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Crónicas, contos e confissões de uma rapariga gira e bem resolvida que (ainda) não cumpriu o papel para a qual foi formatada: casar e procriar. Caso para cortar os pulsos ou dar graças? Talvez nem uma coisa nem outra!


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Viva!

 

Na expectativa de que a tua entrada em 2019 tenha sido infinitamente mais auspiciosa do que a minha, eis-me de volta ao teu convívio, recheada de episódios de drama, trama, mesquinhez, vingança, assédio e tudo de mais sórdido que imaginar possas. Prometo contar tudo mal consiga organizar as ideias e digerir o vendaval que se abateu sobre a minha vida nestas últimas duas semanas.

 

Por ora permite-me partilhar contigo esta crónica, redigida em plena sala de embarque a caminho de Paris, sobre como sobreviver no panorama atual das relações interpessoais. No rescaldo de mais uma chapada da vida, desta vez pelas mãos de pessoas a quem dediquei afeição, tempo, paciência, respeito e consideração, ocorreu-me que faz aqui precisão um manual de sobrevivência para o trato social, em geral, e para as relações interpessoais, em particular.

 

No intuito de evitar que passes por aquilo que eu volta e meia passo, deixo-te aqui alguns conselhos sobre como gerir relações, sejam elas sociais, profissionais, familiares, amorosas ou até sexuais.


Dica 1 - Não dês demasiado de ti
À primeira leitura esta recomendação pode parecer ultra antissocial, mas se formos analisar com cuidado veremos que não o é de todo. Quanto mais damos de nós, quantas mais informações pessoais fornecemos aos outros, mais poder de nos ferir os sentimentos lhes conferimos. Uma vez na posse de dados que nós próprios lhes facultamos (ainda que na maior das inocências), muito são aqueles que não demonstram quaisquer escrúpulos em usá-los a nosso desfavor.

 

Dica 2 - Nas costas dos outros vê as tuas
Nas costas dos outros faz-te a ti própria o favor de ver as tuas. Se conheces quem fale mal dos outros pelas costas e na frente dos mesmos é só sorrisos e mimosices acautela-te que um dia será a tua vez de estar nessa posição. Pessoas assim são mais falsas que notas de 2 euros, pelo que não são amigas de ninguém, por mais que tentem convencer-te do contrário.

 

Dica 3 - O que os outros pensam de ti é problema deles
Todos nós temos opinião formada sobre pessoas e coisas, embora uns admitam e outros, por uma questão de pudor ou hipocrisia, nem por isso. Essa opinião tanto pode ir de encontro à realidade como pode induzir-nos em erros de perceção gravíssimos, dos quais poderemos nos lamentar pelo resto da vida. Com isso quero deixar claro que só te deves ralar com a opinião dos outros em relação à tua pessoa e/ou conduta se nela te reveres. Caso contrário, aciona o travão de mão, mete o pisca e encosta-os a um canto da tua vida, já que desse tipo de gentinha o melhor mesmo é manter distância.

 

Dica 4 - Vemos nos outros o reflexo de nós mesmos
Perante os que passam a vida a vomitar na cara dos outros tiradas do tipo: "És isto ou és aquilo", tem em consideração o conceito esotérico de espelho invertido, no qual a pessoa vê nos outros o seu próprio reflexo. Portanto, de agora em diante sempre que alguém te disser que és mau-carácter, egoísta, mentirosa, ingrata, desleal e por aí fora, fica a saber que quem é tudo isso não és tu, mas sim essa pessoa. Afinal, quem melhor que um criminoso para saber reconhecer outro?

 

Dica 5 - Prima por uma relação cordial, porém distante q.b.
Darmo-nos bem uns com os outros é recomendável – imperativo até – na interação social. Além de constar do manual da boa educação, é uma postura que nos facilita muito a vida e nos permite coabitar pacificamente com os nossos semelhantes. Contudo, recomendo que mantenhas a distância mínima de segurança, sob pena de seres abalroada por quem não conhece ou não respeita as regras da (boa) conduta social.

 

Dica 6 - Presta atenção à forma como tratam os outros
Um dos sinais mais flagrantes do temperamento e da índole de alguém revela-se quando está chateada/nervosa, sobretudo pela forma como se dirige aos outros, especialmente aqueles que considera o elo mais fraco da dinâmica. Se conheces quem fale mal para os outros, grite, insulte e humilhe, não tenhas dúvida de que à primeira oportunidade tratar te á de igual modo.

 

Dica 7 - Destemperamento combate-se com desprezo
Perante personalidades destemperadas, que fazem e acontecem só porque sim, a melhor estratégia consiste em evitar ao máximo o confronto verbal (ou físico, que também acontece). Por melhores que sejam os teus argumentos e as tuas intenções este tipo de pessoa vai encontrar sempre forma de te fazer sentir miserável. Se não for pela experiência, vence-te pelo cansaço, acredita. Simplesmente, não vale a pena.

 

Dica 8 - Desculpas não se pedem evitam-se
Há uns tempos escrevi precisamente sobre gente que dispara a matar para só depois tratar dos feridos. Se conheces quem passa a vida a destratar os outros, seja na forma de falar seja na forma de atuar, e depois age como se nada fosse ou pede desculpas com aquele arzinho de peru na véspera de Thanksgiving Day fica a saber que pessoas assim dificilmente se arrependem das suas atitudes. Pois se assim fosse não aprontariam novamente, certo? Quando aprontam, têm por hábito adotar uma postura mansa e humilde pelo tempo suficiente até baixares a guarda e poderem desferir-te novo golpe. A não ser que tenhas vocação para saco de pancada, põe-te a pau.

 

Dica 9 - Quem gosta de falar não está para ouvir os outros
A experiência mostra que quem fala muito adora ouvir o som da própria voz. O que, por exclusão das partes, significa que não gostam de ouvir a voz dos outros. Assim sendo, dificilmente permitem que possamos expor o nosso ponto de vista, sobretudo se estes não vão de encontro aos seus. Bem podes tentar tentar tentar mas vais acabar subjugado pelo seu poder de absorvência e mememismo (o tal me me me de que também já aqui falei). O meu conselho é que perante pessoas assim fales o essencial (quando possível) e do seu bla bla blá retenhas apenas as informações que te forem relevantes. O resto é palha, e a não ser que sejas herbívoro não precisas dela para nada.

 

10 - Guarda a tua sinceridade para quem a saiba apreciar
Para último guardei a questão da sinceridade, honestidade, transparência ou frontalidade, como lhe quiseres chamar. Não conheço quem não apregoe serem estas as qualidades que mais valorizam no ser humano. No entanto, comprova a prática, escassos são os que realmente a praticam sem intenções dúbias e menos ainda os que aceitam serem dela alvo. Há pessoas que só gostam da sinceridade quando esta lhes massageia o ego. Nas vezes que assim não é, caem-te em cima feitos devoradores da morte (referência às personagens da saga Harry Poter). Para te salvaguardares de dramas desagradáveis, escolhe com esmero aqueles com os quais te podes dar ao luxo de seres absolutamente transparente, sob pena de seres ostracizada ou banida do convívio social. Dizeres o que pensas e pensares o que dizes pode fazer de ti vilã, dando azo a que personas mal intencionadas possam assim vestir a pele de vítima.

 

Bem mais teria a escrever sobre o assunto, mas como o texto já vai longo e a tripulação exige que se desliguem os aparelhos electrónicos, despeço-me com aquele abraço amigo de sempre.

 

Um bom ano e até breve!

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2 comentários

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De Urso a 08.01.2019 às 23:20

E nso é que a Interwcso social care é mesmo de manual?
Adorei esta tua partilha bem útil two verdade aquilo que aqui escreveste o ser humano é de facto complexo

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