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Crónicas e confissões de uma rapariga gira e bem resolvida que (ainda) não cumpriu o papel para a qual foi formatada: casar e procriar. Caso para cortar os pulsos ou dar graças? Talvez nem uma coisa nem outra!


11760086_1008355652537998_1052707973627477187_n.jpViva!

 

Sem muita inspiração para uma crónica inédita (além de estar a estudar o código da estrada, estou a dirigir o falecimento de um parente muito próximo, e ainda por cima jovem), espero que te contentes com esta eloquente crónica do José Paulo do Carmo sobre aquilo que ele chama de "agitadores sociais", subespécie humana com a qual me identifico plenamente. Se bem te conheço, garanto-te que vais gostar do que aí vem.

 

Gosto mais dos que dizem o que pensam do que os que pensam muito no que dizem.
Gosto dos que o fazem de peito feito, não para serem incorretos ou só para serem do contra mas que odeiam subserviência.
Que abominam "lambe-cus" e que lhes dá urticária só de olhar para "engraxadores".
Dos que vão sem medos, quase sempre sozinhos e não se escondem em comentários cobardes atrás de um qualquer nome fictício nas redes sociais.
Os que dão a cara e não se escondem, que se informam, se transformam e mudam de opinião quando vão para melhor.
Os que crescem e evoluem.
Que assumem os seus erros como parte da sua construção pessoal e não têm vergonha de pedir desculpa.
Os que falam do que sabem, que pesquisam e analisam e que vencem pelos seus méritos sem ter que andar de mão estendida no meio da multidão, porque desses já há cá de sobra.


Gosto dos que fazem da palavra a sua bandeira, dos que trabalham para serem felizes e terem sucesso, que gostam de partilhar o seu conteúdo e que falam mesmo quando sabem que o mundo inteiro vai estar contra.
Dos que defendem posições e convicções, dos que são incómodos sem ser injustos, que não vivem da produção de tudo aquilo que não são e que mesmo que às vezes façam um esforço para estarem calados não conseguem. Porque é puro, natural e incorrigível.


Gosto dos que sabem que podem prejudicar a sua vida social e a sua carreira mas que não sucumbem aos vícios, aos interesses instalados e às mordaças políticas. Dos que preferem felicidade interna bruta ao produto interno bruto e que entre a esquerda e a direita preferem aquilo que os faz sentir bem, que os preenche e que pensam ser melhor em determinado momento para determinada situação especifica.
Dos que analisam caso a caso e não generalizam.
Gosto dos que participam quando por vezes era tão mais fácil ficar de boca fechada e que o fazem por uma questão de principio, de coerência e dever cívico.

 

Gosto dos que são tão livres que num primeiro momento são ostracizados e postos de parte, mas depois puxados para bem perto para ver se os compram e se os mantêm "domados" e controlados e ao serem goradas as expectativas ficam na linha do respeito cumprindo a distância de segurança com receio do que possam fazer.
Adoro quando os que estão habituados a ter "lambe-botas" ao seu redor apanham um destes.
Dos que conquistam o direito a dizer o que lhes vai na alma mesmo que nem tudo seja certo. Que arriscam sem subterfúgios ou meias palavras e que pensam no que os filhos um dia irão pensar deles à frente de um tacho ou de paninhos quentes.

 

Gosto de quem ainda acredita que pode existir ética na vida, dos que sabem criticar mas que elogiam ainda com maior prazer.
Dos que não são sempre do contra e que têm sensibilidade para dar valor a atitudes e a gestos.
Dos que não decidem em função da cor mas sim do que está certo, dos que sabem que nem tudo está bem mas que certamente não estará tudo mal.
Dos positivos que não se encolhem e que acham que podem mudar o mundo mesmo sabendo que não mudando quase nada se sentem na obrigação de fazer a sua parte.
Dos que não são rançosos e invejosos, antes compreensivos e exigentes, solidários e calorosos.


Insaciáveis apaixonados pela liberdade de pensar e opinar, eternos incompreendidos, esta espécie em vias de extinção. Os agitadores sociais.

 

Depois desta brilhante abordagem, é com a alma leve, o pensamento desanuviado e o coração renovado de esperança num mundo melhor que retomo os meus estudos de sinais, regras e tudo o mais que me é exigido saber para ser considerada apta à condução de um ligeiro de passageiros. Até breve!

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