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Crónicas, contos e confissões de uma solteira gira e bem resolvida que ainda não cumpriu o papel para o qual foi formatada: casar e procriar. Caso para cortar os pulsos ou dar pulos de alegria? Provavelmente, nem uma coisa nem outra!

30
Set20

As pseudofelizes

por LegoLuna

lights-2551274_1920.jpgOra viva!

Estes dias têm-me sido difícil dar-te atenção, não só por ter muito que fazer, mas sobretudo por estar a braços com sérios problemas laborais, problemas esses que vêm causando um desgaste emocional avassalador. A situação é de tal forma dramática que o despedimento parece-me ser a única maneira de me livrar do assédio moral com o qual venho debatendo há já um bom tempo. Sobre isso falarei numa altura em que não esteja tão reativa. O tempo é curto, já disse, mas será suficiente para falar-te das pseudofelizes, uma subespécie feminina que se carateriza por comer amargura e arrotar felicidade.

Atenção que nada tenho contra quem assuma uma atitude positiva perante a vida; pelo contrário, admiro com todo o meu ser as pessoas que, independentemente das rasteiras da vida, fazem questão de manter uma atitude otimista. Gente assim faz toda a diferença. 
As pseudofelizes não são felizes, nem tão pouco mais ou menos. Fazem é questão de mostrar aos outros que o são com o único propósito de se gabarem e causar inveja aos demais. É aqui que reside a diferença entre pessoas genuinamente felizes, independentemente de como a vida lhes trata, e as que fazem tudo para parecerem felizes apenas por uma questão de aparência e conveniência social. São essas que batizei de pseudofelizes.

Dou um exemplo: aquela colega ou conhecida que, sabendo-te solteira, não perde uma oportunidade para pregar que devias arranjar alguém, que não sabes o que estás a perder, que ela não se vê completamente feliz sem o seu "Tó Zé" Ora acontece que, na realidade, essa fulana não é respeitada, para não dizer maltratada, pelo seu gajo e, como se não bastasse, volta e meia, leva com um par de chifres. Esta é uma pseudofeliz, uma mulher emparelhada que se acha melhor do que qualquer desemparelhada pelo simples facto de ter um par de calças fixo na sua vida, mesmo que isso implique estar num relacionamento miserável.

Portanto, solteira minha, não invejes relações alheias. Lembra-te que as aparências enganam e que existe um mar de mulheres "não solteiras" cujo grau de infelicidade não chega aos pés da mais solitária das desemparelhadas.

Aquele abraço amigo de sempre!

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dark-1869803_1920.jpgViva!

Convido-te a (re)visitar este post, originalmente publicado a 24 de setembro de 2019, tendo, na altura, suscitado um aceso debate sobre a questão do racismo em Portugal. Espero que gostes e que partilhes a tua opinião sobre o tema.

Hoje quero abordar um assunto que tenho vindo a adiar, com receio de que o discurso acabe por revelar-se demasiado inflamado, logo demasiado propenso a ferir suscetibilidades, precisamente o tema desta crónica.

Não é de hoje que acuso um enorme desconforto e alguma revolta (porque não assumi-lo?) cada vez que me chegam aos ouvidos relatos de acusações de racismo, que, nos dias que correm, parecem estar a fazer escola. Acusa-se alguém de racismo por tudo e por nada. A forma leviana e inconsequente com que se tem dado uso ao termo está a prejudicar despudoradamente o racismo na sua génese. Com isso quero deixar claro que muitas das atuais acusações de racismo mais não têm feito que roubar protagonismo a verdadeiros casos onde este é gritante, alarmante e incapacitante.

Para que entendas bem aquilo a que me refiro, cito o caso do chefe do governo canadiano, Justin Trudeau, que há poucos dias viu-se envolvido numa enorme polémica despoletada pela divulgação de uma fotografia em que, numa festa temática sobre noites árabes, aparece de turbante e com a cara escurecida.

Tendo acompanhado desde a primeira hora toda a celeuma à volta do assunto, continuo sem atinar com o cerne da acusação, segundo a qual "pintar a cara de castanho ou negro, o blackface/brownface, era comum em espetáculos do século XIX e contribuiu para a propagação de estereótipos sobre a população negra ou de pele escura."

Como é que o facto do Trudeau ter aderido ao espírito de uma festa temática, incorporando na perfeição uma personagem – que foi exatamente assim que interpretei a coisa, e graças a Deus que não fui a única – pode ser considerado racismo, ao ponto deste se vir obrigado a pedir desculpas publicamente? Se formos por aí, um branco que usa tranças ou uma branca que anda com um "black" podem dar azo a acusações de racismo. Afinal, estariam a apropriar-se de algo exclusivo ou identificativo de uma raça que não a sua. 

Voltando ao caso do governante canadiano, o mais hilariante é que os primeiros a apontarem o dedo foram pessoas brancas e não aqueles que tinham toda a legitimidade para o fazer: os de pele escura. Acaso, perguntou-se aos supostos "visados" se se sentiram vítimas de racismo? Agora pergunto eu: e se fosse o contrário? Um negro fantasiado de caucasiano, com a cara pintada de branco, configuraria racismo? Ou será que o racismo é uma estrada com várias vias num único sentido?

Ao que parece o racismo só é considerado válido quando é o branco que "se apropria" de alguma caraterística ou símbolo de outra raça, etnia ou cultura. Porque quando se dá o oposto, não é costume alguém vir bradar para a esfera pública que se está a cometer racismo. E olha que tenho autoridade na matéria para pronunciar-me. Na qualidade de negra, orgulhosa de uma mentalidade aberta e de um espírito tolerante, afirmo que não me revejo na maior parte das acusações de racismo que tem vindo a público.

Por experiência própria, posso dizer que a esmagadora maioria das pessoas não faz a mais pálida ideia do que é racismo, menos ainda do que é ser vítima dele. Racismo é, por exemplo, ouvires da boca de uma branca que, por mais bem vestida e instruída que sejas, o teu lugar será sempre na ala dos criados. Isso sim é ser vítima de racismo. Racismo é não seres selecionada para um emprego – apesar de seres claramente a candidata mais adequada – porque a empresa não quer pessoas "diferentes" em lugares de destaque. Isso sim é racismo. Um branco escurecer artificialmente a cara para ir a um baile de máscaras não é racismo, é politiquice, hipocrisia e overdose de suscetibilidade.

A impressão que tenho é a de que, nos dias que correm não se pode dizer, fazer, pensar ou até respirar sem ferir alguma suscetibilidade alheia. Sinceramente, já não há paciência. É tanta suscetibilidade narcisista, supérflua e artificial que situações verdadeiramente relevantes acabam ofuscadas por pseudocasos, fomentados por quem deseja ver o circo pegar fogo, por quem se sente realizado toda vez que tem oportunidade de brincar de caça às bruxas.

O papel de carrasco que antes a história reservou à Inquisição agora é autoreclamado por todo aquele que se sente, em plena faculdade da sua prepotência e "achismo", no dever moral de criticar, julgar, condenar, apedrejar, ostracizar, humilhar, desmerecer. É deprimente, decadente e preocupante o crescendo de almas encardidas que se acham no direito de apontar o dedo aos outros, como se deuses fossem, e não meros mortais, mais pecadores que Judas.

A essas criaturas só tenho a dizer: tomem conta das vossas vidas, façam por serem melhores humanos, pessoas mais dignas, humildes, virtuosas e solidárias. Hoje és tu a apontar o dedo, amanhã provavelmente serás tu o alvo do dedo alheio. Como diz o dito popular, quando apontamos o dedo a alguém, pelo menos outros três apontam na nossa direção.

Pensem nisso antes de se autoindigitarem polícia da moral e do comportamento alheio. À opinião todos nós temos direitos; só que essa liberdade de expressão não dá a nenhum de nós o direito de cruxificar os outros. Na ausência de algo construtivo para dizer, façamos um favor a nós mesmos, e aos outros: guardemos para nós essa opinião.

O racismo é coisa séria, pelo que só à sua vítima deve ser dado legitimidade para se pronunciar sobre. Não usem, muito menos abusem, da palavra, peço-vos.

Por hoje é tudo, voltarei na quinta com um assunto mais leve, prometo. Até lá aquele abraço amigo de sempre.

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beauty-863439_1920.jpgViva!

Serão as mulheres poderosas (entenda-se independentes e seguras de si próprias) mais propensas a fracassaram no campo das relações efetivas? Já aqui abordei esta questão, assumindo - com base na minha experiência pessoal - que de facto assim é. Sempre senti que, a nível amoroso, a minha maneira de ser, segura, autónoma, despachada e desapegada, era-me mais prejudicial do que benéfica. No entanto, há dias estive a ler uma crónica da psicóloga Sara Ferreira que pôs-me a pensar que esta minha perceção pode estar enviesada, provavelmente viciada.

Porque estou pondo em causa uma crença até então enraizada em mim? Porque continuo firme no meu processo de desenvolvimento pessoal e espiritual, através do qual vejo-me impelida a reformular o modo como vejo as coisas, como encaro as situações, como analiso as pessoas, como compreendo a vida.

Todos nós, independentemente do género, raça, credo ou orientação sexual, queremos ser felizes; de preferência ao lado de outro alguém que nos ame, compreenda, valorize e apoie. É o que nos inspira, motiva, impulsiona e conforta. Não obstante este desejo, comum e universal, humanamente legítimo, há imensa gente avulsa por aí. Pessoas que permanecem desemparelhadas, por mais que queiram, e tentem, conseguir um parceiro para a vida. Quando se tratam daquelas seguras de si, com boa autoestima, alto astral e espírito do bem este fenómeno parece ainda mais difícil de se compreender. Daí que seja senso comum acreditarmos que para as mulheres poderosas essa tarefa seja, à primeira vista, muito mais árdua.

Ao que parece a coisa não é bem assim, pelo que ninguém melhor que uma psicóloga clínica para nos elucidar. "Não podemos afirmar que os homens fogem de relacionamentos com mulheres que dizem o que pensam e que exercem as suas vontades e outras (legítimas) liberdades pessoais!", garante Sara Ferreira, para quem não é a independência ou a segurança de uma mulher o que os assusta, mas antes a forma como ela as expressa. Os homens não temem mulheres poderosas, temem, sim, aquelas que, escudadas por essa faceta da sua personalidade, se revelam arrogantes, chatas, manipuladoras, adeptas de joguinhos emocionais. Ainda de acordo com esta psicoterapeuta, fogem eles a sete pés das "armadas em boas", que acham que têm sempre razão.


Resumindo e concluindo, a forma como uma mulher demonstra a sua independência/segurança é que determina se ela cativa ou intimida um homem. Ditas as coisas desta maneira, não posso deixar de pensar se não terá sido esse o meu problema, isto é, se, nas minhas relações, não acabei por fazer mau uso dessas caraterísticas. É hora de eu refletir a sério sobre este ponto, pois só azar no amor já não é argumento que satisfaça, muito menos justifique, esta minha solteirice crónica. 

Voltarei na sexta com mais um assunto do meu, aliás, do teu, na verdade, do nosso, interesse. Até lá, fica com aquele abraço amigo de sempre.

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Ora viva! ✌️

Já que estamos sintonizados na frequência do prazer carnal, hoje trago-te um artigo sobre boas práticas sexuais em tempo de pandemia. Cientes estamos todos de que a Covid-19 veio bagunçar a nossa vida, afetando sobretudo o modo como interagimos com os outros, seja ao nível social, profissional ou sexual, este último condenado a um confinamento inédito e inusitado na sua versão casual.

Sexo sem compromisso tem conhecido dias difíceis desde março a esta parte. Nos últimos seis meses, os desemparelhados têm-se visto gregos para dar vazão às suas necessidades libidinosas. O que antes era obtido com uma descarada facilidade/velocidade, nos dias que correm tornou-se, mais do que uma tarefa complicada, uma missão de alto risco. A proximidade física, sem a qual este acaba por perder a sua própria identidade, passou a ser um jogo somente à altura dos mais destemidos, imprudentes até.

De acordo com a Organização Mundial da Saúde (OMS), organismo internacional que regula as questões relacionadas com o bem-estar coletivo, também as práticas sexuais devem adaptar-se ao atual contexto epidemiológico. O que antes acontecia segundo a nossa vontade, e disponibilidade, agora tem de respeitar uma série de recomendações. Dar rédea solta à tesão em "espaços grandes, abertos e bem ventilados" é provavelmente aquela que suscita maior estranheza, mais não seja pela sua colisão com o código penal, o qual proíbe expressamente o sexo em locais públicos. A não ser que estejam a pensar em criar áreas sexuais, como acontece com áreas verdes, esta recomendação é um contrassenso, sem falar que atenta contra a moral e os bons costumes.

É facto assente que a exposição "à respiração ou à saliva", através do qual se propaga o novo coronavírus, representa uma grande ameaça à saúde pública. Daí que dar o corpo ao manifesto de forma segura deixou de se resumir ao uso do preservativo para passar a evitar contactos físicos de qualquer natureza, especialmente os que implicam troca de fluidos salivais. A gravidade é tal que o uso da camisinha e de barreiras dentais é aconselhado no caso do sexo oral. Quanto aos beijos, a indicação é que sejam evitados a todo o custo.

Para a OMS, seguras seguras são as práticas sexuais que não implicam proximidade física com outro alguém, como, por exemplo, a masturbação, a pornografia, o sexting ou o sexo virtual. Pergunto eu se não seria mais fácil desaconselharem terminantemente toda e qualquer espécie de cópula au pair? Ao menos assim quem não têm um parceiro sexual à distância de uma almofada saberia que, na hora do bem bom, só deve contar consigo próprio. Que o melhor mesmo é matar a fome à la pate, respeitando assim o tão desejado afastamento social, vital à contenção desta maldita pandemia.

Aquele abraço amigo e muita coragem nesta hora difícil. Tamos juntos 😉!

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girl-2217926_1920.jpgOra viva!

Como promessa é dívida, eis-me aqui a retomar a minha novela da vida real, a qual não pude dar continuidade no post anterior. Em que parte da estória tinha ficado mesmo? Já me lembro, naquela em que iniciámos as conversações via WhatsApp. Pois, mensagem vai mensagem vem, a uma frequência e abundância à qual estava desabituada, eis que acertamos um rendez-vous para dali a dois dias. Porquê só dali a dois dias? Porque 40 minutos de viagem nos separavam. Com ele apeado e eu sem carta de condução, ainda que tivesse o carro da minha irmã à disposição, as opções de locomoção eram nulas. Ainda cogitou a hipótese de ir ter comigo antes, mal recuperasse o carro que tinha ido para o arranjo, só que eu já tinha compromissos familiares, aos quais convinha comparecer.

Assim, na quarta-feira, três tardes depois de nos conhecermos à beira-rio, lá tivemos o nosso primeiro tête-à-tête, com ele a ir buscar-me à casa. O engraçado é que a minha irmã, mais nova do que eu, fez questão de me entregar em mãos, com a recomendação de que eu deveria ser devolvida sã e salva. A reação dele foi adorável: deu permissão para fotografar a matrícula do carro e ligar para a polícia caso eu não desse sinal de vida nos próximos 60 minutos.

Uma vez entregue a mercadoria, lá nos dirigimos a um bar da praia, o sítio mais à mão para dar vazão à curiosidade mútua, recolhendo, desta forma, as informações que precisávamos para averiguar o grau de interesse existente entre as partes. Ainda que não o tenha admitido, apercebi-me que, mais do que ansioso por estar comigo, ele estava nervoso (a transpiração nas axilas era disso prova irrefutável). Ao passo que eu, impávida e serena, ia observando, absorvendo, desfrutando... Cativou-me particularmente o facto de ele ter-se livrado das havaianas mal nos sentamos nas espreguiçadeiras. Voltou a ganhar pontos quando fez questão de ir buscar as bebibas (pagando ele), enquanto eu ficava a desfrutar da deslumbrante vista.

Da minha parte, foi uma agradável surpresa descobrir que ele tinha 38 anos, era do signo Sagitário (como eu), não fumava, bebia ocasionalmente, viajava imenso, não tinha filhos, nem era casado. Implícito ficou que tinha alguém, a mil quilómetros de distância, em Paris, e que só estava interessado em aproveitar o momento. Neste ponto, foi taxativo e imperativo: o que acontecesse ali, ali deveria ficar, ao estilo "what happens in vegas stays in vegas".

Confesso que, nas antigas circunstâncias, teria hesitado, para não dizer recuado, perante tal proposta. Mas como decidi mudar o meu chip mental e focar-me apenas no "aqui" e "agora", dei por mim, pouco depois, dentro de um carro à entrada da floresta, numa intensa troca de fluidos orais (antes que a tua mente comece a viajar na maionese, que fique claro que refiro-me a saliva). Mal conseguia lembrar-me da última vez que tinha estado a curtir dentro de uma viatura, feita adolescente a provar do inebriante trago do primeiro amor. Foi absolutamente... revigorante, digamos assim.

Duas horas depois, deixa-me ele à porta de casa, sã e salva, mas não intacta, com a promessa de um novo encontro para breve. No caminho de volta, enquanto conduzia, lá me deu a honra de conhecer os seus dotes musicais, enquanto cantarolava, ao mesmo tempo que tamborilava com os dedos no volante, uma canção que passava na rádio do carro. Era tão contagiante a sua boa disposição que não consegui resistir a mandar-lhe a seguinte boca: "Cuidado que ainda vão pensar que estás feliz!".

Faço aqui uma pausa para dizer que são momentos como estes - ínfimos, íntimos, efémeros  - que nos fazem lembrar o quão maravilhosa é a vida. Mais do que isso, que estar com outro alguém pode ser uma experiência magnífica.

Voltei a estar com o Ben dois dias depois, poucas horas antes dele fazer-se à estrada com destino a casa. Foi ter comigo logo pela manhã, de modo que conseguimos desfrutar de outras duas horas de sabura (palavra crioula que classifica tudo que seja bom). Desta vez, ele foi prevenido (se é que me entendes), pelo que a festa foi toda nossa. Jamais, em tempo algum, imaginaria que um branco, ainda para mais sendo francês, mandasse tão bem. Eu que já estava em vias de perder a esperança de voltar a desfrutar do prazer carnal, experienciei umas das melhores performances sexuais de toda a minha existência. Depois de um longo e inglório jejum, tive oportunidade de "encher o bucho", como dizem os manos brazucas. Comi, trinquei, mordisquei, lambi, lambuzei, arrotei e ainda tive tempo para repetir a dose.

E pensar que teria perdido tudo isso se ainda estivesse no velho registo de só "dar" quando for por amor. Na na na, a partir de agora, sempre que a ocasião se propiciar, "darei" por luxúria mesmo. Eu quero mais é ser feliz, ainda que por breves instantes, como foi o caso. Mil vezes estas duas horas - na verdade foram quatro se acrescentar a esta equação o encontro de (re)conhecimento - do que os últimos 10 anos, período que não sinto ter vivido, apenas vegetado, à espera da pessoa certa, da relação desejada, do momento ideal. Como arrependo-me de todo este tempo perdido, um tempo que, sei bem, jamais conseguirei recuperar.

Se há filosofia com a qual estou alinhada nesta altura da minha vida é aquela que apregoa que devemos amar sem reservas, f*der sem culpa, viver sem pudor. A vida é demasiado preciosa para não desfrutarmos de cada momento como se fosse o único, para não aproveitarmos o hoje como se não houvesse amanhã. Nada melhor que esta frase, proferida ontem pela minha amiga Carmencita, para rematar esta linha de pensamento: "Não os f*do por amor... mas amo-os de todas as vezes que os f*do!"

Quanto ao tal mec francês, nunca mais soube dele, já lá vão três semanas. Não mais deu sinal de vida, nem eu fiz por isso. Afinal, já foi obtido o que queríamos - e precisávamos - um do outro.

Beijo no ombro e muita f*da na tua vida!

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eye-1132531_1920.jpgViva!

Hoje não vai ser possível dar continuidade à minha novela da vida real, cujo protagonista é o tal mec francês. Imagino que estejas curiosa para conhecer o seu desfecho, mas a verdade é que estou assoberbada. Prometo acabar de narrá-la na sexta-feira, dia em que conto estar mais aliviada da carga de trabalhos.

De modo a que não percas a viagem, proponho como prémio de consolação o conteúdo de uma carta, aqui publicada há quatro anos, na qual um autor desconhecido desabafa sobre a enorme pressão que o tamanho do "documento" pesa sobre os ombros masculinos.

Hoje preciso usar esse espaço pra fazer um desabafo: tá difícil ser homem.
Se já não bastasse o Rodrigo Hilbert ter um programa de TV onde ele cozinha, lava, limpa, constrói e faz de tudo, agora surge uma foto do Paulo Zulu pelado. O nível de comparação ficou muito alto. Porque na boa, quando vazaram os nudes do Stênio Garcia tava de boa, mas o Zulu é sacanagem.
E eu já ficava put* da vida vendo o 'Tempero de Família'. Ainda esses dias falei pra minha noiva que eu queria comprar uma grelha argentina pra colocar na nossa churrasqueira. Dias depois ela tava assistindo esse maldito programa, no qual o Rodrigo Hilbert FEZ uma grelha argentina. Sim, ele tirou as medidas, cortou os ferros, lixou e soldou peça por peça. E ficou ótima. Pra onde foi minha moral de comprar uma grelha agora?
Não basta o cara ser loiro, alto, bonito e rico, ele ainda cozinha de tudo e constrói tudo que precisa. Pior, que depois de cozinhar, ele ainda lava a louça e limpa toda a bagunça. O mínimo que ele merece é ser casado com a Fernanda Lima. Até eu queria casar com ele.
Mas pra tudo ir por água abaixo de vez, ontem aparece na internet uma foto do Paulo Zulu pelado. Toda mulher deveria ser proibida de ver aquela foto. Na foto só tem ele na frente de um espelho, sem roupa nenhuma e segurando um iPhone. E o pior, ele tem um iPhone 6. Eu tenho um 4. Ou seja, até o iPhone dele é maior que o meu.
Agora faz sentido o cara se chamar "Zulu". É uma nítida referência afrodescendente. Além disso o cara é todo musculoso. Ele tem 53 anos, surfa e malha todo dia. Sem contar que agora tenho certeza que quando ele chega na academia dizendo que vai malhar perna, o personal diz:
- Todas as três?
O que ainda me tranquiliza é que o Paulo Zulu mora em Santa Catarina e o Rodrigo Hilbert nasceu e grava todos os programas em Santa Catarina. Eu também nasci e moro em Santa Catarina. Talvez tenha alguma magia aqui no estado e eu tenha salvação. Então a partir de hoje vou começar a construir coisas, cozinhar, limpar e ir pra academia todos os dias. E só pra garantir, também vou começar a clicar naqueles e-mails de "aumente seu pênis".

Aquele abraço amigo de sempre!

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girl-2217926_1920.jpgOra viva!

Para hoje proponho voltarmos a analisar aquela (velha) questão das relações assentes no "dar o corpo ao manifesto a custo zero", como gosto de chamar aquelas baseadas unica e exclusivamente no sexo. Não é de hoje que apregoo a minha reticência, para não dizer aversão, a esta modalidade amorosa, que, a meu ver, mais não é que uma forma cómoda, e masculinizada, de descaracterizar o amor, tornando-o num ato primitivo e banal. É precisamente sobre partilhar o corpo sem entregar o coração que versa esta crónica.

Sexo sem envolvimento emocional, ou seja, sem um sentimento mais profundo que a mera tesão, é coisa com a qual nunca me identifiquei. Desde que me iniciei na arte romântica que evito esse tipo de interação amorosa, essencialmente pelo receio daquele vazio pós-coito, inevitável, ainda que gerível. A falta da assistência depois do bem bom, ao qual dou muito valor, sempre foi a meu calcanhar de Aquiles nas relações amorosas.

No entanto, nos últimos tempos, à pala das profundas mudanças que venho encetando na minha pessoa, em especial no meu espírito, tenho feito um esforço acrescido para abrir-me a novas formas de amar, a novos tipos de relacionamentos, a novas práticas sexuais. Abrir mão de um ideal não é pera doce, até porque chega-se a uma altura da vida em que os nossos ideais tornam-se parte daquilo que somos. Não viver o amor só porque ele não corresponde ao nosso ideal é deixar de viver a vida tal como ela se nos apresenta. E se há coisa com a qual tenho aprendido é que a vida é para ser vivida do jeitinho que dá. Esperar para vivê-la apenas nos momentos que vão de encontro àquilo que idealizamos é contraproducente. A perfeição não existe e, mesmo nos momentos em que ela se manifesta, encontramo-la nos pequenos momentos e não apenas num único grande momento.

Na base desta minha mudança de direção mental está a profunda (re)evolução interna que venho abraçando de uns tempo para cá. A explicação parece residir no facto de, a cada septénio (período de sete anos) finalizarmos/iniciarmos um ciclo de vida, por imposição de Saturno, o planeta responsável pelos desafios existenciais, os quais temos de superar sob pena de voltarmos a ter que lidar com eles over and over again... Nada melhor que a minha estória com o tal mec francês, com quem vivi uma (breve) aventura amorosa agora nas férias, para ilustrar esta minha mudança de paradigma em relação ao amor.

Conheci o Ben, assim se chama ele, num domingo, já em contagem decrescente para o final das férias. Andávamos nós - a minha irmã, a minha sobrinha e eu - a catar caranguejos à beira-rio, quando diz-me a primeira que um dos praticantes de paddle que desfilava rio abaixo não parava de olhar para nós. Como estava de costas, não me tinha apercebido de nada, motivo pelo qual duvidei que assim fosse, até porque os "brancos" nunca olham para uma mulher, ainda mais quando ela é negra. Rebatei que era apenas impressão e continuei a minha busca. Insiste ela que o fulano continuava a olhar e que até tinha-se afastado da pessoa que o acompanhava a fim de se abeirar da margem aonde nos encontrávamos. Remata ela que, na qualidade de única disponível do trio (ela é casada e a minha sobrinha tem seis anos), deveria tomar alguma  atitude a esse respeito. Feita tótó, que é o que sou quando se trata de abordar um homem, fiquei especada a olhar, enquanto o gajo passava por nós, deitando, volta e meia, uma olhadela furtiva na nossa direção. Descrente e hesitante, lá me atrevi a fazer-lhe um tchau. Foi quanto bastou para que ele voltasse atrás, não sem antes dizer qualquer coisa ao amigo, que lá continuou a remar rumo ao lago Hossegor.


Conversa vai conversa vem, eu caladinha que nem um rato, pois, além do complexo de me expressar em francês perante um pretendente nativo, mal conseguia acreditar que estava a ser vítima de uma tentativa de aproximação, in loco e da forma mais inesperada possível. Afinal, há anos que não conhecia ninguém na vida real, sem recurso a um dispositivo tecnológico. Dois dedos de prosa depois, pede-me ele que tire os óculos de sol, de modo a que pudesse ver-me os olhos. Como paga pela minha boa vontade recebo um "mais elle est belle" e um número de telefone, que foi a minha irmã que anotou, pois esta solteira aqui só conseguia esboçar sorrisos bobos e balbuciar umas quantas palavras desencontradas no tempo e na gramática.

E com razão! Nem nas minhas fantasias mais ousadas seria capaz de prever que o tipo dos meus sonhos - 182 cm, corpo todo trabalhado no fitness (mais tarde vim a saber que é instrutor de artes marciais), six pack visível a olho nu, peito depilado, olhos verdes, bronze no ponto e com um derrière digno de uma vénia - iria interessar-se por mim, ainda para mais sem que eu tenha feito absolutamente nada para que tal acontecesse.

Mal ele vira as costas, diz-me a minha mana: "Vês que é possível conhecer alguém? Ainda há esperança para ti!" Nesse dia, o Paris Saint-Germain (PSG) iria disputar uma final inédita da Champions (precisamente em Lisboa), pelo que era de se esperar que não teria novidades dele, pois sendo parisiense o mais provável é que estivesse a vibrar com o jogo. No dia seguinte, logo às nove da manhã, andava ele a bombardear a minha irmã com SMS, querendo saber se, de facto, existia interesse da minha parte e quando poderíamos encontrar-nos. Mal chega ela a casa, reclamando que ele não a tinha deixado concentrar-se no trabalho, mostra-me as mensagens, nas quais ele fazia todo o tipo de perguntas sobre a minha pessoa, tendo até proposto um rendez-vous (à trois) para esse mesmo dia. Uma vez lidas as mensagens que andaram a trocar durante a manhã, disse a ela: "Bolas, tenho 42 anos, sou mais do que capaz de conduzir as conversações daqui para a frente, sem necessidade de uma intermediária!". Dito isso, pego no telefone dela e mando um SMS ao rapaz dizendo-lhe que preferia que falasse diretamente comigo, através do WhatsApp. Acedeu de boa vontade, ainda que preocupado com a possibilidade de não o conseguir fazer, já que tinha tido problemas com a aplicação. Ficou combinado que, se até ao final do dia eu não obtivesse uma reação da sua parte, voltaria a contactar-me pelo telefone da minha irmã. Confidenciou-me depois que foi comprar um iPhone novo só para poder garantir que não teria problemas em trocar mensagens comigo.

O resto da estória fica para o próximo post, que já esgotei o tempo de antena, sem falar que trabalhar é preciso (ainda mais no dia em que a chefia regressou das férias).

Um beijo, um abraço e um coração!

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doctor-1149149_1920.jpgOra viva ✌️!

Contigo quero hoje partilhar a primeira crónica da série Um Amor Indesejado, que mais não é do que um ensaio para um prémio literário ao qual pretendo concorrer mal a mademoiselle inspiração regresse das férias; férias essas que de tão prolongadas já começam a perder a graça.

Retomando as palavras à narrativa, encontrei-a algures perdida na pasta aonde anoto as ideias que me vão surgindo, na firme convicção de, mais tarde, virem a revelar-se aproveitáveis. Como é agora o caso, em que irei contar a estória de um super médico capaz de curar qualquer doença do coração, exceto o Amor, para o qual descobriu não ter imunidade, cura menos ainda.

Era uma vez um jovem que se orgulhava de ser portador da Doença do Não Envolvimento Emocional (DNEE), uma moléstia autodiagnosticada tinha ele pouco mais de 11 anos, altura em que viu o pai ser abandonado pela mãe, que decidiu redescobrir a felicidade conjugal nos braços de outro alguém. Presenciar o sofrimento - pior do que isso, a impotência - do progenitor perante um desgosto amoroso, despertou no nosso protagonista uma profunda repulsa por sentimentos mais profundos do que o mero "gostar". Jurou a si próprio que jamais se permitiria um envolvimento ao ponto de correr o risco de passar pelo mesmo que o pai.

E assim levou a sua vida sentimental... namorando sempre que calhava, chegando, inclusive, a apreciar genuinamente a companhia de várias mulheres. Contudo, nunca ao ponto de sentir que precisava de qualquer uma delas para ser (verdadeiramente) feliz. Para ele, as mulheres com as quais se relacionava cumpriam o papel de o entreter social e emocionalmente, ao mesmo tempo que lhe proporcionavam a satisfação sexual da qual não abria mão por um período de tempo superior a uma semana.

Aos trinta e tal anos a vida corria-lhe de feição. Pudera! Um emprego de sonho (cirurgião cardiotorácico no mais conceituado hospital privado da capital), uma casa maravilhosa rente à praia, mais dinheiro do que conseguia gastar, um círculo social invejável e parceiras ao alcance de um SMS. Contava ele permanecer nesse registo por longos e felizes anos: curtindo a sua vida, quando não estava ocupado a salvar a vida dos outros.

Acreditava piamente que o seu coração estava a salvo das artimanhas do amor, um vírus traiçoeiro e nefasto que só aos tolos e incautos infetava. Quanta arrogância, quanta soberba, quanta ingenuidade! Em breve, o nosso doutor iria descobrir que à vida cabe sempre a última palavra.

Foi numa fria e cinzenta manhã de novembro que o mundo encantado do nosso cardiologista sofre um abalo do qual jamais voltaria a recuperar. Pelo menos não da forma como esperava. Nessa manhã, ao entrar no seu consultório, um gabinete de 25 m2 com vista privilegiada para o rio, o Dr. Sem Emoção (chamemos-lhe assim), dá de caras com a pessoa que deitaria por terra todas as suas convicções amorosas, todas as suas defesas emocionais, erguidas ainda no despertar da adolescência e mantidas intactas ao longo de mais de duas décadas.

Soube ele no preciso instante em que a viu que o seu coração não mais lhe pertencia, não mais obedecia à voz da razão. O cupido, esse filho da puta do qual sempre tinha feito questão de manter a devida distância de segurança, tramara-o da forma mais perversa e matreira que poderia imaginar. Naquele momento, apercebeu-se de que o amor adentrara pelo seu coração, sem pedir licença nem desculpa. Um amor prematuro, insensato, indesejado. Ainda assim Amor!

Continua...

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05
Ago20

sexy-4578028_1920.jpgOra viva!

Esta crónica assenta numa sugestão da FL, que encaminhou-me um texto sobre o orgasmo, na esperança de que pudesse ser um tópico para este blog, eleito, por duas vezes consecutivas, como o melhor da categoria sexualidade. Como não poderia ela estar mais certa, eis-me aqui a partilhá-lo contigo, acreditanto que será do teu interesse, tanto quanto foi do meu.

Pode o orgasmo ser um comportamento que se aprende, pergunta Barbara Cadabra, autora da página Lua das Colheitas, num post datado de 31 de julho deste ano. Sobre tal questão, considera ela que "a reprodução é instintiva, mas o prazer e o orgasmo são aprendidos durante a vida. E para aprender são necessárias informações claras e corretas sobre a sexualidade em si, mas, principalmente, sobre o nosso próprio corpo. E só vamos perceber como funciona o nosso corpo quando o tocarmos e o reconhecermos"  (como um instrumento de prazer).

Para ter um orgasmo é preciso que o corpo esteja preparado e, para a mulher, esse processo é muito mais demorado do que para o homem. Para que o corpo da mulher se sinta plenamente recetivo, é necessário que os órgãos internos, vagina e clitóris, estejam altamente irrigados de sangue, permitindo, assim, que a sensibilidade aumente. Esta preparação do corpo feminino leva em média 20 minutos e é essencial que a mulher não se distraia, sob pena da excitação desaparecer. Portanto, é absolutamente essencial a estimulação do corpo e da vagina através de festinhas, carícias, massagens e beijos.

Um dos grandes bloqueios ao orgasmo é a educação sexual que não temos... Conceitos rígidos sobre a sexualidade e sobre como devemos explorá-la dificultam imenso o processo de reconhecimento do prazer. É urgente refletirmos sobre as crenças relativas ao sexo, sobre o que consideramos ser o modo correto de o praticar. Se existe um bloqueio de crenças ou emoções relativamente à expressão sexual, o corpo não vai conseguir funcionar correta e plenamente, afastando a possibilidade de alcançar o máximo prazer orgásmico.

Se queres melhorar os teus orgasmos, começa a dedicar-te mais tempo, a conhecer os teus genitais, a tocar-lhes, a explorá-los e a estimulá-los... Entrega-te a um prazer só teu, de modo a que possas convidar alguém a desfrutar contigo.

Quem não alcança o orgasmo sozinho, dificilmente o alcançará com outra pessoa.

Meu bem, concordas que desfrutar plenamente do prazer sexual é algo que se aprende? Se assim for, és capaz de me dizer porque carga de água existem tantas mulheres que nunca lá chegaram?

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self-love-65693_1920.jpgOra viva!

A inspiração - que andou arisca na última semana, provavelmente escaldada pelo tempo - parece ter voltado em força, graças à LL, uma seguidora que partilhou comigo o drama de estar numa relação com alguém centrado, unica e exclusivamente, em si mesmo. O seu desabafo mais não me pareceu do que um grito de infelicidade e impotência, um claro pedido de socorro.

Escuso dizer que a minha primeira reação foi sugerir que mandasse o gajo à merda, mas como percebi que, para ela, a solução não era tão simples quanto isso, comprometi-me a escrever sobre o assunto, na expectativa de que mais alguém se identifique, ao ponto de querer partilhar a sua experiência, dando assim à LL uma luz sobre o rumo a dar a uma estória que de amor só tem dele para ele mesmo. Confusa? Já vais entender!

Do que depreendi do nosso bate-papo, e mesmo sem qualquer qualificação profissional na área da mente, atrevo-me a diagnosticar a personalidade do dito cujo com quem ela anda metida, a raíz de toda a sua angústia. Em resultado da pesquisa que fiz, é-me possível reconhecer nele os traços de um narcisita de primeira linha. Vejamos: o gajo acha-se
melhor do que os outros (ela inclusive); vive num permanente estado de competição; quer sempre tudo sem dar nada em troca; demonstra grande dificuldade, incapacidade até, em compreender o ponto de vista dela; não faz nada a custo zero; lida muito mal com a frustração; esforça-se demasiado para ser admirado, para ser o centro das atenções; raramente mostra empatia para com as necessidades ou sentimentos alheios; encara a relação amorosa com superficialidade, dando a entender que esta só serve para lhe afagar o ego; revela uma postura arrogante, soberba, insolente e crítica, sempre centrado nos seus pontos de vista e jamais nos dos outros.

Uma vez traçado o perfil dessa pessoa totalmente focada em si, analisemos, à luz da psicologia, o seu comportamento no contexto amoroso-sentimental. "À primeira vista, é relativamente fácil gostar de um narcisista, já que é uma pessoa sedutora, atraente, com carisma e que se mostra extrovertida, autoconfiante e determinada", esclarece Rita Fonseca de Castro, da Oficina de Psicologia. "Quando estabelece um objetivo, é muito persuasivo pelo que, se estiver interessado em se relacionar com alguém, para sua própria gratificação, fará com que o alvo da sua cobiça se sinta especial e desejado." Foi precisamente isso que aconteceu com a protagonista deste melodrama. No início, o fulano demonstrou ser um encanto de homem, com uma personalidade impossível de resistir.

Envolver-se com um narcisista é entrar numa montanha-russa de emoções, que de um modo geral termina rápido e mal. "Alguém com uma personalidade assim tende a estabelecer relações de curta duração e superficiais, sempre focadas nos seus ganhos pessoais. Quem tem uma relação com uma pessoa com esta patologia acaba por investir tudo (sozinho) na relação, e só se apercebe verdadeiramente disso quando acaba", alerta a psicóloga.

Cara LL, para o caso de ainda teres alguma dúvida, retém isto: o teu namorado já encontrou o grande amor da sua vida: ele mesmo! Motivo pelo qual é-lhe francamente difícil entregar-se genuinamente a outra pessoa. Ele pode até sentir-se - e mostrar-se - apaixonado, só que as suas motivações nunca serão verdadeiramente altruístas. Por muito que te custe ouvir, não há como dourar a pílula: a ele só lhe interessa os benefícios que a vossa relação lhe proporciona. É da sua natureza preocupar-se apenas consigo mesmo, pelo que, por mais que queiras, ele não vai mudar. Nem por ti, nem por ninguém. Afinal, uma onça jamais perde as suas pintas, por mais que as tente camuflar.

Um abraço afetuoso meu!

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