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Crónicas, contos e confissões de uma solteira gira e bem resolvida que não cumpriu o papel para o qual foi formatada: casar e procriar. Caso para cortar os pulsos ou dar pulos de alegria? Provavelmente, nem uma coisa nem outra!


04
Mar20

Março. Mulher. Mudança.

por Sara Sarowsky

monk-458491_1920.jpgOra viva!

Recém-adentrados em março, é com expetativa jubilada que ansiamos pelas mudanças que se lhe associam: o inverno que dará lugar à primavera, o dia que ganhará mais uma hora, o vestuário que ficará mais leve, as pessoas que terão melhor disposição e as atividades ao ar livre que se multiplicarão. Março é igualmente associado ao género feminino, já que é precisamente neste mês que se assinala o Dia Internacional da Mulher (no meu caso a celebração é sempre a dobrar, pois a 27 comemoro o Dia da Mulher Cabo-verdiana). Portanto, motivos tenho eu de sobra para recebê-lo de espírito aberto e coração grato.

Que tal pormos esta aura de mudança que paira no ar ao serviço da causa feminina, ou seja, que tal aproveitarmos este março - o primeiro de uma nova década - para promovermos uma real e concreta mudança na forma como percecionamos a mulher e o seu papel na sociedade? Que tal arregaçarmos as mangas e batalharmos arduamente por uma mudança capaz de promover uma socialização consciente, a par de uma sensibilização consistente, sobre alguns dos maiores flagelos que ameaçam a sua condição e a sua dignidade: relações abusivas, violência doméstica, violência no namoro, assédio sexual, assédio moral, descriminação baseada no género e desigualdade de oportunidades? Que tal marcharmos em direção a uma nova revolução, desta vez das rosas, capaz de restituir à mulher o lugar que lhe pertence por direito humanista: ao lado do homem (não atrás, muito menos abaixo). Sobretudo, que tal uma mudança da mulher em relação a si própria? 

Uma mudança efetiva e sustentável é aquela que é encetada de dentro para fora. No caso da tal Revolução das Rosas que referi há pouco, deve ela iniciar-se precisamente dentro de cada um de nós. Que a nossa vida muda quando resolvemos mudar é algo que todos ouvimos em algum momento. No caso da mulher, para que a sociedade, e ela própria, mude a forma como a encara, ela tem que mudar a sua autoperceção. Como? Confiando mais em si, acreditando na sua importância, valorizando a sua essência, resgatando a sua força, investindo nas suas capacidades e assumindo todo o seu potencial. Reconheci na crónica para o Público que Este país (ainda) não é para solteiras. E para as mulheres em geral será que é?

Reza a história que várias revoluções verdadeiramente impactantes deram-se sem recurso ao conflito armado, em que grandes líderes, como Luther King, Mandela, Gandhi, Buda ou até mesmo Cristo, conseguiram encetar verdadeiras mudanças à base da consciencialização do poder das massas. Que a revolução feminina pela qual tantos de nós ansiamos se faça igualmente sem alarido, na surdina, na consciência e no coração de cada um de nós. Que o empoderamento da mulher se dê acima de tudo dentro dela.

Desconheço força mais inspiradora, e demolidora, que aquela que a mulher é capaz de despertar/ativar dentro de si. É por isso que aos céus brado com orgulho: não há nada que uma mulher não seja capaz de fazer (desde que a isso se proponha, claro!). E se ela quiser que uma mudança ocorra, ela há de conseguir que essa mudança ocorra. Com toda a certeza!

Que este março de 2020 nos permita transformar os tais ventos de mudança que há muito pairam sobre nossas cabeças num vendaval capaz de varrer da nossa sociedade crenças, atitudes, padrões, comportamentos, mentalidades e realidades que põem em causa a vida e a dignidade da mulher. Que neste mês sejamos todos porta-vozes da mudança, porta-bandeiras da dignidade feminina, os verdadeiros agentes da mudança. Que neste março sejamos todos Mulher!

Aquele abraço amigo e até breve!

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