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Crónicas, contos e confissões de uma solteira gira e bem resolvida que não cumpriu o papel para o qual foi formatada: casar e procriar. Caso para cortar os pulsos ou dar pulos de alegria? Provavelmente, nem uma coisa nem outra!

couple-1779066_1920.jpgOra viva! ✌️ 

Porque existe vida para lá da solteirice, e porque convém lembrar que nem todos os meus leitores/seguidores são desemparelhados, hoje proponho falarmos de fatores que contribuem para que um relacionamento seja saudável, logo desejável. 

De acordo com o psicólogo Dr. Gary W. Lewandowski Jr., "embora resolver problemas seja uma forma de melhorar uma relação a longo prazo, é igualmente importante refletir sobre as boas qualidades de um parceiro e os aspetos positivos da relação". Num artigo para o Psychology Today, este perito em relações amorosas revela os principais pontos fortes de um relacionamento, que muitas vezes passam despercebidos, mas que devem ser trabalhados, em nome de uma relação feliz.


Meu bem, caso estejas numa relação ou em vias de estar, toma nota dos 10 alicerces de uma parceria amorosa que tendem a ser subestimados.

1. Podem ser genuínos
Cada um mostra o 'verdadeiro eu', sem ter medo de ser julgado.

2. São melhores amigos
Em muitos sentidos, o parceiro é o melhor amigo e vice-versa.

3. Sentem-se confortáveis e próximos
Não existem muros emocionais entre o casal, o qual aprendeu a confiar e a ter intimidade emocional, tornando os parceiros ainda mais próximos.

4. São mais parecidos do que diferentes
É claro que existem diferenças, mas, além desses pequenos contrastes, são parecidos em muitos aspetos.

5. Sentem que são uma equipa
Usar muito as palavras "nós" e "nosso" mostra que há um forte sentido de proximidade cognitiva, ou identidade compartilhada, no relacionamento.

6. A tua cara-metade torna-te uma pessoa melhor
Juntos, procuram experiências novas e interessantes que contribuam para um sentimento de autodesenvolvimento.

7. Partilham o poder
Geralmente, partilham a tomada de decisões, o poder e a influência no relacionamento.

8. São bons um para o outro
Estudos sugerem que, quando os parceiros têm personalidades agradáveis e emocionalmente estáveis, tendem a estar mais satisfeitos com a relação.

9. Existe confiança mútua
Ou seja, há a certeza de que a outra pessoa tem sempre os nossos melhores interesses em mente e estará ao nosso lado quando precisarmos dela.

10. Não têm problemas sérios
Não existem sinais de alerta como, por exemplo, desrespeito, infidelidades, ciúmes e violência (física e emocional).

Agora que já te pus a par das boas práticas amorosas, vou deixar-te, que muito trabalho tenho eu pela frente. Conta comigo na quarta para mais uma crónica amiga. Até lá, fica com aquele abraço de sempre!

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15
Out21

O poder do poder

por Sara Sarowsky

violence-2985520_1920.jpgOra viva! ✌️ 

Em modo filosofia, hoje acordei a pensar no poder, mais concretamente na sua importância para o ser humano. Que fique bem claro que quando me refiro ao poder não estou a falar de força de vontade, mas sim de vontade à força. De acordo com a Wikipedia, o poder define-se, geralmente, como a habilidade de impor a sua vontade sobre os outros, mesmo se estes resistirem de alguma maneira.

O que mais abunda por este planeta azul são criaturas obcecadas com poder, ao ponto de, na sua busca desenfreada, atentarem contra a vida e a dignidade alheias, sem escrúpulos nem remorsos. Falando por mim, a maioria daquelas com as quais tenho a oportunidade - ou o azar - de privar consideram (erroneamente, claro) que este consiste em dar ordens, incutir temor ou exigir respeito. Não é à toa que sentencia o ditado: "se queres conhecer uma pessoa, dá-lhe poder!"

Na minha forma de ver as coisas, o (verdadeiro) poder consiste em inspirar pessoas, influenciar decisões, mudar vidas e transformar mentes. Daí que o considere acima de um cargo, um título, um status, uma conta bancária ou uma crença. E tu, meu bem, alguma vez te questionaste sobre o poder do poder na tua vida? Se sim, importas-te de partilhar comigo o teu ponto de vista?

Agora que está dado o recado, vou bazar que muito trabalho me aguarda - sim, estou ciente de que já passam das sete da noite de uma sexta-feira, mas vida de profissional (muitas vezes) tem destas coisas. Sei que foi curta a minha passagem aqui hoje, mas prometo voltar na segunda, inspirada e revigorada, para mais uma conversa amiga.

Aquele abraço de bom fim de semana!

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couple-6517237_1920.jpgOra viva! ✌️ 

É sabido que o amor anda arredio nos tempos que correm, daí que toda ajuda nessa matéria seja mais do que bem-vinda. Sabendo disso melhor do que ninguém, afinal sou solteira de longa duração, tenho para ti mais uma dica preciosa, desta vez sobre o número de oportunidades que deves dar a um pretendente e o tipo de atividade perfeita para um encontro amoroso.

Em relação ao número ideal de encontros, duas especialistas em relacionamentos amorosos, Destin Pfaff e Rachel Federoff, num artigo para o Business Insider, consideram que devemos dar sempre uma segunda oportunidade, na medida em que "os primeiros encontros são sempre os mais assustadores, já que há nervosismo, constrangimento, e a verdade é que nenhuma das pessoas está no seu melhor momento". É por isso que recomendam, pelo menos, um segundo encontro com o potencial candidato ao coração, de modo a ter-se a certeza de que as coisas que não se gostou não passavam de um problema de nervosismo.

Quanto ao tipo de atividade indicada para um dating, as donas de uma consultoria para quem procura o amor, recomendam sair para comer algo, já que em caso de insatisfação ou desconforto, pode-se terminar o encontro mal acabe a refeição. Para quem quiser prolongar o momento, fica sempre a opção de ir beber um café ou tomar um copo.

Meu bem, espero que, em breve, tenhas oportunidade de por em prática mais esta informação útil vinda da tua solteira favorita. Aquele abraço amigo e até sexta!

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62D4C2C5-87D4-452E-95DF-F313886C61EF.jpegOra viva! ✌️

Durante as próximas semanas vou estar dedicada a um projeto que me vai exigir dedicação total, motivo pelo qual temo que a disponibilidade e a criatividade que te tenho dedicado possam ficar comprometidas. De tudo farei para que não te ressintas disso, mas o facto é que voltar a dar expediente todos os dias úteis, das 9 às 18, terá, com toda a certeza, um significativo impacto na performance de qualquer mortal que labuta em mais do que uma frente, como é o meu caso.

Seja como for, tudo se faz quando a alma não é pequena e a determinação é grande. Ilustro o que acabei de dizer: comecei a escrever esta crónica às seis da manhã de uma segunda-feira, mas, por motivos óbvios, só agora consigo concluí-la. 😉 Além de ter que voltar a cumprir horário, coisa que não acontecia há seis meses, o meu despertar madrugador prende-se em parte com a inesperada constipação que adentrou pelo meu organismo há coisa de três dias. Como sou avessa a fármacos, o jeito é confiar no meu sistema imunitário e esperar que ele depressa neutralize o inimigo e volte à sua máxima força.

Introdução à parte, hoje quero falar de algo que acordou comigo no pensamento: alegria de viver, ou brio para desfrutar da vida, como lhe quiseres chamar. A maioria dos mortais que conheço ambiciona permanecer vivo por muito tempo, sem, contudo, atentar-se ao facto de que deve empregar mais vida nos dias ao invés de almejar mais dias na vida. Respirar, dormir, trabalhar, pagar as contas e por aí fora não é viver, mas sim existir, ou vegetar nos casos mais críticos.

De forma a entenderes com exatidão o que quero dizer, vou partilhar contigo o caso de uma das minhas colegas de casa, a (des)inspiração para este desabafo. Com cerca de vinte e poucos anos (ou seja, na flor da mocidade), ela é a ilustração perfeita daquilo que chamo de vegetante, como descrevi no post Vivemos ou vegetamos
Se raramente o fazia antes de a pandemia rebentar, com a imposição do teletrabalho, a sua única aventura para lá do batente da porta de entrada é a ida dominical ao supermercado, para efeitos de abastecimento da despensa. Ou seja, há mais de ano e meio que ela não fica longe de casa por mais do que uma hora. E nem é por ter receio do covid, vê lá tu. É por, segundo palavras da própria, "não ter vontade de fazer nada".

Escuso dizer que uma pessoa com a minha forma de estar na vida é incapaz de atinar com tal postura existencial. Na idade dela, eu fazia precisamente o contrário, só queria estar na rua a desfrutar de tudo o que me fosse permitido, o máximo que pudesse. Ao que me consta não tem amigos, colegas de trabalho ou faculdade com que se relacionar. Só sai do quarto quando berram as necessidades fisiológicas, sempre de pijama e fones nos ouvidos, sua companhia inseparável durante cerca de 17 horas diárias. Tem estado a queixar-se da queda de cabelo. Pudera! Em tempo algum apanha sol, muito menos ar puro (acredites ou não, nem a janela do quarto abre... yep).

E antes que perguntes, não parece padecer de qualquer patologia psiquiátrica ou estética. É portadora de saúde, juventude, beleza, formação e saber estar. De namoro e essas coisas, tão essencial na sua faixa etária, nem me atrevo a levantar o véu, pois imagino que consegues tirar as tuas próprias conclusões. 
Esta jovem é, pois, o retrato falado do tipo de pessoa que vegeta: existe mas não vive.

Porque não ir à praia, não apanhar sol, não comer fora, não viajar, não sair para bater perna por aí, não ir ao cinema/teatro, não conviver, não arranjar-se, não praticar exercício físico, não 'sexar', não respirar ar puro ou não ter contacto com a natureza não é viver. 
Viver é desfrutar da nossa existência com vontade, alegria, gratidão, brio mesmo. É por isso que alerto todos à minha volta para a urgência de terem mais vida nos dias ao invés de mais dias na vida.

Por hoje é tudo, conto voltar aqui na quarta, se conseguir dar conta do recado. Beijo no ombro e brio na vida.

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08
Out21

Novas formas de amar com Liliana Brazuna.jpg
Viva! ✌️ 

Coração abundante e alma extasiada é o meu estado de espírito nesta manhã. A cerimónia de ontem, durante a qual entreguei 900 dólares a três associações que prestam apoio a cabo-verdianos residentes em Portugal, superou as minhas mais otimistas expectativas. E não falo só por mim... quem atendeu ao meu chamado testemunhou momentos e emoções dignas de constarem do álbum de memórias de amor.

Fazer o bem compensa sempre, há tanta gente precisada de ajuda, por mais simbólica que esta seja. É pois minha intenção estreitar o abraço às causas sociais, pelo que não estranhes se, em breve, te desafiar para contribuires para uma nova campanha de angariação de fundos. 
Mas isso já é conversa para daqui a mais um tempo.

O motivo da minha vinda aqui hoje é a próxima sessão do ‘Saturday Single Spot’, que regressa no formato original: sábados, às 22 horas. A convidada do direto de amanhã será Liliana Brazuna, cujo currículo dispensa grandes floreados: sexóloga, terapeuta, formadora, coach do amor, blogger, locutora de rádio e escritora. É precisamente na qualidade de coautora do livro ‘Sexualidade Humana entre o Íntimo e o Social’, que vamos analisar as ‘Novas formas de amar’.


Convido-te, pois, a vir descobrir quais são essas novas formas de amar, bem como outros tópicos relacionados com o amor dos tempos modernos, a sexualidade, a intimidade, o relacionamento e tudo o mais que surgir ao longo da conversa. Esperamos por ti este sábado, a partir das dez da noite (oito em Cabo Verde e seis da tarde no Brasil) para mais um papo gostoso no meu perfil do Instagram.

Até lá, deixo-te com aquele abraço amigo e desejos de um ótimo fim de semana!

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06
Out21

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Ora viva! ✌️

O dia hoje foi tão concorrido que só agora é-me possível passar aqui para por-te a par das últimas desta solteira aqui. Entre as novidades, a mais significativa é a cerimónia de entrega de donativos que vou coprotagonizar amanhã. Não sei se cheguei a comentar contigo que na live do passado dia 27 de março, alusiva ao Dia da Mulher Cabo-verdiana, a qual incluía uma angariação de fundos, uma das convidadas disponibilizou mil dólares, a serem empregues numa causa social à minha escolha.

Dado que acompanho de perto a atuação de três entidades que prestam apoio a cabo-verdianos residentes em Portugal, escolhi a Girassol Solidário - Associação de Apoio aos Doentes Evacuados de Cabo Verde, a AMCDP – Associação das Mulheres Cabo-verdianas na Diáspora em Portugal e a Nasce e Renasce para repartirem, em partes iguais, o montante arrecadado, na expectativa de que possam ajudar no terreno aqueles que mais precisam.

É neste contexto que, na tarde desta quinta-feira, 7 de outubro, pelas 16h30, no Centro Cultural de Cabo Verde, em Lisboa, procederei à entrega da parte que cabe a cada uma dessas associações comunitárias. Será uma cerimónia singela, contudo, carregada de simbolismo, na qual estarão presentes duas das três convidadas do referido direto no Instagram: a embaixatriz Manuela Brito e a cantora Lura. A terceira protagonista dessa live é a Ani Lobo, que, por residir nos Estados Unidos, será representada pela prima Mayara Lobo. Refira-se que o donativo foi efetuado por esta ativista, em nome da associação Criolas Contra Cancer.

Aproveito a deixa para te instar a abraçar, como parte ativa da tua cidadania, a solidariedade social: uma causa que é de todos e de cada um de nós. Lembra-te que o pouco de uns pode ser o muito de alguns.

Aquele abraço amigo!

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04
Out21

As pseudofelizes (reprise)

por Sara Sarowsky

21914709_8A2sO.jpegViva! ✌️ 

Já que estamos numa onda de pseudo, resgato este artigo do ano passado sobre as mulheres que comem amargura e arrotam felicidade, com o único intuito de aparentar o que não são.
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Estes dias têm-me sido difícil dar-te atenção, não só por ter muito que fazer, mas sobretudo por estar a braços com sérios problemas laborais, problemas esses que vêm causando um desgaste emocional avassalador. A situação é de tal forma dramática que o despedimento parece-me ser a única maneira de me livrar do assédio moral com o qual venho debatendo há já um bom tempo. Sobre isso falarei numa altura em que não esteja tão reativa. O tempo é curto, já disse, mas será suficiente para falar-te das pseudofelizes, uma subespécie feminina que se carateriza por comer amargura e arrotar felicidade.

Atenção que nada tenho contra quem assuma uma atitude positiva perante a vida; pelo contrário, admiro com todo o meu ser as pessoas que, independentemente das rasteiras da vida, fazem questão de manter uma atitude otimista. Gente assim faz toda a diferença. As pseudofelizes não são felizes, nem tão pouco mais ou menos. Fazem é questão de mostrar aos outros que o são com o único propósito de se gabarem e causar inveja aos demais. É aqui que reside a diferença entre pessoas genuinamente felizes, independentemente de como a vida lhes trata, e as que fazem tudo para parecerem felizes apenas por uma questão de aparência e conveniência social. São essas que batizei de pseudofelizes.

Dou um exemplo: aquela colega ou conhecida que, sabendo-te solteira, não perde uma oportunidade para pregar que devias arranjar alguém, que não sabes o que estás a perder, que ela não se vê completamente feliz sem o seu "Tó Zé" Ora acontece que, na realidade, essa fulana não é respeitada, para não dizer maltratada, pelo seu gajo e, como se não bastasse, volta e meia, leva com um par de chifres. Esta é uma pseudofeliz, uma mulher emparelhada que se acha melhor do que qualquer desemparelhada pelo simples facto de ter um par de calças fixo na sua vida, mesmo que isso implique estar num relacionamento miserável.

Portanto, solteira minha, não invejes relações alheias. Lembra-te que as aparências enganam e que existe um mar de mulheres "não solteiras" cujo grau de infelicidade não chega aos pés da mais solitária das desemparelhadas.

Aquele abraço amigo de sempre!

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01
Out21

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Viva! 👋

Este mês o tarot brinda-nos com a carta 'Momento a Momento', numa clara alusão de que devemos aproveitar cada momento da vida como se mais não houvesse. Será um mês de colheita e, por isso, um pouco mais calmo que os meses anteriores. Além de aceitarmos a colheita como uma bênção, devemos aproveitar para reavaliar.

Mês 10 que representa a energia 1, será o início de um novo ciclo, enquanto que em setembro deveríamos ter finalizado uma aprendizagem muito concreta. Se ainda estás a pensar e não sabes qual o ciclo que encerraste (ou deverias ter encerrado) no mês que passou, aconselho vivamente a que não faças nenhuma mudança impulsiva em outubro. Deverás analisar tudo ao detalhe.

Assiste aqui ao vídeo com a previsão.

Desejo-vos um mês cheio de coragem, novas resoluções e muita luz!
Abraço de Amor,
Isabel ❤️

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breasts-1008881_960_720.jpegViva! ✌️ 

Conforme prometido no post anterior, eis-me aqui para te contar as últimas da minha vida amorosa, a qual não conhece trégua nem folga, não obstante continuar mais desemparelhada do que nunca. Como tal, está na hora de falarmos de gajos, mais concretamente sobre a sua - cada vez mais flagrante, e frustrante - inaptidão para abordar ou cortejar uma mulher solteira.

Na base desta premissa está, uma vez mais, a minha experiência pessoal, repleta de episódios deprimentes, sendo que as últimas mais não são do que a continuação da saga "mec" francês, de quem já te falei em mais do que uma ocasião. Abro aqui um parêntesis para confidenciar que estou cada vez mais convicta de que o meu estado civil cumpre um propósito maior do que apenas falta de sorte no amor. Provavelmente, haverá qualquer coisa que o universo determinou para a minha pessoa, com a qual não estou a conseguir atinar.

Enfim... vamos lá às últimas novidades de tipos que me abordam na expectativa de conseguirem benesses sexuais a custo zero, ou seja, sem qualquer investimento emocional. De compromisso nem vale a pena piar, já que se trata de assunto tabu nos dias que correm, em que as relações baseiam-se essencialmente na libido, na superficialidade e na descartabilidade. 

Há coisa de 4 semanas, recebi uma mensagem de um desconhecido, contendo um singelo emoji sorridente. Como tenho por norma responder a todos aqueles que entram em contacto comigo (pelo menos até saber qual a deles), lá respondi com um simpático "olá", após o qual a conversa desenrolou descontraída e despretensiosa. Pelo menos, assim pensava eu... Como não estava para perder tempo, até porque encontrava-me a "turismar" em Sintra, e escaldada de "entradas masculinas de pé em riste", fui logo perguntando o que tinha ele para contar, numa forma sutil de dizer: "O que queres de mim?"

O fulano, treinador de futebol (do Sporting, vê lá tu!), respondeu que tinha ficado curioso em relação à minha pessoa. Segundo ele, eu parecia "educada, inteligente, sensível, com energia forte... e com imenso sexappeal. Demasiadas coisas boas para deixar um homem indiferente". "Fica difícil", rematou ele. Nem bem a troca de mensagens tinha começado a cativar-me, já ele dizia: "queroooo, está a deixar-me com imensa vontade de... tudo, de explorar tudo". Quando questionado sobre o que significava tal coisa, saiu-se com esta: "Já me tocou, já me deixou cheio de vontade".

Antevendo o rumo da conversa, fiz questão de lhe perguntar se estava com intenções sexuais a meu respeito, ao que ele respondeu nestes termos: "Uma mulher interessante como tu pareces ser, suscita sempre interesses vários, sendo que essa parte não seria exceção, calculo...", ao qual contraargumento nestes termos: "Estou a ver... é que estou traumatizada com homens que me abordam única e exclusivamente nesse sentido. Fazem-me sentir um pedaço de carne". Aconselha-me ele a olhar para a questão de uma forma positiva, como "sinal de como era interessante e bonita".

Ainda meio iludida sobre as reais intenções do fulano, bem apessoado, detentor de uma escrita exemplar (entenda-se, sem calinadas na gramática) e com um sentido de humor apurado, lá continuei a dar-lhe tempo de antena, torcendo intimamente para que manifestasse alguma predisposição para uma abertura sentimental. O meu castelo de cartas ruiu por completo, quando a seguir ele pergunta-me, sem pudor, se eu gostava de sexo. Aí já não houve margens para dúvidas de que andava ele à procura de uma "despeja-c*lhões", como costumo chamar às mulheres que só servem para os homens irem "aliviar-se".

Todo o encanto por ele - um tipão, de acordo com as imagens que vi no seu perfil - esfumou-se naquele instante, ao ponto da conversa ter ficado suspensa. Quatro dias depois, em reação a uma story minha, volta o fulano à carga, através do envio de um novo emoji, desta vez com os olhos em coração. Querendo acreditar que a abordagem estivesse mais lapidada, lá lhe dei conversa, perguntando como estava, ao que ele responde, ultrapassada a conversa da praxe, que tinha ficado com "vontade de mim".

Numa última oportunidade para se mostrar digno das minhas melhores expectativas, questionei-o sobre como tinha chegado a mim, ao que ele respondeu: "Honestamente não me recordo". Não convencida de que estivesse a dizer a verdade, atirei-lhe com um: "pela tua abordagem, diria que foi via Tinder", ao qual ele não refutou. Perdida toda a esperança, não me restou outra saída que não fosse esta: "Como o meu tempo é precioso, e acredito que o teu ainda mais, convém eu deixar claro que não estou disponível para qualquer tipo de envolvimento sexual. E não me estou a fazer de difícil, apenas descarto essa possibilidade. Por isso escusas de perder o teu tempo comigo. Lamento estar a ser crua e dura, mas a sinceridade é sempre o melhor caminho."

Perante o emoji de tristeza com que reagiu, rematei que haveria de ficar bem e que o que não falta são mulheres disponíveis para tal. Respondeu que não estava com ninguém e que era exigente. Perante a minha irredutibilidade, não obstante ter reconhecido que o tinha achado um homem muito interessante e que "se fosse há uns tempos atrás, até cogitaria a hipótese, mas que nesta fase só casando", o dito cujo eclipsou-se para nunca mais dar sinal de vida.

Nem bem tinha digerido este episódio, eis que levo com mais duas sequelas desta novela, desta feita protagonizadas por um norueguês e um francês, cujas intenções acabaram por conduzir ao mesmo desfecho: sexo a custo zero. Dado que todas as abordagens foram perpetradas através do Instagram, por parte de perfis que sequer acompanham o meu trabalho como blogger, pergunto-me como chegaram eles até mim? Acredito que devem pesquisar pelas hashtags single e sex e que o meu perfil deve aparecer logo nos primeiros resultados. Só pode!

Diz a minha spiritual coach que tal se deve, provavelmente, à energia que tenho estado a emanar, ou seja, que por estar a vibrar na energia do sexo, atraio esse tipo de predadores sexuais, chamemos-lhe assim. Logo eu que há mais de década que não sei o que é isso de "vibrar na energia do sexo". Por sua vez, diz a minha psicoterapeuta que devo tratar esses "tarados" com amor, ou seja, dar-lhes amor a ver se retribuem com amor. Diz a minha consciência que os mande todos à merda, que à borla mais nenhum filho da p*ta me volta a comer. É que não mesmo!

Mais tenho eu para desabafar, mas, dada a extensão do texto, vai ter que ficar para outra oportunidade. Despeço-me com aquele abraço amigo e um até sexta!

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27
Set21

Inflexões e reflexões

por Sara Sarowsky

My Post.jpgViva! 👋

Hoje escrevo-te a partir do Moxy Lisbon City, um espaço espetacular localizado a escassos metros da minha residência, mas que só na semana passada tive o prazer de explorar, não obstante à sua porta passar praticamente todo o santo dia. Trata-se de uma dessas agradáveis surpresas da vida, cuja decoração e conceito - sobretudo o do workspace gratuito – encantou-me a tal ponto que decidi passar a vir para cá escrever, na expectativa de que o cenário deslumbrante que vês na foto ajude a inspiração a fluir leve e solta.

Para mal dos meus pecados, em casa nem sempre consigo reunir as condições propícias a isso. Pudera, a coabitar com mais três criaturas, cada qual com o seu horário, a sua rotina e o seu conceito de respeito, silêncio, asseio e incómodo. É o preço que pago por insistir em viver no centro de Lisboa, auferindo rendimentos abaixo dos quatro dígitos.

Via programa Renda Acessível já eu perdi as esperanças de conseguir o meu próprio cantinho, um dos motivos de peso para a tomada de decisão em emigrar. Perdi a conta às vezes em que submeti candidatura, sem qualquer sucesso; pior ainda, sem grande perspetiva de vir a ter, já que qualquer pessoa, independentemente do tempo de residência na cidade, do facto de trabalhar no concelho ou da sua cidadania, concorre em igualdade de circunstâncias. Da última vez que ousei sonhar com uma casa à medida da minha conta bancária, fui informada de que teria que disputar a sorte com mais de três mil adversários para poucos mais que uma dezena de fogos.

Não sou racista, xenófoba, elitista ou coisa do género, mas que considero uma tremenda injustiça que pessoas que sequer moram em Lisboa, ou seja, cujos impostos e despesas não contribuem para o erário camarário, concorram nas mesmíssimas condições, lá isso considero. Não acho justo que um recém-chegado ao país/cidade beneficie das mesmas probabilidades que aqueles que, como eu, residem e trabalham na cidade há décadas. Pronto falei!

Da suspeita que paira entre os candidatos de que o processo não é totalmente transparente prefiro não me pronunciar, pelo menos não publicamente... Foi exatamente por isso que não considerei o Medina digno do meu voto. Provavelmente, mais pessoas devem ter feito o mesmo raciocínio, sem falar em outras polémicas, como a cedência de dados pessoais dos ativistas russos, e o resultado é o que se sabe: cartão vermelho direto, "pessoal e intransmissível", sem direito a VAR.

Voltando ao drama meu de toda uma vida adulta - morar em regime de quarto -, nos dias em que urgia concentração total e sossego absoluto, costumava montar acampamento lá para os lados do Centro Cultural de Cabo Verde, outro spot que adoro, mas que se revela sempre um baque na carteira e na dieta, já que é-me de todo impossível resistir ao apelo da cachupa da chef Milocas. Só de fazer menção a isso, já eu estou a salivar... Agora que descobri o Moxy, é minha intenção alternar entre um e outro, conforme o estado de espírito, e o saldo bancário, claro está!

E o assunto que pensava tratar contigo hoje vai ter que ficar para a próxima crónica, dado que esta está prestes a exceder o limite ideal de caracteres. Assim, na quarta vou contar a última, ou melhor, as últimas abordagens de gajos que me procuram na tentativa – patética, diga-se de passagem – de conseguir sexo a custo zero. Yep, a minha saga como "peguete" (como se diz na gíria popular brasileira) não conhece pausa entre temporadas.

Despeço-me com aquele abraço amigo e vibrações positivas, que a semana bem pede. Hasta!

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