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Crónicas, contos e confissões de uma solteira gira e bem resolvida que não cumpriu o papel para o qual foi formatada: casar e procriar. Caso para cortar os pulsos ou dar pulos de alegria? Provavelmente, nem uma coisa nem outra!


28238765_10215791454446366_7306185065440535694_o.jViva!

Vivemos tempos duros, é certo. Provavelmente, vai endurecer ainda mais daqui a um par de semanas. Com o passar dos dias, o isolamento social trará à tona novos problemas, sejam eles financeiros, conjugais, familiares, emocionais, psicológicos e até psiquiátricos. Ainda que não seja especialista na matéria, estou em crer que casos relacionados com ansiedade, ataques de pânico, depressão, suicídio, divórcio, obesidade e falência vão disparar em flecha.

Há coisas que não conseguimos controlar, daí que não valha a pena estarmos a perder tempo com elas. Concentremo-nos antes naquilo que depende de nós, especialmente no que podemos fazer para atenuar ou melhorar a situação. O isolamento social não tem que estar associado apenas a coisas más. Como tudo na vida, também ele possui um lado positivo, por mais que não pareça. Apelando à minha experiência pessoal, dou vários exemplos de como esta quarentena imposta pode ser boa para a nossa vida. Anota aí:

Mais hora de sono
O regime de teletrabalho tem-me proporcionado mais uma hora de sono. Em vez de me erguer às sete, agora só às oito horas digno elevar o meu património físico da cama. Garanto-te que ele não se tem queixado dessa hora extra. 

Melhor gestão do tempo
Como não estou dependente de fatores externos, consigo ter uma gestão precisa do meu tempo. Entre o despertar e o estar sentada à frente do computador para dar início a mais uma jornada laboral, sei que disponho de exatamente 60 minutos, tempo mais do que suficiente para dar um jeito à casa, desintoxicar o organismo (com água morna e limão), tomar duche, vestir e restabelecer o contacto com o mundo virtual.

Sesta depois do almoço
Tirar uma soneca a meio do dia é um privilégio de que poucos adultos se podem gabar. Desde menina que cultivo esse hábito, do qual – por imposição das exigências da atual vida laboral – tive que abrir mão. O confinamento domiciliar trouxe de regresso uma oportunidade de ouro para voltar a poder dar um descanso ao cérebro após o almoço. E que bem que me tem sabido!

Alimentação (mais) saudável
Ao fazer a totalidade das refeições em casa, consigo garantir a qualidade da minha dieta alimentar. Por melhores escolhas que façamos, comer fora representa sempre um risco para aqueles que primam pelo bem-estar, como é o meu caso. Assim, por estes dias não poderia estar mais orgulhosa da minha alimentação, essencilmente à base de azeite extra virgem (biológico), vegetais de produção orgânica ou caseira, arroz integral ou selvagem, muitas leguminosas, massa integral, peixes gordos, iogurtes magros e requeijão; tudo regado a água, chá verde e... o bom e velho vinho tinto. Tenho a certeza que o meu colesterol HDL deve estar nas nuvens.

Zero stress
Por estes dias o meu sistema nervoso central anda a desfrutar de umas merecidas férias. Só o facto de não ter que me preocupar com o vestir... Ainda que super orgulhosa da minha vaidade, a verdade é que a coordenação do guarda roupa é uma tarefa que me exige algum gasto intelectual e emocional. Decidir sobre o que usar, combinar com os acessórios, evitar repetir peças e ousar sem cair no ridículo né mole não. Como sabes, divido casa com outras pessoas, uma situação que me desgosta sobremaneira, não só por apreciar cada vez menos a convivência diária com humanos, mas sobretudo por prezar o sossego, o silêncio, o asseio e a arrumação. Com esta situação pandémica, a colega que mais me incomodava foi isolar-se na província, logo é-me possível manter a casa impecável, sem falar que não tenho que partilhar o WC com o namorado dela, nem ter que ouvir os seu gritos ao telefone.

Controlo da situação
A ausência de contacto físico diário com outras pessoas tem-se revelado uma benção na gestão da informação que a mim chega. Neste momento, eu detenho o poder de controlar o que quero saber, quando quero saber e de que forma quero saber. A minha principal fonte de ansiedade relacionada com esta pandemia derivava precisamente da convivência com colegas de trabalho, os quais – a uma velocidade alarmante – faziam questão de recitar tudo o que lhes chegava ao conhecimento, na maior parte das vezes com uma carga dramática absolutamente incompatível com a minha paz de espírito. Agora que estou em casa, só tenho acesso às notícias logo pela manhã, e via canal público.

Melhor saúde
Estar confinada em casa tem beneficiado – e muito – o meu bem-estar físico, mais concretamente a rinite alérgica, que na primavera atinge proporções agonizantes. Nesta altura do ano, costumo penar por causa do polén que abunda pela natureza. Ao não sair para a rua, só tenho contacto com as partículas alergénicas na hora de abrir as janelas para arejar a casa.

Menor gasto de recursos naturais
Esta reclusão domiciliária tem-se traduzido numa redução drástica da quantidade de roupa suja. Ora acontece que a diminuição da necessidade de usar a máquina de lavar implica um menor gasto da água e da eletricidade, recursos naturais preciosos. Com isto ganha o planeta, ganha a carteira, ganha o vestuário. Só não ganha a Edp e a Epal.

Poupança financeira
Tinha-me esquecido o quanto se poupa não saindo de casa. Como gastadeira crónica que sou, é raro sair de casa e regressar com o saldo intacto. Só para teres uma ideia, recebi ontem o salário e ainda não gastei um cêntimo. Em circunstâncias normais, por esta altura já teria dispendido à vontade 20% do seu total. Não saindo de casa não gasto, logo, a minha conta bancária agradece.

Mais e melhor tempo
Tempo é que o não me tem faltado ultimamente. Tenho-o tido para tudo e mais alguma coisa, daí que o esteja a aproveitar para meditar, exercitar, aprender, ler, escrever, ver televisão, pensar, planear, sonhar e, acima de tudo, descansar. Entre o trabalho ordinário, este blog, o livro, o outro projeto pessoal e as solicitações de terceiros, andava num estado de estafa muito grande. Portanto, esta espécie de férias caseiras têm sido um bálsamo.

Mais qualidade de vida
Tudo que escrevi até aqui conduz a este último ponto. Para mim, qualidade de vida resume-se a ter dinheiro no bolso, comer bem (o que quero e na hora que quero), degustar de uma boa taça de vinho, dormir o suficiente, viver numa casa limpa e arrumada, estar em paz e em segurança, não ser escrava do relógio, ter inspiração para escrever e desfrutar da minha própria companhia. Em suma, a qualidade de vida passa por ser dona e senhora da minha vontade, do meu tempo, dos meus pensamentos. Não é precisamente isto que o atual cenário nos tem proporcionado?
 
Tenho desfrutado de uma vivência tão pacífica e intropespetiva nestes últimos dias que o regresso à dita normalidade ser me á bastante difícil. Ainda que tenha noção de que dificilmente partilharás desta minha perceção, aconselho-te a tirar o máximo proveito do lado bom de toda esta situação; indesejável, contudo, inevitável.
 
Tendo que ficar em casa, desfruta deste post como se de um manual de sobrevivência se tratasse.
 
Aquele abraço amigo e até breve!

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8 comentários

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De Rute Justino a 24.03.2020 às 16:22

Sempre com boas partilhas ;)
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De Sara Sarowsky a 24.03.2020 às 16:24

Tudo para que aqueles que me leem possam tirar algum proveito e terem uma existência mais feliz 😀 🙏🏾 😉
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De bii yue a 24.03.2020 às 21:44

Same, same, same
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De Sara Sarowsky a 24.03.2020 às 22:03

Really???? Awesome! 👏🏽
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De Gésico a 26.03.2020 às 00:51

Eu tenho também aumentado as actividades a solo que também melhoram a qualidade de vida um duche matinal mais prolongado... uma pausa a meio para ir relaxar e estimular as dopaminas
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De Sara Sarowsky a 26.03.2020 às 07:13

E assim vão os dias passsndo. Feliz 😀 aquele(a) que consegue tirar partido de uma situação adversa 😉
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De Gésico a 26.03.2020 às 07:52

If you can laugh in the face of adversity, you’re bullet-proof. - Ricky Gervais
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De Sara Sarowsky a 26.03.2020 às 08:02

👏🏽👏🏽👏🏽👏🏽

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