolvida que (ainda) não cumpriu o papel para a qual foi formatada: casar e procriar. Caso para cortar os pulsos ou dar graças? Talvez nem uma coisa nem outra!


dating shows.jpg

Viva!

Já que só se fala disso, eu também quero dar bitaite sobre a polémica do momento, apesar de (ainda) não ter estabelecido qualquer contacto visual com nenhum dos elementos. Como já deves ter adivinhado, refiro-me aos novos dating shows, estreados domingo nos canais 3 e 4 da televisão portuguesa.

Desde a primeira versão do Big Brother, já lá vão quase duas décadas, que sou assumidamente abstémia no que toca ao consumo destes conteúdos, a meu ver, mero lixo audiovisual, ou telelixo para ser mais exata. Contudo, como profissional da comunicação formada e informada, que faz questão de estar a par do que acontece ao seu redor, leio sobre o assunto. E como! É assim que vou acompanhando o desfile de programas de entretenimento para adultos (sem bolinha vermelha, atenção), cada um mais decadente que o outro. E o que não me chega ao conhecimento por livre e espontâneo acaso, as redes sociais, as colegas e os amigos disso se encarregam.

Mais empolgante que devorar o disse-que-disse/escreve-que-escreve, é auscultar a reação alheia, venha ela de figuras públicas ou de personalidades anónimas. E o que mais tem abundado nas últimas trinta e tal horas são notícias, paródias, mas sobretudo, censuras sobre os programas Quem Quer Casar com o Meu Filho? e Quem Quer Namorar com um Agricultor?.

Para as Capazes, protagonistas de uma das reações mais ferozes que me chegou à vista, "a SIC pôs várias mulheres a competir para agradar a um macho", enquanto que a TVI "pôs várias mulheres a competir para agradar à mamã de um macho". "Lady na mesa, louca na cama… e serva na cozinha" parecem ser as chaves desta lotaria; seja ela qual for (amor, namorido, fama, dinheiro ou outra coisa qualquer).

Uma vez instalada a polémica, são cada vez mais audíveis as vozes contra estes formatos que, mais do que fazerem das televisões pseudoagências matrimoniais ou locais de speed dating, promovem uma imagem deveras degradante do papel da mulher na relação, na família e na sociedade.

A meu ver, ao mesmo tempo que se dá uma migração do engate, do território virtual para o território audiovisual, é flagrante a deturpação de valores como sensibilidade, bom senso e seriedade. Sobre os guarda-roupas, os roteiros e as personalidades das candidatas prefiro não emitir opinião para já, sob pena de incorrer no perjúrio do preconceito e dos estereótipos.

Atrevo-me é a dizer que, independentemente da motivação de cada um dos intervenientes (eu mesma quase concluí a minha candidatura ao Casados à Primeira Vista, lembras-te?), é inegável que o desespero parece ser o denominador comum. Desespero por mediatismo, desespero por encontrar o (verdadeiro) amor, desespero por subir audiências, desespero por aqueles 15 minutos de fama, desespero por coscuvilhice, desespero por atenção, desespero por desespero mesmo.

Por ora, remato o assunto nestes termos: estará a televisão a refletir-se na sociedade ou a sociedade a deixar-se refletir na televisão?

Até à próxima!

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6 comentários

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De O ultimo fecha a porta a 12.03.2019 às 23:00

Não diria melhor.
Há de tudo nesses programas: os inocentes, os desesperados e os que querem os 5 minutos de fama.
Telelixo.
Quanto à reação das capazes, acho exagerada. fazem o papel dela, mas as moças que lá vão, não parecem estar muito oprimidas. Sabem muito bem ao que vão e o que querem...
E se fosse ao contrário, uma mulher a escolher o marido perfeito, será que a reação seria assim tão feroz?
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De LegoLuna a 13.03.2019 às 09:33

Para mim, não existem inocentes. Todos sabem muito bem ao que vão e se não sabem é só uma questão de se informarem. Em relação às candidatas, não poderia estar mais de acordo contigo. Elas não estão ali por acaso nem foram fazer de figurantes. Obrigada pelo teu ponto de vista.
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De Mãe Maria a 13.03.2019 às 09:35

nem sabia da existência desses programas. Ando desatualizada disso, talvez pq não me sobre tempo para me sentar em frente ao écran de comando na mão.
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De LegoLuna a 13.03.2019 às 09:51

Andas mesmo a leste (sorte a tua). Só se fala disso, em toda a parte.
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De Urso a 17.03.2019 às 00:46

Como sempre gostei muito desta rua reflexão e sobretudo da questão que deixaste no ar, acho mesmo que este tipo de programa advém muito da solidão que hoje o ser humano vive da incapacidade de estabelecer relações duradouras do querer tudo no imediato e na sede é desespero por mediatismo que acaba por ser usado para gerar audiências, o casados há primeira vista foi a abertura do enorme baú de programas que existe dentro do género sendo que de facto estes últimos parecem querer trazer aos olhos de todos o machismo ainda reinante
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De Anónimo a 18.03.2019 às 09:37

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