Saltar para: Post [1], Comentários [2], Pesquisa e Arquivos [3]

Crónicas, contos e confissões de uma rapariga gira e bem resolvida que (ainda) não cumpriu o papel para a qual foi formatada: casar e procriar. Caso para cortar os pulsos ou dar graças? Talvez nem uma coisa nem outra!


10
Dez18

12715357_1682669168681177_5655951594732605378_n.jp

Viva!

 

Parafraseando o apresentador do Alta Definição, intenta esta crónica descortinar até que ponto os olhos são, de facto e de direito, o espelho da alma. Cansados estamos nós de ouvir tal coisa, sem que ninguém nos demonstre, por a+b, qual a percentagem de sinceridade que cada um de nós deposita do seu olhar.

 

Sequer atrevo-me a questionar tal dito popular, até porque a sua veracidade está ao alcance da nossa vista. O que questiono é a qualidade desse reflexo, absolutamente refém do estado de manutenção/conservação do espelho e da mestria de cada ser em deixar transparecer, não só o que lhe vai na alma, mas essencialmente o que lhe apetece e lhe convém. Esta lógica não está a fazer muito sentido para ti? Não te apoquentes, que já desconstruo esta minha teoria.

 

Antes de mais, permite-me esta pequena reflexão: olhamos e somos olhados o tempo todo, desde o dia em que nascemos até o dia em que damos por concluída a nossa missão carnal nesta vida. Mais fácil conseguimos controlar todos os demais sentidos – que já não são apenas cinco como nos foi ensinado toda a vida – do que o nosso olhar. Podemos domesticá-lo, espartilhá-lo e até censurá-lo, mas subjugá-lo por completo, jamais! Agrada-nos? Olhamos! Desagrada-nos? Olhamos na mesma! E esta máxima aplica-se a pessoas, objetos, lugares e acontecimentos.

 

Sabes porque isso acontece, porque é tão difícil deixarmos de olhar para o quer que seja? Porque o olhar é o meio mais imediato e eficaz, no fundo instintivo, de que dispomos para interagirmos com o que nos rodeia. Quando olhamos, olhamos o mundo. No caso das pessoas, que é para onde pretendo direcionar esta crónica, quando olhamos para os seus rostos vemos lá refletidos gerações passadas, tradições, culturas, realidades, crenças, valores, experiências, vontades, expectativas, sonhos e futuro. E sentimentos, acima de tudo. Quando olhamos para o mundo, através das pessoas, vemos um mundo de afetos, de gentes e locais inesquecíveis. Um mundo imenso, infinito, profundo, misterioso e, muitas vezes, inescrutável.

 

É neste contexto que a tal máxima de que os olhos são o espelho da alma faça todo o sentido. Eu acredito que de facto assim seja. Só que existem almas tão imundas, tão carecidas de limpeza, restauro e polimento, que o seu reflexo de nítido pouco ou nada tem, ao ponto de dificilmente conseguirmos descortinar o que realmente lhes vai na alma. No fundo, não passam de almas encardidas, algumas com nódoas reversíveis outras nem por isso.

 

Ao longo da minha vida, tive o desprazer de cruzar com algumas delas. A umas topei logo de caras qual a real natureza da sua índole; a outras, para mal dos meus pecados, só me apercebi demasiado tarde, quando a fatura já era demasiado alta para conseguir liquidá-la a pronto pagamento. Acredito que a pouca experiência de vida e uma bondade inata tenham sido nessas alturas péssimas conselheiras.

 

Hoje sei que os olhos nem sempre dizem a verdade. Também sei que muitos dominam a arte de gerir o olhar consoante a sua conveniência. De forma matreira, astuciosa e até perversa, são capazes de nos envolver numa sequência de falsas boas intenções, das quais só nos apercebemos demasiado tarde, quando já estamos irremediavelmente enredados nas suas teias de inverdades, máscaras e manipulações.

 

Remato o assunto com o repto: dizem os teus olhos aquilo que sentes e sentem os teus olhos aquilo que dizes? Se a tua resposta for sim, dá cá mais cinco que és um humano premium. Caso contrário, se calhar é caso para repensares a tua forma de estar na vida. 

 

Boa reflexão e até à próxima!

 

P.S. - Não te esqueças que já só faltam 5 dias para o anúncio do blog do ano na categoria Sexualidade. Se ainda não me deste o teu voto, toca a despachar e deposita-o já aqui.

Autoria e outros dados (tags, etc)


7 comentários

Imagem de perfil

De Bipolar a 11.12.2018 às 01:25

Gosto sempre que me façam reflectir, seja lá por que motivo for. Achei muito interessante a forma como aqui coloca as coisas. Almas encardidas, eu não teria dito melhor. Sempre me considerei perspicaz numa área que até, supostamente, seria mais feminina: a de perceber a índole das pessoas com base em poucos indícios (aquilo a que chamam intuição). Mas realmente, chega sempre o momento em que a vida nos faz sair da zona de conforto e percebemos que afinal não percebemos nada. Entretanto, só queria acrescentar que a bondade, apesar de nem sempre nos levar a boas análises, é preferível à maldade ao avaliar as pessoas. Mais vale enganar-nos e desiludir-nos, do que julgarmos mal uma boa pessoa.
Imagem de perfil

De LegoLuna a 11.12.2018 às 09:37

Obrigada "Dois Polos" pelo teu testemunho, uma retificação daquilo que penso e que quis transmitir com esta crónica. És a prova de que fui bem-sucedida na minha intenção. Bem haja e boas festas.
Imagem de perfil

De Bipolar a 11.12.2018 às 13:18

Dois polos é simpático, como não me lembrei desse nome para o perfil? Muito mais interessante e suponho que assuste menos gente. Boas festas :)
Imagem de perfil

De LegoLuna a 11.12.2018 às 13:23

😉 De facto, Bipolar tem uma carga demasiado "patológica", digamos assim. Logo, intimida. Eh eh eh
Perfil Facebook

De Manuel de Marques a 11.12.2018 às 13:09

E na perspectiva dos «Cegos», os reias, físicos, mas também os de Alma e Espírito, como desconstruímos, ou reconstruímos, a tua "Realidade" acima exposta... . ...,
nós os Abençoados pela Luz, sem querer ou por nunca o experienciarmos, "cegamos" por completo para o lado ESCURO e Obscuro da Realidade, não só neste plano e por ti muito bem acima explanado e reflectido, como em todos os demais da VIDA!!!

Não é uma crítica, é apenas uma constatação, porventura mal-amanhada, mas que a mim me assola diariamente.
Sem imagem de perfil

De Eurico a 12.12.2018 às 00:11

Será que aquilo que captamos através dos nossos órgãos sensitivos é tal qual existe?
Felizmente eles estão cobertos pela névoa da nossa incorreta percepção da realidade, o que nos dá a oportunidade de pagarmos as dívidas contraídas ao longo daquilo a que chamamos vida.
Paga a fatura, nem sequer necessitamos de olhar para os olhos do outro para sabermos o que nem sequer ele sabe.

Comentar post



Mais sobre mim

foto do autor


Blog do Ano




Arquivo

  1. 2019
  2. J
  3. F
  4. M
  5. A
  6. M
  7. J
  8. J
  9. A
  10. S
  11. O
  12. N
  13. D
  14. 2018
  15. J
  16. F
  17. M
  18. A
  19. M
  20. J
  21. J
  22. A
  23. S
  24. O
  25. N
  26. D
  27. 2017
  28. J
  29. F
  30. M
  31. A
  32. M
  33. J
  34. J
  35. A
  36. S
  37. O
  38. N
  39. D
  40. 2016
  41. J
  42. F
  43. M
  44. A
  45. M
  46. J
  47. J
  48. A
  49. S
  50. O
  51. N
  52. D
  53. 2015
  54. J
  55. F
  56. M
  57. A
  58. M
  59. J
  60. J
  61. A
  62. S
  63. O
  64. N
  65. D

Pesquisar

  Pesquisar no Blog