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Crónicas, contos e confissões de uma rapariga gira e bem resolvida que (ainda) não cumpriu o papel para a qual foi formatada: casar e procriar. Caso para cortar os pulsos ou dar graças? Talvez nem uma coisa nem outra!


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Viva!

É-nos cada vez mais indubitável que as relações longas e duradouras, os "até que a morte nos separe", são cada vez mais exemplos raros de encontrar. O que era regra virou exceção, e como tal o amor tradicional tem-se desmembrado em várias versões, sendo uma delas o fast love. Falemos então desta nova forma de vivenciar o mais intenso de todos os sentimentos.

O conceito de amor para toda a vida, que o Nicholas Sparks tão bem nos vende, definha-se a olhos vistos; e em seu lugar vão ganhando força as relações efémeras, voláteis e descartáveis, sustentadas no pressuposto de que "se isto não está a dar certo, mais vale partir já para outra". São as tais "relações de consumo rápido", como as define a psicóloga Ana Carvalheira.

De acordo com esta investigadora na área da psicologia e da sexualidade, nos tempos atuais a maioria de nós procura uma pessoa que sirva os seus interesses, que se encaixe na sua personalidade, no seu estilo de vida, nos seus ideais, sonhos e metas; no fundo, que vá de encontro às suas expectativas. O problema é que assim que se chega à conclusão que esta não corresponde àquilo que se idealizou, troca-se. É o tal fast love.


Explica a mesma que por detrás desta exigência redobrada está "um processo de individualização muito marcado". Hoje, prima o "eu" sobre o "nós", o indivíduo sobre o casal. Ora, acontece que uma relação exige investimento, dedicação, motivo pelo qual a esfera do "eu" nunca deverá estar acima da esfera do "nós", sob pena da relação não vincar. Por isso é que atualmente os casais se unem e separam com tanta facilidade.

 

E para piorar ainda mais todo este cenário, existem as novas tecnologias, que através de sites, aplicações e ferramentas de comunicação, potenciam e facilitam relações instantâneas, à mercê de um match. Um simples swipe para a direita pode conduzir-nos ao amor. Esta multiplicidade de meios que a tecnologia põe ao nosso dispor possibilitam interações que de outra forma não aconteceriam. O que facilita sobremaneira a vida deste tal fast love, reforça Ana Carvalheira.

Só que o amor exige envolvimento, nem que seja a prazo. E isso implica objetivos além dos individuais. Lamentavelmente, "hoje em dia, a maior parte dos casais tem imensa dificuldade em apontar objetivos além do viajar", considera a psicóloga.

Outra explicação para este proliferar de amores de consumo rápido deve-se a um menor conformismo em permanecer numa relação infeliz. “No passado as relações eram mais longas, mas não necessariamente mais felizes. Eram as normas sociais e a vergonha em assumir que um projeto de vida falhou que mantinham muitos casamentos de pé. Agora, os jovens não estão dispostos a estar numa relação que deixou de ser feliz só porque parece bem", remata a especialista.

Sabendo que o conceito de fast food transpôs a fronteira da culinária e chegou ao amor, é caso para nos interrogarmos se o regime amoroso que temos vindo a praticar é o mais adequado ao nosso bem-estar emocional, psíquico, social e familiar. A cada um de nós cabe a responsabilidade de adotar aquela que lhe for mais conveniente.

Até breve!

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