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Crónicas, contos e confissões de uma rapariga gira e bem resolvida que (ainda) não cumpriu o papel para a qual foi formatada: casar e procriar. Caso para cortar os pulsos ou dar graças? Talvez nem uma coisa nem outra!


22
Fev19

girl-1245835_960_720.jpgViva!

A inspiração hoje anda arisca – talvez esteja deambulando por aí a farejar este cheirinho de verão com que S. Pedro nos agraciou – por isso partilho contigo esta crónica do Vítor Belanciano, recentemente publicada no Público. Tomara tu que a consigas apreciar tanto quanto eu.

É um conceito amplo, variável e pouco claro, porque cada um tem a sua visão sobre o assunto. E, no entanto, falamos de felicidade como se fosse uma evidência partilhada pela larga maioria das pessoas. Não é. Quando muito pode tentar perceber-se o que fazemos para alcançar esse estado.

A acreditar pelo que se vê a procura da felicidade está em alta. Existem cada vez mais pessoas em busca dela. E se o cliente quer, o mercado providencia, principalmente se nas redes sociais todos parecem mais bem-sucedidos do que nós. É só escolher. Reiki. Terapias regressivas. Quadrinidade. Acupunctura. Feng shui. Tarô. Astrologias. Homeopatia. Gurus milagrosos. Posturologia. Ayahuasca. Biorressonância. Teatro terapêutico. Psicoterapias de diversas orientações. Enfim, um sem fim de tratamentos e terapias que prometem orientação psicológica ou espiritual.

Não estou a ser cínico. Se falo disto é porque acredito, como diz a canção, "que tudo ajuda a ser feliz.” Desde que feito com convicção, resiliência, profundidade, solidez e permanência. Com consciência que é um processo de avanços e recuos. E essa é que é a questão. A pressão social para parecermos sempre felizes, a toda a hora, agora, já, é tão grande, e as promessas idílicas são tantas na indústria da ajuda, que se fica com a impressão que as opções vão sendo descartadas à menor decepção, sendo tudo praticado à superfície, de preferência sem chatices, acabando por se criar a ideia de que é possível solidificarmo-nos sem revolver em conflitos.

Antes tínhamos um quadro geracional que receava tudo o que tivesse a ver com saúde mental ou pensar as emoções, com o estigma de que isso seria só para gente doida. Agora, essa tendência, que ainda persiste, coabita com outra tão ou mais nociva, pelo menos em alguns círculos, que é o rodopio constante entre terapias, onde tudo se confunde, o uso e o abuso, a banha da cobra e práticas credíveis, uns comprimidos milagrosos ou a aposta em soluções consequentes, estruturais e de longo prazo.

O quadro que permite isso é a insatisfação permanente. A ilusão de que podemos aceder a momentos de felicidade sem lidar com a tristeza, a ansiedade ou a frustração. Coisas que fazem parte da condição humana e que devem ser compreendidas para melhor lidarmos com causas, sintomas e efeitos. Parece elementar, mas não é. Temos cada vez mais uma sociedade tentada pela medicalização dos comportamentos e dos conflitos da vida, dessa forma tentando-os ocultar, nunca chegando à sua compreensão, única forma de os tentar administrar de maneira saudável.

Dir-se-ia que o cidadão contemporâneo parece perdido, procurando qualquer luz para seguir. E o lema é quase sempre o mesmo. Nada é impossível. Tudo depende de nós. Basta mudar a nossa mente para o que o mundo que nos rodeia se transformar. Existe algo de verdade nisso. A iniciativa individual é fundamental na vida. A questão é quando isso se transforma em ideologia. Faz lembrar dogmas económicos, como o empreendedorismo, que acabam por ser aproveitados para fazer crer que o esforço individual resolve tudo (o desemprego, as desigualdades e a precariedade) o que acaba por ser uma forma de desculpabilizar, ou de não se pensar, sobre o sistema socioeconómico dominante. A mensagem é: altere a sua realidade, porque não será o sistema a fazê-lo por si.

Seria importante perceber que o vai-e-vem emocional da vida tem tanto de raízes individuais como sociais – e ainda se fala tão pouco da depressão, da ansiedade, da solidão e de outras patologias ligadas a alterações económicas, condições sociais ou exigências profissionais. Nesse sentido, o desejo salutar de cada um transformar o seu universo interior talvez pudesse vir acompanhado da aspiração de mudar o mundo de todos. Talvez seja mais complexo. Talvez existam menos prescrições para isso acontecer, mas seria importante. É que isto anda tudo ligado.

Bom fim de semana, meu bem, e aproveita este tempo fantástico para derramares charme por onde passares!

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3 comentários

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De Luísa de Sousa a 22.02.2019 às 16:42

Gostei imenso do texto. Bom fim de semana a espalhar charme!
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De LegoLuna a 22.02.2019 às 17:00

Vou fazer por ... Beijos meus
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De Urso a 22.02.2019 às 22:56

Adorei este texto, as doenças mentais embora cada vez mais comuns são ainda bastante estigmatizadas e isso não ajuda acho que vi e os numa sociedade que nso sabe lidar com a frustração que cono esta escrito e forçada ema estar sempre feliz mesmo quando na verdade não o está, aceitamos o riso mas não aceitamos a lágrima ambos são sentimentos ambos fazem. Parte de nós e das nossas vivências e só quando aceitar isso poderemos dar um passo em frente

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