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Crónicas, contos e confissões de uma solteira gira e bem resolvida que ainda não cumpriu o papel para o qual foi formatada: casar e procriar. Caso para cortar os pulsos ou dar pulos de alegria? Provavelmente, nem uma coisa nem outra!


leisure-1869744_1920.jpgViva!

Saberás tu indicar qual é a qualidade física dos homens que mais atrai as mulheres? Vou já avisando para não olhares para a fotografia, pois ela, provavelmente, induzir te á em erro. Aposto que olhaste - apesar de ter-te aconselhado a não fazê-lo - e que neste momento estás a pensar que a resposta estará relacionada com músculos definidos, six pack para ser mais exata. Acertei?

Acredites ou não, a resposta encontra-se bem acima, mais concretamente no rosto. Surpreendentemente (ou talvez não), um sorriso 😀 brilhante e imaculado é a principal caraterística que as mulheres procuram num potencial parceiro. Eu que sou uma fã incondicional do tal "pacote seis", tenho a dizer que concordo ipsis verbis com esta preferência feminina.

Dados recolhidos junto de 2.197 mulheres solteiras não poderiam ser mais contundentes em relação a esta questão: 71 por cento prefere "um belo sorriso" acima de tudo o resto. E esse tudo o resto resume-se a quatro aspetos: boa personalidade e bom sentido de humor (62 por cento), aspeto físico 'agradável' (61 por cento), bons valores familiares (44 por cento) e confiança (40 por cento).


A pesquisa propiciou outra descoberta, no mínimo inesperada: 70 por cento das inquiridas admitiu evitar ou ignorar um potencial parceiro amoroso devido à sua aparência. Pergunto-me em qual área geográfica esta incidiu. Garanto que não foi pelas bandas do arquipélago da morabeza, onde os homens são ferozmente disputados com base no seu corpinho danone. O que é perfeitamente compreensível, já que, na hora do vamos ver, é o corpo que se come e não o sorriso, por mais estonteante que este seja.

Aos gajos comuns, a mensagem é clara: invistam seriamente no sorriso, não descurando a higiene oral, o branqueamento dentário e o aparelho ortodontico (se necessário for). Aos gajos bons, a mensagem é bem mais específica: de pouco vos servirá um corpo todo trabalhado no fitness se o sorriso não estiver à altura. Às gajas solteiras que, tal como eu, querem o melhor dos dois mundos, a mensagem é só uma: gajo bom com sorriso bonito. Oh yeah 😉!

Vou aí caçar um exemplar desses e já volto. Enquanto isso, deixo-te com aquele abraço 🤗  amigo de sempre!

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25
Jun20

moon-2106892_1920.jpgViva!

De volta ao confinamento domiciliário, desta vez sob recomendação médica por causa de uma entorse no tornozelo direito que reluta em sarar, resolvi - ao invés de partilhar os primeiros episódios do meu diário de incapacitada de primeira viagem - abordar alguns comportamentos típicos de uma pessoa apaixonada.

Protelando o relato dos meus dramas quotidianos para outra altura, passo então a identificar três sinais, que, segundo a autora Wendy L. Patrick, permitem apurar com o desejado grau de certeza se alguém está ou continua caído de amores.

1. Interesse
Quem está apaixonado quer saber aquilo que o outro pensa, sente, deseja e precisa. Como tal, demonstra um interesse profundo e real, no intuito de conhecer o melhor possível a pessoa por quem o seu coração bate mais depressa.
 
2. Memória
Quando temos sentimentos verdadeiros, tudo o que queremos é ver o objeto da nossa afeição feliz. Lembrar-se de detalhes como música favorita, prato preferido ou nome do perfume habitual é um claro indício de que se está atento a tudo o que lhe diz respeito.
 
3. Sorte
Assumir que se é um sortudo por ter alguém na sua vida é uma genuína declaração de amor. Quando é um parceiro que profere tal declaração, deixa de existir qualquer margem para dúvida. Afinal, há sorte maior do que estar com a pessoa amada?

Agora que já te pus a par dos três sintomas reveladores de um quadro de paixonite aguda, é hora de retomar à minha vidinha de solteira coxa, confinada e teletrabalhadora.

Beijo no ombro e desejos de um dia apaixonante!

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Viva!

Hoje quero desabafar contigo sobre o motivo por detrás da minha, cada vez mais acentuada, aversão pela literatura romântica. O perfil de devoradora compulsiva de livros com corações, vulgo romances, relevou-se ainda nos primórdios da minha adolescência, como já aqui tive oportunidade de contar no post A felicidade pode estar ao virar da páginaClássico ou de bolso, pelas minhas mãos passaram milhares de exemplares de Sabrinas, Júlias, Biancas, Harlequins e companhia limitada.

A leitura de romances, em especial o momento de partilha com as amigas que se lhe procedia, era, sem sombra de dúvida, o passatempo favorito da minha meninice, pelo qual ansiava desde a hora em que acordava até à hora em que ia dormir. Já adulta, o gosto pela coisa manteve-se, ainda que com menos intensidade, à medida que ia descobrindo que o amor na vida real podia ser bem mais interessante. Hoje em dia, salvo três ocasiões (viagem de autocarro para a França, férias ou idas à praia), é raro eu pegar neste tipo de livro.

Ainda que continue a considerá-las ideais para desanuviar as ideias, ao mesmo tempo que resgata a veia sonhadora que há em nós, os seus enredos têm-me cativado cada vez menos, ao ponto de abandonar a maior parte deles ao fim de um ou dois capítulos. Porquê? Porque é-me cada vez mais difícil identificar com o perfil das protagonistas. Em mais de 90% das histórias, elas são retratadas como criaturas frágeis, inseguras e com pouca autoestima, pobres coitadas a quem o amor de um homem impele à metamorfose necessária à felicidade.

A ideia comum à maioria delas é que a solução para os problemas de uma mulher reside quase que exclusivamente no homem pelo qual se apaixona. Exemplificando: se ela é pobre, é através do casamento que consegue resolver os seus problemas financeiros; se é vítima de chantagem ou algum outro tipo de coação, caberá ao homem dos seus sonhos livrá-la dos apuros; se está a passar qualquer tipo de dificuldade, a sua salvação é responsabilidade do dito cujo. 

Esta visão da mulher no contexto amoroso representa, a meu ver, a mais pura expressão de machismo que possa existir; uma postura absolutamente incompatível com o empoderamento feminino, tema que me é tão caro. É por isso que vou deixando de ler romances. Ainda há dias, durante as férias no Algarve, dos quatro exemplares que levei comigo, só consegui acabar de ler apenas um. Aos restantes dei-me tão somente ao trabalho de folhear as primeiras páginas, já que rezavam pela mesma cartilha: a coitadinha que é resgatada da sua miserabilidade por um homem com quem, no fim, acaba a trocar juras de amor eterno.

Em pleno século XXI não há, nem pode haver, lugar para pensamentos destes, alarmantemente ilustrativos de uma visão estereotipada, enviesada e desajustada da realidade. Há sim lugar para incutir nas leitoras, que tal como eu devem começar a consumir este tipo de literatura ainda na adolescência, de que as mulheres devem ser donas e senhoras do seu destino, perfeitamente capazes de resolver os seus problemas, de batalhar pelo seu lugar ao sol, de serem felizes à própria custa.

Portanto, às novelistas desta vida lanço o desafio de abraçarem a causa feminista e de adaptarem a sua escrita aos tempos atuais. Peço ainda o especial favor de pararem de alimentar o monstro da dependência de uma mulher em relação a uma figura masculina, como se a felicidade da primeira só pudesse ser justificada pela presença da segunda.

Afinal, o que vos impede de caracterizar a personagem principal como uma mulher segura, confiante, dona da sua vontade, a quem um amor vem apenas acrescentar mais valor à sua vida? É preciso lembrar-vos que os escritores têm uma enorme responsabilidade social, cujo impacto é imensurável; e que, por isso mesmo, devem ter um cuidado extra na forma como retratam cada um dos personagens, sobretudo a principal?

Por hoje é tudo. Aquele abraço amigo de sempre!

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19
Jun20

model-1955513_1920.jpgViva!

Nenhum outro sabe tão bem como a sexta-feira, o dia em que a maioria dos assalariados dá por encerrada a sua semana laboral. A antevisão de dois dias de descanso integral confere-lhe aquela pitada extra de alto astral que a torna única. Ninguém melhor do que ela para permitir dar aquele belo pontapé de saída no fim de semana, período durante o qual desligamo-nos dos compromissos profissionais para dedicarmos atenção a tudo o mais que não seja trabalho.


No meu caso, como não tenho que prestar assistência familiar presencial, aproveito a pausa semanal para dedicar-me a atividades que promovam, simultaneamente, descanso, relaxamento e bem-estar (seja ele físico, emocional ou espiritual). Ultimamente, as áreas de desenvolvimento pessoal e evolução espiritual têm-se assumido como o pilar dessa tríade que acabei de mencionar. É aqui que entra o tema desta crónica: ho'oponopono e a sua magia na vida de quem a pratica.

Tive a oportunidade de descobrir esta prática de meditação que visa a reconciliação e o perdão, em 2018, quando frequentei aquele workshop de reprogramação mental, de que te dei conhecimento nos posts É chegada a hora de reprogramar a mente e Desafio-te a reprogramares a tua mente. Nessa altura, no rescaldo da sua descoberta, estava longe de ter a noção exata do seu tremendo impacto curativo na minha vida. Hoje, volvidos mais de dois anos, estou em posição de garantir que ela traz inúmeros benefícios aos seus praticantes, nos quais orgulhosamente me incluo. 

Caso não estejas por dentro da coisa, fica a saber que ho'oponopono (cuja fonética primeiro intimida para depois cativar) é um poderoso mantra capaz de restaurar a harmonia interior (e, por tabela, exterior) de qualquer pessoa. Assente numa antiga crença havaiana de que a fonte do erro está em pensamentos contaminados por memórias dolorosas ou traumas do passado, esta técnica de cura energética efetiva-se essencialmente pela vida destas quatro frases: "Sinto muito", "Perdoa-me", "Amo-te" e "Sou grato", as quais podemos repetir quantas vezes quisermos, da forma que melhores resultados gerar, consoante a nossa necessidade e conviniência.


Por estar convicta do seu inacreditável poder, e por acreditar que todos merecem a oportunidade de experienciar uma existência mais plena e abundante, desafio-te a descobrir a magia do ho'oponopono. Este sábado vou estar num workshop inteiramente dedicado a ele, conduzido por Isabel Soares dos Santos, a provedora das previsões energéticas aqui publicadas no início de cada mês. Afinal, quem melhor do que a minha guardiã de luz para me guiar nesta poderosa técnica de elevação espiritual. Junta-te a nós, e não te arrependerás! 

Que a magia do ho'oponopono esteja contigo, todos os dias da tua vida!

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18
Jun20

hand-5028815_1920.jpgViva!

Comecei a alinhavar esta crónica andava a pandemia do novo coronavírus a dar os primeiros passos em direção ao estado de emergência. O compasso de espera até avançar com a sua publicação prendeu-se com dois motivos: acompanhar a evolução da situação (a fim de saber se mais benefícios poderiam daí advir) e evitar ferir a suscetibilidade daqueles que recusavam ver a crise sanitária como uma chamada de atenção para melhores práticas humanas, sociais, governamentais, económicas e, acima de tudo, ambientais.

O relatório da situação epidemiológica desta quinta-feira, 18 de junho, indica que Portugal conta com 38.089 casos confirmados de Covid-19; sendo que, desses, 1.524 são óbitos. Feitas as contas, é fácil concluir que a taxa de contágio (para um universo de 10 milhões de habitantes) sequer chega a 0,4%. Ora isso quer dizer que cerca de 99,6% dos residentes em Portugal não acusaram a doença, e que, dos que acusaram, apenas 4% não conseguiu de todo recuperar.
Insisto: somente 0,4% da população portuguesa ficou doente por causa do SARS-CoV-2. Dos tais 0,4% que adoeceu, apenas 4% não conseguiu sobreviver.

A elevadíssima taxa de sobrevivência/recuperação é o primeiro (e, claramente, o mais importante) aspeto positivo desta pandemia, maldita por um lado e bendita por outro. Porque ver o lado B(om) de tudo que nos acontece é uma postura que adotei para a minha vida, passo a enumerar mais uns quantos. Vejamos:
1. Os governantes nunca fizeram tanto pelo cargo que ocupam, bem como pelo salário que auferem,
2. No contexto político, situação e oposição estiveram harmoniosamente sintonizadas,
3. Entidades públicas e privadas falaram a uma só voz,
4. A população esteve mais unida do que nunca,
5. Muitas empresas assumiram uma postura deveras generosa para com os seus colaboradores,
6. As famílias estreitaram os laços,
7. O egoísmo, a indiferença e o descaso deram lugar à solidariedade, à empatia e à afetividade,
8. O dinheiro mostrou a sua desimportância perante o que realmente importa,
9. O culto do individualismo foi posto em cheque,
10. O mundo apercebeu-se que, independentemente da posição social, todos podem contrair o vírus,
11. Não restou margens para dúvida de que a saúde, bem como o sistema que a suporta, é um ativo fundamental,
12. As pessoas despertaram do seu profundo estado de alienação para se manifestaram genuinamente preocupadas com o bem estar de todos.

Lamento profundamente o facto de todas estas conquistas, acabarem por, indubitavelmente, ceder lugar às práticas pré-pandemia. Pelo que tenho visto, ouvido e deduzido, será uma questão de tempo até que a maioria dos mortais volte aos antigos hábitos de vida, consumo e interação - social e cívica. Os ensinamentos que, supostamente, todos nós deveríamos ter apreendido parecem condenados a uma página (negra, é certo) da memória coletiva.

Aquele abraço amigo de sempre! 

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erotic-5217378_1920.pngViva!

Um artigo da Máxima, datado de outubro do ano passado, desafiou-me a refletir sobre quanto tempo sem sexo pode ser considerado demasiado. Dada a sua a pertinência, proponho para hoje uma análise objetiva e despudorada do assunto. Alinhas?

A minha solteirice de longa duração, aliada ao facto de ser francamente avessa ao sexo casual (ainda no outro dia alinhei numa traquinice que só serviu para provar que não é prática com a qual me identifique, mas sobre isso falarei noutra oportunidade), remeteu-me a um "confinamento" sexual cuja duração extravasa o estado de calamidade. ☺️

Períodos de abstinência sexual são tão necessários quanto o jejum, mas quando prolongados em demasia, especialmente por razões alheias à vontade, poderão ter consequências físicas e psicológicas bastante percetíveis. Sobre esta questão, a sexóloga e terapeuta familiar Marta Crawford garante que "individualmente as pessoas são capazes de aguentar mais tempo sem uma relação sexual", daí que recorrer à masturbação seja uma forma de se satisfazerem. "Uma pessoa que se masturba consegue aguentar bastante tempo sem uma relação a dois. Quem não o faz também resiste mais tempo, já que por alguma razão não tem motivação sexual", assegura. 

"Quando não existe tanta prática, de alguma forma o organismo regula-se a essa falta e vai sendo cada vez mais capaz de regular a sua vontade sexual ao longo do tempo", explica a terapeuta sexual. Em contrapartida, existem pessoas com grande necessidade de satisfação sexual, e de proximidade e intimidade também. Para essas a sexualidade é muito importante, determinante até para o seu equilíbrio e bem-estar, e por é essa razão que precisam de ser sexualmente ativas. "Uma pessoa que tem uma atividade sexual semanal ou diária, obviamente quando deixa de ter lida mal com isso, porque a sua vontade é mais frequente e a abstinência mais difícil de gerir", explica a sexóloga.

Em suma, perante a abstinência sexual, podem ser identificados três tipos de perfis:
1. Pessoas a quem o facto de não terem sexo não lhes cria qualquer tipo de conflito e estão perfeitamente bem nesta circunstância.
2. Pessoas que ficam nervosas, com uma grande ansiedade, insatisfação e um sentimento de solidão.
3. Pessoas que sentem na pele a falta de sexo, ao ponto de terem ter insónias, perturbações e mau-humor.

Reza a experiência desta especialista em sexo, que ter uma vida sexual constantemente ativa é um privilégio ao alcance de poucos. O resto dos mortais oscila entre períodos de sexo frequente e épocas de jejum, independentemente de terem ou não um parceiro.

Moral desta crónica: pode-se perfeitamente viver sem sexo, mas não é a mesma coisa. Daí que nunca será possível definir um número certo sobre quanto tempo é muito tempo sem sexo. No meu caso, sei que é muito tempo, muito mesmo! 😉

Aquele abraço amigo de até breve! 

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D061B7CA-D009-4539-8EFD-9EE72D897700.jpegViva!

Estou no Algarve, naquelas que são umas férias inéditas em terras do sul de Portugal. Foram planeadas num impulso, mas nem por isso com pouco esmero ou entusiasmo. Ansiava por experienciar a vida do turista algarvio de que tanto ouço falar. Tardes inteiras na praia, embalada pelo bater das ondas no areal e acariciada pelo calor do astro rei, a trabalhar o bronze e a renovar o stock de iões negativos, era tudo o que desejava para este pós-confinamento. 

At last minute, meti o dia de hoje de férias, reservei um aparthotel, comprei os bilhetes de autocarro, fiz as malas e rumei ao sul, na expectativa de que os meus planos cumprir se iam conforme o planeado. Só conseguia pensar nos cinco dias de dolce fare niente que teria pela frente. Nesta equação, o único elemento que não me era possível controlar, foi o que se revelou essencial: o tempo. Acometida de um otimismo exarcebado, não me ocorreu que o São Pedro pudesse sabotar-me os planos. Infelizmente, é o que está a acontecer.

Tirando a tarde de quarta-feira, dia da minha chegada a Portimão, em que o sol brilhava (e escaldava) em todo o seu esplendor, o tempo tem deixado muito a desejar. Frio, vento e nebulosidade são os adjetivos que melhor classificam a meteorologia dos últimos dois dias, com previsão de assim se manter até domingo, o dia do meu regresso a casa. Acreditas que até ousou chuviscar durante o dia de ontem?

Só a mim mesmo! Depois das malfadada miniférias em Ferreira do Zêzere, em junho do ano passado, em que o tempo as arruinou por completo, conforme partilhei no post Crónica de uma escapadinha aquém das expectativas, agora acontece-me exatamente o mesmo, só que num sítio bem mais improvável.

Frustração e impotência espelham bem o meu atual estado de espírito. O que me tem valido são a leitura, a meditação e a televisão, pequenos consolos desfrutados no aconchego do meu espetacular alojamento. Quanto à praia, só mesmo os passeios à beira-mar e os fugazes momentos nas esplanadas, que a temperatura a mais não convida.

Já sei que vou passar os restantes dois dias que me sobram da minha estada à espera de um milagre. Até lá, sinto que este não é o Algarve do meu imaginário e estas, tão pouco, as férias com que sonhei. Caso tenhas novidades do sol, por favor, manda-o cá para baixo, onde muitos anseiam ardentemente por ele. 

Aquele abraço amigo e desejos de um fim de semana radiante (com ou sem sol)!

P.S. - É em alturas como esta que uma solteira acusa, de forma mais acentuada, a ausência de um macho na sua vida. Se estivesse emparelhada, provavelmente, não me importaria nada de ficar trancada num aparthotel, se é que me entendes 😉

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Viva!

O amor é o tempero da vida, não me canso de assumir; e repetir. A maioria dos comuns mortais o perceciona no contexto romântico ou maternal, absolutamente alheia a uma das suas formas mais puras, saudáveis e enriquecedoras: o próprio. Tendo como emissor e recetor o mesmo destinatário, o amor pela nossa própria pessoa é, na dose certa, o melhor aliado na interação com os outros, sobretudo no que toca ao romance.

Longe de mim desmerecer o amor romântico. Estou bem ciente do seu papel social, sexual, biológico e emocional na existência humana. Ainda me lembro do quão feliz e realizado faz-nos ele sentir. A questão aqui é desmistificar a crença - um tanto ou quanto infantil, em grande parte impingido pelos filmes Disney da vida - de que precisamos dele para sermos felizes. Errado! Precisamos do amor romântico para sermos MAIS felizes. A nossa felicidade, na sua génese, não está no outro, mas sim em nós mesmos.

Acreditar que a nossa felicidade está no amor alheio é disruptivo, razão pela qual abundam tantas criaturas infelizes por não estarem emparelhadas. Amas e és amada? Sorte tua! Amas e não és amada? Azar teu! Não amas e és amada? Sorte irónica essa tua! Não amas nem és amada? Ainda há esperança! Amas-te a ti mesma como gostarias de um dia ser amada? Estás no caminho certo para viver um amor para a vida toda!

Amor não é algo que se vai à Internet e faz download, que se vai ao supermercado e compra, que se pede emprestado a quem tem muito ou que se obtém pela via da cobiça. Amor não é algo que se tem só porque se deseja. Ele simplesmente acontece. Ou não. E enquanto não acontece, convém nutrirmos o nosso coração com amor próprio, aquele cuja intensidade, profundidade e duração depende única e exclusivamente da nossa vontade em ser feliz, do jeitinho que dá.

Autoamor só depende de nós, já amor de outrem… Single mine, se tal como eu, (ainda) não tens o segundo, a minha dica é só uma: sê feliz com o primeiro, como se não houvesse o segundo (que por enquanto não há mesmo). O amor alheio há de chegar na hora exata e na pessoa certa. Até lá, vai sendo feliz contigo mesma!

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chair-4256570_1920.jpgViva!

As expectativas de um primeiro encontro raramente são encaradas de ânimo leve, sobretudo quando se quer muito arranjar alguém. Em termos emocionais, a sua antevisão acarreta um misto de ansiedade, entusiasmo e insegurança. Por assim ser, a margem de erro costuma ser bastante elevada, com consequências perfeitamente capazes de comprometer a continuidade de algo que muito se deseja.

Detalhes podem arruiná-lo, alguns tão pequenos que muita gente deles sequer se apercebe. Sabendo da importância de se causar uma boa impressão nesse momento, Eduardo Torgal, coaching do programa Casados à Primeira Vista, chama a atenção para dez erros que toda a pessoa que se aventura num primeiro encontro deve evitar, sob pena de continuar desemparelhada. São elas:

1. Falar do(s) ex
Conversas sobre relacionamentos passados não devem fazer parte da ementa de um primeiro encontro, o momento ideal para que duas pessoas tenham a oportunidade de se conhecerem, identificarem os pontos em comum, confirmarem se a atração é mutua e apreciarem a companhia um do outro. Não há espaço para uma terceira pessoa, menos ainda se essa pessoa ocupou um lugar especial na vida de quem estamos interessados.

2. Fazer planos para um futuro a dois 
Não tem mal nenhum demonstrar que se está verdadeiramente a fim. Convém é que essa demonstração não exceda o limite do razoável. Mencionar um futuro a dois logo no primeiro encontro é meio caminho andado para um "ligo-te depois para combinarmos alguma coisa!". Todas nós sabemos o que isso quer dizer, não é mesmo?

3. Queixar-se da vida
Problemas todos temos, mas nem por isso devemos sair por aí a contá-los ao primeiro que disponibilizar um par de ouvidos. O first date serve para causar uma boa impressão no outro, para despertar nele a vontade de voltar a querer estar connosco. Quem quererá voltar a estar com uma pessoa que, logo na primeira vez que estiveram juntos, andou a queixar-se de tudo e mais alguma coisa?

4. Expectativas desencontradas

Um dos principais motivos para que não haja um segundo encontro deve-se à expectativa de relação, ou seja, àquilo que cada um quer e espera do outro. Daí que seja essencial esclarecer sobre o que se está à procura e o quanto se está disposto a investir. Pela minha experiência pessoal, quanto mais cedo se abordar esta questão, menos expectativas defraudadas haverá.

5. Dar demasiada atenção ao telemóvel
Nada mais frustrante do que estar a falar com alguém que não para de dar atenção ao telemóvel. Além de demonstrar desinteresse pela conversa, e pelo interlocutor, é de uma deselegância e desconsideração intoleráveis para com quem abriu mão do seu tempo para estar connosco.

6. Discutir
Exaltar-se quando é suposto mostrar-se cativante é outro dos erros fatais na primeira vez que se sai com alguém. Além de revelar um temperamento inflamável, deixa claro que não se tem um bom domínio das emoções. Quem se aventura num encontro a dois, fá-lo na expectativa de desfrutar de um bom momento, numa companhia agradável, pelo que uma discussão é a última coisa com que deseja levar.

7. Não ter opinião
Assim como entrar numa discussão não é uma boa estratégia de conquista, não expressar as nossas ideias ainda menos. Como referi antes, o primeiro encontro serve para que duas pessoas se conheçam e vejam quais os interesses em comum. Se uma das partes não partilha o que pensa acerca de determinado(s) assunto(s), como é que o outro vai ficar a conhecê-lo? No caso de não se querer expressar a opinião, o que é perfeitamente compreensível, duas sugestões: alimentar a conversa com perguntas ou mudar habilmente de assunto.

8. Não planear o encontro

O sucesso de uma saída a dois, seja ele primeiro ou não, passa, como em tudo na vida, por um bom planeamento. Só assim se consegue assegurar que os interesses convergem em direção a um programa que seja prazeroso para ambas as partes. Na hora de decidir sobre que programa fazer, é recomendável ter em consideração as conversas mantidas o e os gostos de cada um.

9. Escolher o local habitual
É de se evitar ao máximo marcar o encontro no mesmo sítio que se costuma frequentar com os amigos ou familiares. Esse deverá dar-se em território neutro, de modo a que ambos estejam em igualdade de circunstâncias. Se se marca um primeiro encontro no "sítio do costume", para além do risco de ser abordado por algum conhecido, dá-se ao outro motivo para pensar que não houve empenho na sua preparação. Sem falar que ele pode sentir-se intimidado com o à vontade caraterístico de quem está familiarizado com o ambiente.

10. Falar sobre o trabalho
É expectável, recomendável até, que se faça menção ao que cada um faz na vida. Agora falar exaustiva e detalhadamente sobre o assunto é que não. Além do too much information, existe o perigo de o outro pensar que não se tem mais tema de conversa ou que se é viciado em trabalho. O outro aceitou encontrar-se para conhecer a pessoa por quem está interessado, e não o trabalho que ela faz. Se for caso de abordar a questão, que seja de forma superficial e descontraída.

Para que não restem dúvidas: os ex ficam no passado, não precisamos começar já a escolher os nomes dos filhos, muito menos por o outro a chorar com os nossos problemas ou entediado com assuntos do trabalho. No amor, como em tudo na vida, as coisas são mais simples do que imaginamos. Precisamos é estar mais atentos ao outro e menos focados em nós.

Single mine, espero que estas dicas te sejam verdadeiramente úteis e eficazes num próximo encontro, que desejemos que esteja para breve.

Aquele abraço amigo de bom fim de semana!

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black-lives-matter-1011597_1920.jpgViva!

Por mais que deseje que assim fosse, o racismo não nasceu nem vai morrer com o caso George Floyd. Este é tão-somente o mais recente (e, provavelmente, um dos mais revoltantes) episódios de uma saga, cujo tempo de antena já não se justifica, cuja realidade deveria ter perdido há muito o seu lugar na história da humanidade, cuja batalha escusava o mundo de estar a enfrentar neste momento de tamanha vulnerabilidade, incerteza e incapacidade.


Na qualidade de membro da raça mais fustigada por este cancro social (sem cura à vista, há que assumir), assumo que o racismo está tão enraizado nas sociedades - em umas mais do que em outras, é certo - que são precisos episódios como este de Mineápolis para que nos lembremos de que estamos longe de vencer esta guerra; se é que isso algum dia acontecerá.
 
Racista não é só aquele que chama "preto" ao africano, não é só aquele que diz "vai para a tua terra", não é só aquele que diz que prefere morrer a ter um neto "de cor", muito menos aquele que se refere aos negros como "macacos". Racista é, na sua essência, aquele que acha que não é, pois ao achar que não é, não vê motivos para mudar a sua perceção, erradicando assim da sua crença a convicção de que o valor das pessoas varia consoante a cor da pele ou os traços fisionómicos. Racista é aquele que, no alto da sua prepotência, apregoa que o racismo não existe.
 
O racismo existe sim! Trata-se de uma realidade transversal a todos os países, com Portugal a não ser uma exceção. Eu mesma aqui testemunhei, no post Quando pensamos que o racismo é coisa do passado há sempre alguém para nos lembrar do contrário, o quão utópico é acreditar que neste país essas coisas não acontecem. Talvez não aconteçam com a mesma regularidade, vulgaridade e gravidade como nos Estados Unidos, mas convém não esquecermos os casos da Cova da Moura ou do Bairro da Jamaica, só para citar os mais flagrantes. A esses deu-se destaque na opinião pública. E aos outros, àqueles que acontecem todos os dias e dos quais, muitas vezes, nem as próprias vítimas se apercebem?
 
Estes três casos, publicados na edição de março de 2019 da Vogue Portugal, ilustram – e de que maneira – aquilo que acabei de referir:

Amélia candidatou-se a um emprego numa instituição bancária. Como não pôs a fotografia no currículo, acabou por ser contratada, depois de passar por um processo de seleção. Percebeu na entrevista final que o chefe tinha ficado de pé atrás, e um dia tomou coragem e perguntou-lhe diretamente se tinha a ver com o facto de ser negra. Frontal, ele assumiu que sim, justificando que o banco tinha como política não contratar nem negros nem brasileiros, e que se ele tivesse visto a sua fotografia antes, ela não seria selecionada.
 
Mamadou tentou durante meses arrendar uma casa no centro de Lisboa. Nunca conseguiu. Por ter sotaque, à custa da sua origem senegalesa, ao entrar em contacto com o proprietário, levou sempre com a promessa de que receberia mais informações por SMS. Ao tuga de gema, com sotaque lisboeta, que ligava imediatamente a seguir, davam logo a morada, por telefone ou por SMS.
 
William, estudante de arquitetura em Londres e de férias em Lisboa, deixou a mãe à porta de casa para ir estacionar o carro. Sem nada fazer, foi mandado parar por dois polícias e levado para a esquadra. O argumento para tal? Uma carta de condução que os agentes insistiam que não era. Ele não teve dúvidas sobre a única razão de ter sido considerado suspeito: era castanhinho.
 
Inocência, professora doutorada na Faculdade de Letras de Lisboa, estava no Hospital de Santa Maria quando perguntou a uma enfermeira onde ficava um certo serviço. "Está ali indicado na placa, sabe ler?", foi a resposta que obteve.
 
Estes são apenas quatro, de entre incontáveis, histórias do Portugal de hoje. Pequenas amostras de um fenómeno muito mais colossal e transversal do que a maioria quer revelar ou reconhecer. A ponta de um icebergue, cuja dimensão e profundidade poucos de nós se sentem preparados para encarar, aceitar, lidar e lutar.
 
Termino reforçando que black lives matter sim, tal como todas as outras, e que só existe uma raça: a humana!

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