Saltar para: Post [1], Comentários [2], Pesquisa e Arquivos [3]

Crónicas e confissões de uma rapariga gira e bem resolvida que (ainda) não cumpriu o papel para a qual foi formatada: casar e procriar. Caso para cortar os pulsos ou dar graças? Talvez nem uma coisa nem outra!


12-kinds-of-kindness_feature-1000x641-1.jpg

Viva!

 

Um texto do Sarcasticamente Falando inspirou-me a escrever sobre o quão perigoso (e doloroso) é ser-se bom nos dias que correm. Numa época em que culto da moral elástica parece angariar cada vez mais seguidores, valores como honestidade, sinceridade, lealdade, solidariedade e respeito pela dignidade alheia quase que destoam dessa realidade invertida.

 

Hoje em dia, mais fácil nos surpreendemos com um gesto de bondade do que com o contrário. A sensação que me dá é que o que é suposto ser regra - sermos bons uns para os outros - passou a ser exceção, como se habitássemos um universo paralelo, com os valores todos trocados.

 

Quem nunca foi acometido por um genuíno sentimento de incredulidade quando bafejado por uma ação bondosa, custando-lhe acreditar em tamanha sorte, que comente agora ou prossiga com a leitura. Nessas ocasiões, a nossa primeira reação verbal costuma ser algo do tipo: "Não estava nada à espera", num claro sinal de que estamos mais familiarizados (logo confortáveis) com a ausência de bondade do que com a dita cuja propriamente; quando deveria ser precisamente o contrário.

 

Num mundo cada vez mais distorcido de valores e de princípios, torna-se um intrincado quebra-cabeças saber em quem confiar e em quem depositar as nossas melhores expectativas. Mais do que querer confiar, precisamos fazê-lo para nos sentirmos em paz connosco. Como tal, acabamos, mais do que é suposto, com os sentimentos feridos, pelo simples motivo de que avaliamos os corações dos outros à luz do nosso próprio. Daí que ser bom demais tornou-se perigoso. E inglório.

 

Existe, no contexto atual, uma necessidade de se dar bem em todos os palcos em que se atua, mesmo que por meio de vantagens indevidas, de caminhos duvidosos, passando por cima dos outros, como se, de facto, os fins justificassem quaisquer meios. Nessa luta desenfreada pelo sucesso, a lealdade e o compromisso com o outro acabam por ser algo a não se prender, pois o que importa mesmo é galgar os degraus da ascensão social, da progressão laboral e da realização amorosa, fazendo com que as relações humanas se revelem cada vez mais frágeis e ocas.

 

Ainda assim, muitos são aqueles que fazem questão de manter a fé na bondade alheia e a esperança numa sociedade mais justa, mais igualitária, mais solidária, mais digna, no fundo, mais humana. São esses os que se recusam a abrir mão da crença na amizade verdadeira, no amor desinteresseiro, na honestidade e na integridade. Almas que ainda persistem no propósito de ser feliz sem magoar, sem trair, sem maldizer, sem prejudicar, colocando-se no lugar das pessoas com as quais convivem.

 

Eu me assumo como uma dessas pessoas que, por mais que apanhem da vida e levem rasteiras dos outros, permanecem fiéis à sua essência, que é ser bondoso. Não porque acredito na recompensa divina (longe disso), mas porque acredito que o mundo seria um lugar infinitamente melhor para se viver se todos nós formos genuinamente bons uns com os outros.

 

Atenção, que com ser bom não me refiro a ser um santo, que tudo atura, tudo aceita, tudo suporta e tudo perdoa. Com ser bom refiro-me a ter respeito pelos outros, a ajudar quem precisa, a não prejudicar ninguém a custo zero, a não trair, a não mentir e a não intentar contra o bom nome e a honra alheia.

 

Despeço com um até à próxima!

 

P.S. - Na sexta faço anos, por isso vai pensado na minha prenda, que faço questão de receber.

Autoria e outros dados (tags, etc)


6 comentários

Imagem de perfil

De Ana a 28.11.2018 às 13:01

olá!
Gostei muito de ler e também sou daquelas pessoas que ainda acredita em pessoas , mesmo já tido muitos amargos de boca . Ainda não aprendi a lição na totalidade e acho que se a aprender perderei muito da minha identidade .

Sexta feira falamos
Imagem de perfil

De LegoLuna a 28.11.2018 às 14:19

Combinado! Obrigada pelo teu comentário e mantém-te fiel à tua essência, pois porque algum motivo a tens. E jamais te esqueças que quem não é bom é que está errado.
Sem imagem de perfil

De Nuno a 28.11.2018 às 13:53

Adorei este teu texto minha amiga a questão é que neste mundo cada vez msis competitivo e despido de valores de solidariedade ética e respeito sonos nos os que ainda nos regem os por valores e acreditamos na bondade os que msis chapada da vida e dos outros precisamente porque tendemos sempre a ter a crença ingénua de que os outros são como nós, não sonos nem pretendemos ser anginhos mas a bondade só vale a pena para nós mesmos e para os poucos que a merecem eu durmo de consciência tranquila e prefiro isso do que um alto cargo ou um bruto ordenado há custa de ter ido co tra a minha essência e os meus valores

P, s a prenda pode ser uma caixinha de bombo a natalícios?
Imagem de perfil

De LegoLuna a 28.11.2018 às 14:22

Uau, que belo testemunho este teu. Apraz-me saber que mais pessoas vão de encontro ao meu ponto de vista. Seja lá qual for a prenda, desde que seja de coração, é sempre bem-vinda.
Sem imagem de perfil

De Nuno a 28.11.2018 às 18:10

Obrigado e bom saber que gostaste do que escrevi
Sem imagem de perfil

De Eurico a 28.11.2018 às 23:56

Ora bem!
Quando o meu tico e o meu teco eram irmãos gémeos verdadeiros, eu era bonzinho.
Porém, um dia casaram-se com umas irmãs gémeas falsas.
Deu asneira!
Ainda bem!
Agora, sou só bom!
Portanto, os maus que se cuidem porque os bons andam aí!

Comentar post



Mais sobre mim

foto do autor


Blog do Ano




Arquivo

  1. 2018
  2. J
  3. F
  4. M
  5. A
  6. M
  7. J
  8. J
  9. A
  10. S
  11. O
  12. N
  13. D
  14. 2017
  15. J
  16. F
  17. M
  18. A
  19. M
  20. J
  21. J
  22. A
  23. S
  24. O
  25. N
  26. D
  27. 2016
  28. J
  29. F
  30. M
  31. A
  32. M
  33. J
  34. J
  35. A
  36. S
  37. O
  38. N
  39. D
  40. 2015
  41. J
  42. F
  43. M
  44. A
  45. M
  46. J
  47. J
  48. A
  49. S
  50. O
  51. N
  52. D

Pesquisar

  Pesquisar no Blog