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Crónicas, contos e confissões de uma solteira gira e bem resolvida que não cumpriu o papel para o qual foi formatada: casar e procriar. Caso para cortar os pulsos ou dar pulos de alegria? Provavelmente, nem uma coisa nem outra!

29
Nov21

Despertar a alma é preciso

por Sara Sarowsky

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Ora viva! ✌️

A escassas horas do meu aniversário, e com vários preparativos da festa para agilizar, sinto que é o momento ideal para falar-te da alma, assunto para a qual a maior parte dos mortais não está desperta; e ao que tudo indica, não faz questão de estar.

Com o rebentar da pandemia cheguei a acreditar que a mudança de atitude seria uma realidade. Só que com o passar dos meses, tudo leva a crer que não, já que as boas resoluções e os bons sentimentos que reinaram durante a sua fase mais crítica parecem ter-se refugiado nos recantos da memória coletiva.

Não é novidade para ninguém que, de há uns bons tempos para cá, a espiritualidade é presença constante no meu quotidiano. Foi através dela que consegui descobrir que a vida pode ser uma bênção ou uma maldição, dependendo das energias que soubermos ativar. Foi também através dela que encontrei respostas para questões que desde a mais tenra idade me inquietaram e que - por não encontrá-las no plano material - despoletavam revolta e frustração.

No plano imaterial, para lá do visível aos olhos, sintonizei a linguagem do amor, da gratidão, da compaixão, da verdadeira essência divina. Os últimos dois anos foram duros, provavelmente, os mais exigentes da história moderna. Aqueles que sobreviveram - física, emocional e espiritualmente - vão ter ainda pela frente bastante turbulência. E, por mais que desejássemos acreditar que sim, o pior ainda não passou, motivo pelo qual a conselheira espiritual deste blog, a Isabel Soares dos Santos, aconselha a que devemos estar preparados para o que aí vem.

Percebes agora porque é tão importante investirmos à séria no nosso bem-estar espiritual? Despertar a alma implica uma profunda autoavaliação sobre tópicos como autoconsciência, relações, trabalho, papel na sociedade e missão de vida. Questões como: estou feliz, faz sentido fazer alguma mudança na minha vida ou o que é isso de trocar o errado pelo certo tornam-se ensurdecedoramente presentes na mente. Nesse momento não há volta a dar, é a consciência a despertar-se, e quando ela faz-se presente, duas opções temos nós: prestar atenção e avançar para o despertar da alma ou enterrar a cabeça na areia e continuar a fazer de conta que nada se passa.

É da natureza humana temer o desconhecido, motivo pelo qual tanta gente não se atreve a dar o primeiro passo rumo a esse despertar. Para complicar ainda mais o processo, a sociedade não nos incentiva a investir em questões espirituais, bem pelo contrário. Ainda assim, para quem anda em busca de uma felicidade mais sustentável, o esforço vale a pena. Vai por mim, meu bem. Caso precises de alguma orientação nesse sentido, aqui estarei para ajudar-te no que for possível.

Aquele abraço amigo de sempre!

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15
Out21

O poder do poder

por Sara Sarowsky

violence-2985520_1920.jpgOra viva! ✌️ 

Em modo filosofia, hoje acordei a pensar no poder, mais concretamente na sua importância para o ser humano. Que fique bem claro que quando me refiro ao poder não estou a falar de força de vontade, mas sim de vontade à força. De acordo com a Wikipedia, o poder define-se, geralmente, como a habilidade de impor a sua vontade sobre os outros, mesmo se estes resistirem de alguma maneira.

O que mais abunda por este planeta azul são criaturas obcecadas com poder, ao ponto de, na sua busca desenfreada, atentarem contra a vida e a dignidade alheias, sem escrúpulos nem remorsos. Falando por mim, a maioria daquelas com as quais tenho a oportunidade - ou o azar - de privar consideram (erroneamente, claro) que este consiste em dar ordens, incutir temor ou exigir respeito. Não é à toa que sentencia o ditado: "se queres conhecer uma pessoa, dá-lhe poder!"

Na minha forma de ver as coisas, o (verdadeiro) poder consiste em inspirar pessoas, influenciar decisões, mudar vidas e transformar mentes. Daí que o considere acima de um cargo, um título, um status, uma conta bancária ou uma crença. E tu, meu bem, alguma vez te questionaste sobre o poder do poder na tua vida? Se sim, importas-te de partilhar comigo o teu ponto de vista?

Agora que está dado o recado, vou bazar que muito trabalho me aguarda - sim, estou ciente de que já passam das sete da noite de uma sexta-feira, mas vida de profissional (muitas vezes) tem destas coisas. Sei que foi curta a minha passagem aqui hoje, mas prometo voltar na segunda, inspirada e revigorada, para mais uma conversa amiga.

Aquele abraço de bom fim de semana!

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62D4C2C5-87D4-452E-95DF-F313886C61EF.jpegOra viva! ✌️

Durante as próximas semanas vou estar dedicada a um projeto que me vai exigir dedicação total, motivo pelo qual temo que a disponibilidade e a criatividade que te tenho dedicado possam ficar comprometidas. De tudo farei para que não te ressintas disso, mas o facto é que voltar a dar expediente todos os dias úteis, das 9 às 18, terá, com toda a certeza, um significativo impacto na performance de qualquer mortal que labuta em mais do que uma frente, como é o meu caso.

Seja como for, tudo se faz quando a alma não é pequena e a determinação é grande. Ilustro o que acabei de dizer: comecei a escrever esta crónica às seis da manhã de uma segunda-feira, mas, por motivos óbvios, só agora consigo concluí-la. 😉 Além de ter que voltar a cumprir horário, coisa que não acontecia há seis meses, o meu despertar madrugador prende-se em parte com a inesperada constipação que adentrou pelo meu organismo há coisa de três dias. Como sou avessa a fármacos, o jeito é confiar no meu sistema imunitário e esperar que ele depressa neutralize o inimigo e volte à sua máxima força.

Introdução à parte, hoje quero falar de algo que acordou comigo no pensamento: alegria de viver, ou brio para desfrutar da vida, como lhe quiseres chamar. A maioria dos mortais que conheço ambiciona permanecer vivo por muito tempo, sem, contudo, atentar-se ao facto de que deve empregar mais vida nos dias ao invés de almejar mais dias na vida. Respirar, dormir, trabalhar, pagar as contas e por aí fora não é viver, mas sim existir, ou vegetar nos casos mais críticos.

De forma a entenderes com exatidão o que quero dizer, vou partilhar contigo o caso de uma das minhas colegas de casa, a (des)inspiração para este desabafo. Com cerca de vinte e poucos anos (ou seja, na flor da mocidade), ela é a ilustração perfeita daquilo que chamo de vegetante, como descrevi no post Vivemos ou vegetamos
Se raramente o fazia antes de a pandemia rebentar, com a imposição do teletrabalho, a sua única aventura para lá do batente da porta de entrada é a ida dominical ao supermercado, para efeitos de abastecimento da despensa. Ou seja, há mais de ano e meio que ela não fica longe de casa por mais do que uma hora. E nem é por ter receio do covid, vê lá tu. É por, segundo palavras da própria, "não ter vontade de fazer nada".

Escuso dizer que uma pessoa com a minha forma de estar na vida é incapaz de atinar com tal postura existencial. Na idade dela, eu fazia precisamente o contrário, só queria estar na rua a desfrutar de tudo o que me fosse permitido, o máximo que pudesse. Ao que me consta não tem amigos, colegas de trabalho ou faculdade com que se relacionar. Só sai do quarto quando berram as necessidades fisiológicas, sempre de pijama e fones nos ouvidos, sua companhia inseparável durante cerca de 17 horas diárias. Tem estado a queixar-se da queda de cabelo. Pudera! Em tempo algum apanha sol, muito menos ar puro (acredites ou não, nem a janela do quarto abre... yep).

E antes que perguntes, não parece padecer de qualquer patologia psiquiátrica ou estética. É portadora de saúde, juventude, beleza, formação e saber estar. De namoro e essas coisas, tão essencial na sua faixa etária, nem me atrevo a levantar o véu, pois imagino que consegues tirar as tuas próprias conclusões. 
Esta jovem é, pois, o retrato falado do tipo de pessoa que vegeta: existe mas não vive.

Porque não ir à praia, não apanhar sol, não comer fora, não viajar, não sair para bater perna por aí, não ir ao cinema/teatro, não conviver, não arranjar-se, não praticar exercício físico, não 'sexar', não respirar ar puro ou não ter contacto com a natureza não é viver. 
Viver é desfrutar da nossa existência com vontade, alegria, gratidão, brio mesmo. É por isso que alerto todos à minha volta para a urgência de terem mais vida nos dias ao invés de mais dias na vida.

Por hoje é tudo, conto voltar aqui na quarta, se conseguir dar conta do recado. Beijo no ombro e brio na vida.

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04
Out21

As pseudofelizes (reprise)

por Sara Sarowsky

21914709_8A2sO.jpegViva! ✌️ 

Já que estamos numa onda de pseudo, resgato este artigo do ano passado sobre as mulheres que comem amargura e arrotam felicidade, com o único intuito de aparentar o que não são.
-----------------------------

Estes dias têm-me sido difícil dar-te atenção, não só por ter muito que fazer, mas sobretudo por estar a braços com sérios problemas laborais, problemas esses que vêm causando um desgaste emocional avassalador. A situação é de tal forma dramática que o despedimento parece-me ser a única maneira de me livrar do assédio moral com o qual venho debatendo há já um bom tempo. Sobre isso falarei numa altura em que não esteja tão reativa. O tempo é curto, já disse, mas será suficiente para falar-te das pseudofelizes, uma subespécie feminina que se carateriza por comer amargura e arrotar felicidade.

Atenção que nada tenho contra quem assuma uma atitude positiva perante a vida; pelo contrário, admiro com todo o meu ser as pessoas que, independentemente das rasteiras da vida, fazem questão de manter uma atitude otimista. Gente assim faz toda a diferença. As pseudofelizes não são felizes, nem tão pouco mais ou menos. Fazem é questão de mostrar aos outros que o são com o único propósito de se gabarem e causar inveja aos demais. É aqui que reside a diferença entre pessoas genuinamente felizes, independentemente de como a vida lhes trata, e as que fazem tudo para parecerem felizes apenas por uma questão de aparência e conveniência social. São essas que batizei de pseudofelizes.

Dou um exemplo: aquela colega ou conhecida que, sabendo-te solteira, não perde uma oportunidade para pregar que devias arranjar alguém, que não sabes o que estás a perder, que ela não se vê completamente feliz sem o seu "Tó Zé" Ora acontece que, na realidade, essa fulana não é respeitada, para não dizer maltratada, pelo seu gajo e, como se não bastasse, volta e meia, leva com um par de chifres. Esta é uma pseudofeliz, uma mulher emparelhada que se acha melhor do que qualquer desemparelhada pelo simples facto de ter um par de calças fixo na sua vida, mesmo que isso implique estar num relacionamento miserável.

Portanto, solteira minha, não invejes relações alheias. Lembra-te que as aparências enganam e que existe um mar de mulheres "não solteiras" cujo grau de infelicidade não chega aos pés da mais solitária das desemparelhadas.

Aquele abraço amigo de sempre!

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19
Jul21

eye-2274884_1280.jpgOra viva! ✌️ 

Após ter-me baldado na sexta-feira, eis-me aqui pronta para mais um papo amigo, desta vez dedicado ao arrependimento, definido pelo dicionário Priberam como o verbo que traduz o sentimento de "lamentar ou ter pena por alguma coisa feita ou dita ou não feita ou não dita." Ensinou-me a vida que mais vale arrepender-me do que fiz (mesmo que não tenha dado certo) do que arrepender-me do que não fiz, pois o não fazer implica que deixei de viver algo.

Sabendo bem que o arrependimento é uma emoção dolorosa, ainda que lhe reconheça a sua utilidade, permite-me partilhar contigo cinco dos arrependimentos mais comuns, de acordo com o especialista Adrian R. Camilleri, num artigo para o Psychology Today. De acordo com este psicólogo, "refletir sobre os arrependimentos mais duradouros é importante, porque eles geralmente remetem a grandes decisões na vida"

“Cada um de nós tem controlo sobre essas decisões – portanto, podemos potencialmente evitar os piores arrependimentos ao termos um plano”, considera ele. Assim, com base na sua experiência, identifica uns quantos arrependimentos-chave que as pessoas tendem a ter quando olham em retrospetiva para as escolhas que fizeram. São eles:

Gostava de ter vivido a vida fiel a mim mesma, e não a vida que os outros esperavam de mim
Seguir religiosamente as normas às custas das próprias emoções, sonhos, paixões e expectativas terá como desfecho a deceção e a amargura.

Gostava de não ter trabalhado tanto
O tempo não é reembolsável, portanto, se o gastares quase todo a trabalhar, não poderás usá-lo para fazer coisas mais significativas, e bem mais prazerosas, convenhamos.

Gostava de ter tido coragem para expressar os meus sentimentos
Seres aberta e honesta sobre os teus pensamentos e sentimentos é única forma de criares laços genuínos com as outras pessoas.

Gostava de ter mantido contacto com os meus amigos 
É desanimador estares desconectada daqueles que realmente te estimam, entendem e aceitam tal como és. 

Gostava de ter-me permitido ser mais feliz
As expectativas e opiniões dos outros não devem impedir-te de ser feliz, de seres fiel à sua verdadeira essência. Além disso, a felicidade pode ser encontrada na jornada, não apenas no destino, ao qual muitas vezes nunca chegamos.

Como pudeste ler, deixar de ser ou fazer aquilo que nos dita a voz do coração é uma postura que conduz fatalmente a arrependimentos, os quais dificilmente conseguimos resgatar, por mais que assim o desejemos. Por isso, o meu conselho para esta semana que hoje arranca é que (re)penses bem as tuas prioridades e tentes viver a tua vida como queres e não como deves. Capice?

Aquele abraço amigo e até quarta!

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12
Jul21

girl-2573111_1920.jpgOra viva! 🍀

Um papo domingueiro com uma amiga adorável, e adorada, inspirou-me a escrever esta crónica, dedicada ao mudar de vida, mais concretamente ao momento ideal para o fazermos. Antes de adentrar pelo assunto, abro um parêntesis para fazer uma atualização do meu quadro clínico: há quatro dias que não tenho qualquer sintoma e deverei ter alta depois de amanhã. Escuso descrever o alívio e a gratidão que me assolam, afinal consegui sair ilesa de mais esta provação da vida.

Quanto ao tema de hoje, trouxe um artigo da executive & life coach Mafalda Almeida, que retrata na perfeição aquilo que vai na alma de quem se encontra num momento de viragem da sua vida, como é o meu caso, em que vou abraçar uma mudança radical.


Dedico esta crónica a todas as pessoas que acreditam que existe uma idade limite para seguirem os seus sonhos, para mudarem de vida e seguirem a voz do coração. Esta é uma crença na qual muita gente decide acreditar, e cuja “desconstrução” poderá ser realizada com as ferramentas certas (coaching e mentoria, por exemplo).

Conheço pessoalmente casos de clientes minhas que se agarram com “unhas e dentes” ao vício do ordenado ao final do mês, optando por viverem infelizes o resto das suas vidas, em nome do medo do incerto, em nome dos encargos financeiros e morais, em nome de uma vida que foram construindo e que agora simplesmente está a deixar de fazer sentido.

Sei que é possível mudar, porque eu mesma sou prova disso, e também sei que todas somos capazes de o fazer. Não me estou a referir somente ao âmbito profissional, como certamente já entendeu. Refiro-me a tudo. Conheço pessoas que criaram condições para realmente e finalmente serem felizes, e viverem de acordo com aquilo que lhes faz sentido. E essas pessoas são de todas as idades, de todos os níveis sociais. Ter a oportunidade de as acompanhar, é uma enorme honra, acredite.

Refiro-me a pessoas que colocam alguma situação ou circunstância em causa, em determinada altura da vida, e entram em ação, porque essa circunstância está a tornar-se demasiado incómoda. Tão incómoda que chega a começar a “doer”, como dizemos em desenvolvimento pessoal.

A boa notícia é que não é preciso chegar ao ponto de “dor” para se criar a mudança nas nossas vidas. Basta querer (parece simples, mas eu sei que não é, acredite). Deseja considerar algumas sugestões? Aqui estão elas:

1. Defina para onde deseja ir, e depois disso trace uma estratégia para lá chegar. Essa estratégia deverá envolver todos os recursos de que necessita: Tempo, pessoas, dinheiro, vontade, aprendizagens novas… Do que necessita para que a mudança aconteça? Quando é que considera obter estes recursos? O que vai fazer para os conseguir?

2. Recorde a premissa: se queremos resultados diferentes, devemos fazer as coisas de forma diferente. E… devemos também tomar decisões. Muitas vezes as decisões passam por “deixar algo cair” na nossa vida, principalmente aquilo que não nos está a ajudar a caminhar em frente e que por isso também não nos vai ajudar na mudança que desejamos alcançar.

3. Dê pequenos passos de cada vez, e celebre cada pequena conquista. Em qualquer idade ou circunstância, a celebração é fundamental, no sentido de reforçar o nosso “músculo da coragem” e a nossa confiança.

4. Esteja em constante movimento e aprendizagem. Não existe idade limite para aprendermos, certo?

5. Tenha sempre presente na sua mente que a idade não é um impedimento para nada. Pode sim estar implementada em si como uma crença que está a limitar a sua entrada em ação ou tomada de decisão. Conheço empreendedores jovens que construíram empresas milionárias, tal como conheço pessoas com 50 anos que mudaram completamente o seu contexto profissional e/ou pessoal. Basta querer, e entrar em ação, seguindo sempre o nosso coração, as nossas bases, os nossos valores.

Sabe de uma coisa? A capacidade é um estado de espírito. Fica o desafio! Se existe algo na sua vida que deseje mudar, porque não? Estou por aqui, obrigada pela confiança!

Da minha parte, só tenho a acrescentar o seguinte: a mudança aó assusta até à tomada de decisão. Para o caso de dúvidas persistentes, esta canção dos Humanos vai falar diretamente ao teu coração e ajudar-te no processo. 

Boa semana!

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23
Jun21

people-3104635_1920.jpgOra viva! ✌️

Hoje trouxe a minha última crónica para o Balai Cabo Verde, publicada ontem. Boa leitura e, mais do que isso, boa reflexão.

A notícia do falecimento de uma colega da faculdade, no auge dos seus 40 anos, vítima de um tumor cerebral, a par de tantas outras - demasiadas - de que vou tomando conhecimento, impele-me a dedicar esta crónica à vida, mais concretamente ao desfrutar dela, sem adiamento, culpa ou pudor.

Este despertar de consciência arrancou há pouco mais de dois anos, com o desaparecimento físico do meu pai, vítima de doença súbita, fulminante, fatal. Pessoa de trato fácil, sorriso constante e alegria contagiante, partiu aos 63 anos, a escassos meses de alcançar a tão ansiada reforma. Para esse momento marcante na vida de qualquer trabalhador tinha ele planeado dedicar-se à vida do campo, viajar, passear, ou seja, curtir a vida, na convicção de que para isso tinha feito durante quase quatro décadas.

É neste contexto que, após meses e meses de reflexão, ponderação e procrastinação, tomei a decisão de passar a desfrutar (ainda) mais da vida. O primeiro passo para a concretização desse objetivo foi a desvinculação do emprego por conta de outrem. O derradeiro passo será a mudança, em breve, para um novo país. Estar mais próxima daqueles que amo e beneficiar do contacto permanente com a natureza - sobretudo o mar, que eu tanto adoro - é o que mais desejo a esta altura da vida. Mais do que fama, sucesso, dinheiro ou até mesmo amor.

Esse acontecimento, marcante na vida de qualquer pessoa que perde um ente tão próximo, veio por a nu algumas questões para as quais estava consciente, ainda que sem assumir uma posição firme. Até que chegou uma altura em que adiar a decisão de mudar de vida deixou de fazer sentido. O último ano veio apenas dar o empurrão final para uma tomada de posição, definitiva, irrevogável.

Para a costa gaulesa pretendo eu rumar, atrás de um sonho (possível) de uma vida pacata, num sítio tranquilo, longe do rebuliço e do stress de uma capital. Só assim conseguirei estar mais conectada com a minha essência, mais alinhada com a vida que realmente desejo, mais consciente de que o que realmente importa são os momentos que vivemos, as pessoas que amamos, os lugares que visitamos, os corações que tocamos, as experiências que vivemos.

Vivemos tempos conturbados, a todos os níveis e em todas as esferas. A pandemia mais não fez do que agudizar um quadro há muito precário e incerto. Sempre ouvi dizer que a certeza de que estamos a envelhecer chega quando assistimos à morte de pessoas conhecidas. Pela quantidade de conhecidos cujo passamento vou acompanhando, cada vez mais pesarosa, é caso para dizer que me sinto à beira do centenário.

Afinal, quem melhor do que a morte, a mais contundente de todas as certezas, para nos fazer lembrar que da vida só levamos o que vivemos? Haverá sempre outra oportunidade, outra amizade, outro amor, mas nunca outra vida, daí que jamais deixe passar uma oportunidade para aconselhar, para alertar: amemos hoje, perdoemos hoje, beijemos hoje, abracemos hoje, demonstremos hoje, vivamos hoje. Devemos fazer tudo hoje, não deixar nada para amanhã. Porque somos instantes e num instante deixamos de ser.

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26
Mai21

Vivemos ou vegetamos?

por Sara Sarowsky

abstract-2915769_1920.jpgOra viva! ✌️ 

Contigo partilho hoje a minha última crónica para o Balai Cabo Verde, a qual foi publicada esta manhã, mesmo a tempo do nosso encontro. Boa leitura!

Há muito que estou para escrever sobre o (real) significado da vida, uma questão crucial ao autoconhecimento e à evolução de qualquer humano disposto a fazer bom uso da sua capacidade analítica. Abro aqui um parêntesis para alertar que não é intenção desta crónica dissertar sobre o sentido filosófico da vida, mas antes sobre a forma como cada um de nós a experiencia.

O que é para ti viver, já alguma vez pensaste nisso? Para o dicionário é basicamente existir. Para mim é essencialmente desfrutar desse existir. A meu ver, existe uma linha muito nítida que separa aqueles que "existem" daqueles que "vivem", daí que te desafie a pensar em qual das categorias te enquadras. Claro que para assumires uma posição vais precisar de mais elementos, os quais darei com todo o gosto ao longos dos próximos parágrafos.

Todo aquele que vive existe, correto? Mas será que todo aquele que existe vive? Confusos? A esta altura do raciocínio até eu estou, confesso! A desconstrução deste meu ponto de vista parte de um pressuposto bem simples: os vegetais existem mas não vivem. Concordas que os vegetais existem, certo? Hás de igualmente concordar que eles não vivem. Com os humanos passa-se o mesmo; há os que existem e vivem e os que existem mas não vivem, logo, vegetam.

Vivem aqueles que aproveitam da vida, que tiram vantagem de tudo, que desfrutam da experiência de estar vivo. Vivem aqueles que têm um propósito na vida, que se reinventam a cada dia, que procuram ser mais e melhor, que investem em si e nos outros ao seu redor, que buscam evoluir, que fazem por atingir seus sonhos e suas ambições. Vivem aqueles que contribuem, somam, acrescentam valor. Vivem aqueles que sabem ser gratos pelo que possuem, mas nem por isso se conformam. Vivem aqueles que não têm tudo o que querem mas querem tudo o que têm. Vivem aqueles que reconhecem a vida como uma bênção. Vivem aqueles que apreciam a viagem, independentemente do destino ao qual ela os conduz.

Em contrapartida, vegetam aqueles cuja existência é conduzida em modo automático; aqueles que respiram, comem, dormem, trabalham, pagam contas e por aí fora, sem questionar, contestar, almejar, desafiar, batalhar. Vegetam aqueles que não exercem o seu querer nem a sua vontade própria. Vegetam aqueles que não fazem uso do seu livre arbítrio, da sua capacidade para dizer "não" ou "basta" a tudo que não acrescenta valor. Vegetam aqueles que se regem cegamente pela cartilha da religião, da política, da informação oca e da coscuvilhice. Vegetam aqueles que gratuitamente criticam, julgam, condenam e castram tudo o que não vai de encontro à sua ideologia. Vegetam aqueles que encaram a vida como um fardo. Vegetam aqueles que, só por existirem, tornam o mundo um lugar menos agradável para se viver.

Acima de cada uma delas, identifico outras duas categorias: os sobreviventes (aqueles que ainda não vivem, mas já não vegetam) e os extraviventes (aqueles que cumprem a sua missão de vida, atingindo assim o mais alto patamar da vivência). Mas isso já é assunto para outra crónica...

Aquele abraço amigo e até sexta!

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fashion-2309519_1920.jpgViva! ✌️ 

Revigorada pelo passeio de ontem à praia de São Francisco (a qual não visitava há mais de 15 anos) e orgulhosa por ter conseguido cumprir o jejum semanal (tarefa complicada por estas bandas, com a comida a tentar-nos a todo o instante), eis-me aqui com mais uma crónica amiga, desta feita dedicada a uma das questões existenciais a que acuso particular sensibilidade: a relação "visual" com o mundo.

Olhamos o mundo quando olhamos as pessoas. Nos seus rostos vemos refletidas gerações, tradições, esperanças, culturas, realidades, sonhos e expectativas. Assim é ele, um mundo de semelhanças, diferenças, diálogos e sentimentos. Um mundo de afetos, de gentes e locais inesquecíveis. Um mundo imenso, um porto de abrigo global, aonde somos todos bem-vindos, ainda que acontecimentos possam sugerir o contrário.

Lugar mágico a que tantas vezes não prestamos a devida atenção, nem damos o merecido valor, o mundo é nossa referência, nossa identidade, nossa essência... representando aquilo que somos, fomos e seremos. É o que faz de nós únicos no meio de biliões. E a forma como olhamos o mundo determina a forma como desempenhamos o papel que a cada um de nós cabe no seu eterno devir.


Eu olho o mundo com curiosidade, ávida por observar e absorver tudo o que ele tem para partilhar. Eu olho o mundo com otimismo, convicta de que à minha espera existe sempre algo bom. Eu olho o mundo com esperança, crente de que nada está perdido e que sou parte da solução. Eu olho o mundo com confiança, acreditando que me foi confiada uma importante missão. Eu olho o mundo com amor, pois sei que ele é bondoso se com ele vibrar na mesma essência. Eu olho o mundo com gratidão, por todas as benções que dele recebo. Eu olho o mundo com saudade, acreditando que quando for hora de o deixar, levarei comigo memórias incríveis. Eu olho o mundo com olhos de ver... com olhos de amor 🧡.

E tu, meu bem, como olhas para o mundo?

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joy-2483926_1920.jpgOra viva! ✌️

Debutante na versão 4.3, faz hoje exatamente uma semana que se deu o baile de apresentação, e a propósito de uma pergunta que me fizeram no Olhar Feminino da Radio Brockton FM, hoje quero falar-te do poder do sonho, mais especificamente em como ele comanda a nossa vida.

No citado programa, emitido a 29 de novembro último e cuja gravação podes aceder através deste link, uma seguidora questionou-me sobre "o que dizer às mulheres que têm uma ideia, um projeto ou um sonho porque muitas são aquelas que desistem à primeira dificuldade". Na qualidade de alguém que muito recentemente começou a acreditar verdadeiramente na sua capacidade para realizar os seus sonhos, o meu conselho só pode ser este: acreditar e lutar com todas as forças.

Perante um sonho, é nosso dever moral para connosco investir, insistir, persistir, resistir e só desistir quando nada mais houver a fazer. Acreditarmos em nós, apostarmos em nós e confiarmos em nós são os três passos iniciais, e essenciais, para o realizarmos. Daí que tenha dito a essa seguidora, e a qualquer outra pessoa que se reveja nesta crónica, para não olhar para o lado, mas antes para dentro de si própria, para as suas capacidades, para a sua força interior, para a sua resiliência perante a adversidade, para a sua determinação em manter vivo esse sonho.

Aquele velho cliché de que o sonho comanda a vida é a mais pura verdade e eu tenho muito orgulho em nele espelhar-me. Quando acreditei verdadeiramente no meu sonho - mais do que isso, na minha capacidade de fazê-lo acontecer - o universo começou a disponibilizar-me todo o tipo de ajuda para conseguir concretizá-lo. Já o consegui? Ainda não! Contudo, o estar a batalhar por ele deu um alento renovado à minha vida. 

Por isso aconselho a ti e a todas as almas que têm um sonho, seja ele qual for, a não ter medo arriscar com receio de falhar. Pior do que tentar e falhar é falhar por não ter tentado. Se não deu certo, se calhar não era o sonho certo. Mas, e se der? Foca-te nisso toda vez que te vier à cabeça aquele sonho que conservas bem guardado no teu coração e lembra-te que, de facto, o sonho comanda a vida.

Aquele abraço amigo e desejos de um bom feriado!

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