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Crónicas, contos e confissões de uma solteira gira e bem resolvida que não cumpriu o papel para o qual foi formatada: casar e procriar. Caso para cortar os pulsos ou dar pulos de alegria? Provavelmente, nem uma coisa nem outra!

04
Out21

As pseudofelizes (reprise)

por Sara Sarowsky

21914709_8A2sO.jpegViva! ✌️ 

Já que estamos numa onda de pseudo, resgato este artigo do ano passado sobre as mulheres que comem amargura e arrotam felicidade, com o único intuito de aparentar o que não são.
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Estes dias têm-me sido difícil dar-te atenção, não só por ter muito que fazer, mas sobretudo por estar a braços com sérios problemas laborais, problemas esses que vêm causando um desgaste emocional avassalador. A situação é de tal forma dramática que o despedimento parece-me ser a única maneira de me livrar do assédio moral com o qual venho debatendo há já um bom tempo. Sobre isso falarei numa altura em que não esteja tão reativa. O tempo é curto, já disse, mas será suficiente para falar-te das pseudofelizes, uma subespécie feminina que se carateriza por comer amargura e arrotar felicidade.

Atenção que nada tenho contra quem assuma uma atitude positiva perante a vida; pelo contrário, admiro com todo o meu ser as pessoas que, independentemente das rasteiras da vida, fazem questão de manter uma atitude otimista. Gente assim faz toda a diferença. As pseudofelizes não são felizes, nem tão pouco mais ou menos. Fazem é questão de mostrar aos outros que o são com o único propósito de se gabarem e causar inveja aos demais. É aqui que reside a diferença entre pessoas genuinamente felizes, independentemente de como a vida lhes trata, e as que fazem tudo para parecerem felizes apenas por uma questão de aparência e conveniência social. São essas que batizei de pseudofelizes.

Dou um exemplo: aquela colega ou conhecida que, sabendo-te solteira, não perde uma oportunidade para pregar que devias arranjar alguém, que não sabes o que estás a perder, que ela não se vê completamente feliz sem o seu "Tó Zé" Ora acontece que, na realidade, essa fulana não é respeitada, para não dizer maltratada, pelo seu gajo e, como se não bastasse, volta e meia, leva com um par de chifres. Esta é uma pseudofeliz, uma mulher emparelhada que se acha melhor do que qualquer desemparelhada pelo simples facto de ter um par de calças fixo na sua vida, mesmo que isso implique estar num relacionamento miserável.

Portanto, solteira minha, não invejes relações alheias. Lembra-te que as aparências enganam e que existe um mar de mulheres "não solteiras" cujo grau de infelicidade não chega aos pés da mais solitária das desemparelhadas.

Aquele abraço amigo de sempre!

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01
Out21

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Viva! 👋

Este mês o tarot brinda-nos com a carta 'Momento a Momento', numa clara alusão de que devemos aproveitar cada momento da vida como se mais não houvesse. Será um mês de colheita e, por isso, um pouco mais calmo que os meses anteriores. Além de aceitarmos a colheita como uma bênção, devemos aproveitar para reavaliar.

Mês 10 que representa a energia 1, será o início de um novo ciclo, enquanto que em setembro deveríamos ter finalizado uma aprendizagem muito concreta. Se ainda estás a pensar e não sabes qual o ciclo que encerraste (ou deverias ter encerrado) no mês que passou, aconselho vivamente a que não faças nenhuma mudança impulsiva em outubro. Deverás analisar tudo ao detalhe.

Assiste aqui ao vídeo com a previsão.

Desejo-vos um mês cheio de coragem, novas resoluções e muita luz!
Abraço de Amor,
Isabel ❤️

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breasts-1008881_960_720.jpegViva! ✌️ 

Conforme prometido no post anterior, eis-me aqui para te contar as últimas da minha vida amorosa, a qual não conhece trégua nem folga, não obstante continuar mais desemparelhada do que nunca. Como tal, está na hora de falarmos de gajos, mais concretamente sobre a sua - cada vez mais flagrante, e frustrante - inaptidão para abordar ou cortejar uma mulher solteira.

Na base desta premissa está, uma vez mais, a minha experiência pessoal, repleta de episódios deprimentes, sendo que as últimas mais não são do que a continuação da saga "mec" francês, de quem já te falei em mais do que uma ocasião. Abro aqui um parêntesis para confidenciar que estou cada vez mais convicta de que o meu estado civil cumpre um propósito maior do que apenas falta de sorte no amor. Provavelmente, haverá qualquer coisa que o universo determinou para a minha pessoa, com a qual não estou a conseguir atinar.

Enfim... vamos lá às últimas novidades de tipos que me abordam na expectativa de conseguirem benesses sexuais a custo zero, ou seja, sem qualquer investimento emocional. De compromisso nem vale a pena piar, já que se trata de assunto tabu nos dias que correm, em que as relações baseiam-se essencialmente na libido, na superficialidade e na descartabilidade. 

Há coisa de 4 semanas, recebi uma mensagem de um desconhecido, contendo um singelo emoji sorridente. Como tenho por norma responder a todos aqueles que entram em contacto comigo (pelo menos até saber qual a deles), lá respondi com um simpático "olá", após o qual a conversa desenrolou descontraída e despretensiosa. Pelo menos, assim pensava eu... Como não estava para perder tempo, até porque encontrava-me a "turismar" em Sintra, e escaldada de "entradas masculinas de pé em riste", fui logo perguntando o que tinha ele para contar, numa forma sutil de dizer: "O que queres de mim?"

O fulano, treinador de futebol (do Sporting, vê lá tu!), respondeu que tinha ficado curioso em relação à minha pessoa. Segundo ele, eu parecia "educada, inteligente, sensível, com energia forte... e com imenso sexappeal. Demasiadas coisas boas para deixar um homem indiferente". "Fica difícil", rematou ele. Nem bem a troca de mensagens tinha começado a cativar-me, já ele dizia: "queroooo, está a deixar-me com imensa vontade de... tudo, de explorar tudo". Quando questionado sobre o que significava tal coisa, saiu-se com esta: "Já me tocou, já me deixou cheio de vontade".

Antevendo o rumo da conversa, fiz questão de lhe perguntar se estava com intenções sexuais a meu respeito, ao que ele respondeu nestes termos: "Uma mulher interessante como tu pareces ser, suscita sempre interesses vários, sendo que essa parte não seria exceção, calculo...", ao qual contraargumento nestes termos: "Estou a ver... é que estou traumatizada com homens que me abordam única e exclusivamente nesse sentido. Fazem-me sentir um pedaço de carne". Aconselha-me ele a olhar para a questão de uma forma positiva, como "sinal de como era interessante e bonita".

Ainda meio iludida sobre as reais intenções do fulano, bem apessoado, detentor de uma escrita exemplar (entenda-se, sem calinadas na gramática) e com um sentido de humor apurado, lá continuei a dar-lhe tempo de antena, torcendo intimamente para que manifestasse alguma predisposição para uma abertura sentimental. O meu castelo de cartas ruiu por completo, quando a seguir ele pergunta-me, sem pudor, se eu gostava de sexo. Aí já não houve margens para dúvidas de que andava ele à procura de uma "despeja-c*lhões", como costumo chamar às mulheres que só servem para os homens irem "aliviar-se".

Todo o encanto por ele - um tipão, de acordo com as imagens que vi no seu perfil - esfumou-se naquele instante, ao ponto da conversa ter ficado suspensa. Quatro dias depois, em reação a uma story minha, volta o fulano à carga, através do envio de um novo emoji, desta vez com os olhos em coração. Querendo acreditar que a abordagem estivesse mais lapidada, lá lhe dei conversa, perguntando como estava, ao que ele responde, ultrapassada a conversa da praxe, que tinha ficado com "vontade de mim".

Numa última oportunidade para se mostrar digno das minhas melhores expectativas, questionei-o sobre como tinha chegado a mim, ao que ele respondeu: "Honestamente não me recordo". Não convencida de que estivesse a dizer a verdade, atirei-lhe com um: "pela tua abordagem, diria que foi via Tinder", ao qual ele não refutou. Perdida toda a esperança, não me restou outra saída que não fosse esta: "Como o meu tempo é precioso, e acredito que o teu ainda mais, convém eu deixar claro que não estou disponível para qualquer tipo de envolvimento sexual. E não me estou a fazer de difícil, apenas descarto essa possibilidade. Por isso escusas de perder o teu tempo comigo. Lamento estar a ser crua e dura, mas a sinceridade é sempre o melhor caminho."

Perante o emoji de tristeza com que reagiu, rematei que haveria de ficar bem e que o que não falta são mulheres disponíveis para tal. Respondeu que não estava com ninguém e que era exigente. Perante a minha irredutibilidade, não obstante ter reconhecido que o tinha achado um homem muito interessante e que "se fosse há uns tempos atrás, até cogitaria a hipótese, mas que nesta fase só casando", o dito cujo eclipsou-se para nunca mais dar sinal de vida.

Nem bem tinha digerido este episódio, eis que levo com mais duas sequelas desta novela, desta feita protagonizadas por um norueguês e um francês, cujas intenções acabaram por conduzir ao mesmo desfecho: sexo a custo zero. Dado que todas as abordagens foram perpetradas através do Instagram, por parte de perfis que sequer acompanham o meu trabalho como blogger, pergunto-me como chegaram eles até mim? Acredito que devem pesquisar pelas hashtags single e sex e que o meu perfil deve aparecer logo nos primeiros resultados. Só pode!

Diz a minha spiritual coach que tal se deve, provavelmente, à energia que tenho estado a emanar, ou seja, que por estar a vibrar na energia do sexo, atraio esse tipo de predadores sexuais, chamemos-lhe assim. Logo eu que há mais de década que não sei o que é isso de "vibrar na energia do sexo". Por sua vez, diz a minha psicoterapeuta que devo tratar esses "tarados" com amor, ou seja, dar-lhes amor a ver se retribuem com amor. Diz a minha consciência que os mande todos à merda, que à borla mais nenhum filho da p*ta me volta a comer. É que não mesmo!

Mais tenho eu para desabafar, mas, dada a extensão do texto, vai ter que ficar para outra oportunidade. Despeço-me com aquele abraço amigo e um até sexta!

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27
Set21

Inflexões e reflexões

por Sara Sarowsky

My Post.jpgViva! 👋

Hoje escrevo-te a partir do Moxy Lisbon City, um espaço espetacular localizado a escassos metros da minha residência, mas que só na semana passada tive o prazer de explorar, não obstante à sua porta passar praticamente todo o santo dia. Trata-se de uma dessas agradáveis surpresas da vida, cuja decoração e conceito - sobretudo o do workspace gratuito – encantou-me a tal ponto que decidi passar a vir para cá escrever, na expectativa de que o cenário deslumbrante que vês na foto ajude a inspiração a fluir leve e solta.

Para mal dos meus pecados, em casa nem sempre consigo reunir as condições propícias a isso. Pudera, a coabitar com mais três criaturas, cada qual com o seu horário, a sua rotina e o seu conceito de respeito, silêncio, asseio e incómodo. É o preço que pago por insistir em viver no centro de Lisboa, auferindo rendimentos abaixo dos quatro dígitos.

Via programa Renda Acessível já eu perdi as esperanças de conseguir o meu próprio cantinho, um dos motivos de peso para a tomada de decisão em emigrar. Perdi a conta às vezes em que submeti candidatura, sem qualquer sucesso; pior ainda, sem grande perspetiva de vir a ter, já que qualquer pessoa, independentemente do tempo de residência na cidade, do facto de trabalhar no concelho ou da sua cidadania, concorre em igualdade de circunstâncias. Da última vez que ousei sonhar com uma casa à medida da minha conta bancária, fui informada de que teria que disputar a sorte com mais de três mil adversários para poucos mais que uma dezena de fogos.

Não sou racista, xenófoba, elitista ou coisa do género, mas que considero uma tremenda injustiça que pessoas que sequer moram em Lisboa, ou seja, cujos impostos e despesas não contribuem para o erário camarário, concorram nas mesmíssimas condições, lá isso considero. Não acho justo que um recém-chegado ao país/cidade beneficie das mesmas probabilidades que aqueles que, como eu, residem e trabalham na cidade há décadas. Pronto falei!

Da suspeita que paira entre os candidatos de que o processo não é totalmente transparente prefiro não me pronunciar, pelo menos não publicamente... Foi exatamente por isso que não considerei o Medina digno do meu voto. Provavelmente, mais pessoas devem ter feito o mesmo raciocínio, sem falar em outras polémicas, como a cedência de dados pessoais dos ativistas russos, e o resultado é o que se sabe: cartão vermelho direto, "pessoal e intransmissível", sem direito a VAR.

Voltando ao drama meu de toda uma vida adulta - morar em regime de quarto -, nos dias em que urgia concentração total e sossego absoluto, costumava montar acampamento lá para os lados do Centro Cultural de Cabo Verde, outro spot que adoro, mas que se revela sempre um baque na carteira e na dieta, já que é-me de todo impossível resistir ao apelo da cachupa da chef Milocas. Só de fazer menção a isso, já eu estou a salivar... Agora que descobri o Moxy, é minha intenção alternar entre um e outro, conforme o estado de espírito, e o saldo bancário, claro está!

E o assunto que pensava tratar contigo hoje vai ter que ficar para a próxima crónica, dado que esta está prestes a exceder o limite ideal de caracteres. Assim, na quarta vou contar a última, ou melhor, as últimas abordagens de gajos que me procuram na tentativa – patética, diga-se de passagem – de conseguir sexo a custo zero. Yep, a minha saga como "peguete" (como se diz na gíria popular brasileira) não conhece pausa entre temporadas.

Despeço-me com aquele abraço amigo e vibrações positivas, que a semana bem pede. Hasta!

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24
Set21

woman-1545885_1920.jpgOra viva! ✌️ 

Nesta sexta-feira, a última do mês de setembro, resolvi tirar o dia para ir à praia, naquela que será a primeira do ano em águas lusas. Enquanto aguardo que o sol dê o ar da sua graça (e vai dar), eis-me aqui para um olá de alegria e aquele bate-papo gostoso, como dizem os nossos manos do outro lado do Atlântico.

Dado que a cabeça só quer saber de sol, areia e água salgada, ou seja, do tal dolce fare niente que tão bem faz à alma, proponho para hoje um tema light, mas nem por isso irelevante: a autocrítica exacerbada. Quanto a ti não sei, mas eu sempre fui uma espécie de carrasca da minha própria pessoa, exigindo em demasia e autocriticando sem dó nem piedade.

Agora, às quatro décadas de vida, é-me evidente que é o pior que posso fazer, já que com essa atitude boicoto o meu bem-estar emocional/psíquico e autoinflinjo um sofrimento desnecessário. Se também tu tens tendência para tal comportamento, este artigo vai ajudar-te a ter uma noção mais concreta do quão prejudicial podes estar a ser para ti mesma.

Num artigo para o site Psychology Today, a psicóloga Alice Boyes dá nota de alguns sinais de que precisamos reforçar a nossa dose de autocompaixão. Anota aí meu bem:
- Martirizas-te por causa de erros que têm consequências mínimas;
- Continuas a criticar-te, mesmo depois de teres corrigido o erro;
- O self-care cai constantemente na tua lista de coisas a fazer, dando lugar a outras prioridades;
- Quando alguém te trata mal, encontras uma forma de interpretar as coisas como se a culpa fosse tua;
- Sentes que és um fracasso, apesar de teres praticamente todos os campos da tua vida em ordem;
- És compreensiva com os erros de todos, menos com os teus.

Penso que mais esclarecedor não poderia ter sido esta crónica, daí que te deixe a interiorizar sobre o que acabaste de ler, enquanto eu vou aí dar um toque ao São Pedro, a ver se ele se despacha, que o dia já leva mais de dez horas em cima e sol que é bom nada. Bom fim de semana e até segunda!

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22
Set21

naom_6107f0f2218b3.jpegOra viva! ✌️ 

Dado que este jamais se esgota, nem perde a atualidade, proponho que hoje retomemos o tema da felicidade, o valor mais precioso para nós humanos, ao ponto de passarmos a vida inteira à sua procura. Assim, versará esta crónica sobre como estimulá-la, com dicas práticas sobre como atuam a dopamina, a oxitocina, a serotonina e as endorfinas, as suas quatro principais hormonas, responsáveis por sensações e sentimentos como prazer, união, motivação e até amor.

Antes de avançar, acho por bem esclarecer que as hormonas são produtos químicos produzidos por várias glândulas que enviam mensagens para todo o corpo humano, estando envolvidas em muitos processos essenciais, como o crescimento, o metabolismo, a reprodução, a frequência cardíaca, a digestão, o humor e os sentimentos. Como tal, entender como essas substâncias funcionam no corpo e no cérebro permite-nos sermos agentes ativos na melhoria do nosso índice de bem-estar físico e emocional. E quem não gostaria de um pouco mais de saúde e felicidade, não é mesmo?

As hormonas da felicidade são segregadas em resposta a fatores como ambiente, relacionamentos, dieta ou exercício físico, o que significa que podemos influenciá-las através de atividades quotidianas. As linhas que se seguem dir te ão como.

Dopamina
Esta prazerosa hormona é a grande responsável pela motivação e pela concentração. É a chave para o sistema de recompensa do cérebro, fazendo-nos sentir felizes, ao mesmo tempo que nos mantém alerta. Exemplos de coisas que podes fazer para estimular a dopamina: completar uma tarefa, atividades de autocuidado, comer, ‘sexar’, perseguir um objetivo, ouvir música ou aprender algo novo.

Oxitocina
A oxitocina é uma hormona de bem-estar essencial para promover o vínculo, a confiança e o amor. Ela regula a resposta ao stress, estando associada à generosidade e desempenhando um papel importante nos relacionamentos interpessoais. Brincar com um bebé ou um cão, andar de mãos dadas, abraçar, fazer um elogio, receber uma massagem e mostrar afeto são alguns exemplos de como podes aumentar os teus níveis de oxitocina.

Serotonina
É a mais calma destas quatro hormonas, estando relacionada com o bem-estar e a felicidade a longo prazo. É um estabilizador de humor essencial, que ajuda a regular a digestão, a função cerebral e o ritmo circadiano. Podes avivar essa hormona com uma dieta saudável, meditação, andar na natureza, apanhar sol, praticar exercício físico ou passar tempo com amigos próximos.

Endorfinas
As endorfinas, o analgésico natural do nosso organismo, está relacionado com o alívio. Stress, desconforto e dor são combatidos por essa hormona da felicidade, que inibe a transmissão dos sinais de dor no sistema nervoso central. O riso, uma corrida ou exercício de alta intensidade, comer chocolate negro, criar música ou arte ou duche frio são apenas algumas das práticas capazes de ativá-las.

Como pudeste ler, a felicidade está ao alcance de umas quantas hormonas, condicionadas pelo nosso comportamento, daí que não me canse de relembrar que a felicidade é um ativo demasiado valioso para ser hipotecada ou terceirizada. A minha palavra de ordem para ti neste dia, e em todos os outros, é esta: ser feliz (do jeitinho que dá para ser).


Aquele abraço amigo e até sexta!

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20
Set21

F5053D11-E2BF-42B1-B9C8-B08E71ACED0D.jpegViva! 👋

Hoje, dia 20 de setembro, completam seis meses desde a última vez que pûs qualquer espécie de produto químico no meu cabelo. Esta introdução, perfeitamente extensível a uma sessão dos AA (Adictos Anónimos), espelha bem o quão aditivo é para a mulher africana desfrisar ou texturizar. Pudera, desde os primórdios da nossa adolescência que nos fustigam a cabeleira com uma panóplia de produtos químicos, na intenção de torná-la mais maleável, ou seja, menos selvagem.

Os padrões ocidentais, assentes numa obsessão pelo cabelo liso, imperaram durante séculos, impondo-se como a única forma socialmente aceitável de beleza capilar. No post Dove volta a arrasar com #SeuCabeloSuaEscolha já eu tinha escrito sobre a importância de uma mulher assumir a versão original do cabelo, sem complexo, vergonha ou culpa. Foram precisos cinco anos e um mês para eu ter coragem para adotar o meu cabelo tal como ele é: repleto de pequenos caracóis, os quais estou amando descobrir, tratar, mimar e assumir.

Muito tenho eu que agradecer às minhas amigas Kaly e Elisângela, as quais insistiram, persistiram e nunca desistiram para que eu assumisse o cabelo natural. Segundo elas, este não carece de qualquer "tratamento" para ser bonito. Finalmente, aquando da viagem a Cabo Verde, em abril deste ano, ao constatar o quão lindo estavam os cachos delas, sacramentei a decisão de largar mão da desfrisagem, mais não fosse porque tinham-me elas sob vigilância apertada, não fosse eu cair na tentação.

Volvidos seis meses, confesso que foi uma das melhores decisões de toda a minha vida. Estou absolutamente apaixonada pelo meu cabelo. O detox capilar sabe maravilhosamente bem, e, ao contrário do cabelo quimicamente tratado, o natural surpreende-me sempre pela positiva. Cada dia é uma descoberta, uma aventura e uma alegria. Não penses que foi fácil porque não foi. O período mais crítico, em que todos os dias ansiava por meter-lhe um texturizante em cima, foi entre o segundo e o quarto mês.

O meu sonho de consumo capilar sempre foi caracóis da cor de mel. Caracóis tive eu desde sempre, quanto à cor mais clara, só fazendo praia o ano todo, coisa impossível para quem vive na Europa. Por diversas vezes ousei fazer coloração, acabando, contudo, por desistir, já que a combinação do desfrisante com a tintura é fatal para a definição dos caracóis, os quais acabavam por perder a ondulação natural e ficar com as pontas queimadas.

Como tal, tinha perdido a esperança de ter o cabelo numa cor mais clara. Agora tenho-o loiro e posso dizer loiro natural. Confusa? Já explico! Há meses que uso champô de camomila orgânico, o qual vai paulatinamente clareando o cabelo. Com a exposição ao sol, que só o verão é capaz de proporcionar, os meus fios foram clareando de tal modo que já só uso o tal champô uma vez por semana, apenas para prevenir que o tom natural ganhe terreno.

Pela imagem que ilustra esta crónica podes constatar o quão deslumbrante está o meu cabelo. E, ao contrário do que sempre acreditei, a versão natural dá menos trabalho do que a versão quimicamente tratado. Em circunstâncias normais, só preciso lavá-lo duas vezes por semana, sem precisão de molhá-lo diariamente, como acontecia há quase 30 anos. Uma vez por semana, faço uma hidratação profunda, com uma máscara indicada para caracóis naturais (a da marca Wella é milagrosa). Para o dia a dia, borrifo-o com um spray hidratante da Revlon (linha para caracóis), um pouco do activador de cachos da Sof'n Free e o creme modelador da Tigi (a meu ver, o melhor que já inventaram para os caracóis).

Há largos anos que só uso produtos da gama profissional, ou seja, sem parabenos, sulfatos, álcool e outros componentes que só servem para intoxicar o couro cabelo e danificar os fios. Gasto mais, é certo, mas a compensação essa é garantida, com a saúde do cabelo a ser uma certeza. Ainda agora nas férias, fui aparar as pontas num cabeleireiro em França, sem experiência alguma em cabelos africanos, e a primeira coisa que ele me disse foi que o meu cabelo era super sedoso e muito bem cuidado. "Por isso faço eu", respondi-lhe toda vaidosa.

Por hoje é tudo. Cá estarei de volta na quarta-feira para mais um papo amigo. Até lá, deixo-te com aquele abraço de sempre e desejos de uma ótima semana.

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47D12B0F-7903-4182-A39D-A970040A6E94.jpegViva! ✌️ 

Prestes a alongar os dedos para começar a escrever a crónica de hoje, eis que o telefone toca e uma amiga, recém-chegada de umas férias na ilha do Monte Cara, desafia-me para um almoço. Quem conseguiria resistir ao apelo da melhor cachupa de Lisboa e de um papo de gajas? Eu é que não, até porque estava precisada de um programa de improviso, que tão bem sabe! 😉

Assim, passei para dizer-te que o fim de semana começou mais cedo do que o previsto e que na segunda-feira cá estarei à tua espera. Até lá fica com aquele abraço tão nosso e a dica para aproveitares os próximos dias para te vitaminares com o lipossolúvel D ☀️, que tão bem faz à saude e ao humor.

Hasta!

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15
Set21

Reeducação alimentar.jpgOra viva! ✌️ 

Esta quinta-feira haverá live e o tema não poderia ser mais propositado: a reeducação alimentar. Como convidada terei a psicóloga Rosa Sena que vai partilhar a sua recente empreitada rumo a uma vida mais saudável. E vida mais saudável sabemos nós que passa, indubitavelmente, por uma alimentação consciente, responsável e sustentável.

No que toca à minha pessoa, nunca vivi grandes dramas em relação a esta questão, já que sempre apreciei comida saudável, ainda que seja avessa a regimes alimentares restritivos - a meu ver, insustentáveis a longo prazo. É certo que fui beneficiada com uma boa génetica, mas nem por isso deixo de fazer a parte que me cabe para manter um corpo são e elegante.


A nova colega de casa, no auge dos seus 20 aninhos, não conseguia acreditar que eu tivesse mais 23 anos do que ela, ou seja, a mesma idade da sua mãe. Isso é um claro indicador de que estou fazendo um ótimo trabalho nesse sentido. E não penses que é "achismo" ou bazófia. Há dias a sobrinha de uma grande amiga minha, prestes a completar 16 anos, disse-me que quando chegar à minha idade quer ter um aspeto igual ao meu. Tem elogio maior? 😉

Sobre o direto de amanhã, tenho a dizer que a minha convidada e eu pretendemos abordar a correlação entre a reeducação alimentar e a autoestima, vamos sugerir dicas e truques para implementar, e levar avante, a mudança e partilhar experiências pessoais. Fora isso, vamos ainda demonstrar que nunca é tarde para mudarmos de vida, para adotarmos um estilo de vida mais alinhado com a saúde e o bem-estar e para termos orgulho daquilo que vemos ao espelho.

Tens aqui motivos mais do que suficientes para participares, sendo que a tua intervenção, quer através de comentários, quer através de pedido para aderir, serão sempre bem recebidos. A Rosa e eu esperamos por ti amanhã, a partir das 21 horas (19 em Cabo Verde), no perfil sara_sarowsky, para mais um papo amigo. Aparece!

Aquele abraço amigo e até lá!

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4DA4D498-9F5E-4AD3-9A3D-D03A5222E1F4.jpegOra viva! 👋

Enquanto "desencardidora de mentes", é meu dever dar um contributo ativo para a desmistificação de questões "sensíveis" à condição feminina, em especial à mulher solteira e à mulher negra. Uma dessas questões prende-se precisamente com a forma como os "não negros" se dirigem ou referem a nós.

No universo feminino, que é onde estou confortável para opinar, tal acontece com uma frequência indesejável nos dias que correm. Dois milénios e duas décadas depois de Cristo, continuamos a levar com pseudoelogios que em nada abonam a nosso favor, muito pelo contrário. Acredito que a maioria daqueles que os proferem fazem-no na crença de que estão a enaltecer-nos, quando na verdade estão é a desmerecer-nos.

Porque ofensa é ofensa, seja ela provida (ou não) de intenção, é preciso expor a situação, trazer à baila o tema, de modo a alertar os incautos para terem cuidado, de modo a não ferir suscetibilidade nem cair no erro de perpetuar estereótipos que contribuem ativamente para o enraizamento do racismo e do preconceito em relação às mulheres negras. 

Cláudia Turpin, para a revista Activa, cita quatro "bocas" que nos são ofensivas e que estamos fartas de ouvir. São elas:

"És uma negra bem bonita"
O que está implícito neste comentário é que os negros, em geral, são pouco atraentes. Isto para não mencionar a noção condescendente de que a pessoa que está a tentar "elogiar" é uma rara exceção à regra, que, diga-se de passagem, só existe por causa de preconceitos. Da próxima vez, deixa a qualificação e as nuances racistas de lado, e faz apenas uma afirmação genuína sobre a beleza da outra pessoa. Já agora, podemos juntar o "És diferente. Vê-se que cresceste cá" ao pacote?

"Não pareces negra. Tens alguma mistura?"
Esta pergunta é um sintoma de discriminação pelo tom de pele, na qual as minorias são consideradas mais "aceitáveis" se tiverem traços físicos que se assemelham aos de pessoas brancas. Em vez de dizerem a uma mulher negra que ela é bonita ou inteligente, pessoas de todas as raças, incluindo alguns homens negros, perpetuam a suposição de que essas características só podem ser alcançadas através da existência de relações interraciais na linhagem familiar.

"Tens tanta sorte! Não precisas de bronzear"
Sim, as pessoas negras têm mais melanina, uma proteína que é responsável pela pigmentação da pele, do cabelo e de outros pelos no corpo. A dita sorte por termos um "bronze natural" prende-se com as preferências pessoais de cada um em relação ao tom de pele. Porém, há uma ideia errónea de que não conseguimos ficar bronzeados. Embora tenhamos menos probabilidades apanhar escaldões ou de ter cancro da pele, não deixamos de estar vulneráveis aos efeitos nocivos dos raios solares e precisamos de proteção e cuidados *como toda a gente*.

"Tenho uma queda para negras"
Alô? Noção precisa-se. As negras não são todas iguais. Então, quem diz isto sente-se atraído especificamente pelo quê? Dependendo da resposta, poderá estar a sugerir que só tem interesse nos estereótipos associados às mulheres negras, e não nas características individuais de cada uma. Não há nada de errado em achar certos detalhes atraentes - penteados, traços faciais ou diferentes tipos de corpo - mas é perigoso sugerir que qualquer combinação dessas qualidades representa o todo de uma etnia.

Os tópicos acima referidos espelham na perfeição o que referi no início desta crónica, há elogios que são dispensáveis, sobretudo se forem capazes de constranger aquele que o ouve. Na dúvida sobre como elogiar uma mulher negra, sem cair no erro de perpetuar estereótipos ou preconceitos, recomendo sensibilidade e bom senso, que esses nunca falham.

Por experiência própria acrescentaria dois ou três "cumprimentos", como, por exemplo, este: "Deves ser uma bomba na cama". Mas isso já é assunto para outra crónica, que esta já cumpriu o seu propósito. Fica bem, na companhia do meu abraço amigo!

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