Saltar para: Posts [1], Pesquisa e Arquivos [2]

Crónicas, contos e confissões de uma solteira gira e bem resolvida que não cumpriu o papel para o qual foi formatada: casar e procriar. Caso para cortar os pulsos ou dar pulos de alegria? Provavelmente, nem uma coisa nem outra!

07
Out19

Regras para ser feliz

por Sara Sarowsky

IMG_3975.jpg

Viva!

Segunda-feira é um dia que dificilmente inspira sentimentos efusivos. Que o diga a classe assalariada. Como se não bastasse o retorno à rotina, sabemos ter à nossa espera uma carga adicional de trabalho, à custa de novos assuntos que entraram durante o fim de semana ou de coisas pendentes que herdamos da semana que findou.

Assim, é unânime que se trata do dia mais exigente da semana, em que as horas tardam a passar e os assuntos teimam em deixar-se despachar. Tendo isso em mente, escolhi para tema desta crónica, inspirada num artigo do Delas, algumas regras capazes de nos proporcionar uma existência (mais) feliz, não só no início da semana, mas em qualquer altura da vida. 

Anota aí quais são as oito atitudes que tens de passar a cultivar, a par de sentimentos recorrentes que tens de abandonar. Isto, claro, se é tua intenção ser feliz!
 
Não tentes agradar a todos
A felicidade não é algo que se deva terceirizar, sob pena de a tornar refém da atuação alheia. Assim, a tua prioridade deverá ser sempre corresponder primeiro às tuas expectativas e só depois às dos outros. É claro que por vezes é preciso fazer cedências, mas convém teres sempre em mente que tu és o elemento mais importante da equação.

Acaba com as reclamações a custo zero
Reclamar é um vício altamente desgastante, e tóxico. Quanto mais reclamamos mais motivos a vida nos dá para isso. Se for esse o teu caso, que tal, se em vez de estares sempre a mandar vir com tudo e todos, agradeceres por teres vida, saúde e capacidade intelectual para reagir ao que te incomoda? Vais ver que assim terás (mais) tempo para apreciar o lado bom da vida. Sem falar que as coisas só têm a importância que lhes atribuímos.

Esquece os rótulos
Uns são saloios, outros betos, alguns freaks e o resto totó. Assumo que dou comigo, mais vezes do que gostaria, a rotular aqueles que cruzam o meu caminho, etiquetando a maioria de anormal e raramente me sentindo bem na companhia de quem quer que seja. Resultado: estou quase sempre sozinha e identifico-me cada vez menos com os outros. Com este post desafio a mim mesma a parar com essa mania e a passar a dar mais importância às semelhanças do que às diferenças.

Aceita que nem sempre tens razão
Se até mesmo os génios se enganam, porque fazer questão de ter sempre razão? Sempre que te sentires convicta disso, fica com a tua certeza e embarca o resto do mundo numa viagem de circunavegação à volta da Atlântida. Se, pelo contrário, sentires que a estória não é bem assim, recua, pede desculpas (se for o caso) e relaxa, que da vida queres muito mais do que ser dona e senhora da razão.
 
Não te leves tão a sério
Uma das citações que mais me inspiram na vida é aquela que diz: "Não leves a vida tão a sério que podes não sair dela vivo!". Ora nem mais! Quando levamos as coisas demasiado a peito, estamos a autoinflingir-nos uma enorme carga emocional, com sérias consequências para a nossa saúde física e mental. São exemplos dessas consequências o stress, a depressão, a ansiedade, o desafeto, o conflito e a autocensura; tudo coisas que não contribuem em nada para a nossa felicidade.
 
Não sejas derrotista
Se quiseres muito uma coisa, e fizeres por ela, dificilmente vais deixar de consegui-la. Não desistas, mesmo quando a tua voz interior te disser que vais fracassar. Lembra-te que, por conhecer melhor que ninguém todas as tuas fraquezas, ela poderá ser a tua maior inimiga. Sempre que ela te quiser sabotar, repete para ti mesma: "Eu consigo e não hás de ser tu a impedir!". Neste momento tenho em mente um projeto ousado que me poderá levar ao estrelato, pelo que diariamente me debato com essa mesma voz que me diz que estou a sonhar alto demais, que não vou conseguir e que vão desdenhar de mim. Noutros tempos, desistiria na hora. Hoje, usa-a como motivação extra, nem que seja pelo brio em provar que ela não é mais forte do que a minha determinação em provar que sou capaz.
 
Não adies o que tens para fazer
Lá diz, e bem, o dito popular: para quê deixar para amanhã o que se pode fazer hoje? Tirando, o maldito artigo para o P3, posso dizer que sou uma aluna exemplar nessa matéria. Não gosto de deixar nada pendente, sejam afazeres domésticos, tarefas no trabalho, exercícios no ginásio ou assuntos burocráticos. Já que tenho que fazer mais vale fazer assim que possível.
 
Brinca como se fosses uma criança
Resgata a criança que há (ou houve) em ti e faz coisas que te divertem, sem culpa nem censura. Reserva um tempo para brincar, tal e qual fazias quando eras pequena. Fazer algo sem outro intuito que não a pura diversão é das coisas que mais bem fazem à alma. Eu, por exemplo, adoro dançar no meio da rua. Todos ficam a olhar para mim, achando que não bato bem da tola, mas quero lá saber. O que importa é que me sinta bem e não esteja prejudicando ninguém.
 
De forma consciente ou não, todos nós cultivamos (em algum momento da nossa existência) hábitos e atitudes que atentam contra a nossa felicidade, mais não seja porque põem em causa a harmonia das nossas relações interpessoais. Como vamos sempre a tempo de mudar para melhor, com este artigo tens um bom apoio para dares os primeiros passos rumo a uma existência mais feliz. Faz bom uso dela.
 
Até à proxima!

Autoria e outros dados (tags, etc)

on-the-grass-4334142_960_720.jpg

Viva!

Hoje quero abordar um assunto que tenho vindo a adiar, com receio de que o discurso acabe por revelar-se demasiado inflamado, logo demasiado propenso a ferir suscetibilidades, precisamente o tema desta crónica.

Não é de hoje que acuso um enorme desconforto e alguma revolta (porque não assumi-lo?) cada vez que me chegam aos ouvidos relatos de acusações de racismo, que, nos dias que correm, parecem estar a fazer escola. Acusa-se alguém de racismo por tudo e por nada. A forma leviana e inconsequente com que se tem dado uso ao termo está a prejudicar despudoradamente o racismo na sua génese. Com isso quero deixar claro que muitas das atuais acusações de racismo mais não têm feito que roubar protagonismo a verdadeiros casos onde este é gritante, alarmante e incapacitante.

Para que entendas bem aquilo a que me refiro, cito o caso do chefe do governo canadiano, Justin Trudeau, que há poucos dias viu-se envolvido numa enorme polémica despoletada pela divulgação de uma fotografia em que, numa festa temática sobre noites árabes, aparece de turbante e com a cara escurecida.

Tendo acompanhado desde a primeira hora toda a celeuma à volta do assunto, continuo sem atinar com o cerne da acusação, segundo a qual "pintar a cara de castanho ou negro, o blackface/brownface, era comum em espetáculos do século XIX e contribuiu para a propagação de estereótipos sobre a população negra ou de pele escura."

Como é que o
 facto do Trudeau ter aderido ao espírito de uma festa temática, incorporando na perfeição uma personagem – que foi exatamente assim que interpretei a coisa, e graças a Deus que não fui a única – pode ser considerado racismo, ao ponto deste se vir obrigado a pedir desculpas publicamente? Se formos por aí, um branco que usa tranças ou uma branca que anda com um "black" podem dar azo a acusações de racismo. Afinal, estariam a apropriar-se de algo exclusivo ou identificativo de uma raça que não a sua. 

Voltando ao caso do governante canadiano, o mais hilariante é que os primeiros a apontarem o dedo foram pessoas brancas e não aqueles que tinham toda a legitimidade para o fazer: os de pele escura. 
Acaso, perguntou-se aos supostos "visados" se se sentiram vítimas de racismo? Agora pergunto eu: e se fosse o contrário? Um negro fantasiado de caucasiano, com a cara pintada de branco, configuraria racismo? Ou será que o racismo é uma estrada com várias vias num único sentido?

Ao que parece o racismo só é considerado válido quando é o branco que "se apropria" de alguma caraterística ou símbolo de outra raça, etnia ou cultura. Porque quando se dá o oposto não é costume alguém vir bradar para a esfera pública que se está a cometer racismo. E olha que tenho autoridade na matéria para me pronunciar. Na qualidade de negra, orgulhosa de uma mentalidade aberta e de um espírito tolerante, afirmo que não me revejo na maior parte das acusações de racismo que tem vindo a público.

Por experiência própria posso dizer que a esmagadora maioria das pessoas não faz a mais pálida ideia do que é racismo, menos ainda do que é ser vítima dele. Racismo é, por exemplo, não seres selecionado para um emprego – apesar de seres claramente o candidato mais adequado – porque a empresa não quer pessoas "diferentes" em lugares de destaque;
 isso sim é racismo, isso sim é ser vítima de racismo. Dou outro exemplo: racismo é ouvir de um branco que, por mais bem vestida e instruída que sejas, o teu lugar será sempre na ala dos criados. Um branco escurecer artificialmente a cara para ir a um baile de máscaras não é racismo, é politiquice, hipocrisia e overdose de suscetibilidade.

A impressão que tenho é que, nos dias que correm não se pode dizer, fazer, pensar ou até respirar sem ferir alguma suscetibilidade alheia. Sinceramente, já não há paciência. É tanta suscetibilidade narcisista, supérflua e artificial que situações verdadeiramente relevantes acabam ofuscados por pseudocasos, fomentados por quem deseja ver o circo pegar fogo, por quem se sente realizado toda vez que tem oportunidade de brincar de caça às bruxas.

O papel de carrasco que antes a história reservou à Inquisição agora é autoreclamado por todo aquele que se sente, em plena faculdade da sua prepotência e "achismo", no dever moral de criticar, julgar, condenar, apedrejar, ostracizar, humilhar, desmerecer. É deprimente, decadente e preocupante o crescendo de almas encardidas que se acham no direito de apontar o dedo aos outros, como se deuses fossem, e não meros mortais, mais pecadores que Judas.

A essas criaturas só tenho a dizer: tomem conta das vossas vidas, façam por serem melhores humanos, pessoas mais dignas, humildes, virtuosas e solidárias. Hoje és tu a apontar o dedo, amanhã provavelmente serás tu o alvo do dedo alheio. Como diz o dito popular, quando apontamos o dedo a alguém, pelo menos outros três apontam na nossa direção.

Pensem nisso antes de se autoindigitarem polícia da moral e do comportamento alheio. À opinião todos nós temos direitos; só que essa liberdade de expressão não dá a nenhum de nós o direito de cruxificar os outros. Na ausência de algo construtivo para dizer, façamos um favor a nós mesmos, e aos outros: guardemos para nós essa opinião.

O racismo é coisa séria, pelo que só à sua vítima deve ser dado legitimidade para se pronunciar sobre. Não usem, muito menos abusem, da palavra, peço-vos.

Por hoje é tudo, voltarei na quinta com um assunto mais leve, prometo. Até lá aquele abraço amigo de sempre.

Autoria e outros dados (tags, etc)

woman-1829501_960_720.jpg

Viva!

Qual é a coisa qual é ela que quem tem a mais não consegue vender e quem tem a menos não consegue comprar? É com esta charada que dou o pontapé de saída a uma crónica sobre o mais valioso de todos os bens na atualidade: o tempo.

Até onde sabemos nenhum ser humano, por maior que seja o seu poder, riqueza ou sabedoria, conseguiu ainda fazer com que o dia tenha mais de 24 horas, a hora mais de 60 minutos e o minuto mais de 60 segundos. Dono e senhor absoluto de si próprio, o tempo é provavelmente a única coisa neste mundo que não difere de género, raça, idade, ideologia, formação, religião, educação, profissão, localização, orientação sexual ou outra coisa qualquer. O que difere é o uso que dele se faz.

É por isso que não hesito em afirmar que o tempo é o único bem impossível de ser transacionado. Ouro compra-se, dinheiro ganha-se, riqueza acumula-se, bens materiais adquirem-se, saúde preserva-se, juventude prolonga-se, velhice retarda-se, morte finta-se. Quanto ao tempo, absolutamente nada a fazer para alterar o seu status quo. Numa lógica inversamente proporcional, quem tem mais "tudo" é justamente quem tem "menos" tempo.

Estamos numa era em que se quer ter tudo, fazer tudo, estar em todo o lado, num constante e ininterrupto desafio à lei da omnipresença e da omnipotência. Ambicionamos, ainda que muitas vezes de forma insconsciente, desempenhar concomitantemente o papel de deus e de homem, numa alarmante obsessão com o divino a prestar vassalagem ao humano, o imortal ao mortal, o criador à criatura.

É alarmante a quantidade de pessoas que se queixa a toda a hora da falta de tempo: tempo para ir ao ginásio, tempo para conviver, tempo para dormir, tempo para ler, tempo para namorar, tempo para cuidar de si, tempo para estar com a família, tempo para isto, aquilo e mais aquele outro. Esta nossa sociedade está a viver (perigosamente, atrevo-me a prognosticar) em função do tempo; e, perante as suas demandas, não há que chegue para tudo.

Se se consegue arranjar tempo para algo com toda a certeza há de faltar para outra coisa qualquer. Por exemplo, se se dorme 8-9 horas é quase certo que há de faltar tempo para ver Netflix, pastar nas redes sociais, navegar na net ou bater papo no Whatsapp; se se dedica muito tempo ao trabalho, a vida pessoal, social ou familiar há de ressentir-se; e vice-versa para cada uma das restantes esferas da nossa vida.

Tempo tempo tempo tempo… Comprar, roubar, aumentar, manipular, reter ou ignorar não é opção. Como fazê-lo então render de modo a ser possível alocá-lo a tudo o que nos importa e faz feliz? Diz a OIT que 85% das profissões de 2030 ainda não foram inventadas. Quem sabe o comerciante (traficante, também dá) de tempo não será uma delas? O que se sabe à partida é que será a mais bem paga de sempre. 

Para já só existe uma certeza: por maior que seja o nosso querer, o tempo é pessoal, instransmissível e inalterável.

Despeço-me com aquele abraço amigo e o conselho de que dês melhor uso ao teu tempo.

Autoria e outros dados (tags, etc)

desktop-3248895_960_720.jpg

Viva!

Visa esta crónica complementar aquela que a precede, na qual abordei as dificuldades da comunidade desemparelhada em conseguir ofertas turísticas adequadas ao seu perfil. O meu olhar de hoje recai sobre o preço de se ser solteira em Portugal, tendo por base duas premissas: os valores das rendas e o custo de vida, duas variáveis que comprometem seriamente o quotidiano de quem suporta as contas na sua totalidade.

A invasão massiva dos turistas e dos migrantes endinheirados veio agudizar um problema que há muito ensombra a emancipação das celibatárias, relegando para segundo plano a falta de um par de calças do lado. O maior drama das single ladies neste momento é conseguir morar sozinha; que sobre adquirir casa própria nem me atrevo a pronunciar. Eu sou o exemplo vivo desta dura realidade; na casa dos 40 e ainda a dividir casa, como se uma universitária ainda fosse.

A propósito desta questão, considera o sociólogo Bernardo Coelho que "não só os salários em Portugal são dos mais baixos da Europa, como as mulheres são as mais mal pagas, com a agravante de que este é um cenário que acontece em todas as fases das suas vidas e não apenas no início da vida profissional. Além disso, o número de contratos não permanentes nas empresas incide com maior percentagem no sexo feminino. A precariedade no feminino é uma realidade".

Conscientes estamos todos de que salário baixo implica poder de compra reduzido, que, por sua vez, resulta numa margem financeira deveras limitada, numa espécie de pescada de rabo na boca. Não é à toda que os passarinhos deixam o ninho cada vez mais tarde e que muitos a ele retornam nos primeiros três anos após o voo da libertação do jugo parental. Flagrante é também a quantidade de indivíduos (sobretudo do sexo feminino) que "juntam os trapinhos" mais por uma questão prática do que propriamente sentimental, assim como aqueles que se mantêm numa relação moribunda e tóxica por motivos exclusivamente financeiros.

A continuar assim será caso para substituirmos o "quem casa quer casa" pelo "quem quer casa, casa". Afinal, de que outra maneira uma solteira assalariada conseguirá condições financeiras para ter um cantinho a que chamar seu?

Até à próxima, que o fim de semana já me veio buscar para irmos desbundar!

Autoria e outros dados (tags, etc)

29
Mai19

woman-1006100_960_720.jpg

Viva!

É urgente abrandar, desligar então, imperativo! É desta forma, sem meias palavras, que dou o pontapé de saída a esta crónica que intenta escancarar um dos grandes temas da atualidade: o burnout ou stress profissional, para quem não está familiarizado com o termo. Por burnout entende-se o esgotamento físico e mental causado pelo exercício de uma atividade profissional.

Descrito como "uma síndrome resultante de stress crónico no trabalho que não foi gerido com êxito", o burnout tem assumido tamanha proporção que a Organização Mundial da Saúde (OMS), na sua última assembleia-geral, deu luz verde à sua inclusão, a partir de 1 de janeiro de 2022, na lista de doenças reconhecidas pela comunidade científica. Importa referir que na origem desta determinação do organismo máximo em matéria de saúde mundial estiveram conclusões de peritos de todo o mundo.

Intrinsicamente associado ao trabalho, o burnout pode resultar de uma carga horária excessiva, da falta de valorização por parte da chefia ou de um descontentamento generalizado em relação ao próprio trabalho. Outros fatores como excesso de responsabilidades, pouca autonomia para tomar decisões, falta de justiça e conflitos de valor podem igualmente desencadear esta síndrome, que em terras lusas afeta dois terços dos médicos.

Pelo facto de os seus sintomas serem muitas vezes semelhantes aos de outras doenças como a ansiedade e a depressão, o diagnóstico desta síndrome peca por tardio ou até mesmo inexistente. Para que não restem dúvidas, cansaço excessivo (físico e mental), irritabilidade, alterações repentinas de humor, dor de cabeça frequente, alterações no apetite, problemas relacionados ao sono, dificuldades de concentração, depressão e ansiedade, alteração nos batimentos cardíacos, distanciamento da vida pessoal e falta de prazer nas atividades são considerados indícios inequívocos.

Eu mesma venho sofrendo desta condição há já uns meses. Tudo começou no ano passado quando andava a labutar em três frentes profissionais, sem falar no Ainda Solteira, um amante generoso, contudo exigente e possessivo. Em outubro, quando fiquei com a responsabilidade de gerir uma formação para quase duas centenas de pessoas, o stress profissional foi tal que explodiu numa crise aguda de acne, que ainda hoje estou a tentar debelar.

De lá para cá, vi-me forçada a encetar algumas mudanças na minha vida profissional; e não só. Passei a ter apenas um único trabalho e, depois da conquista do Sapo do Ano, vi-me livre daquela pressão em ter que provar o meu valor enquanto escritora/blogger. Fora isso, adotei umas quantas atitudes, simples na sua génese mas evidentes na sua eficácia: não atender telefonemas profissionais fora do horário normal de expediente, não consultar/responder emails fora do escritório, não "cronicar" com tanta frequência, investir em conteúdos audiovisuais que exigem menos emprego dos neurónios (leia-se Instagram), meditar de manhã e à noite e dormir entre 8-9 horas.

Contudo, a maior de todas elas foi, sem dúvida, aceitar que não sou Deus, logo que não faço milagres. Com isso quero dizer que aceito que não consigo dar conta de tudo, por mais que assim o queira. Continuo a dar o meu melhor no sentido de fazer o que me compete, mas sempre consciente de que o tempo, a ação de terceiros, as decisões superiores e o reconhecimento alheio do meu esforço são coisas que me ultrapassam; logo que não posso controlar.

É este o meu segredo para gerir o burnout: consciencializar e aceitar, sem desresponsabilizar, que há coisas que não dependem de mim, por mais que faça nesse sentido. 
Espero que esta minha partilha ajude, de um modo ou de outro, alguma alma desasossegada que esteja a sofrer deste mal tão revelador de uma cultura laboral ciosa de tantas coisas, mas ainda demasiado negligente no que toca ao bem-estar emocional dos seus trabalhadores.

É neste sentido que, em nome da nossa própria sanidade, é cada vez mais imperativo que aprendamos a abrandar o ritmo e a desligar do trabalho.

Fica bem e até breve!

Autoria e outros dados (tags, etc)

20
Mai19

people-2589818_960_720.jpg

Viva!

Um estudo de duas universidades americanas (Delaware e Reed College) apurou que é cada vez maior o número de casais para quem ver séries televisivas começou a ser a melhor forma de passar momentos a dois. O fenómeno tem assumido tal proporção que preferem estar horas a assistir a vários episódios seguidos do que a fazer sexo. Mais valia ter intitulado esta crónica de Como a Netflix está a matar a vida sexual dos casais.

A pesquisa, citada pelo Delas.pt, contou com dados de quase quatro milhões de indivíduos, de 80 países dos cinco continentes, e permitiu concluir algo que não é propriamente novo: que as séries televisivas estão a matar a vida sexual dos casais. Abro aqui um parêntesis para dizer que já faltou mais para o combate à baixa natalidade passar pela regulação do tempo de acesso aos conteúdos audiovisuais.


Apesar de Portugal não constar da lista dos países analisados, dados da ERC obtidos no estudo As Novas Dinâmicas do Consumo Audiovisual em Portugal 2016 indicam que 99% da população portuguesa via televisão regularmente e deixar de o fazer seria impensável para 65,5%.

De modo a não comprometeres a tua vida sexual (caso a tenhas), que tal aceitares este desafio de 30 dias de sexo:
Dia 1 – Sexo convencional
Dia 2 – Sexo numa nova posição
Dia 3 – Rapidinha
Dia 4 – Sexo na cozinha
Dia 5 – Sexo sem se despir
Dia 6 – Sexo na marquise
Dia 7 – Sexo convencional
Dia 8 – Sexo num local público
Dia 9 – Sexo numa nova posição
Dia 10 – Rapidinha
Dia 11 – Sexo na banheira
Dia 12 – Sexo convencional
Dia 13 – Sexo contigo vestida para matar
Dia 14 – Sexo depois de uma boa massagem
Dia 15 – Sexo silencioso
Dia 16 – Sexo com o parceiro amarrado
Dia 17 – Sexo contigo amarrada
Dia 18 – Sexo numa nova posição
Dia 19 – Sexo convencional
Dia 20 – Sexo contigo vestida de forma sexy
Dia 21 – Sexo com o parceiro vendado
Dia 22 – Sexo contigo vendada
Dia 23 – Rapidinha
Dia 24 – Sexo na banheira
Dia 25 – Sexo só com preliminares
Dia 26 – Sexo assumindo um personagem
Dia 27 – Sexo convencional 
Dia 28 – Sexo numa nova posição
Dia 29 – Sexo em qualquer lado menos no quarto
Dia 30 – Sexo na posição preferida

Solteiros meus de cada crónica, se é vosso desejo conquistar/manter uma vida sexual ativa e prazerosa, queiram fazer-se o favor de adicionar este post aos favoritos. Caso contrário, continuem agarrados à televisão, ao smartphone e ao tablet, dispositivos eletrónicos em vias de virem a ser "o verdadeiro assassino da vida sexual" dos cidadãos. Quem avisa amigo é.

Até à próxima!

Autoria e outros dados (tags, etc)

03
Abr19

girl-1258739_960_720.jpg

Viva!

Um estudo de comportamento apurou que cerca de ¼ da população norte-americana entre os 18 e os 29 anos não teve qualquer relação sexual durante um ano ou mais; uma tendência transversal a várias sociedades ocidentais e que tem vindo a acentuar-se nas últimas três décadas.

Para os especialistas, a explicação para este fastio sexual dos millennials (nome porque é tratada esta geração) parece residir na apetência pelo virtual em detrimento do real. "Há demasiadas solicitações virtuais que exigem respostas e que satisfazem esta geração. O próprio sexo pode ser sem parceiro ativo. O prazer, o desejo ou a atividade sexual já não são uma prioridade", considera um dos envolvidos no estudo.

A propósito disso, Luís Pedro Nunes, numa crónica para a GQ, descreve o estado anémico da vida sexual dos jovens nestes termos: "Li algures uma série de possibilidades que podem estar a contribuir para esta crise de tesão-jovem: alterações na cultura de engate; viver na casa dos pais até tarde; efeitos secundários dos antidepressivos; a explosão do Netflix; aumento do estrogénio devido ao plástico na comida; queda da testosterona; vício no porno digital; viver-se a era de ouro do vibrador; obsessão na carreira; as apps de engate; privação de sono; epidemia da obesidade e mais uma catrefada. Há ainda questões religiosas de jovens que optam por permanecerem virgens até encontrar 'a pessoa certa'". 

Na ótica deste cronista, "o real é cada vez mais um lugar perigoso, onde as regras são pouco claras, cheio de armadilhas e múltiplas interpretações, para além do risco de se ser humilhado pela rejeição – o maior dos medos. E estas apps de engate estão pensadas para que tal humilhação não aconteça, pois há uma troca feita para anular a possibilidade de rejeição. Perante tanto sexo digital, tanta excitação online, tanta emoção de expectativa nas apps, tanta conversa no sexting, o sexo em si – o sexo tradicional, aquilo, tipo, um com uma e nada mais – acaba por parecer dececionante para um jovem".

Se a malta continuar a pinar a este ritmo cada vez mais desacelerado, a humanidade caminha a passo de corrida para a extinção, já que o sexo é a matéria-prima sem a qual a fábrica de bebés dificilmente consegue laborar a pleno vapor. A diminuição do número de cambalhotas é tão flagrante que a maternidade anda em gestão lay-off e as mulheres engravidam cada vez menos e em idade mais avançada.

Just saying, afinal quem avisa amigo é!

Autoria e outros dados (tags, etc)

portrait-3113651_960_720.jpg

Viva!

A propósito dos tais programas televisivos que tanto deram que falar na semana passada e que até cheguei a comentar no post Os "dating shows" são decadentes, contudo viciantesa seguidora NV acedeu partilhar connosco a sua perspetiva deste tema que não se esgota na sua futilidade:

Podia ser uma segunda-feira como outra qualquer... Daquelas cinzentonas, pesarosas, difíceis de digerir. Ou podíamos ser ainda alimentados pelos restos requentados do Conan, da Cristina, do Marcelo ou do futebol. Mas não... explodiu nas redes sociais a partir de uma bolha de fluídos suspeitos depois de uma orgia domingueira em frente à caixinha mágica.

Egos inflamados pelos valores, pelo correto, pelo errado, pelo feminismo, pelo machismo, pela falsa moral, a masturbarem palavras em manifestações de exibicionismo. Eis os senhores da virtude e da razão (virtual). E a razão? Dois programas televisivos, gémeos, separados à nascença. Ambos diferentes e simultaneamente semelhantes, saídos da National Geographic, a retratarem alguns espécimes da nossa sociedade através dos mais vincados estereótipos, ora no seu estado mais natural, com aroma a PVC, ora com um cheiro mais urbano e bairrista, com fêmeas alpha a fazerem de mãe e a revelarem, logo de caras, a razão dos filhos estarem solteiros.

Afinal, nada anormal para quem já utiliza o sentido de observação no dia-a-dia e lida com os frequentadores dos cafés lá da zona, daqueles onde se fala dos romances da bola e onde se "abancam" os "experts" da geopolítica estratégica mundial da batata, frequentadores de transportes públicos onde se ouvem os desabafos de dramalhões infindáveis, enquanto a vizinha do lado lê a TV 7 Dias, ou quando se visitam os cabeleireiros de bairro, onde as minas disparam bitaites com mais rapidez do que o Marcelo lê um livro, revelando uma capacidade multitasking fenomenal ao falar do novo namorado da filha da vizinha, da toilete que a princesa Meghan usa, ao mesmo tempo em que vendem um creme da Oriflame.

A sociedade fast-food pariu o pseudoamor, instantâneo e descartável, superficial, que nos deixa esfomeados e sequiosos de outra coisa qualquer assim que damos a primeira trincada numa atração de borracha. O desespero cria o sonho idílico que o amor pode estar nas coisas simples da vida e que talvez entre ovelhas e cabras se pode afinal encontrar um sapo que se transformará em príncipe, ou que uma sogra poderá ser a fada madrinha que oferecerá o seu mais-que-tudo que não sabe cozinhar ou passar a ferro, mas com um laçarote no topo.

Desenganem-se as alminhas puras e inocentes se realmente pensam que ali poderão encontrar o verdadeiro amor. Este será apenas um meio para atingir os seus fins, e basicamente todos saem a ganhar. Os próprios sabem isso. Aguçados pela sede de audiências, os canais apenas revelam de forma pornográfica (leia-se bruta e explícita), a realidade da nossa sociedade e do nosso querido Portugal…

E manifestam-se então as criaturas virtuosas das redes sociais ou as politiqueiras de serviço, que se degladiam com espadas de cartão face aos moinhos da pimbalhice, enquanto deixam escorrer uma pinguinha de azeite pelas pernas abaixo de tamanha excitação... Afinal, têm pezinhos de barro como qualquer um dos mortais, e também lhes corre um pouquinho de bimbalhice, parolice e pimba pelas veias, debaixo de toda aquela maquilhagem, silicone e roupa de marca. São as mesmas pessoas que não irão escolher um parceiro desdentado e obeso ou não irão querer a sua prole enrolada com atrizes de filmes para adultos. Oh, santa demagogia que abençoaste esta malta.

Desejo-te uma semana cintilante!

Autoria e outros dados (tags, etc)

tic-tac-toe-1777815_960_720.jpg

Viva!

É-nos cada vez mais indubitável que as relações longas e duradouras, os "até que a morte nos separe", são cada vez mais exemplos raros de encontrar. O que era regra virou exceção, e como tal o amor tradicional tem-se desmembrado em várias versões, sendo uma delas o fast love. Falemos então desta nova forma de vivenciar o mais intenso de todos os sentimentos.

O conceito de amor para toda a vida, que o Nicholas Sparks tão bem nos vende, definha-se a olhos vistos; e em seu lugar vão ganhando força as relações efémeras, voláteis e descartáveis, sustentadas no pressuposto de que "se isto não está a dar certo, mais vale partir já para outra". São as tais "relações de consumo rápido", como as define a psicóloga Ana Carvalheira.

De acordo com esta investigadora na área da psicologia e da sexualidade, nos tempos atuais a maioria de nós procura uma pessoa que sirva os seus interesses, que se encaixe na sua personalidade, no seu estilo de vida, nos seus ideais, sonhos e metas; no fundo, que vá de encontro às suas expectativas. O problema é que assim que se chega à conclusão que esta não corresponde àquilo que se idealizou, troca-se. É o tal fast love.


Explica a mesma que por detrás desta exigência redobrada está "um processo de individualização muito marcado". Hoje, prima o "eu" sobre o "nós", o indivíduo sobre o casal. Ora, acontece que uma relação exige investimento, dedicação, motivo pelo qual a esfera do "eu" nunca deverá estar acima da esfera do "nós", sob pena da relação não vincar. Por isso é que atualmente os casais se unem e separam com tanta facilidade.

 

E para piorar ainda mais todo este cenário, existem as novas tecnologias, que através de sites, aplicações e ferramentas de comunicação, potenciam e facilitam relações instantâneas, à mercê de um match. Um simples swipe para a direita pode conduzir-nos ao amor. Esta multiplicidade de meios que a tecnologia põe ao nosso dispor possibilitam interações que de outra forma não aconteceriam. O que facilita sobremaneira a vida deste tal fast love, reforça Ana Carvalheira.

Só que o amor exige envolvimento, nem que seja a prazo. E isso implica objetivos além dos individuais. Lamentavelmente, "hoje em dia, a maior parte dos casais tem imensa dificuldade em apontar objetivos além do viajar", considera a psicóloga.

Outra explicação para este proliferar de amores de consumo rápido deve-se a um menor conformismo em permanecer numa relação infeliz. “No passado as relações eram mais longas, mas não necessariamente mais felizes. Eram as normas sociais e a vergonha em assumir que um projeto de vida falhou que mantinham muitos casamentos de pé. Agora, os jovens não estão dispostos a estar numa relação que deixou de ser feliz só porque parece bem", remata a especialista.

Sabendo que o conceito de fast food transpôs a fronteira da culinária e chegou ao amor, é caso para nos interrogarmos se o regime amoroso que temos vindo a praticar é o mais adequado ao nosso bem-estar emocional, psíquico, social e familiar. A cada um de nós cabe a responsabilidade de adotar aquela que lhe for mais conveniente.

Até breve!

Autoria e outros dados (tags, etc)

22
Fev19

Obsessão pela felicidade

por Sara Sarowsky

girl-1245835_960_720.jpgViva!

A inspiração hoje anda arisca – talvez esteja deambulando por aí a farejar este cheirinho de verão com que S. Pedro nos agraciou – por isso partilho contigo esta crónica do Vítor Belanciano, recentemente publicada no Público. Tomara tu que a consigas apreciar tanto quanto eu.

É um conceito amplo, variável e pouco claro, porque cada um tem a sua visão sobre o assunto. E, no entanto, falamos de felicidade como se fosse uma evidência partilhada pela larga maioria das pessoas. Não é. Quando muito pode tentar perceber-se o que fazemos para alcançar esse estado.

A acreditar pelo que se vê a procura da felicidade está em alta. Existem cada vez mais pessoas em busca dela. E se o cliente quer, o mercado providencia, principalmente se nas redes sociais todos parecem mais bem-sucedidos do que nós. É só escolher. Reiki. Terapias regressivas. Quadrinidade. Acupunctura. Feng shui. Tarô. Astrologias. Homeopatia. Gurus milagrosos. Posturologia. Ayahuasca. Biorressonância. Teatro terapêutico. Psicoterapias de diversas orientações. Enfim, um sem fim de tratamentos e terapias que prometem orientação psicológica ou espiritual.

Não estou a ser cínico. Se falo disto é porque acredito, como diz a canção, "que tudo ajuda a ser feliz.” Desde que feito com convicção, resiliência, profundidade, solidez e permanência. Com consciência que é um processo de avanços e recuos. E essa é que é a questão. A pressão social para parecermos sempre felizes, a toda a hora, agora, já, é tão grande, e as promessas idílicas são tantas na indústria da ajuda, que se fica com a impressão que as opções vão sendo descartadas à menor decepção, sendo tudo praticado à superfície, de preferência sem chatices, acabando por se criar a ideia de que é possível solidificarmo-nos sem revolver em conflitos.

Antes tínhamos um quadro geracional que receava tudo o que tivesse a ver com saúde mental ou pensar as emoções, com o estigma de que isso seria só para gente doida. Agora, essa tendência, que ainda persiste, coabita com outra tão ou mais nociva, pelo menos em alguns círculos, que é o rodopio constante entre terapias, onde tudo se confunde, o uso e o abuso, a banha da cobra e práticas credíveis, uns comprimidos milagrosos ou a aposta em soluções consequentes, estruturais e de longo prazo.

O quadro que permite isso é a insatisfação permanente. A ilusão de que podemos aceder a momentos de felicidade sem lidar com a tristeza, a ansiedade ou a frustração. Coisas que fazem parte da condição humana e que devem ser compreendidas para melhor lidarmos com causas, sintomas e efeitos. Parece elementar, mas não é. Temos cada vez mais uma sociedade tentada pela medicalização dos comportamentos e dos conflitos da vida, dessa forma tentando-os ocultar, nunca chegando à sua compreensão, única forma de os tentar administrar de maneira saudável.

Dir-se-ia que o cidadão contemporâneo parece perdido, procurando qualquer luz para seguir. E o lema é quase sempre o mesmo. Nada é impossível. Tudo depende de nós. Basta mudar a nossa mente para o que o mundo que nos rodeia se transformar. Existe algo de verdade nisso. A iniciativa individual é fundamental na vida. A questão é quando isso se transforma em ideologia. Faz lembrar dogmas económicos, como o empreendedorismo, que acabam por ser aproveitados para fazer crer que o esforço individual resolve tudo (o desemprego, as desigualdades e a precariedade) o que acaba por ser uma forma de desculpabilizar, ou de não se pensar, sobre o sistema socioeconómico dominante. A mensagem é: altere a sua realidade, porque não será o sistema a fazê-lo por si.

Seria importante perceber que o vai-e-vem emocional da vida tem tanto de raízes individuais como sociais – e ainda se fala tão pouco da depressão, da ansiedade, da solidão e de outras patologias ligadas a alterações económicas, condições sociais ou exigências profissionais. Nesse sentido, o desejo salutar de cada um transformar o seu universo interior talvez pudesse vir acompanhado da aspiração de mudar o mundo de todos. Talvez seja mais complexo. Talvez existam menos prescrições para isso acontecer, mas seria importante. É que isto anda tudo ligado.

Bom fim de semana, meu bem, e aproveita este tempo fantástico para derramares charme por onde passares!

Autoria e outros dados (tags, etc)


Mais sobre mim

foto do autor


Melhor Blog 2020 Sexo e Diário Íntimo


Melhor Blog 2019 Sexo e Diário Íntimo


Melhor Blog 2018 Sexualidade





Pesquisar

  Pesquisar no Blog

Subscrever por e-mail

A subscrição é anónima e gera, no máximo, um e-mail por dia.

Arquivo

  1. 2021
  2. J
  3. F
  4. M
  5. A
  6. M
  7. J
  8. J
  9. A
  10. S
  11. O
  12. N
  13. D
  14. 2020
  15. J
  16. F
  17. M
  18. A
  19. M
  20. J
  21. J
  22. A
  23. S
  24. O
  25. N
  26. D
  27. 2019
  28. J
  29. F
  30. M
  31. A
  32. M
  33. J
  34. J
  35. A
  36. S
  37. O
  38. N
  39. D
  40. 2018
  41. J
  42. F
  43. M
  44. A
  45. M
  46. J
  47. J
  48. A
  49. S
  50. O
  51. N
  52. D
  53. 2017
  54. J
  55. F
  56. M
  57. A
  58. M
  59. J
  60. J
  61. A
  62. S
  63. O
  64. N
  65. D
  66. 2016
  67. J
  68. F
  69. M
  70. A
  71. M
  72. J
  73. J
  74. A
  75. S
  76. O
  77. N
  78. D
  79. 2015
  80. J
  81. F
  82. M
  83. A
  84. M
  85. J
  86. J
  87. A
  88. S
  89. O
  90. N
  91. D