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Crónicas, contos e confissões de uma solteira gira e bem resolvida que não cumpriu o papel para o qual foi formatada: casar e procriar. Caso para cortar os pulsos ou dar pulos de alegria? Provavelmente, nem uma coisa nem outra!


waiting-1047677_1920.jpgOra viva!

Ainda a propósito do Dia dos Namorados, que já lá vai mas que voltará para o ano (com toda a certeza), esta crónica intenta desconstruir um ponto fulcral na condição amorosa dos celibatários e aquele de que mais se ressentem nos dias de hoje: como conhecer alguém na vida real. Quando digo vida real, refiro a tudo o que não passa pela internet, que fique claro!

Acredito que aqueles que nasceram antes do século XXI em algum momento sentiram que o virtual açambarcou, descarada e compulsivamente, a sua forma de relacionamento interpessoal. Num espaço temporal demasiado curto, a tecnologia revolucionou-nos a vida ao ponto de sequer termos tido condições efetivas para assimilar o seu real impacto na interação humana. Tudo mudou a uma velocidade tal que os não digital natives, como são os nascidos antes de 2000, andam à nora, incapazes de se encaixarem no atual panorama das relações, sejam elas sociais, familiares, amorosas ou sexuais.

Em inúmeros aspetos essa revolução tecnológica veio facilitar-nos a vida, há que reconhecer. Mas em outros, veio complicar o que era simples. No que toca ao amor, vejo agora que éramos felizes e não sabíamos. No meu tempo – já pareço uma anciã a falar – quando queria conhecer alguém, ir ter com os amigos ou fazer noitadas era quanto bastasse. A partir daí, o desenrolar dos acontecimentos era de tal modo despretensioso que mal me apercebia da sorte que tinha por angariar pretendentes com tanta naturalidade e desenvoltura. Nos tempos atuais bem posso sair à noite um ano inteiro que dificilmente conhecerei alguém que valha a pena considerar como um digno candidato ao meu coração. Os amigos, quase todos emparelhados, só se dão com outros em igualdade de circunstância amorosa, logo com pouca margem de manobra para apresentar alguém por quem valha a pena considerar uma renúncia ao celibato.

A verdade é que a maior parte das pessoas com intenções amorosas desconhece, ou esqueceu, como fazer para se aproximar, cara a cara, olhos nos olhos, de outra pessoa. Não imaginas a quantidade de corações solitários que acusam essa dificuldade. Eu mesma já não faço a mais pálida ideia de onde ir, o que dizer ou como agir para chegar à fala com um potencial pretendente. Se saio para a borga, sou abordada quase sempre com um único propósito: free sex. Se não saio, aí é que as minhas chances de conhecer alguém interessante morrem à míngua. Então qual a melhor maneira de conhecer alguém, pergunto eu?

De acordo com os entendidos na matéria, ainda é a sair com amigos e a ser a última pessoa na festa. Para aqueles que, como eu, estão no mercado amoroso à procura de uma oportunidade de investimento com garantia de retorno a médio/longo prazo é hora de resgatar o máximo de amizades perdidas pelos corredores da vida ou esticar as noitadas até o chegar da segurança. 

Mais do que conseguir um número de telefone, um convite para um encontro ou, quem sabe, um beijo furtivo (ou até algo mais), o desafio maior será fintar o sono e o cansaço, condições que, a partir de certa idade, revelam-se os inimigos mais temidos de quem faz noitada. Eu que o diga! Hoje vou a uma festa de carnaval, pelo que até o fechar das portas haverá esperança.

Aquele abraço amigo e votos de um bom Carnaval!

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11 comentários

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De Kairós a 24.02.2020 às 13:25

Eu diria, mais provável em hobbies e voluntariados.
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De Sara Sarowsky a 24.02.2020 às 13:26

👋
Falando por experiência própria?
Pergunto porque já tentei em ambas as frentes e... adivinha😉
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De Kairós a 24.02.2020 às 13:50

"nascidos antes de 2000, andam à nora" , não me sinto nada a nora, até acho que as apps facilitam e muito o conhecer pessoas novas e interessantes.

Sempre achei a saída à noite, como apenas uma alternativa para aqueles visualmente mais apelativos e desinibidos. com as apps consegues passar a barreira do mero aspecto físico e dar dois dedos de conversa, inteligente de preferência.

Um contra das apps (no meu caso em particular) é que sobra pouco tempo para estar só e reflectir sobre nós próprios. Rapidamente aparece alguém bom de conversa e interessante .....

Não falo por experiência própria, mas tirando o mundo digital, familiares ou amigos de amigos são as únicas formas sociais de interagir com desconhecidos.

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