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Crónicas, contos e confissões de uma solteira gira e bem resolvida que não cumpriu o papel para o qual foi formatada: casar e procriar. Caso para cortar os pulsos ou dar pulos de alegria? Provavelmente, nem uma coisa nem outra!


people-2557411_1920.jpgOra viva!

A minha vida continua aquela loucura que só eu sei, um corre-corre que parece alimentar-se da sua própria dinâmica. Ainda bem que já estou em contagem decrescente para as (habituais) férias de Natal. Este ano, a pandemia trocou-nos as voltas de tal modo que vi-me obrigada a abrir mão de estar com os meus, os quais, feliz ou infelizmente, vivem além-fronteiras. Por terras lusas terei eu que desvencilhar nas próximas semanas, o que não me agrada nada, vou já dizendo.

Como o que não tem remédio remediado está, mais vale conformar e tentar ver o lado bom da situação. 
Desabafo à parte, contigo partilho hoje um texto de Nelson Marques, publicado na edição online do Expresso, em junho de 2018, que versa sobre um tema particularmente interessante: a junção da amizade com o amor, resultando naquilo que o autor chama de amorzade. Deixo-te então com esta reflexão sobre se será (ou não) uma boa ideia namorar com um amigo.

A culpa desta geração que diz ser "inamorável" é das crianças. Ou melhor, é nossa quando éramos crianças. Lembram-se do tempo em que trocávamos bilhetinhos nas aulas ou no recreio da escola? "Queres namorar comigo?", perguntávamos. E lá inscrevíamos as três opções que a nossa paixão infantil devia considerar: sim, não, talvez. Na idade da inocência ainda não tínhamos percebido que o amor é incondicional. Ou sim ou não. Não há espaço para talvez.

O bom daquela idade é que ninguém tinha bagagem. Não havia feridas emocionais por cicatrizar, corações partidos à espera de quem os consertasse, fantasmas do passado que voltavam para nos assombrar. Éramos ainda folhas em branco, mas já disponíveis para as migalhas de um amor em suspenso. "Queres namorar comigo?" Talvez. Bastava isso para nos colocar um sorriso na cara.

Hoje já quase não se namora. Salta-se da discoteca ou do Tinder para a cama e em menos de duas semanas a combustão já se extinguiu, foi afinal fogo fátuo. Numa hora andamos nas nuvens, na outra já estamos a olhar por cima do ombro à procura de alguém melhor. Tão depressa nos deitamos a pensar que nada podia ser mais certo, como acordamos a ouvir "há dias em que penso que tudo o que faço é errado". O "não és tu sou eu" deu lugar ao "és uma pessoa incrível, mas tenho de me resolver a mim antes de nos resolver a nós". E quanto mais incrível for a pessoa, mais medo temos de falhar. Paralisamos. Em menos de nada, desistimos.

O amor tornou-se um jogo de tentativa e erro. Tentamos muito, mas acertamos pouco. E a cada nova tentativa, partimos com a armadura reforçada, para amparar o tombo. Já poucos aceitam saltar sem para-quedas, viver a sensação de queda-livre, mesmo que acabem estatelados ao comprido, para depois montarem os ossos do esqueleto, um a um, até estarem de pé de novo. Tornámo-nos a geração que tenta muito, mas arrisca pouco. Parece um contrassenso, mas não é. Para arriscar é preciso investir, como no tempo das paixões juvenis. Agora, desiste-se ao primeiro embate.

Esta geração de gente "inamorável", que diz ser feliz a viajar sozinha pelo mundo, mas que sonha com alguém com quem possa ver uma série de pijama no sofá, criou uma nova categoria de relacionamentos: as "nossas pessoas". "És a minha pessoa", dizemos, quase como uma declaração de amor. É o(a) amigo(a) que está lá sempre quando tudo o resto falha, a companhia para jantar, para ir ao cinema, para viajar. É o(a) namorado(a) com o qual não temos sexo. E de tanto estarmos com a nossa pessoa, esperando que ela um dia nos abra a porta, esquecemo-nos de olhar para outras. E nem percebemos que, por estarmos sempre acompanhados, não damos espaço a que se aproximem de nós.

E neste círculo vicioso, com pessoas cada vez mais magoadas, com mais cicatrizes, com cada vez mais receio de arriscar, talvez um dia olhemos para o lado e pensemos "Porque não?". Então, é muito provável que ouçamos "Não digas asneiras, somos só amigos". Mas será um erro assim tão grande? Se calhar quem tanto procurávamos esteve sempre ali ao nosso lado, como no tempo dos bilhetinhos da escola. Se ao menos tivéssemos coragem de escolher o "sim".

Aquele abraço amigo de sempre!

P.S. - Não te esqueças de votar em mim para blog do ano. A votação termina este domingo, pelo que ainda vais a tempo de fazer a diferença. Para fazê-lo só tens que clicar aqui e escrever o nome Ainda Solteira na caixa "Comentar", tal como esta imagem.

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2 comentários

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De Lobi a 18.12.2020 às 15:20

Olá LegoLuna, gostei imenso, obrigado.
Também votei teu blog. Força.
Um beijo.
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De Sara Sarowsky a 18.12.2020 às 15:24

Muito agradecida Lobi. Espero “ver-te” mais vezes por cá. 🎄💐🙏🏾

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