Saltar para: Post [1], Comentários [2], Pesquisa e Arquivos [3]

Crónicas e confissões de uma rapariga gira e bem resolvida que (ainda) não cumpriu o papel para a qual foi formatada: casar e procriar. Caso para cortar os pulsos ou dar graças? Talvez nem uma coisa nem outra!


im-sorry-hands.jpg

Viva!

 

Quem me conhece sabe que não sou pessoa de pedir desculpas a torto e a direito, na mesma proporção que não gosto que me peçam desculpas por tudo e por nada. A razão por detrás desta minha forma de estar na vida assenta no dito popular de que desculpas não se pedem, evitam-se. 

 

Duvido genuinamente que um pedido de desculpa, por mais sentido que seja, é a melhor estratégia para quando fazemos asneira, sobretudo naquelas alturas em que ferimos os sentimentos alheios ou prejudicamos alguém. Abro aqui um parêntesis para frisar que a deliberação do ato praticado não está sendo aqui tido nem achado.

 

Claro que, como humanos que somos, erramos. Eu erro, tu erras, ele/erra, nós erramos, vós errais, eles erram. Contra isso nada a argumentar, pois é da nossa natureza. Dado que todos erramos, a minha forma de encarar as coisas leva-me a assumir que o termo mais adequado será "perdão" e não "desculpa". Quando dizemos a alguém "perdoa-me", além de arrependimento, demonstramos humildade e um profundo respeito pelo outro. Para quem tem dificuldade em proferir essa expressão, um "sinto/lamento muito" pode ser igualmente eficaz. 

 

Quando dizemos "des+culpa", como a própria composição da palavra indica, estamos a distanciar o sujeito da ação, ou seja, estamos a separar o eu do ato praticado. Para mim, isso mais não é do que uma tentativa patética e infantil de nos isentarmos de toda e qualquer responsabilidade pela falha praticada. Como se a "merda" que fizemos fosse mais uma ação que correu mal do que propriamente uma consequência direta de algo que poderia ter sido evitado caso tivéssemos tido mais atenção às consequências.

 

Quando o pedido de desculpa traz atrelado o "não foi por mal", aí é que fica o caldo entornado, pois disparo à queima-roupa: "se não foi por mal foi por que raio então?"

 

Uma das coisas que eu mais prezo na interação social é a capacidade que cada vez menos pessoas demonstram em por-se no lugar do outro, antes de agir. Pensar em como eu próprio me sentiria se o que estou prestes a fazer/dizer viesse do outro. O meu respeito pelos sentimentos alheios, aliado a uma aversão insana pelo confronto verbal, é de tal ordem que prefiro ferir os meus sentimentos a ter que ferir os alheios. Como tal, passo a vida num sofrimento constante, já que os outros ou não se apercebem desta minha postura e tomam-me por idiota ou se apercebem e mesmo assim levam a deles avante na expectativa de que não serei capaz de os enfrentar.

 

Quando mais jovem, não deixava passar nada – como se diz na gíria, não levava desaforro para casa. Quanto desgaste emocional, quantas desavenças, quantas recriminações (infligidas ou autoinfligidas), quanto desperdício de tudo e mais alguma coisa. Com a maturidade, rendi-me à evidência de que mais importante do que ter razão é ter paz.

 

Por isso, fui-me calando, deixando passar, relevando, justificando. Só que essa opção, como tudo na vida, também tem o seu preço, muitas vezes mais alto que a primeira. Só eu sei o quanto me corrói a alma cada vez que "engulo um sapo", pois não é da minha personalidade "comer e calar". Assola-me uma cataplana de sentimentos como angústia, inquietação, revolta, injustiça, cobardia e culpa. Sim culpa. Sabe-se lá porque carga de água (por acaso até sei), sinto-me culpada mesmo quando são os outros a falharem comigo.

 

A esta altura da vida, já nem sei qual a melhor tática: enfrentar ou resignar; refilar ou revelar; argumentar ou calar; contestar ou aceitar. Dizem os mais ponderados que a solução encontra-se algures pelo meio, só que eu ainda não consegui reunir skills suficientes para a pôr em prática com sucesso.

 

Na firme convicção de que ainda conseguirei atingir esse nirvana, remato esta crónica com um profundo pesar por constatar que pedir desculpa virou rotina. Usa-se por tudo e por nada. Portanto, ao invés de pedirmos desculpas, evitemos precisar fazê-lo, pois quando eliminamos as desculpas passamos a extinguir as razões pelas quais as pedimos!

 

Bom fim de semana e até breve!

Autoria e outros dados (tags, etc)


3 comentários

Sem imagem de perfil

De Nuno a 09.11.2018 às 23:39

O termo desculpa banslizouse pessoalmente também prefiro o perdão acho mais sensível e profundo wusbyo ao equilíbrio estou cono tu farto e de engolir sapos e acredita una das rações para a minha depressão e a quantidade de sapos que já me vi obrigado a engulir para evitar zangas familiares isso pacífica as coisas momentaneamente mas corrói os a longo prazo não é solução ou de facto ignoramos e para isso é preciso una enorne paz de espírito e autoconfiança ou te os de enfrentar com unhas e dentes I felizmente há muita gente que nso merece o nosso desgaste
Imagem de perfil

De LegoLuna a 12.11.2018 às 09:56

Nuno, remataste com pontaria esta crónica. Parabéns e obrigada
Sem imagem de perfil

De Nuno a 12.11.2018 às 09:58

Obrigado minha amiga ainda nso li o post de hoje mas vou agora lê-lo

Comentar post



Mais sobre mim

foto do autor


Blog do Ano




Arquivo

  1. 2018
  2. J
  3. F
  4. M
  5. A
  6. M
  7. J
  8. J
  9. A
  10. S
  11. O
  12. N
  13. D
  14. 2017
  15. J
  16. F
  17. M
  18. A
  19. M
  20. J
  21. J
  22. A
  23. S
  24. O
  25. N
  26. D
  27. 2016
  28. J
  29. F
  30. M
  31. A
  32. M
  33. J
  34. J
  35. A
  36. S
  37. O
  38. N
  39. D
  40. 2015
  41. J
  42. F
  43. M
  44. A
  45. M
  46. J
  47. J
  48. A
  49. S
  50. O
  51. N
  52. D

Pesquisar

  Pesquisar no Blog