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Crónicas, contos e confissões de uma solteira gira e bem resolvida que não cumpriu o papel para o qual foi formatada: casar e procriar. Caso para cortar os pulsos ou dar pulos de alegria? Provavelmente, nem uma coisa nem outra!


06
Mai20

Morre lentamente...

por Sara Sarowsky

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Viva!

O regresso ao trabalho presencial, ainda que em regime de turno, permite-me restitutir a militância que a minha performance criativa tanto acusou nas últimas semanas. O confinamento, na companhia integral de mais duas colegas de casa, revelou-se inesperadamente incompatível com a escrita inspirada e cativante pela qual tanto prezo.

Enquanto faço por voltar à antiga forma literária (se é que a posso assim chamar), partilho contigo este poema do grande Pablo Neruda, que muito me diz e que espero que a ti também toque fundo na alma. 

Morre lentamente
Morre lentamente quem não viaja, quem não lê,

quem não ouve música,
quem não encontra graça em si mesmo.

Morre lentamente quem destrói o seu amor-próprio,
quem não se deixa ajudar.

Morre lentamente quem se transforma em escravo do hábito,
repetindo todos os dias os mesmos trajetos,
quem não muda de marca, não se arrisca a vestir uma nova cor
ou não conversa com quem não conhece.

Morre lentamente quem faz da televisão o seu guru.

Morre lentamente quem evita uma paixão,
quem prefere o negro sobre o branco
e os pontos sobre os "is" em detrimento de um redemoinho de emoções, justamente as que resgatam o brilho dos olhos, sorrisos dos bocejos, corações aos tropeços e sentimentos.

Morre lentamente quem não vira a mesa quando está infeliz,
quem não arrisca o certo pelo incerto para ir atrás de um sonho,
quem não se permite pelo menos uma vez na vida fugir dos conselhos sensatos.

Morre lentamente quem passa os dias queixando-se da sua má sorte ou da chuva incessante.

Morre lentamente quem abandona um projeto antes de iniciá-lo,
não pergunta sobre um assunto que desconhece
ou não responde quando lhe indagam sobre algo que sabe.

Morre lentamente...

Pablo Neruda

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7 comentários

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De Margarida a 06.05.2020 às 16:19

Morre lentamente "quem não encontra graça em si mesmo"
Força para o regresso à tua forma literária
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De Sara Sarowsky a 06.05.2020 às 17:11

Obrigada 🌼
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De Luísa de Sousa a 06.05.2020 às 21:12

Amo este texto de Pablo Neruda e ate já publiquei no meu blog!


Beijinhos Sista
Boa Noite
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De Sara Sarowsky a 06.05.2020 às 21:39

Beijo 😘 bom Sista. Também amo esse poema, um autêntico hino à vivência plena 😀
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De Rute Justino a 06.05.2020 às 22:32

Muito bom
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De bii yue a 09.05.2020 às 13:16

Este poema diz tanto
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De Sara Sarowsky a 09.05.2020 às 16:37

Bate fundo na alma 😉 🙏🏾

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